Dizem que foi há cerca de sete ou oito anos que a notícia sobre um lugar misterioso conhecido como A Cozinha dos Gigantes começou a se espalhar entre os viajantes.
Panfletos alegando que uma certa bruxa viajante — a Bruxa Cinzenta, que havia percorrido o mundo — tinha feito uma crítica entusiasmada começaram a circular entre os turistas. Com o tempo, para uma certa parcela da população, esses panfletos se tornaram bastante valiosos.
Mesmo agora, eles parecem ter mantido seu valor, considerando que minha própria companheira de viagem segurava um contra o peito como um objeto precioso enquanto dizia:
— Este panfleto, não acredito… finalmente consegui um em um leilão… estou apaixonada…
— A propósito, essa Bruxa Cinzenta… por acaso não seria a nossa professora?
Apontei para a parte inferior do panfleto que minha companheira segurava. Havia uma silhueta impressa ali, ao lado do endosso da Bruxa Cinzenta. Era uma figura que eu já tinha visto antes.
— Tenho a mesma impressão — ela assentiu.
Então, ela olhou para o prédio em ruínas à nossa frente. Havia uma placa pendurada na porta da frente que dizia: FECHADO PARA REFORMAS, embora o estado do lugar desse a impressão de que, longe de estar fechado para reformas, estava fechado para sempre.
— Hã? Mas o panfleto diz que eles abrem todos os dias do ano, não é…?
Que estranho. O que diabos isso poderia significar?
— Hmph! — Minha companheira de viagem sorriu inesperadamente. — Parece que eles tomaram providências para que ninguém entrasse no restaurante por engano. Mas tudo bem. Tenho certeza de que esta placa é mentira — disse ela, antes de jogar a placa de FECHADO PARA REFORMAS para o lado.
— Você deveria fazer isso?
— Tudo bem. O panfleto estava certo, afinal.
Aparentemente, minha companheira depositava uma grande confiança nesse panfleto que tanto se esforçou para adquirir (tudo o que ela fez foi ganhá-lo em um leilão).
— Tenho certeza de que eles não querem viajantes aleatórios perambulando por aqui. Ninguém deveria saber da existência deste restaurante a menos que tenha o panfleto… Heh-heh… heh-heh-heh-heh…
Minha companheira de viagem, uma garota chamada Linaria, que tinha o cabelo roxo preso em um único rabo de cavalo atrás da cabeça, colocou uma mão na porta.
Atrás dela, observando-a com olhos muito frios, estava a Alte de cabelos castanhos.
— ……
…Ou seja, eu mesma.
Estávamos bem no meio de uma caça à história, explorando a história de vários países.
O que diabos é uma caça à história, você pergunta?
E o que nos esperava do outro lado daquela porta?
Antes de contar como Linaria ficou ainda mais louca depois de tocar em um pedaço genuíno da história, suponho que devo contar como fomos parar em um lugar como este.
Deixe-me voltar no tempo para cerca de uma semana antes, quando tudo isso começou.
A Universidade Estadual de Latorita tem um longo período de férias, do final do inverno até o início da primavera.
A maioria dos estudantes visita a família durante as férias, e eu também tinha feito planos de ir mostrar meu rosto sorridente para minha família no campo, como de costume; no entanto, este ano não tive escolha a não ser abandonar esse plano. Não tinha nada a ver com precisar de aulas de reforço de repente porque não sou muito inteligente, ou com estar ocupada no meu trabalho de meio período, ou algo do tipo.
Havia outra coisa acontecendo.
— Vou viajar.
Tarde da noite, no dia anterior ao início das férias, minha amiga Linaria apareceu de repente no meu quarto do dormitório, me acordando de um sono profundo para me dar alegremente uma notícia urgente.
— Vou usar as longas férias para partir em uma jornada e fazer uma caça à história. Uma viagem de caça à história… heh-heh-heh…
Linaria estava tão animada que não parecia se importar com a hora.
Quando nos conhecemos, eu achava que ela era muito legal e incrível. Mas, aparentemente, quando se tratava de história, ela ficava um pouco desequilibrada.
No início, as mudanças repentinas que ocorriam nela me deixavam perplexa, mas, com o tempo, me acostumei. Agora, ela de repente invadia meu quarto a qualquer hora, tagarelando sobre sabe-se lá o quê. Mas éramos amigas, então eu não queria cortá-la.
— Ah, pensando bem, você já vem dizendo algo assim há um tempo, não é…? Fwaah… — soltei um bocejo.
Ainda sonolenta, pensei no passado, quase como se estivesse caindo em um sonho.
Lembrei-me de um momento entre as aulas.
Linaria tinha vindo me mostrar um panfleto velho e desgastado que era obviamente suspeito.
— Escute, aparentemente há um restaurante estranho não muito longe daqui chamado “A Cozinha dos Gigantes”. As mulheres minúsculas de lá nos veem, humanos, como seus inimigos e tentam atacar os clientes. Apesar de serem minúsculas, o lugar se chama “A Cozinha dos Gigantes”. Isso não lhe parece uma contradição? Eu acho que sim. É terrivelmente misterioso.
E outra vez, quando nós duas estávamos beliscando nossos almoços, ela manteve uma conversa unilateral.
— Aparentemente, há um certo país onde há bustos de gesso alinhados nas paredes dos arquivos históricos, incluindo um de uma deusa. Ouvi dizer que a deusa foi reparada há cerca de sete anos e o novo busto é simplesmente deslumbrante. Você não acha que valeria a pena visitar?
Ou uma vez, quando estávamos a caminho de casa depois da escola, ela falou com grande entusiasmo sobre algo.
— Ouvi dizer que há um país onde eles realizam corridas de vassouras há séculos. Aparentemente, muitos viajantes se reúnem lá de todos os lugares, na esperança de ter a chance de enriquecer apostando no resultado da corrida. Honestamente, não me importo muito com a corrida ou com o dinheiro, mas, historicamente falando, países que realizam tais corridas são bastante raros. Você não gostaria de ir ver isso?
Lembrei-me de uma vez em que nós duas estávamos de molho uma ao lado da outra nos banhos do dormitório, e ela tagarelava.
— Isso me lembra, falando em banhos, ouvi dizer que em um lugar bem longe daqui, há uma cidade subaquática chamada “Cidade Submersa”. Até recentemente, pensava-se que era uma ruína, mas, na verdade, o povo da Cidade Submersa havia cortado o contato com o mundo exterior e continuado a viver isolado. Você não acha isso incrível?
Ela vinha falando sobre essas coisas com bastante frequência recentemente, e, da minha parte, eu vinha dando respostas superficiais como “Entendi” e “Parece interessante” durante as palestras improvisadas de história de Linaria. Ela parecia satisfeita o suficiente apenas por ter alguém para quem falar e não parecia se importar com minhas respostas curtas.
— E escute, e…
Com os olhos brilhando de excitação, ela falava longamente, recontando contos de outrora.
Era isso que vinha acontecendo ultimamente.
Eu a conhecia bem o suficiente para adivinhar como Linaria aproveitaria as longas férias escolares.
— Quando você parte…? — perguntei com outro bocejo instável.
— Que pergunta boba… Agora mesmo, é claro!
Aparentemente, ela estava partindo naquele exato minuto.
Quando esfreguei meus olhos sonolentos e a olhei melhor, pude ver que Linaria estava vestida com seu uniforme escolar de sempre, mas tinha uma mochila enorme nas costas.
Entendi — então ela passou no meu quarto depois de se arrumar.
— É mesmo…? Tudo bem, espero lembrancinhas… fwah…
Deixei outro bocejo escapar e comecei a fechar a porta.
— Hã? Espere. O que você está dizendo?
Tentei fechá-la, mas Linaria enfiou o pé na fresta e me impediu. Ela até colocou a mão na porta e a forçou a abrir novamente.
— Por que você não está pronta?
Hã?
Pronta para quê?
— Hã? Como assim? — Naquele momento, minha sonolência desapareceu de repente.
Hã? Pronta? Para o que eu deveria estar pronta?
Não consegui esconder minha perplexidade. Linaria estreitou os olhos para mim, insatisfeita, e então disse:
— Você vem comigo. Na minha caça à história.
— ……
— ……
Hã?
Do que ela está falando?
— Você prometeu, não prometeu? Esqueceu? — Linaria inflou as bochechas, zangada.
Eu prometi?
Eu tinha acabado de acordar de um sono profundo. Minha mente nebulosa entrou em parafuso, vasculhando memórias passadas, assim como quando usamos o relógio de bolso que reverte o tempo.
Eu me lembrava claramente de Linaria falando apaixonadamente comigo sobre sua ideia de caça à história sempre que tinha a chance, mas de nenhuma instância de receber um convite.
“Eu quero fazer uma caça à história, mas… bem, vai ser solitário sozinha.”
“Entendi.”
Hmm?
“Então… se não for problema para você, estou apenas perguntando, mas… se você quiser, que tal vir comigo?”
“Parece interessante.”
Hmmm?
— ……
— ……
Consegui me lembrar de uma cena nos banhos.
Estávamos conversando e de molho por tempo demais, e eu não estava prestando muita atenção quando respondi. Agora eu podia ver que Linaria tinha presumido que eu estava aceitando seu convite para participar da caça à história. Eu até tinha concordado com a cabeça.
Pensando bem, parecia que Linaria estava de um humor excepcionalmente bom desde então. Agora eu sabia o porquê. Ela estava animada porque havia encontrado uma parceira para sua expedição.
Entendi, entendi.
……
— E suponho que seria ruim se eu não me arrumasse agora mesmo…?
— Nem preciso dizer.
Foi tudo o que ela disse antes de fechar a porta.
Era garantido que eu teria problemas se não estivesse preparada para partir na próxima vez que aquela porta se abrisse.
— ……
Queridos Pai e Mãe:
As circunstâncias ditam que não voltarei para casa este ano durante as férias de inverno.
Em vez disso, embarcarei em algum tipo de “caça à história”, então esperem algumas lembrancinhas legais.
Então foi assim que Linaria e eu acabamos partindo em uma caça à história juntas, visitando outros países e locais históricos.
O primeiro lugar que visitamos em nossa viagem foi esta cabana que servia como localização da Cozinha dos Gigantes.
Bem-vindo à Cozinha dos Gigantes. Você deve estar cansado. Por favor, retire seus calçados.
Aparentemente, este restaurante tinha algumas regras únicas em vigor. Eu esperava entrar direto no restaurante quando passássemos pela porta da frente, mas não foi o caso. Primeiro, tivemos que tirar nossos sapatos.
Aparentemente, já havia um outro cliente aqui antes de nós. Um único par de sapatos estava colocado ordenadamente na sapateira.
A julgar pela aparência, pertenciam a uma mulher, mas…
Suas roupas podem sujar durante sua estadia. Por favor, deixe qualquer bagagem aqui antes de entrar. Clientes usando casacos e chapéus, por favor, retirem-nos.
Depois dos sapatos, tivemos que deixar nossa bagagem para trás. Fiquei me perguntando se nossas malas poderiam ser roubadas se as abandonássemos em um lugar como este, mas imaginei que tínhamos que seguir as regras do restaurante.
Na verdade, o outro cliente também havia deixado suas malas, então seguimos seu exemplo e colocamos nossas mochilas no chão antes de abrir a próxima porta.
Não está com sede? Antes de entrar em nosso restaurante, por favor, beba isto.
Foi o que vimos quando abrimos a terceira porta. Havia uma garrafa em cima de um pedestal com um rótulo que dizia, BEBA-ME!
Nossa, esta Cozinha é realmente exigente.
Eu não tinha nenhum motivo real para suspeitar, então peguei a garrafa e bebi um pouco do conteúdo.
— …Blech! — Tinha um gosto estranho. Para um líquido transparente, era terrivelmente amargo e tinha mais gosto de remédio do que de água pura.
Era absolutamente nojento.
— …Aqui está, Linaria.
Mas eram as regras do restaurante, então tínhamos que beber.
Eu esperava que a Linaria amante da história bebesse alegremente e dissesse algo como: “Ah! Posso sentir o gosto da história!” Estendi a garrafa com a boca virada para ela, mas ela não a pegou.
— Linaria?
Inclinei a cabeça para o lado, confusa.
Ela não estava agindo como uma entusiasta da história animada. Em vez disso, estava agindo de forma fria e distante.
— Que estranho… — Seu olhar frio estava fixo na garrafa.
— Hm? O que é estranho? — Fiquei intrigada.
Ela me respondeu: — Eu tinha ouvido que você tem que passar por três portas para entrar na Cozinha dos Gigantes, mas as instruções escritas nesta terceira porta são diferentes das histórias que ouvi. Se bem me lembro, deveria haver perfume em frente à terceira porta…
Oh?
— Então isso significa que eu posso ter acabado de beber perfume…?
Eca, não é à toa que era nojento!
— ……
Mas Linaria balançou a cabeça lentamente. — Provavelmente não era perfume. As palavras na porta também são diferentes da minha pesquisa.
Hã?
— Então, o que diabos…
O que eu acabei de beber?
Dei outra olhada na garrafa, e foi aí que aconteceu.
— Wah!
Uma pontada de dor atravessou meu peito.
Meu coração batia forte e minha respiração ficou pesada. Agachei-me e deixei a garrafa cair, deixando o conteúdo derramar.
Enquanto observava o líquido transparente se espalhar pelo chão, respirei fundo para tentar acalmar minha respiração ofegante.
Mas isso não aliviou a dor no meu peito.
— …! Alte! Você está bem? O que foi…?
A pulsação súbita no meu peito era tão dolorosa que mal conseguia ouvir a voz em pânico de Linaria.
— Ugh… dói…
Pude perceber imediatamente que essa dor estava consumindo meu corpo, pior do que qualquer intoxicação alimentar. Junto com a dor no peito, eu estava perdendo firmemente toda a minha força.
E então eu desmaiei.
Meu corpo e minhas roupas ficaram encharcados quando caí no chão.
— Espere, vou te curar com um feitiço!
Linaria havia percebido que o que quer que eu tivesse engolido não era água ou perfume, mas algo mais perigoso.
Em uma corrida em pânico, ela voltou para pegar nossas malas, e imediatamente depois que ela saiu… a porta do restaurante se abriu.
Enquanto minha visão escurecia, vi alguém aparecer do outro lado da porta, sorrindo abertamente.
— Oh-hoh-hoh… bem-vinda ao meu mundo ideal!
Então ela me pegou do chão e voltou para dentro do restaurante.
Enquanto entrávamos, notei algo estranho. De alguma forma, eu cabia inteiramente em suas mãos em concha.
Eu estava aconchegada nas mãos desta garota, que era tão grande quanto uma gigante.
Quando abri os olhos, pude perceber imediatamente que algo estava errado.
Aparentemente, eu estava dormindo profundamente na cozinha, porque havia uma frigideira e todos os tipos de utensílios de cozinha ao meu lado.
Mas o estranho era que todos esses utensílios de cozinha eram ridiculamente enormes. Por exemplo, a frigideira era grande o suficiente para que eu pudesse caber facilmente dentro dela. As facas poderiam ter me cortado ao meio, e as panelas, pratos e tudo mais eram simplesmente enormes. A visão me fez suspeitar que eu estava prestes a ser cozida.
Era literalmente a cozinha de um gigante.
— ……
Espere, mas talvez…
— Eu… encolhi…?
Essa foi a única resposta que consegui encontrar.
Olhei para cima e vi grades. Olhei para a frente e vi grades. Na verdade, para onde quer que eu olhasse, todo o meu campo de visão estava coberto por grades.
Eu me senti como se estivesse na prisão.
Bem, era menos como uma cela de prisão e mais como uma gaiola de pássaro.
— Você acordou.
Sentei-me e vi alguém ao meu lado.
Era uma jovem bonita de óculos.
— Quem é você…?
— Sou Acre. A cronista.
Cronista…?
Inclinei a cabeça em confusão, e a garota que se chamava Acre disse: — Então você também teve azar, hã? Desde que aquela mulher chegou aqui, esta cozinha mudou… Este é o cercado da punição. Ao entrar em nossa cabana, seu corpo foi encolhido, com roupas e tudo, e ela te capturou.
Ela de repente começou a explicar.
Não… não, não, não.
— Desculpe, você está de repente me contando todas essas coisas, e não consigo acompanhar. Você se importaria de explicar desde o início, passo a passo?
— …… — Acre inflou as bochechas sem dizer uma palavra.
— Primeiro de tudo, onde estou?
— …Não me diga que você veio aqui sem saber nada sobre o lugar?
— ……
Tudo o que pude fazer foi assentir.
Para ser honesta, Linaria havia entrado correndo sem inspecionar o lugar nem nada, e, da minha parte, não era como se eu estivesse ansiosa para vir aqui por algum interesse apaixonado como Linaria. Eu realmente não sabia que tipo de estabelecimento era para ser.
Linaria provavelmente me contou todo tipo de coisas sobre este lugar antes de virmos aqui, mas como eu tinha o hábito de ignorá-la completamente quando ela começava uma de suas longas conversas, eu realmente não sabia de nada. Estava começando a me arrepender de não levar suas aulas de história mais a sério.
— …Ahhh. — Acre, a cronista, soltou um suspiro. — Bem, então, leia isto. Eu tenho atuado como cronista aqui na Cozinha dos Gigantes por um longo tempo, então você deve entender a maioria das coisas sobre este lugar quando terminar.
Enquanto dizia isso, ela me entregou um livro.
Ela disse que continha um registro de tudo o que havia acontecido recentemente.
Abri a capa.
Mês X, dia X
Comparado a como as coisas eram há vários anos, parece que nossa “Cozinha dos Gigantes” realmente começou a prosperar. Suponho que seja tudo graças àqueles dois gigantes que enfrentamos há pouco tempo.
De vez em quando, viajantes têm aparecido à nossa porta. Eles nos presenteiam com bolotas, folhas e pétalas de flores — nossas comidas favoritas. Em troca, oferecemos a eles materiais de construção.
Esta nova relação beneficia ambas as partes.
Se eu tivesse uma queixa, seria que muito poucos humanos trazem meu favorito pessoal com eles.
Mês X, dia X
Meu favorito é algo liso e brilhante chamado “dinheiro” no mundo exterior. Mas, aparentemente, é bastante valioso, então, apesar de quão prontamente os viajantes entregam folhas e outras coisas, eles quase nunca nos oferecem dinheiro. Eles são tão mesquinhos.
Dia após dia, cumpro meus deveres enquanto esfrego minhas bochechas contra a peça de ouro lisa e brilhante que a gigante de cabelos cinzentos me deu antes… eh-heh-heh-heh-heh-heh… tão liso, tão brilhante, eu amo…
— Você não precisa ler essa parte.
Levei um chute na canela quando estava no meio da leitura.
— Você ama dinheiro…?
— Não olhe para as partes que não têm nada a ver com a história principal. — Acre estava irritada. Ela pegou o livro com força das minhas mãos, virou algumas páginas e o devolveu depois de abri-lo em uma página com datas mais recentes.
— Aquela mulher veio aqui ontem.
Mês X, dia X
Hoje uma mulher estranha veio ao nosso restaurante.
Ela ignorou completamente nossas três regras, “retire seus sapatos”, “deixe suas malas” e “borrife perfume em si mesma”, e entrou direto.
Quando nos viu, ela gritou: “Ah! Que fofas!” e começou a respirar pesadamente.
No decorrer do nosso trabalho, nos acostumamos a encontrar clientes estranhos. Não ficamos felizes por ela não ter seguido as regras, mas começamos a servir nossa cliente como sempre fazemos.
Servir a cliente.
Em outras palavras, lançamos um ataque.
A capitã reuniu as tropas como de costume, e começamos os preparativos para uma ofensiva total. Se as coisas tivessem prosseguido normalmente, a cliente teria observado nosso ataque iminente e nos oferecido algumas folhas ou algo assim, mas, neste dia, a situação foi um pouco diferente.
“Oh não, fui derrotada!”
Antes mesmo de lançarmos nosso ataque, a mulher caiu no chão. Então ela se contorceu de uma maneira estranhamente erótica. “Vão em frente, façam o seu pior… peguem meu tesouro e vão…!” De seus bolsos, ela tirou folhas, bolotas e pétalas de flores, e as espalhou por todo o chão.
“…O que ela está fazendo? Nós nem atacamos ainda…” A capitã também não pôde deixar de se sentir desconfortável com o comportamento estranho desta cliente.
“Bem, tanto faz! Nós vencemos!” Mas a capitã cedeu à excitação e declarou vitória, levando seus soldados com ela para se amontoarem em volta das folhas.
Eles eram tolos.
Eu prefiro muito mais a coisa chamada “dinheiro”, então não participei do ataque. Apenas fiquei de longe, observando o comportamento de meus compatriotas como uma boa cronista.
Foi assim que consegui notar a mudança que se abatia sobre eles mais rápido do que qualquer outra pessoa.
Normalmente, eles apenas se amontoariam nas oferendas e fariam um grande alvoroço, gritando de excitação.
Mas, nesse dia, tudo foi diferente.
“Urk…!”
“O que está… acontecendo…?”
“O que diabos…?!”
Um por um, meus compatriotas desabaram.
Então, imediatamente depois, eles abandonaram suas armas e cambalearam de volta aos seus pés. Seus corpos estavam moles, e pareciam estar sendo pendurados por cordas invisíveis.
Eles se levantaram como marionetes.
“Heh-heh… parece que minha poção fez efeito rapidamente.”
Poção.
Tenho certeza de que foi o que ouvi a mulher dizer enquanto se sentava educadamente.
Então ela olhou para os soldados diante dela. “De agora em diante, todos vocês trabalham para mim. Entenderam?”
“Sim, senhora!”
Eles se ajoelharam. A capitã e todos os outros soldados e a vigia, todos eles curvaram a cabeça para a mulher em uníssono.
Eu entendi imediatamente a situação. Todos os meus camaradas estavam sendo manipulados por sua mão. As folhas e flores que a mulher nos ofereceu estavam tendo este efeito. Elas haviam sido misturadas com uma poção.
Eu imediatamente determinei seu objetivo.
“Heh-heh-heh… eu já investiguei e descobri que todo cliente que vem aqui é rico… Afinal, eles não conseguem obter o panfleto sem ganhá-lo em um leilão… Então, se eu arrancar dinheiro das pessoas que vêm a este restaurante, posso ficar muito rica… Ah… que plano perfeito…!”
Quando digo que “determinei”, quero dizer que ela mesma anunciou.
“Entendido, senhora! De agora em diante, vamos extorquir dinheiro de todos os invasores!” Com passos vacilantes, meus camaradas começaram a subir pelo corpo da mulher. Era impressionante como seguiam exatamente suas instruções.
“Ah, esperem…! Vocês entenderam tudo errado! Podem ficar onde estão. Não se movam.”
“Entendido!”
Eu não tinha dúvidas de que o efeito da poção não se estendeu a mim porque não mordi a isca que a mulher nos ofereceu. No entanto, agora que todos os outros estavam sob seu controle, exceto eu, não estava segura.
Ficou claro que, se eu não escapasse o mais rápido possível, aquela mulher faria algo comigo também.
“O que é isso…? Uma de suas amiguinhas ainda está escondida ali, não está…?”
Uh-oh.
Assim que dei um passo para escapar, a mulher me avistou.
“Se você não vai ouvir o que eu tenho a dizer, acho que não tenho escolha. Peguem-na!”
A mulher estalou os dedos.
Imediatamente depois disso, os outros correram para cima de mim, e isso praticamente nos leva ao presente. Fui colocada aqui no cercado da punição.
“Heh-heh-heh… com isso, os preparativos iniciais estão completos.” A mulher olhou para mim agora que eu era sua prisioneira e sorriu.
O nome daquela mulher terrível é Priscilla. Aparentemente, ela é uma jovem maga.
— Vocês duas, aí no cercado da punição, como estão?
Imediatamente depois de eu ter terminado de ler o longo, longo registro de Acre, “aquela mulher” apareceu diante de nós.
Ela usava um chapéu preto macio e fofo, redondo com o topo plano, e seu cabelo dourado e brilhante caía do chapéu em ondas fluidas. Ela estava vestida com um manto preto muito distinto, com um design elaborado como um vestido gótico.
Pela aparência de seu rosto, imaginei que ela tinha mais ou menos a mesma idade que eu. Mas sua maneira de falar invulgarmente madura e sua figura ampla, que era perceptível mesmo sob suas roupas grossas, a faziam parecer menos uma jovem adorável e mais uma mulher adulta elegante e bonita.
Olhei para ela de dentro da gaiola. Para a garota vestida com roupas pretas e grossas.
— Não está quente?
Essas foram as primeiras palavras que me vieram à mente.
É início da primavera agora.
Sabe, primavera. E você está vestida para o auge do inverno?
Quando perguntei, Priscilla bufou com altivez. — Que pergunta tola!
— É uma pergunta tola?
— Claro que está quente!
— Ah, está?
— Mas não vou tirar!
— ……

— Porque esta sou eu!
— ……
Priscilla jogou seus longos cabelos para trás. — Eu tomei posse de sua bagagem. — Ela ergueu minha mala no ar para que eu visse. — Então você é uma estudante? Está viajando durante suas longas férias?
— …Isso mesmo.
— Oh-hoh-hoh… mas que pena para você! Sua jornada termina aqui!
Priscilla fez uma expressão presunçosa de triunfo. Ela parecia madura, mas seu comportamento era certamente apropriado para uma garota de sua idade.
— Umm… eu gostaria que você me soltasse imediatamente…
— Não vou atender a esse pedido! — ela respondeu de forma decisiva. — Se você realmente precisa sair, terá que roubar a chave dos meus lacaios! A propósito, eles lhe darão um quiz, e se você passar, eles a entregarão!
— Hã…?
Priscilla me apresentou uma sugestão invulgarmente específica para adquirir a chave. As pequenas mulheres que ela já havia declarado serem seus “lacaios” estavam de prontidão em frente à gaiola. Ela até sugeriu um nível de dificuldade que parecia muito brando, acrescentando: “Você pode errar o quiz quantas vezes precisar.”
— Além disso, eu realmente não tenho dinheiro… Você poderia, por favor, devolver minha mala?
Faz sentido tentar roubar de clientes ricos, mas a premissa de que apenas pessoas ricas teriam um panfleto em primeiro lugar é um pouco bizarra. Afinal, até mesmo uma estudante autossuficiente como Linaria conseguiu economizar e ganhar um em um leilão.
— Não vou atender a esse pedido! — Como esperado, a resposta à minha proposta foi um sonoro não. — Se você realmente precisa dela de volta, tente roubá-la de mim! A propósito, vou tirar uma soneca agora! Você está ouvindo? Não ouse roubar a ‘poção de crescimento’ que tenho no meu bolso! Se você a roubasse, poderia devolver seu corpo ao seu tamanho original!
— Por que você continua me apresentando soluções assim? — Era quase como se ela estivesse me pedindo para roubar a poção.
— Silêncio, você! De qualquer forma, vou dormir!
Priscilla não parecia nem um pouco interessada no que eu tinha a dizer. Ela saiu da cozinha e foi para a sala de jantar, onde bufou enquanto estendia um cobertor no chão, bateu no travesseiro várias vezes para afofá-lo e se esticou para uma soneca.
Ignorando-me enquanto eu observava em silêncio atônito, ela fez exatamente como havia anunciado e adormeceu aconchegantemente.
Ela parecia a Bela Adormecida, deitada de barriga para cima e cochilando pacificamente.
……
Uh…
— O que diabos…?
Completamente perdida, olhei para Acre, a cronista. — Você acredita que eu tenho que fazer um quiz…?! — reclamei. — Não há como eu conseguir responder com o pouco que sei…!
— Você ficou realmente burra de repente, hã? — minha companheira de gaiola respondeu. Acre me agarrou pelo braço, um pouco com força, e me arrastou para onde um lacaio estava parado em frente à gaiola.
— Tudo bem, cliente! — a pequena mulher do lado de fora da gaiola disse. — Primeiro de tudo, você deve responder a este quiz!
Foi aí que aconteceu.
Alguém bateu suavemente na janela da cozinha.
Quando olhei, vi Linaria, nos observando através de um par de binóculos que ela segurava em uma mão… do lado de fora da dilapidada Cozinha dos Gigantes. A maneira como ela espiava furtivamente através de seus binóculos nos fazia parecer que ela estava observando pássaros ou algo assim. Embora seu alvo não fosse um pássaro; era apenas eu, em uma gaiola.
Ela me encarou fixamente.
Ela estava segurando um bloco de notas no qual havia escrito: Você encolheu muito… O que aconteceu?
Claro, bem no meio de tudo isso, as regras do quiz estavam sendo explicadas para mim. O lacaio que estava parado em frente à gaiola disse: “Vou lhe dar um quiz agora, então, por favor, escreva suas respostas neste bloco de notas. Se você responder corretamente, eu a deixarei sair da gaiola. Além disso, a Srta. Priscilla disse isso antes, mas você pode tentar novamente o quiz, não importa quantas vezes você falhe.” Então ela me entregou um bloco de notas e uma caneta.
……
Isso é perfeito. Posso escrever aqui.
Eu realmente não entendo o que está acontecendo, mas, por enquanto, aparentemente tenho que fazer um quiz. Segurei isso virado para a janela.
— Ah-ah! Eu nem lhe dei as perguntas ainda! Por que você está escrevendo sem permissão!? — O lacaio ficou chateado com a interrupção.
Quiz…? Como assim? Não entendi. — Linaria inclinou a cabeça para o lado.
Há uma maga chamada Priscilla aqui que está tentando dominar A Cozinha dos Gigantes, e, aparentemente, é por causa dela que este lugar ficou tão estranho. É culpa dela eu estar assim. — Dei uma explicação sucinta da situação.
— Eu já lhe disse! Eu nem fiz nenhuma pergunta! Pare de escrever o que você quiser! — O lacaio ainda estava zangado.
Eu realmente não entendo, mas, por enquanto, só preciso dar um jeito nessa Priscilla, certo?
Por favor, pare de dizer coisas tão perturbadoras…
— Inacreditável! Você fez de novo! Quantas vezes tenho que dizer antes que você entenda?! Espere até eu lhe dar as perguntas! Vou ficar muito brava se você fizer de novo! — disse o lacaio, embora já estivesse furiosa.
Atrás do lacaio, Linaria segurou outro pedaço de papel para eu ler. Espere aí, Alte. Vou bolar alguma coisa. Você faz o quiz deles ou o que for e mata o tempo.
— Tudo bem, então, aqui está sua pergunta! Na verdade, isso já apareceu uma vez nos registros de Acre. Qual foi exatamente a última linha que eu gritei nos registros que ela manteve? Heh-heh-heh, você pegou uma difícil logo de cara, hã? Bem, você sabe?
Não prestando atenção ao que o lacaio estava dizendo, segurei meu bloco de notas para responder a Linaria.
Entendido.
— Sim! Está correto!
A porta da gaiola se abriu com um estalo.
Hã? O que diabos está acontecendo de repente?
Eu estava extremamente confusa, mas parecia ter passado no quiz sem querer.
Atrás de mim, Acre parecia impressionada. — Você é realmente bastante perceptiva…
O lacaio também parecia satisfeito. — Você é a primeira que deu a resposta certa tão de repente, e na sua primeira vez fazendo o quiz, ainda por cima…
— …Huhhh?
Quando eu…?
Eu estava totalmente perplexa, mas as outras mulheres impacientemente começaram a me puxar pela mão antes que eu tivesse compreendido totalmente a situação.
— Tudo bem, então, prossiga para a próxima fase.
Eu tinha sido instruída a esperar onde estava, então queria permanecer dentro da gaiola até que Linaria chegasse até mim, mas tanto Acre quanto o lacaio insistiram que não precisávamos mais da gaiola e, finalmente, sem entender nada do que estava acontecendo, fui expulsa da gaiola e depois expulsa da cozinha por completo.
De qualquer forma, a única coisa que eu podia ter certeza era que havia quebrado imediatamente minha promessa a Linaria.
— Agora que você está fora da gaiola, tudo o que resta é roubar a poção de Priscilla.
Eu queria voltar para a gaiola, mas parecia que não tinha essa opção. Com Acre me puxando pela mão, vaguei pela Cozinha dos Gigantes.
Mas eu sabia que Linaria estava lá fora trabalhando em algum tipo de plano, então agora que eu tinha saído da gaiola, não podia ficar parada sem fazer nada.
Eu queria muito resolver essa situação sozinha.
Para esse fim, parti em uma aventura, em direção a Priscilla, que eu podia ver à distância, uma gigante adormecida neste mundo minúsculo.
Mas minha jornada não seria fácil.
— Tenha cuidado, ok? Meus camaradas virão confrontá-la um após o outro — me disse o lacaio.
Exceto por Acre, todas as mulheres minúsculas estavam sob o controle de Priscilla, afinal.
Era de se esperar que elas interviessem para me impedir se eu tentasse causar algum dano à sua senhora, Priscilla.
Fui confrontada primeiro por uma única garota, pequena e fofa. Ela era pequena o suficiente para caber na mão de um humano, assim como Acre, o primeiro lacaio, e eu.
— Humph… você se saiu bem em chegar até aqui. Agora é hora de me enfrentar em um joguinho. Se você vencer, eu a deixarei seguir em frente.
Com uma expressão auto satisfeita, ela me desafiou para uma partida de Othello.
— ……
Othello?
Eles têm Othello no mundo das pequenas damas…? Bem, não me importo de jogar, mas…
De qualquer forma, se ela vai barrar meu caminho, suponho que terei que lutar.
Se não o fizer, não poderei progredir.
E se eu não vencer, é claro, não conseguirei chegar até Priscilla.
O que significa…
— …… — Eu imediatamente peguei os cantos.
— …Ah. — A garota entrou em pânico.
— …… — Eu impiedosamente colori o topo do tabuleiro de preto.
— …Waah. — Os olhos da garota se encheram de lágrimas.
Eu venci por uma margem esmagadora.
— Eu poderia ter vencido mesmo sem pegar os cantos…
Devolvi a garota soluçante aos seus amigos e comecei a andar novamente. A próxima a bloquear meu caminho foi uma garota segurando um baralho de cartas.
— Enfrente-me em um jogo da Memória! Não quero me gabar, mas nunca perdi antes!
Nunca perdeu uma rodada…? Bem! Ela deve ser uma oponente muito difícil!
…Ou assim eu pensei.
— …… — Eu impiedosamente coletei todos os pares de cartas.
— …Hã? — A garota observou, boquiaberta, enquanto eu pegava os truques, um após o outro.
— …… — Continuei virando as cartas, apesar do fato de já estar segurando a maioria na minha mão, o que significava que a partida estava decidida.
— …Wahhh! — Os olhos da garota se encheram de lágrimas.
Outra vitória esmagadora.
Eu cresci no campo, o que significava que não tínhamos muito o que fazer para nos divertir. Eu jogava esses tipos de jogos a vida toda.
Eu tinha muita experiência.
Poderia até dizer que estava confiante em minhas habilidades. E assim…
Depois disso, as pequenas damas vieram e me desafiaram para todos os tipos concebíveis de jogos, mas eu derrotei implacavelmente cada uma delas, as fiz chorar uma após a outra e abri caminho em direção a Priscilla.
Em resposta a esta situação, Acre me encarou. — Você é uma destruidora de corações… — ela murmurou, de uma forma que poderia ser facilmente mal interpretada.
Não me olhe assim…
De qualquer forma, depois de derrotar um fluxo interminável de mulheres minúsculas, havia apenas uma pessoa final em meu caminho. Ela parecia ser uma cavaleira muito severa.
Ela não me disse seu nome.
Mas ela era a quem todos os outros chamavam de “Capitã”.
— Tch… então você chegou até aqui, hã…?
A pequena capitã, empoleirada no peito enorme de Priscilla, que subia e descia com sua respiração adormecida, olhou para mim com uma expressão triunfante que não vacilou.
— Mas é aqui que seu avanço constante termina! Duvido que você vença tão facilmente contra mim.
Então, com um puxão, ela produziu dois pedaços de papel e uma máquina de loteria.
Depois disso, ela me entregou um dos pedaços de papel e disse: — Aqui, pegue isto.
— Uh, obrigada… — aceitei o papel friamente. Havia fileiras de números nele.
……
É um jogo de BINGO.
Então a mulher começou a girar a máquina de loteria com um barulho.
— Ha-ha-ha-ha-ha-ha-ha-ha! Suas forças não a ajudarão neste jogo! Posso triunfar apenas com a boa sorte…
— BINGO.
— Aaaaaaaaaaaahhh!
Outra vitória esmagadora.
Depois de sair vitoriosa sobre cada uma das mulheres minúsculas que se interpuseram em meu caminho, subi no corpo adormecido de Priscilla e peguei a “poção de crescimento”. Foi surpreendentemente anticlimático, talvez porque os humanos sejam bastante indefesos quando dormem. Priscilla não mostrou o menor sinal de acordar. O tempo todo em que eu estava subindo em cima dela, ela apenas continuou roncando.
Foi uma sorte que ela não se mexeu nem um pouco. Peguei a garrafa de poção com o rótulo BEBA-ME! e imediatamente tirei a tampa.
Ela me disse…
— Se você espirrar essa poção por todo o seu corpo, voltará ao seu tamanho original. Foi o que Priscilla disse — disse Acre antes de acrescentar que, se eu não a derramasse em minhas roupas também, apenas meu corpo cresceria, o que levaria a alguns resultados infelizes.
Ela parece terrivelmente bem informada sobre os negócios de Priscilla…
— …Hum, qual é o seu objetivo aqui?
Toda a sequência de eventos, desde quando fui colocada dentro da gaiola até este exato momento, havia sido indescritivelmente estranha. Todos os lacaios de Priscilla haviam desistido com bastante facilidade depois de perderem seus vários jogos de salão.
Espere, na verdade…
Nada disso parece necessário para roubar dinheiro das pessoas. Priscilla poderia ter simplesmente me jogado para fora no momento em que bebi a poção de encolhimento.
É como algum tipo de jogo…
Sempre que uma das garotas me desafiava, o clima no ar era como se estivéssemos apenas jogando um jogo juntas.
— …? — Acre inclinou a cabeça para a minha pergunta. — Você é muito lerda, não é…?
— …Lerda?
O que diabos isso quer dizer?
— Nosso restaurante se chama A Cozinha dos Gigantes — me disse Acre.
A razão pela qual Priscilla me fez beber a poção. A razão pela qual Acre esteve comigo o tempo todo, quase como uma guia turística. A razão pela qual as outras garotas me desafiaram para jogos relativamente preguiçosos.
Eu juntei tudo.
— Tudo isso foi uma demonstração — disse Acre.
— ……
— ……
— Demonstração? — Inclinei a cabeça.
— Sim. — Acre assentiu. — Nós recentemente desenvolvemos um programa onde os clientes podem experimentar o mundo como nós o vemos. Nós até contratamos uma maga como funcionária de meio período. É isso que está acontecendo.
— ……
— ……
— Meio período? — Olhei para Priscilla, que murmurava em seu sono.
— Sim — disse Acre. — Priscilla é uma funcionária de meio período. Ela é apenas uma maga comum.
— ……
— ……
Então isso significa… o quê, exatamente?
Que Priscilla não estava realmente planejando tentar roubar dinheiro dos clientes que vinham a este restaurante? Que ela era apenas uma garota comum interpretando o papel de uma maga do mal? E que a maioria das pequenas damas que habitavam A Cozinha dos Gigantes não estavam realmente sendo manipuladas nem nada; elas estavam apenas jogando comigo para que eu não ficasse entediada em seu mundo minúsculo, porque era o trabalho delas? É isso que isso significa?
……
Hã? Então isso não significa que eu nunca fui uma cativa de verdade?
Então não havia necessidade de pedir a Linaria para me salvar?
— Oh.
Uh-oh.
Esses e outros pensamentos me ocorreram, mas era tarde demais.
— Você deve ser Priscilla! Devolva minha Alte!
Crash!
Linaria fez uma entrada heroica quebrando a janela, aterrissando bem no rosto adormecido de Priscilla.
……
Umm…
***
— Um ‘Curso de Aventura de Encolhimento Incrível’?
No dia em que a maga Priscilla encontrou nosso restaurante, ela inclinou a cabeça curiosamente para a proposta que lhe apresentamos.
Sua reação não foi surpreendente.
Afinal, ela tinha vindo com o panfleto de sempre na mão, curiosa para ver como vivíamos nossas vidas na Cozinha dos Gigantes.
Mas não a tratamos com hostilidade nem a entretivemos de forma alguma. Em vez disso, todos nós nos alinhamos diante dela e apresentamos nossa proposta.
— Recentemente, decidimos iniciar um novo empreendimento… e gostaríamos de pegar emprestado o poder de uma maga para fazê-lo.
Isso mesmo — era um novo empreendimento comercial.
Para dizer a verdade, operávamos A Cozinha dos Gigantes há muito tempo e havíamos enfrentado muitos viajantes, mas toda vez que batalhávamos, nossos recursos se esgotavam.
Francamente, quase não tínhamos mais nada. Comentários circulavam entre os soldados juniores. As pessoas diziam “Isso não vale a pena” e “Nós nos opomos a essa exploração”. Havia até alguns que emitiam ameaças veladas, como “Vou informar o sindicato”. Não que tenhamos um sindicato, de qualquer maneira.
Sem ideias melhores, a capitã falou: “Que tal começarmos um novo negócio?”
E assim, concebemos o “Curso de Aventura de Encolhimento Incrível”.
— Basicamente, estávamos procurando algo mais sustentável. Então, fazer os hóspedes encolherem ao nosso tamanho funciona bem de várias maneiras. Se os hóspedes são pequenos, seus estômagos também são, então eles não conseguirão consumir tanto, e o custo por hóspede permanecerá baixo.
Abordamos a maga visitante com nossa proposta.
Na época, não sabíamos muito sobre usuários de magia, mas imaginamos que deveria ser bem simples para um deles encolher as pessoas ao nosso tamanho.
— Hmm…
A maga Priscilla ponderou a questão com gestos coquetes. — Entendo a situação. Em suma, vocês querem que eu lhes forneça poções que tornarão pessoas e objetos pequenos; é isso? Bem, acho que tenho algo aqui… tudo bem, agora, onde eu…
Enquanto falava, Priscilla tirou uma garrafa de poção de sua bolsa.
Então ela pingou um pouco dela em um maço de papel (que aparentemente se chamava “baralho de cartas”).
Então algo incrível aconteceu. O maço de papel encolheu bem diante de nossos olhos, até ficar pequeno o suficiente para caber perfeitamente em nossas mãos. Priscilla apresentou o baralho de cartas a um de meus camaradas e explicou que era uma maga especializada em fazer poções.
Ficou claro que nossa proposta era uma combinação perfeita para suas habilidades.
No entanto…
— Mas decidi que não me envolverei mais em tais negócios…
Priscilla franziu a testa para o nosso plano. Aparentemente, ela já havia se envolvido em certos empreendimentos desonestos, mas desde então decidira mudar de vida. Ela explicou que, quanto às suas poções, ela as mantinha à mão para poder distribuí-las a pessoas necessitadas. Eu realmente queria perguntar se realmente havia alguma circunstância em que alguém precisaria encolher ao nosso tamanho, mas decidi ficar quieta por enquanto.
— Bem, por favor, concilie de alguma forma. Estamos contando com você! — A capitã curvou a cabeça. Eu fiz o mesmo.
— Se as coisas permanecerem como estão, nossa raça certamente morrerá! — disse a capitã, chorosa. Em seus braços, ela embalava uma garota à beira da morte — Liscia, uma das nossas.
Liscia vinha sofrendo de uma falta crônica de folhas, provavelmente porque o movimento de clientes na Cozinha dos Gigantes vinha diminuindo ultimamente. Como resultado, seu estado mental havia se tornado bastante instável.
— Oh… Capitã… minha Capitã… quando eu morrer… me jogue no ralo da pia com algumas folhas…
— Aqui, veja por si mesma! Ela está à beira da morte, não está?! — A propósito, Liscia sempre foi um pouco dramática.
Mas a maga Priscilla pareceu chocada com o estado miserável de Liscia. — …! Meu Deus!
Liscia, é claro, sempre foi miserável. Mas Priscilla começou a chorar.
— Eu vou ajudá-los… eu vou… eu vou salvar todos vocês…!
— Obrigada. — A capitã sorriu.
A pessoa mais desonesta de todas esteve conosco o tempo todo.
Depois disso, a maga Priscilla nos visitou quase todos os dias. Ela veio para ter reuniões detalhadas sobre o novo empreendimento comercial que estávamos iniciando, é claro, mas, mais importante, ela se revelou mais bondosa do que jamais imaginamos.
— Isso se chama jogo de BINGO. Você gira essa coisa barulhenta, e fura sua cartela que corresponde aos números que saem. Quando você completa uma linha, você ganha!
Quase todos os dias, ela trazia algum brinquedo novo para nós, que mal tínhamos entretenimento decente. Ela encharcava cada novo jogo em sua poção de encolhimento e o oferecia a nós.
Ela tinha toda a benevolência de uma deusa encarnada.
Havia mais de alguns soldados que diziam: “Quero me casar com aquela garota na próxima vida…”, ou algo semelhante.
Ela vinha à cabana quase todos os dias para refinar nosso plano de negócios e, então, finalmente, nosso esquema chegou à conclusão.
Felizmente, como havíamos pendurado a placa de FECHADO PARA REFORMAS na porta da frente da Cozinha dos Gigantes, não tivemos clientes por algum tempo.
Então, naquela manhã…
— Tudo bem, amanhã de manhã, mudaremos para o novo modelo de negócios.
Todos nós concordamos.
Os detalhes de nosso novo empreendimento eram os seguintes:
Havia três portas no caminho para o nosso restaurante. As duas primeiras permaneceriam as mesmas de sempre, instruindo as pessoas a removerem seus sapatos e agasalhos. Mas em frente à última porta, colocamos uma poção engarrafada com BEBA-ME! escrito ao lado.
Clientes que bebessem esta poção encolheriam até seus corpos ficarem do mesmo tamanho que os nossos. Então Priscilla os enfiaria em uma gaiola.
A cronista, Acre, estaria esperando dentro da gaiola, e ela explicaria o que estava acontecendo no restaurante.
Então o cliente escaparia da gaiola para recuperar o antídoto de Priscilla. E, essencialmente, ao longo do caminho, meus compatriotas usariam cada um seus próprios métodos para desperdiçar o tempo do viajante e atrapalhá-lo.
Depois de superar esses obstáculos, o cliente recuperaria o antídoto de Priscilla.
— Você acha que eu também deveria fazer algo para bloquear o caminho do viajante?
Priscilla só aparecia no início do cenário e depois o resto de seu papel era passado dormindo.
A capitã balançou a cabeça para a pergunta.
— Não se preocupe. Vamos dar um fim a tudo enquanto você estiver dormindo.
Isso pareceu uma maneira estranha de se expressar. Uma expressão como essa estava apenas implorando para ser mal interpretada.
No dia seguinte, estávamos ocupados com nossos preparativos finais.
— Más notícias, Capitã!
A vigia usava uma expressão sombria quando apareceu diante de nós com notícias.
— O que foi? — A capitã permaneceu bastante calma.
Com lágrimas brotando em seus olhos, a vigia respondeu: — Intrusos entraram no restaurante! Eles derrubaram a placa FECHADO PARA REFORMAS e forçaram a entrada!
— O que você disse?!
Foi uma situação imprevista. Esta foi a primeira vez que os gigantes foram tão insensíveis e rudes a ponto de invadir um restaurante que ainda estava se arrumando.
Mas, mesmo assim, a capitã manteve a calma.
— Tudo bem, não se preocupem. Estivemos mudando as coisas no restaurante, mas o perfume ainda deve estar lá em frente à última porta como sempre esteve. Não deve haver nenhum problema em lidar com eles como sempre fizemos.
No entanto…
— Sobre isso…!
A vigia gritou.
Um anúncio breve, mas aterrorizante.
— A poção! Já está! No lugar!
A garrafa de poção com BEBA-ME! escrito nela já estava em seu lugar em frente à porta final.
— Qual de vocês, idiotas, a deixou em um lugar como aquele?! — a capitã gritou furiosamente.
— Eh-heh-heh… — Liscia gargalhou.
— Ora, sua…! — A capitã a agarrou pelo colarinho.
No final, acabamos correndo para entreter os viajantes sem estarmos totalmente preparados.
***
— Então, em outras palavras, A Cozinha dos Gigantes não é mais o lugar onde mulheres minúsculas tratarão os clientes com hostilidade e os atacarão, como era no passado… É isso que você está dizendo?
— É isso que estou dizendo — respondeu Priscilla a Linaria.
Depois que Linaria havia entrado pela janela, eu me encharquei com a poção antídoto e voltei ao meu tamanho normal. Linaria parecia ter finalmente recuperado a compostura depois que eu expliquei completamente a situação a ela, e ela confirmou os fatos com Priscilla novamente.
— Que provação terrível foi essa… — Priscilla soltou um suspiro.
Acho que nem preciso dizer que ela acordou da pior maneira possível. Isso porque não apenas ela foi despertada por uma dor súbita no rosto, mas foi confrontada por uma estranha, uma garota extremamente zangada, apontando uma varinha para ela e gritando: “Depressa, devolva a Alte ao normal! Eu disse, coloque-a de volta — não ouse me ignorar! Por que você está chorando? Pare de brincadeira! Se você não fizer o que eu digo, quebrarei seus dedos um por um!”
Felizmente, eu estava lá, bem atrás de Linaria, e já de volta ao meu tamanho normal, e consegui impedi-la de fazer qualquer coisa.
Linaria havia encarado Priscilla antes de exigir saber o que estava acontecendo.
Priscilla, por outro lado, simplesmente começou a chorar.
Depois que repassamos toda a história novamente, e Priscilla e Linaria recuperaram a compostura, finalmente consegui contar a Linaria o que estava acontecendo com o restaurante.
Eu disse a ela que o lugar havia passado por uma transformação desde que os panfletos foram originalmente distribuídos. Linaria ficou bastante desanimada ao saber dessa situação e apenas resmungou: “Entendi…”
Priscilla assoou o nariz ruidosamente e respondeu a ela. — Foi terrivelmente cruel da sua parte me chutar do nada… — ela soluçou, ainda sentada no chão.
— Isso foi… me desculpe por isso. — Linaria desviou o olhar, desconfortável.
— Bem, suponho que isso apenas mostra o quão magnífica foi minha atuação! — Um momento depois, Priscilla estava sorrindo como se nada tivesse acontecido. — Então, por favor, não se preocupe muito com isso. E, por favor, não se desculpe.
Certamente, sua atuação havia sido excelente. Uma garrafa de colírio estava no chão ao seu lado.
Aquelas eram lágrimas falsas…
Mas as mulheres minúsculas da Cozinha dos Gigantes haviam todas juntado as mãos e fixado os olhos nela.
— Ela é uma deusa…
— Há uma deusa entre nós…
— Case-se comigo…
Elas a veneram…
— …Mas eu gostaria de ter recebido uma explicação, pelo menos, se A Cozinha dos Gigantes estava mudando — disse Linaria.
— Essa sempre foi nossa intenção! — nos disse Priscilla. — Afinal, estávamos planejando iniciar nosso novo empreendimento amanhã. Íamos colocar uma nova placa e tudo mais.
Enquanto dizia isso, Priscilla nos mostrou a placa recém-feita.
CURSO DE AVENTURA DE ENCOLHIMENTO INCRÍVEL
Todos os detalhes estavam escritos ali. A propósito, o custo era uma peça de ouro por pessoa.
— O preço é bastante justo, oh-hoh-hoh! — riu Priscilla.
Em outras palavras, se tivéssemos aparecido no dia seguinte, nós duas teríamos aparentemente recebido uma recepção normal e hospitaleira.
— …… — Olhei para Linaria.
— …… — Linaria desviou o olhar. — …Quer dizer, imaginei que haveria muitas pessoas tentando monopolizar o restaurante no dia da inauguração, então… — ela sussurrou com uma voz invulgarmente frágil.
— Bem, não foi tão ruim se considerarmos como um ensaio para amanhã. Embora eu esteja bastante machucada… Mas que tipo de relacionamento vocês duas têm?
O quê?
— Que tipo de relacionamento? Como assim? — Do que diabos ela está falando? — me perguntei. — Somos apenas amigas comuns…
Mas Priscilla não pareceu convencida pela minha resposta e inclinou a cabeça, questionadora. — É mesmo?
Ela continuou.
— É que, mais cedo, ela estava realmente muito zangada…
— Pare — interrompeu Linaria.
— E ela te chamou de ‘minha Alte’…
— Sério, pare com isso. — Linaria a golpeou.
Hã?
Linaria havia entrado tão de repente mais cedo que eu realmente não ouvi nada do que ela disse. Fiquei muito curiosa sobre o que era tudo isso.
— Você realmente me chamou assim?
— Não chamei.
— O que diabos ‘minha Alte’ sequer significa…
— Eu nunca disse isso.
Levei um tapa também.
Não doeu, mas achei que podia ver o rosto de Linaria ficando vermelho, então desisti de fazer mais perguntas.
— Ora, ora. — Priscilla sorriu abertamente enquanto observava nossa troca. — Que coisa adorável de se testemunhar…
— Seu nariz está sangrando.
— Isso é de quando levei um chute na cabeça.
— Ah-hã… então você teve um dano cerebral…
Depois disso, Priscilla murmurou algumas palavras sem sentido por um tempo — coisas como, “Duas garotas… que legal…”, e assim por diante. Foi o suficiente para me deixar ansiosa de que ela tivesse perdido alguns parafusos quando Linaria a chutou.
No final das contas…
Eles estavam iniciando seu novo empreendimento comercial no dia seguinte. Pelo resto daquele dia, no entanto, nós três, humanas, desfrutamos de um entretenimento muito cortês das pequenas damas da Cozinha dos Gigantes, à sua maneira típica.
Isso é algo que descobrimos mais tarde, mas Priscilla aparentemente frequentava uma escola de magia em outro país, e sua escola tinha um longo feriado entre o final do inverno e o início da primavera, assim como a Universidade Estadual de Latorita. É por isso que ela havia conseguido um emprego de meio período na Cozinha dos Gigantes.
Entendi, entendi.
— Então você está usando essas roupas de propósito, para dar uma vibe de vilã?
Aparentemente, sua verdadeira identidade era a de uma estudante comum. Ela parecia uma pessoa decente.
— Incorreto! — respondeu Priscilla com entusiasmo. — Estou usando isso porque quero!
— Mas não está quente?
— Está quente! Mas não vou tirar!
— ……
— Porque esta sou eu!
……
Ela provavelmente é só uma esquisitona mesmo.
***
Linaria e eu saímos da Cozinha dos Gigantes e montamos em nossas vassouras juntas.
Nossa caça à história tinha apenas começado.
— Imaginei que seria um restaurante estranho, mas… nunca imaginei que a coisa toda seria uma grande pegadinha…
Ao pensar na experiência, houve vários pontos ao longo do caminho em que eu deveria ter suspeitado do que estava acontecendo, mas não duvidei de nada. Apenas aproveitei meu tempo em seu pequeno mundo.
Tive a sensação de que, se eu tivesse percebido um pouco mais rápido que algo estava errado, nunca teríamos acabado conhecendo Priscilla, que parecia ter a ideia errada sobre nós…
— Bem, não havia o que fazer. Eles não tinham a placa deles, afinal. A culpa é deles. Claro, foi parcialmente minha culpa, por jogar fora a placa de ‘Fechado para Reformas’, mas… — Ela soltou um suspiro. — Desculpe, Alte. Este lugar era realmente diferente do que eu esperava.
Por alguma razão, ela parecia arrependida. Mas eu não achava que ela tinha algo pelo que se desculpar.
Além disso…
Não pude deixar de dizer que, na verdade…
— A culpa também é minha, por ser tão cabeça-dura.
— …… — Ela me encarou fixamente. — Não se pode evitar. Não há cura para sua cabeça-dura.
— Hã…?
Eu tinha certeza de que ela me contradiria, dizendo que eu não era lenta de forma alguma. Mas, em vez disso, ela cuspiu veneno em meu rosto. Se é que, ela até parecia um pouco irritada. Ela estava com as bochechas infladas e tudo.
— …Por que você está brava?
— Não estou brava.
— Sim, você está, consigo ver.
— Eu disse que não estou brava!
Linaria desviou o olhar, emburrada.
Por um curto período, uma atmosfera silenciosa encheu o ar ao nosso redor. Finalmente, eu disse:
— …Que país vamos visitar a seguir?
Inclinei a cabeça para Linaria, que estava dirigindo nossa caça à história. Eu ainda não conseguia dizer para onde ela estava indo; estava apenas a seguindo enquanto ela voava em sua vassoura.
Imaginei que ela devia ter uma tonelada de lugares que queria ir, já que era ela quem vinha falando sem parar sobre esta viagem.
Ela olhou diretamente para mim e perguntou: — Onde você quer ir?
Aparentemente, ela também não tinha certeza do nosso próximo destino.
Assim como eu.
Tínhamos acabado de começar nossa breve jornada juntas. Eu tinha certeza de que havia muitos mais encontros e despedidas em nosso futuro.
Talvez o próximo lugar que visitássemos acabasse sendo exatamente como Linaria havia imaginado, ou talvez fosse um lugar que nunca poderíamos ter imaginado.
Então eu respondi.
— Tudo bem, quero ir para outro lugar como A Cozinha dos Gigantes. — Foi tudo o que eu disse.
— …………?
Linaria inclinou a cabeça.
Ela não parecia entender o significado por trás de minhas palavras. Então eu me expliquei para a garota cabeça-dura.
Eu reformulei meu pedido em algo um pouco mais direto e disse:
— Eu só quero ir a algum lugar divertido.
Um lugar que florescerá como uma flor feliz em minhas memórias e me fará sorrir sempre que eu pensar nele. Quer acabe sendo como esperávamos ou não. Um lugar incrível.

Tradução: Gabriella
Revisão: Axios
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