Ele não pertencia à Facção Justa em primeiro lugar.

https://tsundoku.com.br
— Hmm.
Após deixar a caverna, Viper vagou pelo mundo. Ele visitou todos os lugares conhecidos por suas vistas de tirar o fôlego. Quando chegou ao local onde uma cachoeira caía do céu, ele se sentou em uma rocha e sentiu a força pura da água o encharcar. Certa vez, escalou até um lugar onde quase podia tocar o céu, olhando fixamente para o vasto mundo abaixo por três ou quatro dias.
— Isso não está certo.
Ele não estava comovido. A serpente que havia se instalado em seu coração permaneceu em silêncio. Ele coçou a cabeça, lembrando-se do conselho de Namgung Woon, o líder da Aliança Murim.
— Não vai funcionar de jeito nenhum. Ele disse que o Caminho Justo é sobre capturar a essência da natureza em sua espada. Não importa quantas vistas bonitas eu veja, não sinto nada. Eu preferiria encontrar inspiração nas pessoas indo e voltando do trabalho todos os dias na cidade.
A majestosa cachoeira, o vasto mundo se estendendo abaixo do topo da montanha, os relâmpagos aterrorizantes e a chuva torrencial…
— Não me prende de verdade. “Oooooh! Isso é incrível! Como esperado do Mestre da Seita ODP!” …Não sinto essa vibe de jeito nenhum.
Nada o cativava.
— Ah, talvez eu devesse ter ido para o Culto Demoníaco, afinal? Aquele desgraçado do Kim Gong-Ja é tão sortudo. Como caralhos ele conseguiu ficar com a mestra que era perfeita para ele desde o início? Droga…
Havia se passado quatrocentos e sete dias desde que o Viper deixou a caverna. A serpente escondida em seu coração ainda estava consumida por ciúmes, tristeza e desespero. O caroço negro exalava seu resíduo pegajoso. Mesmo que Viper sentisse seu contorno, ele continuava avançando.
Clang!
No início, ele não ouviu o barulho da rua. Seus sentidos físicos, aprimorados por um treinamento extenso, certamente captaram o som, mas sua mente permaneceu desinteressada.
Clang!
Viper agora caminhava por Goru, a terra natal dos Terras. Na esperança de que isso o ajudasse a derrotar Kim Gong-Ja, ele ocasionalmente passava por lá e assistia às peças Fogo da Caverna.
Como resultado, Viper conseguia recitar, mesmo de olhos fechados, todas as onze falas que Kekerukker usava ao confessar seu amor por Raviel. Às vezes, ele se perguntava por que os Terras ao seu redor estavam fazendo tanto barulho, apenas para perceber que quem estava agindo de forma ridícula era ele mesmo. A constatação o deixou solene.
Clang!
Clang!
Lentamente, a serpente que se enroscava no coração de Rao Fan levantou a cabeça, sentindo todos os aromas que flutuavam pela rua. Entre eles, havia um cheiro metálico agudo. A serpente contraiu o nariz e buscou a fonte do aroma.
Clang!
Era uma forja a algumas ruas da cidade. Era silenciosa. Poucas pessoas passavam por ali. Pequenas e médias trupes que não conseguiram um lugar na interseção principal tinham seus teatros por perto. Terras cujos bolsos não estavam cheios o suficiente para pagar pelas peças na interseção também perambulavam nas proximidades.
Clang!
A forja estava em uma rua isolada. Parecia estar afundando em vez de se manter erguida. O telhado havia desmoronado em vários lugares, e os pilares de sustentação estavam apodrecendo. Alguns deles já estavam perigosamente inclinados. Se alguém apenas soprasse neste prédio, ele desmoronaria.
Clang!
Lá, um ferreiro com braços musculosos brandia seu martelo.
Clang!
O ferro em brasa cuspia faíscas ao encontrar o martelo.
Clang!
Ele começava lentamente a se curvar. A habilidade não era notável, nem a performance era cativante, mas…
— Uau. Você tem um jeito único de martelar — comentou Viper.
— Phew. — O ferreiro enxugou a testa com uma toalha. — O que é? Você é um cliente, senhor Skian?
Viper se aproximou. Ele percebeu que o ferreiro era realmente pequeno, muito mais baixo que os Skians e até mesmo os Terras. O ferreiro mal alcançava a cintura do Viper. Isso porque ele era um pequeno Sylvan.
— Você precisa de algo? Por favor, note que eu não fabrico armas.
— Huh? Por que não? O orgulho da forja dos Terras não está em fabricar armas, especialmente espadas? Os Terras têm um costume adorável de presentear espadas às crianças logo após sua cerimônia de maioridade. Se ela se desgastar em um ano, recebem uma nova — disse o Viper.
— Ah… — O Sylvan terminou de enxugar o suor. Sua expressão era estranhamente indiferente. — Estou dizendo isso porque você é um Skian, mas não é um pouco estranho? É realmente bizarro. Aprecio que eles nos tratem, uma minoria, sem preconceito, mas… é genuinamente estranho. Hmm. Você entende o que estou dizendo?
— Ah, eu entendo muito bem.
Apesar de serem estranhos, eles rapidamente formaram um laço e assentiram em acordo.
— É irritante.
— Sim, é irritante.
Seus acenos eram coordenados. Um Sylvan que gerenciava uma forja falida, seu trabalho sendo seu sustento, e um Caçador humano posando como Skian estavam concordando em algo. Ainda assim, sua conexão foi breve, deixando para trás seus passados conturbados e ocultos.
— Gosto do jeito que você fala. Então, o que gostaria de pedir? Posso oferecer um desconto.
— Ah.
Somente então o Viper lembrou-se do verdadeiro motivo de sua visita. Seu coração negro como piche balançou sua língua bifurcada, instando-o a falar rápido.
— Eu não estava planejando comprar nada. Só parei por curiosidade — respondeu Viper.
— Hmm?
— Não se preocupe. Não sou um estranho. Ouvi seu martelar da rua. Era incrivelmente consistente. No início, pensei que fosse apenas um martelar normal, mas o ritmo e a força são muito consistentes.
O ritmo do martelar não estava fora de compasso nem por 0,1 segundos. Uma pessoa comum o ignoraria como um ruído de fundo regular e seguiria em frente, mas o Viper tinha sentidos físicos sobre-humanos. Ele notou facilmente a singularidade da forja.
— Será que esta forja decadente guarda incríveis…
— Ah, por favor, não sente naquela cadeira. Ela balança tanto que tive que fixá-la no chão, mas o chão também balança. Se você sentar por mais de quinze segundos, o piso vai ceder. Calculei isso com base no meu peso, então, se você sentar, o chão vai ceder imediatamente, e a cadeira vai afundar no buraco.
— …segredos, habilidades ou algo assim? Você é talvez um ferreiro Classe S escondido nesta loja precária? Huh? É minha chance de ficar overpower?
Viper sentiu um surto de alegria. Seu coração acelerou, um silvo escapando de sua garganta. Ele preferia esse tipo de intriga muito mais do que paisagens majestosas e belas. Na verdade, o que parecia comum frequentemente escondia grandeza: poder oculto, status, histórias de fundo, segredos sombrios e mundos. O coração do Viper batia mais rápido quando pensava nessas histórias.
Sobrecarregado, o ferreiro Sylvan encontrou os olhos brilhantes demais do Viper.
— Uh… não sei o que você quer dizer com Classe S, mas minha forja não é especial.
— Você diz isso, mas tem um passado escondido e talentos secretos, certo?
— Venho de uma família comum. Quando a reputação da minha família decaiu, me tornei ferreiro. Senhor, não tenho talentos especiais. Como posso competir com os Terras no departamento de forja? Os Terras nascem com músculos reais…
— Vamos lá. Você está mentindo.
O ferreiro Sylvan olhou para ele. Viper piscou.
— Sério?
— Não é como se mentir para você fosse me dar moedas. Olha, se não tem nada para pedir, por favor, vá embora. Você está me distraindo.
O ferreiro não parecia estar mentindo.
— Que estranho, que estranho.
Como Viper ficou por ali, o ferreiro suspirou.
— Hoje não é meu dia.
Apesar de seu murmúrio, o ferreiro logo o ignorou e continuou martelando.
Clang!
Clang!
Clang!
Viper, observando de longe, disse:
— É realmente consistente.
Viper só conseguia ver a estrutura pequena das costas do ferreiro Sylvan de onde estava. Seus músculos das costas bem definidos e os músculos equilibrados dos ombros e braços se moviam incansavelmente.
— O quê?
— Seu ritmo. A força com que você martela, também. Eles são perfeitamente consistentes. Seu martelar nunca está fora de sincronia. Se você desacelerasse o tempo com aura, poderia até conseguir algo assim, mas você não usa aura de jeito nenhum. Isso é apenas sua habilidade física — explicou o Viper.
— Phew. Huff, huff…
Viper franziu a testa. Se o Sylvan diante dele pudesse usar aura e tivesse seguido um caminho nas artes marciais em vez de forja, ele poderia ter se tornado um guerreiro bastante potente.
— Isso é impressionante, mas por quê? Por que você insiste em martelar desse jeito?
Sem se virar, o Sylvan respondeu:
— Isso torna um pouco mais agradável.
— Agradável? — questionou o Viper, franzindo a testa.
— Sim, este trabalho. A forja.
Clang!
— Isso é muito cansativo. Os clientes levam meu trabalho para casa, usam as facas convenientemente para cortar comida, e têm uma tábua de corte embaixo enquanto fazem isso. Eles também martelam pregos na parede com as ferramentas que vendo. Ferramentas são convenientes de usar, mas criá-las pode ser difícil. Se fosse apenas um hobby, talvez fosse diferente, mas isso…
Clang!
— …esse é meu trabalho. Phew! Droga, eu realmente não quero trabalhar.
Clang!
— É difícil…
Clang!
— Estou morrendo.
Clang!
— Quero morrer…
Clang!
— Quero morreeeeeeer!
Clang!
Enquanto o martelar persistia, as maldições do ferreiro Sylvan se tornavam mais intensas. Parecia que ele estava lançando insultos contra alguém, mas pareciam ser direcionados a si mesmo. Viper ficou em silêncio. O som do martelar era tão estridentemente alto que chamou sua atenção. Essa forja acabou sendo mais barulhenta do que qualquer outra oficina na cidade.
— Ah, certo. Se você continuar xingando assim, nenhum cliente vai entrar pela porta. Você sincroniza seus xingamentos com os golpes de martelo para que o barulho abafe os palavrões — percebeu Viper. — Você é louco.
— Senhor, você está sendo bastante incômodo há um tempo. Poderia, por favor, ir embora?
Viper notou mais uma vez que a cidade que Kim Gong-Ja fundou tinha muitos excêntricos, independentemente da espécie. Ele disse:
— Mas você disse que trabalhar é agradável. Não parece estar se divertindo. Tem certeza de que esse trabalho é divertido?
O ferreiro enxugou o suor do rosto com uma toalha.
— Sim, a diversão é pequena, mas está lá. A forja é difícil em primeiro lugar. Claro que é. Se você sabe de que espécie eu sou, entenderá que eu não fui realmente destinado para essa linha de trabalho. Não tenho nenhum talento, então não acha normal eu xingar no trabalho?
— Umm…
— Ainda assim, se eu não encontrar nenhuma alegria no meu trabalho, realmente começarei a considerar morrer.
Clang!
— Então, tento ter diversão o suficiente para não morrer.
Clang!
— Bem, meus colegas saem para relaxar todo fim de semana. Eles gostam de descansar em banhos públicos novos ou assistir às peças Fogo da Caverna mais recentes, que ouviram dizer que são fantásticas. Eles falam sobre essas peças para aliviar o estresse, mas eu não sei…
Clang!
— Quando vejo uma montanha alta, penso, “Por que é tão alta? Sou pequeno. Ela é alta só para me irritar?” Mesmo quando visito uma montanha famosa e olho ao redor, sinto que estou em um mundo diferente dos outros, então fico sem sentir nada. Ah, essa sensação de que vou morrer trabalhando simplesmente não vai embora.
Clang!
— Sinto que vou morrer.
Clang!
— Ainda assim, não posso morrer.
Clang!
— Então, tento encontrar algum tipo de alegria nas pequenas coisas. Você me elogiou como se eu tivesse conseguido algo significativo. Estou apenas tentando me divertir para sobreviver. Olhe.
Clang!
— Viu?
Clang!
— É bem divertido martelar consistentemente. Parece música, música que ninguém nunca pensou antes.
Clang!
— Não acha?
Somente então o ferreiro se virou. Ele estava sorrindo calorosamente, seu rosto corado pelo calor da fornalha e manchado com fuligem de carvão. — Não é interessante? Manter esse ritmo é bem difícil. Parece um jogo meu, um que acende meu espírito competitivo.
Naquele momento, a serpente aninhada profundamente no coração de Rao Fan percebeu algo profundo. Apesar de já ter aceitado sua identidade, ele se tornou ainda mais iluminado ao testemunhar o pequeno ferreiro.
O que Viper achava belo? O que parecia natural para ele? Até que seus braços se movessem e seu sangue fluísse, o que ele desejava capturar dentro de sua espada? O Mestre da Seita ODP encontrou as respostas para suas perguntas.
— Quando chove, meu ritmo é um pouco mais lento.
— Quando está nublado, meu martelar fica ainda mais lento. Quando você ouve aquele som distante de clangs em uma cidade enevoada, não é um pouco romântico? É como se a cidade ou a névoa em si estivesse chorando. Isso é um pouco interessante e legal. Acho isso mais agradável do que montanhas famosas ou paisagens bonitas.
Não eram os gritos das pessoas ou as pessoas que haviam arranhado tudo e cujos pulmões foram esvaziados pela fome. Quando aqueles com as mesmas feridas se curavam e riam juntos, o ar se enchia de risadas contagiantes. De certa forma, era isso que o Viper buscava, mas não exatamente.
— Bem, eu consigo lidar com isso. Sinto que vou morrer, mas consigo continuar.
Aqueles que perseveravam buscavam prazer como uma forma de suportar. Essa alegria fugaz nunca levava à verdadeira felicidade. Para passar por cada dia, mesmo ao custo de perder uma parte de si mesmos, eles suspiravam e sorriam enquanto murmuravam que sentiam que iam morrer. Ainda assim, estavam determinados a sobreviver.
Viper assentiu.
— Entendo.
Era fácil pensar que essa alegria era patética ou uma solução temporária para os problemas. Não ia trazer felicidade; apenas adiá-la. Portanto, seria fácil sugerir ao ferreiro que ele deveria encontrar seu verdadeiro eu e perseguir seus talentos reais. Era muito fácil afirmar que havia algo errado com a vida de outra pessoa.
— Isso parece bem interessante. Tudo bem se eu tentar também? — Ele perguntou.
Então, e daí? Não importava o quão miserável fosse essa alegria, ainda era um grão de felicidade. Mesmo que o sorriso durasse apenas um momento antes de desaparecer, ainda era um sorriso. Ele existiu e continuaria a existir. Era prova de vida e do desejo de viver.
O ferreiro inclinou a cabeça.
— Uh, você, senhor?
— Sou um Skian. Sou forte.
— Há mais do que força neste trabalho…
— Ah, apenas me deixe tentar. Tenho muito dinheiro. Vou cobrir as despesas, então, se houver algum problema depois, você pode pedir o quanto quiser, Ferreiro.
Todos suportavam seu trabalho. Eles encontravam alegria em suportar as dificuldades, então, mesmo que não estivessem felizes no momento, a felicidade eventualmente viria, independentemente do tempo ou lugar. Então, eles se transformariam em um céu que rivalizaria com o Céu Demoníaco e abraçaria o mundo.
O Viper tirou a camisa e segurou o martelo com firmeza.
— Tudo bem! Lá vou eu!
Ele estava muito desconectado com a paisagem natural para cantar sobre ela, nem tinha confiança para encapsular o riso feliz das crianças dançando pelos campos de trigo em sua espada.
Quando se tratava da felicidade das pessoas comuns, ele podia tentar se esforçar um pouco mais para se sentir um pouco mais feliz. Sem essa pequena quantidade de alegria, o fardo parecia esmagador, dando-lhe a impressão de que ia desmoronar em breve. Para de alguma forma estar feliz, ele tinha que fazer um brainstorming, planejar com antecedência e colocar o plano em ação para que pudesse depois sorrir em celebração.
Viper sorriu.
— É minha primeira vez forjando, mas eu consigo fazer isso! Vamos lá!
Essa era a felicidade que ele podia capturar em sua espada. Ele queria isso. O Viper havia vagado por tanto tempo para buscar a beleza que ressoava com seu coração, a visão que ele desejava compartilhar com o mundo. Finalmente, ele a encontrou. Seu Caminho Justo estava aqui.
— Eu tenho nada além de tempo, de qualquer forma!
Clang!
O metal ecoou.
Clang!
O metal ecoou.
Clang!
Ele ecoou.
Clang!
Clang!
Ele ecoou.
Clang!
Ele ecoou.
Clang!
Clang!
Clang!
Clang!
Tradução: Rlc
Revisão: Pride
💖 Agradecimentos 💖
Agradecemos a todos que leram diretamente aqui no site da Tsun e em especial nossos apoiadores:
- decio
- Ulquiorra
- Merovíngio
- S_Eaker
- Foxxdie
- AbemiltonFH
- breno_8
- Chaveco
- comodoro snow
- Dix
- Dryon
- GGGG
- Guivi
- InuYasha
- Jaime
- Karaboz Nolm
- Leo Correia
- Lighizin
- MackTron
- MaltataxD
- Marcelo Melo
- Mickail
- Ogami Rei
- Osted
- pablosilva7952
- sopa
- Tio Sonado
- Wheyy
- WilliamRocha
- juanblnk
- kasuma4915
- mattjorgeto
- MegaHex
- Nathan
- Ruiz
- Tiago Tropico
📃 Outras Informações 📃
Apoie a scan para que ela continue lançando conteúdo, comente, divulgue, acesse e leia as obras diretamente em nosso site.
Acessem nosso Discord, receberemos vocês de braços abertos.
Que tal conhecer um pouco mais da staff da Tsun? Clique aqui e tenha acesso às informações da equipe!


Comentários