Dark?

Como um Herói Realista Reconstruiu o Reino – Vol. 03 – Cap. 09 – Epílogo – Paz Ainda Distante

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Este lugar era a creche que já existia há muito tempo no castelo. Era principalmente um lugar onde as pessoas que trabalhavam ali, como as criadas, deixavam suas crianças.

— Rei, brinca com a genteeee! — gritou uma criança.

— Rei, deixa a gente cavalgar nos seus ombrooooooos!

Eu não disse nada.

Sentado no tapete, um adorável garotinho com orelhas de lobo, com cerca de três anos de idade, estava brincando com uma garota humana. Enquanto isso, uma garota com orelhas de gato que tinha mais ou menos a mesma idade que ele ocupava meu colo e rolava sobre ele. O rabo de gato que surgia em seu traseiro balançava para lá e para cá.

— Hmm, não posso me levantar agora, então suba sozinho — falei.

— Eba! — gritaram as crianças.

Os dois que estavam brincando juntos começaram a subir nas minhas costas. Sim, eles eram adoráveis. Eu já tinha me acostumado com eles sobre meus ombros, tocando em meu rosto todo.

— Hee hee. Você é mesmo popular com as crianças, Vossa Majestade. — A mãe biológica de minha querida irmãzinha Tomoe, Tomoko, nos observava com um sorriso enquanto dobrava a roupa das crianças.

Quando praticamente forçamos Tomoe a se tornar minha cunhada adotiva, também fizemos com que Tomoko fixasse residência para trabalhar na creche. A propósito, o garotinho que estava usando uma mão coberta de baba para tocar o meu rosto neste momento era seu filho mais velho (o irmão mais novo de Tomoe), Rou.

— Irmãozão — disse Tomoe —, fico feliz que esteja brincando com Rou e os amigos dele, mas tem certeza de que está tudo bem com isso? A Irmãzona não vai ficar brava com você de novo…?

Tomoe, que estava ali para ajudar sua mãe enquanto não precisava negociar com os rinossauros, estava ocupada acalmando um bebê. Quando pensei nisso, notei que Tomoe ainda tinha apenas dez anos. Que criança boa e confiável que ela era.

— Está tudo bem — falei. — Não tenho mais tanto trabalho acumulado. Além disso, deixei meus Poltergeits Vivos no escritório de assuntos governamentais para acompanhar o trabalho.

— Ah, entendi — disse Tomoe. — Então você pode brincar o dia todo. Isso não é bom, Rou?

— Sim! — Ele ergueu a mão em linha reta.

Tão fofoooooo.

Eu realmente gostava de crianças. Podia vê-las engatinhando com suas perninhas durante o dia todo. Isso estimulava um desejo protetor dentro de mim. Afinal, quando minha avó e meu avô estavam vivos, eu os ajudava lendo livros na pré-escola local.

Depois de brincar um pouco com as crianças…

— Esta é uma situação incrível para você, Mestre.

Quando me virei para ver quem havia me chamado, me deparei com Carla. Em uma roupa de criada.

— Não, não quero ouvir isso de você, Carla — falei.

— Suponho que isso seja justo — disse ela, encolhendo os ombros. Sério, quando olhei para ela…

— O jeito como esse uniforme de criada fica bem em você chega a ser assustador.

— Por favor, não diga isso… Eu sinto a mesma coisa.

Carla era, para começo de conversa, uma dragonata, então já possuía mais acessórios do que uma pessoa normal. Ela tinha cauda, asas de dragão e chifres pequenos. Se a fizesse usar um uniforme de criada por cima disso, ficaria com muitos traços característicos reunidos em uma só pessoa, e ela irradiava muita personalidade.

— Para completar, a saia dessa roupa de criada não é terrivelmente curta? — perguntei.

— N-Não olhe — disse ela, segurando a frente da saia.

As criadas no castelo usavam roupas clássicas de criada com saias longas, mas a que Carla estava usando no momento parecia mais adequada para trabalhar como atendente em um maid café1Aqueles cafés temáticos.. A saia só ia até um pouco acima dos joelhos, e era um vestido leve de criada. Isso fazia seu semblante se destacar ainda mais.

— Urgh… a criada chefe… disse para usar essa… — murmurou Carla, nervosa.

— Ahh. Bem pensei que poderia ser coisa da Serina.

A criada chefe, Serina, era uma criada talentosa, mas tinha um lado sádico reservado para garotas bonitas como esta. Pelo visto, ela gostava de fazê-las usar roupas embaraçosas e, depois, observar as garotas passarem pela vergonha e agonia proveniente disso.

Além do mais, quanto mais obstinada era uma garota, mais ela gostava de “traquinar” com elas, o que significava que Liscia e Carla estavam bem no meio de sua zona de ataque. Liscia tinha me contado histórias com um olhar bem distante em seus olhos.

Que Buda tenha piedade delas.

— Ainda assim… Já faz uma semana? — perguntei. — O seu período de treinamento como criada já acabou?

— T-Treinamento… Urkh… Ah… — Carla agarrou a cabeça.

Não, sério, o que aconteceu com você?, pensei. Você não foi treinada apenas nas habilidades básicas necessárias como parte do time de criadas?

— O… O chicote…

— Chicote?!

— Ela usou o chicote… para me bater…

— Foi tão duro assim?!

— Além do mais, era um especial, com um feitiço mágico — disse Carla. — Não deixava marca onde acertava… E mais! Metade do acerto resultava em dor e metade em prazer.

O que há com esse chicote?! Isso não é para discipliná-las, é para quebrá-las, não é?

— De acordo com a criada chefe, “A dor impede que você ceda ao prazer, enquanto o prazer permite que você suporte a dor em suas costelas.” Embora eu possa ter decaído ao ponto de me tornar uma escrava e criada, não vou me deixar ser reduzida a uma inútil, então estava determinada a aprender meu trabalho direito, mas… aquele chicote me assusta. Talvez fosse mais fácil se eu pudesse ter cedido ao prazer…

— É por isso que o time de criadas são as cadelas da mestra — disse agradavelmente alguém. — Não precisamos de uma porca pervertida.

 

 

— Eek?! — gemeu Carla.

Quando ela se virou, se deparou com Serina, que lá estava com um sorriso brilhante. Considerando que ela tinha acabado de fazer Carla, que mergulhou sem medo no campo de batalha, gemer assim… quão assustadora será que era?

— Algum problema, senhor? — perguntou Serina.

— Não, não é nada…

Sinto muito, mas enquanto ela não estiver de olho em mim, vou bancar o ignorante, pensei. Vai ficar tudo bem, Carla. Tenho certeza de que você não vai morrer. Pelo menos fisicamente… Já, emocionalmente, não tenho tanta certeza.

— Pois bem, Carla — Serina sorriu. — Acredito que lhe pedi para preparar a cama de Sua Majestade no escritório de assuntos governamentais, não foi?

— Não, hm… Recolher os lençóis de um homem que conheço seria constrangedor, então eu…

— Do que você está falando? — exigiu saber Serina. — Se você é uma criada, Sua Majestade e a princesa irão eventualmente [censurado], e você tem que arrumar a cama onde eles [censurado] e [censurado] enquanto está tudo cheio de [censurado], mantendo a cara sempre séria.

— N-Não pode mesmo me poupar ao menos disso?! — disse Carla com o rosto adotando um tom vermelho brilhante…

Espera, hein? Liscia e eu também não fomos indiretamente envergonhados com isso? Agora eu estava me sentindo meio estranho.

Além disso, Tomoe perguntou à mãe: “O que é [censurado]?” e a fez sofrer para encontrar uma resposta.

Não diga coisas que afetem o desenvolvimento emocional na frente de uma criança…

Enquanto eu pensava nisso, Serina inclinou a cabeça para o lado interrogativamente.

— Incidentalmente, senhor. Você vai ficar bem, senhor?

— Hein?

— Não, é só que eu vejo que alguém está bem atrás de você, senhor. — Serina sorriu.

Quando ela disse isso com um sorriso, me virei para ver…

— Ah, merda!

Tirei Rou das minhas costas, então tentei me apressar para fugir, mas… Fui firmemente agarrado pela gola.

— Gwah! — gritei.

— Gahaha! Estive procurando por você, Vossa Majestadeeee!

Quando me virei, me deparei com um homem musculoso que começava a dar sinais de velhice, com cabelos grisalhos penteados para trás e a barba da mesma cor, parado ali com um sorriso dominador.

Quando julguei Carla e Castor, ele foi um dos dois que não se intimidou comigo e continuou defendendo-os. Era o chefe da Casa de Jabana, Owen Jabana.

Após o julgamento, o contratei como meu educador pessoal e conselheiro (e treinador de artes marciais). Vou falar mais sobre isso em outro momento.

Ah, aliás, quanto à outra pessoa que defendeu os dois, Piltory Sarraceno, da Casa dos Sarracenos, quando expliquei as maldades do anterior chefe de sua casa (seu pai), ele disse: “Tem minha palavra… Não consigo acreditar que meu pai fez essas coisas. Não posso lhe oferecer desculpas adequadas. Agora sabendo o que sei, estou preparado para servi-lo até o fim, senhor. Irei passar por qualquer perigo por você.”

Ele parecia estar pensando da maneira esperada a um jovem sério da nobreza, então lhe dei a missão perigosa que ele estava procurando. A missão de “Embaixador Especial na Embaixada do Reino de Elfrieden a ser estabelecida no Império Gran Caos.” Ainda estávamos em fase experimental, então não havia como dizer até que ponto a extraterritorialidade o protegeria.

Agora, de volta a Owen.

Ele era do tipo que podia falar a verdade com veemência para aqueles que estavam acima dele.

Segundo seu próprio relato, “Esses velhos ossos não têm nada a perder. Vou viver o pouco que resta de minha vida sendo verdadeiro comigo mesmo!”

Ele disse que não tinha muito tempo, mas parecia que, mesmo se eu o matasse, ele ainda daria um jeito de voltar…

Se eu mantivesse alguém assim, que poderia contar a seu governante a verdade de forma honesta, ao meu lado, isso reduziria a chance de eu me desviar do caminho certo. Embora eu pudesse ter ordenado que Carla morresse para me impedir, eu preferia me aposentar com vida.

Então, depois de um pouco disso e daquilo, escolhi Owen para ajudar a me educar, mas…

— Gahaha, senhor! Se você estava livre do trabalho administrativo, devia ter me contado! Vamos, vamos começar nosso treinamento do dia!

Fiquei em silêncio.

Parecia que, na mente de Owen, a educação incluía educação física, e sempre que eu estava livre das minhas tarefas administrativas, ele tentava me treinar. Se ele me pegasse, isso seria o mesmo que correr, praticar balanços, batalhas simuladas, e tudo que estivesse no menu de treinamento de um soldado recém-recrutado.

— Não, a Aisha já está me treinando, então… — falei.

— O que você está dizendo? A princesa da Floresta Protegida por Deus, Madame Aisha, é mole demais com você, senhor! Ela só te faz treinar com os seus fantoches!

— Você está falando alto demais — falei. — Mas, se eu usar meus fantoches, posso ao menos lutar um pouco.

— E o que você fará quando se encontrar em uma situação em que não possa usá-los? — exigiu saber Owen. — Sua vida é a vida deste país. Se um assassino atacar, se você puder se defender dos ataques inimigos por algum tempo, ou mesmo efetuar uma única troca de golpes, seus guarda-costas serão capazes de chegar até você a tempo. Essa única troca decidirá a vida ou morte de nosso país. Essa única troca trará glória ao nosso país.

Urgh… Por ele estar certo, não havia nada que eu pudesse dizer. Enquanto meus ombros caíam, Carla, que Serina também tinha agarrado pela gola, olhou para mim com um pouco de simpatia.

— Vejo que as coisas também são difíceis para você, Mestre…

— Digo o mesmo — falei sem emoção.

— Venha, venha, senhor! Para o campo de treinamento! — declarou Owen.

— Você também, Carla — repreendeu Serina. — Você precisa se apressar e aprender a arrumar uma cama.

E, assim, nós dois fomos arrastados em direções diferentes.

Alguns dias depois, recebemos um relatório de que uma rebelião havia estourado na Amidônia.

— Parece que, no final das contas, meu irmão não conseguiu vencer — disse Roroa.

Em um quarto de uma pousada em uma cidade perto de Van, a primeira princesa da Amidônia olhou para as duas pessoas com ela. Uma dessas pessoas, o ex-ministro das Finanças, Colbert, balançou a cabeça.

— Este país já foi derrotado. As negociações eram apenas para limitar os danos. Acho que culpar Lorde Julius seja exagero.

Julius passou uma impressão fria, mas avaliou muito bem a habilidade de Colbert com finanças e, em parte por terem idades semelhantes, os dois formaram uma amizade. Colbert não conseguiu criticar seu patrão e amigo.

Roroa sorriu ironicamente para Colbert, vendo-o assim.

— Talvez não, mas se houver indenizações de guerra a serem pagas, quem vai sofrer será o povo da cidade. Chamamos de capital, mas é só uma cidade. A área ao redor não é tão produtiva. Ele não deveria ter deixado o reino ficar com tudo por um tempo e evitar de assumir a responsabilidade pela guerra? Ainda não estamos totalmente derrotados e, se deixarmos o território como está, o Império e o Reino não poderão dizer nada. Se isso nos ajudasse a superar a crise atual, poderíamos fazer muitos outros movimentos.

Roroa disse tudo aquilo como se não fosse grande coisa.

Sebastian, a outra pessoa presente com ela, encolheu os ombros.

— Nem todo mundo aceitaria isso com tanta facilidade. As pessoas não agem com base apenas em aritmética de lucros e prejuízos. Todos nós temos coisas às quais estamos emocionalmente apegados, sabe. Lorde Julius tem isso, você tem… e tenho certeza de que o jovem Rei de Elfrieden também.

— Eu e Souma também? — perguntou Roroa.

— Sim — disse Sebastian. — Da mesma forma que o espírito da Amidônia era precioso para Lorde Gaius e Lorde Julius, os sorrisos dos homens e mulheres que vivem no principado são preciosos para você, certo? Você seria capaz de descartá-los, caso a aritmética ditasse isso?

— Entendo… — disse Roroa.

É verdade que isso é algo que quero proteger, lucros ou prejuízos à parte, pensou Roroa. Aquele Souma também tem algo a que se apega, seja lucrativo ou não?

— Você conheceu Souma, não é, Sebastian? — perguntou ela. — Assistindo às transmissões, ele parecia ser um cara inteligente e engraçado. O que achou ao conhecê-lo pessoalmente?

— Bem, vejamos… Ele parecia um jovem comum, capaz de escutar a opinião dos outros e, mais do que qualquer outra coisa, parecia ser alguém que valoriza as pessoas próximas a ele.

— O completo oposto do meu velho, hein — mencionou Roroa. — Mas, nesse caso, ainda há uma chance.

Roroa balançou o punho direito fechado em círculos. Era o gesto que ela fazia antes de apostar ou jogar dados.

— Vai funcionar a meu favor ou não? Eu estava pensando que minhas chances eram de cinquenta por cento, mas talvez não seja uma aposta tão ruim. Ele será um ótimo oponente para a maior aposta da vida desta garota.

— Princesa… Você está mesmo certa disso?

Colbert estava preocupado, mas Roroa disse com um olhar sério:

— Precisamos fazer isso. Tio Herman manterá as coisas sob controle no sul… mas algo cheira mal no norte. Temos informações que dizem que as forças do Estado Papal Ortodoxo de Lunaria chegaram perto da fronteira.

Neste continente, havia duas religiões principais, Adoração à Mãe Dragão e Ortodoxia Lunariana. O centro desta última crença, o Estado Papal Ortodoxo de Lunaria, era uma teocracia perigosa com um sistema de valores único. Com este país parecendo estar à beira da morte, poderiam tentar algo.

Roroa se colocou de pé, virando para os outros dois e batendo palmas.

— Agora, é aqui que vamos mudar tudo. De agora em diante, não vamos deixar meu irmão, o Estado Papal ou Souma fazerem o que quiserem. Somos nós que iremos rir por último! — disse Roroa com orgulho, estufando seu peito magro.

Então, mentalmente, ela acrescentou: E, Souma, você vai rir com a gente. Embora, ao contrário do nosso, o seu sorriso provavelmente será forçado!

Roroa sorriu como uma criança travessa que acabava de inventar um novo truque.

 


 

Tradução: Taipan

 

Revisão: Sonny Nascimento(Gifara)

 

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