Naquela noite, Lívia estava em seu quarto quando ouviu uma batida na porta. Ela abriu e espiou para fora e encontrar Carla parada no corredor.
— S-Sim?
— Tem um minuto?
Carla sorriu.
Lívia hesitou antes de assentir.
— Hum, uh, sim.
— Para ser honesta, eu esperava que você participasse da missão de despachar aqueles piratas. Você está na classe avançada, certo? Pode pelo menos ajudar, não pode?
— Uh, hm, na verdade, sobre isso. A maneira como nos enganou para pedir ajuda foi…
Carla bateu com a mão aberta no batente da porta. Lívia deu um salto e fechou a boca.
A garota atrás de Carla riu e deu um passo à frente.
— Você vai nos ajudar, não vai, plebeia?
Era a filha do conde de antes, aquela que havia arruinado a cafeteria de Leon e brigado com Angie, Senhorita Offrey. Seu rosto era uma confusão de arranhões e hematomas. Ela sorriu.
— Se não ajudar, vou deixar todos ao seu redor infelizes. Aquele canalha do Bartfort, a esnobe Angelica, sua família e todos os outros também.
Lívia baixou o olhar e cerrou os punhos.
— Vou mandar Carla buscá-la amanhã. Melhor fazer seus preparativos, imbecil.
A senhorita Offrey virou-se para Carla.
— E você. É melhor fazer isso direito ou sua família estará em perigo também.
Carla tremeu de medo.
— C-Claro!
Lívia nunca havia encontrado uma garota disposta a ir tão longe, uma garota disposta a usar o poder de sua família como arma para abuso. Antes que soubesse o que estava fazendo, as palavras saíram de sua boca.
— Is-Isso não está certo.
— O quê? — a senhorita Offrey encarou-a.
— Leon e Angie são extremamente fortes. M-Mesmo que nos ameace, tenho certeza que eles…
A senhorita Offrey começou a rir, segurando seu estômago.
— O que? Está falando sério? Ainda está falando sobre os dois como se fossem seus amigos?
— E-Eu…
Agarrando Lívia pelos cabelos, a garota Offrey forçou-a a ficar cara a cara.
— Nobres não têm amigos. Angelica entende isso melhor do que ninguém. Você é um animal de estimação que ela adotou quando precisava de algo para acalmar seu coração partido. Não entende isso?
— Você está errada!
— Não estou. No segundo que um nobre erra, perde todos os seus aliados. E até mesmo aliados, “amigos”, traem uns aos outros o tempo todo. Aquela puta da Angelica é filha de um duque. Pode dizer observando-a, não pode? A razão pela qual é tão obstinada é porque ela conhece esse jogo, então não abre seu coração para ninguém. Mas você, você não é um nobre e, aos olhos dela, nem é um humano de verdade. É só um animal de estimação. É por isso que Angelica é legal com você.
— Não sou um animal de estimação. Sou uma pessoa! E esses dois são meus…
— Não está entendendo mesmo. — a senhorita Offrey a interrompeu. — O que pode fazer por eles?
— O-O que…?
Lívia estava perdendo a compostura. A garota Offrey deu voz a uma de suas maiores ansiedades. Leon e Angie sempre a protegiam. O que poderia fazer por eles?
— Bartfort se qualifica como nobre, tecnicamente, e tem algumas conquistas em seu currículo. Por sua vez, Angelica é filha de um verdadeiro nobre, nascida de riqueza e poder. Pode dizer de verdade que está no mesmo nível? Amigos deveriam ser iguais, não é?
— B-Bem, eu…
A visão de Lívia oscilou.
— Nada a dizer por si mesma? Imaginei. Claro que não é amiga. Não importa como tente fingir, todo mundo a ve pelo que de fato é, seu amado animal de estimação.
Lívia nunca tinha sido forçada a confrontar alguém tão vil sozinha. Quando podia, Leon a protegia de tais coisas, contudo Leon não estava aqui agora. Nem Angie.
— Oh, já sei! — a senhorita Offrey bateu palmas. — Você é na verdade meio fofa. Bartfort não é popular com as garotas. Talvez estivesse atrás de do seu corpo. Que triste desculpa para um nobre. Que patético.
— Não! Leon não é esse tipo de…
— É assim que os homens são. Tente se despir e se oferecer. Ele voará para seus braços imediatamente. — a senhorita Offrey zombou. — Que sem vergonha. Você parece pensar que entrar sorrateiramente nesta academia te faz nosso igual. Que ego tem aí. Me parece que precisa de alguma disciplina estrita.
A senhorita Offrey empurrou Lívia e a fez cair no chão. As meninas que estavam atrás dela aproveitaram a oportunidade para entrar no quarto de Lívia e começaram a destruir o local.
— Não pare! Por favor, pare!
A senhorita Offrey gargalhou.
— Seu quarto é um lixo, assim como você. Estamos apenas fazendo com que pareça mais com o lixo que é.
A comoção no quarto de Lívia chamou a atenção de uma professora que patrulhava os corredores do dormitório.
— Professora, por favor, me ajude! — Lívia implorou quando a professora passou. — Essas garotas estão…
A senhorita Offrey apenas sorriu. A professora imediatamente fingiu que não tinha visto nada e se afastou o quanto antes.
— O que…? — Lívia ofegou.
— Agora entendeu? Você não é como nós, plebeia. Não é uma pessoa.
Lívia estava em choque. Até uma professora a abandonou. Ela afundou no chão e sufocou soluços enquanto as meninas ao seu redor sorriram.
— Olha, está chorando.
— Plebeus são peças inúteis.
— Ela pensou de verdade que era igual a nós? Aprenda o seu lugar.
Com Carla a reboque, a senhorita Offrey saiu do quarto de Lívia.
— Adeus por agora.
As outras garotas riram enquanto se afastavam.
Tremendo, Lívia fechou a porta e desabou no chão, com a cabeça entre as mãos. As lágrimas vieram em um fluxo interminável.
Ser amiga de Leon tinha, antes deste momento, concedido a Lívia uma medida de proteção contra o pior que o bullying tinha a oferecer. No entanto, agora percebia que isso também havia roubado dela a oportunidade de se tornar forte o suficiente para lidar com seus próprios problemas.
Foi então que Lívia decidiu que de fato participaria da missão de despachar os piratas.
Tradução: Demiurgo
Revisão: Bravo
QC: Errei
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