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Um Último Hurrah! Os Heróis Grisalhos Exploram um Futuro Vívido – Vol. 01 – Cap. 04.5 – Interlúdio – Nasce uma Nova Lenda na Cidade do Labirinto

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Juliano era chamada de Cidade do Labirinto por causa das inúmeras masmorras (também conhecidas como “labirintos”) que existiam ao redor. Cresceu absorvendo ganância e vidas. As masmorras produziam todo tipo de coisa: tesouros de ouro e prata simples, remédios capazes de curar todas as doenças, armas especiais que emitiam luz ou fogo, escudos inquebráveis. Esses lugares concediam aos aventureiros fama, fortuna… e morte.

Claro, os aventureiros que mergulhavam nas masmorras estavam preparados para perder a vida, mas a maioria tinha uma confiança infundada de que só eles seriam a exceção ao perigo. Ou simplesmente não conseguiam encarar a ideia da morte.

Com certeza voltariam vivos, pensavam. Com certeza ficariam ricos. Com certeza, com certeza, com certeza. Não importava quanto as masmorras engolissem essa certeza, os humanos não conseguiam deixar esses lugares em paz. O grupo do Herói dirigia-se a uma cidade habitada por gente que perdeu um pouco da sanidade. Mas quem viveu a grande guerra sabia que os guerreiros corajosos que juraram trazer de volta o céu azul haviam sido os mais insanos na época.

Os aventureiros que desafiavam as masmorras acordavam em horários diferentes. Se tivessem mergulhado numa masmorra no dia anterior e comemorado com um brinde, acordavam tarde; ao contrário, quem planejava entrar numa masmorra naquele dia acordava cedo.

— Mmm!

Theo, um jovem que já era Mergulhador das Profundezas, apesar da pouca idade, saiu da cama e se espreguiçou; seus cabelos dourados brilhavam tanto quanto o sol da manhã.

— Beleza! Hora de dar o meu melhor, como sempre!

Theo deu tapas nas próprias bochechas para se animar, depois arrumou os lençóis brancos imaculados da cama bem-feita. A cama não era o único item de alta qualidade no quarto: cômoda, cadeiras, escrivaninha e vários objetos pequenos eram todos artigos de primeira linha.

O fato de Theo, um simples rapaz do interior, estar cercado de itens caros era mais um motivo pelo qual não faltavam pessoas querendo tornar-se aventureiros. Desde que tivesse habilidade, qualquer um podia obter fama e riquezas, fosse o quarto filho de um camponês ou um moleque das favelas. A palavra “aventureiro” era praticamente sinônimo de sucesso na vida. Contudo, ser aventureiro não era tão simples quanto se pensava. A menos que formasse um grupo com companheiros cujas forças se complementassem, ninguém conseguia chegar às profundezas onde estava riqueza e glória. Mas Theo era abençoado também nesse quesito.

— Bom dia, Mia.

— Bom dia para você também, Theo! Temos um lindo céu azul de novo hoje!

O cabelo dela balançou enquanto louvava o céu.

— Sim, realmente.

Mia estava naquela idade ambígua em que podia ser chamada tanto de garota quanto de mulher. Vestia uma roupa de sacerdotisa saqueada de uma masmorra, seu cabelo e olhos pareciam brilhar dourados graças à magia de luz que habitava seu corpo. Em casos raros, a mana podia manifestar-se como característica física, e a magia de luz de Mia era tão poderosa que ela emitia um brilho sutil.

Os sentimentos em relação ao céu azul variavam muito de geração e região. As ordens de cavaleiros que serviram como força principal na grande guerra, as forças da igreja com seus monges e cavaleiros templários, e os grupos de guerreiros que existiam desde muito antes, herdaram o amor pelo céu azul de seus antecessores. Além deles, os poucos idosos humanos restantes, os camponeses profundamente religiosos e as raças longevas, como elfos ou anões, que viviam muito mais que humanos, reverenciavam o céu azul diariamente, torcendo para que nunca mais ficasse vermelho. Mas numa cidade que já não tinha ligação com essas coisas, céu azul era só céu azul, e o céu vermelho-sangue era apenas passado. Theo cresceu numa vila tradicional, isolada e piedosa; Mia não se importaria tanto com o céu se não tivesse sido criada pela igreja. Mais um sinal que o tempo muda.

— Bom dia, Theo, Mia. Lindo céu azul hoje.

— Bom dia, Freya.

— Bom dia para você também, senhorita Freya.

Freya tinha longos cabelos vermelhos presos num coque, olhos estreitos da mesma cor e estatura menor que a de Mia. Seu amor pelo céu azul vinha de um lugar ligeiramente diferente do de Theo e Mia.

Embora parecesse uma menininha, Freya era na verdade uma anã, raça com expectativa de vida em torno de duzentos anos, embora variasse muito de indivíduo para indivíduo. Anões estavam intimamente associados a montanhas, ao subterrâneo, minérios, fogo e armas. Eram mais baixos que humanos em média; os homens eram baixos e robustos com barbas proeminentes, enquanto as mulheres frequentemente pareciam meninas pequenas.

Freya tinha pouco mais de sessenta anos, mas pelos padrões dos anões ainda era uma garota que nem viveu metade da vida. Porém, nasceu numa geração em que as cicatrizes do pós-guerra ainda eram bem visíveis, por isso herdou o amor pelo céu azul que até os anões, que viviam muito no subterrâneo, ainda carregavam.

— Temos um grande trabalho nos esperando. Que tal aquecer o corpo um pouco? — Sugeriu Freya a Theo.

— Boa ideia.

— Façam o melhor de vocês! — torceu Mia.

Não havia intenção lasciva na sugestão de Freya de aquecerem o corpo. Era apenas uma rotina diária que podia ser considerada um pouco perigosa.

Pouco depois, Theo e Freya estavam frente a frente no jardim de uma grande mansão.

— Vamos lá.

Um dos dois vestia armadura negra como carvão queimado e empunhava uma enorme espada de madeira. Cada parte da armadura era serrilhada e intimidadora, tão grande que um homem comum teria que olhar direto para cima.

Contudo, foi a voz fofa e abafada de Freya que ecoou de dentro. Alguns anões, raça que vivia lado a lado com o metal e não tinha igual em termos de habilidade de forja, conseguiam operar armaduras incrivelmente únicas como se fossem seus próprios membros. Por isso, mesmo parecendo uma garotinha, como guerreira, Freya podia assumir o papel de vanguarda.

— Hah!

Em contraste, a vestimenta de Theo era extremamente simples. Tinha armadura de couro protegendo apenas o mínimo, como o peito, e suas únicas armas eram escudo e espada de madeira.

— Vamos!

Seguindo o grito de Freya, a grande armadura avançou com força condizente à aparência. Ao chegar perto de Theo, ergueu a espada acima da cabeça e desferiu um golpe vertical.

— Hmph!

Apesar da armadura leve, Theo escolheu não desviar e ergueu o escudo. Mesmo que Freya dentro da armadura fosse leve, o traje tinha peso proporcional ao tamanho, então uma espada de madeira balançada com aquela força especial podia facilmente esmagar o crânio de uma pessoa comum e transformar o corpo numa mancha no chão. Mas como era espada de madeira, era só um treino; ela não estava lutando a sério. Se estivesse com sua espada grande habitual, transformaria o corpo inteiro de uma pessoa em névoa vermelha. Portanto, Theo precisava revidar com força apropriada. Apenas deixou um pouquinho do poder da luz dentro dele circular pelo corpo, e isso bastava. Quando a espada de Freya bateu no escudo de Theo, não só o escudo não quebrou, como a espada ricocheteou para cima.

— Mais uma!

Freya segurou firme a espada de madeira que quase escapou das mãos pelo impacto, depois cortou horizontalmente dessa vez. Se uma pessoa comum recebesse esse golpe, o corpo seria arremessado e todos os ossos quebrariam.

— Hngh!

Mas Theo bloqueou com o escudo sem tremer nem um pouco, e em vez disso a espada de madeira não aguentou o impacto e partiu-se. O poder e mana da luz eram semelhantes ao poder da terra em termos de defesa, causando forte recuo contra ataques e permitindo manter a posição após ser atingido. Se havia uma diferença entre o poder da terra e o da luz, era que o último tinha menos usuários e era mais difícil de controlar, mas proporcionava defesa mais sólida em troca. O domínio de Theo do poder da luz em tão tenra idade marcava-o como gênio.

— Já chega.

— Mm-hmm.

Elise, mulher alta de beleza deslumbrante e corpo que envergonharia a maioria das damas da noite, e Amalda, mulher de feições belas, mas sem expressão, entraram no jardim. As duas também eram companheiras de Theo e poderosas aventureiras, por isso haviam sido escolhidas para a batalha decisiva contra um dragão nas profundezas de uma masmorra.

— Tudo bem, vamos dar o nosso melhor.

Seguindo as palavras de Theo, já tendo terminado o café da manhã e outros preparativos, seu grupo de aventureiros, Luz no Abismo, saiu da mansão.

— Olha, os Mergulhadores das Profundezas.

— Hoje é o dia, hein?

O grupo de Theo não estava sozinho agora. Os transeuntes agitaram-se quando um grupo deslumbrante de pessoas apareceu, caminhando confiantes pela rua principal. O grupo era formado por muitos guerreiros, magos e sacerdotes, as classes básicas de todos os aventureiros.

Com exceção do grupo de Theo, todos estavam na casa dos trinta, o auge da vida de um aventureiro.

O motivo da comoção era que todos eram aventureiros de elite que lutavam principalmente nas partes mais profundas das masmorras, comumente chamados Mergulhadores das Profundezas. Empunhavam armas reforçadas por inúmeros tipos de magia, habilidades físicas e técnicas de combate de nível altíssimo, e o conhecimento para lutar em masmorras. Apenas uma pequena parcela de aventureiros dominava tudo isso em grau suficiente para chegar às profundezas e voltar vivo; a fama e os tesouros que ganhavam eram invejados por todos.

A essa altura, a reunião de Mergulhadores das Profundezas cresceu para um grupo de elite de cerca de trinta pessoas, o suficiente para ser chamada de mobilização geral de todos os Mergulhadores das Profundezas de Juliano. Havia um berserker vestido com pele de besta mágica negra, um mago adornado com muitas joias, um monge vestido de forma simples mas brilhante, um elfo empunhando um arco ao redor do qual espíritos dançavam, um anão guerreiro pesado usando armadura que parecia nascida da própria terra, uma ladina elfa negra ocultando o rosto sob capuz de padrões complexos e armada com várias ferramentas, e assim por diante. A lista continuava. Sua mera presença era palpável, e até aventureiros veteranos suavam frio e abriam caminho.

Esse grupo de elite deixou a cidade e marchou em direção a uma montanha próxima. Hoje, a aliança temporária de Mergulhadores das Profundezas formada em Juliano viajaria até a camada mais profunda de uma masmorra conhecida como Inferno Sem Noite e mataria um dragão.

— Vamos nos teleportar até a quinquagésima camada, certo? — perguntou Lloyd, líder do grupo Caminho para a Glória e responsável por liderar a aliança dos Mergulhadores das Profundezas. Ao chegarem à montanha, seu rosto digno, leonino, permaneceu impassível enquanto olhava para o orbe brilhante do tamanho da palma da mão flutuando na entrada da caverna.

— Sim — responderam seus companheiros.

Um desses dispositivos, conhecidos como transportadores, existia em cada masmorra. Eram aparelhos extremamente convenientes que permitiam ir e vir entre camadas já visitadas, sem precisar percorrer a masmorra inteira toda vez. Mas sua origem era completamente desconhecida, e eram uma das razões pelas quais alguns diziam que as masmorras eram armadilhas criadas pelos deuses malignos. Se as masmorras fossem provas criadas pelos deuses bons, era improvável que tivessem tornado tudo tão conveniente. As pessoas raciocinavam que haviam sido instalados pelos deuses malignos para atraí-las para dentro das masmorras. Mas, no fim das contas, ninguém tinha uma resposta perfeita sobre o que realmente eram as masmorras, e não estava claro se essa resposta seria descoberta algum dia.

— Todos prontos?

— Estamos prontos.

— Nós também.

— Sim, sem problemas aqui.

Lloyd obteve confirmação de cada grupo presente.

— Estamos prontos também. — Theo, líder de seu próprio grupo, também assentiu para Lloyd.

Junto com Mia, Theo era o mais jovem da aliança, mas não era alguém para se menosprezar. Aventureiros acreditavam em meritocracia, não em senioridade, então a maioria não se importava com a idade de alguém desde que tivesse histórico.

— E você, Ginny? — Finalmente, Lloyd virou o olhar para Ginny, outra figura-chave.

Ginny era uma bela mulher na casa dos trinta. Os olhos azuis atrás dos óculos emitiam brilho intelectual, e os longos cabelos dourados que balançavam até a cintura pareciam brilhar mais que qualquer obra de arte.

— Não tenho problemas também. — Sua voz era tão suave que quase parecia artificial, como se viesse de um delicado instrumento musical e não de uma garganta humana.

— Vamos então. — Após confirmar que todos estavam prontos, Lloyd ativou o transportador.

Os aventureiros foram recebidos por um vasto espaço subterrâneo, cercanias aquecidas e carmesins. Chamas irrompiam por todo o chão queimado e lava fluía ao longe. O calor era opressivo, mas a proteção divina que os sacerdotes haviam aplicado antes protegia-os da temperatura até certo ponto, então todos conseguiam se mover de alguma forma. Essa masmorra, conhecida como Inferno Sem Noite, podia ser descrita como o espaço subterrâneo de um vulcão ativo, constantemente iluminada por chamas e lava que queimavam todos os invasores.

— Lá vêm eles!

Todos estavam prontos para lutar mesmo sem o aviso de Lloyd. A masmorra já mostrara os dentes. Quando se tratava de transportadores, havia destinos de sorte e azar. Os aventureiros podiam ser transportados para uma parte relativamente segura da masmorra, mas também podiam acabar atacados por monstros logo de cara. Esse era muito o último caso.

— Oooooh!

O chão queimado começou a inchar. Se algum homem-lagarto estivesse ali – raça que tinha valores semelhantes aos orcs e só podia ser descrita como jacarés bípedes – teria franzido a testa. Os monstros que saltaram do chão, em número parecido ao dos aventureiros, também eram jacarés bípedes. Homens-lagartos detestavam essas criaturas e as chamavam de habitantes do subterrâneo. A diferença entre as duas raças era que chamas jorravam das frestas nas escamas e presas dos habitantes do subterrâneo. Eles eram mais altos que homens-lagartos, que já eram duas cabeças mais altos que humanos, e seus corpos também eram largos e volumosos. Seus olhos eram estranhamente vazios, sem sinais de inteligência, como se operassem por puro instinto.

Uma flecha perfurou o olho de um habitante do subterrâneo.

— Gyah?!

O habitante puxou instintivamente a fonte da dor, mas uma segunda flecha perfurou o olho restante. Uma arqueira mestre calmamente cravara flechas nos dois olhos do monstro, depois mirou o próximo alvo, sem expressão e sem emoção. Essa caçadora fria era uma das companheiras de Theo, Amalda, mulher de poucas emoções e movimentos físicos sutis. Ela manejou seu arco – que misturava vermelho, azul e amarelo – com calma e habilidade magnífica, mirando nos olhos dos habitantes do subterrâneo um após o outro.

— Graaah! — gritaram a vanguarda dos aventureiros ao chocar-se com os habitantes do subterrâneo. Os habitantes altos tinham força física tão tremenda que uma armadura comum seria rasgada como papel sob seu poder, e nem lanças nem bestas conseguiam penetrar suas escamas. Mas todos ali estavam muito além do humano.

— Hah!

Um monge interceptou os habitantes do subterrâneo que balançavam os braços selvagemente. A diferença de habilidade era evidente. Comparados aos golpes largos e grosseiros dos habitantes, o punho do monge avançava pelo caminho mais curto e esmagava suas mandíbulas, que balançavam de forma feia.

— Toma essa!

Freya, a que usava a armadura mais impressionante da vanguarda, desferiu sua espada grande negra, tornando inúteis as escamas dos habitantes. Ela os cortou da cabeça à virilha, deixando até os cadáveres sem nada de valor.

Theo também fazia parte da vanguarda, e o ímpeto dos habitantes em carga não tinha chance contra seu escudo que refletia luz como espelho.

— Gyagh?!

Os habitantes do subterrâneo ficaram confusos. Tentaram usar o ímpeto para afastar uma criaturinha pequena, mas ao colidirem com seu escudo brilhante, eram eles que foram violentamente arremessados para trás. Isso deveria ser impossível considerando a diferença de porte, semelhante à entre uma criança e um adulto, mas os habitantes do subterrâneo, criaturas que viviam de instinto, não conseguiam compreender a tenacidade do poder da luz que causava isso. Contudo, como criaturas de instinto, deveriam recuperar o equilíbrio mais rápido. Quando um dos habitantes tentou se levantar após ser arremessado, houve um lampejo atrás dele, e não por causa do calor.

— Gyah?

A consciência e a vida do habitante do subterrâneo confuso chegaram ao fim.

Elise, outra companheira de Theo e mulher de beleza tão incomparável que parecia deslocada, puxou uma adaga brilhando com luz roxa sinistra do pescoço do habitante, depois desapareceu novamente com um lampejo, como miragem.

— Matador de monges!

No momento em que ouviram esse nome, o monge, os espadachins, Theo, Freya e a desaparecida Elise ficaram em guarda. No fundo do campo de batalha, a própria lava reuniu-se numa massa se contorcendo do tamanho de um habitante do subterrâneo. O Rei Demônio Supremo aprimorou repetidamente monstros assim e os enviou ao campo de batalha na Montanha Fervente. Muitos monges haviam caído, vítimas deles, ganhando o nome “matador de monges”. A razão pela qual eram tão mortais para monges era óbvia só de olhar. Havia poucos monges tão habilidosos no uso da Onda Vital que conseguissem socar lava viva e saírem ilesos. Até um monge poderoso o bastante para ser Mergulhador das Profundezas tinha uma carranca evidente.

Contudo, enquanto os espécimes aprimorados que causaram estragos na grande guerra tinham força tal que nem monges de alto escalão resistiam, as criaturas originais aqui tinham uma fraqueza clara. Eram lentas demais – mais ou menos na velocidade de um velho com bengala – possivelmente por causa dos corpos viscosos, quase fluidos, tornando-as alvos ideais para ataques mágicos.

— Luz, venha e purifique este ser maligno!

Luz reuniu-se em Mia e seu cajado de sacerdotisa, e esferas de luz atacaram o matador de monges.

— Disparando um tiro!

Um mago do nível Progressivo disparou uma bola de luz enquanto quatro dedos brilhavam em sua mão.

E assim, o matador de monges foi derrotado sem nem lutar. Embora esses monstros possuíssem a habilidade estranha de derrotar instantaneamente qualquer humano que tocassem, tinham defesas fracas contra ataques espirituais ou mágicos, então praticamente não eram ameaças contra magos ou sacerdotes de nível suficiente.

Isso não teria sido possível contra os monstros temíveis da grande guerra que tiveram seus defeitos removidos e eram dignos do nome matador de monges, mas as criaturas originais não eram grande problema se tomassem contramedidas.

Claro, embora os habitantes do subterrâneo e o matador de monges tivessem sido derrotados quase sem esforço, era porque enfrentavam trinta Mergulhadores das Profundezas, essencialmente o rank mais alto de aventureiro.

Sinceramente, seria absurdo se algum deles estivesse tendo dificuldade tão cedo no jogo.

— Tudo bem. Vamos fazer uma pausa curta depois de descer. A verdadeira luta está à frente.

Afinal, esses aventureiros estavam aqui para desafiar um dragão, o ápice absoluto entre os predadores. Fazia sentido ter uma pausa antes da batalha decisiva, mas todos mantiveram a atenção, verificando uns aos outros.

Theo e seus companheiros faziam o mesmo que os outros, mas havia uma pessoa que não parecia muito interessada em pausar. Ela aproximou-se deles.

— Posso falar um momento? — perguntou Ginny.

— Sim? O que é? — respondeu Theo, confuso.

Qualquer caipira típico ficaria eufórico por uma mulher como Ginny falar com ele, mas infelizmente Theo era cercado diariamente por damas de beleza comparável à de Ginny.

— Desculpe interromper. Não conheço muitas pessoas da sua idade com controle tão forte do poder da luz. Vocês dois têm parentes particularmente extraordinários? — perguntou Ginny a Theo e Mia.

— Hm, não, na verdade não — respondeu Theo.

— Eu também não — disse Mia.

Os dois trocaram olhares ao responder. Era verdade que nenhum dos dois era parente de alguém famoso.

— Ah, é mesmo? Suponho que o poder da luz seja direto, então desde que tenha aptidão, desenvolve-se suavemente — disse Ginny. — Já o poder das trevas é perigoso, seria algo completamente diferente.

— Sim. Acredito que o poder da luz seja uma força maravilhosa que responde a quem se esforça — respondeu Theo.

— De fato. Desculpe por tomar seu tempo. Boa sorte lá fora.

— Sim, para você também.

Ginny foi embora, aparentemente tendo dito tudo o que queria. Theo e Mia trocaram olhares novamente, um pouco perplexos.

Porém, Ginny estava correta. Diferente do poder das trevas, o poder da luz não traía seu usuário e não tentava à destruição e à ruína. Portanto, enquanto o poder das trevas era bem difícil de manejar, quem tinha talento para o poder da luz geralmente prosperava e alcançava grandeza.

Mais importante, quando luz e trevas – que deveriam ser duas faces da mesma moeda – chocaram-se tão intensamente naqueles dias caóticos, foi a luz que saiu vitoriosa, então geralmente acreditava-se que o poder da luz era superior.

— Tudo bem, a pausa acabou. Vamos.

Mas mais que tudo, a sobrevivência era a prioridade agora.

— Aqui estamos… — Lloyd, líder deste grupo composto por mais de trinta elites absolutas, olhou para um portão maciço que parecia deslocado para as cavernas sob um vulcão.

O portão de madeira firmemente fechado era prova de que os labirintos eram feitos por mãos, ou melhor, por deuses. Claro, num lugar como este, certamente não era um portão comum. Inimigos particularmente poderosos aguardavam além dos portões imponentes que separavam as camadas do labirinto. A menos que se possuísse alguma habilidade extremamente especial, uma vez lá dentro, não havia escapatória até que o chefe fosse derrotado. Claro, se eles mesmos fossem derrotados, a morte que viria com isso podia ser considerada uma escapatória, de certa forma.

— Apenas sigam o plano, todo mundo. — O fato de terem um plano assumia que sabiam como era o dragão além deste portão.

Aventureiros comuns acreditavam que o dragão nesta masmorra nunca fora derrotado, mas na verdade fora morto ao menos uma vez por um grupo de elites 150 anos atrás. Claro, a menos que ocorresse alguma anomalia, mesmo se monstros numa masmorra fossem derrotados, novos do mesmo poder eram criados no lugar. Portanto, todos os aventureiros presentes tomaram contramedidas baseadas nos registros deixados pelos grandes antecessores.

— Com todos nós juntos, conseguimos — disse Ginny encorajadoramente. Ela teve um papel importante ao decifrar os registros do passado e também contribuiu muito para criar as contramedidas que planejavam usar, não que essas medidas fossem especialmente complexas; na verdade, eram bem simples.

Ufa… Tudo bem. Theo animou-se e estabilizou a respiração.

Não havia sentido algum em perguntar a Mergulhadores das Profundezas por que iam a lugares tão perigosos. Havia muitos motivos, como riqueza, fama e autoaperfeiçoamento, mas no fim era porque eram irremediavelmente, magnificamente tolos que aceitavam o desafio de aventurar-se no desconhecido.

— Vamos.

Seguindo a ordem de Lloyd, esses magníficos tolos passaram pelo portão. E lá estava.

É enorme!

Não se podia culpar a reação de Theo à criatura. A visão era imponente e sinistra. Era como se membros de lagarto tivessem sido colados à força numa enorme ponte de pedra. As escamas da criatura pareciam esculpidas em pedra vermelho-escura, as presas afiadas o suficiente para perfurar qualquer substância, e os olhos amarelos eram fendidos verticalmente. Mas nenhuma explicação era necessária aqui. Era uma cena saída da imaginação de todos: um dragão, o ápice absoluto entre os predadores, dominando uma caverna rochosa.

O dragão erguia-se tão alto quanto um prédio de dez andares, e seu rugido gerava impacto tão poderoso que as ondas sonoras pareciam um ataque por si só. Se uma pessoa comum estivesse presente, só o rugido a teria arremessado e parado seu coração. Mas aqueles presentes eram a elite das elites. Não vacilariam com mero impacto assim, desde que não viesse acompanhado de chamas.

— Bloqueiem!

Theo e os outros membros da vanguarda que se destacavam em defesa ergueram os escudos e prepararam-se para a ameaça que vinha. Até crianças pequenas sabiam o que saía da boca de um dragão.

— Groooah!

Essa era uma das razões pelas quais os dragões estavam no ápice. Seu rugido veio acompanhado de uma onda de energia primordial vermelho-carmesim: fogo. Embora devesse ser óbvio, como criaturas orgânicas, fogo era o pior inimigo de um humanoide. Contato direto transformaria a pele em carvão, e inalar o ar aquecido queimaria os pulmões e levaria à morte.

Esse era o fogo, a força destrutiva original e um poder que humanos não podiam se opor, a menos que tivessem o poder sobrenatural da magia do seu lado, isto é.

— Luz, venha!

Luz transbordou do cajado de Mia.

— Que a proteção da terra esteja conosco!

Freya evocou a proteção da natureza de sua armadura.

— Campo de força espiritual ativado.

Borboletas azuis brilhantes dançaram do arco de Amalda.

E essas três não estavam sozinhas.

— Onda Vital, aceleração total! Que Deus seja minha testemunha!

Um monge liberou a Onda Vital e a bênção de Deus.

Gastei uma fortuna para fazer esse equipamento! Se derreter aqui, volto para assombrar esse dragão!

Um guerreiro pesado ergueu um escudo especial resistente ao fogo.

— Whooooooaaa!!!

Um berserker vestido com pele de besta mágica flamejante gritou.

Vamos lá! pensou Theo, bloqueando as chamas com seu escudo brilhante.

Trabalhando juntos, criaram uma grande barreira em forma de domo que cabia todos dentro, contra a qual o sopro do dragão espatifou-se. Embora chamas mortais consumissem o mundo ao redor, a força da luz enfrentou essas chamas, deixando os aventureiros sãos e salvos.

— Lá vem outro!

O grupo de aventureiros, o pico da humanidade, fez um ótimo trabalho defendendo-se do sopro do dragão e ainda teve um tempinho para se preparar para a segunda onda.

— Groooaaargh!

— Hrrrngh!

Os aventureiros cerraram os dentes enquanto suportavam o próximo rugido escaldante. O chão fora da barreira queimava carmesim com o sopro do dragão, e era realmente estranho que não estivesse derretendo. Sem contramedidas adequadas, essas chamas poderiam facilmente queimar não só mil pessoas, mas mais de dez vezes isso. Só porque eram Mergulhadores das Profundezas que esses aventureiros conseguiam parar essas chamas não só uma, mas duas vezes.

— Lá vem de novo!

— Aqui uma poção, Mia!

— Bebam, pessoal!

O dragão preparava-se para soltar uma terceira onda de chamas, mas três sopros em sequência rápida deviam ser demais até para essa criatura temível, porque houve uma pausa curta antes que pudesse continuar. Elise e o mestre ladrão aproveitaram essa brecha para dar poções restauradoras de mana aos magos aliados. Uma pequena fração de assassinos e ladrões podia usar uma habilidade especial que aumentava a eficácia de remédios. Mas isso significava que esses especialistas em trabalho sujo, que tinham habilidades para assassinar até cavaleiros famosos, haviam sido reduzidos a meros farmacêuticos, e tudo culpa desse dragão.

— Roooaaaaargh!

— Raaah!

A vanguarda bloqueou o terceiro torrente de chama infernal com um grito de guerra que igualava o rugido do dragão. A área foi banhada em carmesim. Até uma metrópole poderia ser devastada por três rajadas de fogo de dragão, com incontáveis pessoas perdidas nas chamas. Em outras palavras, o dragão não poderia ter antecipado que tão poucos humanos bloqueassem suas chamas três vezes.

— Grraaarghh!

O dragão rugiu novamente. Não era um grito de pura sede de sangue, havia agonia misturada também.

Dragões de labirinto tinham uma falha biológica tão absurda que estudiosos e sábios quebravam a cabeça há séculos: eram ruins em regular a própria temperatura corporal, e ao soprar fogo aumentavam rapidamente sua temperatura, o que eventualmente causava superaquecimento e morte. Essencialmente, quem quer que tivesse feito esses dragões, equipara lagartos gigantes de sangue frio com um dispositivo de sopro de fogo que nunca esfriava; havia uma desconexão completa entre as habilidades dos dragões e sua biologia. Havia também uma subespécie de dragões de labirinto que soprava gelo e neve, mas não tinham como impedir que sua temperatura caísse, e morriam de hipotermia, então também estavam além da salvação. Comparados a dragões verdadeiros, dragões de labirinto podiam ser comparados a crianças que não entendiam a própria força.

— Groooargh!

Pensava-se que o pseudo-ápice lagarto era ou um organismo defeituoso que enlouquecia por causa do próprio calor, ou um produto da manipulação dos deuses bons para criar uma prova que humanos tivessem chance contra. De qualquer forma, a criatura ainda tinha uma arma: sua massa avassaladora.

— Bloqueieeeem! — Lloyd ordenou que todos defendessem até a morte.

— Yeaaaaah!

Theo reuniu cada gota de força no corpo e preparou-se para o impacto.

O dragão avançou com olhos injetados e baba escorrendo da bocarra, claramente em desordem. O lado de fora da barreira já se tornara um inferno escaldante, então se os aventureiros se dispersassem para evitar a carga, perderiam a vida. Sua única opção era aguentar firme.

— Raaaaah!

— Groooooh!

O dragão chocou-se contra a barreira dos Mergulhadores das Profundezas, fazendo-a rachar. Mesmo que esta criatura fosse apenas uma imitação, cada um desses grandes guerreiros – um grande engenheiro; um mago do nível Progressivo, considerados elite entre magos; um berserker com força de cem homens; um monge que treinou sem parar; um elfo que vivia junto aos espíritos; uma elfa negra com técnicas de assassinato; uma anã guerreira pesada; o líder dos Mergulhadores das Profundezas; Mia, praticamente uma santa em formação; e Theo, um herói em formação – nada podia fazer além de aguentar firme e suportar o ataque, esperando que o dragão se autodestruísse.

— Roooaaaaargh!

— Raaaaah!

A essa altura, nenhum dos lados exibia inteligência. O dragão simplesmente rugia, tentando quebrar a barreira, e os aventureiros gritavam de volta, como se para reunir cada gota de força nos corpos. Era uma batalha muito simples: ou o dragão quebrava a barreira ou os aventureiros destruíam a besta. Uma força imparável contra um objeto imóvel.

— Tch. Luz, venha!

— Graaaaah!

Outro choque. A barreira rachou mais, e mais uma colisão provavelmente a despedaçaria completamente. A força imparável estava prestes a derrubar o objeto imóvel.

— Vaaaai!

Mas não houve gritos de terror dos guerreiros corajosos que desafiavam as profundezas desconhecidas; apenas gritos de vitória. Todos os trinta tornaram-se como uma única entidade, e não só a barreira foi reparada, como ficou ainda mais forte, transbordando com o brilho da vida, o fulgor da existência, uma vontade unificada e o próprio poder da luz.

Gyeeeeeh!

Nenhum dos aventureiros notou que o grito estridente do dragão faltava força. Contudo, todos podiam ver que ele fora repelido pela barreira após três colisões.

— Gweeeeergh. Gah. Gwah.

O dragão repelido não conseguiu ficar de pé e se contorceu no chão como se estivesse se afogando. Sua temperatura corporal subira demais, e sua vitalidade continuava drenando do corpo, permitindo que os aventureiros detivessem até um ataque total dele. Só havia um destino reservado ao monstro agora: a morte. Três golfadas de chama e três colisões. Embora uma única delas bastasse para matar quase qualquer criatura viva, bastaram seis ações para a besta encontrar seu próprio fim, então não era à toa que dragões nascidos de labirintos eram chamados de defeituosos.

— Grrr…

O dragão soltou um curto grito de morte enquanto todas as suas funções vitais cessavam.

— M-morreu?

— Ganhamos?

Embora o dragão tivesse parado de se mover, os aventureiros ainda não tinham certeza se estava vivo ou morto. Mas então, um evento que dissipou toda dúvida ocorreu.

— O transportador ativou?!

— Ganhamos! Realmente ganhamos!

Os aventureiros explodiram de alegria enquanto seus corpos e o dragão começavam a brilhar fracamente. Era fato bem conhecido que, uma vez derrotado o chefe além de um portão, o transportador ativava-se, teleportando à força os vencedores e o cadáver do chefe para fora. O fato de esse fenômeno estar acontecendo significava que os Mergulhadores das Profundezas realmente haviam derrotado um dragão, mesmo que fosse apenas uma imitação. Era uma conquista verdadeiramente notável, e o momento em que uma nova lenda de Matadores de Dragões nasceu.

Se ninguém se importasse com a coisa ainda cravada no chão, claro.


 

Tradução: Rlc

Revisão: Pride

 

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