Dark?

Matador de Goblins – Vol. 06 – Cap. 03.9 – Interlúdio – Interlúdio de Duas Mulheres

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— Pronto, tudo terminado.

O leve calor que ela sentiu em seu pescoço diminuiu, junto com a maciez em suas costas.

Nobre Esgrimista estremeceu, lamentando por sentir a deixa dessas coisas, e lentamente abriu os olhos.

Ela estava em um pátio banhado pela luz do sol brilhante, uma brisa revigorante soprava. Estava no Templo da Lei, na cidade da água.

— Isso nunca desaparecerá, não é? — disse ela.

— É assim que são as maldições.

A resposta saiu de uma mulher de idade indeterminada logo atrás de Nobre Esgrimista, que tratava dela até um pouco antes. A mulher tinha um corpo surpreendentemente voluptuoso, coberto apenas por um pano fino.

Em sua mão estava a espada e a balança. A única coisa que poderia se considerar manchando sua beleza irrepreensível era a venda que cobria seus olhos.

— Devo me desculpar. Se eu tivesse um pouco mais de poder…

— De forma alguma… Você fez muito por mim. — Nobre Esgrimista fez uma reverência profunda e respeitosa à Donzela da Espada, a arcebispa do Deus Supremo.

Olhar para a venda sobre os seus olhos fez com que Nobre Esgrimista se envergonhasse por reclamar da sua própria cicatriz.

— É tudo graças a você, Arcebispa… Estou viva e posso estar com minha família graças a você.

— Eu dificilmente diria isso — respondeu a Donzela da Espada, seus lábios formavam uma curva perfeita. — Não fui eu quem a resgatou…

— Você está pensando nele

— Sim, estou. — Donzela da Espada colocou a mão em seu peito generoso e soltou um suspiro, parecia até que derretia. — Aquele que mata goblins. Tudo o que fiz a ele foi um pedido.

— Sim… Mas é claro — disse Nobre Esgrimista, sua própria boca curvando-se um pouco para cima, seu sorriso característico. Sua mão esquerda moveu-se para tocar a adaga de prata pendurada ao seu cinto, quase uma carícia.

Fazia meses desde a batalha na montanha nevada – e não era por suas próprias forças que ela estava onde estava.

Na verdade, o mesmo poderia ser dito sobre quase tudo em sua vida. Quantas coisas fez por si só? Seus pais, membros do seu grupo, o Matador de Goblins – e, claro, todos os amigos que fizera naquela cidade fronteiriça. A sacerdotisa que era como uma irmã mais velha para ela; aquela elfa alegre; a recepcionista e a camponesa. Pensar em todas essas pessoas fez seu coração cantar.

E com aquele calor dentro de si, ela tinha certeza de que ficaria tudo bem.

— É por isso que quero, da próxima vez, fazer algo com as minhas próprias mãos…

— Diz pelo bem de todos?

— Não — disse Nobre Esgrimista. — Não sei se vai acabar sendo para todos ou não…

Donzela da Espada acenou com a cabeça, como se quisesse dizer que isso era muito bom.

Era muito bom esperar que pudesse fazer algo para o benefício do mundo. Mas não existiam garantias de que tudo o que fizesse seria, de fato, para o bem do mundo.

A retidão também era um perigo. E era exatamente por isso que o Deus Supremo havia promulgado as suas leis.

Nobre Esgrimista entendia isso muito bem. O que ela pensava estar correto provou-se um erro. A marca em seu pescoço era a prova.

O que poderia fazer pelo repouso das almas de seu grupo? E por todos aqueles que estavam se tornando aventureiros?

— Mas definitivamente darei tudo de mim…

— É claro. Com certeza vou te dar toda a ajuda que eu puder, por mínima que seja.

Nobre Esgrimista achou o sorriso silencioso da Donzela da Espada profundamente encorajador. Esta era a herói que havia encerrado a guerra há dez anos e, de fato, a Arcebispa que tinha os ouvidos de reis e fazedores de reis. “Pouca”? Dificilmente. Mas Nobre Esgrimista também não queria se impor.

— Aliás… — Perdida em pensamentos, levou um momento até que Nobre Esgrimista percebesse que Donzela da Espada havia se movido para quase que desconfortavelmente perto. — O que você acha daquele homem?

— Perdão…? — disse Nobre Esgrimista, piscando. Os olhos não vedores de Donzela da Espada pareciam fixos nela. Nobre Esgrimista sentiu como se tivesse sido atingida com Senso de Mentira quando disse:

— O que você quer dizer…? O quê…?

— Apenas o que eu disse.

— Devo a ele a minha vida… — respondeu Nobre Esgrimista sem qualquer hesitação. Voltando a tocar a adaga em seu cinto, disse: — Não só a ele… Também ao seu grupo. Até fiz algumas amizades, tudo graças a eles.

— Isso é verdade mesmo? — Donzela da Espada parecia ao mesmo tempo relutante e alegre em falar.

Sem qualquer hesitação, Nobre Esgrimista olhou para Donzela da Espada para encontrar a outra mulher balançando a cabeça e sorrindo para ela.

— Entendo. Que bênção você recebeu ao encontrá-los.

— Sim senhora…! — Nobre Esgrimista respondeu com alegria, estufando seu próprio peito nada desprezível.

Havia pouco entre seus próprios feitos do que pudesse se orgulhar, mas aquele encontro, ao menos, era diferente.

Os passos de Nobre Esgrimista, caminhando pelos corredores do templo, eram saltitantes, e Donzela da Espada a seguia de uma pequena distância.

Atrás dela, a sacerdotisa sorria feliz, mas Nobre Esgrimista não fazia ideia do motivo verdadeiro.

 


 

Tradução: Taipan

 

Revisão: Shibitow

 


 

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