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Bruxa Errante, a Jornada de Elaina – Vol. 6 – Cap. 08.2 – Sete Dias de Ariadne

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[Dia Quatro: Período da Noite]

No dia seguinte, nós duas acompanhamos Vivian depois da aula.

— Bem-vindas ao meu laboratório. Entrem! Fico feliz por vocês estarem aqui; muito, muito feliz.

Com um enorme sorriso, nos mostrou seu laboratório. Era uma sala no final do corredor onde havia dado sua palestra no dia anterior. Esta pequena sala, nas profundezas do edifício, continha todos os tipos de produtos químicos e materiais de pesquisa que estavam espalhados ao acaso pelo local.

Algum líquido misterioso fervendo em uma panela, mais fluidos estranhos em frascos de vidro, receitas e notas sobre as várias misturas… tudo estava ali ao ar livre.

Era totalmente suspeito.

— …

Vivian prontamente nos recebeu em seu laboratório, mas a jovem que já estava esperando parecia ter outras opiniões sobre nossa intrusão.

Sara nos fixou com um olhar severo.

— Bem-vindas… — disse ela com uma voz fria. Parecia que poderia cuspir em nós a qualquer segundo.

Era óbvio que ela nos odiava.

Vivian não pareceu notar e disse:

— Ainda não as apresentei, não é? Esta é Sara, ela tem me ajudado com minha pesquisa já faz um tempo.

— Olá…

Sara nos cumprimentou enquanto olhava para o chão entre seus pés.

— Me chamo Elaina, muito prazer em te conhecer. — Me curvei, mas fui ignorada.

— Ariadne aqui. Prazer em conhecê-la, Sara! — Ariadne acenou, mas foi ignorada.

Era como se nós nem estivéssemos lá.

— Desculpem por isso… — Vivian riu laconicamente. — Essa garota pode ser tão fria.

Não, isso está além do frio. É como se ela não tivesse emoções.

Aparentemente, Sara era a única outra pessoa participando da pesquisa de Vivian. Não tinha certeza de por que uma professora tão popular teria como alvo uma única aluna, ou que tipo de pesquisa estavam fazendo, mas pelo menos não havia nenhuma outra aluna sendo explorada. Neste caso, fiquei feliz por ter sido surpreendida.

— Isso é repentino e sinto muito por apressá-las, mas gostaria da ajuda de vocês com minha pesquisa. — Vivian bateu palmas e entregou a Ariadne e Sara um pedaço de papel para cada uma. — Ariadne, vou te pedir para obter os ingredientes, o mesmo que Sara. Elaina, você vai misturar as poções comigo.

Sara parecia esperar por isso, pois simplesmente disse: “Entendido” e saiu da sala arrastando os pés.

Ariadne disse:

— Ah, bem, vou com ela… — Então seguiu Sara, parecendo um pouco perdida.

Depois que a porta se fechou com um estrondo, Vivian e eu ficamos na sala.

— Tudo bem então, vamos começar a misturar poções, certo? — Vivian alinhou vários ingredientes em cima de sua mesa. — Esta é a receita para uma poção experimental. — Ela me entregou um pedaço de papel. — Gostaria de tentar fazer hoje, mas… consegue dizer o que é isso?

Criar uma poção mágica consiste em uma série de experimentos de tentativa e erro, um processo pelo qual uma única poção perfeita surge de uma pilha de inúmeras tentativas fracassadas.

Estava supondo que Vivian ainda estava trabalhando nas falhas.

— …

Os ingredientes da receita, registrados com precisão na folha de papel que eu tinha na mão, combinavam com os muitos frascos que Vivian acabara de alinhar na mesa. Os considerei cuidadosamente, tentando entender o que ela estava tentando.

Então murmurei:

— Não sei…

Vivian também murmurou:

— Nossa… bem, você ainda é uma estudante. Suponho que seja compreensível que você não saiba. — Então disse: — Esta é uma nova poção que mudará o mundo. Está muito perto da conclusão, sabe? Ouso dizer que quando esta poção for aperfeiçoada, não haverá uma única pessoa infeliz sobrando no mundo.

Claro, ela estava sorrindo sem parar enquanto falava.

— …

A poção que estava tentando fazer não tinha nome, mas a julgar pelos ingredientes alinhados na mesa e os procedimentos descritos na receita, poderia mais ou menos dizer o que ela estava procurando.

A poção que Vivian estava tentando fazer ligaria temporariamente a energia mágica ao corpo de uma pessoa e daria a ela a habilidade de controlá-la.

Parecia ser uma poção que transformaria qualquer um em mago.

À primeira vista, certamente parecia uma mistura revolucionária, mas…

— Mas Vivian, isso é… — Um dos ingredientes listados na receita era conhecido por ser tóxico, poderia ser muito perigoso. — Não há como dizer quais efeitos essa poção pode ter no corpo humano. É realmente certo usar este ingrediente?

— Nossa, é claro que está tudo bem. — Vivian balançou a cabeça facilmente, como se fosse totalmente natural usar aquilo, então disse: — Você não pode mudar o mundo sem algum sacrifício. Para adquirir poderes mágicos, é preciso pagar o preço adequado. Isso não é natural?

Não entendi. O que poderia valer a pena experimentar com algo tão perigoso? O que diabos poderia estar conduzindo-a em direção a tal objetivo?

 

 

[Dia Quatro: Período da Noite]

— Em outras palavras, Vivian está tentando extinguir pessoas como eu?

Assim como no dia anterior, estávamos realizando uma reunião de estratégia na padaria.

Depois de ouvir meu relatório por algum tempo, Ariadne começou a bater na mesa com indignação.

— Nós definitivamente não podemos deixá-la escapar impune! Vamos parar com a chamada pesquisa daquela mulher agora mesmo!

— Sim, pensei que você poderia dizer isso. Então, hoje roubei alguns de seus materiais de pesquisa.

— Você é um pouco ardilosa…

— Também achei que você pudesse dizer isso.

Mas circunstâncias são circunstâncias. Não há maneira de contornar isso, certo?

— Falando francamente — continuei —, todas as poções da Vivian incorporam ingredientes muito perigosos.

Não me admira que ela manteve seu círculo de associados tão pequeno quanto possível. Se corresse o boato de que estava usando material tóxico em suas poções, ela seria expulsa da administração.

Então, se é isso que está acontecendo…

— Então a razão pela qual Sara está andando por aí igual um zumbi… devem ser os efeitos colaterais de todas as poções que ela tomou!

Sara escolheu ajudar na pesquisa de Vivian sobre as poções perigosas. Ou ela fingia muito bem, ou tinha total confiança em Vivian, ou estava sendo forçada de alguma forma.

Não podíamos negar nenhuma dessas possibilidades, mas não importava onde estivesse a resposta, se tivéssemos alguma esperança de resgatar Sara, teríamos que parar Vivian.

— De qualquer forma, vai ficar tudo bem desde que aquela mulher não termine a pesquisa, certo? Contanto que a façamos pensar que é absolutamente impossível, certo?

— Pude adivinhar pelas grandes quantidades de material de pesquisa no laboratório de Vivian que ela está trabalhando nisso há muito tempo e que não está disposta a desistir apenas por causa de uma pequena falha, mas…

— Você tem algo em mente?

— Claro que tenho!

Ela juntou as mãos e se levantou.

— Nós improvisamos algo e atrapalhamos!

— …

Então isso é um “não”?

 

 

[Quinto Dia – Período da Noite]

Ariadne acabou tendo um plano bastante concreto para alguém que dizia preferir improvisar.

Ela me contou todos os detalhes naquela manhã. Aparentemente, eu desempenharia um papel crítico no plano que ela traçou. Na verdade, todo o plano dependia de mim.

Fase Um.

— Vocês duas recolheram todas as poções necessárias para mim? — Vivian cumprimentou Ariadne e Sara, que voltavam da busca por ingredientes, exatamente como haviam feito no dia anterior.

Sara acenou com a cabeça em resposta, mas Ariadne silenciosamente balançou a cabeça.

— Não consegui juntar meus ingredientes.

A bolsa que Ariadne estava carregando parecia bem leve. Era óbvio que ela não tinha conseguido tudo.

Ela havia reunido apenas o suficiente para dar a impressão de um esforço genuíno.

— Ah não… bem, isso não podemos fazer nada… — Vivian olhou para a bolsa e franziu a testa, então disse: — Bem, então, poderia sair de novo e pegar um pouco mais para mim?

— Ah, minhas pernas estão um pouco cansadas. Agora não posso.

Vivian certamente interpretaria sua atitude petulante como um sinal de desrespeito. No entanto, foi exatamente por isso que Ariadne escolheu essa estratégia.

O plano era enfraquecer a habilidade de Vivian de pensar direito, deixando-a irritada.

A primeira vez que ouvi o plano, me perguntei se Ariadne estava bem da cabeça, mas vendo-a implementar seu plano, parecia que ela estava falando sério.

— Bem, então, Elaina e Sara, vocês sairiam em busca de ingredientes, por favor? Ariadne, você pode me ajudar aqui. — Vivian rapidamente nos deu novas direções.

Isso também fazia parte do plano de Ariadne. Ela devia ter previsto que Vivian me mandaria para juntar ingredientes.

Fase Dois.

Saí com Sara para procurar os ingredientes restantes.

Pelo que poderia dizer ao olhar para a lista, Ariadne não conseguiu coletar várias das ervas daninhas que cresciam na área.

— Me pergunto por que ela não conseguiu encontrar um monte de ervas daninhas. Ela é uma idiota? — disse Sara venenosamente, olhando para um monte delas crescendo bem no meio do pátio.

— Talvez não quisesse tocá-las porque estão sujas?

— …

Foi aí que minha conversa com Sara terminou. A garota obviamente não era do tipo falante. Ficou em silêncio enquanto cortava as ervas daninhas e as colocava em sua bolsa.

Um transeunte poderia tê-la confundido com uma estudante voluntária ecologicamente consciente, trabalhando arduamente para limpar o pátio.

— Há quanto tempo você ajuda Vivian com a pesquisa dela, Sara? — Tentei conversar um pouco enquanto trabalhávamos.

— Cerca de uma semana… — Desta vez, ela me deu uma resposta adequada.

— Interessante. Então… Por que você decidiu ajudá-la, afinal?

— Você já ouviu falar sobre a poção que ela está tentando fazer?

— Sim, mais ou menos. — Olhei para Sara. Ela estava silenciosamente olhando para as ervas daninhas com olhos vagos. — É uma poção que pode transformar alguém em um mago, não é? — falei.

— Isso mesmo… acho que o plano da professora é incrível, porque uma vez que todos puderem usar magia, ninguém terá que sofrer com as dificuldades, nunca mais.

— Você acha que as pessoas estão infelizes porque não podem usar magia?

— Claro, estão. — Ela respondeu decisivamente. Seus olhos ainda estavam escuros. — Você não pode deixar de notar aqui, nesta universidade onde magos e… pessoas como eu estão todos reunidos em um só lugar. Você percebe a diferença entre nós e os alunos que podem usar magia.

— …

Ela provavelmente estava se referindo a coisas como a aula que Vivian estava dando. Era uma matéria obrigatória na universidade, mas a aula obviamente era destinada a magos. Para os alunos que não podiam usar magia, não era nada além de uma desagradável perda de tempo.

Embora também ensinassem matérias comuns na escola, havia uma série de cursos exclusivos para usuários de magia. A aula de farmacologia mágica que eu assisti dois dias antes era uma dessas.

Dessa forma, os alunos comuns eram tratados com discriminação e provavelmente sempre foram assombrados pela percepção de inferioridade.

— Então, você quer o poder de usar magia para se sentir melhor consigo mesma?

— Sim, é isso — disse ela —, embora eu tenha outro motivo mais significativo.

— Qual é? — perguntei inclinando minha cabeça.

— Quero fazer minha mãe feliz.

Claramente. Decisivamente. Em poucas palavras.

Pela primeira vez, vi uma centelha de luz em seus olhos.

Fase Três.

Voltamos com ingredientes, ou melhor, ervas daninhas, nas mãos. Em seguida, deveríamos ajudar Vivian e ela nos mostraria como completar a poção. Dito isso, fui a única que realmente ajudou.

— Tudo bem, Elaina, canalize um pouco de sua energia mágica para a mistura.

— Certo.

— Bom trabalho. Tudo bem, em seguida, mexa três vezes e, depois, canalize ainda mais energia mágica.

— Certo.

Fiz o que me foi dito, igual uma marionete. Em contraste, Sara estava sentada vagamente olhando para a panela em minhas mãos e Ariadne estava se remexendo do lado.

Estávamos esperando o momento certo para executar a terceira parte do nosso plano. Ariadne e eu ocasionalmente trocamos olhares de esguelha enquanto esperávamos pelo que viria a seguir.

E então…

— Ah! A diretora está lá fora!

Quando a poção estava quase completa, Ariadne de repente se levantou e gritou enquanto apontava para a janela.

A diretora.

Ariadne presumiu que, para Vivian, que estava usando ingredientes perigosos para criar uma poção sob um véu de segredo, não poderia haver inimigo mais formidável.

Vivian e Sara só olharam por cima do caldeirão borbulhante por um segundo.

Olharam diretamente para Ariadne, que de repente gritou estranhamente:

— Ah, qual é?! — murmurou.

Mas qualquer chance é uma boa chance.

Durante aquele momento de oportunidade de ouro, agarrei as ervas daninhas que havia recolhido antes e as joguei todas na panela.

Essa era a fase três do plano: em resumo, arruinar a poção quando ela estivesse quase completa. Enquanto estava colhendo ervas daninhas mais cedo, aproveitei a oportunidade para enfiar algumas flores e gramíneas aleatórias entre elas.

Qualquer desvio da receita deve causar problemas com o produto final.

Finalmente, a poção estava completa.

— Está pronta. — Vivian tirou um pouco do líquido de cor duvidosa da panela e colocou em um frasco. — Aqui, Sara. Experimente isso.

Ela o entregou, cheia de confiança; o resultado dos esforços do dia.

Embora, é claro, a poção no frasco fosse um fracasso.

— Muito obrigada.

Sara aceitou obedientemente o frasco.

E então, foi aí que o estágio final do plano entrou em andamento.

— Eu tomo!

Ariadne pegou o frasco contendo a poção que sabotamos. Tomou tudo com um único gole, então cuspiu algumas bolhas e desabou.

Este era o ponto culminante do plano.

Sara tinha consumido essas misturas muitas vezes antes, mas Ariadne basicamente não tinha experiência em beber poções mágicas. Ela não tinha tolerância a elas. Somando isso à poção estragada, não era de se admirar que tivesse desmaiado.

— V-você está bem? Ei, Ariadne…? Ariadne!

Vivian entrou em pânico. Ela pegou a garota nos braços e saiu correndo da sala.

Nós duas fomos deixadas para trás.

— O que há com aquela garota?

Ainda me lembro da expressão de nojo nos olhos de Sara.

 

 

— Deixei Ariadne na enfermaria para descansar. Ela provavelmente vai acordar em breve.

Vivian voltou depois de algum tempo, parecendo exausta.

Vou buscá-la mais tarde…

— Ariadne é sempre assim? — Vivian franziu a testa.

— Quase sempre…

Fazia apenas seis dias desde que conheci a garota, então eu realmente não a conhecia muito bem.

— É mesmo…? Ela realmente é muito infeliz vivendo sem magia, hein? Bem, enquanto houver pessoas sem magia, haverá ainda mais casos lamentáveis ​​como ela…

— …

Bem, não sei se a chamaria de lamentável. Na verdade, ela é apenas uma idiota, mas…

Eu não disse isso.

— Mas o fato de Ariadne ter desmaiado deve significar que a poção que preparamos hoje foi um fracasso. Isso é ruim. — Vivian não percebeu que Ariadne e eu alteramos a fórmula. — Vamos transformar o fracasso desta rodada em sucesso na próxima. Não há tempo a perder… Nenhum tempo…

Vivian parecia uma mulher perseguida por algo e murmurou para si mesma enquanto começava a remexer em seus livros e pergaminhos sobre poções.

Eu não entendia o que poderia estar levando-a tão longe. Era como se essa obsessão em transformar todo humano em um mago a estivesse corroendo.

— Por que você está tão determinada a criar uma poção que pode transformar as pessoas em magos? — perguntei.

Vivian respondeu:

— Ainda não te disse, disse? — Seus olhos se estreitaram enquanto olhava distraidamente pela janela, para os raios do sol poente. Parecia que estava meditando sobre uma memória antiga. Como se estivesse lamentando ter deixado algo ir. Seus olhos estavam cheios de tristeza. — Decidi tentar fazer esta poção quando era estudante nesta mesma universidade.

E então, ela me contou uma história de muito tempo atrás.

Aconteceu dezessete anos antes.

Vivian, ainda uma estudante na época, foi reconhecida como uma criança prodígio rara. Ela tinha apenas quatorze anos de idade, mas estava tendo aulas que cobriam a mesma matéria que a dos estudantes de dezoito. E, além disso, tinha um talento mágico genuíno. Era natural que recebesse muitos elogios.

Mas Vivian nunca foi conhecida como a aluna mais brilhante da escola. Havia outra aluna com quem ela compartilhava a distinção.

Seu nome era Elizabeth e era uma estudante normal, não-mágica. Ela não podia usar magia, é verdade, mas suas notas eram ainda melhores do que as de Vivian. As pessoas diziam que não havia ninguém que pudesse rivalizar com ela academicamente. Não bastasse isso, Elizabeth era muito atenciosa e todos ao seu redor confiavam profundamente nela. Era um modelo de bondade humana. Vivian tinha um olhar nostálgico quando me disse isso.

Embora as duas fossem reconhecidas como jovens gênios, Vivian, que era muito mais jovem do que a maioria de seus colegas de classe, atraiu muita inveja dos outros alunos e teve uma experiência escolar completamente diferente da de Elizabeth.

Poderia se esperar que as duas tivessem sido rivais amarguradas, mas, na verdade, foram melhores amigas.

Elas se esforçavam para assistir às mesmas aulas, almoçavam juntas no pátio e se encontravam no café-padaria depois da escola. As duas alunas geniais passavam os dias juntas como estudantes comuns.

— Elizabeth, eu tenho um sonho.

Um dia, quando elas estavam conversando entre as aulas, a jovem Vivian de repente disse:

— Quero ser professora nesta escola. Quero ensinar magia a todos.

Elizabeth balançou a cabeça para as palavras da amiga.

— Isso é ótimo! Quero fazer o mesmo — respondeu.

Assim como Vivian, Elizabeth também queria assumir um cargo de professora após a formatura. Ambas as amigas compartilhavam o mesmo objetivo e isso as aproximou ainda mais.

No entanto, não demorou muito para que seu relacionamento amigável se desfizesse.

Aconteceu um dia, quando a formatura estava próxima. Cada aluno graduado estava pensando em seu futuro, mas apenas duas tinham tomado uma decisão.

Vivian e Elizabeth.

A escola fazia com que novos instrutores em potencial tivessem que esperar para se inscreverem até que todas as outras aceitações para emprego e continuação de estudos fossem finalizadas. Isso significava que se não fossem aceitas pela escola, estariam em uma situação difícil, sem quaisquer outras perspectivas. O objetivo era eliminar quaisquer candidatos que não fossem dedicados o suficiente para arriscar essa possibilidade.

Haviam dois cargos de ensino disponíveis. As duas estudantes geniais, na esperança de passar no exame juntas, rejeitaram todas as outras oportunidades de emprego ou educação continuada para se tornarem professoras.

Finalmente, fizeram o exame.

Contudo…

— Quando olhei para os resultados, vi que eu fui a única que tinha passado no teste. Infelizmente, Elizabeth não foi aceita. Ela nunca se tornou uma professora.

— …

— Ela sempre foi uma aluna melhor do que eu, mas a administração não se importou. Magia era mais importante do que estudos, ou qualquer outra coisa, na verdade. Essa é a única razão pela qual fui escolhida.

O comitê determinou que, embora boas notas fossem importantes, ser um mago importava muito, muito mais, e essa foi a base para sua decisão. Elizabeth, foi decidido, não tinha a qualificação mais significativa para o trabalho.

— O que aconteceu com Elizabeth depois disso?

Vivian balançou a cabeça lentamente.

— Quem sabe? Depois do que aconteceu, as coisas nunca mais poderiam ser as mesmas entre nós. Nunca mais a vi. Conhecendo-a, aposto que está por aí fazendo seu próprio caminho na vida, mas…

Mas Vivian claramente nunca superou o que aconteceu naquele dia.

Se Elizabeth fosse uma maga, provavelmente teria uma importante posição de professora, assim como sua amiga, e as duas provavelmente ainda estariam juntas. Uma diferença tão pequena não deveria ser o suficiente para separá-las.

Foi por isso.

— Então é por isso que você quer tornar todos no mundo em magos?

— Sim… — Ela balançou a cabeça lentamente. — Quando esta poção for completada, não haverá mais alunos chorando só porque não podem usar magia. Esse é o meu desejo…

Ela olhou pela janela novamente.

Eu podia ver o que parecia ser uma determinação inabalável em seus olhos enquanto refletiam os raios do sol poente.

Em pouco tempo, era hora de encerrar a noite.

Sara e eu fomos mandadas para casa enquanto Vivian ficou para trás, dizendo que ainda tinha algum trabalho a fazer sozinha, ou algo assim. Ela parecia completamente obcecada com sua pesquisa.

Levei Ariadne, ainda gemendo, nas minhas costas para casa. Sara andou ao meu lado, olhando para Ariadne com olhos frios. A estrada foi cercada por todos os lados pela escuridão.

— A professora quer consertar um relacionamento que foi rompido há muito tempo — disse Sara de repente. — É por isso que estou ajudando. E se alguém tentar ficar no caminho dela… Eu definitivamente não vou permitir.

Será que está falando de nós?

— Bem, então, certo. Você tem que fazer o que acha que é certo — respondi, desviando meus olhos. — Mas ainda não entendo por que você está disposta a arriscar sua vida para ajudá-la. Você deve a ela ou algo assim?

— Arriscando minha vida? Não sei do que você está falando.

— Não mesmo? Hoje aconteceu de Ariadne apagar ao beber a poção que falhou, mas você está rotineiramente exposta a essas misturas, não é? Muitos dos ingredientes são prejudiciais para o corpo humano. Não posso imaginar que você está realmente bem com isso.

— Eu estou. Estou bem — respondeu ela indiferentemente. — Se o sonho da professora puder ser realizado com um pequeno sacrifício da minha parte, suportarei qualquer coisa. Se ninguém o fizer, ela nunca vai terminar, não importa quanto tempo trabalhe.

Sara e Vivian pareciam obcecadas pela mesma ideia, consumidas pela crença de que as pessoas não podiam ser felizes sem magia.

— Amanhã à tarde, venha para a sala de aula. Há algo que quero conversar com você. — Sara finalmente falou. — Só você e Ariadne. Estejam lá.

 

 


 

Tradução: Nero

Revisão: Sonny Do Nascimento

 

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