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Mushoku Tensei: Reencarnação Redundante – Vol. 02 – Cap. 08 – Rumo à Estrada da Espada Sagrada

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O TEMPO VOOU, e antes que eu percebesse, nossos dez dias haviam acabado. No primeiro dia, fui prestar minhas homenagens na catedral. Lá, Zenith se encontrou com a Criança Abençoada, que usou seus poderes para nos revelar o que ela estava dizendo. Claire veio conosco e começou a chorar descontroladamente no meio da reunião. Eu mesmo me senti um pouco emocionado, mas dado que Zenith parecia tão feliz como sempre, me controlei.

As crianças, que pareciam entediadas, esperaram do lado de fora, mas então me distraí conversando com o Papa e a Criança Abençoada. Acabou demorando mais do que eu esperava. Um homem inferior poderia culpar a Criança Abençoada, que recontou seu regime de treinamento e dieta em detalhes. Ela sorriu com orgulho enquanto nos contava como havia alcançado uma figura mais esbelta.

Como eu esperava, as crianças ficaram inquietas, então Aisha levou Arus, Lara e Sieg para ver a Sede da Guilda dos Aventureiros. A julgar por quão tarde eles chegaram em casa e pela expressão no rosto de Arus, tive a sensação de que eles se meteram em algum tipo de problema. Aisha parecia ter resolvido, no entanto.

Você pode pensar que Lucie ficou irritada por ter sido deixada para trás, mas não ficou. Ela e Clive, que também ficou para trás, andaram boquiabertos pelo interior da catedral. Isso pareceu ter sido bom o suficiente para ela. Talvez ela gostasse de jardins, ou a companhia de Clive tenha sido envolvente. A julgar pelo fato de que ela não me contou nenhum detalhe específico sobre as flores, presumi que fosse o último.

Eu queria interrogá-la mais, mas me contive. Por enquanto, eu só podia esperar que Clive continuasse sendo um jovem honesto.

O segundo, terceiro e quarto dias foram ocupados com visitas a pessoas. Eu, seguidor do Deus Dragão, estava em Millishion; então tinha que fazer as rondas. Isso incluía o capitão dos Cavaleiros Missionários e ramos da família Latria – ou seja, minhas tias e tios. Também incluía Therese, claro. Infelizmente, parecia que ela ainda não estava casada.

Depois disso, tive uma audiência formal com o Papa. Então, fui apresentado à realeza de Millis, especificamente ao príncipe que era o quinto na linha de sucessão ao trono. Apesar da imagem que vinha com um título como “príncipe”, ele estava na casa dos quarenta. De forma realmente irritante, minha audiência com o rei acabou sendo agendada para vários dias depois. Seria quando eu prestaria minhas homenagens em nome do Deus Dragão. Orsted me disse que fazer conexões com a realeza de Millis poderia esperar, mas também disse que apenas uma reunião não seria um problema.

Você pode se perguntar por que eu saí de férias apenas para acabar trabalhando, mas o objetivo desta viagem era dar às crianças exposição a outras culturas. Eu não me importei.

No quinto dia, fui entregar a nova boneca de Cliff. Acontece que ele tinha boas notícias para compartilhar. Seu trabalho nos últimos cinco anos impressionou seus superiores e – embora ainda não fosse oficial – ele seria nomeado bispo. Sua juventude normalmente teria tornado isso impossível, mas havia algumas circunstâncias políticas relacionadas à localização incomum da diocese de Cliff.

Ele presidia uma área na borda sul da Grande Floresta que, na época em que eu viajava, era uma cidade-pousada sem nome. Nos últimos dez anos, sua população cresceu, e a cidade junto com ela. A cidade não pertencia a nenhum país ou raça, mas à medida que crescia, a questão de quem tinha jurisdição ali entrou em jogo. Representantes das várias raças se reuniram para resolver seus vários interesses.

O representante enviado pela Igreja de Millis era um arcebispo, um membro da facção de exclusão de demônios que era conhecido como o braço direito do Cardeal. Ele era um supremacista humano e desprezava não apenas demônios, mas outras raças como os homens-fera. Apesar de seu fanatismo, ele era astuto e bom em seu trabalho – o tipo que a igreja teria confiança de que poderia conquistar vários interesses na cidade. No entanto, dadas suas tendências, havia uma chance de que ele prejudicasse suas relações com as raças que viviam na Grande Floresta, e isso era algo que apenas os membros mais radicais dos exclusionistas de demônios queriam.

Foi por isso que Cliff foi escolhido. Não apenas ele era bem relacionado, sem preconceitos e membro da facção do Papa, mas também tinha boas relações com os Mercenários Ruato, cujos membros incluíam muitos homens-fera, e era próximo de parentes de sangue da Tribo Doldia.

Portanto, decidiu-se promovê-lo a um posto mais alto e fazê-lo acompanhar o Arcebispo para ficar de olho nele.

Cliff comentou com pesar que não deveríamos presumir que as pessoas o estavam elevando com base principalmente em seus méritos. Dito isso, assim que seu trabalho na cidade terminasse, ele seria um bispo tanto no nome quanto na realidade, o que lhe daria uma autoridade muito maior. Se ele conseguisse manter boas relações com os povos da Grande Floresta, isso forneceria um pretexto para tomar uma elfa como sua esposa. Se fosse o caso, ele poderia convidar Elinalise e Clive para virem morar com ele em Millis.

Quando ele chegou a esse ponto, pensei que a boneca poderia servir como um presente de comemoração por sua promoção, então fiz a grande revelação.

Cliff explodiu de raiva. Disse-me que seria um desastre se alguém soubesse que ele estava atualmente apaixonado por uma mulher. Ainda assim, ele não se recusou a pegar a boneca, então pensei que ele ficou satisfeito com ela. Ele até olhou os detalhes finos dos círculos mágicos que a animavam com interesse. De qualquer forma, como Sylphie apontou, na pior das hipóteses, poderíamos colocar a boneca de óculos escuros e roupas masculinas. Ela tinha habilidades de combate, então esperava que ele fizesse bom uso dela para sua defesa pessoal durante seus deveres de bispo. Pelo que parecia, o Arcebispo poderia muito bem tentar assassiná-lo.

Quando voltei para casa naquele dia, Claire estava de bom humor. Aparentemente, Lara encontrou um medalhão que ela perdeu há cerca de um ano. História fofa, certo? Fiquei orgulhoso como pai ao ouvir o que minha filha fez… mesmo que provavelmente tenha sido Leo quem encontrou o medalhão. Roxy também parecia extra motivada com a maternidade. Ela dizia que, com todas as crianças começando a escola, cabia a ela ficar de olho nelas.

Roxy era fofa quando estava enérgica, mas também era do tipo que cometia erros por excesso de zelo, então isso me deixou nervoso.

Sylphie e Norn levaram Lucie e Clive para a Guilda dos Aventureiros. Lucie sorriu ao recontar a refeição espetacular que tiveram no almoço, embora não parecesse muito interessada na guilda em si.

Do sexto ao oitavo dia, não fiz nenhum plano em particular. Fomos às compras, mostramos os pontos turísticos às crianças e usamos uma carruagem para nos aventurarmos fora da cidade para ver as fazendas próximas e brincar nos riachos. Simplesmente fomos com o que todo mundo sentia vontade no dia.

No nono dia, tive minha audiência com o rei. Ele era um velho de rosto gentil. Aqui, a igreja detinha muito poder, enquanto o monarca era comparativamente fraco. Como eu tinha boas relações com a igreja, a audiência se limitou apenas às formalidades esperadas. Eu queria mostrar às crianças o interior do castelo, mas acabei decidindo contra. Não se pode ter tudo.

É seguro dizer que aproveitamos ao máximo nosso tempo em Millishion.

No décimo dia, partimos. O plano era pegar carruagens para o norte ao longo da Estrada da Espada Sagrada para algumas fontes termais.

Quando estávamos prestes a partir, Claire simplesmente continuou a me advertir. 

— Não há monstros na fronteira da Grande Floresta, mas ouve-se dizer que as cidades-pousada estão cheias de tipos rudes. Pode não ser difícil para você, mas deve ter cuidado com as crianças.

Depois que lhe disse para não interferir quando nos encontramos pela última vez, ela se manteve bastante quieta. No décimo dia, ela estava dando muito mais sermões. Dito isso, não era tão problemático. Parecia que ela descobrira como não exagerar.

Quando chegou a hora de nos separarmos, no entanto, ela se virou mais uma vez para Norn.

— Você e eu não tivemos muita oportunidade de conversar durante esta visita — disse ela. — Teria problema se eu dissesse uma coisa?

Norn, com uma expressão que dizia: Lá vamos nós, disse em voz alta: 

— Muito bem.

Nos últimos dez dias, ela vinha evitando Claire. E as instruções de Ruijerd para ela valorizar sua família? Não podia culpá-la. Se ela entrasse em uma conversa com Claire, Claire poderia insultar Ruijerd, e então Norn não teria escolha a não ser responder. Dada a teimosia de Claire, havia toda a possibilidade de que ela se recusasse a retirar o que dissera, e a coisa toda se transformaria em uma briga enorme.

— Você não é mais uma Latria ou uma Greyrat — disse Claire.

— Sim. — Havia um olhar duro nos olhos de Norn. Sem dúvida, ela pensou que estava prestes a ser repreendida por se casar com um demônio. O tom de Claire era certamente mordaz o suficiente. Até eu senti certeza de que ela ia dizer algo horrível.

— Você se casou com a família Superdia e agora é mãe. Comporte-se de acordo, com dignidade, e dedique-se totalmente ao seu marido e à sua família.

— O quê? — Inesperadamente, o que Claire tinha a dizer era perfeitamente razoável. É verdade que a maneira como ela disse fez com que parecesse um pouco uma ordem. 

Claire continuou: 

— Sei pouco sobre os costumes dos demônios, mas imagino que a esposa de um demônio deva arcar com as responsabilidades de ter filhos e cuidar da família, assim como as nossas.

Norn ficou em silêncio.

— Você entende? — perguntou Claire.

— S-sim! — Norn ficou boquiaberta como se tivesse levado um soco no estômago, mas finalmente respondeu com um aceno solene.

Claire assentiu de volta, satisfeita, como se outro peso tivesse sido tirado de seus ombros. Senti que ela mudou um pouco nos últimos dez dias. Também tive a sensação de que Roxy e Lilia haviam relaxado muito também – talvez em resposta à mudança em Claire. Algo definitivamente passara entre elas enquanto eu estava fora de casa. Roxy e Claire em particular pareciam muito mais próximas do que quando chegamos.

Fiquei feliz que Claire não estivesse mais discriminando os demônios. Afinal, a discriminação não era um problema que se pudesse resolver simplesmente convencendo alguém. Felizmente, um pouco do ressentimento entre ela e Norn parecia ter sido resolvido – mesmo que as coisas com Aisha estivessem tão ruins como sempre.

 

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Em seguida, viajamos meio dia para o norte de Millishion para chegar ao sopé das Montanhas da Serpe Azul, onde paramos as carruagens e deixamos as crianças saírem. Com um momento para descansar, nos viramos e olhamos para trás, de onde viemos.

Campos verdes se estendiam até onde a vista alcançava. Um rio azul fluía por eles e para a cidade de Millishion, onde passamos os últimos dez dias. Eu podia ver o Palácio Branco do rei, o ouro reluzente da catedral e a prata cintilante da Guilda dos Aventureiros. Quase vinte anos se passaram desde que olhei para aquela vista com Eris e Ruijerd. Embora os edifícios menores e as pessoas que ali viviam devessem ter mudado desde então, parecia quase exatamente o mesmo.

— Nada mal, hein? — eu disse. Paisagens arrebatadoras como esta não eram incomuns neste mundo, mas não era frequente que se visse lugares por onde se acabara de passar à distância.

Certamente esta seria uma experiência profunda, pensei enquanto olhava para trás para ver as reações das crianças. Todas elas tiveram suas próprias respostas.

— Ahhh! — Lucie soltou um suspiro de puro espanto, um sorriso se abrindo em seu rosto. Ela vinha levando seu papel de irmã mais velha a sério ultimamente, mas em momentos como este, ela era uma menina inocente novamente.

E – bem, bem! Parecia que Clive estava hesitando sobre pegar ou não a mão dela. No final, ele não o fez. Em vez disso, quando Lucie se virou para ele sorrindo e disse: “Não é incrível?”, ele ficou vermelho e disse bruscamente: “N-não muito.” Bem típico de um menino.

Observando-o, não pude deixar de sorrir. Eu também já fui assim, uma vez… ou não? Na verdade, provavelmente não.

Cliff, na verdade, viera conosco. Oficialmente, lhe disseram para ir dar uma olhada na igreja da cidade-pousada antes de sua visita oficial, mas eu tinha quase certeza de que isso era apenas um pretexto. O papa arranjara as coisas para que ele pudesse passar um tempo com Elinalise.

— Quero morar aqui quando for mais velha — disse Lara, com os olhos caídos se arregalando por alguns segundos. — Há tantos doces.

Na carruagem mais cedo, Roxy me disse que Claire a mimara. Abastecida com guloseimas doces todos os dias, ela passou aquela parte da viagem em um devaneio feliz. Senti que estava um pouco mais redonda do que antes de partirmos. Quem não gostaria de viver em um paraíso onde as guloseimas apareciam diante de você sem que você precisasse dizer uma palavra?

— Ei, papai. Você e a Mamãe Vermelha vieram aqui antes, certo? — perguntou Arus.

— Isso mesmo. Eu era um pouco mais velho do que você é agora.

— Hã. — Ele assentiu, cerrando os punhos. Provavelmente estava fantasiando sobre seu futuro como aventureiro.

— Ei, mamãe! Mamãe! Aquele é o Rio Nikolaus, certo? — perguntou Sieg. — E aquela é a floresta com os goblins!

— Isso mesmo — disse Roxy. — E você sabe o que é aquilo?

— Aquilo é, hum, o Arco do Triunfo, certo? É o portão pelo qual São Millis retornou após a guerra! É por isso que é maior que os outros!

— Correto. Você sabe muita coisa, não é?

Sieg bombardeou Roxy com pergunta após pergunta, fora de si com a vista. Depois de todas as epopeias heroicas que ouvira de Alec ultimamente, ele estava estranhamente bem informado. Para mim, ele parecia mais propenso a se tornar um aventureiro do que Arus.

— Papai, me pega no colo. — Chris estendeu a mão para mim.

— Acho que isso ainda não significa nada para você, hein? — Eu disse.

— Mrmm. — Ela murmurou.

A vista não parecia interessá-la nem um pouco. Peguei-a no colo e ela apoiou o queixo em meu ombro. Chris nunca ficava menos adorável. Olhei para Lily, que estava nos braços de Sylphie, mexendo em um implemento mágico que comprara em uma barraca de rua alguns dias atrás. Ela também não parecia interessada. Eram jovens demais para apreciar a paisagem? Ou era que Lucie e os outros estavam reagindo de uma forma madura além de sua idade? Se alguma coisa, as reações de Chris e Lily eram normais para sua idade.

De repente, Eris apareceu ao meu lado. 

— Traz boas lembranças, certo? Naquela época, nunca pensei que as coisas acabariam assim.

Ela olhou para Millishion como se estivesse vendo o passado. O vento puxava seu cabelo vermelho, revelando a nuca. Ela ainda era jovem, mas não havia mais nenhum vestígio de infantilidade em seu perfil. Ela podia não ser mais fofa, mas era inacreditavelmente bela.

— Como você achou que acabaria?

— Eu… achava que o mundo era um lugar mais simples, naquela época.

Isso significava que ela não achava que era simples agora? Eris não usava muito a cabeça, mas isso não significava que não pensasse. Talvez ter filhos a tenha amadurecido – o tempo realmente mudava as pessoas.

Então, ela se virou para me encarar de frente, olhou nos meus olhos e disse: 

— Eu te amo, Rudeus.

Ah, caramba, meu coração disparou! Com certeza fiquei vermelho vivo.

— Eu também te amo, Eris — respondi, tentando manter a calma. Ela se aproximou um pouco de mim. Teria sido uma chance de acariciá-la, mas, infelizmente, minhas mãos estavam um pouco ocupadas. Acariciei Chris.

Ela arrulhou, mas fez uma careta. 

— Papai, pare de fazer cócegas!

— Opa! Desculpe.

— Sem mais cócegas?

— Sem mais cócegas.

Eris riu e me beijou na bochecha. Ela beijou o topo da cabeça de Chris também e depois se afastou.

— Certo, vamos! — Ela chamou. Com isso, voltamos para as carruagens.

Viajamos por um vale que dividia as Montanhas da Serpe Azul. Se a Estrada da Espada Sagrada cortava a Grande Floresta, então este era o cabo da espada. Penhascos íngremes se erguiam de ambos os lados, mas não havia pedras caindo. O vale escuro se estendia como se continuasse infinitamente. No início, as crianças estavam animadas. Até Lara soltara um raro “Oooh!” A aventura começou. Quem sabia onde poderíamos parar a seguir? Haveria monstros? Deveria haver dragões azuis por aqui – talvez eles pudessem ver um!

Em poucos dias, no entanto, suas esperanças foram extintas. A paisagem nunca mudava, e não era a estação certa para ver dragões azuis. Naturalmente, nenhum outro monstro apareceu. Não havia nada além do vale sem fim. Após três dias, as crianças estavam fartas.

Lara começou a repetir descaradamente para si mesma que estava entediada. De vez em quando, ela declarava que ia passear com o Leo, e então saía da carruagem para montar em suas costas. Se a deixássemos, ela poderia até ter tentado escalar os penhascos. Arus, Sieg e Clive não disseram nada, mas mal podiam esperar pelas pausas quando parávamos a carruagem para que pudessem praticar espada com Eris, ter duelos simulados entre si ou praticar magia com Roxy. Tinha que ser melhor do que apenas ficar sentado sendo balançado pela carruagem.

— Estamos presos! — Chris lamentou, com lágrimas escorrendo pelo rosto, enquanto Lily conseguiu desmontar seu implemento mágico novinho em folha, que se desfez em pedaços. A única que estava quieta era Lucie, perdida em um livro que recebera na casa dos Latria. Eu não sabia como ela não ficava enjoada, lendo em uma carruagem em movimento daquele jeito.

Eventualmente, o interior das carruagens mergulhou no pandemônio, apesar de nós, adultos, fazermos o nosso melhor para acalmar as crianças. Esta rota era segura, mas como estávamos de férias, talvez eu devesse ter escolhido um percurso com mais emoção.

Quando chegamos à cidade-pousada, as crianças estavam tão completamente entediadas e esgotadas que, quando chegamos à cidade-pousada, ficaram anormalmente maníacas. No momento em que deixamos o vale e a cidade-pousada apareceu, Arus, Sieg e Lara saltaram da carruagem.

— Chegamooooos!

— Não tão rápido! — Eris e Sylphie correram atrás, agarrando Arus e Sieg pela nuca antes que pudessem correr até a cidade. Leo, com Lara em suas costas, passou por eles para subir em uma rocha um pouco elevada, mas isso não era nada para se preocupar. Não havia nada tão perigoso na Estrada da Espada Sagrada.

— Lara! — gritou Eris. — Vamos ficar todos juntos até chegarmos à pousada! — Ela também agia como se não conseguisse ficar quieta, pois estava sobrecarregada por dias de frustração. A natureza fundamental das pessoas não mudava. Ela podia ser mais adulta e amadurecida do que antes, mas não era do tipo que ficava sentada quieta, sem fazer nada.

Arus e Sieg voltaram relutantemente para as carruagens. Lara não. Ela estava olhando para a extensão infinita da Grande Floresta diante dela.

— Lara, volte aqui — chamou Sylphie. Lara se virou, mas Leo não se moveu. Lara olhou de Sylphie para Leo, depois desceu de Leo e deu um tapa em suas costas. Quando ele ainda não se mexeu, ela franziu a testa ligeiramente.

Sylphie, perdendo a paciência, se aproximou deles. Quando ela estendeu a mão, Lara levantou a mão para detê-la.

— Ainda não — disse Lara.

— Você terá todo o tempo que quiser amanhã. Agora se apresse.

— O Leo diz que é a primeira vez que vê sua casa assim. Ele quer ficar um pouco mais.

— Oh…

Sylphie olhou para mim, desamparada. Por mais que fosse bom deixar Leo ficar e olhar para sua casa, estávamos nos movendo em grupo, e com as crianças à beira de um colapso, seria melhor nos movermos rapidamente. Era um dilema. Mesmo que Leo estivesse com ela, não poderíamos simplesmente deixar Lara para trás.

Desci da carruagem e me dirigi até eles. 

— Sylphie, eu trago a Lara.

Com essas palavras, Sylphie pareceu entender. Ela assentiu e disse: 

— Tudo bem. Apenas nos alcance antes que fique muito tarde. — E voltou para as carruagens.

Sentei-me ao lado da rocha em que Leo estava. Então, Lara se sentou ao meu lado. Lado a lado, olhamos para a Grande Floresta. Embora a estrada fosse principalmente plana e reta, continuava subindo as montanhas, então nos vimos observando a floresta de cima. Uma única linha marrom e reta se estendia pelo verde, proporcionando uma vista magnífica. Da última vez que vim por aqui, não olhei para trás.

— Lara — Eu disse.

— O quê?

— Leo sente falta de casa?

Lara fez uma pausa e depois disse: 

— Não, não parece que ele sente falta. — Não parece, hein?

— Entendo.

Lara não disse mais nada. O que Leo estava sentindo, então? Eu não conseguia entendê-lo sem ser bilíngue como Lara, mas ela não dava respostas muito detalhadas. Depois de tentar perguntar mais algumas vezes, ela me olhou de uma forma que gritava “Pare de me usar como uma máquina de tradução.”

Justo. Decidi mudar de assunto.

— Lara… — Eu disse novamente.

— O quê?

— Eu ia esperar até você fazer dez anos para te contar, mas quando você atingir a maioridade, vai realizar o ritual da Árvore Sagrada na Aldeia Doldia.

— Eu sei. Eu ouvi.

— De quem?

— Do Leo.

Da boca da própria besta sagrada!

— Você conhece a Pursena, certo?

— O cachorro da Mana Aisha. — Isso foi uma coisa terrível de se dizer; ela não estava errada, no entanto.

— Você vai com ela. — afirmei. Com isso, Lara olhou para mim, intrigada.

— Você não vem comigo?

— Eu quero, mas é um ritual especial para os homens-fera, então eles podem não permitir que humanos assistam. — Ou eu entendi errado? Poderia ser que Lara estivesse com vergonha e não quisesse que o pai dela viesse? Parecia um pouco cedo para ela estar entrando em sua fase rebelde.

Nesse momento, Leo se virou para me olhar. 

— Au!

— O Leo diz que tudo bem.

Bem, se o Leo disse, então devia ser. E o fato de Lara ter interpretado para mim significava, pelo menos por enquanto, que eu não a estava incomodando. Quando ela ficasse mais velha, provavelmente começaria a me odiar. “Não lave as cuecas do papai com as minhas!” Esse tipo de coisa. A propósito, Chris podia estar feliz por ser a filhinha do papai por enquanto, mas quem sabia o que aconteceria quando ela crescesse?

— Papai — disse Lara.

— Hm?

— Está tudo bem. Você pode esperar muito.

— Certo. Vou esperar — respondi, assentindo, apesar de não ter ideia do que deveria estar esperando.

Lara assentiu de volta, parecendo satisfeita, e depois se levantou. Eu me juntei a ela, olhando por cima do ombro e me perguntando se era hora de ir, quando–

— Uau! — De repente, algo pesado pousou em minhas costas. Vendo os sapatos pequenos balançando na frente dos meus olhos, percebi que Lara havia pulado em meus ombros.

— Me dá uma carona — disse ela.

— Estou substituindo o Leo?

— Quero meu pai agora.

Ela queria? Fiquei mais do que feliz em obedecer. Eu, Rudeus, não conseguia dizer não às minhas filhas.

— Arooooo!

Quando me levantei, Leo soltou um uivo que ecoou longe sobre as árvores da Grande Floresta.

 


 

Tradução: Gabriella

Revisão: Pride

 

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PsyCross
PsyCross
2 dias atrás

A Lara olhando o automóvel dela e perguntando c tinha quebrado kkkkk

peregrino
peregrino
1 dia atrás

Fascinante

Luiz
Luiz
18 horas atrás

Fico me perguntando se lara consegue ler a mente do rudeus e se ela fica lendo oq ele pensa. Tecnicamente ela estaria lendo que nem a gente a mente dele ksksksksk

Vol. 02 – Cap. 08