Dark?

A Maneira Incorreta de usar Magia de Cura – Vol. 01 – Cap. 06.2 – Uma Noite de Decisões!

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Quando abri os olhos, encontrei-me na minha cama.

— Eu sabia! — disse. — Rose é a pior!

Depois disso, pensei ter ouvido alguém gritar. Tong era o único no quarto, roncando na cama ao meu lado, então imaginei que estava imaginando coisas. O uniforme que Rose me deu estava pendurado na parede. Quem me trouxe para a minha cama? A Rose fez isso?

— Tch. Ela me deu uma cabeçada porque estava envergonhada? — Espere um segundo! — Ouvi alguém gritando agora há pouco?

— U-Usatooo! — alguém gritou. A voz vinha de fora da minha janela.

Mas estou no segundo andar. Não há como alguém subir todo o caminho—

— Aqui! — a pessoa disse.

— Kazukiii?! — exclamei. Minha voz caiu em falsete.

Olhei para fora para encontrar Kazuki pendurado na maçaneta da janela. Apesar de não saber por que ele estava ali, calcei os sapatos e saí pela janela.

— Por que você está descendo? — exclamou ele.

— Por que você estava subindo?! — Eu gritei de volta.

Não ia trazer Kazuki para o quarto. Tong estava dormindo, pelo amor de Deus! Além disso, teria que arriscar acordar Rose, e não queria isso. Se ela soubesse que eu estava acordado a esta hora, receberia um castigo tão severo que até um demônio imploraria por perdão.

Depois que Kazuki desceu a parede, nos afastamos do prédio. A luz da lua era forte, o que significava que podíamos caminhar sem muitos problemas.

— Por que você está aqui no meio da noite? E-espere. Não gosto de caras assim, ok?! — Eu disse, protegendo meu corpo.

Kazuki parecia confuso.

— Do que você está falando?!

— Sinto muito. — eu disse. — Minha mente estava na sarjeta.

Kazuki era tão inocente. Muito inocente. Ele era o completo oposto de Inukami. De qualquer forma, como ele veio até aqui, fomos para o campo de treinamento onde poderíamos conversar. Sentamos no chão enquanto ouvia o que ele veio aqui dizer.

— O rei acabou de me informar que a guerra contra o exército do Lorde Demônio está prestes a começar. — disse Kazuki.

— Ah, certo.

O rei foi mais rápido do que esperava. Não conseguia imaginar a reação de Inukami, mas entendi perfeitamente porque Kazuki estava ansioso.

— Inukami ficou um pouco surpresa, mas não demorou muito para voltar ao seu eu normal e feliz. Eu, por outro lado… não consigo parar de pensar na guerra. Me mantém acordado à noite, sabe? E antes que percebesse, corri todo esse caminho desde o castelo. — disse Kazuki.

Não sabia o que dizer.

— Eu… fugi, Usato. Eu acabei de… — ele parou. Se virou para mim enquanto seu rosto brilhava ao luar. Normalmente parecia um jovem arrojado, mas agora havia um toque de mansidão em seus olhos.

— Lutar me assusta. — admitiu.

Como não poderia? Antes disso, éramos apenas estudantes do ensino médio na Terra.

— Saí do reino outro dia e vi meu primeiro monstro. Eu estava muito, muito assustado. Quase pensei que ia cair de joelhos. — disse.

Continuei ouvindo.

— Depois que venci o monstro que lutou desesperadamente contra meus ataques, percebi que era ingênuo quando se tratava deste mundo. — explicou.

Ele era incrivelmente sensível, enquanto Inukami não era. Inukami aceitou este mundo como seu, mas Kazuki estava pensando demais nas coisas ao ponto de aflição.

— Quando o exército do Lorde Demônio atacar, eles tentarão me matar. Isso me assusta mais do que qualquer outra coisa. Não passo de um covarde, mas o reino me trata com bondade, me apoia e até acredita em mim. Me sinto um fracasso. — lamentou.

Ele sofreu porque foi considerado um herói. As pessoas olhavam para ele com inveja e reverência simplesmente porque ouviram a palavra “herói”. Kazuki não poderia lidar com esse fardo.

— Eu também vou, Kazuki.

Ele se virou para mim com um olhar confuso em seu rosto.

— Vou salvar todos que lutarem contra o exército do Lorde Demônio. — declarei.

Kazuki parecia em conflito. Ele deveria priorizar seus verdadeiros sentimentos ou as expectativas das pessoas? Ele não sabia o que fazer, então me procurou em busca de uma resposta…, mas segurei minha língua. Não queria que ele lutasse mais do que o necessário. Mas dizer isso seria irresponsável. No final, Kazuki deve decidir seu próprio destino.

— Você não está com medo? — perguntou.

— Claro. Mais assustado do que você pensa. Mas eu já tomei minha decisão.

— Você já decidiu? Tem certeza? Você pode morrer! Eles arrastaram você para essa bagunça e estão fazendo você lutar?! Isso é apenas confuso! — exclamou.

Quando fomos convocados pela primeira vez, Inukami pensou que eu guardaria rancor depois de ser arrastado para este mundo. Parecia que Kazuki também se sentia um pouco culpado por isso. Honestamente, não precisavam se preocupar tanto comigo.

— Muita coisa aconteceu desde que cheguei aqui. — mencionei. Kazuki ouviu atentamente.

— Tem sido difícil, mas conheci tantas pessoas que me aceitaram, mesmo que tenha sido trazido aqui por acidente. Não estaria onde estou agora sem eles. Eles fizeram tanto por mim. Quero apoiá-los de todas as maneiras que puder.

Era por isso que entraria em batalha como membro da equipe de resgate.

— Você está incluído nisso, é claro.

— Mesmo? — disse Kazuki, parecendo surpreso.

— Com certeza. Quer você lute como um herói ou não, isso não vai mudar o fato de que somos amigos. — afirmei.

Espere, não sou o único que pensa que somos amigos, certo?

Sentindo-me um pouco incerto, virei-me para Kazuki para encontrá-lo olhando para o chão. Suas mãos tremiam. Parecia que estava tentando abafar suas emoções. Eu o observei nervosamente quando de repente ergueu os olhos e se deu um tapa na cara.

— K-Kazuki?! — exclamei.

— Sou tão maricas. — disse ele, voltando-se para mim. Ele bateu em suas bochechas com tanta força que elas já estavam inchadas e vermelhas. Quando percebeu que me afastei, ele sorriu seu sorriso maravilhoso de sempre.

— Tomei uma decisão. Lutarei para proteger você e a Inukami! — ele anunciou.

— O quê?!

— Não sei se vou conseguir lutar como um herói, mas com certeza vou tentar. Quero te salvar, Usato… porque você é meu amigo! — ele exclamou.

Eu disse que vou salvá-lo, então por que ele vai me salvar?!

— E-espere. Sei que não sou de falar, mas tem certeza de que é isso que quer fazer?

— Você está pronto para a batalha, então não posso fugir como um gato assustado agora! Tenho que mergulhar de cabeça. Vou enfrentar meus medos… junto com tudo o mais nesta guerra!

— Tem certeza?

— Quando lembro que você e a Inukami estarão lá, me sinto muito melhor! Vou ficar bem, eu juro!

— É isso mesmo. — eu disse, sorrindo enquanto me virava para Kazuki. — A decisão é nossa.

— Vamos proteger este país e todos nele!

 — Sim!

Sorrimos um para o outro, então a realidade me atingiu como um tijolo.

Eu estava falando com o coração, mas não esperava que soasse tão estranho!

Sentindo-me incrivelmente envergonhado, comecei a me afastar de Kazuki. Ele timidamente coçou a bochecha.

— Estou muito feliz por ter conhecido você, Usato. Obrigado.

— E-eu também.

Oh Deus, isso é tão estranho!

Não estava acostumado com as pessoas dizendo essas coisas na minha cara, então parecia meio assustador. O fato de Kazuki poder dizer essas coisas sem hesitação era uma coisa boa. Mas estar do outro lado era meio desconfortável.

Isso não combina nada comigo! Eu deveria ser mais estoico do que isso!

Kazuki riu.

 

 

 

— Eu deveria voltar para o castelo. Desculpe por acordá-lo.

— S-sem problemas.

— Bem, tenha uma boa noite! — disse. E com isso, ele decolou.

Ele começou a correr para o castelo, guiado pela luz da lua. Kazuki parecia destemido enquanto corria para longe.

Observei Kazuki desaparecer na noite, então bocejei alto enquanto voltava para os alojamentos.

— Vou direto dormir. Sim, parece um plano.

Esperava que uma boa noite de sono me ajudasse a esquecer todas as coisas estranhas.

— Bem, bem… — uma voz soou atrás de mim. — acho que é assim que a amizade entre caras é. Quase trouxe uma lágrima ao meu olho.

Eu sabia quem era, então não me incomodei em me virar.

— Desculpe, não podemos conversar amanhã, Inukami? Estou cansado.

— Ei. O que há com essa reação? Você não deveria gritar, “O que você está fazendo aqui, Sukune”?

— Er, sim, eu só te chamo de Inukami. Não Suzune. De qualquer forma, tenho certeza que você notou que Kazuki estava agindo de forma estranha.

Ela estava realmente lá o tempo todo? Ela deveria ter se mostrado no início! Bem, acho que estava sendo atenciosa à sua maneira distorcida.

— O que é isso?! Por que você está sendo tão estoico, Usato? Você está bravo comigo? Diga-me por que, e vou consertar isso imediatamente! — implorou.

— Por que você parece tão desesperada? E você não deveria estar voltando para o castelo?

— Continue sendo tão frio e você pode me fazer chorar.

— Engraçada. — disse categoricamente.

Não conseguia imaginá-la chorando. Se ela realmente chorasse, consideraria me prostrar no chão e implorar por perdão. Mas parecia que estava muito ocupada dizendo que choraria para realmente fazer isso. Ela se posicionou ao meu lado e olhou para a lua.

— Parece que Kazuki também se decidiu. — observou.

— Para ser sincero, quase diria a ele que não queria que lutasse.

Se ele não queria lutar, não precisava. Se isso apenas o deixasse deprimido, não deveria ter que se forçar a colocar sua própria vida em risco. Olhei na direção em que Kazuki estava correndo, então Inukami colocou as mãos em meus ombros e me encarou.

— Usato… você não quer que eu lute, quer? — perguntou.

— Claro que não. Mas você é diferente de Kazuki.

— Bem, não posso negar isso.

Kazuki estava lutando neste mundo, mas Inukami não tinha intenção de voltar para casa. Seus pensamentos e objetivos eram totalmente diferentes. Além disso, mesmo que tivesse dito a ela para não lutar, sabia que não poderia fazê-la mudar de ideia.

— Você é minha veterena. Não diga coisas que vão me deixar tão preocupado.

— Eca. Veteranos não tem nada a ver com este mundo!

— Kazuki é meu colega de classe e amigo.

— Então eu também sou sua amiga!

— Sim.

— Ok, você não está sendo um pouco casual demais agora?!

Afastei-me de Inukami, que estava a poucos centímetros do meu rosto, e comecei a caminhar em direção aos alojamentos. Quando me virei para ela, ainda estava lá com a cabeça baixa. Provavelmente fui muito mau com ela. Achei que provavelmente deveria ter certeza de que estava bem. Se não o fizesse, algo ruim provavelmente aconteceria.

— Mas…

Inukami me interrompeu.

— É muito difícil emboscar você, Usato. Ser um pouco mais amoroso não o mataria. Ah, espera. Você estava prestes a dizer algo agora?

— Não é nada.

— Ah, ótimo. Eu deveria voltar para o castelo. Boa noite, Usato.

Depois de uma pausa, respondi:

— Boa noite.

O que Inukami quer fazer comigo? É um pouco… preocupante.

 

Separador Tsun

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Na manhã seguinte, o rei informou ao público sobre a invasão do inimigo, e logo a notícia se espalhou para os confins do reino. Os soldados se prepararam nervosamente e os habitantes da cidade começaram a entrar em pânico.

Mais cedo naquela manhã, Rose havia me dito que a estratégia do rei era levar os soldados às pradarias para lançar um ataque. Os heróis Kazuki e Inukami deveriam liderar o ataque a mando do Comandante do Exército do Reino Siglis.

Depois que o rei fez seu anúncio, Rose reuniu os membros da equipe de resgate no refeitório. Ururu olhava carinhosamente ao redor da sala; era quase como se não a visse há anos. Quando me viu, sorriu docemente e acenou para mim por um segundo. Não sabia o que fazer em retorno.

— Já faz um tempo, pessoal. — disse Ururu.

A julgar pelo tom casual de sua voz, só podia supor que os homens corpulentos não a assustavam. Qualquer garota normal que os visse sairia correndo gritando, mas Ururu aparentemente era diferente. Ela não apenas tinha coragem, quando se reuniu com os caras, era como se fosse uma pessoa diferente.

— Parece que todo mundo está aqui. Vou direto ao ponto — começou Rose.

Isso provavelmente era sobre a guerra que se aproximava. Se meu palpite estava correto, Orga e Ururu só souberam da invasão quando o rei a anunciou no início do dia.

— Como todos sabem, o exército do Lorde Demônio está chegando. Na verdade, eles estão reconstruindo freneticamente sua ponte. Mas, mesmo assim, ainda estão vindo para cá. — disse Rose.

Está falando como se não fosse ela quem a destruiu. Como uma pessoa destrói uma ponte inteira?

— Em dois dias, o exército do reino marchará para as pradarias. A equipe de resgate se juntará a eles e construirá um acampamento no local. — anunciou ela.

Orga e Ururu responderam com um “Sim, senhora”, mas Tong e os outros respondeu de volta com um “Oorah!” Dizer que os caras responderam estranhamente seria um eufemismo. Eles quase abafaram o que os irmãos haviam dito.

— Esta é a primeira guerra de Usato e Ururu. Não baixem a guarda. — ela alertou.

Mas espere… se esta é a primeira guerra de Ururu, isso significa que Orga foi o único que curou os feridos na retaguarda? É um grande trabalho para uma pessoa.

Rose terminou de nos informar e o grupo seguiu caminhos separados. Quando alguns de nós saímos do refeitório, Rose gritou:

— Ei, Orga. Venha aqui por um segundo.

— Entendido. — ele disse educadamente.

Rose parecia perturbada, então apressadamente dei um passo à frente… apenas para Ururu agarrar meu braço do nada. Quando me virei, um sorriso largo apareceu em seu rosto.

— P-posso te ajudar?

— Estou entediada.

— E daí?

— Ouvi dizer que você anda pela cidade com um filhote de Urso-azul — observou.

— E?

— Posso vê-lo? Por favor? — ela implorou.

— Umm… — estava sem palavras.

— Aposto que ele é adorável.

— Não sei. Ele é muito cruel. — respondi. Ela olhou para mim em silêncio.

— Por aqui!

— Obrigada!

Eu sou um maldito coração mole! Se fosse Inukami, eu poderia ter sutilmente mudado de assunto e pronto. Mas não desta vez. Ela é outra coisa! Ambos têm a mesma idade, então por que eles são tão diferentes?! Gah! Ururu é durona.

Ururu alegremente me acompanhou até o estábulo de Blurin.

Lá estava ele em toda a sua glória, bocejando no chão, parecendo que não tinha nenhuma preocupação no mundo. Estava um pouco maior do que da última vez que o vi. No mínimo, era a prova de que precisava fazê-lo se exercitar adequadamente.

Ururu estava olhando para Blurin com um brilho nos olhos. De repente, ela saltou para o urso de braços abertos e gritou:

— É TÃO fofo!

— …GAH!

— Afaste-se.

Mas esta não era Inukami, que geralmente tinha segundas intenções estranhas. Tinha certeza de que se Ururu tivesse boas intenções, Blurin deixaria que o acariciasse como fez comigo e com o porteiro (e com Rose).

A próxima coisa que ouvi foi um rugido, seguido por um guincho agudo.

— Ururu?!

Aconteceu que Blurin tinha usado todas as suas forças para pular e derrubar Ururu como uma mosca, o que a deixou em uma pilha gigante de feno. Foi a primeira vez que vi Blurin enterrar uma pessoa. Freneticamente puxei Ururu para fora do feno apenas para ela agarrar meus ombros com um olhar estupefato em seu rosto. Blurin deve ter pegado leve com ela porque não estava ferida, mas poderia jurar que vi uma lágrima em seu olho.

— Usato.

— S-sim.

— Você o acaricia. — exigiu.

— Tudo bem. Mas primeiro você vai ter que soltar meus ombros.

Suas unhas estavam cravadas em minha pele, e doía. Provavelmente não suportaria ser rejeitada. Seguindo as ordens de Ururu, acariciei Blurin na cabeça como normalmente fazia.

— Viu?

— E-então eu posso tentar também!

Mas Blurin simplesmente rugiu e imediatamente deu um tapa em sua mão direita. Lágrimas brotaram dos olhos de Ururu enquanto olhava fixamente para sua mão. Sem pelo macio para acariciar, ela coçou levemente a nuca, tentando me distrair de suas lágrimas. Enquanto eu estava lá sentindo pena dela, vi uma pequena e familiar criatura negra pular nos ombros da garota deprimida.

— Kukuru… — disse Ururu. O coelho guinchou em resposta.

Era Kukuru, o animal de estimação leal de Rose, o monstro que brincava com meu coração puro de menino! Surpreso com aquela aparição inesperada, Ururu olhou para o coelho e sorriu.

— Você está… me confortando? — disse Ururu. Ela tentou esfregar a bochecha contra o coelho. O-brigada…

Mas Kukuru rapidamente saltou do ombro de Ururu para o meu.

— … Ah.

Estava acariciando Blurin com a mão direita, tinha Kukuru no ombro esquerdo e na minha frente estava Ururu, cujo queixo basicamente caiu no chão. O silêncio invadiu a área.

Ambos os animais começaram a arrulhar alegremente, mas eles realmente deveriam ter calado a boca! O sistema hidráulico estava prestes a atuar a qualquer segundo!

Apressadamente, envolvi o coelho com ambas as mãos e o empurrei para Ururu. Quando vi que ela estava segurando, soltei um suspiro de alívio e tentei dar o fora do estábulo.

— S-sim, Blurin está meio rabugento hoje! De qualquer forma, vamos sair.

Sem responder, Ururu saiu silenciosamente do estábulo com Kukuru na mão.

Eu comecei a caminhar em direção aos alojamentos porque a Ururu silenciosa estava me assustando. Ela estava agindo de forma totalmente diferente do que no estábulo.

— Ei, Usato?

— Eek! — Eu disse, com minha voz falhando.

— E-eu quero dizer, sim? Rose-san é assustadora. — afirmou ela.

— Isso não é descaradamente óbvio? — contra-ataquei.

— Ooh, olha quem tem uma língua afiada. De qualquer forma, quando nos juntamos à equipe de resgate, ela realmente monitorou nosso treinamento. Era meio obsessivo. — explicou.

— De que maneira?

— Ela era super rígida. A equipe de resgate ainda era muito nova naquela época, mas o treinamento era tão duro que a maioria das pessoas escapava porque simplesmente não aguentavam.

Não era difícil imaginar. Antes de minha pele ficar mais grossa, os exercícios de Rose eram mental e fisicamente exaustivos. Era natural que as pessoas fugissem se não conseguissem acompanhar.

— Por que você e seu irmão se juntaram à equipe de resgate?

— Porque Rose nos convidou. Acabamos apenas dando suporte. Mas no começo, ela era nossa superiora direta. Para ser honesta, isso me deixou muito feliz.

Feliz, né? Nunca teria adivinhado. As coisas devem ter piorado a partir daí.

— Mas eu simplesmente não tinha o que é preciso. Claro, houve momentos em que não conseguia acompanhar meu irmão, mas principalmente não funcionou porque eu estava com medo da Rose. — admitiu.

— E ela continua tão assustadora como sempre. — brinquei.

— Isso pode ser verdade, mas ela era muito mais assustadora naquela época. Na verdade, hoje em dia Rose parece meio feliz.

Por que ela está feliz? É porque eu sou um novo saco de areia que ela pode bater e fazer de bobo? Isso não me deixa feliz, mas só posso falar por mim.

— Acho que ela acredita em você, Usato. — continuou.

— Acredita em mim? Vamos, isso é ir um pouco longe demais. — sorri.

— Não, eu quero dizer isso. — disse ela com um olhar sério em seu rosto. — Não odeie ela, Usato. Por mais assustadora que ela seja, é uma pessoa muito boa.

Era a mesma coisa que Orga havia me dito outro dia. Surpreendeu-me que ambos os irmãos transmitissem a mesma mensagem, mas de qualquer forma minha resposta era a mesma

— Acredite em mim, nunca a odiei e nunca a odiarei.

Ururu sorriu em resposta, mas não sabia por quê. Ficamos conversando até chegarmos na entrada do alojamento. Ela colocou Kukuru no chão na entrada e me encarou.

— Você sabe o que eu penso, Usato? Acho que os sentimentos dela são facilmente feridos.

— Sim, certo.

Ururu riu.

— Eu não teria tanta certeza, você sabe. Sério?

O que ela quer dizer com “facilmente ferido”?

— Na maior parte do tempo, essa senhora está loucamente desequilibrada! Ela tem sido legal ultimamente, mas geralmente não é nada assim! — exclamei.

— E-ei. Usato? — Ururu começou. Mas eu estava pronto para reclamar.

— Você não tem ideia do quanto eu passei quando ela me jogou na floresta! Quero dizer, foi legal ela nunca ter ido embora, mas é isso, e isso é outra questão! Seriamente pensei que ia morrer! E quando ela me disse que tinha vinte e cinco anos, fiquei chocado! Ela parece muito mais velha do que isso! — eu gritei

— Minhas mais profundas desculpas, Usato. — Ururu sussurrou. Não tinha ideia de por que ela estava se desculpando até…

Eu estava com tanta dor que estava gritando!

— Gosta de falar demais, não é? Você não vai falar quando eu terminar com você. — disse uma voz.

Naquele momento, Rose enfiou os dedos em meu crânio e me levantou do chão pela cabeça, o que me deixou contorcendo de dor. Tive um vislumbre de Rose, que aparentemente estava atrás de mim, com Kukuru sentado em seu ombro. Isso só pode significar que o maldito coelho me colocou em apuros de novo!

Estava com muita dor para falar.

— Não seja tão dura com ele. — sugeriu Ururu.

— Esse garoto não me deixa escolha. — respondeu Rose. — Orga está esperando lá dentro. Basicamente contei a ele tudo o que você precisa saber, então vá ouvir dele. — Rose ordenou.

— Eu vou! Até logo, Usato. — disse Ururu.

Ururu me jogou aos lobos! Como ela pôde?!

Rose me soltou de seu aperto de ferro, em seguida, começou a me carregar para os aposentos enquanto uma veia saltava furiosamente de sua testa. Eu estava muito fraco para me mover.

Ela age como se eu fosse tão fácil de carregar. Bem, tanto faz. Ela pode fazer o que quiser.

 


 

Tradução: Nagark

Revisão: Bravo

 

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