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Bruxa Errante, a Jornada de Elaina – Vol. 10 – Cap. 02 – O Conto de uma Sereia Apaixonada pelo Amor

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Um dia, cerca de três meses atrás, eu viajava de um lugar para outro sozinha, como sempre faço. A cidade que eu havia visitado no dia anterior ficava à beira-mar, o que de alguma forma despertou meu interesse. Voei ao longo da costa em minha vassoura.

Tudo era azul até onde a vista alcançava.

Não havia uma nuvem no céu, e o mar se estendia interminavelmente diante de mim. Pequenas ondas, lentas e regulares, umedeciam a praia e depois recuavam, como se o oceano estivesse respirando. Entre as ondas, caranguejos minúsculos cutucavam cuidadosamente seus rostos para fora da areia.

Eu estava satisfeita com minha jornada pacífica.

Mas no meio daquela cena idílica…

…descobri um cadáver bem no meu caminho.

— …………

Não, provavelmente só parecia um cadáver, mas… a mulher deitada na areia parecia mesmo estar morta.

Seu cabelo dourado estava preso em um único rabo de cavalo na parte de trás da cabeça, e sua pele exposta, que era bastante, era quase branca translúcida. Ela era muito bonita.

Era um lugar muito estranho para se deitar para uma soneca, então assim que notei a mulher, desci da minha vassoura, caminhei até ela e me agachei ao seu lado.

— …Você está viva?

Meu chapéu triangular projetou uma sombra sobre seu rosto enquanto eu a olhava. Ela não se mexeu, mas na sombra, ela finalmente abriu seus olhos dourados, apenas um pouco, e olhou para mim.

Nossos olhos se encontraram. Então…

— Ah, olá.

Eu disse uma saudação.

Em resposta, esta foi sua resposta:

— …Eu quero morrer.

Ela disse isso e nada mais, depois soltou um suspiro.

Você não acha que é uma confissão pesada para se fazer a alguém que acabou de conhecer?

— Aconteceu alguma coisa? — Inclinei a cabeça.

A mulher finalmente se sentou e perguntou:

— …Quem é você?

— Uma bruxa viajante. — Estou usando um manto preto e um chapéu pontudo, e tenho um broche em forma de estrela no peito. Qualquer um poderia ver que sou uma bruxa. — E quem é você?

— …Lacey.

A mulher me respondeu secamente, dando apenas seu nome.

— Você parece estar com algum tipo de problema… — Inclinei a cabeça novamente. — Se quiser, posso ouvir seus problemas.

— ……! Você está se oferecendo para me dar… conselhos…?

Ela olhou para mim, e seu rosto se iluminou instantaneamente. Era como se a centelha da vida tivesse retornado aos seus olhos.

— …Hum, claro. — Senti que seria extremamente frio da minha parte simplesmente ir embora e abandonar a mulher quando a primeira coisa que ela disse foi que queria morrer.

Eu não me importava em ouvir sua história.

E assim, perguntei:

— O que está te afligindo?

Ao que a mulher de repente baixou o olhar e murmurou uma única palavra.

— …Amor.

— Hmm?

O que foi isso?

— Estou sofrendo por amor — ela me disse, parecendo um tanto envergonhada e, no entanto, um pouco feliz também.

Ela estava sofrendo por amor, se preocupando a ponto de querer morrer.

Entendi, entendi.

— Bem, não há realmente nada que eu possa fazer sobre isso. Adeus.

Levantei-me e peguei minha vassoura.

— Hã?! De jeito nenhum, espere! Por que você fugiria no segundo em que ouve que é um assunto do coração?!

— Desculpe, esse tipo de coisa está meio fora da minha área de especialidade, então…

…Não acho que posso te dar nenhum conselho.

— Por favor! Apenas me dê um pouco do seu tempo! Por favor, ouça! Tudo o que você precisa fazer é ouvir! Ei!

Lacey puxou meu manto de onde ainda estava deitada na areia. O que eu poderia fazer?

Ela devia estar se agarrando a mim com bastante força, porque eu não conseguia me livrar dela. No final, soltei um suspiro de resignação.

Não havia como escapar.

— …Vou ouvir, mas é só isso.

— Fantástico! Estou tão feliz que você vai ouvir minha história, Srta. Bruxa…!

Quer dizer, você não vai me soltar até que eu te ouça, então…

Depois disso, ela me contou sobre seus problemas pouco a pouco.

Ela disse…

Um dia, ela conheceu um homem por acaso.

Ele tinha uns vinte e poucos anos. Tinha cabelos pretos e traços bonitos. Era um viajante, um homem gentil que falava com eloquência, um verdadeiro cavalheiro. Ela se apaixonou por ele imediatamente.

Lacey estava apaixonada, e parecia que estava perdidamente apaixonada.

O homem era um andarilho e, embora ela o tivesse conhecido apenas uma vez, ele se tornara tudo para ela.

A cada dia que passavam separados, seu coração doía e ansiava, até que ela acabou deitada como um cadáver na praia nos arredores de sua cidade natal.

— Não aguento mais… Tudo é horrível… O que diabos posso fazer para vê-lo de novo…?

Em suma, a ausência do homem que ela amava a levara a um estado de desespero.

Entendi, entendi.

— Bem, não há realmente nada que eu possa fazer sobre isso. Adeus.

Peguei minha vassoura.

— Espere! Você não vai fugir depois de ouvir tanto da minha história, vai? Não vou deixar você ir. Ajude-me a encontrar o romance! Você é uma bruxa, não é? Faça alguma coisa! — protestou Lacey.

— Não, hum… não é como se as bruxas fossem todo-poderosas, sabe…

— Bem, então, pelo menos encontre uma maneira de eu vê-lo de novo! Não me importo como você faça, apenas por favor me deixe vê-lo de alguma forma!

— Eu realmente não vejo como…

— E quero que você faça com que, quando eu o encontrar de novo, possamos nos casar imediatamente! Quero que você me torne irresistível para que ele me bajule.

— O que você acha que um mago é, exatamente?

— Uma pessoa incrível que pode fazer praticamente qualquer coisa.

— Isso é ridículo…

— De qualquer forma, estou implorando!

— Ainda não tenho certeza do que você quer que eu faça, exatamente…

— Transforme-me em uma mulher normal!

— Não tenho muita certeza do que você está pedindo…

Depois disso, ela me implorou por um tempo e, finalmente, cedi, soltei um suspiro e decidi atender ao seu pedido da melhor maneira possível.

Tudo isso aconteceu cerca de três meses atrás, antes de eu me reunir com a Srta. Fran em Bielawald.

Em um dos países que Elaina e eu visitamos em nossa jornada, ouvimos rumores sobre uma sereia.

Uma sereia.

São aquelas criaturas bizarras que têm a parte superior do corpo como mulheres humanas, mas são cobertas de escamas na metade inferior do corpo, como peixes, com caudas e nadadeiras. Elas eram um assunto quente na região.

Em todos os lugares que Elaina e eu visitamos, toda a cidade estava em polvorosa sobre a sereia, e compreensivelmente. Todos estavam fazendo um alvoroço sobre os rumores de uma sereia que havia aparecido de repente cerca de três meses antes.

— Vou me casar com aquela sereia um dia…

Ouvimos tais declarações por toda a cidade enquanto andávamos.

— Então, eu fui ao oceano mais cedo, certo? E escute, a sereia estava lá, e ela piscou para mim! Ela claramente está a fim de mim, sem dúvida, cara.

Havia um sujeito que aparentemente entendeu errado quando a sereia tinha algo no olho. Ou talvez ele tenha pego algo em seu próprio olho e imaginado.

— Consegui o autógrafo dela!

Para piorar as coisas, havia um cavalheiro que possuía um pedaço de papel emoldurado com a palavra sereia rabiscada em letras tortas.

— Consegui um aperto de mão! Nunca mais vou lavar esta mão!

Havia até um homem exibindo orgulhosamente sua palma pegajosa e não lavada.

Mas a popularidade da sereia não parou com os habitantes da cidade.

— Venham, tenho carne de sereia aqui! Que tal? Apenas uma moeda de cobre!

Havia barracas de rua aproveitando o hype para vender seu peixe grelhado comum sob um novo nome estranho.

— Nossa pousada tem janelas para a água, então em dias de bom tempo, você pode ver a sereia… provavelmente.

Havia até pousadas que decidiram que poderiam vender mais quartos incluindo a palavra sereia em seus anúncios.

Dessa forma, a conversa sobre a criatura misteriosa estava borbulhando por toda a cidade. Dito isso, eu era uma daquelas pessoas que se animavam.

— Uma sereia, hã? …Parece interessante!

Se eu tiver a chance de conhecê-la, gostaria pelo menos de conversar com ela.

Eu havia dito isso a Elaina enquanto caminhávamos pela cidade.

Mas Elaina, por outro lado, não parecia particularmente interessada na sereia.

— …Claro que sim. — Ela concordou com o que eu estava dizendo com um olhar distante.

Essa conversa aconteceu no dia anterior, mas eu me lembrava claramente de como ela havia feito uma expressão muito, muito estranha. Era um pouco estranho para Elaina, a viajante, não se interessar por algo tão raro, e fiquei intrigada com sua reação.

No momento, Elaina e eu estávamos cada uma por conta própria.

Eu tinha ido à beira-mar, onde se dizia que a sereia aparecia. Deveria ser óbvio o que eu estava procurando.

A sereia.

Na verdade, eu havia planejado ir à praia com Elaina, mas ela disse: “Ah, não, obrigada”, e insistiu. Mesmo que eu tenha puxado seu braço e implorado com ela de forma adorável, no final, ela não foi comigo. Que triste…

De qualquer forma, eu estava animada para ver minha primeira sereia, e caminhei até a praia.

— Acho que… devo conseguir vê-la por aqui, certo…?

Vaguei pela areia, segurando um mapa em uma mão, no qual havia marcado os locais onde se dizia que a sereia aparecia com mais frequência. As ondas iam e vinham, e uma paisagem semelhante se estendia à distância.

Finalmente, assim como diziam os rumores, a sereia apareceu diante dos meus olhos.

Uma sereia muito, muito bonita apareceu da água.

Seu cabelo e olhos eram dourados. Ela tinha o cabelo preso em um único rabo de cavalo na parte de trás da cabeça. Ela olhava para a praia e não parecia me notar.

Sua metade superior certamente parecia humana.

Mas sua metade inferior era coberta de escamas cor-de-rosa, e ela tinha nadadeiras e uma cauda.

— Nadei bastante hoje…

Sem dúvida, a garota saindo do oceano era uma sereia.

— Ora, ora…

Nunca pensei que seria tão fácil encontrar uma!

Sua aparência me impressionou seriamente, e fiquei ali, encantada por ela, me perguntando o que eu poderia dizer a ela.

Enquanto eu estava ali—

— Ok…

A sereia não deve ter me notado.

Depois de sair da água, ela pegou uma varinha e a apontou para a parte inferior do corpo. Uma luz branco-azulada envolveu sua cauda escamosa, e ela imediatamente a transformou em outra coisa. Suas nadadeiras e cauda desapareceram e, em seu lugar, sua parte inferior do corpo se dividiu em duas. Diante dos meus olhos, ela perdeu o que a tornava uma sereia.

Quando a luz desapareceu, ela havia brotado duas pernas adoráveis.

…Pernas?

Em uma sereia?

— Hum… ei, você, o que está…?

O que diabos está acontecendo?

Aproximei-me da garota, com a voz trêmula.

— …!

Nesse ponto, ela pareceu finalmente notar minha presença. Chocada, com os olhos bem abertos, ela se levantou na areia usando aquelas pernas dela e exclamou:

— Você me viu…!

Não importava como eu a olhasse, a pessoa parada ali era apenas uma garota comum.

— Então você… não é uma sereia…?

Nesse ponto, eu já estava incrivelmente desapontada, mas a garota diante de mim não tinha como saber meu estado de espírito.

— Bem… às vezes sou, e às vezes não sou.

Ela confessou prontamente a verdade.

Além disso…

— Uma bruxa de passagem me transformou em uma mulher… — ela me disse, com as bochechas corando.

Ora, ora.

— Quem era ela e de onde ela era? Conte-me sobre a bruxa que fez essa coisa imoral.

Isso mesmo, sou eu.

Eu tinha algum tempo para matar na cidade enquanto esperava pela Srta. Fran, que estava em sua caça à sereia. Eu estava sentada em uma esquina, passando o tempo.

De lá, eu tinha uma boa vista da cidade.

A avenida principal estava lotada de gente, e suas conversas passavam por mim em um fluxo constante. Acima de todos os outros tópicos, havia um falatório constante sobre a sereia que vinha aparecendo nos últimos três meses. Ao mesmo tempo, havia também muitos negócios que estavam se aproveitando da popularidade da sereia. Aparentemente, a palavra sereia tinha cheiro de dinheiro.

Oh, santo Deus.

Que bagunça.

Acho que se pode ganhar dinheiro apenas colocando o nome da sereia da praia em seu produto. Nunca soube que marketing era um trabalho tão fácil.

Não estou impressionada.

— O que é isso, agora? Você aí, algo está te incomodando? — exigi.

— Hã? Você quer dizer eu…?

A mulher de aparência dócil para quem eu havia chamado olhou para mim com alguma surpresa, com os olhos bem abertos.

Eu assenti.

— Sim, você. Seu rosto diz que algo está te causando angústia… Que tal? Não quer tentar ler sua sorte?

— Leitura da sorte… Escute, eu realmente não gosto desse tipo de…

— Sabe, apesar da minha aparência, conheço uma sereia e uso um método de leitura da sorte que aprendi diretamente com ela. Não quer experimentar?

— Conhecida de uma sereia…? Espere, você quer dizer aquela sereia?

Bem, bem.

— Não sei de qual sereia você está falando — eu disse —, mas se você quer dizer a sereia da praia que tem causado agitação na cidade ultimamente, sim, é ela. Ela é uma conhecida minha. Já a encontrei várias vezes. Suponho que poderia até chamá-la de amiga. Pode não ser fora de propósito dizer que ela é minha melhor amiga.

Oh, santo Deus.

Que descaramento, usar o nome da sereia para ganhar dinheiro!

— Tenho certeza de que você está bem ciente disso, mas, falando da sereia, ela é uma criatura incrível que, neste exato momento, cativou homens por toda a cidade. E eu tenho um método de leitura da sorte que aprendi com uma mulher como essa. Você não está curiosa?

— …………

A mulher se sentou. Uma vez que se sentam, são todas minhas.

— Parece que você está curiosa. — Eu assenti, um sorriso significativo se espalhando pelo meu rosto. Virei uma caixa que encontrei por perto e a coloquei na nossa frente. Em cima dela, coloquei uma xícara de chá cheia de conchas.

Na verdade, a afirmação de que eu havia aprendido um método de leitura da sorte com a famosa sereia era, de fato, a verdade.

— A propósito, o que é que está te incomodando?

Sacudi a xícara de chá, misturando as conchas barulhentas enquanto inclinava a cabeça, inquisitiva.

Hesitante, a mulher disse:

— Hum… agora, há alguém de quem eu gosto, mas… — Mesmo que ninguém estivesse ouvindo além de mim, a mulher sussurrou enquanto me contava: — Estou preocupada se devo ou não confessar meus sentimentos a eles.

— Entendi.

Problemas amorosos, hã? Isso está fora da minha área de especialidade.

Mas isso não é motivo para preocupação.

— Bem, então, vamos ler sua sorte.

Depois de misturar as conchas barulhentas na xícara por um tempo, espalhei-as uniformemente sobre a caixa. As conchas de várias cores e tamanhos, que eu havia coletado no dia anterior, estavam espalhadas esparsamente pela caixa.

Este era o método de leitura da sorte que eu a fizera me ensinar cerca de três meses antes.

— Tenho seu resultado.

No total, havia dez conchas na caixa. Sete delas caíram viradas para cima, e três delas viradas para baixo. Segundo a famosa sereia, quanto mais conchas estivessem viradas para cima, mais provável era que seu desejo se realizasse.

Em outras palavras, este resultado…

— Parece mais ou menos que você conseguirá namorá-los — anunciei com confiança.

Mas a mulher diante de mim parecia um pouco desconfiada.

— É meio desleixado… Essas previsões são precisas?

— Aproximadamente precisas.

— É desleixado…

— A propósito, usando magia, é possível manipular as chances de uma concha cair virada para cima ou para baixo.

— Isso não é fraude…?

— Bem, dizem que sua sorte é você quem faz…

E assim…

Tentei a sorte na leitura da sorte, daquela maneira desleixada.

Uma coisa que eu havia previsto era que conseguiria atrair uma popularidade considerável apenas usando a palavra sereia, e consegui bastante atenção, mesmo com minhas adivinhações meio de brincadeira. A notícia se espalhou de pessoa para pessoa, de modo que, quando eu estava sentada ao lado da avenida principal por uma hora, as pessoas começaram a vir me ver sem que eu precisasse me dar ao trabalho de chamá-las.

— Você é amiga da sereia? Acha que poderia me dizer como entrar em contato com ela?

— ………… — Despejei minhas conchas. Todas caíram viradas para baixo. Pedi ao cliente que fosse embora.

— Então escute, não preciso das informações de contato dela nem nada, mas que tipo de coisas a sereia costuma comer? Não entenda mal, não é como se eu quisesse drogá-la nem nada, mas digamos que eu quisesse oferecer a ela alguns refrescos que preparei com todo o meu coração e alma, e então?

— ………… — Despejei as conchas, mas todas caíram viradas para baixo, então pedi ao cliente que fosse embora.

— Será que a sereia me acha bonito? Ela disse alguma coisa sobre mim?

— ………… — As conchas também caíram todas viradas para baixo, então pedi que ele fosse embora.

— Sobre a sereia…

— ………… — Pedi que ele fosse embora.

Um suspiro escapou dos meus lábios.

Em pouco tempo, eu estava mostrando a todos os homens que vinham me ver um monte de conchas viradas para baixo, deixando claro que nada jamais aconteceria entre eles e a sereia antes de mandá-los embora.

— Todos os homens do seu país são tão atirados? — comecei a perguntar, exasperada.

Os homens todos responderam com indignação.

— Não é como se eu quisesse namorá-la, de verdade!

— Que rude! Eu sou o decente aqui!

— Espere, eu não sou tão ruim assim, sabe?

— Só estou pegando carona na onda. Quero saber mais sobre ela, só isso.

E assim por diante.

Cada um deles insistia que estava se comportando normalmente.

No entanto, a sereia e os homens da cidade viviam literalmente em mundos diferentes e, além disso, a sereia não era o tipo de simplória que se apaixonaria por toda pessoa com quem apertasse a mão. Na verdade, acho que isso é verdade para a maioria das garotas, não apenas para as sereias.

— Não estou conseguindo nenhum cliente decente…

Talvez anunciar-me como amiga da sereia tenha sido imprudente. Todos os clientes que vinham me ver eram esquisitos.

Será que talvez eu devesse fechar a loja mais cedo…?

— Poderia falar com você por um minuto?

Enquanto eu estava sentada ali, ponderando sobre as ideias estranhas que pareciam encher a cabeça de todos os homens da cidade, outro sujeito chegou à minha barraca.

Ele parecia ter uns vinte e poucos anos, com cabelos pretos e traços bonitos.

— Quero que você preveja meu destino romântico — ele me disse.

— Seu destino romântico com quem?

Com a sereia? Você quer saber como as coisas vão dar certo com ela?

Com a mente meio decidida, girei a xícara e preparei minha varinha em segredo.

— …………

Então o homem finalmente me respondeu.

Ele me disse o nome da sereia que havia cativado o público.

A garota que conheci perto do oceano acabou me acompanhando de volta à cidade.

— Mas como diabos você conseguiu fazer uma coisa dessas? — questionei-a enquanto caminhávamos pela praia.

Não havia dúvida de que ela havia aparecido de repente na praia três meses antes e continuado a fazer coisas que a tornaram alvo de rumores na cidade.

A garota parecia muito inclinada a fazer as coisas em seu próprio ritmo. Ela me ignorou andando ao seu lado e se agachou por perto para rolar várias conchas na areia como dados.

— Ah! Muitas costas! Deixe-me rolar de novo — ela exclamou, e pegou as conchas novamente.

Parei e a observei.

Ela não estava mais vestida com um traje de sereia.

Ela usava uma blusa simples e uma saia longa azul-escura. Ela havia brotado completamente duas pernas separadas, e eu não achava que nenhuma pessoa a reconheceria como a sereia se a visse como estava no momento.

Ela respondeu à minha pergunta muito direta com um pequeno sorriso.

— Eu queria ver a pessoa que amava mais uma vez, então… foi assim que acabei.

— Como você acabou?

Essa é uma razão bem fraca, não acha…?

— Você se tornou alvo de muitos rumores na cidade, sabe? Estão dizendo que uma sereia fofa tem aparecido com frequência perto da cidade — eu disse.

Mas ela parecia já estar bem ciente disso. Lacey assentiu.

— Eu sei. Mas, mas… não há outra maneira! Meu plano é continuar aparecendo na praia como uma sereia até que o homem que amo ouça os rumores sobre mim e venha me ver de novo. Todo tipo de gente veio me encontrar e espalhar a notícia sobre mim. Mas já estou apaixonada, então não estou vendendo favores aqui, sabe!

Ela realmente enfatizou esse ponto.

Enquanto ela explicava, os rumores que eu havia ouvido na cidade passaram pela minha mente.

A sereia piscou para mim! Ela claramente está a fim de mim.

Consegui o autógrafo dela!

Consegui um aperto de mão! Nunca mais vou lavar esta mão!

…………

— Sério? Tem certeza de que não está vendendo favores?

— ………… — Lacey desviou o olhar, sem jeito. — B-bem… talvez eu tenha feito um pouco de… serviço de fã? Coisas assim, mas…

Eu já sabia.

Mas eu não estava ali para repreendê-la. Havia uma parte de mim que queria conhecer uma sereia e conseguir um autógrafo dela também. Além disso…

— Não parece que você está aqui enganando os habitantes da cidade quando faz seu serviço de fã como sereia, então suponho que está tudo bem. — Eu ri.

— …………

Mas Lacey desviou o olhar novamente.

…O que é isso?

— Você está enganando eles com dinheiro?

— Oh! Hum…? Do que você está falando?! D-d-d-dinheiro? Não estou pegando o dinheiro deles!

— Você está tremendo terrivelmente…

— M-mas é verdade! Eu realmente não estou recebendo nenhum dinheiro de verdade por isso! Sério!

— Nenhum dinheiro, especificamente?

— …………!

Deve ter sido um lapso de língua. Ela cobriu a boca com as duas mãos e ficou em silêncio.

Mas já era tarde demais.

— O que isso significa? Você está fazendo algo impróprio? Você se importaria de me contar sobre isso com um pouco mais de detalhes?

O que diabos ela poderia estar aprontando, transformando-se de um lado para o outro entre humana e sereia?

— Oh, bem… — Ela ficou ali, parecendo extremamente desconfortável. — É que, as pessoas da cidade, elas são… bem, são todas boas pessoas, e… quando eu assino algo, ou aperto a mão delas, elas me dão várias coisas…

— Ah-hã. Várias coisas como o quê?

— Apenas como… roupas e acessórios caros… e outras coisas.

Quando pressionei por mais detalhes, Lacey me disse que um homem da cidade a havia avistado por acaso cerca de três meses antes em sua forma de sereia. O homem ficou maravilhado ao vê-la e, em sua excitação, pediu-lhe um aperto de mão.

Lacey vinha se transformando entre as formas de sereia e humana para chamar a atenção do homem que amava, então ela não retribuiu os afetos do homem. Mas ela lhe ofereceu um aperto de mão e pediu que ele espalhasse rumores sobre ela pela cidade.

Os resultados foram sem precedentes.

— Depois de apertar a mão de uma pessoa, todo tipo de gente começou a vir à praia no dia seguinte, e um deles até pediu minha assinatura…

E assim que ela começou a dar autógrafos, eles começaram a lhe oferecer dinheiro.

— Entendi, entendi. — Eu assenti.

— Mas sabe, de alguma forma, me senti muito culpada por receber dinheiro apenas por assinar um pedaço de papel, então recusei. Fiquei satisfeita contanto que eles continuassem espalhando a notícia sobre mim.

— Oh, é mesmo?

— Mas quando não aceitei o dinheiro, no dia seguinte, meus fãs começaram a me trazer roupas e acessórios…

— Ah-hã. — Eu assenti novamente. — Então você não os recusou?

— Bem, sabe, nós, garotas, gostamos mais de presentes do que de dinheiro.

— …………

Tão ingênua…

— Mas já estou apaixonada, então… receber presentes também era problemático, e fui honesta com os homens sobre isso. Mas todos eles disseram: ‘Estamos torcendo pelo seu amor!’ e coisas assim, e no final continuaram me trazendo presentes… Não entendo… Não sei o que esses homens estão pensando…

— …………

Alguns dizem que a mente de uma mulher é o mistério supremo, mas talvez da perspectiva de uma jovem ingênua como Lacey, a mentalidade dos homens do mundo também fosse inescrutável.

Seja como for, não parecia que ela estava tentando enganar seus fãs nem nada.

— Não consigo não usar os presentes deles depois que os recebo, então agora uso e visto os presentes que recebo dos meus fãs — ela me disse enquanto continuava a jogar conchas na areia. — Mas sabe, para dizer a verdade, não estou realmente interessada em dinheiro ou fama.

Lacey estendeu a mão para a areia, pegou apenas as conchas que haviam caído viradas para baixo e olhou para as conchas viradas para cima que havia deixado para trás.

— Se não dinheiro e fama, então em que você está interessada? — perguntei.

Ela respondeu com um breve sussurro:

— O coração do homem que amo.

— E o nome dele é? — pressionei-a por mais.

Ela sussurrou novamente:

— Keith.

— Um homem gentil, eloquente e cavalheiresco, um cara fantástico… — ela acrescentou.

Lacey me contou a história dela e de Keith enquanto caminhávamos em direção à cidade.

…Ela me contou, mas…

— Naquele dia, eu estava nadando no oceano com os peixes. Eu os chamei: ‘Como vão?’ e eles responderam: ‘Ah, c-como vai?’ e sorriram para mim. Fazia parte da minha rotina diária nadar por esta parte da costa.

Para o bem ou para o mal, talvez porque Lacey fosse uma garota ingênua e sonhadora, suas recordações eram como algo de um devaneio.

— Naquele dia, eu estava brincando de pega-pega com os peixes no oceano, como sempre fazia. Eles fugiam, e eu os perseguia. Os peixes são realmente muito bons em fugir, então, tipo, não importa como eu os persiga, eles sempre escapam. E sabe…

— Uh, desculpe, mas por favor, corte qualquer parte que não esteja relacionada ao fio principal da história.

— …………

Por um curto período, ela ficou em silêncio, com as bochechas infladas de descontentamento.

E então…

— Conheci o Keith na tarde daquele dia. Logo depois de conseguir pegar vários dos peixes, veja bem, eu… me machuquei.

A voz de Lacey ficou um pouco mais baixa, e ela esfregou o braço.

— Aconteceu alguma coisa?

Pelo que pude ver, não parecia ter sido um ferimento que deixou marca.

— Um raio oceânico passou pelo meu corpo…

— …O quê?

— Sabe, raio oceânico?

— Sinto muito, mas você poderia explicar isso em palavras que eu possa entender?

— …Fui picada.

— Pelo quê?

— Uma água-viva.

— …………

Não tinha nada a dizer sobre o ferimento extremamente comum de Lacey ter um nome bombástico como raio oceânico.

— Então, tipo, de qualquer forma, doeu muito, então saí da água por um momento.

Ela me disse que foi quando conheceu Keith.

Keith avistou Lacey, se contorcendo de dor na areia, e ele deve ter percebido imediatamente que seu ferimento não era trivial.

Keith não sabia usar magia, mas era um viajante e, como seria de se esperar de um viajante, tinha um certo conhecimento sobre como lidar com tal ferimento.

Ele lavou a ferida em água do mar limpa e, assim que confirmou que estava começando a inchar, resfriou a área.

— Ohhh…

Lacey estava sofrendo com a dor. Keith apertou sua mão e a tranquilizou:

— V-você está bem!

Lacey me disse que sentiu um calor agradável no fundo do coração. Ao mesmo tempo, a picada do raio oceânico foi extremamente dolorosa. Não ofereci nenhum comentário.

Keith havia espalhado desajeitadamente uma pomada na pele vermelha e inchada de Lacey. Os viajantes costumam ter algum conhecimento sobre como tratar feridas, mas aparentemente Keith não estava muito acostumado a estar perto de garotas.

Lacey achou seu nervosismo encantador.

— Parece que uma água-viva te pegou… Acho que a dor deve diminuir se passarmos isso e esperarmos um pouco, então a-aguente firme!

Lacey balançou a cabeça para ele.

— Não foi uma água-viva…

— Hmm? Não foi uma água-viva? Então o que te picou?

— Raio oceânico… — Lacey parecia estranhamente fixada nessas palavras.

Keith não sabia como responder.

— Hã? Raio oceânico? Não, isso é uma água-viva comum…

— Fui atingida por um raio oceânico!

— Hum, certo, claro! Foi um raio oceânico!

Keith era um homem muito gentil e amável.

Depois disso, Keith ficou com Lacey até que o pior de seu sofrimento diminuísse. Ele lhe contou muitas histórias para que ela não ficasse entediada.

Mesmo não estando acostumado com a companhia feminina, ele lhe contou pouco a pouco sobre ter passado por muitos lugares em suas viagens.

Aparentemente, Keith tinha um sonho.

Era um sonho humilde de uma vida tranquila no campo, mas seus olhos brilhavam enquanto ele contava sobre isso.

Lacey, que era uma garota simples e ingênua que nunca havia saído de sua cidade natal, achou que suas histórias soavam como contos de fadas excepcionalmente adoráveis.

Então, para agradecê-lo por tudo, Lacey lhe contou sua própria história.

— Eu, tipo, estou sempre aqui nadando com os peixes.

— Oh? Uh-huh, hum, é mesmo…?

Os dois estavam sentados ao redor de uma fogueira. As chamas dançantes lambiam peixes espetados em espetos.

— Os peixes sempre fogem e me deixam para trás. Então eu os persigo, e os pego.

— U-uau…

Lacey sorriu e riu enquanto mordia um peixe assado à perfeição.

Ela me disse que o peixe que os dois comeram juntos estava muito delicioso.

O peixe…

— Então…

Depois disso, Lacey e Keith tiveram uma conversa animada sobre tudo e nada. Ela ficou tão encantada que esqueceu o tempo e a dor enquanto conversava com ele. Ela nunca havia conversado com um estranho na praia antes, então, mesmo com o sol começando a se pôr, as palavras continuavam a borbulhar dela.

Ela sentia que poderia continuar conversando para sempre, contanto que estivesse conversando com ele.

— …………

Em pouco tempo, Keith estava olhando fixamente para ela.

Mesmo nos raios oblíquos do sol, ela podia dizer que suas bochechas estavam tingidas de vermelho.

Esse cara está apaixonado por mim!

Lacey percebeu imediatamente. Ela suspeitava disso desde o momento em que se conheceram.

— Diga, Keith? Que tipo de garotas você gosta?

Garotas como eu? Você gosta de garotas como eu, certo? É verdade, não é?

Ela perguntou com uma tremenda confiança de que ele confirmaria suas suspeitas.

Keith desviou o olhar e respondeu:

— Sereias, eu acho…

Ele tinha uma queda por sereias.

…………

Uma obsessão por sereias?

Eles ainda não se cansavam de conversar um com o outro. Para se conhecerem melhor, precisariam de mais tempo.

— …Hum, então, Lacey… — E assim Keith disse: — Eu poderia… te ver de novo? Se eu viesse aqui amanhã, quero dizer?

Lacey me disse que achou seus sentimentos diretos muito deslumbrantes e que ficou muito feliz.

No entanto…

— …Você não pode. — Lacey balançou a cabeça. — Você não pode me ver.

Eles provavelmente poderiam ter se encontrado lá no dia seguinte. Eles provavelmente poderiam ter conversado muito mais. Mas Lacey impediu.

Ela era uma jovem muito pura e inocente.

Ao mesmo tempo, ela também tinha uma tendência a pensar demais e se exaltar.

Ela imaginou que, mesmo que ficassem juntos, não havia como dar certo entre eles a longo prazo. Keith era um viajante, e ela não sabia nada do mundo.

— Nunca mais venha aqui depois de hoje.

Lacey agradeceu a ele por sua ajuda e, com isso, partiu.

Mesmo que ela quisesse ficar com Keith para sempre.

E então, quando o dia seguinte chegou…

Lacey foi à praia novamente. Mesmo tendo-o rejeitado, um canto de seu coração estava esperançoso.

“Talvez o Keith tenha vindo mesmo assim?”

Mas ele não estava lá.

— Aaaaaahhhhhh, nããããããããão!

Ela chorou e desabou ali mesmo na areia.

No final, ela visitou aquela praia quase todos os dias depois disso, mas ele nunca mais apareceu.

— …Então essa é a minha história até este ponto. O que você acha?

— Acho que você é uma pessoa muito irritante.

— …………

— …Entendi.

Assenti uma vez depois de terminar de ouvir a história do homem que veio a mim para pedir conselhos amorosos.

Ele me disse…

Ele vinha vagando de um lugar para outro, vivendo como um viajante, mas não conseguia esquecer uma garota incrível que encontrara três meses antes, e voltou para vê-la.

O nome dela era Lacey.

Ela era a sereia que recentemente se tornara famosa na região.

— Para encurtar a história, não consegui esquecê-la, então voltei.

Ele deve ter ouvido rumores em algum lugar sobre a bela sereia aparecendo na praia próxima — coisas assim.

E então, quanto mais ele ouvia sobre a sereia, mais certeza ele tinha de que ela era Lacey, a quem ele havia conhecido apenas uma vez. Ele sabia que tinha que voltar para vê-la.

Essa foi a impressão básica que tive ao ouvir sua história.

Entendi, entendi.

— A propósito, quando você disse que voltou para a cidade, há quantos dias, especificamente, você voltou?

— Hã?

Eu havia chegado à cidade um dia antes.

E passei o dia todo lendo a sorte e sentando-me cara a cara com muitos clientes.

— Todo mundo está falando de você pela cidade, sabe — informei-o discretamente.

Inúmeros homens vieram a mim para pedir que eu previsse sua sorte no amor com a sereia, mas sempre que eu suspirava e me cansava deles, todos diziam a mesma coisa.

— Não, não, eu não sou o pior deles, sabe.

E assim por diante.

A primeira vez que ouvi essas palavras, imaginei que os homens estivessem tão obcecados que nem percebessem o quão profundamente apaixonados estavam, mas, depois de ouvir o que eles tinham a dizer, de alguma forma não parecia ser o caso.

Um dos habitantes da cidade me disse: “Há um homem estranho que lhe dará dinheiro apenas por ir ver a sereia e conversar com ele sobre isso.”

Outra pessoa me informou que “Ele lhe dará dinheiro apenas por conseguir um autógrafo da sereia. Não sei bem o que ele quer, mas provavelmente é um perseguidor ou algo assim.”

E ainda outro disse: “Mais cedo, pediram-me para entregar um presente a ela. Não entendo bem por quê, mas ele parece um perseguidor.”

Com base em tais testemunhos oculares, pude perceber, em suma, que este homem com jeito de perseguidor vinha fazendo contato indireto com Lacey há pelo menos um mês.

Foi por isso que todos os outros homens puderam dizer que não eram os piores. Foi porque eles sabiam sobre o único homem que estava profundamente, profundamente atolado em sua obsessão.

Quanto à aparência daquele perseguidor, todos disseram que ele tinha cabelos pretos e feições gentis, e parecia ter uns vinte e poucos anos.

Ora, ora. Ele parece familiar, não parece?

— Por acaso, você passou o último mês espionando a Lacey?

— ………… — Keith desviou o olhar de mim com força. — …N-não, o que você quer dizer…? Não sei do que você está falando…

Uau, ele é muito fácil de ler.

— Não seria melhor ir falar com ela diretamente em vez de coletar informações à distância? — ofereci-lhe sem rodeios este conselho.

Você não pode começar nada sem falar com ela, sabe?

Mas ele pareceu extremamente contrariado com minhas palavras diretas.

— Se eu pudesse fazer isso, não estaria com este problema!

— Mas vocês só se encontraram uma vez, certo? Você está satisfeito com nada além de informações de segunda mão? Aposto que nem sabe como ela está agora.

— Hã? Claro que sei. Ela é uma sereia, certo?

— …………

Bem, sim, isso é verdade, mas…

— Não parece te chocar que ela seja uma sereia.

— Não, na verdade não — ele respondeu. — O mundo é um lugar grande, cheio de todo tipo de gente.

— …………

É bom que você seja tão compreensivo, mas…

— Por que uma única rejeição os impediu de se verem novamente…?

— Bem, eu quero vê-la também, sabe? Mas é impossível…

“Nunca mais venha aqui depois de hoje.”

Essas foram as palavras que Lacey lhe disse da última vez que a viu. Keith era uma pessoa consciente e aceitou plenamente essas palavras, provavelmente acreditando que eram os verdadeiros sentimentos de Lacey.

— Fico pensando que ela deve ter ficado entediada, mesmo quando estávamos juntos, mesmo quando estávamos conversando, e sempre perco a coragem de ir falar com ela… Tentei ir à praia tantas vezes! Mas tenho medo de ser rejeitado, e não consigo.

— …………

— Não é patético? Vá em frente e ria.

— Eh-heh-heh.

— Não ria de mim!

— Hum…

Você não acabou de me dizer para rir…?

— De qualquer forma, quero saber quais são minhas chances com ela. Se não houver esperança, desistirei dela. Então, por favor, leia minha sorte. Conto com você.

Keith curvou a cabeça para mim muito profundamente.

Essa deve ter sido a conclusão a que ele chegou depois de meses de preocupação.

— …Entendo.

Nesse caso, permita-me ler sua sorte com meu método extremamente desleixado, conforme solicitado.

Sacudi minha xícara, confiando que Keith faria sua própria sorte, e rapidamente espalhei as conchas diante de mim.

O resultado foi imediatamente aparente.

— …………

Keith se debruçou sobre as conchas que eu havia espalhado sobre a caixa, encarando-as por um tempo. Então ele olhou para mim e inclinou a cabeça.

— …Então que tipo de resultado é este? — ele perguntou.

Não me importo de responder, mas…

— Você pode se divertir descobrindo isso mais tarde.

Tenho certeza de que essa é a melhor opção…

Virei meu olhar em direção ao portão da cidade.

— …………?

Um momento depois de mim, Keith olhou para lá também.

O timing foi perfeito.

A Srta. Fran voltou para a cidade exatamente naquele momento.

— …………

Os olhos de Keith se arregalaram. Tenho certeza de que ele deve ter se surpreendido.

Porque ali, com minha professora, estava a adorável garota que ele havia conhecido apenas uma vez, três meses antes.

E porque a metade inferior daquela garota, que fora uma mera sereia três meses antes, havia brotado duas pernas.

Esta é a história de três meses atrás.

Ao longo da praia, encontrei uma sereia que estava deitada na areia como um cadáver.

Ela se agarrou a mim, gritando frases estranhas como “Transforme-me em uma mulher!” e me implorou para transformá-la em uma mulher humana.

Ela estava apaixonada por um certo homem. No entanto, havia uma razão pela qual eles não podiam ficar juntos.

Lacey e Keith viviam em dois mundos diferentes.

Essa única razão havia rompido seu relacionamento.

Porque Keith era um humano que andava na terra, e Lacey era uma sereia que vivia no oceano.

Na verdade, Lacey também se apaixonou por Keith. O que os impedia de realizar seu amor era que parecia muito claro para Lacey que as coisas não dariam certo se eles ficassem juntos.

Foi por isso que ela lhe disse para nunca mais voltar.

Mas, para colocar de outra forma, a única coisa que mantinha Lacey e Keith separados era a própria hesitação de Lacey.

O que, francamente, parecia um problema que poderia ser resolvido com magia.

E assim, peguei Lacey pelo braço enquanto ela se agarrava à minha cintura, e sorri para ela.

— Conheço uma boa maneira de resolver isso.

Então lhe ofereci uma de minhas varinhas.

— …O que é isso? — Lacey inclinou a cabeça para o lado, intrigada.

Eu disse: — Você pode usar magia para criar pernas agora mesmo.

E então todo o assunto estará resolvido, certo?

A magia é uma coisa bem conveniente, afinal.

É totalmente possível mudar a própria forma com magia. É algo que já fiz muitas vezes. Então, por que Lacey também não deveria usar uma varinha e transformar sua cauda e nadadeiras em pernas? Esse foi o meu pensamento.

Honestamente, naquele momento, eu realmente não sabia se sereias podiam ou não usar magia, e imaginei que se descobrisse que ela não podia lançar feitiços, eu poderia simplesmente lhe dar uma poção e entregar a receita. Mas minhas preocupações eram infundadas.

Lacey podia usar magia. Ela tinha o dom para isso. Talvez pessoas que são um pouco diferentes dos humanos normais tenham algum talento inato para a magia como regra, porque ela imediatamente dominou a varinha, mesmo sendo a primeira vez que a empunhava.

Ainda assim, não importava o quão talentosa ela fosse, feitiços de transformação e coisas do tipo exigem um nível relativamente alto de habilidade, então levou um pouco de tempo para ela aprender.

— Assim?

Ela lançou um feitiço de transformação em si mesma.

— Isso é um fracasso.

Sua cauda e nadadeiras haviam mudado apenas um pouco.

— Tudo bem, assim?

No dia seguinte, ela lançou um feitiço de transformação em si mesma novamente.

— Agora você se transformou em uma criatura diferente.

Dessa vez, sua metade inferior se transformou em um cavalo.

— Hmm… que tal assim?

No dia seguinte, ela lançou um feitiço de transformação em si mesma novamente.

— Hum… sinto que você está se afastando cada vez mais de ser humana…

Não apenas sua metade inferior, mas também sua metade superior era um cavalo.

Nos dias seguintes, estive com ela sempre que tinha tempo, ensinando-lhe magia. Acho que levou cerca de mais cinco dias para que ela conseguisse transformar sua metade inferior em pernas humanas de forma confiável.

— Assim?

Ela tinha duas pernas pálidas e adoráveis formando a metade inferior de seu corpo.

— Isso é um sucesso. — Eu assenti.

Cinco dias, não exatamente de treinamento de magia, mas de treinamento sobre como transformar sua metade inferior em humana. No final, ela não conseguia usar nenhum feitiço além de feitiços de transformação, mas se ela estava fazendo isso apenas para viver com um homem, imaginei que isso deveria ser suficiente.

E assim, assim que verifiquei que ela havia brotado pernas, comecei a juntar minhas coisas.

— Bem, acho que você não precisa mais de mim — eu disse.

Como sou uma viajante errante, imaginei que era melhor não prolongar minha estadia.

— Hã? Você não pode ir, Elaina! Só consigo ficar na forma humana por um curto período.

Lacey contorceu o rosto em angústia aberta. De fato, logo depois que ela fez essa reclamação, suas pernas voltaram a ser uma cauda.

Parecia que seus feitiços ainda não eram perfeitos.

No entanto…

— Bem, agora você precisa praticar sozinha. Acho que conseguirá andar muito bem em pouco tempo.

— Você não vai ficar comigo…?

Ela estava sentada na areia, já que não tinha pernas, e olhou para mim com olhos suplicantes de onde estava sentada. Havia algo de sedutor em seu olhar.

Mas eu rapidamente balancei a cabeça.

— Você ficará bem sem mim agora, não ficará? Além disso… — Acariciei sua cabeça. — Sou uma viajante, então não devo prolongar minha estadia. Vou indo agora — eu disse.

— …Humph!

Lacey inflou as bochechas, descontente, mas não fez birra como no dia em que a conheci.

Em vez disso, ela me fez uma pergunta.

— Viajar é realmente tão interessante?

Era uma pergunta que eu não tinha certeza de como responder. Considerando que Keith era um viajante, ela provavelmente estava curiosa sobre viagens, mesmo que só um pouquinho.

— Hmm. — Ponderei a questão brevemente, depois sorri para ela. — Bem, você não sabe até tentar, certo?

Acho que foi uma resposta extremamente vaga e muito cansativa.

Cheguei à cidade com a Elaina ontem mesmo.

O público estava em polvorosa com uma sereia, e eu também estava animada, dando bastante crédito aos rumores, mas a Elaina não parecia particularmente interessada.

— Uma sereia, hã? Legal.

Nem preciso dizer que senti que algo estava fora do lugar.

— Qual é o problema, Elaina? Você não está agindo como de costume.

— E como eu agiria normalmente?

— Você estaria puxando minha manga, dizendo algo como: ‘O quê? Uma sereia? Vamos à praia observar sereias!’

— Quem é essa? — Elaina estreitou os olhos. — Eu nunca me comportei assim.

Bem, eu estava brincando, é claro. Mas de qualquer forma…

— O que há de errado, de verdade? — perguntei. — Você não está interessada? Em uma sereia?

— Bem, não é que eu não esteja interessada, mas…

Então a Elaina me contou o que havia acontecido.

Ela me contou que havia conhecido a sereia três meses antes. E que havia ensinado um pouco de magia à garota, que estava apaixonada por um homem que conhecera apenas uma vez.

Elaina explicou que não estava desinteressada, apenas não estava particularmente surpresa ao ouvir sobre a sereia, já que já sabia tudo sobre ela.

— Não sei o que fazer… Não acredito que ela ainda esteja por aí no mar, mesmo depois de três meses… Não era o que eu esperava… Acho que teria sido melhor ficar com ela um pouco mais… — resmungou Elaina.

Então ela fez uma proposta.

— Srta. Fran, você acha que poderia ir ver a sereia?

Elaina me disse que queria que eu trouxesse a sereia em questão de volta para a cidade.

Inclinei a cabeça.

— Não me importo de fazer isso, mas… vou encontrar uma sereia, certo? Como devo trazê-la aqui? — Franzi as sobrancelhas em confusão. — Não vai causar um alvoroço se eu a trouxer aqui? As pessoas desta cidade parecem terrivelmente agitadas com a sereia…

Mas Elaina me disse em minha confusão: — Oh, tudo bem. Duvido que haja algum tipo de alvoroço. Acho que você pode simplesmente trazê-la como faria com qualquer outra pessoa.

Eu podia adivinhar que algo havia acontecido com a sereia quando elas se conheceram três meses antes. Sim, isso estava claro.

— …O que você está escondendo?

Olhei fixamente para a Elaina.

Nós nos conhecíamos há muito tempo. Eu sabia perfeitamente que tipo de resposta ela daria em um momento como aquele, e ainda assim, só para ter certeza, fiz a pergunta.

E a Elaina não traiu minhas expectativas. Permanecendo teimosamente distante, ela sorriu maliciosamente e respondeu:

— Você pode se divertir descobrindo isso mais tarde.

No dia seguinte, fui ver a sereia, assim como havia discutido com a Elaina. Fiquei surpresa ao ver que ela havia brotado pernas, mas… por outro lado, a Elaina havia lhe ensinado um feitiço para permitir que ela se transformasse em humana.

Seu lançamento de feitiços ainda era imperfeito, mas suas habilidades vinham melhorando dia a dia, e quando perguntei, ela me disse que agora conseguia fazer uma viagem de ida e volta entre a cidade e o oceano.

Então, quando chegamos à cidade juntas, pude perceber que a sereia Lacey estava definitivamente surpresa.

— …………

Era óbvio, porque ela apenas ficou ali em silêncio, encarando o homem sentado na frente da Elaina.

Não precisei perguntar se o homem era seu amado. Seu andar era hesitante enquanto ela se aproximava lentamente dele, mas ela não recuou de forma alguma.

Ela caminhou em direção ao homem lentamente, como se não quisesse deixá-lo escapar novamente.

— …Keith — sua voz suave ressoou.

— Oh, Lacey…

Pude ver que o homem, por outro lado, estava um pouco nervoso.

Os dois caminharam lentamente um em direção ao outro. Nenhum deles rejeitou o outro. Questões como por que a sereia havia criado pernas ou por que o viajante estava de volta à cidade eram sem importância. Os dois estavam completamente absortos em seu próprio pequeno mundo.

Eles provavelmente nem viram a mim ou a Elaina.

— …………

Enquanto eu passava pelos dois pombinhos, inclinei-me perto do lado da Elaina.

— Você acha que poderia ter me contado com antecedência que ensinou a ela um feitiço de transformação?

Essa foi minha única reclamação.

Eu estava convencida de que uma maga estava fingindo ser uma sereia no início.

Elaina sorriu.

— Achei que seria mais divertido assim.

Oh, meu Deus, nenhum remorso?

Bem, suponho que está tudo bem.

— O que você fez enquanto eu fui encontrar a sereia?

Quando perguntei, Elaina baixou o olhar.

Então ela respondeu:

— Um pouco de leitura da sorte.

Ela estava olhando para um punhado de conchas, todas viradas para cima, espalhadas sobre uma caixa.

Não há muita razão para me alongar sobre o que aconteceu com Lacey e Keith depois disso, mas acho melhor contar a história por via das dúvidas, então permita-me relatá-la concisamente.

— Eh-heh-heh, Elaina, escute, escute! Ok, então o Keith aqui disse que quer viajar comigo! Então, a partir de amanhã, vamos para todos os tipos de lugares juntos!

Isso foi o que aconteceu no dia seguinte.

Enquanto eu vagava pela cidade com a Srta. Fran e os dois pombinhos, Lacey me contou isso. Ela parecia radiante.

Perguntei a ela sobre seu feitiço de transformação, e ela disse que, embora ainda não o tivesse aperfeiçoado, a cada dia que passava, o tempo que ela conseguia manter sua forma humana aumentava.

Aparentemente, ela planejava fazer um tour pelas cidades litorâneas primeiro, enquanto continuava a praticar sua magia. Ela me contou tudo isso enquanto ria e se agarrava ao braço de Keith.

— É mesmo…? Bem, que bom para você.

Olhei para Keith, que estava ao seu lado.

— Ah, espere, hum… t-tão perto… — Seu rosto estava vermelho vivo.

Ele ainda… não está acostumado com garotas… está…?

Nas lembranças de Lacey, ele era bastante falador, no entanto… Será que ele não consegue lidar com isso agora que ela tem pernas? Aposto que é isso. Aposto que Keith deveria ter passado por um curso intensivo ou algo assim para se acostumar com garotas, da mesma forma que Lacey precisava praticar seus feitiços.

Quer dizer…

— Ele conseguiu conversar comigo normalmente… Fico me perguntando por que ele fica assim quando está com a Lacey? — me perguntei.

— Provavelmente é por causa de seu fetiche por sereias.

— O que é um fetiche por sereias?

— Quem sabe? Eu mesma não tenho certeza — disse minha professora um tanto negligente. Ela tinha um olhar distante.

Enquanto isso, Lacey e Keith não pareciam estar ouvindo nossa troca. Eles estavam completamente dentro de seu próprio pequeno mundo.

— Oh, Keith querido, para onde devemos ir a seguir? Eu topo qualquer lugar, contanto que você esteja lá! — Lacey estava perfeitamente feliz em deixar toda a tomada de decisões para ele.

— Er, ah… hum, acho que gostaria de viajar sozinho por enquanto… Sinto que posso morrer se continuarmos assim… — Keith, por outro lado, parecia estar à beira da morte.

— …………

Os dois deveriam partir em uma jornada para encontrar uma nova cidade natal, mas…

— As perspectivas parecem sombrias…

Será que Keith se acostumará com a companhia de Lacey, ou Lacey aprenderá a manter sua forma humana? O que acontecerá primeiro?

Tenho certeza de que descobrirei a resposta para essa pergunta se os vir novamente.

Depois disso, assim que nos despedimos do casal enquanto eles partiam em sua jornada, também nos preparamos para deixar a cidade.

Eu tinha certeza de que a notícia de que a sereia havia desaparecido da praia perto da cidade se espalharia por todo o país imediatamente. Mas, bem, ninguém conseguira vê-la de perto até três meses atrás, de qualquer maneira, então, no final, eles estavam apenas voltando ao que era antes, e não parecia ser um problema muito grande.

Embora pudesse causar problemas para as barracas de comida e outras lojas que pegaram carona na onda da sereia e deram nomes engraçados a coisas como peixe grelhado comum.

— O amor é maravilhoso, não é? — murmurou a Srta. Fran assim que estávamos saindo da cidade, quase como se tivesse acabado de se lembrar de algo.

Ela parecia estar se deleitando com a memória persistente dos dois pombinhos e seu flerte descarado (embora seria mais preciso dizer que Lacey era quem estava se jogando em cima de Keith).

— Elaina, você já se apaixonou? — A Srta. Fran riu enquanto fazia essa pergunta estranha, no espírito da ocasião.

Oh-hoh, amor, hã?

Oh-hoh!

Bem, então, tenha minha resposta honesta.

— Estou apaixonada desde que nos conhecemos, Srta. Fran — eu disse.

A Srta. Fran fez uma cara meio estranha.

— …Oh, meu Deus, por quem?

Sua expressão parecia de alguma forma cautelosa, e eu abri um grande sorriso.

— Por viajar — respondi.

— …Que tipo de resposta é essa? — Então a Srta. Fran riu. — Você diz umas coisas bem estranhas!

Mas não há o que fazer, não é?

— As pessoas ficam um pouco irritantes quando se apaixonam.


 

Tradução: Gabriella

Revisão: Axios

 

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