Depois que Mayne prestou seus respeitos, ele conduziu o Papa de volta à sua cadeira.
— Zero. — O’Brien a chamou suavemente, ofegante.
Uma bruxa purificada, vestida de branco, entrou na sala por uma pequena porta lateral, com passos leves que mal podiam ser ouvidos.
— Estou aqui.
Mesmo que o próprio Papa tenha criado pessoalmente essas bruxas após reunirem o poder mágico em seus corpos, servindo a Sua Santidade por toda a vida, essas mulheres ainda são bruxas. — O arcebispo franziu a testa. Ele não esperava a presença de uma bruxa purificada em um lugar tão secreto. Além disso, ele se sentiu um pouco infeliz por perceber que essa bruxa conhecia a Igreja do Refletir antes dele.
— Leve-o para a Sala da Ilusão.
— Sim. — Zero caminhou até uma parede e pressionou a pedra na mesa que estava esculpida com as Escrituras. Uma luz mágica brilhou e o retrato gigante de Alice começou a subir lentamente, revelando um portão de metal preto. Então, Zero tirou um pingente de cristal do pescoço do Papa, inserindo-o na fechadura e girando-o. Um som de clique foi ouvido de dentro do portão de ferro, e o mesmo começou a abrir-se para fora.
Ela retirou o pingente de cristal, mas em vez de devolvê-lo a Sua Santidade O’Brien, colocou-o na mão de Mayne.
O arcebispo olhou para o Papa, que assentiu com a cabeça.
— Pegue. Você irá ficar com ele a partir de agora. Você pode usá-lo para abrir a biblioteca do Templo Secreto Principal, ou a porta secreta do Escritório de Pesquisa.
— Vamos lá. — Zero sorriu e pegou Mayne pela mão.
Eles caminharam juntos até a sala que estava atrás do retrato gigante. Provavelmente, eles não estavam mais exatamente abaixo da antiga Cidade Sagrada, e não havia nada na sala exceto uma janela do chão ao teto, como se apontasse para as altas terras de Hermes.
A sala parecia muito espaçosa e fora construída de forma circular. Era aproximadamente a metade do tamanho da Sala de Oração e podia acomodar dez pessoas lado a lado em uma fileira, de tal forma que era difícil associá-la ao nome de “Sala Secreta”. No entanto, não havia móveis dentro desta sala. O único lugar para se sentar era um banco de pedra que se estendia ao longo de uma das paredes curvas.
Depois que a porta de metal foi fechada, Mayne soltou a mão da bruxa purificada e perguntou:
— Sua Santidade permitiu que você entrasse?
Zero respondeu à pergunta com um certo desdém.
— Se eu não for com você, quem ativaria a Pedra da Ilusão? Até onde me concerne você não tem poder mágico.
Sua resposta grosseira fez o coração de Mayne acelerar.
Parece que ela ainda se considera a bruxa de Sua Santidade O’Brien. Depois de receber o cetro e tomar o controle do domínio da Igreja, farei com que essa bruxa compreenda que não deve respeitar apenas o Papa, mas também o arcebispo herdeiro. — Mayne pensou e respondeu:
— Então vamos começar. — Ele segurou as emoções que dispararam em seu coração e sentou-se no banco de pedra.
— Sim, Vossa Excelência. — Zero levantou um painel escuro na parede e pressionou a pedra mágica com as mãos — Mas, por favor, esteja preparado, pois esta é a primeira vez que estou ativando essa coisa.
A primeira vez? Ela não viveu por mais de duzentos anos? Então ela não participou das cerimônias de posse anteriores? — Mayne se sentiu um pouco confuso, mas antes que tivesse tempo de pensar nisso mais a fundo, um raio de luz ofuscante passou, e ele se viu coberto pela escuridão.
A escuridão era tão densa que praticamente não havia luz alguma, fazendo com que as paredes, o piso e o banco de pedra desaparecessem de vista. Mayne sentiu como se tivesse sido engolido por uma fera gigante do abismo e de repente não sabia mais onde estava. O céu e a terra pareciam se fundir em uma entidade, e tudo o que ele podia ver era escuridão. Ele baixou a cabeça, mas não conseguiu ver seu corpo.
Prendendo a respiração, ele cuidadosamente baixou a mão e tocou no banco de pedra que permanecia debaixo dele. Ele também percebeu que o chão ainda estava ali, ao firmar seus pés. Isso o deixou um pouco aliviado. Por isso, era razoável que Mayne acreditasse que ele não havia sido transferido para uma nova câmara subterrânea, mas simplesmente que a pedra mágica havia absorvido toda a luz da sala.
No entanto, sob esta escuridão, como é possível testemunhar a “verdade” que Sua Santidade mencionou? — Como se respondesse à pergunta interior de Mayne, o chão começou a clarear novamente, mas era óbvio que aquilo não era mais a mesma Sala Secreta.
As placas no chão eram polidas ao ponto de serem tão brilhantes que passavam a impressão de serem escorregadias, refletindo um brilho azul-escuro. Em cada uma das placas estavam esculpidos diversos desenhos elaborados e requintados. Logo, os raios de luz iluminaram a parte de cima, e Mayne ficou surpreso ao ver uma claraboia transparente aparecendo no teto. Através da claraboia, Mayne foi capaz de ver o céu claro e as nuvens.
Em pouco tempo, alguns móveis começaram a aparecer dentro da sala: uma mesa redonda de mármore cercada por cadeiras, com um globo e copos de vidro em cima. As quatro paredes eram perfeitamente construídas, com uma espada ornamental e um escudo erguidos no meio da sala, além da cabeça de um animal gigantesco, uma espécie de rinoceronte com dois chifres.
Em seguida, as sombras de pessoas começaram a aparecer.
Mayne assistia a tudo isso ainda incrédulo, enquanto as imagens de mulheres começaram a aparecer uma a uma na sala, tão reais quanto poderiam ser. Cada uma delas usava um robe magnífico, e todas estavam sentadas ao redor da mesa. De frente para o portão do corredor, estava a bruxa ruiva, a líder e Rainha das Bruxas. Seus braços estavam cruzados, e ela mantinha a cabeça e peito erguidos. Seus olhos olhavam diretamente para frente, enquanto os olhos das outras mulheres se concentravam nela. Para Mayne, tudo isso parecia uma pintura extremamente realista.
Então é isso o que a Sala da Ilusão representa? — Mayne refletiu. A ilusão diante de seus olhos era perfeitamente idêntica a uma cena real, de tal modo que, por um momento, as mulheres pareciam estar vivas. Então, de repente, elas começaram a falar:
— Atenção, o experimento do Exército da Punição Divina foi bem-sucedido. — Uma bruxa, sentada ao lado de Alice, informou — Eles agora são extremamente agressivos e poderosos, e não temem a morte. Até mesmo uma fraca bruxa assistente pode ser transformada em um guerreiro poderoso que não é inferior a uma Extraordinária. Além disso, eles também têm a capacidade de perturbar a liberação do poder mágico. Logo, como Demônios Frenéticos e Lordes do Inferno dependem de pedras mágicas para lutar, esses guerreiros possuem uma enorme vantagem, sem sombra de dúvidas.
— Mas a cerimônia de encarnação consome a vida das bruxas, e ouvi dizer que nem todas podem ser transformadas com sucesso. — Alguém disse.
— Esses são detalhes insignificantes. — A bruxa, que informou anteriormente, disse abrindo as mãos — Acredito que com a continuação da pesquisa, a Sociedade Expedicionária poderá remediar isso.
— Não fale uma coisa dessas tão levianamente, Elaine. Já estamos com poucas bruxas e, portanto, toda bruxa é preciosa! — A outra bruxa disse, franzindo a testa.
— Qual é a diferença entre morrer nas mãos dos demônios e morrer na cerimônia? — Elaine levantou a cabeça e disse — Pelo menos, ao morrer na cerimônia de encarnação, elas estarão contribuindo com a Aliança antes de morrerem.
— O que você está dizendo…
— É o suficiente. — Alice disse suavemente.
Mesmo que sua voz fosse muito suave, todas na sala ficaram em silêncio imediatamente, esperando as próximas palavras da Rainha.
— Os mortais não podem derrotar os demônios, minhas irmãs. — Alice disse calmamente — Nós podemos escolher não fazer nada e simplesmente desfrutarmos deste momento final em paz. Entretanto, quando os demônios invadirem nossas terras novamente, seremos completamente esquecidas pela história. Então, podemos optar por travar a batalha final do porvir, pondo todas as nossas esperanças nos Guerreiros da Punição Divina, fazendo os sacrifícios necessários para estabelecermos esse poderoso exército. Eu admito que essa é uma escolha difícil, mas enquanto houver uma chance de prolongar a existência da humanidade, o espírito e a determinação das bruxas nunca irão se extinguir. Embora eu seja a Rainha da Cidade da Estrela Cadente, estou disposta a permitir que vocês façam essa importante escolha. Vocês querem desistir da resistência e morrer em paz, ou vingar nossas irmãs mortas, perseguir os demônios para além da Região do Alvorecer e restaurar a glória do passado das bruxas? A decisão cabe inteiramente a vocês. É claro que nenhuma de nós será capaz de participar diretamente da Terceira Batalha da Vontade Divina, portanto, não importa qual escolha fizermos, podemos viver nossas vidas transitórias pacificamente. Lembrem-se, a escolha que vocês fizerem agora não é apenas para vocês mesmas, mas para todo o grupo de bruxas, e também… para nossas futuras irmãs ainda poderem ver o sorriso dos deuses. Aquelas que não concordam, por favor, levantem-se agora.
Tradução: JZanin
Revisão: Kabum
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