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Um Último Hurra! Os Heróis Grisalhos Exploram um Futuro Vívido – Vol. 01 – Prólogo

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Era um período encharcado de sangue, quando tanto a terra quanto o céu estavam tingidos de um vermelho escarlate.

A filosofia do Grande Demônio, a própria encarnação das trevas, era simples: tamanho é poder. Uma verdade inegável. Mas por mais que aquele demônio tivesse se aproximado desse ideal, só podia ser descrito como um perfeito idiota depois de criar algo assim.

— Eu já sabia que ele era um imbecil, mas isso é tão absurdo que chega a ser cômico — cuspiu a bruxa com total desgosto, franzindo o rosto que normalmente era sedutor.

— Isso está me dando náusea… — O cavaleiro segurava o estômago por cima da armadura.

— Bwa ha ha ha! Que som do caralho! Ele devia estar completamente bêbado quando teve essa ideia! — O espadachim ria tanto que quase rolava no chão enquanto dava um gole longo na garrafa de bebida.

— Vocês têm que admitir, o cara acertou na mosca — disse o monge seminu, cruzando os braços e olhando para o objeto que se aproximava ao longe.

Um estrondo ensurdecedor ecoou ao redor deles.

— Terminei a análise dos planos inimigos. Eles prenderam pernas numa montanha e pretendem usá-las para esmagar o exército e a cidade às nossas costas — anunciou a sacerdotisa, que até então observava o adversário com uma expressão inocente, como se estivesse declarando algo profundo.

Sim, ela disse “montanha”. A origem do estrondo anterior era um pesadelo em forma física: uma montanha colossal à qual haviam sido acopladas quatro pernas insetoides. Não era metáfora; os inimigos tinham literalmente remodelado uma montanha inteira em uma fortaleza móvel. Quem quer que tivesse bolado aquilo provavelmente concluiu que poderia esmagar todas as forças, cidades e bases dos adversários com ela. Era uma estratégia completamente ridícula, mas, uma vez executada, o resultado era simples: destruição astronômica. Quem diabos conseguiria enfrentar uma montanha ambulante?

— E aí, qual o plano? — perguntou o monge.

— A única opção é subir nela e destruir o forno mágico que a alimenta. Não sei se fizeram isso pensando especificamente em mim, mas o exterior daquele troço está protegido contra ataques mágicos num nível quase paranoico. Atacar de fora é impossível — respondeu a bruxa.

Era inútil. Nenhum humano comum conseguiria escalar uma montanha em movimento que fazia a terra tremer e ainda derrotar quem quer que estivesse lá dentro.

— Beleza, vamos nessa, então! — Mesmo sendo um plano praticamente suicida, o jovem líder aceitou o desafio com a empolgação de uma criança. — Avante!

— Lá vamos nós de novo com o mesmo plano de sempre — resmungou o espadachim com um sorriso cínico.

— O caminho mais simples costuma ser o mais eficaz. Isso vale tanto para a gente quanto para o inimigo — acrescentou o monge, assentindo em aprovação.

O líder correu na frente com a espada erguida, seguido pelos outros dois.

— Eu bem que queria que fosse um pouco mais fácil… — suspirou a bruxa, já farta dos adversários que não lhes deixavam outra escolha além da força bruta.

— É o método mais eficiente, então achei que seria o mais fácil — disse a sacerdotisa, inclinando a cabeça sem entender o problema.

— É, não, de fácil não tem nada em subir aquelas pernas gigantescas — retrucou o cavaleiro enquanto corria.

Os seis heróis agora avançavam em uma velocidade inacreditável, mas qual era o sentido de meros humanos correndo na direção de uma montanha ambulante?

Para ela, eram nada mais que formigas; suas ações eram praticamente inúteis.

Outro estrondo ecoou, mas dessa vez não era o passo da montanha.

— Tá de brincadeira comigo! — gritou o cavaleiro.

Incontáveis rochas foram lançadas ao céu a partir da montanha, criando um bombardeio tão amplo que era impossível desviar completamente. Era, francamente, ridículo. O bom senso dizia que uma montanha não precisava se dar ao trabalho; bastava pisar em cima e resolveria tudo. Será que realmente precisava atacar ativamente?

— As defesas da construção são de primeira linha, mas o ataque se resume a jogar pedras. Parece que não conseguiram dar tudo a ela. — A bruxa disparou uma tempestade de cores – vermelho, amarelo e azul – liberando uma onda de destruição. As rochas, que eram apenas massa física pura, foram engolidas pela rajada mágica e sumiram.

— Vamos continuar! Direto pra cima dela! — Apesar do esforço da bruxa, uma quantidade aparentemente inesgotável de pedras continuava chovendo da montanha, então o jovem na frente simplesmente seguia correndo.

Uau, essa coisa é realmente enorme de perto. Quanto mais o jovem se aproximava, mais a montanha crescia diante dele, agora tão colossal que ele nem conseguia abarcá-la inteira com os olhos. Ele franziu a testa.

A cada passo da montanha, tremores imensos sacudiam o solo e nuvens de poeira se erguiam, engolindo todos. Um único fragmento das rochas voando dentro daquela nuvem mataria uma pessoa comum. No entanto, todos os heróis saltaram triunfantes para fora da nuvem e começaram a subir a encosta saltando apenas com a força das pernas, usando pequenos apoios nas rochas como alavanca.

— O que caralhos são essas coisas penduradas aí em cima?! — gritou o líder.

— Parecem uma variante reforçada de monstros macacos que vivem em árvores. Devem pretender se agarrar na gente e nos fazer cair — explicou o monge.

— Entendi — respondeu o espadachim com tranquilidade.

Com olhos vermelhos faiscando para o grupo, os macacos negros de braços longos aguardavam no sopé da montanha. Eles abriram os braços e saltaram, mirando agarrar o jovem e os demais para jogá-los ao chão. Claro, essa estratégia exigia que ainda tivessem braços, e, acima de tudo, cabeças. Com um som cortante, cinquenta cabeças de macaco rolaram pelo chão, as expressões contorcidas ainda congeladas nos rostos. Aconteceu tão rápido que os monstros nem tiveram tempo de registrar o que os atingiu.

— Eu pego o que vem do céu pela direita, deixo o da esquerda com você — disse a bruxa, olhando para cima.

— Entendido! — respondeu o cavaleiro.

A bruxa usou ataques mágicos para lidar com o monstro colossal que descia do alto, algo entre um pássaro e uma libélula gigante.

— Agh, droga! Ele fica alternando entre resistência total à magia e a ataques físicos! — xingou o cavaleiro. Ele saltou de outro apoio, subiu e montou nas costas de uma serpente alada, uma besta do tamanho de umas quatro casas enfileiradas. Se o que ele disse era verdade, aquele monstro possuía uma habilidade aterrorizante.

— Vamos lá! — Enquanto isso, o jovem corria velozmente pelas pernas móveis da montanha. Avançava como um touro, como se o exército de monstros que parecia cobrir toda a superfície não fosse obstáculo algum.

— Deixem os mais chatos comigo — disse o monge. Alguns monstros poderosos conseguiram bloquear o caminho do jovem, mas o monge usou todos os membros para chutar e socar, esmagando carapaças que nem espadas conseguiam cortar. Torceu tentáculos, quebrou chifres enormes. Seu próprio corpo era uma arma letal. Ele pulverizava, subjugava e destruía tudo.

— Aquele ali deve ser o líder deles! — O jovem continuou avançando e perseguiu uma monstruosidade grotesca mais ao fundo. Seu corpo era formado por mais de mil peças de armadura unidas, e incontáveis manoplas e grevas se contorciam.

— Suas malditas aberraçõõõõões! — gritou a monstruosidade de armaduras.

Ninguém se deu ao trabalho de apontar a hipocrisia, porque o julgamento dela não estava errado.

— Luz, venha! — gritou o jovem.

— Luz, venha — ecoou a sacerdotisa.

Uma luz começou a emanar de seus corpos. A grande luz da vida brilhou num mundo cheio de morte e destruição, lamentos e tristeza, coberto por um céu vermelho-sangue.

Mas essa é uma história de muito tempo atrás. Aquelas batalhas já terminaram há muito.

E o jovem, a sacerdotisa, o espadachim, a bruxa, o monge e o cavaleiro… agora todos envelheceram.

 


 

Tradução: Rlc

Revisão: Pride

 

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