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O Começo Depois do Fim – Cap. 252 – Vitória

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Meu corpo estremeceu quando soltava uma respiração profunda. Olhando para o meu corpo, podia ver as pessoas me confundindo com um jovem nobre, mal estando casa dos vinte anos. Sem nenhuma deformidade ou cicatriz em mim, os músculos perfeitamente definidos que corriam pelos meus braços, tronco e pernas pareciam terem sido pintados ao invés de adquiridos através de treinamento.

Uma aura fraca de roxo me envolveu, diminuindo lentamente à medida que mais e mais éter se dissipava do meu corpo. No entanto, a maior diferença era algo que podia sentir ao invés de ver.

Era um sentimento que diferia de quando tinha reforçado meu velho corpo com mana…. Foi diferente até de como me senti depois de desbloquear a terceira fase da vontade do dragão de Sylvia na minha luta contra Nico. A força que bombeava através de mim não parecia emprestada ou implantada artificialmente, parecia ser minha.

Aproximando-me da parede mais próxima no santuário, apertei minha mão em um punho. Meus próprios olhos não conseguiram ver corretamente minha mão quando atingiu a parede em uma explosão ensurdecedora.

Toda a sala tremia conforme a água da fonte derramava no chão. Enquanto uma rachadura mal tinha se formado na parede, ainda estava contente; sabia que a força do meu golpe atualmente era o suficiente para facilmente perfurar um grande buraco através até mesmo dos portões de metal espessos da Muralha.

Olhei para baixo para ver a ferida no meu punho já se fechando e curando-se. Voltando-me, agradeci silenciosamente ao cadáver da quimera gigante que tinha sido reduzida a uma pilha de ossos murchos agora que a essência etérica que a mantinha unida tinha sido absorvida.

— Ayy! Você finalmente se parece um pouco mais com um homem, pelo menos, seu corpo, eu digo. — exclamou Regis, me estudando.

— E você ainda parece uma bolha de tinta. — fiz graça, dando um tapa nele para longe.

Esperava que minha mão simplesmente passasse por ele como normalmente fazia, mas desta vez senti alguma resistência ao contato.

— Woah! — eu disse, assustado.

Regis balançou as sobrancelhas em uma expressão que eu só podia ver como lasciva.

— Você teve uma boa sensação pelos meus músculos?

Limpei minha mão nas calças.

— Que nojo.

Regis riu, ziguezagueando pelo ar como se estivesse voando pela primeira vez.

Balancei a cabeça.

— É melhor partirmos agora. Posso sentir a essência etérica deixando meu corpo a cada segundo e eu preciso dela o máximo possível se vamos matar todas essas quimeras.

— Você está certo. — meu companheiro respondeu com confiança. — Vamos fazer isso.

Dando uma última respiração profunda para me acalmar, abri a porta.

Meu corpo tencionou e meu coração bateu contra minhas costelas. Mesmo que minha mente soubesse que eu tinha uma chance muito melhor contra as quimeras, o medo e a dor estavam profundamente enraizados em meu corpo.

— Terceira vez e este lugar ainda é assustador, mesmo sem as quimeras tentando nos matar. — reclamou Regis.

Continuamos andando; tentando distinguir algumas diferenças da última vez que viemos aqui. Esperava que a quimera-chicote que tínhamos matado não estivesse aqui, mas sua estátua permanecia intacta e parecia de alguma forma ainda mais assustadora do que nas vezes anteriores.

— Estou curioso com como o grupo antes de nós passou. — me perguntava, minha cabeça ainda virando à esquerda e à direita examinando nosso entorno. — Quão fortes são aqueles três?

Regis deu de ombros.

— Espero que nunca tenhamos que descobrir.

Devo ter chegado ao ponto de ativação porque a sala de repente retumbou.

No entanto, ao contrário das duas vezes anteriores, esse foi o único aviso, sem desmoronamento gradual das estátuas, nenhum tempo gasto se espreitando para fora de seus invólucros.

— Então estava certo. — eu suspirei. — Elas definitivamente saem mais rápido cada vez.

Regis revirou os olhos.

— Bateria palmas lentamente, aplaudindo você por sua previsão incrível, mas, você sabe, sem mãos.

Todas as quimeras imediatamente saltaram de seus pódios e soltaram um grito estridente em uníssono.

Entrei em uma posição de luta, meus olhos treinados tomando o posicionamento e as armas das doze quimeras ao nosso redor.

Me concentrei nas três quimeras empunhando armas de longo alcance: um arco, uma espingarda e bestas duplas.

Depois de ter certeza de que o ovo de Sylvie estava bem preso debaixo do meu colete de couro, empurrei o chão sob meus pés, impulsionando-me para a quimera mais próxima.

— Sei o intervalo aproximado da quimera-espingarda. Mantenha aquela com as bestas ocupada! — pedi enquanto dirigia meu punho em uma quimera empunhando duas maças feitas do crânio de uma besta gigante como macaco.

A quimera foi enviada alguns passos para trás pela força do golpe e gritou de dor, mas foi capaz de fazer um balanço desesperado com uma de suas maças.

Me abaixei, esquivando de seu caminho, e liberei um gancho largo direto em sua caixa torácica exposta. Ela cedeu e soltou outro gemido, mas antes que pudesse capitalizar seus ferimentos, uma flecha me pegou na perna, passando direto através da minha coxa.

Rangendo com a dor, abordei a quimera-maça pelas costas e me concentrei nas outras quimeras se aproximando rapidamente.

Mantendo a posição das quimera-espingarda e arco sempre em mente, corri em direção à próxima quimera.

Cada passo que andava, cada soco que lançava, podia sentir mais do éter que tinha reunido sendo gasto. Mesmo quando consumi éter no meio da batalha das várias quimeras, estava gastando muito mais rápido do que poderia absorvê-lo e mal tinha conseguido matar três.

Certificando-me de que minha respiração permaneceu controlada e meus movimentos afiados e não desperdiçados, me joguei para a frente, usando as mesmas táticas que tinha usado no último round. Consegui fazer duas quimeras se matarem até que a quimera-espingarda suprimiu suas forças com um grito de guerra gutural.

Enquanto isso, Regis continuou a ocupar a quimera-besta. Baseado na velocidade com que suas armas recarregaram e a potência que cada flecha de osso continha, fiz a escolha certa em fazer Regis cegar essa.

Mesmo assim, conforme matava mais e mais, uma inquietação se espalhou do meu estômago.

O corredor inteiro estava cheio de fragmentos de pedra das estátuas despedaçadas e buracos formados pela batalha que se seguiu.

Podia dizer que tinha usado mais da metade do éter que tinha recolhido da quimera-chicote, e os que restavam eram mais fortes do que os que eu tinha matado.

— Nunca é fácil, não é. — eu murmurei sob minha respiração, meus olhos focados na quimera com punhais serrilhados como mãos.

Uma outra ideia começou a se formar enquanto meu olhar de deslocava da quimera-adaga para a quimera-espada.

Esquivando-me das flechas da quimera-arco e pegando duas delas, foquei na que empunhava punhais gêmeos.

Antes de me envolver, lancei a flecha como um dardo, deixando sua ponta se enterrar no braço da quimera-espada.

Sem nenhum tempo para relaxar, eu mergulhei e passei pelas lacunas do borrão de ataques da magra quimera-espada. Minha mente trouxe cenas de quase dez anos atrás, quando duelava contra Jasmine na minha rotina diária ao começar meu tempo como um aventureiro. No entanto, ao contrário da maneira como Jasmine parecia quase dançar com seus punhais em mãos, as técnicas desta quimera eram cruas e dependiam de seu longo alcance além de força e velocidade ridículas.

Quem fez essas coisas pode ter impregnado a proeza física de uma besta de mana classe S, mas seu intelecto e técnica eram inferiores.

Continuei contornando fora do alcance da quimera-adaga, guiando-a em torno da palma de suas mãos agora que era rápido o suficiente para facilmente desviar de suas investidas. Não podia fazê-los matarem uns aos outros enquanto a quimera-espingarda continuasse mantendo distância de mim e atirando de vez em quando. No entanto, fui capaz de usar as investidas selvagens feitas pela quimera-adaga para infligir ferimentos às outras quimeras também tentando me matar.

Cada vez mais frustrada por sua incapacidade de me tocar, a quimera-adaga soltou gritos afiados, balançando seus dois punhais até que um balanço de sobrecarga bastante desesperado cavou uma de suas lâminas um pouco fundo de mais no chão.

Finalmente, com uma oportunidade aparente, pulei, usando seu braço como plataforma para alcançar sua cabeça em um chute circular que quebrou o braço preso no chão.

Bem a tempo, a quimera- espada encontrou a oportunidade perfeita para me matar com sua espada gigante, independentemente de seu ataque também matar a quimera-adaga.

Peguei você.

Agarrando imediatamente a outra flecha que tinha pego mais cedo, defendi o ataque aéreo da espada gigante e redirecionei seu caminho direto para o braço quebrado da quimera-adaga.

Senti meu ombro esquerdo saindo do encaixe pelo impacto, mas funcionou. A adaga tinha sido cortada limpamente do resto do braço da quimera.

A quimera-adaga deixou para fora um lamento alto da dor, distraindo a quimera-espada apenas o suficiente para que eu libertasse a adaga cortada do chão.

A adaga na minha mão parecia mais uma espada longa, mas a sensação muito familiar de uma espada em punho me encheu de uma confiança recém-descoberta.

Irritada com o fato de eu estar usando uma de suas mãos como minha própria arma, a quimera-punhal ignorou seus ferimentos e afundou em minha direção usando todos os três membros restantes.

Colocando rapidamente o ombro deslocado de volta no lugar, segurei minha nova espada com as duas mãos e sorri.

— Finalmente consegui uma arma.

— Oh, eu não ligo! — Regis vociferou, sua velocidade visivelmente mais lenta continuando zumbindo em torno da quimera-besta enfurecida.

Foi preciso apenas um passo para evitar o ataque desesperado da quimera-adaga e um pivô para desviar da flecha da quimera-arco antes que balançasse minha nova espada. E com esse único balanço, a cabeça que parecia de um inseto da quimera-adaga rolou no chão.

O brilho suave do roxo ao redor da adaga da quimera na minha mão escureceu com aquela investida e eu sabia que esta arma não duraria muito mais tempo.

Cortando a outra adaga do braço da quimera sem cabeça, deixei-a por perto quando comecei meu ataque.

A quimera-espada era a próxima, suas pernas cortadas primeiro antes de eu cravar minha adaga em decomposição em sua garganta.

Mais quatro segundos até a quimera da espingarda terminar de recarregar.

Passei por uma quimera empunhando uma lança e um escudo, que eu já sabia ser uma das mais fortes, e apontei minha espada para um velho amigo meu.

A quimera-chicote soltou um grito estridente enquanto eu esfaqueava minha espada em seu intestino e esculpi uma linha reta através de seu torso.

Descartando a adaga que tinha começado a se despedaçar, corri para a outra adaga, evitando uma barragem de flechas. Pegando a adaga no chão, preparei-me para atacar o arqueiro primeiro, quando um rugido de rasgar os céus ressoou por trás.

Me virei, preparado para me esquivar ou bloquear o que quer que estivesse vindo, apesar de nada estar. Foi a quimera-espingarda que soltou o grito estrondoso, mas não apontava a espingarda para mim. Estava de pé, com os braços bem abertos.

Soltou outro rugido, ainda mais alto desta vez, e as sete quimeras restantes que ainda estavam vivas começaram a disparar em direção a seu líder.

Até a quimera-besta ignorou Regis e correu em direção ao som do grito de seu líder, deixando nós dois confusos e cautelosos.

— O que diabos está acontecendo agora. — Regis gemeu, flutuando ao meu lado agora.

Cada fibra do meu corpo gritou para fugir. Infelizmente, a quimera-espingarda estava bem na frente da porta do santuário e o resto estava quase reunido.

Girando em meus calcanhares, corri para a porta de metal que levava ao próximo nível desta masmorra esquecida por Deus e puxei a maçaneta coberta de runas.

Não se moveu.

Amaldiçoando internamente, examinei cada centímetro da porta, procurando por quaisquer runas etéreas familiares que pudesse alterar como a porta para entrar no santuário.

— Uhh … Arthur?

— O quê? — rebati, meus olhos disparando para a esquerda e para a direita, tentando encontrar algo que faria essa coisa abrir.

— Eles estão… se empilhando um em cima do outro. — continuou Regis.

Apesar do meu corpo gritar comigo para me concentrar em sair daqui, não pude resistir.

Meus olhos se arregalaram de horror com o que vi.

As quimeras não estavam simplesmente empilhadas umas sobre as outras. Com minha visão aprimorada, fui capaz de distinguir claramente as quimeras… devorando umas às outras.

— Isso é repugnante de se ver. — Regis murmurou, os olhos arregalados. — Talvez elas acabem se matando assim.

— Eu acho que não. A essência etérica envolvendo seus corpos fica mais espessa enquanto continuam a comer um ao outro em uma pilha de carne e ossos.

Me virei para a porta, não querendo ficar por aqui para o que estava por vir. Infelizmente, a porta não se movia e, ao contrário da porta do santuário, não havia runas que pudesse decifrar.

Bati meus punhos contra a porta em frustração antes que me virasse na direção da monstruosidade que teria que encarar.

Com sorte, elas ainda estavam no meio de o que quer que seja o processo que elas estavam passando.

Pegando a adaga do meu lado, corri em direção ao monte de quimeras. Se eu não posso correr delas, eu só vou ter que tentar fazer o máximo de dano que eu puder antes que isso se forme completamente.

Balancei e apunhalei a grande adaga dentada em áreas onde a essência etérica tinha se reunido mais, mas tirando os ocasionais gritos de dor e breves espasmos, as quimeras continuaram devorando umas às outras.

— Vamos. Apenas morra logo!

De repente, outro frio intenso correu pela minha espinha quando um par de olhos vermelhos cintilantes se abriram.

Uma fração de segundo depois, uma explosão púrpura entrou em erupção da massa de corpos de quimeras e me atingiu como uma parede de chumbo.

A força de choque se espalhou, atirando ambos Regis e eu para o ar. Mal segurando minha consciência, me ancorei ao chão, agarrando um dos buracos feitos pelas quimeras para me impedir de sair rolando.

Regis cambaleou em minha direção.

— Bem, isso dói pra caralho. — Minhas sobrancelhas franziram — Isso machuca você também? Isso não é bom.

Minha mente girou, tentando pensar em um plano para matar aquele pedaço grande de osso e carne quando um rugido ressoou fazendo a tremer. Olhei para cima, com medo do que meus olhos veriam desta vez.

E o que eu vi foi pior do que eu havia imaginado.

Como um daqueles velhos jogos de tiro que eu joguei com Nico e Cecilia na minha vida anterior em um fliperama retrô decadente, as criaturas se fundiram em sua forma final.

A monstruosidade que estava a cerca de trinta metros de distância se elevava sobre a segunda fileira de arandelas, chegando a cerca de seis metros de altura. Tinha três cabeças e seis pernas que se projetavam da parte inferior de seu torso esguio.

Embora tivesse apenas dois braços, um deles era uma combinação de espingarda e bestas fundidas com longas espinhas projetando-se de seus antebraços. O outro braço era composto pelo chicote com uma foice pontiaguda na ponta, que guinchou se arrastando no chão conforme a criatura avançava em nossa direção.

O pensamento de atraí-lo para longe da porta e escapar de volta para o santuário passou pela minha mente brevemente, mas o que eu temia mais do que enfrentar aquele monstro era fazer tudo isso de novo.

Limpando meus pensamentos de distrações desnecessárias, com Regis me implorando para voltarmos, apertei meu punho em torno do cabo de osso da adaga e me impulsionei para frente.

A quimera fundida respondeu apontando o cano de sua arma para mim. Podia ver duas das vértebras pontiagudas em seu antebraço e a essência etérea se aglutinando até ficar visível a olho nu.

Esperando até o último segundo, girei e desviei bem a tempo de ver as duas flechas dispararem, cercadas por uma explosão concentrada de éter.

O que eu não esperava, entretanto, era que o ataque do monstro tivesse a força de um míssil.

A área explodiu em uma cúpula roxa junto aos destroços do chão demolido. Mesmo que o ataque tenha falhado, o tremor sozinho me empurrou direto contra a parede do corredor.

Senti várias de minhas costelas quebrarem e minha visão se turvar por um segundo enquanto meu cérebro ameaçava desligar-se de mim.

Regis pairou na minha frente, sua expressão séria, mas não conseguia ouvir sua voz por causa do som agudo em meus ouvidos.

Meus olhos voltaram a se concentrar na quimera fundida, com medo de deixá-la fora da minha vista por mais um segundo. Pegando a adaga que havia caído a alguns metros de distância, avancei, prestando muita atenção ao fluxo de éter ao redor de seu corpo.

Sabia que o monstro demoraria um pouco para carregar o último ataque novamente, porque seu braço atirador balançava sem vida ao seu lado enquanto a essência etérea ao redor se dissipava em uma fumaça roxa. Precisava ter certeza de que ele não seria capaz de disparar outro daqueles ataques.

O único problema era que o detonador não era sua única arma. O monstro balançou sua foice em uma velocidade que criou rajadas de vento e cortes no chão enquanto também corria em minha direção.

Quanto mais nos aproximávamos, mais sentia o perigo de ser atingido por aquela foice, mas continuei meu ataque.

Fui forçado a atuar em uma velocidade que ultrapassava em muito a qual um humano normal poderia alcançar. Até eu fiquei surpreso ao desviar, rotacionar e girar em meu eixo apenas o suficiente para desviar da arma capaz de cortar o piso de mármore como se fosse feito de manteiga. Meus olhos piscaram constantemente, apontando a direção de onde a foice viria com base na menor contração de movimento feita pela quimera fundida.

O fluxo de éter em torno de seu braço de chicote e em torno de suas pernas era estranhamente familiar, permitindo-me fazer uso do meu conhecimento de ler o fluxo de mana.

Com meu corpo melhorado, experiência e reflexos monstruosos, consegui derrubar duas de suas seis pernas antes que o detonador do monstro terminasse de carregar.

É agora ou nunca, determinei, esquivando-me de outro golpe da ponta em formato de foice do chicote.

Pisei para a frente, girando a lâmina serrilhada para cima e preparando-me para deslizar para o alto enquanto o borrão cinzento do braço do chicote da criatura passou por mim.

Mal conseguindo puxar meu braço esquerdo para trás, vi enquanto a adaga serrilhada e o braço segurando-a caíram no chão em um spray de sangue.

— Arthur! — O choro de Regis me tirou do torpor momentâneo e imediatamente rolei para a frente e peguei a adaga do meu braço decepado e ataquei.

A quimera gritava de dor conforme a essência etérica espirrava de seu braço atirador decepado junto com parte de seu ombro.

— Braço por braço. — murmurei severamente me abaixando e consumindo o vazamento do braço decepado da quimera.

O poder fluiu através de mim e, apesar de seus efeitos serem momentâneos, havia o suficiente em meu corpo para testar algo que tinha visto da própria quimera.

— Regis, venha para minha mão. — ordenei.

Meu companheiro, embora preocupado, voou em minha mão e, desta vez, podia sentir o éter coalescendo em meu aperto.

Sabia que o éter não era para ser manipulado, mas guiado ou “influenciado”, assim como o Clã Indrath colocou, mas e se houvesse uma maneira de forçar à submissão, fazê-lo obedecer à minha vontade?

Corri atrás da quimera desorientada tentando formar outro braço a partir de um dos outros corpos de quimeras espalhados pelo chão.

Deixei o éter do meu corpo se juntar no meu punho onde Regis se colocou dentro, focando no sentimento, o memorizando.

Ao passo que mais e mais aura se condensava na minha mão esquerda, uma fina camada de preto cobria minha mão como uma luva esfumaçada.

Senti meu ritmo desacelerar à medida que mais do éter dando poderes ao meu corpo ia para minha mão.

— Sinto que vou estourar aqui. O que exatamente você tinha em mente? — Regis disse, sua voz ecoando na minha mente.

— Segure-o até eu dizer. — disse através de dentes rangidos. Parecia que estava andando cada vez mais fundo em um poço de piche enquanto meu próprio corpo trabalhava contra mim, mas estava quase na quimera.

No entanto, antes que eu pudesse chegar mais perto, uma das três cabeças da quimera girou para me enfrentar.

Suas duas cabeças restantes torceram para olhar para mim também, mas ao invés de usar seu chicote restante e braço foice para me atacar, parecia… cautelosa.

Todos os seus seis olhos concentraram em minha mão restante.

Quase lá!

Minha mão parecia como se fosse espremida por duas pedras conforme mais e mais éter coalesceu dentro dela, mas antes que eu estivesse no alcance para liberá-la, a própria sala estremeceu e as arandelas se apagaram.

Podia sentir o éter na atmosfera tremer quando uma aura sinistra se espalhou de onde a quimera estava, seus seis olhos agora brilhando roxo.

Está usando o éter em seu corpo e na atmosfera para lançar algum tipo de aura debilitante.

Minha sorte finalmente parecia estar tendo vez. Se era por causa deste corpo, ou por causa de minha força mental forte de viver duas vidas, a intenção etérica teve pouco efeito.

Ignorando a dor que se intensificava irradiando do toco do meu braço decepado, corri para a frente.

A quimera soltou um grito histérico e começou a balançar descontroladamente seu braço de chicote.

Concentrando-me no fluxo de éter para determinar o caminho de seu ataque, me esquivei uma última vez e pulei para cima.

— Agora!  — gritei, mal sendo capaz de balançar meu braço.

Meu punho mergulhado em éter aterrissou bem debaixo de suas três cabeças enquanto uma explosão de preto e púrpura entrou em erupção a partir do meu ataque.

Parecia que cada grama de força tinha sido arrancada do meu corpo conforme deitava esparramado no chão ao lado dos restos da quimera fundida.

Minhas pálpebras ficaram pesadas sucumbindo às garras sombrias do sono quando um choro alto repentinamente me acordou.

— Hah! Foda-se você, eu sou uma arma! — Regis gritou em alegria.

Apesar da experiência de quase-morte que acabamos de superar e do fato de eu ainda estar com um braço faltando, não pude deixar de soltar uma risada rouca.

Mal me colocando de pé, inspecionei a quimera fundida. Não podia dizer se eu tinha usado o éter do espaço ou da vida, mas tinha conseguido criar uma cratera em seu peito, desintegrando a maior parte de sua cabeça também.

— Bom trabalho. — disse ao meu companheiro bem a tempo de ouvir o suave “clique” da porta que leva ao próximo estágio destrancando.

— Então, bonitão, você quer consumir esse pedaço grande de osso e passar para o próximo cômodo? — Regis perguntou com uma confiança renovada.

— Não exatamente. — reuni, mancando em direção ao cadáver da quimera fundida. — Como você mesmo disse, Asuras têm núcleos de mana que sustentam e alimentam seus corpos?

— Sim? — Regis inclinou sua cabeça. — Mas seu núcleo de mana está quebrado.

— Yup. — o encarei de relance. Imagens das quimeras cobertas em roxo enraizadas na minha mente. — E se eu tentasse formar um núcleo de éter?

 


 

Tradução: Reapers Scans

Revisão: Reapers Scans

QC: Bravo

 

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