Quando abri os olhos novamente, percebi que estávamos de volta àquele espaço branco. Não havia horizonte, montanhas, riachos ou qualquer tipo de vegetação. Estávamos em um espaço tridimensional que parecia uma folha de papel de desenho se estendendo ao infinito. Este era o ponto de parada entre os andares, nossa base temporária onde nos preparávamos para a próxima expedição.
Faz um tempo desde que estive aqui.
Embora a paisagem fosse muito desoladora para sentir nostalgia.
Agora que penso nisso, que tipo de área é esta?
A Princesa Caminhante de Miragens passou por nós com passos leves. Quando olhou para trás, ela tinha um sorriso brilhante no rosto.
— Curioso?
— Só chamou minha atenção.
— Este é um dos mundos que a Mamãe criou usando sua Toda a Vida. Wow! Não fui censurada enquanto dizia isso!
A Princesa de repente começou a pular de alegria. Parecia que não ser censurada a deixava muito feliz.
— Escuta! Mula-Gagamia. Gesh-ve-Nail. O sistema de segurança traduz tudo para a língua do reino do Reino da Cidadela se eu disser algo que exceda seu nível de autorização. É incrível!
[A Princesa Caminhante de Miragens envia elogios ao seu nível de autorização.]
A princesa continuou a gritar “incrível” para mostrar o quão excepcional era meu nível de autorização.
— O reino do Reino da Cidadela é o mundo onde a Viscondessa Ametista vive.
“Sim! Todas as línguas são traduzidas na Torre, exceto a falada no Reino da Cidadela. Você disse que foi para aquele reino por causa da penalidade de trauma, certo? Como foi? Você conseguiu entender a língua do reino?”
— Uh, sim. Entendi tudo desde o início…
De repente, uma possibilidade passou pela minha cabeça.
— Naquela hora, eu possuí a Conselheira Rio Eterno. Ela conhecia a língua do reino, então não foi um problema para mim entender o que os outros diziam e responder a eles.
— Entendo. Hmph.
A Princesa se aproximou um pouco mais e olhou para meu rosto. Senti um pouco de desconforto.
— O-O que é? — perguntei.
— De todas as pessoas possíveis, você acabou possuindo a Conselheira Rio Eterno…
— Somos parecidos de alguma forma?
A princesa se endireitou e balançou as mãos.
— Não, de jeito nenhum! Vocês não têm nada em comum. Na verdade, se vocês se encontrarem, se tornarão inimigos em três segundos!
— É tão grave assim?
— Suas personalidades simplesmente não se alinham, mas… sim. — A Princesa acenou a mão no ar. Pétalas brancas voaram do nada e giraram ao redor de suas mãos. — Digamos que existe uma criança inocente em um mundo.
A cena parecia tirada de um conto de fadas. Apenas pétalas brancas dançavam no mundo de papel branco, mas logo se transformaram em um templo que cantava uma canção sagrada da vida.
— Para salvar essa criança, o mundo inteiro precisa ser destruído. Funciona da mesma forma ao contrário. Se você deixar o mundo como está, a criança inevitavelmente morrerá.
— Você extremizou o mundo do Pregador da Felicidade Imortal? — perguntei.
— Sim, sim, você já passou por aquele mundo, mas pôde fazer essa escolha porque tinha o poder de transformar aquele mundo.
Ela estava certa. Se eu não tivesse a Habilidade, teria sido impossível fazer essa escolha.
— Se não tivesse esse poder, você ficaria com essas duas opções. Agora, o que escolheria nessa situação? Você salvaria a criança ou preservaria o mundo?
Hmm.
Cruzei os braços.
— Estou salvando a criança.
— Você respondeu imediatamente. Por quê?
— Bem, se um mundo só pode ser mantido dessa forma, isso significa que não é um bom mundo, então tenho que salvar a criança.
A Princesa riu, mas havia algo peculiar misturado em seu riso – sabedoria.
— Sim, você está certo. Não há muito valor nesse tipo de mundo, e a pessoa que você possuiu pensava a mesma coisa.
— Você quer dizer a Conselheira Rio Eterno?
A Princesa assentiu.
— Ela ama tanto a minha mãe. Bem, acho que é mais próximo de adoração. Hmm, digamos que ela é como uma sacerdotisa que quer ter a deusa só para si.
Ela agarrou meu ombro.
— É melhor você tomar cuidado, Rei da Morte.
Quando olhei para trás, cerca de mil membros do clã estavam olhando para mim.
— Seu clã está recém-formado, então está tudo bem por enquanto. Seu coração está transbordando de fé e confiança. Você sente que será assim para sempre — sussurrou a Princesa. — Mas este grupo se uniu por sua causa. Se você mudar ou desaparecer, eles não têm motivo para continuar sendo uma equipe. Você sabe disso, certo?
A pegada da Princesa no meu ombro se intensificou.
— Os seguidores do Culto do Demônio Celestial não toleram Estelle. Ela massacrou outros sem piedade. O Assassino de Constelações tem matado Constelações por aí, então ele não conseguiria tolerar seu filho, Uburka. Eles viveram vidas diferentes em mundos diferentes. Por natureza, eles não podem se misturar.
Seu sussurro lembrava o sibilar de uma cobra.
— E eles não serão os membros finais do seu clã, serão? Até você tem pessoas que adiou acolher até encontrar o momento certo, não é? E haverá mais pessoas que você quer acolher, certo?
Ela estava certa.
— Mortezinho, à medida que seu clã cresce, maiores discórdias virão. No momento em que você desaparecer ou ficar mesmo que ligeiramente em perigo…
A Princesa juntou as mãos e as abriu.
— Booooom.
Ela riu como se estivesse se divertindo.
— Escalar a Torre? Ajudar os fracos? Criar um mundo onde todos possam carregar suas próprias feridas para que ninguém seja forçado a se sacrificar? Isso é nobre, mas, Mortezinho, se você morrer ou se machucar gravemente, esses objetivos não significam nada para seus seguidores. Todos dirão “foda-se os outros mundos” e lutarão para reverter o que aconteceu com você. Suas balanças estarão tão quebradas que um mundo nunca terá o mesmo peso que você.
[A Princesa Caminhante de Miragens dá a você um aviso sério.]
— Não morra, Rei da Morte. Não fique doente, não seja sequestrado e não seja torturado. Não se sacrifique em vão. O sangue que você derramar tingirá os corações de seus filhos de um vermelho ainda mais intenso.
O sorriso da Princesa era frívolo à primeira vista. No entanto, sua voz era reverente enquanto ela me dava uma profecia em um templo fabricado de um mundo branco.
— Seja feliz. Só quando você estiver feliz, os outros membros do clã também estarão. Se esforce o máximo possível para ser o mais feliz que puder. Não seja apenas emocionalmente feliz. Entenda por que você e seu clã estão fazendo isso e quão grandioso será quando tiverem sucesso. É assim que você deve estar feliz.
— Entendi.
— Hmm. Sua resposta foi muito rápida desta vez também. Tem certeza de que entendeu?
Apertei meus punhos.
— Quando outras pessoas estão felizes, isso também me faz feliz. Enquanto eu lutar pelos outros, continuarei avançando. Se for assim, nunca haverá um dia em que eu pare de estar feliz.
A Princesa sorriu e girou no lugar para segurar minhas mãos.
— Por favor, salve a Mamãe.
A luz se espalhou brilhantemente pelas frestas entre nossas mãos. O tremor que senti delaa me fez congelar. Ela sempre sorria despreocupadamente, então vê-la tão abalada não combinava com ela.
— Princesa?
— Por favor… Por favor — implorou a filha da deusa com olhos lacrimejantes. — Salve minha mãe… Há tantas pessoas infelizes, e todas elas culpam a Mamãe. Ela tem que assumir responsabilidade por muitas pessoas e toda a dor delas.
— Princesa.
— Já são tantas, mas a cada segundo que passa, o número aumenta.
Eu esperava por isso. Pensei nos mundos pelos quais viajei antes de chegar aqui, imaginando quantos dos plebeus que morreram em vão durante o ataque do Rei Demônio no mundo do Império Aegim eram a mestra da Torre. Pensei em quantos dos jiangshi sem nome que morreram de fome no murim da Mestra eram a mestra da Torre. E no mundo do Pregador da Felicidade Imortal?
No império dos caracóis do Inquisitor, havia muitas espécies discriminadas e abusadas até a morte. Quantas delas eram a mestra da Torre? Quantas das pessoas na Terra, onde eu vivia…
— Por favor.
A filha de uma deusa sofredora chorava por causa de sua mãe.
— Por favor, por favor.
[O trigésimo sexto andar foi aberto.]
[Que a sorte esteja com os guerreiros que escalam a Torre.]
Acariciei o ombro da pequena princesa.
— Tudo bem. Vou salvá-la.
O centésimo andar da Torre ainda estava muito longe. Quando eu o alcançasse, certamente poderia fazer algo sobre esse pedido.
— Pode ser difícil, mas aguente.
Se a deusa salvasse o universo, o resto de nós poderia salvar a deusa. Era um plano simples, claro e perfeitamente bom.
— Somos fortes.
[Vocês serão teleportados imediatamente para o trigésimo sexto andar!]
Acariciei o ombro da Princesa, que ainda estava chorando, antes de olhar diretamente à frente. A luz se infiltrava do outro lado do papel infinito em uma explosão silenciosa. O tsunami feito de branco engoliu a mim, Kim Yul, Sylvia Evanail e o resto dos membros do meu clã de uma vez.
Pouco antes de desaparecer, sorri para a Princesa que permaneceria sozinha.

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Estávamos flutuando acima das planícies. Não era a primeira vez que flutuava como um fantasma, mas era realmente diferente fazer isso com todos os membros do meu clã ao meu redor.
Qualquer um que veja isso pensará que o mundo está acabando.
Olhei ao redor. Logo, grupos tão grandes quanto o nosso entraram em vista. Soldados de ambos os lados de uma vasta planície estavam lutando, cada um carregando uma bandeira diferente.
— Oooooh! Matem eles!
— Não deixem eles te empurrarem! Matem! Matem todos!
De um lado estava o exército dos Skians, a espécie liderada pelo Viper, o Caçador Rank 6. Os Skians eram maiores que outras espécies, tinham chifres brotando de suas cabeças, usavam armaduras folgadas e manejavam espadas grandes tão grandes quanto eles mesmos.
Do outro lado estava o exército dos Terras, a espécie que eu liderava. Fazia um tempo desde que os vi pela última vez. Além do fato de que chifres não cresciam em suas testas, eles não eram muito diferentes dos Skians.
— Yeeeeaaaah!
— Espinhos malditos! Vamos decidir quem morre aqui hoje!
— Arqueiros! Fogo!
— Não abaixem a guarda! Usem os corpos dos inimigos como escudos para resistir às flechas!
O campo de batalha era cruel. Cerca de vinte mil pessoas foram mortas. Por um momento, meu coração afundou.
Quantos deles viveram vidas injustas? E quantos…
Quando pensei nisso, a cena me deixou tonto, mas recuperei a compostura. Fiquei lá, enfrentando tudo sem ser influenciado por emoções ou desviar o olhar. Como resultado, consegui ver algo interessante.
— Nyahahahaha!
Na linha de frente do exército Skian, uma espadachim corria por aí, seus cabelos vermelhos balançando ao vento. Ela segurava duas espadas e usava algum tipo de túnica. Sua vivacidade chamava a atenção de todos.
— Oooh! É a Espada Dançante!
— Acho que sim, oi…!
Os Skians que comemoravam lembravam marinheiros rudes típicos, mas essa Espada Dançante… Era como se ela fosse um personagem de quadrinhos desenhado em um estilo diferente. Mas o maior problema era…
Uburka cutucou meu ombro.
— Papaizinho.
— Sim.
— Será que poderia ser…
Evitei o contato visual. Fazia pouco tempo que decidi enfrentar tudo e não ignorar, mas ainda assim me vi querendo desviar o olhar nessa situação. No entanto, Kim Yul, ao meu lado, era impiedoso. Ele murmurou:
— Aquela está possuída.
— Não diga isso…
— Talvez porque eu seja como um fantasma agora, mas posso ver a imagem de um homem de meia-idade possuindo aquela mulher correndo solta no campo de batalha.
— Uuuuuuuugh! Não diga isso!
Ele estava certo! Eu podia ver a imagem tênue do Viper naquela espadachim Skian correndo pelo campo de batalha! Em outras palavras, a mulher era, na verdade, o Viper!
Sylvia puxou minha manga.
— Patriarca.
— O quê?
— Ela… não é a única…
— Ela… não é?
— Lá. Não, não desvie o olhar. Olhe lá. Sim, beeeeem ali.
Sylvia agarrou minha cabeça e me forçou a olhar na direção das linhas de frente do exército Skian.
— Oi, oi, isso não me deixa escolha. Tenho que intervir.
Ajustando suas luvas, um garoto Skian, muito mais esguio que os outros Skians, saiu segurando duas espadas. Eu também podia ver o Viper nele.
— Hahaha! De fato, de fato. É hora de entrarmos em ação!
Uma garota com rabo de cavalo, ainda mais pequena que os outros Skians, saiu, segurando duas espadas. Seu tom era como o de um protagonista de uma novel. Claro, essa também era o Viper.
— Phew… É por isso que estamos aqui, não é?
Um jovem Skian saiu, segurando uma foice por algum motivo. Sua aparência era tão afiada que parecia que sua mandíbula poderia cortar um bolo. Obviamente, ele também era o Viper.
— Hmm.
Sete Skians diferentes apareceram de todas as direções.
— Nós, os Sete Heróis Skians, cuidaremos desta batalha — disseram em uníssono.
Possessão de Pessoas
Classe: SSS
Efeito: Você pode possuir o personagem de sua escolha. Se esse personagem morrer, você retorna à sua forma espiritual.
Custo: Não está à venda (Esta é uma recompensa especial.)
※ Você só pode possuir uma pessoa dentro de um minuto após a morte.
Não tive escolha a não ser gritar:
— Que caralhos você está fazendo, Sr?
Tradução: Rlc
Revisão: Pride
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