1
O primeiro a abrir os olhos foi o monge Gondona. Faltava pouco para o amanhecer.
Pouco depois, Zara, Borante e Himatra acordaram quase ao mesmo tempo. Surpreendentemente, Zara não sentia dor alguma. Sentia-se renovado e cheio de energia.
Quando verificou sua medalha de aventureiro, viu que havia upado para o nível 79. A subida de nível antes da batalha o fez upar ao nível 72, mas ele havia ganhado sete níveis inteiros depois disso. Ele realmente matou uma quantidade enorme de inimigos, mas, ainda assim, não havia motivo para ter subido tantos níveis. Esse tipo de coisa vinha acontecendo com frequência ultimamente.
— Gondona. Sempre pensei que para upar de nível era apenas com pontos de experiência obtidos ao derrotar monstros. Estou errado?
— Hmm. Do ponto de vista prático dos aventureiros, é uma forma clara e simples de entender. Você não está errado. Mas, se quisermos entender a verdadeira natureza do fenômeno, upar é a manifestação da gratidão dos deuses para com os seres vivos.
— Gratidão dos deuses? Não entendo muito bem.
— Imagine um homem que vende pãezinhos cozidos no vapor. Ele cobra um preço por cada pão. No entanto, se a netinha fofa dele aparecer, ele pode dar um pão de graça, sem cobrar nada.
— Isso eu consigo entender.
— Agora, se essa netinha estivesse se afogando num rio e alguém a salvasse… o vendedor provavelmente encheria o salvador de pãezinhos de graça.
— O vendedor de pãezinhos seriam os deuses, e os pãezinhos seriam os pontos de experiência?
— Exato. Os deuses decidem quanto vale cada monstro e quantos pontos são necessários para subir de nível, assim como o vendedor decide o preço do pão. À primeira vista, preço e recompensa parecem sempre equilibrados, por isso as pessoas acham que é uma regra. Mas não existe prova disso. Pode até acontecer de o vendedor, irritado com a atitude de um cliente, se recusar a vender e fechar a loja.
— Se é assim, como upar acabou virando uma espécie de “compra de pãezinhos”?
— Isso eu não sei. Talvez os deuses tenham concedido essa bênção aos humanos. Talvez os humanos tenham pedido e os deuses atenderam. Seja como for que tenham surgido, elas de alguma forma realizam os desejos dos deuses.
— Quer dizer que, em algum lugar, eu salvei a netinha de um deus?
— Provavelmente sim. Às vezes há assuntos que os deuses desejam resolver, mas não conseguem sozinhos, então pedem aos humanos que ajam por eles. Para os deuses, quem cumpre sua vontade é como o herói que salvou a netinha do vendedor de pãezinhos. A gratidão divina se manifesta como pontos de experiência. Quando a iniciativa vem do lado dos deuses, o nível pode subir sem nenhuma petição formal.
— Entendi. Agora muitas coisas fazem sentido.
Borante e Himatra também haviam recebido aumentos expressivos de nível e ouviam a explicação com grande interesse. Mas o interesse durou pouco.
— Chega de falar de níveis. Conta logo o que aconteceu depois que eu desmaiei. — disse Himatra, virando-se para Zara.
Foi então que ela avistou o pequeno dragão branco.
— N-não pode ser… Isso estava dentro da…?
— Acredita-se que seja o último dragão do mundo.
Borante e Himatra rodearam o dragão, observando-o maravilhados. O filhote os encarou de volta e, achando graça, deu uma volta rápida no ar ao redor deles. Os dois tentaram novamente circular o dragão, que começou a voar em círculos cada vez mais rápidos até Himatra tropeçar nos próprios pés e cair.
O bebê dragão soltou um guincho alegre e executou uma dancinha de vitória no ar, acima da cabeça de Himatra.
O sol da manhã nascia sobre a praia tranquila.
2
Zara relatou tudo que aconteceu após o desmaio com a maior precisão possível. Depois, o grupo fez um túmulo para a Princesa Branca. Rezaram diante dele e dividiram a recompensa.
— Gondona. Paksalimana pediu que eu desse um nome ao dragão, mas não consigo pensar em nenhum.
— Entendo. Não creio que exista regras, mas podemos imitar a cerimônia de batismo do primogênito de um rei. Todos, estendam uma oferenda.
Gondona fez um altar esplêndido com materiais que tinha à mão.
— Vamos começar.
Quando Gondona vestiu uma roupa sagrada, todos ficaram mudos de espanto.
— U-uma veste de cardeal?
— G-Gondy, você tem que estar…
Assim descobriram que Gondona não era monge, mas sacerdote, e do mais alto escalão.
Os sacerdotes serviam a um ou vários deuses através de rituais; monges serviam templos com treinamento e auxílio segundo ensinamentos. Templos tinham hierarquia; monges, não. Sacerdotes dividiam-se em aprendiz, pároco, diácono, sacerdote, bispo e cardeal, do menor ao maior.
Zara achava que as habilidades de Gondona lembravam um sacerdote, mas como não usava livro de orações nem cajado, pensou que era monge.
Sob orientação de Gondona, a cerimônia de batismo prosseguiu. Zara nomeou o bebê dragão de Freya, palavra antiga do sul do continente que significava tesouro. Gondona disse que era fêmea; Zara quis um nome condizente. Todos ergueram as mãos ao céu, testemunhando o batismo, e celebraram.
Em seguida, realizaram um banquete com os ingredientes e o álcool oferecidos. Também beberam o que não havia sido oferecido.
Himatra, agora sabendo que Gondona era um clérigo do mais alto escalão possível, passou a chamá-lo com título honorífico.
— Passa aquela carne aqui, Padre Gondy! E o vinho também. Não, não assim! Me dá a garrafa inteira. Como esperado de um cardeal… Esse vinho é bom demais! Quero mais dez garrafas, Padre!
Ainda assim, não falava com respeito.
Mais tarde, descobriram que Borante foi cavaleiro de alto posto em certo reino. Discordou de uma ordem superior durante a guerra, feriu o superior num grande escândalo e fugiu.
Himatra contou que foi aprendiz de feiticeira na corte imperial de outro país. Quando um superior tentou estuprá-la, ela o reduziu a cinzas e desertou.
Zara revelou que herdou o desejo moribundo de um parente e agora viajava para ampliar seus horizontes e ficar forte o suficiente para derrotar um poderoso inimigo.
Gondona não falou do próprio passado, mas o modelo da veste usada na cerimônia deu a Borante e Himatra uma boa ideia de sua origem.
Depois, discutiram os planos futuros. Gondona seguiria para o Templo do Oceano, levando consigo o filhote de dragão.
Borante e Himatra voltariam à cidade de onde haviam partido com a Princesa Branca. Borante queria esfregar suas façanhas na cara de certos conhecidos.
Zara pretendia visitar a terra natal de Gil Linx e depois seguir para o sul.
— Ei, cara, só porque agora tem dinheiro não significa que pode ficar fumando charuto o dia todo.
— Você é a última pessoa que eu quero ouvir dizendo isso.
Himatra lançou um feitiço de reforço físico, pegou a maça de Gondona e derrubou Borante com ela.
A maça atingiu Borante com força e o jogou no chão, mas, curiosamente, ele quase não sofreu dano. Ninguém comentou o fato de Himatra ter usado magia de suporte, apesar de antes dizer que não conseguia.
O bebê dragão pareceu adorar a carne defumada de ettin. Gondona descobriu que, quando o dragão aquecia as bordas endurecidas com sua respiração, a carne virava uma iguaria.
Foi uma noite muito divertida.
3
Na manhã seguinte, o grupo se separou.
Primeiro partiram Borante e Himatra, com os dois cavalos. Os animais haviam corrido para uma floresta próxima da praia e voltaram assim que Borante assobiou. Quando suas figuras desapareceram no passo da montanha, Gondona falou.
— Meu nível também subiu quando acordei. E não foi só isso. Entreguei metade da minha vida ao usar Martelo da Convicção, mas hoje de manhã… em vez de reduzida pela metade, minha vida pareceu ligeiramente aumentada. Recebi um pãozinho bem grande.
Metade da expectativa de vida? Metade do que ainda resta ou metade da vida total? Dá pra ver a própria expectativa de vida?
Zara duvidou, mas decidiu não perguntar. Temia uma resposta absurda.
No início, o bebê dragão não desgrudava de Zara. Mas assim que ele passou toda a carne defumada que carregava para Gondona, o filhote passou a seguir o cardeal como um patinho.
— Vou passar um tempo rezando no templo. Rezarei também por você, senhor Zara. Que os deuses o abençoem. Boa sorte em sua jornada, jovem aventureiro.
Zara inclinou a cabeça para receber a bênção e partiu.
Fez uma viagem emocionante até a Ilha Yuto, voltou ao continente e seguiu rumo ao sul pela península à beira-mar.
Após salvar uma caravana de mercadores cercada por monstros, aceitou ser escolta deles. Quando chegaram a Aldana, tentou se despedir, mas o chefe da caravana insistiu que ficasse até o Reino Sagrado de Roahl, havia muitos piratas na região.
Zara não planejava ir a Roahl. Era um estado religioso dentro de Aldana, permitido funcionar como um pequeno país independente. Abrigava vários templos venerados por muitas nações, sendo considerado terra santa no continente inteiro.
Por outro lado, corriam rumores de sacerdotes secularizados promovendo violência e lutas de poder entre templos de diferentes deuses, então Zara não tinha muita vontade de entrar lá.
Outro motivo era a rigorosa inspeção de imigração. Mesmo assim, não tinha nada a esconder. Decidiu escoltar a caravana até o posto de controle.
O posto era uma gigantesca fortaleza. Muralhas enormes a cercavam, e diziam que logo do outro lado havia uma cidade.
Ao ver a fila imensa na imigração, pensou em ir embora, mas, já que chegara até ali, resolveu dar uma olhada na cidade. Terminou entrando na fila.
Esperaram muito tempo até chegar a vez deles. O oficial que inspecionou Zara deu um grito ao verificar a medalha de aventureiro.
— Ooooh! Um aventureiro rank S! Bem-vindo ao Reino Sagrado de Roahl! Em nome dos deuses e do hierarca, é uma honra recebê-lo. Que os deuses sejam louvados!
De repente, Zara se tornou o centro das atenções. Até o chefe da caravana que escoltara arregalou os olhos de espanto.
A partir daí, a vida de Zara ficou bem complicada.
Tentou receber a recompensa e partir, mas o chefe da caravana insistiu num contrato exclusivo de escolta. Após recusar, o mercador ofereceu pagar hospedagem, Zara recusou também e disse que procuraria um guia.
Não era só o chefe da caravana. Uma infinidade de pessoas começou a bajulá-lo, tentando criar algum tipo de relação.
— Vou ao Guilda dos Aventureiros. Se tiverem assuntos comigo, apareçam lá.
Com essa desculpa, conseguiu escapar. Livrou-se da multidão que oferecia guias turísticos e chegou à guilda.
Lá, a situação piorou ainda mais.
Dizer que ia à guilda foi apenas uma desculpa para se livrar das pessoas, mas, já que estava ali, decidiu ver que tipo de labirinto havia em Roahl. Ao pedir informações, foi solicitado que apresentasse a medalha.
O atendente ficou boquiaberto ao avaliar a medalha de Zara, saiu correndo e voltou acompanhado do presidente da guilda.
O presidente pediu que Zara relatasse detalhadamente suas façanhas. Zara disse que passou um tempo explorando o Labirinto Sazardon no Reino Baldemost antes de decidir viajar. Mencionou que aceitou várias missões depois disso, mas recusou detalhes por sigilo de cliente.
Era compreensível o interesse do presidente.
Para uma Guilda de Aventureiros, um rank S era o bem mais precioso e a carta na manga que garantia sua independência diante de qualquer pressão. Por isso, sabiam onde estavam seus ranks S e, em casos prioritários, mediavam negociações até contra nações para proteger seus direitos.
Quando um novo aventureiro alcançava o rank S, era imediatamente assediado pelas guildas do país e por poderosos. Mesmo assim, um rank S nível 79, de apenas dezesseis anos, solitário e em viagem de aprimoramento, apareceu do nada naquela guilda de Roahl.
O presidente decidiu que faria de tudo para prendê-lo ali.
Sob o pretexto de “verificar assuntos urgentes”, impediu Zara de sair e, nos bastidores, ordenou que funcionários ágeis preparassem bebidas, hospedagem, mulheres, informações turísticas, missões atraentes, cargos de alto status social, armas poderosas, tudo para conquistar aquele ganso de ouro.
Zara recusou tudo, saiu da sala ignorando as tentativas do presidente de detê-lo e se viu novamente numa situação extremamente desconfortável.
O saguão estava lotado. Aventureiros, mercadores e oficiais do governo o cercaram, todos querendo se aproximar do jovem rank S que surgira em Roahl como um cometa.
Puxavam suas mãos, seu corpo. Agarravam seu cabelo. Num piscar de olhos, roubaram seu casaco, deixaram seu cabelo bagunçado e o cobriram de arranhões e hematomas.
Se fossem sahagins, eu simplesmente abriria caminho com a espada. Como faço com pessoas?
Zara só treinou combate; suas habilidades sociais eram nulas. Nascido nobre de alto escalão, nunca foi cercado por multidões fazendo mil pedidos e perguntas ao mesmo tempo. Sentia-se atacado. O furacão de palavras e a proximidade sufocante começaram a deixá-lo tonto.
Aah… sinto como se tivesse sido picado por uma abelha venenosa…
Aventureiros capazes de derrotar monstros nível 50 às vezes morriam ao serem cercados por hordas de insetos ou répteis nível 5 ou 6. Mesmo que o veneno individual fosse fraco, ser picado repetidamente em sequência causava danos graves.
— Vou ao labirinto. Quer vir comigo?
Zara agarrou imediatamente a mão de quem disse isso.
— Quero! Vamos agora ao labirinto!
— Primeiro temos que sair daqui — gritou seu salvador.
Seguindo a ordem, Zara abriu caminho pela multidão e saiu da guilda.
Com o plano definido, bastava executar. Uma técnica eficaz quando cercado por inimigos era empurrar e puxar para criar uma linha fina e escapar rapidamente por ela.
O jovem que o convidara ao labirinto também saiu da guilda.
— Por aqui!
Ágil e esperto, provavelmente um batedor. Os dois correram pelas ruas, cortaram becos, pularam muros, subiram telhados e finalmente despistaram os perseguidores.
— Cara, você é bom mesmo. Conseguiu me acompanhar sem esforço.
Um pouco ofegante, limpando o suor, o rapaz estendeu a mão.
— Eu sou Poriapul. Prazer em conhecê-lo.
Trocaram um aperto de mãos.
4
O batedor Poriapul levou Zara a um hotel barato onde seus companheiros aguardavam. Juntaram-se a eles, foram ao refeitório e, assim que receberam as bebidas e brindaram, Poriapul apresentou o grupo. Todos ficaram eufóricos ao saber que Zara era um espadachim rank S.
O labirinto chamava-se Labirinto Elstoran, do tipo multiplex.
Labirintos multiplex enviavam cada grupo de aventureiros que entrava a uma área diferente. Era impossível encontrar aventureiros de outro grupo.
Por exemplo: se o Grupo A derrotasse o chefão do primeiro andar e, exatamente nesse momento, o Grupo B entrasse na mesma sala do chefão, o monstro ainda estaria lá. Em outras palavras, era como se cada grupo entrasse em um labirinto idêntico, porém separado.
Uma vez dentro de um labirinto multiplex, só era possível encontrar os companheiros com quem você entrou. Era o labirinto dos sonhos de Zara.
Poriapul e seus amigos vinham de outra cidade de Roahl. Formaram um grupo para explorar o labirinto e cumprir missões. Passaram um tempo coletando informações na cidade e tiveram sorte: encontraram um texto antigo valioso que descrevia um método de conquista com condições específicas para o Labirinto Elstoran.
— Parece que você não conhece o Labirinto Elstoran. É famoso neste país e também chamado de Labirinto Fantasma. Tem apenas um andar com oito salas. Os únicos monstros são esqueletos: normais, vermelhos e pretos. Se você derrotar os esqueletos cumprindo certa condição, será teletransportado para a sala do chefão. O chefão é um fantasma que oferece prêmios: armas raras e bem fortes. Não importa quantas pessoas estejam no grupo, cada um recebe uma arma perfeita para si. Dizem que, se recusar a arma, terá que lutar contra o fantasma. Mas nós não vamos recusar. Nosso objetivo são as armas.
Molhou a garganta com cerveja e continuou.
— A dica para passar está escrita na pedra da entrada. Há uma pedra longa e fina, cortada em diagonal na ponta, com doze joias incrustadas que brilham em várias cores. Cada vez que alguém conclui o labirinto, as cores mudam. Dizem que indicam como derrotar os esqueletos, mas ninguém sabe ler. No fim, todo mundo mata esqueletos aleatoriamente, torcendo para ter sorte e ser teletransportado.
Tomou mais um gole.
— Não é o método mais sábio, mas a cada dois ou três anos alguém consegue. E, quando acontece, as joias mudam de cor. O problema é que ninguém entendia o que aquelas cores significavam… até agora.
Poriapul tirou o texto antigo da Bolsa e mostrou uma página a Zara.
— Como pode ver, aqui está claramente desenhada a cor das doze joias. O aventureiro que fez esse desenho concluiu o labirinto quando as joias estavam assim. Ele anotou o que fez para passar e…
Poriapul aproximou-se e sussurrou:
— Os esqueletos normais e os pretos não importam. Pode matar ou ignorar, tanto faz. Os que contam são os vermelhos. Existe um número exato que deve ser eliminado em cada sala. Nem mais, nem menos. Depois de passar por todas as salas matando a quantidade correta, a condição de vitória é cumprida. O número exato de esqueletos vermelhos está escrito aqui. E mais…
Deu um sorrisinho e bateu o dedo no documento antigo.
— …essas cores são exatamente as mesmas que estão na entrada agora.
A estratégia parecia simples, mas exigir um número exato de inimigos tornava tudo muito mais difícil. Já haviam tentado várias vezes, mas como os esqueletos atacavam em grupos, era fácil matar um a mais por acidente. Quando se luta contra muitos ao mesmo tempo, é difícil contar com precisão. Por isso procuravam alguém extremamente habilidoso em tomar decisões rápidas para completar o grupo.
5
Esse som lembra bater num tronco velho.
Foi o que Zara pensou ao derrubar mais um esqueleto vermelho. A contagem do grupo já passava de dezenas.
Zara usava o martelo de guerra que Logan lhe dera de presente de despedida. Era muito pesado, mas incrivelmente poderoso; esqueletos vermelhos não resistiam a um golpe. Até os pretos eram esmagados com um único golpe.
Um esqueleto preto aproximava-se por trás.
Por que ninguém está me dando cobertura? Estamos agindo cada um por si em vez de em grupo.
O grupo era mais que ideal: batedor, espadachim, guerreiro, feiticeira de apoio, feiticeiro ofensivo e sacerdote de cura. Mesmo assim, não aproveitavam nada disso.
O batedor só contava esqueletos vermelhos.
O guerreiro disse que atrairia os esqueletos normais, mas mal dava conta de três, então era perigoso deixar essa função só com ele.
O feiticeiro ofensivo tinha medo de matar esqueletos vermelhos a mais e simplesmente não participava do combate.
A feiticeira tentava apoiar o grupo, mas, cercada, não conseguia se aproximar de Zara, e suas magias sempre falhavam.
O sacerdote curava Zara quando não era necessário e, quando era, estava distraído com outra coisa.
É melhor fingir que estou fazendo isso solo. É mais confiável do que depender deles.
6
E assim avançaram pelo labirinto. Já haviam eliminado o número correto de esqueletos vermelhos em cinco das oito salas.
Zara desistiu completamente de receber qualquer ajuda ofensiva dos outros membros. A essa altura, não imaginava matar um esqueleto vermelho a mais e ter que recomeçar tudo.
Vamos acabar logo com isso.
Mesmo frustrado, resolveu pedir algo à feiticeira:
— Na próxima sala, você consegue lançar magia de contenção?
Ela respondeu que daria o melhor de si, e seu sorriso acalmou um pouco os nervos de Zara.
Entraram na sala. Havia vários esqueletos pretos. Zara se orgulhou de ter tido a precaução de pedir magia de contenção.
A feiticeira lançou o feitiço…
— Prisão Terrena!
…em Zara.
Zara continuou derrotando esqueletos enquanto suas pernas permaneciam imóveis.
Naquela sala, aprendeu duas coisas:
- Prisão Terrena pode ser usado em membros do próprio grupo.
- Uma vez lançado, não pode ser cancelado até o tempo acabar.
Esperava nunca mais precisar usar esse conhecimento.
7
Estavam na última sala. Zara esmagou o último esqueleto vermelho com o martelo.
Ouviu-se um zumbido grave, o ambiente ficou enevoado e, num piscar de olhos, estavam em outro lugar.
Todo o grupo foi teletransportado junto. No centro da sala havia uma mesa com armas dispostas. Do outro lado, um fantasma sorria em silêncio.
— Sim! Finalmente!
— Nós conseguimos mesmo!
— Nosso esforço valeu a pena!
Todos comemoravam. Zara não queria ser o único sério, mas não sentia nenhum orgulho, apenas alívio por finalmente se livrar daquele pesadelo.
De repente percebeu que o grupo havia sido separado. Provavelmente foram automaticamente divididos ao serem teletransportados, para que cada um decidisse individualmente se lutaria contra o chefão.
Seus companheiros correram para a mesa e pegaram as armas que mais lhes agradaram. Cada um que tocava numa arma desaparecia, provavelmente era enviado de volta à entrada do labirinto. Ele esqueceu de perguntar o que acontecia depois de pegar uma arma.
Um a um, os membros do grupo sumiram até restar apenas Zara. O jovem aventureiro, porém, não tinha o menor interesse nas armas. Seu olhar estava fixo no fantasma do outro lado da mesa.
8
Pode-se chamar um homem de belo?
Seus cabelos prateados eram longos e lisos. Testa pequena e oval, olhos azuis gentis.
Vestia uma simples túnica de seda brilhante que chegava ao chão em várias dobras. Uma faixa roxa, frouxamente amarrada na cintura, segurava o tecido. A faixa era estreita acima do quadril esquerdo e larga abaixo do direito; um nó elegante pendia do lado direito.
A pele era branca com leve tom amarelado. Os olhos, de um azul profundo, sorriam. As mãos longas, finas e delicadas pareciam de mulher.
Seu corpo era translúcido o bastante para se ver a parede atrás dele, era apropriado chamá-lo de fantasma.
— Estou surpreso que alguém tenha me invocado depois de tanto tempo. Mas, já que o fez, cumprirei meu papel. Para qual labirinto deseja se mudar?
— Como assim “qual labirinto”?
— Hmm? Você não me invocou para ajustar um labirinto?
— Não sei quem o senhor é. Vim porque me pediram para ajudar um grupo a conquistar o Labirinto Elstoran.
— Conquistar? O que você quer dizer com conquistar?
— Cumpri a condição necessária para chegar a esta sala.
— Ah, entendo. Isso não me parece exatamente “conquistar”. Por que veio conquistar este labirinto?
— Meus companheiros queriam as armas oferecidas como prêmio.
O homem de cabelos prateados ficou com expressão vazia por um instante e, em seguida, explodiu em risos.
— Isso é encantador! Ah, agora tudo faz sentido. Imagino que muito tempo tenha se passado. Aquilo era apenas algo que preparei como recompensa para quem chegasse a esta sala, mas não tivesse as qualificações para me invocar. Nunca tive a intenção de que aquilo se tornasse o objetivo principal de alguém.
— Pelo que ouvi, quando alguém chega a esta sala, um fantasma aparece com algumas armas. Se você pegar uma arma, ela se torna sua; se não pegar, você luta contra o fantasma.
— Eu não consigo lutar com esse corpo. O “eu” que normalmente aparece não passa de uma projeção. Sua aparência é igual à minha, mas tudo o que pode fazer é dizer às pessoas que não pode atender às suas exigências porque elas não cumprem os requisitos. Mas você cumpre os requisitos necessários para ser meu cliente. É por isso que fui invocado.
— Posso lutar contra o senhor?
— Hmm? Quer lutar? Eu consigo lutar, mas não posso ser derrotado. Afinal, tenho este corpo espectral. Sou apenas uma sombra sem a consciência do original. O fato de eu ter aparecido significa que meu corpo real ainda está vivo.
— Onde está seu corpo real?
— Hmm. Essa é uma pergunta difícil de responder. Certo, eu lhe direi se você jurar que não vai me visitar nem contar a ninguém onde estou.
— Então não vou perguntar.
— Ha-ha-ha. Você é uma pessoa encantadora. Minha habilidade de combate é bem baixa, então garanto que você ficaria desapontado se realmente duelássemos… Hmm?
A expressão do fantasma mudou, como se tivesse notado algo.
— Não pode ser…
O fantasma estendeu a mão direita sobre Zara. A tela de operação do Tesouro de Zara apareceu, e uma busca por itens começou.
O quê?! Não fui eu que fiz isso!
Era completamente impossível exibir à força a interface do Tesouro de outra pessoa. Mas era exatamente isso que o fantasma estava fazendo.
A exibição na tela mudava sem parar. Isso significava que alguém que não era o dono estava realmente operando o sistema. Zara não conseguia acreditar no que estava vendo. Ele ficou paralisado de choque quando cinco itens específicos apareceram juntos.
Aqueles cinco itens estavam categorizados de maneiras diferentes, armazenados em seções distintas e não compartilhavam nenhum parâmetro de busca. Não existia pesquisa capaz de exibi-los simultaneamente na mesma tela. E ainda assim, ali estavam – juntos – os cinco itens abençoados concedidos à Casa Mercurius.
— Onde você conseguiu esses cinco itens sagrados? Dependendo da sua resposta, você pode muito bem se tornar o primeiro humano que eu matarei com minhas próprias mãos.
9
Olhos do fantasma passaram de azul a amarelo brilhante. Gentileza sumiu, substituída por olhar frio como gelo.
Zara respirou fundo e respondeu.
— Esses cinco itens abençoados são herança da Casa Mercurius do Reino Baldemost. Me contaram que o primeiro chefe da Casa os recebeu da deusa dragão Kaldan por bravura e lealdade. O atual chefe da Casa me emprestou até eu matar o minotauro no Labirinto Sazardon.
Por um ou dois segundos, o fantasma ficou olhando para Zara, examinando-o. Depois disso, sua expressão de repente se suavizou.
— Consigo perceber pelo seu comportamento que suas palavras vêm do fundo do coração. Peço desculpas por ameaçá-lo. Por favor, me perdoe.
A aura assassina desapareceu; os olhos voltaram ao azul.
Zara percebeu que estava suando frio. O fantasma era bastante intimidante mesmo sendo incorpóreo.
— Conheço o Labirinto Sazardon. Mas o minotauro? Por que um espadachim do seu nível tem como objetivo matar um monstro como o minotauro? Esses cinco itens seriam até exagero.
— Há pouco mais de trinta anos, um minotauro nascido no décimo andar do Labirinto Sazardon derrotou todos os monstros de cada andar, chegou ao fundo e matou o dragão metálico incontáveis vezes. Tomou o lugar como Rei do Labirinto e reina desde então.
— Hã? Um minotauro? Não seja ridículo.Ah… isso foi rude. Não é que eu duvide de você. Mas aquele labirinto não deveria ter uma estrutura instável que permitisse tal anomalia. E logo um monstro do décimo andar… Isso não pode ser coincidência. Espere. Há várias coisas que quero que me conte. E também quero me desculpar. Vamos mudar de lugar. Aqui não é exatamente adequado para tomar chá.
O fantasma fechou os olhos, parecendo refletir.
— O quê? Todos os lugares que vejo estão em ruínas. Em que ano estamos, exatamente?
— Ano 1116 do Calendário Real.
— Calendário Real? De que reino?
— Do Reino de Baldemost. O ano em que a deusa Kaldan… hm… faleceu foi usado como o primeiro ano do Calendário Real.
— …Ora, ora. Isso é surpreendente. Uma quantidade absurda de tempo passou. Hmm. Será que aquele lugar serviria? Ah, parece que sim. Espere, estamos indo.
O ambiente mudou num instante. Eles devem ter se teleportado, mas Zara não sentiu o desconforto típico… aquele sentimento de ser puxado em várias direções ou virado do avesso.
Agora estavam em um quiosque em um jardim repleto de flores. Havia uma mesa de mármore e duas cadeiras feitas de um material desconhecido, brancas e adornadas com entalhes luxuosos.
— Vá em frente, sente-se. Peço desculpas, mas não posso preparar chá. Sinta-se livre para beber algo do seu armazenamento. Eu mesmo não posso comer ou beber. Ficar de pé também não me incomoda, mas vou sentar.
O fantasma sentou-se. Seus movimentos e postura eram estranhamente elegantes.
— É isso mesmo. Eu me tornei o chefão final daquele labirinto. Como você é o primeiro vencedor oficial em mais de mil e duzentos anos, preciso lhe dar uma recompensa. O que deseja?
— Nada me vem à mente.
— Não, não, isso não serve. Você vai me deixar sem graça como chefão final. Certo, que tal isto?
O fantasma colocou uma espada curta sobre a mesa. Mesmo para uma “espada curta”, a lâmina parecia curta demais, mas não chegava a ser um punhal. Seu tom lembrava oricalco, mas a ponta pintada de vermelho lhe dava um ar sinistro.
— Com um pequeno balanço, ela cria um círculo mágico de cerca de seis metros de diâmetro. Com um balanço grande, cria um de trezentos metros, que esmaga tudo que estiver dentro. Você pode invocar o círculo perto ou longe, dependendo de como balançar a lâmina, então é uma arma bem conveniente. Para usá-la, tudo que precisa fazer é sacrificar pelo menos dez pessoas por ano com suas próprias mãos.
— Não preciso desse tipo de item amaldiçoado.
— Não, não há maldição. Quer dizer… desde que você a use corretamente. Só quando esquecer de matar as dez pessoas é que será amaldiçoado.
— Eu não preciso disso.
— Que pena. Então que tal isto?
Desta vez, ele colocou um anel com uma gema escura sobre a mesa. O cristal vermelho-escuro parecia de alta qualidade, mas havia algo inquietante nele.
— Este é um tipo de anel de ressurreição. É uma versão inferior do Anel do Submundo. Com ele equipado, até os piores ferimentos se curam instantaneamente, e você retorna à vida imediatamente após morrer. Mas, como o Anel do Submundo, ele não impede o envelhecimento. Ou seja, concede imortalidade, mas não juventude eterna. Também é um pouco fraco contra ataques de elemento sagrado. Além disso, ao usá-lo, você se torna servo de um demônio de baixo escalão para toda a eternidade.
— Não preciso disso.
— Se é o demônio que o preocupa, não se preocupe. Basta selá-lo antes. Se quiser, posso ajudá-lo com isso. Depois que selar o demônio no corpo ou nas roupas, ele se torna bem conveniente. Quando o dono do anel morre, o selo é quebrado e ele massacra quem o matou ou qualquer um tolo o bastante para fugir com seus pertences.
— Não preciso disso.
— Hmm. Você é bastante exigente.
Depois disso, o fantasma mostrou-lhe um espelho que dominava a mente de quem olhasse para ele e um elmo que refletia qualquer ataque um dia depois, multiplicado por cem, mas Zara não quis nenhum deles.
— Eu realmente não sei o que lhe oferecer. Apenas me diga se vir algo que goste. Certo, há várias coisas que quero discutir. Você se importaria se eu fizesse algumas perguntas?
10
A primeira coisa que o fantasma perguntou foi quais países existiam no mundo atualmente. Depois quis saber sobre o minotauro no Labirinto Sazardon. Zara respondeu tudo da melhor forma que conseguiu.
— Espera. O que exatamente é um aventureiro? Hã. Eu não sabia que existia esse tipo de ocupação sagrada.
— Poções… parecem realmente incríveis. Você tem alguma aí? Posso ver? Céus, são muitas. Fascinante.
— O ritmo de crescimento dentro de labirintos é bem alto. Entendo. Então é isso que preencheu o vazio deixado pelos espíritos divinos. Que engenhoso. Considerando que a população humana aumentou e seus países prosperam, isso deve ter funcionado muito bem. Mas um método desses não levaria à estagnação? Ah, esqueça, essa pergunta não é para você. Vou investigar isso depois.
“Pode me mostrar essa “medalha de aventureiro”? Hm… impressionante. Ela produz um número para representar força e habilidade. Esses chamados níveis são uma inovação incrível. Deve representar a proteção divina concedida pelos deuses. Excelente. Tenho certeza de que isso tenta todos a lutar e subir de nível.”
“Então as medalhas de aventureiro são emitidas nos templos. Entendo, entendo. Isso se torna a sua marca. Se alguém entrar em um labirinto sem carregar uma dessas, seu nível não aumenta, certo? Não sabe? Imagino que seja assim.
O que são esses rankings? Você recebe algo quando seu rank aumenta? Interessante… muito bom. Embora eu realmente não entenda por que ele aumenta não só pelo nível, mas também por pedidos de algo chamado guilda. Será que o rank aumentaria da mesma forma se você acumulasse boas ações sem relação com a guilda ou com o que eles chamam de missões? Ah… provavelmente sim.
Então, se você matar pessoas inocentes, seu rank cai? Hm-hm. Isso parece certo. Ótimo pensamento. Assim as pessoas são conduzidas a não abusar do próprio poder. Sem esse mecanismo, choveria sangue dos céus.”
Depois de fazer uma grande variedade de perguntas, o fantasma parou. Sua expressão mudou, e ele fez mais uma.
— Aliás… pelo que você me disse, parece que ninguém viu um dragão nesses últimos mil anos. Digo, fora dos labirintos, claro. Estou certo?
Zara hesitou um pouco, debatendo se deveria ou não responder. Mas sentiu uma vontade repentina, quase irresistível, de contar o que havia acontecido.
— Sim. Mas… alguns dias atrás, um dragão branco, filha da deusa Kaldan e de seu marido, nasceu. Por uma estranha reviravolta do destino, eu estava lá para testemunhar o nascimento e até recebi a honra de nomeá-lo.
O fantasma levantou-se num salto. Depois apoiou as mãos na mesa e inclinou profundamente a cabeça.
— Isto é um pedido extremamente rude, mas… poderia me mostrar suas memórias? Por favor. Eu imploro.
Zara inspirou fundo e respondeu.
— Vá em frente.
— Obrigado.
O fantasma encostou a mão direita na testa de Zara e murmurou algo. Zara sentiu uma vertigem repentina.
Quando percebeu, o toque havia terminado. Os olhos do fantasma permaneciam fechados, como se ele estivesse absorvendo tudo o que havia visto.
Lágrimas escorriam pelo seu rosto e desapareciam no ar antes de tocar a mesa ou o chão.
Zara não sabia quanto tempo ficaram ali em silêncio.
Então o fantasma endireitou as costas, colocou a mão sobre o coração e fez uma reverência profunda. Seu longo cabelo prateado caiu como uma cortina.
— Zara… eu lhe agradeço. Você protegeu minha filha. Não tenho palavras para expressar minha gratidão. Você também escolheu um nome maravilhoso e, acima de tudo, a conduziu ao lugar correto. Não esquecerei o que fez por Paksalimana e Narillia. Um dia vou retribuir.
Pegando de surpresa pelas palavras, Zara viu que o fantasma falava com absoluta sinceridade. Ele se levantou e devolveu a reverência.
— Fico feliz por ter podido ajudar, mas tive a orientação e a assistência dos deuses. Já estou recebendo favores demais.
O fantasma abriu um sorriso.
— Sim… resposta sincera. Eu gostaria de conversar com você por mais um tempo, mas preciso ir a um certo lugar imediatamente, então nos despediremos aqui. Ah…
Sua forma começou a esvanecer.
— Droga. Fiquei emocionado demais, e meu corpo espectral ficou instável. Que pena. Eu queria ver minha filha ao menos uma vez.
Ele estava ficando cada vez mais transparente.
— Não faça essa cara preocupada. Meu corpo verdadeiro está seguro, então minha forma espiritual vai se recuperar com o tempo. Meu corpo original está inconsciente, então provavelmente vai levar um bom tempo. Mas está tudo bem. Agora estou ansioso para despertar. Preciso lhe dar uma recompensa apropriada e retribuir tudo o que fez. Por enquanto, sinta-se livre para pegar qualquer coisa da mesa. Certo, Zara. Até a próxima.
O fantasma desapareceu.
Zara ficou sozinho e completamente perdido.
Onde eu estou? Como eu volto? E o que eu faço com todos esses itens que parecem perigosos demais até para tocar?
Tradução: Rlc
Revisão: Pride
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