Lorde dos Mistérios

Lorde dos Mistérios – Vol. 03 – Cap. 115 – Retorno a Igreja da Colheita

 

Cidade de Prata, em um quarto apertado.

Derrick Berg estava sentado ao lado de sua cama, quietamente se lembrando da informação que havia recebido sobre os sete deuses. Os nomes das divindades que ele nunca tinha ouvido falar e os vagos mitos antigos para ele indicavam que havia um novo mundo fora desta terra que era completamente diferente da Cidade de Prata.

Seria um pedaço de terra que não foi abandonado pelos deuses? Ou talvez, é uma terra protegida por novos deuses? Derrick se sentou no escuro, imovel. Relâmpagos brilhavam pela janela de tempos em tempos, trazendo consigo uma luz intensa.

Ele lentamente se focou nos diferentes poderes que estavam concentrados nas mãos dos sete deuses, e ele os comparou com os deuses antigos tal como o Dragão da Fantasia, Ankewelt.

O chamado Deus do Combate era muito semelhante ao Rei Gigante Aurmir. O Lorde das Tempestades exerce um poder similar ao Rei Fada, Soniathrym. A Deusa da Noite Eterna aparenta ser uma fusão do Rei dos Lobos Demoníacos, Flegrea, e o Vampiro Ancestral, Lilith. Quanto ao Eterno Sol Ardente, Mãe Terra, Deus do conhecimento e da Sabedoria, e o Deus do Vapor e da Maquinaria, eu não consigo achar ninguém correspondente… Em relação às lendas místicas, não prestei muita atenção nas aulas e perdi muita coisa… Phew, Como não há serviço de patrulha durante esse período de tempo, eu deveria ir até a biblioteca da torre e ler alguns livros.

Derrick se levantou e fez o que havia planejado.

O problema que ele enfrentava era compartilhado pela maioria dos residentes da Cidade de Prata. Quando estavam sendo educados em conhecimento geral, seu foco estava nos cursos práticos, como Estudos Demoníacos, Classificação de Monstros, Charms, e Fundações Beyonder. Todos estavam focados no conhecimento que poderia ser usado para lidar com monstros no escuro e aumentar a produção de plantas comestíveis. Quanto às aulas complementares, como Estudos de Mitos, muitas vezes eles não prestavam atenção.

Se a história da Cidade de Prata não tivesse sido capaz de tornar os residentes mais unidos, aumentar seu senso de honra ou de missão, e como o conselho de seis membros era muito rigoroso a esse respeito, Derrick acreditava que poderia, no máximo, se lembrar do que aconteceu nas últimas duas ou três décadas.

Carregando o Machado do Furacão, Derrick saiu de sua casa, seguindo a simples, limpa, mas antiga e manchada rua de pedra até chegar nas torres gêmeas no lado norte da cidade. Uma das torres gêmeas servia como a biblioteca da Cidade de Prata, um ponto de troca onde pontos de mérito podiam ser trocados e necessidades diárias podiam ser distribuídas. A cúpula era onde o conselho de seis membros residia e havia rumores de que continha um item místico que sustentou a Cidade de Prata por mais de dois mil anos, bem como um repositório de fórmulas e ingredientes.

Entrando na torre, Derrick foi direto para o terceiro andar, e de acordo com suas memórias, encontrou as estantes onde materiais relacionados a mitologia e os correspondentes livros antigos eram guardados.

Assim que ele estava prestes a pegar um livro relacionado ao mito da criação, uma palma esbelta, com pele clara e boa aparência foi mais rápida e tirou o livro dele. Derrick seguiu o braço com os olhos, e depois de um único olhar, ele abaixou sua cabeça, pressionou sua mão contra o peito, e falou em voz baixa.

— Saudações, Anciã Lovia.

A pessoa que pegou o seu livro era um dos membros do conselho de seis membros, Pastor Lovia.

Ela estava usando um longo manto preto bordado com misteriosos padrões de cor violeta. Seu cabelo cinza prateado era volumoso, mas ligeiramente ondulado. Seu rosto era suave e limpo, sua aparência era linda. Ela aparentava ter em torno de trinta anos, e seu par de olhos cinza claros pareciam ser capazes de perfurar a alma de alguém.

Lovia reconheceu a saudação de Derrick e gentilmente acenou com a cabeça sem dizer mais nada. Ela pegou o livro antigo e saiu do espaço entre as estantes em silêncio.

Anciã Lovia parece ter retornado ao normal. Ela não é como antes, sempre mudando entre diferentes temperamentos de forma aleatória – Às vezes chorando, às vezes zombando, às vezes grunhindo de raiva, e outras vezes indiferente.

De repente, Derrick sentiu um medo inexplicável.

O motivo era a Anciã Lovia estar agindo de forma normal.

Normal…

 

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Após ler todo o dossiê, Klein não encontrou nenhum registro de animais. Era óbvio que a investigação original negligenciou esse problema.

Sim, tenho que me lembrar das minhas considerações anteriores. Não posso realizar minhas próprias investigações precipitadamente. Sem falar sobre como eu não tenho os meios especiais ou confiança para evitar a intuição de um Diabo em relação ao perigo, apenas a possibilidade de eu encontrar um Falcão Noturno seria um assunto muito problemático. Meu objetivo é sempre assumir um papel auxiliar. Meu trabalho é analisar o caso e sugerir conjecturas e determinar se uma pista é autêntica… Klein considerou o que precisava fazer.

Depois de entender as habilidades de um Diabo, ele temporariamente não se atreveu a entregar a questão de investigar se os suspeitos anteriores tinham animais de estimação para Stuart, pois isso teria uma alta chance de colocar a vida do detetive em risco.

Eles estavam apenas na fase preliminar de investigações sem qualquer direção. É provável que Stuart não encontrasse nenhum problema. Um Diabo não é como aquele bando de lunáticos da Ordem Aurora. Ele não se exporia proativamente. Amanhã ou depois de amanhã, Stuart com certeza entregará um relatório. Talvez haja pistas que outros possam não ser capazes de detectar. Klein levantou-se e enfiou as mãos nos bolsos enquanto andava pela sala de atividades. Agora, seu dilema era como colocar o corpo investigativo principal a incluir animais em seu radar.

Eu não posso de maneira alguma mencionar isso diretamente, pois isso atrairia a suspeita dos outros para mim. Seria o mesmo se eu tentar guiá-los do escuro… Klein pensou com cuidado enquanto pesava a questão antes de finalmente decidir um plano.

Ele puxou uma carta, pegou uma caneta-tinteiro, e escreveu:

Caro senhor Stanton,

Pensei em um problema. Anteriormente, quando os detetives estavam discutindo, todos acharam as ações do assassino habilidosas e sem qualquer indício de inexperiência. Eles acreditavam que ele não poderia ter nascido tão proficiente e que deve ter adquirido muita experiência para construir a sua fundação. Exemplos de tais pessoas podem ser estudantes de cirurgia da universidade de medicina ou um açougueiro. Naquela época, pensei que ele poderia ter feito algo como esses dois exemplos em seu passado. É uma direção para se investigar, e é nisso que estou prestando mais atenção agora, mas após pensar sobre isso repetidas vezes nos últimos dois dias, não acho que isso seja abrangente o suficiente.

Talvez, ele não dependesse de matar pessoas para ganhar experiência. É possível que ele praticasse com pobres animais? Diferentes tipos de animais vivos. O número de animais que morrem em Backlund todos os dias é inumerável, e aqueles que desaparecem nos esgotos também são desconhecidos. Portanto, esses são alvos de treinamento muito bons.

Esta é minha opinião incipiente. Espero me comunicar com você.

Sherlock Moriarty

Klein não mencionou de forma direta que o assassino possa ter sido um animal que se tornou um Diabo. E também usou a justificativa de praticar, na esperança de que Isengard Stanton prestasse atenção ao negligenciado “mundo animal”, alertando assim os oficiais Beyonders responsáveis pelo caso.

Enquanto escrevia, de repente sentiu que essa também era uma direção. O motivo do Diabo nunca ter sido pego era que ele estava caçando animais na maior parte do tempo, e a caça de animais não era algo que valesse a pena prestar atenção.

Bem, espero que isso inspire eles… Klein dobrou a carta e se vestiu para entrega-lá na caixa de correio no fim da rua.

Quinze minutos depois, Advogado Jurgen, que viu o Detetive Sherlock passar pela sua janela de sacada envidraçada de novo e de novo, finalmente não conseguiu segurar seu desejo de abrir a porta e perguntar:

— Sr. Moriarty, você esqueceu as suas chaves?

— Uh, mais ou menos. — Klein forçou um sorriso.

— Por que não vem para minha casa como um convidado? Depois da janta, você pode voltar quando escurecer. Eu sei que detetives privados são muito bons em escalar muros. — Jurgen o convidou com uma expressão séria.

É sério isso? Klein ficou atordoado por um segundo antes de sorrir sinceramente.

— Seria uma honra.

Afinal, a avó de Jurgen estava no nível de um chef competente! E ele também poderia importunar o gato enquanto estava lá!

 

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Quando ficou completamente escuro, Klein, tendo se saciado, descansou um pouco em sua casa antes de deixar a Rua Minsk com sua bengala, planejando fazer outra viagem para a Rua Rose, no lado sul da ponte, e perguntar ao Bispo Utravsky sobre a origem da Chave Mestra.

Com a ajuda do Bastão Radiestésico de Procura, ele chegou à Igreja da Colheita com sucesso no meio da noite e se esgueirou pela mesma rota de antes. Entretanto, Bispo Utravsky não estava se confessando no salão da catedral essa noite. Havia apenas fileiras de bancos no em meio ao silêncio e escuridão.

— Ele está descansando? — Klein se sentiu levemente intrigado enquanto andava em direção a sala de estar atrás do salão.

Ao virar o canto, ele viu o alto, quase gigante Bispo Utravsky subindo as escadas do porão. As portas de pedra pesadas que se encontravam lá embaixo estavam sendo atingidas por alguém.

Quem ele prendeu no porão? Klein imediatamente pensou em uma série de ideias deturpadas.

Utravsky olhou para cima e viu Klein com o mesmo disfarce de antes. Ele também estava surpreso enquanto perguntava.

— Você ainda não encontrou o seu caminho para casa?

… Eu me pareço com alguém que ficou perdido por tanto tempo? Klein forçou um sorriso.

— Padre, eu não estou perdido.

— Você acha que a fórmula é falsa? Isso é impossível… — Bispo Utravsky franziu a testa e parou no meio das escadas, o que o deixou na mesma altura de Klein.

— Não, ela é genuína. — O Mágico disfarçado respondeu com honestidade.

Nesse momento, a porta de pedra no porão foi atingida mais uma vez com uma intensidade crescente. Junto das batidas estava uma voz masculina que gritava.

— Me deixe sair!

— E esse é? — Klein não conseguiu se segurar e perguntou.

O Padre sorriu gentilmente e respondeu.

— Um vampiro.

Assim que as palavras deixaram sua boca, o homem no porão gritou.

— Qual o problema em ser um vampiro? Você acha que vampiros devem ficar presos aqui? Eu tenho que ouvir as suas lições e recitais de escrituras todos os dias? Besteira, Eu sou um nobre Sanguíneo, então não use um nome tão vulgar para me descrever! Deixa eu te dizer, eu venero a lua, e eu absolutamente não irei me converter em um crente da Mãe Terra! Desista, seu padre maldito!

Era a primeira vez que Klein se encontrava com um vampiro de verdade, então não pôde deixar de perguntar.

— Padre, onde você o encontrou?

Bispo Utravsky olhou para Klein de maneira estranha antes de responder.

— Ele é o dono original da Chave Mestra. Um belo dia, ele se perdeu e entrou nessa catedral.

… Klein considerou seriamente o dilema de que se deveria carregar a Chave Mestra consigo no futuro ou não.

É uma coisa boa que eu possa usar divinação… Ele pensou com gratidão.

— Aconteceu que ele entrou em um estado onde estava sedento por sangue, e eu descobri sua anormalidade — O padre adicionou com um sorriso.

— Porra nenhuma, não fale sobre sangue! O que eu preciso é o sangue de uma linda garota jovem, não o sangue de um homem velho e sujo como você! — O vampiro no porão ficou enfurecido repentinamente.

Padre Utravsky explicou sem nenhum traço de raiva.

— Quando ele precisa de sangue, eu dou um pouco do meu.

Klein acenou com a cabeça e olhou mais uma vez. Ele percebeu que a pesada porta de pedra no porão estava gravada com o Símbolo Sagrado da Vida e muitos outros símbolos misteriosos, formando um selo completo.

Durante o dia, quando mais e mais pessoas começavam a rezar, deve ser impossível para o som alcançar o lado de fora… Klein fez um julgamento preliminar.

— Tem algo em que eu possa ajudar? — Nesse instante, Padre Utravsky perguntou.

Klein respondeu honestamente.

— Eu quero saber de onde a Chave Mestra veio.

— Você vai precisar perguntar para ele. — O bispo apontou para o porão.

O vampiro prisioneiro de repente ficou quieto antes de rir, relaxado.

— Amigo, eu posso responder sua pergunta. Mas a condição é você me resgatar primeiro.

 


 

Tradução: Dionedos

Revisão: Pride

 

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