Sylvia cerrou os punhos.
— O que você quer dizer com lidar com isso?
Raviel respondeu calmamente:
— Aqui está um resumo dos nossos problemas: Eu te machuquei. Pedi desculpas na tentativa de aliviar a ferida, mas é difícil curá-la com apenas um pedido de desculpas. Mesmo agora, sua ferida provavelmente ainda não cicatrizou.
— Bem, quando você coloca dessa forma, faz eu parecer muito mesquinha. Tá bom, e então?
Raviel levantou três dedos.
— Temos três opções. A primeira é eu sofrer até que você possa se livrar da sua ferida.
Eu cerrei os punhos. Raviel olhou para mim antes de voltar a olhar para Sylvia.
— Mas isso não pode ser feito. Meu sofrimento não envolve apenas a mim. Ele derruba muitas coisas que dependem de mim. No passado, era o bem-estar do império, e agora, a felicidade do meu esposo foi adicionada à lista. É por isso que simplesmente não posso conceder isso. Mais do que tudo, seu mordomo já provou, ao dar tudo de si, que você não pode se tornar feliz dessa maneira.
Sylvia olhou para o chão. A história sobre seu mordomo sempre permaneceria dentro dela como uma dívida que ela nunca poderia pagar.
Raviel dobrou um de seus dedos levantados.
— A segunda opção é te destruir fisicamente.
Sylvia estremeceu e levantou a cabeça. A Lírio Prateada olhou para Sylvia, seus olhos vermelhos parecendo capazes de perfurar até mesmo a escuridão.
— Em circunstâncias normais, eu escolheria essa opção sem hesitar. Meu esposo me contou sobre uma deusa que disse que o assassinato é a suprema incompetência, e eu concordo completamente com ela. O assassinato não é prova de competência. Ele é simplesmente escolhido quando não há outra opção à vista.
“Mas eu não sou uma deusa onipotente ou um ser transcendental onisciente. Sou uma pessoa com limites. Na verdade, sou apenas uma besta bípede ligeiramente inteligente que não pode sobreviver sem pão e água. Ainda assim, mesmo com esses limites, devo proteger o que tenho. É por isso que não tenho escolha senão eliminar fisicamente tudo o que ameaça ou tem o potencial de ameaçar minha segurança.”
A disposição de Raviel em reconhecer seus limites envolveu sua voz com uma dignidade humana.
Sylvia rangeu os dentes.
— Então, você está dizendo que vai se livrar de mim? Ou está dizendo que não pode permitir que uma pessoa como eu tenha um corpo físico adequado, então pretende me manter acorrentada para servir na legião?
— Ambas estão corretas, mas não escolherei nenhuma delas agora — respondeu Raviel. Ela dobrou outro dedo, deixando apenas o dedo indicador levantado. — A terceira opção é aceitar seu coração. Em outras palavras, posso te aceitar como minha concubina.
Sylvia lançou um olhar questionador.
O silêncio caiu. Ja Su-Jeong sorveu seu chá de cevada, o barulho cortando a quietude da noite. Até mesmo os seguidores do Culto do Demônio Celestial escondidos nas sombras das paredes prenderam a respiração.
O Guardião soltou uma exclamação.
— Wow!
A lenda das lendas que conquistou o nonagésimo nono andar da Torre parecia estar contemplando algo verdadeiramente profundo.
— Zumbi, preciso de pipoca. Certifique-se de pegar a com caramelo, não a simples. Na minha opinião, a pipoca tem o melhor sabor quando é coberta com um caramelo moderadamente marrom. Como posso dizer? É ainda mais especial porque parece que estou mordendo uma cárie. Enfim, estou falando demais.
Suas palavras não eram muito profundas. Eu preferiria que ele ficasse quieto por agora.
Finalmente, alguém quebrou o silêncio. Era difícil ver na escuridão, mas eu tinha certeza de que os lábios de Sylvia tremiam tanto quanto sua voz quando ela perguntou:
— Q-Que porra você está dizendo? Concubina? Concubina? C-Como você ousa! Eu sou Sylvia Evanail. Sua Alteza, o Príncipe Herdeiro, jurou para mim que me tornaria sua princesa herdeira, e você está me pedindo para me tornar uma concubina? Sério?!
— Sério.
— Besteira! Besteira, besteira, besteira! Que porra você está falando? V-Você realmente acha que isso faz sentido? O que caralhos se passa na sua cabeça…
— Hmm. É realmente uma besteira — concordou Raviel.
Porque ela concordou, meu coração, que havia afundado em um abismo sem fundo, lentamente ascendeu do meu estômago e voltou ao seu lugar de direito.
— Há duas razões pelas quais isso é uma besteira — disse Raviel, levantando dois dedos novamente. — Primeiro, isso não é algo que eu possa decidir sozinha. Minha imagem social, meu status, as reações das outras pessoas… Todas essas questões seculares podem ser resolvidas, mas, primeiro, um acordo deve ser alcançado entre Gong-Ja e eu. O fato de que esse acordo não foi feito torna essa solução uma besteira.
Eu respirei aliviado. Meu coração agora estava tranquilo.
Sylvia gritou:
— Não, não é isso! E a minha opinião? Isso deveria ser o primeiro pré-requisito…
Raviel dobrou um dedo.
— Dois. Você realmente me ama?
Sylvia fechou a boca.
— É possível que você não estivesse apenas admirando sua ídolo, mas amando? Você não sentiu o desejo de possuir algo que não podia ter, ou presumiu que não podia ter?
Um longo silêncio seguiu.
Raviel colocou a xícara de chá na mesa. Ja Su-Jeong pegou a bandeja, pegou o restante das xícaras e desapareceu dentro do hanok.
— Eu amo Kim Gong-Ja. Amo tudo nele. Nunca pensei que esse tipo de amor fosse possível. Teria sido impossível para as inúmeras pessoas que viveram e morreram até agora, mas um milagre foi concedido a mim, permitindo que eu o encontrasse.
Raviel soava calma, como se estivesse apenas declarando a verdade.
— Tudo é perfeito. O som da sua respiração, o espaço vazio na minha cama que ele deixa ao amanhecer, seu calor… Eu me sinto feliz com cada traço que meu amor deixa para trás. Eu o entendo, e ele me entende. Vivemos na mesma linha do tempo. — Ela olhou de volta para Sylvia. — Portanto, não posso aceitar nada além desse tipo de amor como amor. Você me ama tanto assim?
Sylvia abaixou a cabeça, incapaz de encontrar uma resposta adequada ou simplesmente escolhendo não responder. Ela queria evitar dizer qualquer coisa.
— Você sabe agora que não me ama. É por isso que eu não posso te amar.
Correto. Era isso. Inúmeras coincidências e quantidades imensuráveis de sangue foram necessárias para que Raviel e eu nos amássemos. A razão pela qual nosso amor era forte era simplesmente porque não foi fácil de alcançar em primeiro lugar. Nosso amor era difícil. Se tornou realidade apenas por causa de quem éramos.
A escuridão se acumulava atrás das franjas caídas de Sylvia. Ela manteve a cabeça baixa enquanto perguntava:
— Então, o quê? O que você está dizendo que devemos fazer?
Ela tremia. Seus dentes cerrados começaram a ficar vermelhos por causa do sangue escorrendo de suas gengivas.
— Você não vai me deixar te destruir, não vai me matar, não vai me amar… O que resta então? Tudo o que você me deu foi um pedido de desculpas, dizendo que não é perfeita. Ah, o que devo fazer com isso? Me diga, o que devo fazer?
— Quero deixar essa escolha para você — disse Raviel, olhando para mim. — Gong-Ja.
— Sim, Raviel.
— Se você der a Sylvia um corpo físico usando sua Habilidade Crânio do Dragão de Ossos Terrestres, ela ficará muito mais livre do que quando fazia parte da sua legião?
Eu entendi a intenção da sua pergunta, então assenti.
— Sim, ela será livre.
— Essa liberdade é equivalente à que ela desfrutava enquanto viva?
— Sim, é.
— O suficiente para perseguir o que ela deseja?
— Sim.
Raviel assentiu antes de olhar de volta para Sylvia.
— Persiga o que deseja, Sylvia Evanail. Quer me destruir? Você quase conseguiu uma vez. Tente novamente. Mas, para fazer isso, você terá que ser mais forte do que eu e meu esposo. Você também terá que ser capaz de desconsiderar completamente o mordomo que se sacrificou por você.
A respiração ofegante de Taça Dourada parou.
Raviel acrescentou:
— Quer morrer e desaparecer? Ou quer me matar? Tente. Mas não tenho intenção de cair sem lutar. Resistirei com tudo o que tenho, e vencerei. Você terá que fazer melhor do que da última vez que tentou me destruir. Ou quer que eu te ame? Talvez você queira se tornar minha ídolo, como eu fui para você no passado. Isso também depende dos seus esforços. Talvez você até consiga realizar esse sonho.
Raviel olhou diretamente para Taça Dourada enquanto falava. As duas travaram olhares.
— De qualquer forma, Sylvia Evanail, eu te reconheço como minha oponente, alguém que se opõe a mim em tudo, assim como um ser humano igual.
Desde o início, isso poderia ser exatamente o que cada mundo precisava.
— Então, eu te pergunto, Sylvia Evanail, você me reconhece como outro ser humano? — perguntou Raviel em uma voz calma.
Silêncio.
Sylvia olhou para Raviel sem expressão. Além do céu escuro, a lua branca brilhava. Com as costas contra o luar, Raviel parecia muito solene.
Depois de sabe-se lá quanto tempo, Taça Dourada finalmente quebrou seu silêncio. Tanto calor havia se acumulado em seu peito que, mesmo quando abriu a boca, nada além de respirações quentes e fumegantes saía. Malícia sangrenta, raiva, vergonha, auto-recriminação, ressentimento – todas essas emoções vazavam junto com suas respirações.
— É… — Sylvia estava praticamente vomitando palavras para o mundo. — É difícil para mim.
Ela cerrou os dentes com tanta força que suas gengivas sangraram. Doía, mas seus olhos nunca vacilaram.
— Não olhar para vocês dois, não desprezar vocês… Aceitar como outros seres humanos… Eu quero fazer isso comigo mesma, mas fazer isso com os outros é…
Sua voz lembrava duas páginas coladas que alguém tentava desesperadamente separar.
— Então é assim que é. Você pediu desculpas para mim, mas eu não posso fazer o mesmo. Não posso te perdoar. — Sylvia cobriu o rosto com as mãos. — Sei o quão vergonhoso é dizer isso. Sei que o que fiz com você foi muito, muito, muito pior. Mesmo sabendo disso…
Independentemente do poder físico ou da autoridade social, a pessoa que perdoava sempre seria mais forte do que a perdoada. Sylvia não era tão forte. Portanto, não podia perdoar Raviel.
Tremendo, Sylvia respirou fundo e mal conseguiu dizer:
— Então, por agora, quero tentar. Como sou uma idiota, não sei quanto tempo levará para perdoar vocês e aceitá-los como seres humanos, mas vou tentar fazer isso acontecer. Porque isso é…
Sylvia engoliu suas palavras. Ela poderia ter segurado até que fossem digeridas e desaparecessem, mas, com a cabeça baixa, acrescentou:
— Me tornar esse tipo de pessoa que meu mordomo queria.
Lágrimas brotaram em seus olhos. Soluços seguiram seus fungados.
— Primeiro, vou tentar me tornar alguém com quem ele não ficaria envergonhado. Será difícil, mas eu…
Essa era a manifestação de sua vontade de viver. Como eu tinha o poder de distribuir vida, disse alegremente:
— Bom. Então tente viver, Sylvia Evanail. Viva a vida que deseja e prove do que é capaz. Estarei com você.
A carta dourada que segurava em minha mão brilhou. Coloquei sua vontade no Crânio do Dragão de Ossos Terrestres.
[Ativando a Habilidade!]
Tradução: Rlc
Revisão: Pride
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