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O Começo Depois do Fim – Cap. 230 – Traição

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POV ARTHUR LEYWIN

— Temos nossas ordens aqui, General Arthur. — afirmou Varay, perfurando-me com um olhar gelado. — Devemos continuar engajando as tropas de Alacrya.

Rangi meus dentes em frustração.

— General Varay, certamente você já percebeu que os inimigos contra os quais lutamos não podem ser a força principal dos alacryanos. Eles são desorganizados, desesperados, e muitos deles estão até mesmo desnutridos e completamente doentes!

Varay se manteve firme, mascarando suas emoções.

— Você se esqueceu de que somos soldados? Não cabe a nós decidir o que fazer com essas informações. Já enviei uma atualização ao General Bairon e ao Conselho. Vamos agir de acordo com suas ordens, mas por enquanto continuaremos a fazer o que nos foi dito.

— Então me deixe junto ao meu vínculo voltar a Etistin, não, ao castelo. Vou falar com o comandante Virion e chegar a um…

— Você não está aqui porque não queria a responsabilidade de tomar decisões difíceis? — a general me cortou. — Você queria ser um soldado pois não queria carregar o fardo de tomar decisões.

Minha boca se abriu, mas nenhum som saiu. Ela estava certa. Eu tinha escolhido estar aqui, lutar sem pensar e não ter o peso da vida de outras pessoas em meus ombros.

Fiz uma reverência à General Varay antes de me virar para ir embora.

Meus pensamentos vagaram até que me vi de volta à área isolada onde havia montado acampamento. Lá, vi Sylvie reabastecendo sua mana. Um olho se abriu ligeiramente, sentindo que eu estava perto.

— Como foi?

— Nada mudou, resmunguei. — sentando-me em uma grande pedra ao lado dela. — Vamos continuar lutando contra eles.

— Bem, prisioneiros ou não, ainda não podemos deixá-los avançar. — disse Sylvie com uma onda de empatia.

— Mas isso — gesticulei aos milhares e milhares de soldados abaixo, descansando, e os milhares a mais no campo, lutando. —, é um exagero. Temos muito mais tropas do que o necessário, se tudo o que enfrentarmos for uma horda de prisioneiros descoordenados e desesperados.

— Verdade concordou. — Sylvie. Se levantou e esticou seus membros humanos e logo olhou para mim maliciosamente com o canto do olho. — Então, o que estamos esperando?

Eu levantei uma sobrancelha.

— O que?

— Por favor, Arthur. — disse ela, revirando os olhos. — Poderia ler seus pensamentos mesmo sem nossa conexão. Sei que você já decidiu partir.

Mais uma vez, encontrei minha boca aberta, mas nenhuma palavra saiu. Balançando a cabeça, dei ao meu vínculo um sorriso caloroso e baguncei seu cabelo louro-trigo.

— Então não diga que eu não avisei. Estamos tecnicamente cometendo traição ao desobedecer às ordens e sair durante uma batalha.

O corpo de Sylvie começou a brilhar quando sua forma mudou para a de um dragão negro enorme.

— Esta não é a primeira vez que cometemos traição e provavelmente não será a última.

— Criei você tão bem. — ri, pulando nas costas largas do meu vínculo e agarrando uma ponta preta, meu ânimo melhorou. Apesar do que havia perdido, ainda estava cercado por pessoas que estimava muito, e era meu dever protegê-las.

Nós disparamos para o céu, rapidamente limpando as colinas que se estendiam desde a baía de Etistin.

— Quer parar em Etistin antes de seguirmos para o castelo? — Sylvie perguntou.

— Não há sentido. Bairon não é o tipo de pessoa que escuta, especialmente a mim, e o castelo cortou todos as conexões para os outros portões de teletransporte. A única maneira é voar, então não temos tempo a perder.

Esperava que a General Varay pudesse vir atrás de nós, mas depois que os primeiros trinta minutos se passaram, sabia que estávamos livres. Nesse ínterim, deixei-me cair no sono, aproveitando a jornada pacífica e tranquila após o caos da batalha.

Cenas da minha vida anterior começaram a ressurgir, como acontecia com tanta frequência agora, trazendo consigo as emoções de outra vida.

Lembrei-me da sensação de confusão que tive em relação a Lady Vera quando a ouvi falar sobre as partidas manipuladas para aquele homem uniformizado. Uma parte de mim estava com raiva dela por não confiar que seria capaz de vencer as partidas com minhas próprias forças.

Nunca enfrentei Lady Vera ou fiz qualquer pergunta, mesmo continuando a competir em partidas em que meus oponentes se retirariam ou se renderiam imediatamente. Quem era eu para questionar as decisões do meu mentor? Ela me deu uma nova vida. Por seu treinamento, tive a oportunidade de me tornar rei.

Embora meu orgulho tenha sido ferido por Lady Vera não ter confiado em minhas habilidades o suficiente para me deixar lutar de frente, aceitei as vitórias vazias. Então, chegou o dia das rodadas finais. Eu, junto com todos os outros competidores que venceram o torneio estadual, viajei até a capital, Etharia, para ter a chance de me tornar o próximo rei.

Não havia um cronograma consistente para quando a competição da Coroa do Rei fosse realizada, no entanto. Ficou puramente a critério do Conselho, que viria a uma votação quando pensassem que o atual rei não estava cumprindo suas expectativas. Perder um duelo de Paragon contra outro país, incorrer em uma lesão debilitante ou simplesmente ficar muito velho, uma votação pode ser alçada por qualquer um desses motivos.

O rei anterior a mim, o rei Ivan, havia perdido um braço em seu último duelo de Paragon, que incitou a competição da Coroa do Rei em que participei. O vencedor ganhava a oportunidade de lutar contra o atual monarca, e se o desafiante vencesse, ele ou ela se tornaria o próximo rei. Se o governante ganhasse, no entanto, permaneceria em sua posição até que o vencedor da próxima Coroa do Rei viesse para desafiá-lo. Depois que o Conselho considerou o rei inapto, esse ciclo vicioso havia de continuar até que um novo rei fosse escolhido.

Memórias de Lady Vera e do grupo de treinadores e médicos responsáveis por me manter em ótimas condições durante o torneio passaram pela minha mente. Lembrei-me de todos nós empurrando a multidão de espectadores enquanto todos tentavam entrar no estádio. Assim que chegamos à nossa área de espera designada, pude sentir a diferença na atmosfera.

Lembrei-me vividamente da tensão palpável enquanto esperávamos. Durante o estágio final da Coroa do Rei, era legal para os competidores desferir golpes letais em seus oponentes.

Todos os competidores, inclusive eu, sabiam que poderiam morrer naquele dia. Lady Vera e os outros treinadores fizeram o possível para manter esse pensamento afastado, mantendo-me focado através de vários exercícios.

Os rostos daqueles contra os quais eu havia lutado estavam claros em minha mente: jovens e velhos, pequenos e grandes, todos os lutadores no topo de sua classe. Mais importante para mim, nenhum deles foi subornado por Lady Vera para entregar a partida.

Tentei me convencer de como Lady Vera era ótima, raciocinando que ela propositalmente limpou o caminho de obstáculos para mim, não porque não confiasse em minhas habilidades, mas porque queria que eu estivesse no meu melhor nas rodadas finais.

Se eu soubesse então o que aquele dia acarretaria. O que eu teria feito diferente se soubesse a verdade sobre Lady Vera?

— Arthur! — A voz de Sylvie perfurou meus sonhos, acordando-me assim que desviou para evitar um arco gigante de relâmpago. Outro arco se seguiu, perfurando as nuvens abaixo.

A essa altura, tanto Sylvie quanto eu sabíamos quem era o responsável.

— Bairon! — rugi, amplificando minha voz com mana enquanto pulava de Sylvie. — Qual o significado disso?

Uma figura se ergueu das colinas de nuvens abaixo de nós, junto com vários soldados montados em gigantes pássaros armados.

— Você desobedeceu a ordens diretas e fugiu da batalha, então pergunta o significado de minhas ações? — Bairon estrondou, sua voz rolando como um trovão pelo céu. — Aconselho você a voltar ao seu posto, Arthur. Não vou pedir gentilmente de novo.

— Gentilmente? — Foi Sylvie quem respondeu, a voz rouca de sua forma dracônica perigosa reprimindo a raiva. — Você nos atacou por trás, lançando feitiços que poderiam destruir edifícios inteiros em uma Lança e em um Asura?

Houve um momento de hesitação antes de Bairon responder.

— Estamos em guerra, e seu vínculo humano escolheu receber ordens em vez de as dar. Estou apenas cumprindo meu dever para com meus subordinados.

— Já chega! — disse. — Você recebeu as atualizações da General Varay. As forças inimigas com as quais estamos lutando na baía são todas prisioneiros de Alacrya, escravos famintos. Precisamos reorganizar nossas tropas e patrulhar a força principal do inimigo antes…

— Essas decisões cabem a mim e ao Conselho tomar. — Bairon interrompeu, aproximando-se, seus soldados o cercando. — Sua opinião foi divulgada e será considerada oportunamente, mas você não está em posição de dar ordens a ninguém.

Minha mandíbula cerrou-se com tanta força que se podia ouvir meus dentes rangerem, mas estava mais frustrado comigo mesmo do que com Bairon. É verdade que escolhi fugir. Mesmo agora, hesitaria em assumir uma posição de liderança, mas não podia apenas ficar parado e assistir enquanto dançávamos nas mãos de Agrona.

— Por favor, deixe isso de lado. Só estaremos ajudando o inimigo se gastarmos nossa energia lutando aqui. Vamos para o castelo. Vou obter a aprovação do Comandante Virion assim que chegar, se é isso que você quer. — disse, forçando-me a me acalmar. — Vamos, Sylv.

Os soldados montados se espalharam, preparando seus feitiços, e Bairon flutuou para bloquear nosso caminho, apontando uma mão coberta por um raio diretamente para nós.

— Garanto-lhe que este não vai errar, General Arthur. Este é o seu último aviso para voltar ao seu posto.

— Por que você e seu irmão sempre recorrem a violência? — gritei.

Enfurecido, Bairon voou em nossa direção, seu corpo inteiro envolto em um raio.

Trazer Lucas pode ter sido um golpe baixo, mas era óbvio que essa demonstração de poder tinha menos a ver comigo deixando meu posto e mais a ver com Bairon provando que era superior a mim.

Envolvendo-me em mana também, conjurei um arsenal de lanças de gelo, aproveitando a umidade das nuvens abaixo.

Sylvie liberou um raio de mana puro de sua boca, diretamente em Bairon, enquanto eu lançava as lanças de gelo nos soldados montados.

A formação se quebrou quando os soldados de Bairon desviaram para evitar meu feitiço. O próprio Bairon teve que parar para se defender contra o amplo cone de pura energia, dando-nos uma breve janela para romper sua linha.

— Sylvie. Vamos! — Agarrei sua perna com ela voando por mim, puxando-nos para além de Bairon e seus soldados antes que eles pudessem reagir.

Nos afastando, correndo pelo céu, Bairon lançou sua capa contra nós. Era um artefato mágico, sem dúvida, porque a capa logo se dispersou em uma grande rede composta de fios de metal que ele foi capaz de controlar com seu raio.

— Forma humana, agora! — ordenei.

O corpo do meu vínculo encolheu para o de uma menina assim que a rede nos cercou. Sylvie formou uma barreira de mana que pegou a rede, mas deu aos outros soldados tempo suficiente para se reagruparem.

— Podemos machucá-los? — Sylvie perguntou impaciente, ainda evitando que a rede elétrica se fechasse sobre nós.

Os soldados montados lançaram seus feitiços também, e seu poder combinado foi o suficiente para colocar rachaduras na barreira de mana do meu vínculo.

Concordei.

— Apenas não os mate.

Sylvie respondeu conjurando dezenas de flechas de mana fora de sua barreira e lançando-as contra os soldados, enquanto eu manipulava as nuvens abaixo de nós.

Com um aceno de braço, saquei a Canção do Amanhecer e cortei a rede de metal carregada de raios. Com Bairon distraído pelas flechas de mana, seu artefato foi facilmente desativado e nós dois ficamos livres.

Enquanto Sylvie distraía os soldados lançando uma saraivada interminável de flechas de mana contra eles, conjurei um presentinho para o próprio Bairon.

Formando uma esfera comprimida de vento em minha mão, eu a combinei com fogo e relâmpagos, criando uma bola de fogo azul rodopiante do tamanho de Sylvie em sua forma de dragão que crepitava com trilhas de eletricidade.

Bairon retraiu sua rede e já estava se preparando para se defender do meu ataque quando um tremeluzir distante chamou minha atenção.

Eu não fui o único que percebeu. Todos pararam o que estavam fazendo enquanto olhávamos para a origem do fenômeno, ainda a quilômetros de distância. Aprimorei meus olhos com mana e pude apenas distinguir fortes ondas vermelhas e negras ao longe, até que uma guinada de choque e realização bateu em mim, vinda do meu vínculo.

Eu me virei a Sylvie para ver seus olhos arregalados de horror. E, pouco tempo depois, ela falou em voz alta para que todos ouvissem:

— Isso é… o castelo.

 


 

Tradução: Reapers Scans

Revisão: Reapers Scans

QC: Bravo

 

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