Já tendo experiência em cavalgar, Abel foi o primeiro a recuperar a compostura.
— Vamos, Princesa Mia, abra seus olhos e dê uma olhada ao redor. A vista daqui de cima é uma coisa e tanto.
— A-acho que eu deveria. Tudo bem… Aqui vou eu.
Mia respirou fundo, fortaleceu os nervos e forçou seus olhos a abrir. A perspectiva foi completamente nova. Diferente da vista panorâmica em cima de um castelo, essa era apenas um pouco maior que o normal, o que atribuiu um sentimento de novidade ao cenário. Uma brisa fresca passou por suas bochechas e levantou seu cabelo. O balanço rítmico nos passos do cavalo, os quais tinham sido nada além de aterrorizantes no início, estavam começando a agradá-la.
Que estranho. Por alguma razão, estou começando a me sentir meio sonolenta…
Ela gentilmente pousou sua cabeça sob as costas de Abel e fechou os olhos.
— Wh-hoa, P-princesa? O qu-que você está—Ah, olha ali! É ela! Sua, é… atendente!
— Hm? Nossa, você está certo!
— Ei, Anne!
Mia jogou suas mãos no ar e acenou entusiasmada para Anne. Suas mãos. E acenou entusiasmada. Infelizmente, a intimidade gera complacência, e complacência gera falta de cuidado.
— Espere, não solte—não!
— Eh? — A visão de Mia de repente girou em um arco — Hyaaaaah!
Ela gritou enquanto tombava do cavalo e caía no chão com uma pancada.
— Mmm… Hm? Que estranho.
Por algum motivo, o impacto não foi tão ruim quanto parecia.
— Ai, ai, ai…
Ela ouviu a voz de Abel próximo ao seus ouvidos. Apreensivamente, abriu um olho para dar uma olhada.
— P-príncipe Abel?! O que você…
Foi quando percebeu estar em seus braços. Na verdade, em seu abraço! Abel mergulhou com ela para conseguir envolvê-la e proteger sua queda
— O qu— M-mas—Hein?!
Sua voz falhou e gaguejou incoerentemente. Mal podia ouvir a si mesma sob os batimentos do próprio coração.
Po-Por que luas estou tão inquieta? Isso é só um abraço. Estou simplesmente sendo abraçada pelo Príncipe Abel, só isso. Não tem motivo para ficar toda emocionada. Além disso, não é nem a minha primeira vez. Já experimentei ser abraçada. Fui abraçada durante a dança. Sou uma mestra em ser abraçada…
Mia pensou sozinha numa tentativa desesperada de acalmar os batimentos selvagens em seu peito.
E-e, sem mencionar que o Príncipe Abel é só uma criança. Está certo. Ele é oito anos mais jovem que eu e—
— Você está bem, Princesa Mia? Se machucou em algum lugar?
Olhou para cima e encontrou seu olhar, sua expressão repleta de preocupação. Seus olhos então se encontraram e a intensidade nos olhos de Abel avançou sobre Mia e perfurou seu coração.
N-não! Não me olhe assim! Não com esses olhos!
Mia rapidamente desviou o olhar, mas não antes de suas bochechas corarem.
—E-estou bem, Príncipe Abel. Muito bem na verdade, então se você não se importar… poderia, hmm, me deixar sair?
— U-uh, claro. Com certeza. Me desculpe.
Ele rapidamente se afastou dela, sua expressão estava visivelmente deprimida.
— Aliás, por favor, não tenha uma ideia errada sobre isso — disse Mia apressadamente. — Não me importo de você ter me segurado nem nada assim. Não é isso.
— Sim, claro. Eu sei…
Ao contrário de suas palavras, a expressão de Abel não melhorou. Parecia desapontado… quase desolado. Algo em sua expressão a fez se sentir desconfortável.
Ah, agora eu entendo. O mundo gira, não é? Ele para de gostar de mim, e então quando eu precisar de seus reforços no futuro, ele não os mandará mais…
Havia apenas uma sombra de dúvida no fundo de sua mente — um sussurro que perguntava se algo assim poderia possivelmente causar seu desprezo por ela. Ela decidiu descartar o pensamento e focar em como remediar a situação.
O que posso fazer… Arrá! Já sei!
Ela se aproximou dele e pegou em suas mãos com as suas próprias.
— Huh? O que?
— Muito obrigada por me salvar agora pouco, Príncipe Abel! — disse, antes de aproximar seu rosto ao dele. Então, levantou seu rosto e olhou diretamente em seus olhos.
Quando alguém se aproxima muito, a reação natural é recuar. Apenas tenho que fazê-lo experimentar esse processo por si mesmo. Nossa, quão pavorosamente esperta eu sou!
— A-ah, olha, hm… Certo, já entendi, então você poderia… não chegar tão perto?
Incapaz de lidar com seu olhar, ele corou e se virou.
— Entende? Você desviou o olhar também, não foi? Se importaria em me explicar porquê fez isso?
Mia fez um sorriso vitorioso.
— Por quê…?
— O que sente agora, Príncipe Abel, é como me senti há pouco.
— O qu—?!
Entenda, sendo uma pessoa de sentimentos delicados, fico tímida quando as pessoas chegam muito perto. Isso é tudo.
— M-mas, acredito… que provavelmente sinto isso mais forte que você.
— Nossa, é um mal perdedor que estou ouvindo?
Havia uma certo tipo de forma infantil e afetuosa sobre como Abel se tornou tão competitivo em algo tão trivial, e ela não pôde evitar uma risadinha.
Me pergunto se está tentando dizer que é mais delicado que eu?
O que Mia não percebeu foi que possuíam interpretações um pouco diferentes de como se sentiam. O que assumiu ser uma reação por “alguém chegar muito perto”, ele entendeu como “se aproximar da garota que você gosta.”
O que ela também não percebeu foi que havia outra camada em sua própria reação que, sem que soubesse, era bem parecida com a de Abel.
Tradução: Sincronize
Revisão: Matface
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