— E-Então, Abel, o que você descobriu em sua pesquisa? — perguntou Mia, depois de recuperar a compostura.
— Ah, certo. Aqui, achei que seria mais fácil se eu escrevesse tudo — disse Abel, enquanto produzia dois pedaços de papel e os colocava sobre a mesa. — Este lista tudo o que a Senhorita Rafina fez desde que se tornou presidente, e este…
Ele fez uma pausa por um segundo, coçando a cabeça, tímido, antes de continuar.
— Este é, uh… apenas algumas ideias para promessas de campanha. Talvez ajudem de alguma forma. Ou talvez não. Quer dizer, não consigo me ver tendo boas ideias, para ser honesto, mas…
— Por que não? Eu certamente consigo. Além disso, foi tão gentil da sua parte apenas fazer isso! — disse ela, reunindo ternamente as páginas de Abel em suas mãos.
— Uh, vá em frente e comece com a página da Senhorita Rafina. Você não precisa se preocupar com as minhas ideias. São um pouco embaraçosas, agora que penso— Hm?
Os olhos de Abel, que vagavam por autoconsciência, pararam no papiro sobre a mesa. Curioso, ele o pegou e leu. Então ele olhou para Mia, olhou de volta para o papiro, assentiu para si mesmo em compreensão e se virou para Bel.
— Bel, você estava ajudando Mia com isso?
— Sim! É uma grande honra poder ajudar alguém tão estimada quanto minha avó— quer dizer, a Senhorita Mia, então estou me esforçando para fazer um bom trabalho! — respondeu ela, energicamente.
Abel deu um tapinha gentil na cabeça dela.
Hã?! Por que ela ganha um tapinha na cabeça? Isso não é justo!
Mia prontamente ficou com ciúmes de sua própria neta. Tanta coisa para a estimada “Senhorita Mia”.
E por que você está falando com a Bel, para começo de conversa? Eu escrevi aquelas promessas! Essa é a minha lista!
Com os braços cruzados, ela os encarou emburrada até decidir ler as anotações de pesquisa de Abel, momento em que sua indignação se transformou em horror.
— O-O que são estas… Reparos ousados em instalações escolares antigas… Abolir eventos escolares desnecessários e planejar novos…?
Escrito na página estavam… coisas. Coisas chocantes. Sua mente desorientada não conseguia entender bem o significado delas, mas ela sabia que estavam em um nível diferente das ideias que ela tivera. Ela as leu mais algumas vezes, ficando cada vez mais ansiosa à medida que começava a compreender o que estava vendo. O trabalho descrito na página pintava o retrato de uma presidente que fora atenta às necessidades do corpo discente, atendera às suas demandas e tivera a previsão de realizar um trabalho significativo que continuaria a beneficiar a academia por décadas no futuro. Através de uma compreensão precisa da condição da academia, Rafina elaborara soluções que não eram apenas eficazes, mas simples o suficiente para até mesmo Mia entender…
V-Você está me dizendo que tenho que ter ideias como estas?!
O Projeto MSC — Mais Doces na Cafeteria — era, em comparação, uma brincadeira de criança literal.
E-Então é por isso que ele pensou que foi Bel quem teve aquelas ideias. Entendo… Além disso, sou só eu ou as promessas de campanha da Rafina soam meio… ludwiguianas? Quase consigo ouvi-lo dizendo coisas assim…
Mia não tinha ideia do quão habilidosa Rafina era na política, mas se suas habilidades administrativas chegassem perto de igualar as de Ludwig, então essa luta já estava perdida.
O-O que eu devo fazer? Nada me vem à mente!
Ela queria segurar a cabeça e se encolher em uma bola, mas antes que pudesse, outra pessoa entrou na biblioteca.
— Ah, Mia. Aí está você.
— Nossa… Sion?
Sion ergueu a mão para eles, o brilho fraco em sua testa sugerindo que ele correra até lá. Ao se aproximar, lançou um olhar curioso a Bel.
— Hm? Você… Ah, entendo. Você deve ser a jovem de quem ouvi falar da Senhorita Rafina. Parente de Mia, acredito?
— Sim! Prazer em conhecê-lo. Meu nome é Miabel, mas por favor, me chame de Bel.
— Bem, você tem modos adoráveis, jovem dama. Sou Sion Sol Sunkland.
Bel ficou visivelmente surpresa com sua autoapresentação.
— O-O Rei de Libra, Sion… Uau! O verdadeiro…
— Rei… de Libra?
Ele lhe lançou um olhar inquisitivo antes de olhar para as páginas na mesa. — Estas são as realizações da Senhorita Rafina enquanto estava no cargo?
— Sim, lista bem impressionante, não é? — disse Abel com um encolher de ombros impotente. — Ela não está nos deixando muitas aberturas.
— Eu não pensei que deixaria — disse Sion, enquanto folheava as outras páginas. — Oh? E o que é isto?
— Ah! — exclamou Mia, assustada. — Isso é—
Sion pegou a lista de suas ideias de campanha antes que ela pudesse impedi-lo. Depois de lê-la, ele não olhou na direção de Mia, mas, novamente, para Bel, que estava ali com uma expressão de perplexidade inocente.
— Você estava ajudando a Mia com isso?
— Sim! Respeito muito a avó— quer dizer, a Senhorita Mia, então estou me esforçando ao máximo para ajudá-la.
— Ah. Boa menina.
Sion deu um tapinha na cabeça de Bel com um sorriso gentil.
— Ehehe…
Ela riu com prazer. Era a mesma coisa de antes, mas ela parecia gostar muito mais, saboreando o momento com um grande sorriso no rosto. Acontece que os tapinhas na cabeça não eram todos iguais; receber um de uma celebridade bonita como o Rei de Libra significava muito mais para ela do que um de seu próprio avô.
Você pode chorar, Vovô Abel. Nós sentimos a sua dor.
Bem… Ela é uma grande fã, não é? E uma com um péssimo gosto. Mas, por outro lado, ela me encobriu com as promessas de campanha…
Mia mordeu o lábio, sem saber se deveria se sentir feliz ou chateada com a situação. Sua ponderação foi interrompida por Sion, que perguntou: — Mas e as suas, Mia? Onde estão suas ideias de promessa de campanha?
O que ela realmente queria dizer era “Você as está segurando, droga, então cale a boca e me deixe em paz!”. Mas como isso não era realista, ela escolheu um momento de silêncio para considerar suas opções. Alguns segundos depois, ela teve um flash de inspiração.
— Nossa, Sion. Se você está tão preocupado, gostaria de me ajudar com elas?
Seu plano: envolver Sion. Dessa forma, se algo em sua campanha acabasse irritando Rafina, ela poderia alegar que Sion a ajudara a inventá-lo e, assim, diminuir sua própria culpa. Além disso, embora não fosse nenhum Ludwig, ele não era um preguiçoso no departamento intelectual; sua inteligência poderia definitivamente ser bem aproveitada. Quando a situação apertasse, Mia estava disposta a usar todos os truques do livro, não importava o quão desagradável pudesse ser.
— Adoraria, mas, infelizmente, decidi manter minha posição como parte neutra desta vez.
…E seu plano desmoronou imediatamente. O sorriso irritantemente alheio dele arrancou dela um “tsk” amargo.
Seu pirralho… Tudo bem, você escapou desta vez. Era um plano tão bom, também…
Enquanto ela resmungava baixinho, Sion deu de ombros.
— Nada pessoal, mas considere como pareceria aos outros se eu a ajudasse. Certamente você não deseja pintar esta eleição como Sunkland e Tearmoon unindo forças para derrubar Belluga.
— Então o que você veio fazer aqui? — perguntou ela, sua voz tingida com uma ponta de”se você não vai ajudar, então vá embora!”.
— Ah, sim. Quase esqueci. — Sua expressão ficou séria, e ele lançou um olhar cauteloso a Bel. — É sobre as Serpentes. Ela é de confiança?
Por Serpentes, ele obviamente se referia às Serpentes do Caos, uma sociedade secreta que tramava atos malignos, cujos membros vilões usavam a camuflagem da mundanidade e se misturavam às massas sem rosto. Contanto que suas identidades permanecessem incertas, era difícil dizer em quem se podia confiar, e a discussão deveria ser restrita a um conjunto limitado de ouvidos.
Mia assentiu.
— Bel é uma de nós. Você pode confiar nela.
Na verdade, ela preferiria dar a Bel o máximo de informações possível.
As Serpentes do Caos estão quase certamente por trás dos futuros problemas do império, afinal…
— Justo. Então podemos falar sobre isso agora mesmo. Primeiro, deixe-me deixar claro que o que vou lhe dizer não é informação definitiva, então leve com um grão de sal… mas parece que as Serpentes do Caos têm agentes em Tearmoon.
— Ah. Eu imaginei.
Considerando que as Serpentes se misturavam à sociedade, tornando impossível dizer quem eram, fazia sentido que também estivessem em Tearmoon. Ela esperava ouvir isso.
— E não apenas em qualquer lugar em Tearmoon. Eles estão entre a nobreza central. Especificamente, parece que um dos Quatro Duques está conectado a eles.
— O-Os Quatro Duques?!
Isso, ela não esperava ouvir.
Tradução: Gabriella
Revisão: Matface
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