Dark?

A Maneira Incorreta de usar Magia de Cura – Vol. 01 – Cap. 06.1 – Uma Noite de Decisões!

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No domínio do Lorde Demônio, perto da fronteira do país nas pradarias, uma horda de soldados demoníacos estava construindo uma ponte sobre o rio que atravessava a fronteira. Os soldados eram membros do exército do Lorde Demônio que viajaram por toda parte para invadir o Reino Llinger. A líder deles era Amila Vergrett, a terceira comandante do exército demoníaco.

— A ponte está quase completa! — gritou, aparentemente tentando entrar no clima para a próxima guerra. — Nós somos os braços do Lorde Demônio! Lutaremos até virar pó e, mesmo assim, ofereceremos nossa força ao nosso Senhor!

Os soldados zumbiam de excitação. Amila assentiu, satisfeita com a resposta do exército, mas ao lado dela estava um cavaleiro vestido com uma armadura preta que soltou um longo suspiro.

— Acalme-se, comandante. Honestamente, você está sendo desagradável. — o homem disse.

— Bem, desculpe-me. — ela retorquiu. — Isso é enorme para nós. Claro, que eu ficaria emocionada. E como você ousa dizer que seu superior é desagradável?!

— Ooops. Foi mal. Ainda estou me acostumando. — o subordinado resmungou indiferente.

Amila estava tão furiosa que suas veias estavam basicamente saltando de sua testa.

— Por que você… deixa pra lá. Não importa como as coisas eram antes. Você é oficialmente meu subordinado. Você obedecerá às minhas ordens.

— Certo. — disse o cavaleiro apaticamente. Depois disso, deu meia-volta e foi embora. Amila foi deixada ali sozinha com a mão na cabeça.

— Talentoso, mas quase impossível de controlar. — murmurou.

— Ele está dando trabalho para você, não é? — disse outra voz. Era Hyriluk, um companheiro demônio. Ele caminhou em direção a ela com um sorriso irreverente no rosto.

— Ah, Hyriluk. O que você está fazendo aqui? Você não deveria estar cuidando de sua amada criação?

Estava se referindo a Baljinak, o Protótipo Setenta e Dois do Monstro Feito por Demônio, uma arma tática que ele havia feito para a guerra.

— Não há necessidade de soar tão sarcástica. Enfim, como está indo a ponte? A construção está indo bem?

— Deve ficar pronta em algumas horas. — murmurou, olhando de soslaio para a ponte quase terminada.

A ponte era composta de duas coisas: metade dela era madeira de árvores derrubadas enquanto a outra metade era uma miscelânea de materiais que conjuraram com magia. A ponte não era robusta o bastante para ser considerada “durável”, nem mesmo de brincadeira, mas ainda assim era uma ponte que podia ser atravessada.

— Só estou dizendo, se aquela ponte desabar, estamos ferrados. Sem mencionar como isso seria desmoralizante para os soldados. — acrescentou Hyriluk.

— É por isso que estamos monitorando a outra margem o tempo todo. Você não pode dizer algo um pouco menos… sinistro?

Hyriluk riu.

— Tudo bem, sinto muito…

— Comandante! — um dos soldados interrompeu. Ele estava claramente sem fôlego enquanto corria para Amila. — Um objeto desconhecido está voando direto para nós!

— O que?! — Amila chorou.

Momentos depois, uma árvore gigante caiu na ponte inacabada. Perfurou a ponte, que começou a rachar e logo se desfez em pedaços.

— P-Por quê?! O que acabou de acontecer?! A Ponte! Seu… — ela gaguejou.

Aconteceu tão de repente que Amila e Hyriluk ficaram congelados em estado de choque.

Quando Amila finalmente voltou à realidade, avistou algo incrivelmente distante do outro lado do rio.

A única coisa que conseguiu distinguir foi um tom distinto de cabelo verde.

— Roooooose! — Amila gritou.

Sua raiva foi dirigida a ninguém menos que o demônio que estava rindo do outro lado do rio.

 

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Para minha surpresa, tive tempo para descansar.

Ontem, Rose voltou para os aposentos do castelo muito mais tarde do que eu, então acabou indo para algum lugar à noite. Basicamente, isso significava que eu teria o dia seguinte de folga.

— Então por que estou indo para a cidade do castelo? — me perguntei.

Estava segurando uma carta de Rose e um desenho quase limpo demais de um mapa. O problema era que eu atraía muita atenção das pessoas da cidade. Estava de uniforme, mas nem estava treinando e havia deixado Blurin no estábulo.

— Por que ele está apenas andando por aí? — um civil se perguntou em voz alta.

— Boa pergunta. — disse outro.

Acontece que a equipe de resgate não andava pela cidade como as pessoas normais. Talvez devesse ter ficado chocado, mas não fiquei. Minha mente deve ter sido envenenada… junto com os habitantes da cidade também.

Ignorei casualmente os sussurros na cidade enquanto seguia meu mapa. Meu objetivo era supostamente em uma estrada principal gigante, que Rose disse que era relativamente fácil de encontrar.

— Deve ser isso. — observei.

Avistei um prédio de tijolos brancos que se destacava entre as várias lojas. O mapa apontava claramente para aquele prédio, mas não sabia se isso significava que deveria entrar.

No caminho para o prédio, notei um conjunto familiar de orelhas e um rabo. Uma garota raposa estava olhando para mim a cerca de dez metros de distância. Ela definitivamente me pegou desprevenido.

Aquele olhar… é quase como se ela estivesse lendo minha mente. Isso não é bom. Provavelmente deveria ficar longe daquela garota.

Rapidamente me aproximei do prédio, abri a porta e entrei. Ao escapar com sucesso do olhar da garota, fechei a porta atrás de mim e me encontrei em uma sala que era surpreendentemente arrumada e lembrava os aposentos da equipe de resgate. Chamei para ver se alguém estava lá.

— Alôoooo?

— Já estou indo! — respondeu uma voz enérgica da parte de trás do edifício.

Alguns momentos depois, uma jovem correu para me cumprimentar. ela era um pouco menor do que eu e tinha cabelos loiros. Parecia tão animada quanto sua voz sugeria.

— Olá! Que negócios você tem com a enfermaria Fleur hoje? — perguntou.

— Você acabou de dizer “Fleur”? Hum, Rose queria que eu lhe trouxesse esta carta.

— Meu Deus! Mesmo?! — a garota exclamou.

Se bem me lembrava, Fleur, a curandeira que não era eu ou Rose, era o sobrenome de Orga. Parecia que eu tinha chegado ao escritório dele. Dei mais uma olhada na sala, depois entreguei a carta de Rose à garota.

— Muito obrigada. E com quem estou falando? — ela guinchou.

— Sou Usato.

— Usato! Meu irmão mais velho me contou sobre um Usato… Espera. Você é o novo estagiário!

— C-certo.

Ela era incrivelmente enérgica, o tipo de garota com quem poderia me ver como amiga na Terra. Não havia dúvida de que ela a irmã mais nova de Orga.

— Eu sou Ururu Fleur! E hum, tenho dezoito anos! — ela exclamou.

— O-Oh! Tenho dezessete.

— Você é um ano mais novo que eu! — ela gritou.

Seu comentário foi tão aleatório que não sabia o que dizer. O interessante é que ela e Orga me contaram quantos anos tinham quando nos conhecemos. Deve ser uma peculiaridade na família deles.

— Então, onde está Orga?

— Na parte de trás com um paciente. Quer vir ver?

Não tinha ideia de que tipo de curandeiro Orga realmente era. Rose era a única curandeira cuja magia tinha visto, então parecia uma boa oportunidade para observar.

— Só se você não se importar.

— É claro que não! Por aqui!

Acompanhei Ururu até uma sala nos fundos da enfermaria. Ela silenciosamente abriu a porta.

— Não podemos falar muito alto. — ela disse — isso não seria bom. Meu irmão se distrai facilmente.

— Ok. — sussurrei.

Ururu e eu espiamos a sala pela porta. Ser sorrateiro parecia meio errado, mas com Ururu lá, tinha (bastante) certeza de que estava tudo bem. Pela pequena abertura, vi Orga de pé ao lado de um menino deitado em uma cama e uma figura maternal que segurava sua mão. A criança parecia estar sofrendo de algum tipo de doença.

 

 

 

— Tá vendo aquele menino? Há alguns dias, pegou uma infecção estranha que o deixou super doente. Os sintomas eram tão graves que a mãe o trouxe ao nosso consultório. — explicou.

— Entendo.

Poder mágico verde reunido nas palmas das mãos de Orga.

— Uau. — eu sussurrei. Não pude deixar de ficar impressionado. A magia de cura de Orga era de uma cor verde escura e profunda que deixava um rastro claro. sua magia era muito mais potente que a minha, sabia porque usei a mesma magia que ele.

Orga colocou as mãos sobre a cabeça e o peito da criança, o que enviou uma onda de magia de cura sobre seu corpo. A magia de Orga era incrivelmente suave. Estava muito fora do meu alcance.

Alguns momentos depois, Orga baixou as mãos.

— Muito melhor. — disse ele. Ele curou instantaneamente a criança, que rapidamente se sentou na cama.

— Ele está certo mamãe, estou curado! — exclamou a criança. — Eu me sinto muito melhor!

— Incrível. — sussurrei. A criança antes acamada agora parecia ter toda a energia do mundo. A mãe da criança curvou-se profusamente para Orga. Por mais nervoso que parecesse, Orga era um curandeiro especialista, pura e simplesmente. Nunca poderia reproduzir magia cuidadosamente elaborada como a dele.

Depois de levar a mãe e a criança para fora do prédio, Orga voltou para dentro com um sorriso encantador no rosto.

— Ei, Usato! É bom te ver.

— O mesmo aqui, — eu disse. — Ah, e desculpe por invadir enquanto você estava ocupado.

— De jeito nenhum! Estou feliz que você nos fez uma visita. Ururu fez um bom trabalho de convidá-lo para entrar? — Orga perguntou desconfiado.

— Claro que fiz. Duh! Oh, fique à vontade para se sentar, Usato. Podemos ficar em pé e conversar, mas nada supera o conforto.

Sentei-me numa cadeira de madeira. Orga e Ururu sentaram-se à minha frente em uma mesa.

— Obrigado por nos trazer uma carta da capitã.

— Sem problemas. Estou feliz por ter vindo. Queria ver este lugar com meus próprios olhos.

Realmente quis dizer isso quando disse que estava feliz por ter vindo. Ter a chance de ver a magia de cura de Orga fez valer meu dia.

Rose queria me mostrar sua magia? É por isso que estou aqui?

— Então, diga-me, Usato! Como estão todos na equipe de resgate? — Ururu perguntou.

— Você quer dizer Tong e os outros? O mesmo de sempre, eu acho. — respondi, sorrindo ironicamente enquanto respondia a sua pergunta aleatória.

— Sim, posso ver isso. Não são do tipo que mudam rapidamente, se é que mudam. Essa é a equipe de resgate para você! — ela guinchou.

Orga, que estava assistindo à nossa conversa, de repente fez sua própria pergunta.

— Da próxima vez, por que você não tenta trabalhar aqui, Usato-kun?

Tudo o que consegui articular foi um confuso: — Hein?

— Ele nunca vai dizer sim para isso, mano! Como ele poderia quando está tão ocupado com o treinamento de Rose? — disse Ururu.

Orga riu.

— Acho que você está certa.

Mas a oferta de Orga não parecia tão ruim assim. Provavelmente poderia aprender muito apenas observando sua magia. Por outro lado, realmente estava ocupado com o treinamento.

Talvez se pedir a Rose, ela me deixe estudar com ele por um dia.

Dei uma resposta verdadeira.

— Adoraria, mas primeiro terei que perguntar a capitã.

— Aguardo as boas notícias. — disse Orga. — Não é uma tarefa fácil administrar este lugar sozinhos.

— Vamos, Orga! Pare de nos fazer parecer tão indefesos! — disse Ururu.

Orga riu.

— Você é rigoroso, mas não posso dizer que esteja errado.

Ficou claro que eles eram incrivelmente próximos. Como filho único, devo admitir que fiquei com um pouco de ciúme. Mas então pensei comigo mesmo: Se Orga não conseguiu acompanhar o treinamento de Rose, Ururu também não conseguiu? Pelo que entendi da conversa, ela também era uma curandeira.

— Por que você desistiu do treinamento de Rose, Ururu? — perguntei.

— Bem, mesmo que eu não seja tão fraca quanto meu irmão, sou muito melhor em curar outras pessoas do que em qualquer outra coisa. Mas a verdadeira razão pela qual desisti foi porque… — ela parou quando apontou para seu irmão, que estava sorrindo timidamente enquanto coçava a cabeça. — Eu estava preocupada com ele! — ela lamentou, agindo como se Orga fosse uma criança problemática.

— Heh, desculpe irmã. — Orga riu mansamente.

Qualquer um pensaria que ela é a irmã mais velha, não ele.

Depois disso, nos envolvemos em brincadeiras bobas e, antes que percebesse, já passava do meio-dia. Me convidaram para comer, mas recusei porque não queria importuna-los.

— Vejo você por aí, Usato! — Orga disse.

— Volte logo! — Ururu exclamou.

— Eu vou! Obrigado por tudo.

Depois que se despediram de mim, saí da enfermaria. Estava tão ocupado treinando que esqueci de descansar… e descobri que descansar não era tão ruim. Foi incrivelmente pacífico. Tranquilo demais. Estava preocupado que Rose ficasse brava porque não estava treinando, mas então percebi o quão ridículo isso soava!

Ela nunca faria isso!

— C-Certo!

 

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Depois que saí da enfermaria, verifiquei sem rumo as barracas ao longo das ruas.

— Provavelmente deveria pegar algo para comer. Ah, espera. Não trouxe nenhum dinheiro.

Não tive escolha a não ser voltar para os alojamentos. Me virei para fazer exatamente isso quando alguém agarrou meu braço. Não era outra senão a raposa que vi antes de entrar no prédio.

A garota bestial sussurrou baixinho enquanto olhava nos meus olhos.

— Você é o único que pode ver. Isso significa que você pode alterar o futuro.

Não tinha ideia do que ela estava falando.

Em um instante, todas as imagens e sons se transformaram em escuridão. Segurei minha cabeça em agonia, atordoado pelas ilusões que enchiam minha visão como um devaneio.

Um campo vasto e sem fim.

Os cavaleiros do exército do Lorde Demônio. Demi-humanos de pele escura com armas. Uma figura adornada com uma armadura negra.

Kazuki e Inukami afundando em um oceano de sangue.

Foi a pior visão que já vi e, além disso, era incrivelmente real. Quando minha visão voltou ao normal, tentei desesperadamente não vomitar. A garota do povo-fera também estava segurando a cabeça enquanto pingava de suor, assim como eu. Nossos olhos se encontraram novamente, levando-a a resmungar baixinho.

— Você recebeu uma dívida incrível. É seu dever retribuir. — disse

ela.

Dívida? O que ela quer dizer?

Tudo ficou embaçado, e quando pensei que ia cair no chão, a garota bestial estendeu a mão. Dei uma olhada na mão dela e fiquei com tanto medo que eu… simplesmente comecei a gritar.

Afastei a mão dela e corri o mais rápido que pude sem olhar para trás. Voltei para os alojamentos e me enrolei na cama, onde tentei ao máximo esquecer as visões assustadoramente reais que vi em minha cabeça.

— Que raios foi aquilo?

Apesar de ter ficado um tempo deitado na cama, não conseguia tirar da cabeça as ilusões da raposa. O que ela estava tentando me dizer? Eu realmente tinha uma dívida a pagar? Que tipo de dívida era? Rose mencionou que algumas pessoas do povo-fera possuem habilidades especiais. Aquela garota tinha a capacidade de mostrar ilusões a outras pessoas?

— Foi isso… o futuro? — me perguntei em voz alta. Era improvável, mas não era impossível.

Por que ela mostraria isso para mim? Isso é realmente o futuro? Se for esse o caso, Kazuki e Inukami vão…

— Não. — gritei.

Dei um suspiro profundo e me deitei na cama. Nada fazia sentido e isso estava me incomodando pra caramba. Por que tinha que ficar tão nervoso com uma dívida que estava sendo forçado a pagar? Eu não tinha respostas, então achei melhor perguntar diretamente à raposa.

— Sim. Por enquanto, vou falar com aquela garota e ver o que está acontecendo.

Agora que tomei minha decisão, sabia o que tinha que fazer a seguir.

Eu ia ser tão rápido quanto o vento.

— Onde diabos está aquela raposa loli?! — Eu gritei.

O fato de estar tendo pensamentos pervertidos não era porque me ressentia dela.

Ou pelo menos… foi nisso que escolhi acreditar.

Primeiro, corri de volta para o lugar onde a garota agarrou meu braço. Eu estava fazendo uma cara tão horrível que provavelmente parecia uma aberração depravada, mas as pessoas da cidade não pareciam notar. Vestir aquela roupa de treino basicamente me deu permissão para agir como um esquisito. Mas se estivesse usando roupas normais, realmente ficariam surpresos.

— Ela não está aqui!

Já que ela não estava onde estava antes, irei até a baia onde a vi pela primeira vez. Se puder perguntar a um lojista sobre ela, com certeza a encontrarei.

— Está fechado!

A loja nunca esteve aberta para começar. Mais uma tentativa frustrada. Depois disso, era hora de verificar os becos!

— É muito grande! Não sei para onde ir!

Me senti um completo palhaço. Não importa para onde olhasse, a raposa não estava em lugar nenhum. Perguntei aos civis sobre ela na rua, mas nenhum deles sabia de nada. O que piorou as coisas foi que se recusaram a me olhar nos olhos.

— Ah, bom.

Depois de vasculhar a maior parte da estrada principal, fui ao último lugar em que consegui pensar.

— A porta que leva para fora do reino. — disse. Mas mesmo assim, não esperava encontrá-la.

— Não vi nenhuma raposa bestial por aqui. — disse Thomas, o porteiro.

— Sim, eu percebi. — respondi, oprimido.

Eu sabia. Se estivesse lá, isso tornaria a vida muito fácil.

Com os ombros caídos, lentamente comecei a voltar para a cidade.

— Depois de tudo isso, não consegui nenhuma informação.

Corri pela cidade a toda velocidade e procurei em todos os lugares que pude imaginar, mas, mesmo assim, meus esforços não deram em nada. Seria possível que ela tivesse previsto o futuro e agora estivesse tentando não ser pega?

— Coisas estúpidas como essa não são possíveis. — murmurei.

— O que não é possível? — uma voz perguntou por trás. Sem olhar, sabia que era a voz da minha capitã diabólica, que já estava de volta de onde quer que estivesse.

Gritei de surpresa, então lentamente me virei para ver Rose. Ela estava coberta de poeira por algum motivo. Não tinha certeza do que dizer, mas deixei escapar algo de qualquer maneira.

— Bem, olhe para você. Você é uma capitã tão boa que nem mesmo a poeira pode ficar longe!

— Aww que doce. Agora venha aqui para que eu possa estrangulá-lo. —ameaçou.

Ela vai me estourar como um balão!

Rose agarrou meu rosto com seu aperto de ferro e me ergueu no ar.

Espera. Eu realmente sinto muito. Por favor pare! Minha bexiga não é tão forte!

Lutei para escapar, apenas para que ela suspirasse e rapidamente me desprendesse o rosto.

— Tenho que relatar algo para o castelo. Você também vem — disse ela.

— Tudo bem. Não me importo mais, então faça o que quiser.

Tinha escapado de seu aperto de ferro, mas então ela me pegou em um braço. Estava me mantendo cativo como uma espécie de prisioneiro.

Ela fez isso tão casualmente. O que pensa que eu sou? Um bicho de pelúcia?

— O que você estava fazendo aqui, afinal? — ela perguntou.

— Oh, só estava procurando por alguém. — respondi vagamente.

— … o inferno? — ela respondeu.

— Por que a longa pausa? — perguntei. — Bem, tanto faz. Estava procurando por uma garota raposa.

— Ohhh, aquela do povo-fera. A mesma sobre o qual você disse aquele comentário estranho antes. O que há com a garota? — ela disse.

— Você sabe alguma coisa sobre ela?

— Ela veio para o reino há dois anos. Fiquei surpresa que uma garota do povo-fera de doze anos tenha chegado até aqui… mas isso é tudo que sei. — ela explicou.

Então, uma garota do povo-fera de 12 anos escapou de traficantes de escravos e bandidos e chegou aqui sozinha? Se isso fosse verdade, a raposa realmente era uma mestra em se esconder. Encontrá-la parecia uma tarefa impossível.

— Quero dizer isso da maneira mais gentil possível, mas, sério, não faça isso. — sugeriu Rose.

— De repente, agir toda simpática só me confunde ainda mais.

Vê-la cheia de compaixão era uma visão muito rara! Meus olhos… eles queimaram!

Volte ao seu estado normal! Rose não é legal! Além disso, não sou um pervertido!!

Rose continuou a brincar com minha mente enquanto me carregava para o castelo.

 

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Rose me carregou até o rei, que estava sentado no grande salão. Parecia gostar de como eu era fácil de segurar e não mostrava sinais de me por no chão.

— Rose? Por que você está carregando Usato assim? — disse o rei com os olhos arregalados.

— Venho trazendo notícias. Confirmei que o exército do Lorde Demônio posicionou seus homens perto da fronteira.

— Eu sabia! Quão perto está o exército do Lorde Demônio? — ele perguntou.

Rose estava coberta de poeira da cabeça aos pés. Provavelmente investigou o paradeiro deles por conta própria. Apesar de ouvir que o exército do Lorde Demônio estava avançando no reino, de alguma forma ainda não parecia real.

— Estavam construindo uma ponte improvisada para atravessar o rio, mas eu a demoli antes de terminarem. Isso deve nos dar mais alguns dias para nos prepararmos. — relatou Rose.

O rosto do rei estava congelado de medo.

— Gra-Graças a Deus. — disse ele.

Isso não soou como “investigar” para mim, mas de qualquer forma, ela realizou uma façanha incrível. Minha capitã estava em sua própria liga.

— Amanhã contarei aos cidadãos sobre a invasão do exército inimigo. Agradeço-lhe por seu trabalho hoje do fundo do coração e peço desculpas por colocar sua vida em risco. — disse ele humildemente.

— Ah, não se preocupe comigo. Agora, se você me der licença… — ela disse enquanto saía do grande salão. Ela ainda estava me carregando, então naturalmente saí da sala também.

— Antes que a guerra comece, preciso alertá-lo sobre um monte de coisas — disse ela.

— Como o que?

— Ah, coisas importantes. Vou te dizer quando voltarmos para os alojamentos, — declarou.

Não pude deixar de me perguntar o que ela queria dizer.

— Capitã? — Eu perguntei gentilmente.

— O que?

— Não é hora de você me colocar no chão?

— … esqueci que estava segurando você.

Não era exatamente o que eu queria ouvir.

Depois de passar algum tempo em meu quarto, fui até os aposentos da capitã para falar com Rose. O quarto dela ficava no segundo andar, bem nos fundos. Nunca estive lá, mas sempre soube que ela estava lá quando não estávamos treinando. Bati na porta.

— Posso entrar? É Usato.

— Entre. — ordenou.

Entrei na sala, que estava bem mais limpa e organizada do que esperava. Vários livros alinhados nas prateleiras e havia uma pilha de documentos empilhados em sua mesa. Rose estava sentada naquela mesma mesa, com os cotovelos apoiados sobre ela e o cabelo aparentemente molhado. Ela deve ter tomado banho para tirar a poeira.

— Sente-se. — instruiu.

Sentei-me em uma cadeira que estava desajeitadamente colocada em frente à mesa. Ela estava olhando diretamente para mim, então achei impossível relaxar.

— Você se lembra qual é o papel que você desempenha na equipe?

— Hum, vou para a linha de frente como você e curo os feridos.

— Aqui está o acordo: No início da batalha, você e eu não vamos para a linha de frente. Primeiro, você, eu, Orga e Ururu, os quatro curandeiros, vamos curar os soldados feridos que Tong e os outros trazem para nós. — explicou.

— Por que não começamos na linha de frente?

— Quando a batalha está apenas começando, não há ninguém para curar. Há muita ação nas linhas de frente e isso só nos tornaria alvos fáceis.

— Você tem razão.

Não tinha pensado tão à frente. Ninguém é ferido no início de uma batalha. Sem pessoas para curar, só atrapalharíamos.

— Quero que você saiba a coisa mais importante sobre ir para a linha de frente.

— O que seria?

— Preciso ouvir isso tanto quanto você, mas… não cure as pessoas erradas. — murmurou.

— Você quer dizer que não devemos curar o inimigo?

Por que ela está dizendo algo tão óbvio? Por que curaríamos nossos agressores?

— Não, seu idiota. Só não seja imprudente quando você curar.

— Como assim?

— Por exemplo, digamos que um de nossos homens esteja levemente ferido, mas continue lutando. O que aconteceria se você fosse descuidado e corresse para curá-lo?

Parei por um segundo.

— Eu só iria atrapalhar.

— Exatamente. — disse ela. — O campo de batalha está repleto de inimigos. Você tem que decidir quem precisa ser curado, e você tem que fazer isso rápido.

Agora eu entendi. Não posso distrair nossos homens ao fornecer apoio.

O estranho era que Rose parecia diferente do normal. Por alguma razão, estava sendo menos espinhosa do que o normal. Estava agindo assim antes de irmos para o castelo, mas estava ainda mais gentil agora.

O que inspirou tal mudança de coração? E tá me levantando só para me derrubar mais tarde? Espera. O que é aquilo voando na minha–

Gritei quando um objeto branco foi arremessado em meu rosto.

— Esse é o uniforme oficial da equipe de resgate. Experimente. — ordenou.

Sentei-me perplexo, estudando o jaleco branco que estava segurando, que parecia um jaleco de médico. O pano era liso e durável. Era tão grosso quanto uma luxuosa pele de animal. Uma única flor vermelha, o símbolo da equipe de resgate, havia sido costurada no lado direito do casaco. Era o mesmo uniforme que Rose usava o tempo todo.

— Fiz isso para nos destacarmos na linha de frente. Não só é resistente, mas também é resistente à água e sujeira. É um casaco e tanto, e é seu.

— M-muito obrigado. — gaguejei.

Isso é incrível.

Passei os braços pelas mangas e abotoei a frente do casaco. Era surpreendentemente leve, fácil de se movimentar e até confortável.

— Bem, olhe para isso. Fica bem em você. Eu acho… todo o seu treinamento valeu a pena.

De repente, ela diminuiu a distância entre nós sem emitir nenhum som. Rose colocou a mão no meu rosto, mas fiquei totalmente imóvel. A razão pela qual não lutei com ela não foi porque estava com medo; senti que tinha o dever de deixar meus sentimentos de lado e encará-la.

— Só porque somos curandeiros não significa que somos imortais. Se você morrer, é fim de jogo. A única coisa que você nunca deve fazer no campo de batalha é jogar sua vida fora. Você me entende, Usato?

— Sim, senhora! Acredite, também não quero morrer.

— Quão estúpido você pode ser? — ela retrucou, então sacudiu minha testa com força.

Fiquei tão surpreso com a dor que comecei a gemer, mas então ela me agarrou pelo colarinho e colocou o rosto a apenas alguns centímetros do meu. Ela segurou minhas bochechas em suas mãos e me forçou a olhar em seus olhos.

 

 

 

— Fale o quanto quiser, mas conheço homens que disseram a mesma merda e acabaram mortos. Conheço tolos que têm tantos arrependimentos que desejam morrer.

— Capitã… — parei. Não conseguia me forçar a olhar em seus olhos.

Suas palavras eram tão tristes quanto profundas.

— Não tome sua vida como certa. — disse ela. — A equipe de resgate não pode sobreviver sem você, droga. Se eu ver alguma porcaria de auto-sacrifício, te darei uma surra antes que o inimigo o faça.

Me sacrificar não era algo que eu faria. Mas se Kazuki ou Inukami estivessem morrendo, como estavam naquela visão… Eu não sabia o que faria. Eu os resgataria mesmo que isso significasse morte certa? Ou teria tanto medo de morrer que escaparia sozinho? Nenhuma das situações era boa.

— Então salvarei a todos, inclusive a mim mesmo. — declarei.

— Acha que pode fazer isso, punk?

— Foi você quem me disse para falar sobre meus ideais, capitã.

Olhamos nos olhos um do outro enquanto ficávamos ali em silêncio.

Alguns segundos depois, Rose me soltou com um sorriso malicioso em seu rosto.

— Não se esqueça do que acabei de lhe dizer.

Ajeitei a gola do meu uniforme e respondi: — Sim, capitã!

Seu treinamento pode ter me feito passar por um inferno, mas naquele momento percebi que tinha me ensinado mais do que eu esperava. Tive orgulho de ser membro da equipe de resgate de Rose…, mas nunca poderia dizer a ela porque era muito embaraçoso.

De qualquer forma, ela vai odiar isso, mas…

— Seu treinamento provavelmente vai me matar antes que o inimigo chegue até mim.

— Cale a boca.

Quando dei por mim, ela me deu uma cabeçada tão forte que eu estava vendo estrelas. Quando perdi a consciência com a força bruta, vi Rose tocando a cicatriz sobre o olho… e por algum motivo ela estava sorrindo.

 


 

Tradução: Nagark

Revisão: Bravo

 

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