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Império Tearmoon – Vol. 03 – Cap. 36 – A Propagação do Vermelho

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Após sua experiência mentalmente exaustiva na Fonte da Purificação, Mia saiu cambaleando da câmara em direção à sua criada que a esperava.

— Você está bem, senhorita?

— Sim, sim, estou bem…

— Hum… Tudo bem. Se você diz.

Anne franziu a testa, mas mesmo assim começou a trabalhar, secando o cabelo de Mia e vestindo-a com os paramentos sagrados com sua eficiência característica. Assim que terminou, ela deu um passo para trás, olhou seu trabalho e assentiu com aprovação.

— Você consegue, senhorita. Vá lá e mostre a eles do que você é feita — disse ela, dando à sua senhora um último discurso de encorajamento.

Mia, enquanto isso, estava olhando fixamente para o nada e mal processou o que Anne estava dizendo. A troca com Rafina a assustara terrivelmente, e ela ainda não recuperara o suficiente de seu juízo para conseguir qualquer semblante de foco.

— Ah, e só para lembrá-la — acrescentou Anne —, o véu é muito leve e cai facilmente. Tente ter cuidado para que não escorregue.

— …Hã? Ah, uh, claro. Ok. Obrigada, Anne — respondeu Mia, saindo de seu torpor de olhos vidrados.

Com seu juízo recuperado, ela finalmente deu uma olhada adequada em seu traje sagrado. Seus lábios se contorceram em um sorriso cínico.

Mesmo que a derrota seja quase garantida, um general ainda deve cavalgar para o campo de batalha. Bem, vamos acabar logo com isso, então…

O dia da eleição consistia em dois eventos: um ritual solene, seguido pela votação. Os procedimentos ocorriam na catedral, na frente da qual havia uma longa mesa de comunhão. Sobre a mesa, havia um grande cálice de prata cheio de vinho tinto, representando o sangue dos santos. O candidato eleito tomaria simbolicamente este “sangue” em seu corpo, bebendo do cálice, jurando assim diante de Deus conduzir-se de maneira justa e íntegra como presidente.

Fileira após fileira de estudantes entraram na catedral, enchendo-a completamente. Os últimos a chegar foram os próprios candidatos, Mia e Rafina, cuja aparição sinalizou o início do ritual pré-votação. Vários hinos foram cantados em uníssono, após o que chegou a hora dos candidatos fazerem seus discursos finais. A primeira a falar foi Mia. Ela se aproximou da mesa de comunhão e silenciosamente varreu a sala com o olhar. Enquanto o fazia, alguns aplausos isolados da multidão chegaram a seus ouvidos.

— Você consegue, Princesa Mia!

— Vá em frente!

— Nós acreditamos em você!

Para a Academia São Noel, a eleição do conselho estudantil era um rito sagrado. Manifestações verbais da plateia, não importava o motivo, eram, claro, proibidas. O sacerdote que presidia a cerimônia os olhou com desaprovação e…

— Tudo bem, tudo bem. Mantenham a calma aí.

…Repreendeu-os levemente por sua ofensa. Presumivelmente, o Deus da Igreja Ortodoxa Central era um sujeito tolerante, e o sacerdote estava simplesmente aderindo à atitude de sua divindade.

Mia olhou na direção dos aplausos e encontrou um grupo de estudantes, todos usando braçadeiras vermelhas. Eram, claro, os membros de sua facção.

Tinha certeza de que todos já tinham desistido e ido fazer outras coisas…

A dela era claramente uma causa perdida, era óbvio. Apesar disso, nenhum deles a havia abandonado. Eles a seguiram na alegria e na tristeza, permanecendo firmemente ao seu lado durante todo o período eleitoral. Ela se lembrou das vezes em que passaram pensando, trabalhando e rindo juntos — memórias que compartilhara com seus apoiadores inabaláveis — e um sorriso silencioso de nostalgia se espalhou por seus lábios.

Sabe, agora que penso nisso, foi bem divertido.

Sua vida anterior nunca lhe proporcionara a chance de desfrutar de um evento escolar como este. Enquanto observava seu bando desorganizado de crentes obstinados, cuja lealdade não era de forma alguma inferior à dos guardas imperiais que deram suas vidas por seu eu passado, um profundo sentimento de gratidão brotou dentro dela, e ela baixou a cabeça em uma profunda reverência.

Obrigada. Por sua lealdade. Podem ter certeza de que retribuirei um dia…

O gesto fez seu véu escorregar de sua cabeça. Ele flutuou brevemente, cavalgando uma corrente de ar suave, antes de descer no cálice de prata.

— Ah…

Em segundos, o tecido branco puro do véu absorveu o vinho, tornando-se vermelho-sangue.

Ugh, nada está dando certo para mim… É a cerimônia final, e eu ainda consegui estragar tudo…

Ela estava prestes a estender a mão e pescar o véu encharcado quando alguém colocou um véu novo e imaculado sobre sua cabeça. Então, um par de braços passou por ela e puxou seu véu do cálice. Lentamente, ela virou a cabeça na direção dos braços, apenas para congelar em choque ao descobrir a quem pertenciam.

— S-Senhorita Rafina?

Depois de colocar seu próprio véu sobre a cabeça de Mia, Rafina pegou o que estava no cálice e o torceu, sem se importar com o vinho que espirrava em seus paramentos brancos. Então, ela pegou a tira de tecido avermelhada e a enrolou em seu braço. Ela a ergueu, exibindo orgulhosamente aquele símbolo inconfundível para todos verem — a braçadeira vermelha profunda que significava o apoio do usuário a Mia Luna Tearmoon.

— S-Senhora, isto é…

O sacerdote lançou a Rafina um olhar incerto. Ela lhe deu um olhar tranquilizador em troca, antes de dar um passo à frente.

— A todos aqueles que me apoiaram, ofereço minhas mais sinceras desculpas. Eu, Rafina Orca Belluga, por meio desta, retiro minha candidatura à presidência do conselho estudantil. Ao mesmo tempo, endosso formalmente minha amiga, Mia Luna Tearmoon, para o cargo — declarou ela, sua voz ressonante infundida de graça e gravidade.

— S-Senhora Rafina!

O sacerdote gritou alarmado com o desenvolvimento inesperado. Nunca na longa história de São Noel tal coisa ocorrera. Uma candidata desistindo no dia da eleição, logo antes do discurso final, já era absurdo o suficiente, mas que essa candidata fosse tanto a atual presidente quanto a filha do Duque de Belluga… Era simplesmente demais para se processar de uma só vez.

Os estudantes explodiram em comoção. Em meio a uma onda cada vez maior de confusão e excitação, Rafina permaneceu como uma estátua de serenidade. Apenas Mia vislumbrou o sorriso travesso que brilhou em seus lábios. Seus olhos se encontraram por um segundo, e Rafina piscou para ela.

Q-Que diabos… está acontecendo?

Mia também permaneceu como uma estátua; uma estátua completamente perplexa. Por um longo tempo, ela não conseguiu fazer mais nada.

As eleições eram consideradas sagradas na Academia São Noel. Pretendia-se que fossem assuntos solenes, realizados com o máximo respeito diante dos olhos vigilantes de Deus. Dito isso, o Deus da Igreja Ortodoxa Central era conhecido por ser uma divindade clemente. Comportamento disruptivo, se cometido de má-fé, seria punido de acordo. Travessuras intencionais durante os procedimentos poderiam invalidar a legitimidade de todo o evento, levando à anulação de todos os resultados. No entanto, se fosse feito com seriedade e com motivações sinceras… Não importa o quão heterodoxo fosse o comportamento, seria considerado permissível.

De fato, mesmo ações tão heterodoxas quanto gaguejar feio durante o discurso da Missa de Abertura… E, claro, uma retirada súbita de candidatura logo antes da votação.

Assim, uma Academia São Noel renascida testemunhou o nascimento de um novo conselho estudantil. A posse da Princesa de Tearmoon, Mia Luna Tearmoon, como sua presidente, foi um momento crucial que teria efeitos duradouros no resto da história. Quanto a quais foram esses efeitos… Bem, essas histórias ainda estão para ser contadas.

 


 

Tradução: Gabriella

Revisão: Matface

 

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