
DIZIA-SE que o Deus da Espada Gino Britz foi o Deus da Espada mais fraco que já existiu. Ele nunca deixou o Santuário da Espada, nem havia contos dele derrotando inimigos poderosos. De todos os Deuses da Espada, seu nome era o mais obscuro, e as gerações futuras diriam que ele só conquistou o título graças ao envelhecimento da velha guarda. Poucos se esforçaram para descobrir a verdade sobre se ele era realmente o mais fraco, mas uma coisa era inquestionável: de todos os Deuses da Espada da história, ele foi o que viveu mais tempo.
Gino Britz nasceu no Santuário da Espada. Seu pai era um Imperador da Espada, e sua mãe era a irmã mais nova do Deus da Espada. Sua primeira memória era do treino de espada quando tinha três anos, segurando uma espada de treino de madeira infantil enquanto seu pai o ensinava a brandi-la. Essa memória foi o modelo para o resto de sua infância, que foi dominada pela espada. Depois de acordar, ele corria, depois praticava seus golpes; depois do café da manhã, ele tinha treino; depois do almoço, ele tinha mais treino; depois que o sol se punha, ele encaixava uma pequena pausa antes do jantar, e depois fazia seus golpes de espada novamente antes de dormir. Essa era sua vida.
Gino, na verdade, não gostava muito de lutar com espadas. Ele mantinha seu treino mais porque seus pais o obrigavam. Ele nunca disse a si mesmo: “Eu quero isso.”
Quando era pequeno, isso não importava. Todos ao seu redor eram lutadores de espada ou já haviam sido. Todas as outras crianças faziam isso, e sempre que ele aprendia uma nova técnica, sua mãe e seu pai ficavam orgulhosos dele. Até o velho aposentado que morava por perto chamava Gino de bom menino quando ele passava correndo carregando sua espada de treino. Ele não tinha motivos para questionar; a espada era a vida.
À medida que avançava em idade e em posto, as coisas começaram a mudar. Seu pai, Imperador da Espada, ficava feliz apenas em ver uma espada em sua mão quando ele era criança, mas assim que Gino atingiu o nível avançado, ele se tornou mais rigoroso, dizendo: “Quando você brandir sua espada, deve tentar superar seu oponente” e “Você ainda é fraco. Pode ter um pouco de talento, mas não fique convencido.” Ele treinou Gino mais arduamente do que nunca.
No início, os adultos no salão de treinamento onde ele nasceu e foi criado o tratavam com carinho, mas Gino avançou firmemente primeiro para o nível intermediário, e depois para o avançado. À medida que perdiam para ele em duelos, começaram a olhá-lo com aversão explícita. Por volta dessa época, Gino parou de gostar do trabalho com a espada.
Não era como se ele quisesse fazer outra coisa da vida. Uma criança de outro país poderia ter dito que queria se tornar um aventureiro, mas a ideia de “sair de casa” nunca lhe ocorreu, porque seus pais nunca lhe ensinaram que tal coisa era possível. Não havia necessidade.
O mundo inteiro fora do Santuário da Espada era um lugar que Gino não conhecia – e assim, ele continuou com a espada.
Nina, a filha do Deus da Espada, cresceu ao seu lado e era sua única amiga. No Santuário da Espada, ninguém abaixo do nível Santo tinha permissão para entrar no salão de treinamento principal. Todas as outras pessoas, incluindo crianças, treinavam em um local próximo de casa. Nina não era exceção, apesar de sua ascendência, então ela treinava ao lado de Gino. Ela não era a única outra criança da idade dele, mas era a única cuja habilidade com a espada se igualava à sua. Os dois falavam a mesma língua, e toda conversa era sobre luta de espadas. Apesar da ambivalência de Gino sobre o trabalho com a espada, ele era mais ou menos um gênio. Mesmo quando criança, ele tinha teorias de batalha um tanto extravagantes, e Nina era a única entre seus pares que conseguia acompanhá-lo.
Nina era a líder entre as crianças, reunindo-as e governando-as. Isso não significava apenas as crianças no mesmo salão de treinamento, mas todas aquelas em todos os salões de treinamento por todo o Santuário da Espada. A habilidade com a espada era a medida que as crianças do Santuário da Espada usavam para julgar tudo, e ela era a mais forte de todas. Nina, em parte graças ao pai, tinha a capacidade de respaldar sua autoridade.
Em seu tempo livre, quando não estava treinando habilidades com a espada, ela organizava as outras crianças em uma organização secreta sem adultos. Gino também era membro, e acabou sendo o tenente de Nina, em parte porque era o segundo mais forte, mas também porque ele e Nina se entendiam melhor.
Nina e Gino pareciam ver a luta de espadas de uma maneira diferente dos outros. Por exemplo, nenhuma das outras crianças sob o comando de Nina jamais avançou além do posto de Santo da Espada. A organização de Nina durou cerca de cinco anos, mas se desfez quando ela se tornou uma Santa da Espada na mesma época que Gino. Eles estavam entre os mais jovens da história a fazê-lo. Gino era excepcionalmente jovem – apenas doze anos.
Quando aconteceu, as pessoas ficaram chocadas. “Ele é o mais jovem?!”, exclamaram, e sua mãe e seu pai o elogiaram até os céus – mas Gino não se sentiu realmente feliz com isso. Fazer o que lhe mandavam não parecia uma grande conquista. Além disso, Nina, que era quatro anos mais velha, era mais forte que ele.
Quando Nina e Gino se tornaram Santos da Espada, eles foram autorizados a praticar no salão de treinamento principal. Mesmo assim, nada realmente mudou. Seu treinamento de espada continuou, dia após dia.
Assim como antes, ele e Nina sempre praticavam juntos porque eram próximos em idade e habilidade. Como sempre, Nina o tratava como seu subordinado, arrastando-o para todos os lugares com ela. Nina ainda era a líder, mesmo que o grupo ao seu redor agora fosse composto por espadachins mais velhas. A única coisa que mudou foi a distância de seu novo salão de treinamento de sua casa.
Na verdade, havia outra coisa. Ele também tinha mais oportunidades de aprender com o pai de Nina, o Deus da Espada Gall Falion.
O pai de Gino estava sempre dizendo coisas como “Empunhe sua espada para ser forte” na mesa de jantar. O que Gall disse a Gino foi o oposto total do que seu pai havia dito. A essência do que Gall disse foi “Empunhe sua espada por si mesmo.”
Gino conseguia entender mais ou menos a diferença de filosofia ali, mas não tinha certeza dos detalhes, nem de qual estava certa. Nenhuma delas o convenceu. O que quer que ele escolhesse, contanto que fizesse seu treino designado, ninguém ficava bravo com ele, e contanto que não perdesse muitos dos duelos simulados ocasionais, ninguém o incomodava. Ele não vencia os duelos simulados com tanta frequência agora que se mudara para o salão de treinamento principal, mas estava enfrentando adultos mais de uma década mais velhos. Ninguém o culpava por perder um duelo aqui e ali. Houve mudanças, mas na maior parte, parecia a Gino que tudo estava igual.
Isso mudou no dia em que ela chegou: Eris Greyrat.
Eris não perdeu tempo em fazer uma estreia espetacular. Ela derrotou Gino e Nina antes que eles soubessem o que os atingiu, deixando todos os presentes atônitos. Foi uma derrota esmagadora.
Isso por si só não pareceu uma grande mudança para Gino; perder era uma ocorrência cotidiana. Seus pares reverenciavam seu gênio, mas ele perdia para Nina o tempo todo. Ele nunca fora pego de surpresa daquele jeito antes, mas terminaria de forma semelhante se cruzasse espadas com seu pai ou com o Deus da Espada, então não pareceu pior do que isso. Ele não estava totalmente sem sentimentos amargos, mas eles desapareceram rapidamente naquela noite, quando o Deus da Espada lhe disse secamente: “Você é muito verde”, e seu pai o repreendeu. Ele aprendeu que Eris fez exatamente o que deveria ao vencê-lo.
Ainda assim, ele pensou: Eles não veriam com bons olhos eu a imitando no salão de treinamento, então é melhor não.
Foi Nina quem realmente mudou. Ao contrário de Gino, seu rosto machucado ficou vermelho de mortificação, e ela não disse mais uma palavra naquele dia. Quando Gino foi para casa depois de terminar seu treino no salão, ele a encontrou escondida e chorando enquanto brandia sua espada, murmurando a mesma coisa repetidamente: “Você vai pagar, você vai pagar, você vai pagar…“
Gino teve medo de interrompê-la. A experiência de perder para alguém da idade deles era nova para Nina. Pior ainda, ela não perdera com uma espada comum. Ele ouvira dizer que eles lutaram com espadas de treino de madeira com núcleos de ferro. Não foi nem mesmo uma derrota graciosa. Eris a derrubou, pulou em cima dela e a espancou com os dois punhos até que Nina se urinou de medo e dor. Nenhuma derrota poderia ter sido mais humilhante, e Nina nunca experimentara nada parecido.
Depois disso, o ataque de Nina a Eris começou. No início, ela conspirou com as outras espadachins para evitar Eris, mas isso se mostrou mal sucedido, pois Eris não se importava em estar perto delas. Ela queria ser forte e não se importava nem um pouco com a dinâmica interna do Santuário da Espada.
Nina, incapaz de chamar a atenção de Eris, ficava mais frustrada a cada dia. Ela nunca perdia uma chance de falar mal de Eris publicamente, e às vezes até reclamava dela para Gino. Ele não gostava muito dessa nova Nina. Na época em que ela era a líder deles, era mais honesta e direta. Ela não evitaria alguém só porque não gostava. Mesmo Gino, que conhecia Nina há anos e anos, começou a achá-la insuportável.
Então, um dia, sem dizer uma palavra a ninguém, Nina desapareceu de repente. Embora, ninguém estivesse preocupado com ela. Ela quase nunca saíra do Santuário da Espada e não sabia nada sobre o mundo, mas era uma Santa da Espada. Talvez, diziam as pessoas, Eris tivesse despertado nela o desejo de partir em uma jornada para crescer como guerreira. Em vez de se preocuparem, muitos ficaram impressionados.
— Pergunto-me se não está na hora de você ir dar uma olhada no mundo lá fora — disse o pai de Gino a ele. — Matar um ou dois dragões vermelhos pode tirar essa cara de bobo do seu rosto.
Talvez eu vá, pensou Gino, mas na verdade não o fez.
Ele nunca vira o mundo exterior antes, e não o interessava especialmente. Além disso, ele estava um pouco com medo. A maioria dos adultos no Santuário da Espada sabia algo sobre aquele “mundo exterior”, mas seu conhecimento se estendia apenas aos países vizinhos ou aos quais viveram. Era raro que alguém realmente viajasse pelo mundo. Às vezes, essas pessoas contavam a Gino suas histórias, mas na maioria das vezes apenas se gabavam – haviam derrotado tal e tal oponente em tal e tal lugar.
Havia apenas uma que não apenas não se gabava, mas lhe contava sobre seus fracassos. Era a Rei da Espada Ghislaine Dedoldia. Ela viajou o mundo como aventureira, contou-lhe, mas quase foi morta muitas vezes por sua própria estupidez.
— Mesmo o maior mestre da espada pode ser morto. Se você não sabe magia ou aritmética, ou pelo menos suas letras, estará morto antes que perceba. — Ghislaine disse isso com um olhar de extrema solenidade, então Gino acreditou nela.
Como as outras crianças no Santuário da Espada, Gino não sabia ler, nem fazer aritmética ou magia. Ele não sentia interesse em aprendê-los; apenas terror de que, com sua espada apenas, ele não teria chance. Ele não tinha desejo de se aventurar longe.
Os dias se passaram, e Gino não foi atrás de Nina. Então, dois meses depois, ela voltou.
Gino lhe perguntou o que aconteceu em sua jornada, mas Nina não lhe contou nada. No entanto, algo deve ter acontecido, porque voltou diferente. Ela parou de assediar Eris e se tornou ainda mais dedicada à sua espada. Sua atitude arrogante desapareceu, e ela parou quase que inteiramente de passar tempo com as outras espadachins.
Nina também começou a passar quase todo o seu tempo livre em treinamento intensivo – se é que se pode chamar assim. Ela simulou infinitas lutas com Gino. Ela o pressionou, como se fosse sua chefe. Eles cruzaram espadas repetidamente, mal falando uma palavra um com o outro, apenas lutando.
As coisas continuaram assim por algum tempo, e foi durante este período que Gino começou a desenvolver sentimentos por Nina.
Muitos anos se passaram antes que ele percebesse que estava apaixonado. Muita coisa aconteceu nesse meio tempo. O Imperador do Norte Auber veio até eles, assim como a Deusa da Água Reida. Nada disso interessava a Gino. Nina, por outro lado, era diferente. Depois que Eris acendeu aquela faísca nela, ela rapidamente se tornou mais forte. Gino, como seu parceiro para seu treinamento intensivo, não pôde deixar de ficar mais forte também.
Eventualmente, ele achou impossível competir com ela. Ela geralmente o vencia antes, mas o número de vitórias que ele conseguia agora despencou. Lentamente, uma lacuna enorme se abriu entre eles. Isso por si só não incomodou Gino – perder para Nina era fácil. Passar de vencer uma luta em cinco para uma luta em dez não era uma mudança tão grande.
Era engraçado, no entanto. Ele sentia que ela o deixara para trás.
Então, um dia, Eris, Nina e Gino foram convocados pelo Deus da Espada Gall Falion. Ele lhes fez a pergunta sobre o que diferenciava um Santo da Espada, um Rei da Espada e um Imperador da Espada, e depois os fez dar suas respostas. Gino não tinha a menor ideia. Nina, por outro lado, deu uma resposta cuidadosamente considerada. Eris, quando lhe disseram que sua resposta estava errada, insistiu que estava certa. O Deus da Espada aceitou isso e fez Nina e Eris lutarem. Quem vencesse, ele declarou, seria feito um Rei da Espada.
A batalha foi para Eris.
Enquanto Nina soluçava, Eris foi feita uma Rei da Espada. Gino sentiu algo estranho enquanto a observava chorar. Antes que percebesse, seus punhos estavam cerrados e sua boca se contraiu em uma linha fina. Ele não reconheceu essa emoção. Não sabia por que a estava sentindo. Nervosismo? Decepção? Ele se perguntou por que não era ele ali. Por que ele nem sequer recebera o direito de lutar contra as outras duas? O que aconteceria com ele se continuasse assim?
Gino não sabia o que fazer com esses novos sentimentos, mas percebeu algo. Quando ouviu o Deus da Espada Gall perguntar a Nina: “Se eu te dissesse que você tem que escolher entre se casar com Gino e se tornar um Rei da Espada, qual você escolheria?”, Gino sentiu seu rosto esquentar – não havia nada que ele pudesse dizer em negação.
Ele se apaixonou por ela.
Gino ficou um pouco diferente depois disso. Ele não começou a agir como um homem novo, e continuou a fazer o treino que seu pai e o Deus da Espada lhe designaram, bem como o treinamento intensivo com Nina. Por fora, a partida de Eris do Santuário da Espada não mudou nada para ele. Suas lutas com Nina se tornaram mais avançadas, mas foi só isso. A mudança foi interna; como ele pensava sobre essas coisas era novo. Se tornou muito mais motivado e considerou seriamente o objetivo de seu treino regular, bem como cada técnica individual, e começou a experimentar.
Os resultados foram dramáticos. Em pouco tempo, ele estava em pé de igualdade com Nina. Isso não foi surpreendente. Gino sempre tivera um dom, e seus treinos diários lhe deram uma base forte. Nina também mudou. Depois que Eris partiu do Santuário da Espada, Nina, agora uma Rei da Espada, começou a frequentar as aldeias e cidades vizinhas. Em vez de simplesmente melhorar suas próprias habilidades com a espada, ela se dedicou a caçar monstros e a ensinar nos salões de treinamento das cidades maiores.
Gino, enquanto isso, ficou trancado no Santuário da Espada. O mundo exterior não o assustava mais, mas ainda não tinha interesse em sair. Ele não saberia dizer por quê. Ele precisava de um motivo para ficar quando não havia motivo para sair? Quando Nina não estava por perto, ele se dedicava à prática, às vezes treinando com seu pai, o Imperador da Espada.
Apesar de seu crescente interesse em treinar, ele não era páreo para seu pai. O Deus da Espada Gall lhe disse que ele seria reconhecido como um Rei da Espada em breve, mas foi só isso. Em termos de técnica, ele já alcançou seu pai – o mesmo valia para Nina, e provavelmente para Eris e Ghislaine, que também eram reis da espada – mas não conseguia vencê-los. Faltava-lhe algum passo final, ele sabia.
Embora soubesse o que precisava fazer para vencer, ele não agiu. Por mais que se tornasse mais proativo, ele ainda relutava em se jogar em situações desagradáveis.
Ele tentou se colocar em tais situações no passado, mas toda vez, pensava: Por que isso é importante o suficiente para sofrer?
Nenhuma resposta jamais se ofereceu.
Durante esse tempo, Nina, que foi ver a coroação no Reino de Asura, voltou para o Santuário da Espada.
— Ei, Gino — disse ela. — O que você acha de nos casarmos?
Sem pensar muito, Gino aceitou. Ele apenas tivera a sensação de que isso aconteceria um dia. Afinal, ele tinha sentimentos por Nina, e nunca houvera nenhum sinal de que ela estivesse envolvida com outro homem.
Com sua impetuosidade usual, Nina o levou de volta para seu quarto, onde eles imediatamente foram para a cama. Foi a primeira vez para ambos, então a experiência deixou muito a desejar, mas eles eram compatíveis o suficiente para se manterem ocupados a noite toda.
Em um torpor de prazer vertiginoso, Gino pensou: Quero mais disso.
Essa pode ter sido a primeira vez que ele quis algo com tanta intensidade.
No dia seguinte, Gino levou Nina consigo para ver o Deus da Espada. Ele levou Nina, não o contrário. Era uma ocorrência rara Gino tomar a iniciativa assim, mas ele queria se casar com ela.
— Não — disse o Deus da Espada imediatamente.
O Deus da Espada nunca interferiu na criação de sua filha antes, mas aqui, pela primeira vez, ele disse não. A razão era simples para ele: Gino não tinha qualidades atraentes. Nem um pingo de independência, espírito aventureiro ou ambição. Ele era um capacho que fazia o que lhe mandavam. O Deus da Espada não sabia que eles já haviam passado a noite juntos, mas imaginou que foi Nina quem levantou a ideia de casamento também. Gino não tinha desejos próprios, nada pelo que se esforçasse – e ele “queria” se casar? Absurdo.
Ainda assim, ocorreu a Gall que isso poderia ser um bom desdobramento dos eventos.
— Você quer se casar com ela? Derrote-me. Faça isso, e eu lhe darei permissão.
O Deus da Espada estava tentando atiçar o fogo em Gino. Ele pensou que colocar um obstáculo em seu caminho poderia motivar um pouco o rapaz.
Ah, era isso, pensou Gino. O tempo todo, era isso. Era tão simples.
Tudo fez sentido – o que o Deus da Espada estava sempre dizendo, o que lhe faltava e a fonte de suas muitas dúvidas. A névoa se dissipou, e ele o tinha, o passo final que lhe faltava – ele tinha um propósito.
— Eu aceito! — Ele disse. O resto foi fácil.
Gino mudou completamente. Ele era um homem novo. Parou de fazer o treino que sempre lhe fora ordenado. Até parou de fazer seu treinamento intensivo com Nina. Ele estava relaxando? Nem pensar. Não, Gino começou a treinar sozinho. Para o que estava fazendo, não precisava de um parceiro. Graças ao seu treinamento intensivo com Nina, sua prática com o pai e as muitas outras batalhas simuladas que travara, ele já tinha toda a prática de sparring de que precisava.
Gino teorizara uma maneira de vencer; ele tinha uma visão de um caminho seguro para a vitória contra o Deus da Espada. Para realizar essa visão, ele teria que trabalhar incrivelmente duro, superando dificuldades e dor nos dias que viriam. Foi por isso que não o fez antes. Não havia motivo.
A frustração e a impaciência sem motivo teriam sido insuportáveis. Mas agora, ele tinha um propósito – ele queria Nina. Queria-a mais do que tudo. Queria-a mesmo que tivesse que sofrer. O propósito transformou a dificuldade e a dor em prazer e antecipação.
Tudo o que restava era se aprimorar. Para provar sua teoria, ele teve que condicionar seu corpo para aumentar a velocidade e o peso de seu golpe de espada. Eles tinham tantas palavras para isso – treinos, treinamento intensivo, prática – e ainda assim nenhuma delas se encaixava no que Gino estava fazendo. Se tivesse que escolher uma palavra, ele a teria chamado de “trabalho”.
Gino calmamente fez o que tinha que fazer, passando seus dias realizando seu trabalho para moldar seu corpo em uma forma que lhe permitisse derrotar o Deus da Espada. Ele se esforçou até o limite de seus limites. Seus esforços teriam feito um homem comum desistir ou quebrar fisicamente, mas Gino conseguia lidar com isso. Se ele tinha algum talento, era esse. Ele tinha sua motivação, seu plano que pensara por muitas horas, seu trabalho impecável e aquela perseverança inacreditável que lhe permitiu unir tudo. Esses quatro elementos se conectaram para afiar e aprimorar sua espada.
O dia fatídico chegou. Naquela manhã, Gino se levantou e foi à casa de sua amiga de infância, que morava ao lado, para propor mais uma vez. Eles se enfrentaram, com espadas de madeira erguidas. Depois de demolir completamente Nina, ele a pediu em casamento. Ela aceitou, e ele foi ao encontro do Deus da Espada.
Era tarde, e naquele momento, um duelo simulado estava em andamento no salão de treinamento principal. Era uma simulação de uma batalha real, do tipo que era realizada regularmente no Santuário da Espada. Estas não eram apenas uma chance de mostrar como a técnica de alguém havia melhorado, mas também um lugar onde era permitido que grupos de dois desafiassem um oponente de posto mais alto. Gino entrou casualmente no salão. Como um Rei da Espada, ele enfrentaria dois Santos da Espada ou Nina, que tinha o mesmo posto que ele, ou se uniria a ela para desafiar um Imperador da Espada. Nina não estava aqui, caso em que ele geralmente teria acabado lutando contra dois Santos da Espada.
No entanto, assim que Gino pisou no centro do salão de treinamento, ele apontou sua espada de madeira para o Deus da Espada. Por um momento, o salão ficou em silêncio.
— Gino! O que você quer dizer com isso?!
O pai de Gino, o Imperador da Espada Timothy Britz, levantou-se antes de qualquer outra pessoa. Ele agarrou a espada de madeira ao seu lado e atacou Gino – ou tentou. Quando ele se ergueu sobre um joelho em preparação para se levantar, ela se estilhaçou. Ao mesmo tempo, seu braço da espada foi quebrado, fazendo a espada de madeira cair no chão com um baque. Seus olhos se arregalaram de espanto. Ele estava acostumado à dor, então nenhum outro traço dela apareceu em seu rosto, mas ele ainda começou a suar. Ele viu Gino chegar ao final de seu golpe de espada. Gino olhou para o pai e depois se virou para o Deus da Espada.
— Grande Deus da Espada. Vim reivindicar a mão de Nina — disse ele, apontando a espada para o Deus da Espada como fizera antes. Gall Falion deu uma olhada na espada e depois gargalhou.
— Por mim, tudo bem. Venha…
Gino já estava se movendo antes que Gall pudesse terminar. Mas ele também se moveu, e mais rápido. O Deus da Espada já estava pronto em sua postura. Quando o Imperador da Espada foi derrubado, Gall pegou uma espada de madeira do chão, agachou-se e mudou para uma postura baixa com a mão sobre a espada. Era uma posição mais fraca, mas isso não era desvantagem para ele. Não importava em que postura estivesse, sua espada era mais rápida que a de seu oponente – era isso que fazia um Deus da Espada.
De alguma forma, ele não conseguiu balançar mais rápido que Gino, pois o jovem o igualou com quase a mesma velocidade. Quando as duas espadas se movendo em velocidades quase equivalentes se chocaram, elas se encontraram no ar um pouco mais perto de Gino. Ali. O Deus da Espada tinha a vantagem. Ele atacou novamente, ainda mais rapidamente.
Mas algo estava errado.
A maneira como suas espadas se encontraram foram, da perspectiva do Deus da Espada, quase perfeitas. O lema do Estilo Deus da Espada era “morte em um golpe”, então se seu golpe fosse bloqueado, isso significava que você jogou mal. Mas eles também tinham outra filosofia, que era desequilibrar o inimigo com o primeiro golpe para ter certeza de finalizá-lo com o próximo. Ninguém conseguia revidar Gall Falion depois que ele tomava a vantagem com seu primeiro golpe. Era assim que sempre acontecia. Mas a espada de Gino atingiu com um peso que ele nunca sentiu antes, e ele manteve o equilíbrio.
Isso não queria dizer que Gall perdeu o seu. Eles estavam empatados. Fazia muito tempo que alguém não se igualava golpe por golpe.
Gall se inclinara mais com seu golpe, então o próximo foi diferente. Sua espada estava totalmente estendida, e levou tempo para trazê-la de volta. Não a de Gino. Ele estava posicionado de forma que pudesse aparar a lâmina de Gall e imediatamente balançar sua espada de volta. Nem Gall nem Gino estavam desequilibrados, e havia apenas uma diferença de uma fração de segundo entre eles. Gino, com a precisão de quem enfia uma agulha, criou essa diferença.
Gall Falion não desferiu um segundo golpe.
Naquele dia, Gino alcançou tudo o que sempre quis.
O Deus da Espada Gino Britz alcançou seus sonhos quando conquistou Nina Falion. Ela era a soma total de todos os seus desejos. Tomar o título de Deus da Espada, marcando-o como o maior espadachim vivo, não foi mais do que um bônus.
Enquanto viveu, ele nunca deixou o Santuário da Espada, e assim seu nome foi o mais obscuro de todos os Deuses da Espada. Havia até rumores de que ele era o mais fraco. Mesmo os Santos da Espada que treinaram sob o antigo Deus da Espada o tratavam com desdém. Gino não se ressentia disso. Rumores não significavam nada, pois quando os oponentes vinham desafiá-lo, ele os derrotava. Eram apenas oponentes sem rosto – lutadores de espada que vinham na esperança de serem o próximo Deus da Espada, ou aqueles que vieram desafiar o homem que ouviram dizer ser o Deus da Espada mais fraco que já existiu. Gino esmagou todos eles.
A partir do momento em que se tornou Deus da Espada, ele ficou invicto. Se tivesse deixado o Santuário da Espada, poderia até ter derrotado inimigos poderosos como a Deusa da Água Reida e o Deus da Morte Randolph, mas não o fez. O Santuário da Espada era seu mundo, e ele não queria nada de fora dele.
Dito isso, não se pode negar que, depois que ele se tornou Deus da Espada, os horizontes de seu mundo se expandiram. Muitas pessoas, não apenas oponentes, vieram fortalecer seus laços de amizade com o Deus da Espada Gino Britz. Eles não queriam lutar, e em vez disso pediram que ele os instruísse na luta de espadas ou fizesse negócios com eles.
Um desses visitantes foi Rudeus Greyrat. Ele veio um dia sem aviso – com o rosto muito familiar da Rei da Espada Berserker Eris ao seu lado. Não apenas isso, mas ele trouxe o Deus do Norte Kalman III e o Deus Dragão Orsted também.
Tradução: Gabriella
Revisão: Pride
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