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Rei Demônio ao Trabalho – Vol. 01 – Cap. 03.6 – O Rei Demônio e a Heroína Permanecem Fortes em Sasazuka

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— Isso… não é um filme, né?

Chiho ainda estava consciente, sendo a única testemunha deste embate entre forças sagradas e demoníacas. Dentro de sua barreira sagrada de antimagia, ela assistia com um olhar surpreso no rosto enquanto a batalha se desenrolava. Sua boca estava aberta, e até mesmo a dor em seu corpo parecia ter desaparecido, não sendo mais relevante.

Alciel usou sua força para jogar vários pedaços enormes de escombros no ar. Como se já fosse de esperar, todos voaram na direção de Lúcifer e Olba a uma velocidade espantosa.

Emília subiu em um deles, jogando-se em direção a seus inimigos. Embora doesse no fundo de sua alma, Alciel assumiu o controle da pedra em que Emi estava, e o espigão em sua cauda se contorceu.

— Corte da Chama Sagrada!

A espada sagrada desceu, lançando uma hora de lâminas chamejantes que disparavam em direção ao ombro de Lúcifer, o qual cambaleou em pleno ar, mas o ferimento não foi grave.

— Emília, perdeu a cabeça!? Está se juntando às forças do mal… A Igreja jamais perdoará isso!

O insulto de Olba parecia desesperado enquanto ele se esquivava dos destroços que Alciel jogou nele. Emília riu, assim como o Rei Demônio, que continuava no seu trabalho de Atlas, do outro lado da batalha.

— Silêncio, traidor!

— Não venha com essa baboseira, careca.

— Você não tem direito algum de dizer isso.

— Quem é você para falar algo.

Até mesmo Lúcifer e Alciel entraram na discussão.

Olba, não esperando uma resposta tão contundente e unanima, ficou surpreso por um momento, o suficiente para que um dos destroços menores o atingisse. Se fosse uma pessoa normal, teria morrido, mas ele ainda era um arcebispo da Igreja, mesmo que fosse caído. Ele balançou a cabeça e rosnou:

— Sim… Deixei minha guarda baixa por um momento.

Pequenos pedaços de metal e concreto estavam espalhados ao redor de Olba. Ele devia ter se esquivado no último instante, mas sua cabeça ainda sangrava um pouco, onde sua proteção falhou no último instante.

— …

— Tem certeza que pode chamar isso de deixar a guarda baixa?

Quando o Rei Demônio fez tal comentário de longe, sem ser para alguém em particular, Alciel entrou na ofensiva, confrontando Olba em combate corpo a corpo.

— Fique longe de mim, demônio horrendo!

— …

— Uau, Olba está tentando se dar um papel de protagonista com essas palavras.

Alciel tinha o hábito de nunca falar, a menos que fosse necessário, deixando o Rei Demônio fazer os comentários livremente.

— Mas esta batalha está ficando estranha. Esses caras realmente sabem quem está do lado de quem?

Com o canto dos olhos, ele viu os olhos de Chiho irem de um lado para o outro, enquanto o seu corpo ainda era protegido pelo poder de Emília. Ela fez contato visual com o Rei Demônio várias vezes, e um olhar confuso e indeciso sempre aparecia em seu rosto.

— Duh… acho que já não tem mais desculpas para isso.

O Rei Demônio, cansado, preferiu não dar uma explicação longa depois.

— Dança do Gelo Sagrado! — A espada de Emília chocou-se contra a barreira mágica de Lúcifer, e o impacto gerou uma tempestade fria.

— Nnn… gh…

Algo que parecia gelo começou a cair sobre as asas de Lúcifer.

— Este gelo tem o poder de congelar magia, fazendo com que seus efeitos sejam bloqueados. Agora a sua velocidade lhe abandonou!

A espada de Emília rompeu a barreira de Lúcifer, fazendo com que um corte atravessasse o peito dele.

— Grraaaahhh!! — Ele tentou distanciar-se de seu inimigo.

— Não tão rápido!

Emília o seguiu, usando os destroços que o Rei Demônio e Alciel mantinham no ar como um caminho.

— Ngh!

Lúcifer disparou raios de chama negra para mantê-la longe, mas Emília deixou-se ser atingida, sem tentar se esquivar. Todos eles tornaram-se cinzas quando chegaram perto de seu Manto do Dissipador, sem deixar que a atingissem.

Alciel, enquanto isso, se aproximava de Olba.

A especialidade de Olba em batalha ficava na retaguarda, dando o suporte que fez com que o bando de lutadores da Heroína Emília saísse vitorioso. Enfrentar um Grande General Demônio não chegava nem perto de ser uma disputa justa.

Forçado a focar totalmente na defesa, ele buscou o apoio de Lúcifer, mas este enfrentava muitas dificuldades diante da força da Heroína.

Justo quando Emília e Alciel se aproximaram de seus oponentes…

— …!?

— …!?

Um estrondo percorreu todo o chão, e todos pararam. Eles sentiram a liberação súbita de poder mágico que acompanhou o distúrbio.

— Satan…

— Vossa Majestade Demoníaca…

Emília e Alciel focaram o olhar sobre o Rei Demônio.

O lorde de todos os demônios respondeu com uma risada forçada, parecendo-se um pouco com o humano que era antes.

— Ugh… Essa coisa estava tão pesada. Mas consegui soltar tudo com gentileza! Então está tudo certo agora! Eu sou demais!

O estrondo foi o som dos escombros da desabada Via Expressa de Shuto caindo no chão, lentamente guiados pelo Rei Demônio.

— Acho que está na hora de eu me meter.

Quando falou, os carros, escombros e pessoas, todos presos dentro da barreira mágica, pousaram no chão ao seu redor. Para o Rei Demônio, todo este trabalho não precisou de muito esforço.

— Vamos terminar com isso, pode ser? Além disso…

A força mágica dele brilhava com uma neblina negra, com o poder de um vulcão em erupção logo atrás. Alciel mostrou um sorriso fraco, e Olba, novamente, tremeu de medo enquanto tentava se manter no ar.

Quanto a Lúcifer, o olhar em seu rosto era de pura frustração.

Apenas Emília conseguiu entender o que realmente preocupava o Rei Demônio naquele momento.

O sol estava no ponto mais alto do céu agora, era quase a hora do almoço.

— Se continuar assim, vou me atrasar para o trabalho. Prometi a Chiho que a ensinaria a fazer a manutenção da máquina de sorvete hoje.

— …

Uma simples olhadela para ele seria o suficiente para fazer um humano normal desmaiar. Mas, para Chiho, ainda dentro da barreira, acabou ficando corada com aquilo.

Os olhos de Alciel voltaram-se para cima enquanto resmungava para si mesmo. Emília percebeu o quão estranhamente charmoso o Rei Demônio parecia quando sorria, então se martirizou por ter pensando nisso por um instante.

— Certo. Bem, pessoal, eu fiz todo esse plano para dominar o mundo, mas vocês me deixaram de lado durante toda a batalha como se eu fosse um idiota!

Parecia que era isso o que mais lhe incomodava.

Mas, antes mesmo que qualquer um tivesse a chance de repreendê-lo por isso, o Rei Demônio virou todo o peso de seu olhar para Olba, que ainda estava caído.

— Uhngh… hhh…!

A pura força por detrás do olhar afiado de um demônio foi o suficiente para fazer com que Olba saísse voando, como se tivesse sido atingido por um enorme martelo. Seu corpo chocou-se contra um dos painéis caídos da via expressa, fazendo com que ficasse inconsciente e com que uma enorme marca aparecesse no concreto.

— Patético! Patético, Olba!

Rindo, o Rei Demônio não se deu mais o trabalho de continuar olhando para o arcebispo. No instante seguinte, era Lúcifer em sua mira.

Nem lúcifer nem Emília, que observava de longe, conseguiram acompanhar seus movimentos a olho nu.

— Vossa… Majestade…

Tudo o que Lúcifer conseguia fazer era se afastar de seu antigo comandante, mostrando-se nervoso.

— Acha mesmo que me chamar assim vai me deixar feliz?

Na sociedade demoníaca, desafiar aqueles de posição mais alta era, na maioria das vezes, um sério tabu. E mesmo que Lúcifer fosse meio anjo, já tinha entrado para o lado da escuridão há muito tempo.

— Ei, Emi, o que deveríamos fazer com esse cara?

O Rei Demônio se virou para a sua inimiga mortal, mostrando um rosto coberto por um sorrio sádico.

A Heroína parecia entediada enquanto respondia ao seu inimigo mortal:

— Hmm, deixe-me pensar… O que acha de fazer com que ele assuma a responsabilidade por toda a bagunça na cidade?

— Boa ideia. Além disso, se eu me atrasar para o trabalho, a culpa é sua, Lúcifer, entendeu? Se isso ferrar com o meu registro de atendimento perfeito, o que fará para me compensar? Hein? O que diabos vai fazer para me compensar!?

— O-O quê!? Eu não entendo!!

Enquanto Lúcifer gritava, ainda confuso, Alciel murmurou para si mesmo:

— Alguns seres como nós jamais serão capazes de compreender, temo que…

— De qualquer forma, estarei usando um pouco do seu poder magico. — O sorriso no rosto do rei de todos os demônios era de pura alegria.

— Vamos cuidar da sua punição em seguida — sussurrou a Heroína, e sua voz parecia desprovida de emoções enquanto batia as juntas dos dedos contra sua lâmina.

— Ahh… hhh…

Lúcifer, diante da gloriosa luz do céu e da mais profunda escuridão, não conseguia fazer nada mais além de murmurar.

— Se você se considera um Grande General Demônio, pelo menos tente agir com um pouco de dignidade!! — Com o grito do Rei Demônio, luz e escuridão atravessaram Sasazuka

— Então, como planeja compensar por tudo isso?

Lúcifer, não possuindo mais a sua força de anjo caído, não podia fazer nada além de ficar em silêncio diante da pergunta do Rei Demônio — ou Maou.

Ele estava de joelhos, frágil e fraco como um ser humano, sobre a rua asfaltada, coberta de escombros e pedaços de concreto por todos os lados, sendo a cena de pós-guerra de uma ruína total.

Lúcifer, o Grande General Demônio, que tinha transformado o Continente Oeste de Ente Isla em um caldeirão infernal, estava de joelhos diante da Heroína e do Rei Demônio.

Em Sasazuka. Em Tóquio. No Japão.

— Já posso ouvir o cara do noticiário dizendo: “Devido a um desastre de proporções sem precedentes, a Via Expressa de Shuto e a de Tokyo-Gaikan estão fechadas de Hatsudai até Chofu” e tal. Oh, e a rua Koshu-Kaido. E a linha de trem Keio; tudo está fechado antes de Shinjuku. E fique sabendo que, apesar de eu ter me esforçado, podemos estar lidando com algumas mortes por aqui.

— Seria um milagre se não tivesse nenhuma, Vossa Majestade Demoníaca.

Ashiya, de volta à forma humana e sem ferimento algum, estava tentando ao máximo impedir que suas vestes de Grande General Demônio caíssem de seu corpo.

— Mas se não fosse pelos seu grandioso poder, ninguém nos carros que caíram da Via Expressa de Shuto teria chance de sobreviver. Isso também vale para os carros na rua Koshu-Kaido. E não é um milagre pequeno o fato de que nenhuma das casas ou edifícios nas proximidades foram tão danificados.

— Sim, bem, pessoas como nós geralmente não pegam muito pesado neste mundo. Aposto que algumas pessoas ainda não conseguiram evacuar a tempo. Tentei fazer com que barreira mágica fosse a maior possível, mas vai saber se consegui cobrir tudo com ela…

Lúcifer se manteve em silêncio.

— Tenho uma ideia. — Emi, usando seu uniforme, o qual tinha se tornado um trapo por causa de sua queda nas escadas do apartamento de Maou, e que também se juntou à batalha de vida ou morte com o uso de enormes forças mágicas, falava enquanto olhava para Lúcifer.

— Por que não deixamos esse cara aqui para os policiais darem um jeito nele? Poderíamos dizer que foi algum tipo de ataque terrorista e tal.

— Eu também pensei nisso, mas… tipo, talvez isso cause uma enorme agitação, mas não há evidência alguma, além disso, não faria muito sentido. Porém, acredito que a polícia não se importaria em encerrar o caso dos arrastões pela cidade.

As calças e camisa de Maou, que foram esticadas até os limites com a transformação recente do proprietário delas, agora pendiam soltas em seu corpo, como se estivessem estendidas sobre uma espreguiçadeira.

— Aham, tenho certeza disso, mas… quero dizer, o que faremos com relação a tudo isso?

— Sei lá. Não é como se o Grande General Demônio, com todo o seu poder mágico drenado, fosse de grande ajuda.

A tal força mágica drenada de Lúcifer era o único motivo para que o oficial demônio, agora com aparência humana, estivesse tão dócil e manso.

O próprio Ashiya ainda tinha um pouco de magia, a qual obteve da mesma forma que Maou, e Emi não tinha gastado toda a sua força sagrada também. Para Lúcifer, cujo suprimento foi esvaziado, não havia chance de sequer arranhá-los.

— Hmm… — interferiu Chiho, tímida. Não tinha ferimentos à vista e, a não ser pelo fato de estar cansada depois que Lúcifer sugou todas as suas emoções negativas, ela estava bem. Comparada a Maou, parecia estranhamento renovada e pronta para começar o dia. — E-Eu acho que é meio bobo perguntar agora…

— O que foi, Chi?

A resposta, e a voz que a entregou, veio, sem engano, de Sadao Maou. Mas Chiho ainda se lembrava da enorme criatura que assumiu a forma dele há alguns minutos.

— Bem, o que… todos vocês são?

Era a pergunta mais óbvia naquele momento. Maou, Ashiya e Emi se entreolharam.

— Bem… tipo, é meio vergonhoso ter que dizer isso dessa forma, mas eu sou o Rei Demônio de outro mundo.

Maou parecia envergonhado mesmo, coçando o lado do rosto com um dedo, como se alguém tivesse acabado de revelar um de seus segredos nerds para um de seus colegas de trabalho, mas isso foi o suficiente para que Chiho começasse a rir antes mesmo que conseguisse continuar perguntando.

— Sim, não tem como acreditar, né?

Ela balançou a mão no ar, nervosa.

— Oh, não, não, não! Quero dizer, vi tudo aquilo que… vocês fizeram. E foi assim que tudo aquilo aconteceu, né?

Seu dedo apontava para a multidão de observadores, carros capotados e outros destroços pela área, ainda congelados no tempo pela barreira mágica.

— Sim, tipo isso. Mas, sabe, é tudo bem simples, então…

— Vossa Majestade Demoníaca, sei que humildade é considerada uma virtude na sociedade japonesa, mas você não devia ter medo de assumir mais o crédito aqui. — Ashiya já tinha voltado a usar o seu tom de dono de casa mais uma vez.

 — Todos esses caras são demônios, mantenha isso em mente. Eu, por outro lado, sou uma completa humana. Tá, meio anjo, mas—

A seriedade de Emi quando interrompeu fez com que Chiho começasse a rir mais uma vez.

— Ah, qual é, Chiho!

— S-Sinto muito! É que… é tão bobo!

— Espere, você é meio anjo!? Porque isso é novo para mim.

— Como assim? Você não sabia? Mesmo sendo o Rei Demônio! Quem pensava que eu era esse tempo todo? — Emi retrucou a resposta surpresa de Maou, o que fez com que a risada de Chiho ficasse ainda mais alta.

— Eu pensei que… Hahahaha! Toda essa coisa de anjos e demônios… Pensei que fosse tudo invenção, mas… depois de ver todos vocês… bem aqui…

O esforço para falar enquanto ria, no fim, fez com que Chiho engasgasse no meio da frase. Emi, preocupada, bateu nas costas dela algumas vezes.

— Bem, ouça, Emi, você não estava dividindo suas informações pessoais comigo lá, né? Eu pensei que, tipo, não passasse de um humano muito forte, só isso.

— Oh, então você achava que um humano comum poderia andar por aí com Prata Sagrada o suficiente para invocar uma espada?

— Pois é, acho que não. Agora tudo faz sentido. E eu ficava imaginando como conseguia se transformar daquele jeito.

— Se acha que isso é um choque, imagine quando os vi como humanos pela primeira vez! Consegue respirar agora, Chiho…?

— Sim. Sinto muito.

Emi levou os lábios até o ouvido de Chiho enquanto ela se endireitava depois de toda a sessão de risadas.

— Viu só? Não há nada de especial entre mim e Maou, então pode parar de se preocupar, entendeu?

— Y-Yusa…

Toda a risada e vergonha fez com que o sistema circulatório de Chiho ficasse ocupado. Emi deu um suspiro de alívio, pois, agora, o desentendimento de ontem tinha ficado no passado. Maou e Ashiya, ao ver aquilo, sorriram.

— Sabe como é… — Maou franziu as sobrancelhas, mas o seu rosto não escondia a vergonha.

— Acho que não faz sentido perguntar agora, mas, Emi, se você tem tanto poder sobrando, por que não me atacou antes? Tipo, até ontem, poderia ter me reduzido a uma pilha de cinzas a hora que quisesse.

— Ah, isso? — Ela deu de ombros, como se a ideia não fosse nada para ela — Bem, um Rei Demônio covarde como você poderia estar fingindo ser apenas um ser humano fraco e impotente até o momento em que decidisse mostrar as garras, não é? Além disso, como eu já lhe disse, se lutasse com todo o poder desta forma, mesmo que consiga te derrotar, não há garantia de que eu teria poder o suficiente para controlar o Portal. Acho que é por isso.

— Oh, faz sentido. — Maou concordou. Então, o seu rosto ficou branco quando entendeu o significado por detrás de suas palavras.

De uma forma mais simples, se Emi tivesse decidido desistir de voltar para casa, poderia ter destruído o Rei Demônio a qualquer momento. Teve todas as chances do mundo para fazer isso antes de hoje.

Emi, talvez tendo percebido isso, virou as costas para ele.

— Sei que não ajo como tal de vez em quando, mas sou a Heroína. Uma líder. Meu povo me respeita. Não posso ir atrás dos fracos e impotentes dessa forma.

— Dos fracos e…? Isso aí foi maldade.

— Mas é a verdade, não é?

— Sim, mas e agora, hein? Eu tenho todo o meu poder de volta, e você esgotou o seu! Eu poderia te esmagar como um inseto! Ou como maçãs?

Maou assumiu uma posição de luta não tão séria.

— Ah, siiiiimmm. — Mas Emi não foi afetada. Agarrando Chiho ao seu lado, a segurou firme, enquanto o possível interesse romântico de Maou se escondia atrás de sua sombra. — Ei, Chiho, aquele louco está usando o seu “eu tenho meu poder de volta” para tentar me provocar.

A tática foi tão descarada quanto efetiva.

— É sério, Maou?

E, além disso, Chiho parecia muito abatida enquanto o olhava, fazendo com que ele se encolhesse e escondesse o rosto diante da inocência dela.

— N-Não me olhe desse jeito! Eu… Não tem como eu fazer isso! Eu sou o orgulhoso e nobre rei dos demônios! Quando for a hora de lutar, o farei de forma honrada! Então pare de me olhar assim, Chi, pode ser? Além do mais, isso foi jogo sujo, Emi!

Ashiya suspirou, parecendo ainda mais triste que Chiho, à medida em que observava as desculpas frenéticas de Maou.

Lúcifer, por outro lado, parecia completamente perdido, como se visse uma cena de outra dimensão.

— O que aconteceu com todos vocês?

A pergunta fez com que Emi e Maou voltassem à realidade. Juntos, os dois pisaram na cabeça dele, pois falou sem permissão.

— Nnrgh!

— Pois é, isso me lembra que esse cara aqui é um assunto mais importante. E Sasazuka também. O que faremos?

Maou olhou para os arredores, enquanto Ashiya cruzava os braços, pensando.

— Como dizem, Vossa Majestade Demoníaca, se você é o responsável pela bagunça, deve limpá-la. Este mundo tem sido muito gentil conosco, por isso acho que deixá-lo em caos antes de voltarmos para casa faria com que até mesmo a consciência de um demônio se sentisse culpada. — A resposta de Ashiya não podia ter sido menos demoníaca. Mas foi a parte sobre “voltarmos para casa” que fez o rosto de Emi ficar rígido.

— Então vocês vão voltar?

— Claro que sim. Com os poderes restaurados do meu soberano, não temos mais nada nos prendendo aqui, na Terra. Ente Isla sempre foi o nosso alvo principal.

As palavras que saíram da boca dele foram frias e francas.

— Voltar? De volta para a sua família ou…?

A pergunta de Chiho, justificável para uma garota que não sabia nada sobre o mundo de Maou, foi ignorada.

— Espere um pouco. Eu me coloquei à disposição para fazer vários turnos este mês e— grnh!

— Vossa Majestade Demoníaca, o seu trabalho de meio período no MgRonald é mais importante do que conquistar Ente Isla!? — Um golpe rápido da mão aberta de Ashiya foi o suficiente para fazer com que Maou reajustasse o rosto por um momento. — Ouça, meu soberano. Garanto a você que, sem o seu trabalho duro pela Senhorita Kisaki e pelo MgRonald da estação Hatagaya, nosso tempo no Japão teria sido muito mais difícil. Mas que valor um contrato com a raça humana, escrito sem o uso de força demoníaca, teria? Sei que nós dois sentiremos falta dos mil ienes que você ganha por hora—

— Uou, mil ienes no MgRonald? Eles devem te amar.

— Fique fora disso, Emília! Vossa Majestade Demoníaca, o quão triste os seus antigos compatriotas da escuridão se sentiriam se soubessem que o poderoso Rei Demônio se preocupa em fritar bifes, frangos e batatas o dia todo? Entendo que você tenha prometido trabalhar para a Senhorita Sasaki aqui, o que lhe faz se sentir relutante. Mas é essa mesma tristeza e emoção negativa, vinda de uma jovem garota inofensiva, que vê essa promessa sendo quebrada, que faz com que nós, demônios, prosperemos!

— Hah! Você acha que a colega de trabalho desse vagabundo vai ficar tão decepcionada por perder a grande chance de aprender a como limpar uma máquina de serviço leve?

— Espere… como assim? Você não está indo embora, né, Maou?

— O desejo que nos faz seguir em frente é a subjugação de Ente Isla. Isso é algo que te disse várias vezes desde que fomos banidos para o Japão. Temos uma missão, e ela deve ser completada a qualquer custo! Vossa Majestade Demoníaca, te imploro para que me mostre sua vontade. Você deve dar a punição de Lúcifer, resolver os assuntos com a enfraquecida Heroína Emília e dar o último adeus a Sasazuka!

— Cara, não me lembro de você falar tanto assim como demônio…

O gemido rápido de Ashiya cansou os ouvidos de Maou.

— Okay, então como vamos limpar tudo isso aqui e voltar para casa?

— Não fizemos nada de errado aqui, meu soberano. Sua única responsabilidade como Rei Demônio é dar um aviso formal de sua partida à Senhorita Kisaki. Não seria bom a fazer pensar que foi embora sem dizer nada a ninguém.

— Aww… mas estávamos quase atingindo a meta das vendas regionais da última promoção especial—

— Chega de Hatagaya! Você tem um outro mundo inteiro para se preocupar!

— Nós também acabamos de comprar aquela geladeira. E tem a máquina de lavar e a minha bicicleta.

— E você agora tem o poder de navegar através do Portal, Vossa Majestade Demoníaca! Não precisa mais de eletrodomésticos!

— Hmm… Então o que quer de mim?

Lúcifer, enrolado em autodepreciação depois de ter ficado ajoelhado e ter sido pisado, falou, e o seu rosto ainda estava sendo segurando contra os destroços. Ao invés de seus antigos companheiros demônios, quem respondeu foi Emi:

— Oh! Agora que mencionou, Lúcifer, foi você quem ligou lá para o meu trabalho?

— Hm, sim…?

O pouco que restava de seu orgulho demoníaco fez com que admitisse rapidamente o crime.

— Como descobriu onde eu trabalhava?

— Ah, sim. Você foi, tipo, assediada no trabalho, né? — Quando Maou levantou o pé, Lúcifer, com cuidado, virou o rosto para cima.

— Aham, fui! — disse Emi — O que foi tudo aquilo!?

— Então, é… Bem, você derrubou isso aqui, Emília, não se lembra? Durante o primeiro ataque. — Com o pé de Emi firme sobre sua cabeça, Lúcifer pegou uma carteira ilustrada com ursinhos marrons e brancos e pássaros amarelos.

— Ahhh! Minha carteira!

Emi pegou a carteira decorada das mãos dele.

— Você tinha o endereço do trabalho nela, então o usei para te rastrear…

— Hm, ei, Lúcifer, você espiou dentro da carteira de uma garota?

— Que desgraça. Isso pode ser um motivo para processo nos dias de hoje.

 Os olhares de nojo nos rostos de Maou e Ashiya eram sinceros.

— Você não pode sair olhando dentro da carteira dos outros assim. Isso aqui é pessoal.

— Eu sempre soube que você não era uma boa influência, Lúcifer, mas quem teria imaginado que era um depravado desse tamanho? — Chiho se virou para ele, e sua antiga angústia se transformou em puro desdém.

— Ei, Ashiya, qual o nome daquele personagem na carteira dela?

— Hm, Re-… Relax-a-Bear, ou algo do tipo. Tenho visto vários ultimamente.

O rosto de Maou se contorceu, como se tivesse pena de Emi.

— A Chiho tem uma carteira da Louis Videon. Não sei se é falsa ou o quê, mas, cara, é Videon. O que é essa coisa aí?

— É verdadeira, Maou! Hã… mas eu também gosto do Relax-a-Bear! Ele é fofo!

O adendo apressado de Chiho falhou em fazer com que Emi se sentisse melhor.

— Só calem a boca, pode ser? Eu gosto desse design! E daí? — Ela ficou vermelha enquanto olhava para o que tinha dentro da carteira — Ahhh!

— O-O quê!? Eu não peguei nada daí!

— Então cadê o meu cartão de carimbo da Subwave!? Era um cartão cheio ainda! Eu te odeio!

Agora o rosto de Emi ficou vermelho-brilhante.

— Eu… eu nunca tinha comido um sanduiche de “frango búfalo” antes! Foi só curiosidade!

A conversa foi ao caos desorganizado, o qual continuava com tangentes cada vez mais selvagens. Mas ninguém demonstrou vontade alguma de intervir.

 

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