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Império Tearmoon – Vol. 03 – Cap. 09 – Princesa Mia… Deduz a Resposta

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Remexe, remexe

Algo sacudiu o corpo de Mia. Ela gemeu e esfregou os olhos.

O que foi… eu estava dormindo? Ugh, sinto como se tivesse tido o pior pesadelo de todos…

Lentamente, muito lentamente, ela abriu os olhos… Apenas para o rosto do fantasma em forma de garota aparecer. Ele a encarava.

— Hnnngh—

Novamente, Mia tombou e desmaiou. Ou melhor, ela estava prestes a, mas…

— Hum, você poderia parar de fingir que está dormindo?

Eh? Eu acabei de… ouvir uma voz?

A hesitação na voz despertou curiosidade suficiente nela para mantê-la consciente. Nervosamente, ela abriu os olhos pela terceira vez e estudou a garota, que a olhava com um rosto quase impassível, exceto por um toque de apreensão.

Hã. Essa garota não é um fantasma, percebeu Mia.

Era senso comum, ela raciocinou, que fantasmas não mostravam apreensão. Portanto, a garota diante dela não poderia ser um. Ela então estendeu a mão e acariciou a cabeça da garota, sentindo o líquido viscoso preso em seu cabelo.

Essa coisa vermelha…

Em uma inspeção mais detalhada, era um pouco vermelho demais para ser sangue.

— Oh… entendo. Esta é a seiva usada para escrever no quadro branco.

Isso fez a garota inclinar a cabeça para o lado e lhe dar um olhar intrigado.

— Hum, não sei o que é isso, mas derrubei o recipiente que o continha. Mas, por favor, não se preocupe. Fiz questão de limpar tudo direitinho — disse ela em um tom surpreendentemente educado.

— Então foi isso que aconteceu… — Mia mordeu o lábio, pensativa.

Então, ela não é um fantasma, afinal. Quer dizer, é claro que eu sabia disso. O tempo todo, na verdade. Todo mundo sabe que fantasmas não existem de verdade…

O que nos leva à questão de… quem diabos essa garota deveria ser?

Com sua aparência esfarrapada, ela se encaixaria perfeitamente com o povo do Distrito da Lua Nova. Seu cabelo emaranhado parecia não ser escovado há algum tempo. Os abundantes rasgos e buracos em seu vestido o faziam parecer mais um pano de limpeza do que uma peça de roupa, e os membros que se projetavam dele eram insalubremente finos.

Uma criança faminta que se esgueirou para a academia.

Essa foi a impressão que ela deu.

— Então, o que exatamente você veio fazer aqui?

— …Acho que você deixou cair isto, então vim devolver.

Ela estendeu o par de chinelos que Mia estava usando antes de perdê-los em sua corrida desesperada.

— Você veio aqui só para me trazer isso? — A garota balançou a cabeça.

— Não, não é só isso. Também quero lhe pedir um favor.

Um favor? Ela quer algo para comer? imaginou Mia, apenas para ser pega de surpresa por seu pedido real.

— Você poderia manter em segredo o fato de eu estar aqui? Por favor, não conte a ninguém — disse ela, antes de se curvar prontamente pela cintura.

Mia a observou.

O pedido dela… e aquela reverência… Mmhmhm, já sei o que você está tramando.

Depois de considerar suas opções por alguns segundos, a boca de Mia se abriu em um sorriso travesso. À primeira vista, a garota parecia em todos os aspectos uma das inocentes moradoras da cidade que não aguentava mais o tormento da pobreza. Em seu desespero, ela até conseguiu derrubar um recipiente de seiva de quadro branco sobre si mesma, cobrindo-se de líquido vermelho pegajoso. O efeito foi impressionante, fazendo-a parecer ainda mais lamentável… Mas não! Isso era tudo uma encenação! Mia, em toda a sua sabedoria, havia percebido o truque!

A segurança de São Noel dificilmente é tão frouxa a ponto de permitir que pessoas pobres aleatórias entrem…

Só para chegar à ilha já era um grande feito. Além disso, o sistema de segurança implantado por São Noel era tão abrangente que tornava a academia uma espécie de fortaleza.

Em outras palavras, esta garota tem o que é preciso para passar por camadas e camadas de segurança.

Além disso, Mia notara algo peculiar em sua reverência. Era decididamente masculina, nem um pouco como uma garota normalmente faria.

Em outras palavras, há uma boa chance de ela ter experiência em fingir ser um garotinho. A única razão para ela fazer isso… é para um disfarce.

Que tipo de pessoa precisaria ir a tais extremos para conseguir entrar em São Noel? E realmente conseguir? Ela só conseguia pensar em uma possibilidade — a sociedade secreta que trama a destruição do mundo.

Hah, boa tentativa, mas você não pode me enganar. Eu sei quem você realmente é. Você é uma Serpente do Caos!

Em um momento de incrível perspicácia, Mia engajou suas faculdades lógicas para deduzir a resposta! A resposta errada, baseada em uma perspicácia incrivelmente falha, mas uma resposta, no entanto!

Mmhmhm, você com certeza não perdeu tempo aparecendo. Pena para você, porque você vai ser enviada direto para a Rafina.

Mia, sentindo-se bastante orgulhosa de si mesma por ter ostensivamente identificado uma agente inimiga, fixou a garota com um olhar altivo.

Agora que sei qual é a sua, você não me assusta mais. Embora, pensando bem…

Uma percepção levou a outra, e ela percebeu que, por mais jovem que essa garota fosse, o fato de ela ter conseguido se infiltrar na academia sugeria que ela poderia não ser fácil de lidar. Nesse caso, o melhor curso de ação para ela, Mia percebeu, era combater o engano com o engano. Ao entrar no jogo e fingir que fora enganada, ela poderia então enganá-los de volta. Sua estrategista interior estava a todo vapor! Vamos torcer para que ela não role direto de um penhasco!

— Sei que coisas terríveis acontecerão se as pessoas descobrirem que você tem me deixado ficar aqui em segredo, mas mesmo assim, por favor, por favor, não conte a ninguém — implorou a garota.

— Ohoho, mas é claro — disse Mia com um sorriso gentil. — Não direi uma palavra sobre você. Será nosso pequeno segredo.

— …Sério?

A garota a olhou com os olhos arregalados de surpresa.

— Mais importante, você não está com fome?

Mia pegou uma pequena caixa em sua mesa e a abriu, revelando alguns biscoitos. Mia, veja bem, tratava seu quarto como uma fortaleza, o que significava que ela sempre garantia que houvesse rações de emergência (leia-se: lanches) suficientes para sobreviver a um cerco de três dias (leia-se: fim de semana sem sair do quarto). E estes não eram apenas biscoitos comuns. Eram o resultado de uma pesquisa aprofundada que Anne conduziu a seu pedido, durante a qual comparou todos os biscoitos disponíveis em uma escala de custo-benefício e selecionou o melhor. Em outras palavras, eram biscoitos ótimos.

Hehehe, uma mordida disso com o estômago vazio, e você não conseguirá parar. Eu te peguei.

A garota, no entanto, balançou a cabeça.

— Não, obrigada. Não estou com fome.

— Hã? Mas…

— É sério. Não estou com fome — insistiu ela, apenas para ser traída por seu estômago, que prontamente soltou um gemido lamentável.

— …

Mia encarou a garota. Para sua surpresa, a garota a encarou de volta, completamente impassível com o constrangimento da situação. Ela até estufou um pouco o peito em uma demonstração de confiança.

— Estou dizendo a verdade, e para provar, estou disposta a jurar pelo nome de minha avó, a quem tenho na mais alta estima.

Nossa, o nome da sua avó não vale muito para você, não é?

Mia resistiu à vontade de revirar os olhos enquanto estendia um biscoito.

— Aqui. Apenas pegue um. Não precisa ser modesta. Tenho muitos mais.

— Mas me disseram que… Comida é preciosa… — disse a garota, seus olhos claramente atraídos para o biscoito. — E eu já estou causando muitos problemas pedindo para você não contar a ninguém sobre mim…

Ela encarou o biscoito, enfeitiçada. Como um teste, Mia moveu sua mão que segurava o biscoito para frente e para trás. A cabeça da garota a seguiu.

— Eu… não posso pedir outro favor… Não comida… — murmurou ela, suas palavras sumindo enquanto seu olhar se tornava cada vez mais intenso.

Mia jogou o biscoito para ela, e ela imediatamente o pegou no ar — com os dentes, nada menos. Enquanto o mastigava avidamente, lágrimas encheram seus olhos.

— É-É tão bom… — disse ela entre fungadas antes de olhar para sua benfeitora com admiração. — V-Você é algum tipo de deusa da compaixão?

Bem, vejo que essa garota é uma verdadeira otária.

Vendo que seu inimigo havia mordido a isca, Mia abriu seu sorriso mais desarmante.

— Tenho muitos biscoitos, então sinta-se à vontade para comer quantos quiser. Não tenho mais nada no momento, mas pedirei que façam um café da manhã para você pela manhã. Além disso… — disse ela, dando uma olhada na garota. — Você precisa de um banho.

Ela achou melhor apresentar sua Serpente apreendida a Rafina em um estado menos sujo.

Caso contrário, Rafina pode pegar leve com ela por engano. Quer dizer, ela parece tão miserável agora que até eu sinto um pouco de pena dela—

A porta de seu quarto se abriu.

— Ah, senhorita. Bom. Você voltou.

De pé na porta estava Anne, que soltou um suspiro de alívio ao ver Mia. Aparentemente, ela ficara preocupada e saíra para procurá-la.

— Ah, Anne. Sim, eu só fui ao banheiro. Bom momento da sua parte, no entanto. Você se importaria de preparar o banho?

— Certamente não me importo, senhorita, mas, hum… Quem poderia ser esta?

Boa pergunta. O que devo dizer?

Mia considerou suas opções. Enquanto o fazia, olhou para a garota, apenas para encontrá-la olhando perplexa para frente e para trás entre ela e Anne.

— Hã? A-Anne? Você quer dizer… Mãe Anne? Se é isso… e você acabou de chamá-la de senhorita, então isso significa…

— Uh… desculpe, mas qual é o problema agora? — perguntou Mia, com uma sobrancelha erguida para a reação súbita e perplexa da garota.

 


 

Tradução: Gabriella

Revisão: Matface

 

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