Os fiéis começaram a se reunir, um após o outro, na caverna.
— Escritora Assistente? Você ainda está viva? Isso é surpreendente.
— Ouvi dizer que houve um caos na Torre Mágica ontem. Suponho que foi coisa de vocês.
Algumas das pessoas que viviam aqui haviam perdido suas Constelações há muito tempo. Outras ainda não haviam perdido suas Constelações, mas estavam escondidas após entrarem em conflito com a Torre Mágica.
Esse era o grupo minoritário do quinquagésimo andar.
Uma mulher com o capuz sobre a cabeça deu um tapinha no ombro da Escritora Assistente.
— A Torre Mágica deu uma ordem para matá-los. Ei, isso é incrível! Quanto vocês irritaram as Aranhas para que elas dessem tal ordem? Cara, eu invejo vocês. Ei, Escritora Assistente, largue logo uma Constelação como Hamustra. Junte-se a nós! Vamos tratá-la bem!
— Não torcer seu pulso é minha última cortesia para com você, já que fui eu quem te convidou aqui. Seja grata pelos meus modos sensatos e elegantes.
— Tenho a sensação de que minha vida acabará se eu mencionar isso de novo. Hehe.
Os fiéis continuaram conversando. Alguns se sentaram em estalactites planas, outros se deitaram, enquanto alguns descansavam em almofadas de pano que trouxeram. À primeira vista, pareciam um grupo de desleixados preguiçosos. No entanto, meu senso estava em alerta há um tempo.
Esses Caçadores são fortes.
O Guardião cruzou os braços.
— Bem, esses canalhas estão sendo perseguidos pela Torre Mágica, o que significa que ainda não foram pegos. Eles são espertos, extremamente sortudos ou fortes. Se qualquer uma dessas três características se aplicar a alguém aqui, isso significa que essa pessoa é forte.
Eu olhei ao redor.
Cada pessoa reunida aqui é pelo menos tão forte quanto a Paladina.
Os dez melhores do meu mundo, ou talvez os cinco melhores, seriam medianos aqui.
Como esperado, o quinquagésimo andar não é fácil.
Os Caçadores que eu havia encontrado até então na Cidade do Monopólio eram, de certo modo, limitados. Porém, isso não os tornava fracos. Na melhor das hipóteses, eram do tipo “você entende o básico de aura. Nada mal”. No entanto, os fiéis reunidos diante de mim agora eram diferentes.
Tem mais alguém escondido, seja lá quem for.
Eu olhei pela caverna escura. Havia um Caçador olhando silenciosamente para cá, escondendo sua presença. Isso provava por que estavam no quinquagésimo andar.
A Escritora Assistente se levantou e caminhou até o centro da reunião.
— Primeiro, obrigada a todos por virem hoje, mesmo que provavelmente não tenham nem dinheiro para comer.
Os fiéis olharam para a Escritora Assistente, alguns com atenção focada, outros com olhares distraídos.
— Há pessoas cujos rostos não vejo há dez anos. Há outros cujos rostos não posso mais ver. Eu…
A mulher que havia dado um tapinha no ombro da Escritora Assistente antes levantou a mão. Ela estava mastigando algo.
— Ei, Srta. Escritora. Desculpe interromper você expressando tamanha alegria por nos encontrar novamente.
A Escritora Assistente estreitou os olhos.
— O que é?
— Estou me sentindo extremamente desconfortável há um tempo. Provavelmente não sou a única que se sente assim. Ah, não me entenda mal, não estou te culpando por nos chamar e não preparar nem uma cadeira ou almofada. Sei que você não pode pagar por isso.
Com um sorriso, a mulher olhou diretamente na minha direção. Ela tinha olhos azuis.
— Quem é esse cara? — perguntou ela. Vendo que a Escritora Assistente optou por permanecer em silêncio, a mulher continuou. — Meu estômago não está lidando bem com isso agora. A cauda de rato que comi ontem está prestes a subir pela minha garganta. Srta. Escritora, pense bem. Você foi convidada para a casa de um amigo depois de um tempo, mas seu amigo está criando um pinguim em casa. E não há grades ou nada mantendo-o afastado de mim. Você acha que eu posso comer em paz?
Apesar de seu tom humorístico, os olhos da Caçadora eram afiados. O ar caótico se acalmou, e percebi que os fiéis não prestaram atenção à Escritora Assistente não por serem rudes, mas por minha causa. Assim como eu estava impressionado com suas capacidades, eles também notaram minha presença.
A Escritora Assistente suspirou.
— Sim. Eu ia falar sobre ele de qualquer forma. Deixa eu apresentá-lo. Ele é…
Eu me levantei do meu assento.
— Olá. Prazer em conhecê-los.
Assim que me levantei, alguns dos fiéis alcançaram suas cinturas, provavelmente para sacar suas armas. Era inevitável. Era a primeira vez que nos encontrávamos. Tentei ser o mais amigável possível com eles, então fiz questão de sorrir.
— Meu nome é Kim Gong-Ja. Aprecio vocês me chamarem de pinguim. Quando eu era pequeno, também me perguntava como seria ser um pinguim.
— Kim Gong-Ja? Ei, esse é seu nome verdadeiro, não seu título. Para de brincadeira e nos diga seu título.
— Okay. Meu título é Rei da Morte.
O ar na caverna ficou tenso. Isso não era uma metáfora. Vários dos fiéis que estavam contendo sua energia de repente liberaram suas auras.
— O Rei da Morte? Aquele que Mahos deu ordens para caçar?
— Você é o líder de um culto que devorou inúmeros mundos e transformou milhões de humanos em mortos-vivos!
— Escritora Assistente! Por que você convidou um lich para a reunião?
Acho que meu sorriso radiante não teve efeito…
Fiquei um pouco desanimado, mas ainda consegui sorrir.
— Todos, se acalmem. Não sou um lich.
— O quê?
— Não vou atacar vocês a menos que me ataquem. Sou tão seguro e inofensivo quanto um pinguim. Olhem meu sorriso. Um lich sorriria assim?
— Hmm. Você está dizendo que não é um líder de culto? — perguntou a mulher, parecendo inquieta.
O mais educadamente possível, eu disse:
— Estou no comando de um grupo, mas não é um culto típico.
— Você já ressuscitou mortos e os transformou em escravos mortos-vivos?
— A definição de morto-vivo é um pouco vaga. Eu tenho a habilidade de invocar os falecidos, mas não os transformo em zumbis ou vampiros. Pelo contrário, muitas pessoas ficaram felizes graças à minha Habilidade de invocação.
— Mahos disse que você tem matado Constelações.
Eu balancei a cabeça.
— Isso é complicado. Eu só matei uma ou duas.
— Porra, esse garoto é realmente o Lich Soberano do Mal Sem Vida!
— O que estão fazendo, pessoal? Matem ele agora! Caso contrário, ele vai nos pegar!
Isso era difícil. Por que isso estava acontecendo, mesmo eu tendo respondido gentilmente?
— Ei, você está gostando disso, não é?
Isso é uma acusação injusta. Por favor, pare com a difamação e calúnia.
Eu nunca fiz isso de propósito, mas encontrei um prazer estranho em ver pessoas gritando comigo como se eu fosse um vilão assustador. Tirei minha Espada Sagrada embainhada do cinto. Os fiéis que estavam desconfiados de mim congelaram. Para mostrar que eu não representava ameaça alguma, coloquei a bainha lentamente aos meus pés. Em seguida, levantei as palmas das mãos vazias na direção deles com um grande sorriso.
— Beleza. Olhem, eu não mordo. Sei que o Cavalo de Guerra das Planícies Eternas me declarou inimigo público, mas ele não pensa realmente em mim assim. Eu só apareci na hora certa, então ele está me usando para o bem de vocês.
— Mahos está fazendo isso por nós? — perguntou a mulher em resposta. — Garoto. O que você quer dizer com “para o nosso bem”?
— Ouvi da Escritora Assistente que vocês não podem nem subir para o quinquagésimo primeiro andar se não estiverem afiliados à Torre Mágica. Mas vocês não querem pertencer à Torre Mágica, nem têm o poder de destruí-la. Desculpe. Não quero ofendê-los. Estou apenas tentando dizer que as Constelações podem achar a situação atual frustrante. Talvez Mahos pensasse que eu poderia ser algum tipo de avanço.
Por que Mahos agiu de forma hostil comigo assim que cheguei ao quinquagésimo andar? Porque matei seu apóstolo? Era esse o único motivo pelo qual ele decidiu lutar? Talvez, mas se ele quisesse me matar, não teria reunido um monte de idiotas e me emboscado. Ele deveria ter reunido apenas Caçadores poderosos como os daqui e me atacado.
— Mahos quer me tornar o mestre do mal no lugar da Torre Mágica — disse com convicção.
A mulher fechou os olhos por um momento e me olhou com desconfiança.
— Entendo. Sim, eles querem te transformar em um novo chefe do mal antes de te subjugar. Sim, entendo. Assim como o Assassino de Constelações, você se tornou um chefe de evento sazonal.
— Sim, é isso que penso. Ele está fazendo o melhor com o que tem.
Os outros fiéis também murmuraram em concordância.
— Aha.
— Entendo…
Eles captaram a essência das coisas. Olhei para o teto da caverna com um sorriso silencioso.
[O Cavalo de Guerra das Planícies Eternas está em silêncio.]
Às vezes, o silêncio era uma forma de afirmação.
A mulher se levantou.
— Beleza, Rei da Morte. Esse é um ótimo argumento. Mas por que você nos disse isso? Não foi uma escolha sábia da sua parte. Isso só nos dá mais motivos para pensar em você como um lich maligno.
Ela riu e acariciou o cabo de sua adaga.
— Seria definitivamente muito mais fácil te matar do que destruir a Torre Mágica, não acha? Estou cansada de ser uma mendiga no quinquagésimo andar! Também quero participar da missão de Mahos.
Sua provocação era clara.
Eu ri alto e abri os braços.
— Oh, claro. Se é isso que você quer. Mas seria realmente mais fácil me matar do que derrubar a Torre Mágica?
— O quê?
— Se você é tão habilidosa quanto eu, já deve ter matado inúmeros inimigos até agora. Deve estar acostumada a colocar sua vida em jogo — disse com um sorriso gentil. — Mas não acha que matar alguém deveria ser realmente difícil?
— O que você está tentando insinuar?
— É simples. Estou dizendo que Mahos não teria pensado em mim como um substituto para a Torre Mágica sem uma boa razão. Talvez eu realmente seja um inimigo tão difícil de derrotar quanto a Torre Mágica. Eu sozinho posso substituir toda a Torre Mágica. Você acha que pode me derrubar?
Todos, incluindo a Caçadora que estava me provocando, gemeram.
Eu cocei a nuca, sorrindo humildemente.
— Vocês nem conseguem nem matar o Assassino de Constelações.
Responder a uma provocação com outra provocação era o que eu sabia fazer melhor.
A mulher sorriu.
— Ha. Tudo bem então! Vamos ver se você realmente está no nível do Assassino de Constelações…
— Não, deixe para lá, Berserker.
Alguém saiu de trás de mim. O corpo inteiro do homem estava envolto em bandagens. Não havia som de passos ou mesmo de respiração, mas sua voz ecoava por todos os lados. Os fiéis se assustaram ao perceberem sua presença.
Até a mulher, que estava prestes a sacar sua adaga, franziu a testa.
— Paparazzo? O que é isso? Há quanto tempo você está escondido como uma barata?
— Antes de vocês chegarem aqui — respondeu o Paparazzo calmamente. — Parece que minhas habilidades não enferrujaram ainda. Isso é bom. Nenhum de vocês me percebeu.
— Hein? Claro que não. Se você decide se esconder, ninguém pode te encontrar.
O Paparazzo apontou para mim.
— Ele sim. Ele me notou há um tempo e está em guarda desde então. Isso despertou meu espírito competitivo, então, enquanto vocês conversavam, eu constantemente mirei no ponto cego daquele homem porque queria cortar sua cabeça quando visse uma abertura. Mas não consegui encontrar uma por tanto tempo que decidi abaixar minha espada.
— Isso…
— Isso significa que ele é claramente mais forte que nós.
A Berserker rangeu os dentes.
— Ele realmente está no nível da Torre Mágica? Vamos lá, não me faça rir.
— Não sei exatamente em que nível ele está, mas sei que está pelo menos um nível acima de nós. Não tenho o hobby de arriscar minha vida para treinar com alguém claramente mais forte que eu. Acredito que você pensa o mesmo.
A Berserker me encarou, seu olhar me examinando da cabeça aos pés. Seus olhos estavam cheios de intenção assassina e ardendo com espírito competitivo. Ainda assim, ela suprimiu seu orgulho. Sim, eu gostei do olhar em seus olhos.
— Tudo bem. — Eu disse com um sorriso radiante. — Não vou matá-los!
Por algum motivo, a Berserker cerrou os punhos apesar do meu comentário gentil. Ela soltou um longo suspiro e lentamente tirou a mão da adaga.
Hein, ela não vai lutar comigo? Que pena. Eu estava ansioso para ver que tipo de artes marciais os mestres lutadores do quinquagésimo andar têm a oferecer.
O Guardião riu enquanto eu batia os lábios em desapontamento.
— Cara, sua cerimônia de iniciação é algo e tanto.
Uma luta foi evitada graças à intervenção do homem. No entanto, o ar na caverna permaneceu inalterado. Na verdade, ficou mais tenso. Até os fiéis que estavam relaxados até agora começaram a me olhar com cautela após ouvir a conversa entre a Berserker e o Paparazzo. Muitos fiéis engoliram em seco.
Isso era constrangedor. Temi que a atmosfera permanecesse assim, então tentei ser o mais gentil possível.
Eu cocei a bochecha. Nem tudo no mundo poderia ser resolvido com palavras e sorrisos, então era importante pensar positivamente.
— Bem, talvez seja uma sorte que as coisas não tenham terminado em uma luta de espadas. É um bom começo! Há apenas uma razão pela qual pedi à Escritora Assistente para reuni-los aqui. Seria difícil para mim derrubar a Torre Mágica sozinho. Não é impossível se eu reunir todas as forças que tenho, mas não são muitas. Será apenas o retorno do Imperador da Espada.
— O que isso significa?
Eu bati palmas.
— Derrubar a Torre Mágica não é suficiente. Estou mais interessado em vocês vencerem do que em eu vencer.
— O quê?
— Srta. Escritora Assistente, você disse que não é a protagonista desta história.
A Escritora Assistente ficou em silêncio. Ainda assim, algumas respostas podem ser transmitidas pelo silêncio. Ela provavelmente não teria dito isso para se autodepreciar. Sua avaliação tinha sido objetiva, mas…
— Por que você não deveria ser?
— O quê?
— Não estou dizendo isso apenas para você, Srta. Escritora Assistente. — Olhei ao redor para os fiéis. — As Constelações que foram esquecidas neste andar e que podem perder sua divindade devido ao seu poder enfraquecido, por favor, contatem-nas. Como vocês são seus fiéis, acho que têm os meios para falar com elas.
Os fiéis me olharam com olhos desconfiados, mesmo que eu ainda não tivesse feito nada. Senti o horror do preconceito, mas não cedi a ele e ri em vez disso.
— Por favor, coletem todas as suas missões. Vou reuni-las para que todos vocês possam chegar ao quinquagésimo primeiro andar!
Silêncio. Atrás de mim, a Escritora Assistente sussurrou:
— Desculpe, mas ninguém te disse que seu sorriso é suspeito? Se você sorri enquanto diz algo assim, qualquer um vai pensar em você como um filho da puta sem coração que trata a vida dos outros como lixo e não se importa com nada além de poder.
Isso é duro. Raviel gosta do meu sorriso.
Tradução: Rlc
Revisão: Pride
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