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O Caçador Imortal de Classe SSS – Vol. 13 – Cap. 302 – A Aranha Cinzenta (1)

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A Aranha Cinzenta não sentia como se alguma vez tivesse sentido uma brisa fresca em sua vida. No outono, ela estava bem com o aroma das folhas de bordo porque elas mal tinham cheiro. A primavera era refrescante, mas a água cheirava a peixe no verão. Por estar viva, achava tudo repugnante. A Aranha Cinzenta queria morrer sempre que o outono chegava.

Bruxa. Quem inventou esse nome? Na língua deste mundo, a palavra “bruxa” não se referia simplesmente a um mago que podia usar magia. Niglus—Kukulu, a magia1마법(magia/魔法) usa o mesmo hanja que 마(demoníaco/魔) . A palavra carregava todo tipo de conotações de desgosto e desprezo, como abandonado, blasfemo, o vigésimo terceiro, e amaldiçoado.

A palavra “mulher” também não se referia apenas a sexo neste mundo. Primeiramente, havia mais de quatro sexos neste mundo. A distinção usual de homem e mulher não se aplicava aqui. Ela era Mirgal. Uma tradução um tanto apropriada seria cinza.

Neste mundo, onde as três cores primárias2Vermelho, Azul, verde dominavam, os Mirgals só podiam produzir descendentes recebendo sementes de outros sexos. A espécie amaldiçoada de cinza eram as bruxas. A estação em que a Aranha Cinzenta nasceu foi o outono.

“Pobrezinha. Por que você escolheu nascer neste mundo?”

Sua mãe provavelmente não sabia o que estava dizendo. Ela não reconheceu o verdadeiro valor de sua filha recém-nascida. A criança entendia tudo o que a mãe dizia porque nasceu com a bênção que lhe permitia lembrar de tudo o que via e ouvia. Na verdade, a criança já havia ouvido e sentido muitas coisas enquanto estava no útero. A mãe deu à luz um gênio, mas não sabia disso.

“Pobrezinha…”

Um punhado de água, um pouco de sangue, o olhar que a encarava de cima, e a mão que tocava sua testa eram simpatias disfarçadas de amor, resignação fingindo ser conforto, morte mascarada de vida. E então, havia o cheiro. A criança captou o cheiro de sua mãe e o aroma do outono.

“Por que você veio aqui?”

A Aranha Cinzenta odiava o mundo.

 

Separador Tsun

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— Não tenho nada contra a anciã da Torre Mágica. Para mim, emoções são ações, Zumbi. Só que muitas vezes não são perceptíveis do lado de fora, mas isso também é uma forma de agir. Você acha que eu apenas vivo conforme sinto? Bem, pode ser o caso para pessoas que vivem só porque sua vida ainda não terminou, mas não para mim.

O Guardião cruzou os braços.

— Foi inteiramente minha decisão não me importar com a anciã. Se eu a tivesse convidado para escalar a Torre comigo, ela teria me seguido. Se eu tivesse pedido para ela ser minha amiga, ela teria sido, mas eu decidi não fazer isso. Não fiz isso só com a anciã! Não fiz um único aliado.

— Por quê? — perguntei.

— Porque inúmeras pessoas neste mundo nem sequer têm a chance de encontrar um.

O Guardião olhou para a Torre Mágica.

— Amigos são sorte. Até amantes são coincidências. Kim Zumbi, você encontrou muitos colegas, fez amigos, serviu seus mestres e conheceu sua esposa. Tudo isso é graças à sorte. Esses são tesouros que você se esforçou para adquirir, mas o fato de pessoas como você nascerem já é um milagre em si.

Eu subi o último degrau e saí da caverna para olhar a mesma torre que o Guardião estava encarando.

— Não pense que todos têm esse tipo de sorte. Algumas pessoas nunca têm ninguém ao seu lado durante toda a vida. Algumas pessoas não têm sorte até morrerem. Muitas esperam algo de suas vidas, mas só recebem traição. Essas pessoas eventualmente desistem. Não encontram mais razões para tentar ou subir mais alto.

A Torre Mágica parecia verdadeiramente demoníaca3Gong-Ja está pensando sobre a conexão entre 마법(magia/魔法) e 마(demoníaco /魔) já que ele é coreano.. Um edifício geralmente servia como um lar. Tinha portas e janelas, permitindo que os residentes saíssem para o mundo e vissem o exterior.

No entanto, as torres da Torre Mágica não tinham portas nem janelas. De cima a baixo, elas eram completamente cobertas de preto. Não era uma tonalidade que refletia a luz do sol, mas uma que a engolia. Por isso, a Torre Mágica se assemelhava a um corpo, não a um edifício.

Não era uma extensão do mundo, mas uma vontade de rejeitá-lo. As torres, moldadas como dedos, erguiam-se do chão e se estendiam em direção ao céu.

— Eu queria mostrar pra esses caras que está tudo bem se você não tiver colegas, está tudo bem se você não encontrar o amor da sua vida.

Eu contei os segundos em minha mente. Vinte e três, vinte e dois, vinte e um…

— Mesmo que o destino não te conceda nenhuma sorte, está tudo bem.

Dezoito segundos.

— Você ainda pode subir, independentemente de tudo.

Quinze segundos.

— Olhem! Eu sou o Imperador da Espada. Cheguei mais alto que qualquer um de vocês. Por quê? Definitivamente não fiz isso pelas pessoas que me assistiram, e com certeza não pelos caras que viveram nesta era ao meu lado. Eles que se fodam!

Cinco segundos.

— Eu não tinha aliados. O mesmo pode ser dito sobre os outros. Só pra provar um ponto pra eles, escalei a Torre pra mostrar que isso pode ser feito!

Um segundo.

— Ninguém se tornou importante para eles, mas eles já se tornaram importantes para mim.

Beeeeeeeeep.

Um ruído estalou em minha cabeça. Alguém estava tentando enviar Telepatia de Aura; claro, era a Torre Mágica. Se alguém olhasse para suas torres por mais de vinte e três segundos, eles respondiam. Era seu sistema de segurança e aviso. Eu havia usado essa regra não escrita durante a linha do tempo que minha regressão havia consumido.

— Ah, ah. Teste de microfone, teste de microfone. Quem é você aí? Por que está olhando para nós? Desvie o olhar enquanto ainda estou falando. Estamos sob muito estresse esses dias, sabe? Não temos tempo para brincar com todo lunático. Beeeeeem, eu pessoalmente gosto de malucos, capturá-los e torturá-los, mas sorte a sua, estamos ocupados… Hein? O que é isso…?

A voz dele, antes carregada de fadiga, de repente ficou afiada.

— Você está com a Escritora Assistente! Droga, aquela fugitiva!

Beep!

As ondas de aura ficaram mais fortes. Como o porta-voz da Torre Mágica havia dito, a Escritora Assistente estava ao meu lado. Eu não era o único que havia quebrado o tabu de vinte e três segundos da Torre Mágica. A Escritora Assistente também olhou para a Torre Mágica assim que saiu da caverna comigo.

— Vocês estão mortos! De onde tiraram a coragem de mostrar a cara assim? Hein? Então o maluco que está com você é… Você é o Rei da Morte?! Seus vermezinhos. Ei, Meia-Calça! Vá e reporte às Aranhas agora mesmo!

Bem, não éramos apenas nós dois.

Beeeeep!

— …? Quê? Então hoje tem mais de dois caras loucos por aí.

As ondas de aura ondularam mais uma vez. O porta-voz, que primeiro dirigiu sua voz apenas a mim, depois à Escritora Assistente, e então a outra pessoa, agora falava com várias pessoas simultaneamente.

— Certo, então todos vocês fumaram algo juntos, é? Beleza. Ha, isso é divertido! Sabia que vocês fariam algo assim um dia, então organizei uma força punitiva com antecedência!

Beeeeeeep.

— Os soldados da guarnição colonial da Torre Mágica de outras Torres também estão aqui agora! Haha! Já ouviu falar da Marquesa Bornthorn? Ela foi chamada à sede após trezentos anos, então está muito, muito ansiosa para lutar! Vocês vão descobrir quantos vasos sanguíneos minúsculos têm…

Beeeep. Beep! Beeeeeep!

— …em seus corpos! Que porra é essa? Sério, o que é isso? Ei! Ei!! Alguns de vocês estão realmente ansiosos… Bem, esquece. De qualquer forma, não é isso. Deixa eu compartilhar uma boa notícia com vocês. Nos últimos dias, mobilizamos nossas unidades de elite. Faz centenas de anos desde que reunimos uma força tão grande! Hahaha! Ótimo! Ok, olhem! Acabei de receber um relatório de que os Céus Cadentes estão prontos para…

Beep! Beep! Beep! Beep, beep!

— …ir.

Beep, beep! Beep! Beep beep beep. Beep, beep! Beep! Beep!

Dezenas.

— Uh…

Centenas.

— Chamem…

Milhares.

— Chamem a anciã agora mesmo!

Os refugiados, todos que se juntaram à nossa Aliança Anti-Torre Mágica, saíram da caverna por suas muitas saídas.

[A Encarnação do Amor e da Luxúria declarou guerra à Torre Mágica.]

[A Última Espada no Deserto declarou guerra à Torre Mágica.]

[O Buscador Solitário declarou guerra à Torre Mágica.]

[O Olho que Habita o Labirinto declarou guerra à Torre Mágica.]

[O Sino das Lágrimas dos Mortos declarou guerra à Torre Mágica.]

[O Cavalo de Guerra das Planícies Eternas declarou guerra à Torre Mágica.]

Caçadores estavam segurando seus copos na taverna ao ar livre. Seguidores caminhavam pela rua e negociavam com vendedores de tapetes, como de costume. No entanto, agora todos erguiam suas espadas em rebelião. Nossa declaração de guerra começou com um olhar para o ninho do demônio que havia criado uma eternidade própria no quinquagésimo andar, sem permitir que ninguém os olhasse.

O Guardião riu.

— Então, não tenho arrependimentos. Vivi da maneira que quis viver. Mostrei isso a inúmeros garotos sem sorte. “Subam! Não há ninguém ao seu lado agora, mas isso é apenas uma coincidência. Mostrem o dedo do meio para essas coincidências e subam mais alto, assim como eu fiz. Subam! Mais alto!”

O porta-voz da Torre Mágica não falou mais comigo. Tudo o que eu podia ouvir era ele em pânico e desorientado.

— Bem, se pessoas que eu ainda não cuidei chamarem sua atenção, você pode cuidar delas por mim, Kim Gong-Ja.

Creeeeeak!

Um grito estridente ecoou ao longe. Era um guincho que se recusava a ser um som. Ferro raspou contra ferro, e as cinco torres tremeram juntas e ergueram suas garras para rasgar o céu escuro. Parecia que meu corpo inteiro estava sendo despedaçado.

— É o Lamento da Torre Mágica — murmurou a Escritora Assistente. — Faz centenas de anos desde que ouvi isso.

Ela engoliu em seco.

— Quando uma das torres chora, é um Escárnio, um aviso que soa quando é necessário o poder para conquistar uma cidade. Quando duas torres choram, é um Chute. Isso é suficiente para conquistar um andar. Quando três torres choram, é para conquistar outro mundo. Quando quatro torres choram, significa que… múltiplos mundos estão prestes a serem subjugados.

— Todas as cinco torres soaram agora.

A Escritora Assistente assentiu.

— Sim. Isso significa “Não nos importamos com quem você é. Morra. Vamos destruí-lo não importa o que aconteça.”

Sombras caíram sobre as cinco torres. Como se alguém tivesse jogado uma pedra no céu, ondulações se espalharam até o horizonte. No entanto, as ondas eram tão negras que engoliam as nuvens escuras do quinquagésimo andar e os poucos raios de sol que haviam vazado.

Algo caiu da sombra invertida. Era uma chuva de meteoros negros.

— Okay. Há momentos em que a guerra é necessária. Minha Torre Mágica não é tão mesquinha a ponto de ignorar o choro de canalhas famintos. Chorem. Chorem se quiserem. Façam o que quiserem.

Cada meteoro que caía era uma pessoa. Magos, aqueles chamados de Aranhas, todos vestidos com capas pretas, desabavam. Percebi que a sombra cobrindo o céu era um círculo de invocação gigante. A Torre Mágica também sabia que a guerra estava chegando e havia se preparado com antecedência.

— Para vocês, hoje pode ser um dia que esperaram por mil anos.

Boom!

As bruxas aterrissaram no meio da cidade.

Thuuuud!

A taverna ao ar livre e os barracos precários foram destruídos.

Booooom! Booom!

Inúmeros meteoros destruíram as ruas. Gritos ecoaram, e poeira subiu de toda a cidade.

— Mas para nós, é apenas mais um dia.

Tap.

As Aranhas pretas saíram de trás da nuvem de poeira. Algumas seguravam uma cabeça em suas mãos, outras brincavam com um braço decepado de outra pessoa como se fosse um taco de beisebol, sorrindo. Nenhum grito ou gemido vinha de trás da nuvem de poeira de onde as aranhas saíam. Tudo o que eu podia ouvir era o som fraco de um prédio desmoronando.

— Rei da Morte?

— O nome do nosso alvo é realmente Rei da Morte? A Torre realmente é péssima em dar nomes.

— Sempre foi assim.

— Sempre será assim.

As Aranhas estavam muito distantes umas das outras. Alguém derrubou o portão oeste da cidade. Outra pessoa estava na taverna ao norte. Outro mago estava diante da estátua na praça central. Os que estavam mais longe estavam do outro lado da cidade, mas todos falavam como se estivessem juntos.

— Talvez seja um título mais legal na língua original. Algo provavelmente se perdeu na tradução da Torre. Quem sabe, talvez seja a Foice Colhedora do Submundo, o Sacerdote Consolador dos Mortos, ou qualquer coisa que soe muito melhor que Rei da Morte.

— Acho que você quer dizer “pior”.

— Obrigado. Bom te ver de novo. Faz noventa anos desde que te vi. Fico feliz que você ainda esteja cheio de si mesmo depois de todos esses anos.

— Eu tenho uma reputação por trazer paz interior para aqueles que acompanho.

— Odeio admitir, mas vou te dizer, camarada! Senti falta das suas besteiras!

— Isso é porque você é um imbecil.

— Sinto que estou em casa agora.

Eles trocavam Transmissões de Aura naturalmente entre si. A distância entre eles não importava, pois a aura que emitiam reverberava pela cidade. Meus sentidos podiam sentir a aura trocada entre milhares de Aranhas. Se eu olhasse para essa cena do céu…

— …Pareceria uma teia de aranha — deixei escapar.

A teia de aranha que cobria a cidade congelou. Senti um olhar – não, múltiplos olhares sobre mim.

— Você é o Rei da Morte? — perguntaram milhares de magos. Seus lábios se moviam enquanto sua aura fluía. Era, por assim dizer, uma violência de números. Eles não estavam particularmente hostis ou tentando me amaldiçoar. Apenas o fato de milhares de Aranhas falarem juntas ao mesmo tempo fez minha mente tremer por um momento.

Certo, então essas são as pessoas com quem o Guardião lidou. Elas são as governantes desta cidade.

Meu coração bombeava sangue fervente para minha cabeça. Segurei o cabo da espada, que vibrava. Brilhinho, a Deusa da Proteção, Hwia… Quando uma borboleta se joga em uma teia de aranha, apenas as batidas de suas asas podem determinar se ela acabou de cometer suicídio ou não.

Eu sorri.

— Vocês têm um bom olho. Eu sou o Rei da Morte, o herdeiro do Imperador da Espada.

Milhares de Aranhas avançaram contra mim.

 


 

Tradução: Rlc

Revisão: Pride

 

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