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A Maneira Incorreta de usar Magia de Cura – Vol. 01 – Cap. 05.1 – Usato volta para a floresta!

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Alguns dias se passaram desde que visitei Inukami. Eu estava dormindo profundamente na minha cama… até que fui rudemente acordado antes do treino matinal.

— Ei. Levante-se e brilhe. — disse alguém. Eu me sacudi acordado.

Na verdade, não fui apenas rudemente acordado, fui literalmente chutado para fora da cama. Gemendo ao cair no chão, olhei para o intruso que havia perturbado meu sono tranquilo. Sem surpresa, era Rose, que cruzou os braços e olhou para mim de maneira irritada. Era tão intimidadora que faria qualquer um se encolher de medo.

— O-O que está acontecendo? Ainda está escuro lá fora.

— Vou explicar depois. Vista-se. — ordenou, então rapidamente saiu do quarto como o furacão de mulher que era. Ainda meio adormecido, coloquei meu uniforme de treinamento como ela havia ordenado.

— Tudo bem. Tenho que sair rapidamente. — sussurrei.

Agora que estava completamente vestido, saí do quarto e corri para sair dos alojamentos. Quando Rose me viu, jogou um objeto quadrado em minha direção.

— Pegue isso. — disse.

O que é isso, uma mochila? Parece menor do que a anterior.

Espera. Por que estou me sentindo tão trêmulo? Talvez eu esteja me irritando em vão.

— Huh? O que está acontecendo?

— Acabei de receber um pedido de Sua Majestade. Você vai se juntar aos heróis para treinar. — declarou.

Não podia acreditar no que estava ouvindo.

— Por que a cara triste? — sondou.

— Não, é só… por heróis, você quer dizer Kazuki e Inukami?

— O Herói Kazuki está treinando fora do país. Parece que você acabou de perdê-lo. Você tem que acompanhar a heroína Suzune. — afirmou.

Vou treinar com a Inukami fora do país?! Mas… por que eu? Os homens de Siglis estavam lá para o treinamento de Kazuki, não? Por que não podem lidar com isso também?

Como se soubesse o que estava pensando, Rose soltou um suspiro e colocou a mão na cabeça.

— Quando você voltou da floresta, Sua Majestade pediu que você se juntasse ao herói Kazuki em seu treinamento, mas eu disse a ele que você não podia. Você tinha acabado de lutar contra aquela pilha de lixo, então imaginei que você estava muito esgotado mentalmente para voltar tão cedo. Agora que o Herói Kazuki voltou, Sua Majestade quer que você se junte a Heroína Suzune. Naturalmente, também rejeitei esse pedido, mas ele continua pressionando e não posso continuar recusando.

Ela sabia que estava exausto depois que voltei da floresta. Foi muito gentil da parte dela ter notado isso.

— Mas… por que eu? — Me perguntei.

— Você pode curá-la se ela precisar, mas geralmente não é necessário.

Quase parecia que havia aprovado o pedido porque sabia que eu estava

longe dos meus amigos. Em outras palavras, me confiou minha primeira missão! Além disso, minha missão era acompanhar Inukami, o que era mais um motivo para dar o meu melhor.

— Certo. Vamos para o portão.

— Entendido. Ah, e o Blurin?

— Ele pode ir junto.

— Certo! — disse animadamente. — Vou acordá-lo.

Rapidamente fui ao estábulo para encontrar Blurin. Foi a oportunidade perfeita para levá-lo para fora. O espaço aberto que rodeava o campo de treinamento tinha um tamanho decente, mas não era o mesmo da floresta espaçosa que Blurin costumava chamar de lar.

Quando cheguei ao estábulo, o encontrei enrolado como uma bola. Estava dormindo em uma pilha de feno.

— Acorde, Blurin. — disse, sacudindo-o gentilmente. Blurin respondeu gemendo em seu sono.

— Urgh. Você está apagado como uma luz… a capitã vai me matar se chegarmos atrasados. Vamos. Levante-se e comece a andar. — insisti.

Girei a mochila para frente e em seguida coloquei Blurin nas minhas costas. Estava dormindo como um bebê em cima do cara que foi literalmente chutado para acordar. O que ele pensava que eram minhas costas? Um assento na classe executiva ou algo assim?

Enquanto eu resmungava baixinho sobre Blurin, Rose revirou os olhos enquanto viajávamos para o portão que dava para fora do reino.

A aurora mal tinha raiado na vazia cidade do castelo quando chegamos ao portão para o mundo exterior. Vimos dois guardas que estavam perto de Inukami.

— O que você está fazendo aqui, Usato? Você veio se despedir de mim? — Inukami perguntou.

— Bom dia, Senhor Usato! — disse um dos guardas.

— Ele está aqui. — disse o outro.

Dois guardas estavam lá para proteger Inukami: Um deles era o porteiro excessivamente enérgico que tinha visto no castelo outro dia; a outra era uma mulher desconhecida que usava uma túnica preta. O enérgico porteiro tirou o capacete que usava para revelar seu cabelo ruivo curto e rosto bonito. A mulher vestida de preto, por outro lado, manteve-se fechada. A julgar pela forma de seu corpo, presumi que fosse uma maga que trabalhava para o reino como Welcie.

— De jeito nenhum. A última pessoa a se juntar a nós é… — começou Inukami.

— Provavelmente eu. — respondi.

Por “último” ela deve ter entendido que eu era o último membro desse grupo de quatro pessoas.

Rose olhou para cada um dos membros, então fez uma careta para o porteiro, que acredito que se chamava Thomas, até que ele abriu a porta com medo. Estava tão ocupado sentindo pena dele que quase não percebi que Rose havia se aproximado de Inukami.

— Heroína Suzune. A magia de cura de Usato deve ajudá-la a superar seus limites. Ele está pronto para a batalha, mas só para garantir, não pense que ele será capaz de compensar. — disse ela.

— A-anotado. Afinal, este é o meu treinamento, então evitarei depender dele o máximo que puder. — respondeu Inukami. Ela parecia um pouco sobrecarregada.

— É muito cedo para saber com certeza. A magia de cura é útil, mas não é perfeita. Podemos curar venenos e ferimentos, mas se você morrer, está perdida. Vou dizer isso de novo: Não confie muito na magia de cura. Entendeu? — Rose alertou.

— S-sim. Entendido. — Inukami respondeu, sua voz ligeiramente vacilante.

Ela ficou congelada no lugar.

Parecia que Rose estava dizendo a ela para não exagerar. Do meu ponto de vista, Inukami não estava preparada para o perigo que estava por vir. Provavelmente porque estava realmente gostando deste mundo e não experimentou perigo real.

— Bem, você tem treinado com Siglis — disse Rose —, então você deve ficar bem na maior parte.

Depois disso, Rose se aproximou de mim. Me olhou por alguns segundos sem dizer uma palavra. Apesar de se mexer nervosamente, me deu um tapinha nas costas, o que sinalizou que ela queria que eu fosse até o portão.

— Você sabe o que deve fazer. Agora vá. — disse ela.

— É só isso?

— O quê? Quer que eu fale? — ela perguntou.

Na verdade não. Não, não quero. Mesmo que me incentivasse, acabaria me criticando e isso era a última coisa de que precisava. Rose me viu encolher os ombros em derrota e gargalhou enquanto se afastava. Quando Rose sumiu de vista, Inukami soltou um enorme suspiro de alívio.

— Ninguém nunca me deixou tão nervosa. — murmurou, sua voz ainda trêmula.

— E isso é o que ela tem de melhor. — disse com um sorriso. — Normalmente, a capitã nunca nos dá nenhum conselho.

O rosto de Inukami ainda estava pálido.

— Sua professora é tão radical.

Não tinha certeza do que ela queria dizer, mas mesmo se perguntasse a ela, sabia que não iria me dizer. Sentindo-me um pouco inseguro, parti com meu grupo à medida que deixávamos o reino.

 

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— Como Kazuki lidou com seu treinamento? — perguntei.

— Ouvi dizer que ele se saiu muito bem. — respondeu Inukami. — Não estamos acostumados a lutar em batalhas reais, então estava compreensivelmente exausto. Está dormindo desde ontem.

— Espero que esteja bem.

Conversamos casualmente enquanto nosso grupo caminhava por um caminho de terra fora do reino. Foi o mesmo caminho que tomei quando vim para cá com Rose. Aparentemente, havia poucos monstros por perto, então encontros com inimigos não eram prováveis, a menos que houvesse uma emergência. Na verdade, também não fui atacado da última vez que fiz esse caminho.

Os dois guardas estavam alguns passos à nossa frente. Permaneceram incrivelmente focados enquanto observavam possíveis ataques, provando que podiam ser confiáveis para proteger Inukami. Meu único talento era usar ataques físicos não qualificados, então eu estava certo de que eles poderiam facilmente me vencer em batalha.

— Blurin vai dormir o tempo todo? — Inukami perguntou. Não tinha certeza do que queria dizer.

— Perdão?

— Oh, só estava me perguntando quando você acha que ele vai acordar. Se está dormindo… talvez não se importe se o acariciar.

É só nisso que você pensa, Inukami?!

Além disso, ela estava basicamente hiperventilando enquanto seus dedos se contorciam no ar acima da cabeça dele. Olhei para ela friamente enquanto se aproximava dele. Ela queria tocá-lo um pouco demais. Esperava que estivesse tão calma quanto quando deixamos o reino, mas não parecia que isso iria acontecer.

— Ele está dormindo, mas… — comecei. Porém no momento em que abri minha boca, os braços de Inukami se moveram tão rapidamente que pensei que estávamos sendo atacados. Acabei batendo na mão dela com a mão direita por reflexo. Inukami levou a mão ao peito e olhou para mim incrédula. Alguns segundos depois, gritou de repente: — Por quê?!

— Eu deveria estar te perguntando a mesma coisa! Isso foi muito repentino! Caso contrário, não teria acidentalmente esbofeteado você! — respondi.

— É assim que você age quando dá um tapa na mão de uma donzela? Nós iremos… apenas olhe quem está acordado. — ela rosnou, com raiva olhando para mim.

Não sabia do que ela estava falando, então ignorei seu olhar mortal. Segundos depois, percebi que Blurin finalmente havia acordado e estava abrindo a boca para bocejar. Pedi aos dois guardas que parassem de andar por um momento enquanto colocava Blurin no chão.

— Continue. Você pode andar.

— Grrr — respondeu.

Blurin levantou-se lentamente sobre as quatro patas, gingando de um lado para o outro enquanto caminhava. Observando-o, suspirei sem pensar. Esperava que começasse a andar normalmente se apenas o deixasse. Disse aos guardas que não tinham nada a temer, então os dois continuaram andando.

No entanto…

— E-Ei, Blurin… deixe-me dar-lhe uma carona nas costas! Vamos! — exclamou Inukami.

Espere, espere, espere, isso vai ser um desastre! Ele ainda está meio adormecido, então pode confundir você com um… oh.

A próxima coisa que percebi foi que Blurin estava basicamente sentado em cima de Inukami. Dizer que ela estava tendo problemas para segurá-lo seria um eufemismo.

— I-Inukami?! — exclamei.

A garota mais bonita da escola grunhia como um homem? Vou fingir que não ouvi isso. De qualquer forma, tenho que fazer algo antes que Blurin a mate!

Retirei Blurin e resgatei Inukami o mais rápido que pude.

— Ack. Me desculpe, Usato. Vi uma oportunidade e fui atrás. — explicou.

— Não sei de que oportunidade você está falando, mas, por favor, tente não se machucar. Devemos nos machucar durante a batalha, não antes dela. — repreendi.

Ela era mais durona do que esperava, mas ainda havia uma chance de que seus ossos ou órgãos internos estivessem feridos. Envolvi seu corpo em magia de primeiros socorros enquanto continuava a trilhar o caminho.

— Você está bem, Madame Suzune? — um guarda perguntou.

— Eu tenho Usato, então estou me sentindo muito bem. — comentou. — Uau, você é incrível. Meu corpo parece muito mais leve! — exclamou.

— Certo… — disse, pensando em como sua declaração soou meio suja.

Coloquei minha mão no ombro de Inukami, mas foi só porque a estava curando. Nem sonharia em ter segundas intenções. Na verdade, fiquei surpreso com as palavras dela. Talvez os mundos de fantasia realmente mudassem as pessoas, afinal.

Agora que Inukami estava curada, tirei minha mão de seu ombro.

Falando nisso, não perguntei para onde estamos indo.

— Com licença. ––– disse.

— Sim? Pois não? — respondeu o porteiro ruivo na minha frente.

— Você pode me dizer para onde estamos indo? — perguntei.

— Ficaremos nas pradarias, que é o lar de vários monstros. É bem perto de uma floresta que é chamada de Covil das Bestas, então deve haver muitos demônios rondando! — exclamou.

Em outras palavras, íamos ver monstros que viviam na mesma floresta em que Rose me jogou outro dia. Da última vez, não vi muitos monstros, mas isso porque sempre fugi ou os evitei.

— Quanto tempo vai demorar para chegar lá? — perguntei.

— Eu diria… devemos estar lá ao meio-dia. — respondeu o cara ruivo.

Estávamos indo muito mais devagar do que quando eu fui com a Rose. Nós quatro estávamos nos movendo juntos como uma unidade, então era natural que demorássemos mais tempo. Fazia apenas alguns dias desde que deixei a floresta, mas vê-la novamente me deixou um pouco nostálgico. Blurin deve ter se sentido da mesma forma.

— Grrr?

Ou talvez não. Afinal, ele deixou a floresta para que pudéssemos viajar juntos.

Meus olhos estavam fixos em Blurin quando Inukami de repente me deu um tapinha no ombro.

— Na verdade, esperava que você me deixasse tocar em Blurin. — disse ela.

— Você já não aprendeu a lição? — perguntei.

Ela é persistente, admito isso. Mas se a esmagar de novo, não vou ajudar.

Algumas horas se passaram desde que deixamos o reino. Ao se aproximar da periferia da floresta, os dois guardas pararam no lugar.

— Estou sentindo muito movimento à frente. — disse a maga.

— São monstros?! — Inukami exclamou.

Quando o guarda pegou sua espada, fomos emboscados por algo que se escondeu em uma nuvem de poeira. Quando vi sua verdadeira forma, fiquei sem palavras.

— Bandidos! Vocês dois, fiquem para trás! — a maga ordenou.

— Usato… — murmurou Inukami.

Eu só podia dizer:

— O que diabos está acontecendo?

Nunca teria adivinhado que a primeira luta real de Inukami não seria com monstros, mas com pessoas! Havia quinze bandidos que empunhavam facas e espadas de estilo ocidental que estavam lascadas. Estavam bloqueando nosso caminho cerca de dez metros à frente.

O guarda empunhava sua espada enquanto a maga estendia as mãos. Por mais nervosa que estivesse, Inukami também pegou a espada. Por alguma razão, ver os sorrisos irreverentes nos rostos dos bandidos me deixou calmo.

Um homem gordo e careca começou a rir. Parecia ser o líder deles.

— Quem diria que encontraríamos um tesouro por aqui! É o nosso dia de sorte! Não é mesmo, rapazes? — gritou.

— Sim, chefe! — seus subordinados responderam em uníssono.

Ugh, isso não é nada assustador. Eles carecem de uma certa coisa, mas não tenho certeza do que é.

— Bwa ha ha ha ha! Se você não quer se machucar, entregue as mercadorias! — disse o líder.

— Nunca! — disse o guarda.

Os bandidos gargalharam grosseiramente em resposta.

— Ah? Você realmente acha que pode vencer contra todos nós? Não me faça rir! — o líder zombou.

Inukami ficou ao meu lado e lentamente puxou minha camisa.

Pode ser excêntrica, mas ainda é uma menina. Claro, ficaria intimidada por um bando de caras cacarejando como hienas. Como poderia não ficar? Provavelmente deveria dizer algo para acalmar seus nervos…

— Dá para acreditar, Usato?! Veja! Bandidos de verdade! — ela exclamou.

— Você é realmente algo mais, Inukami.

Tinha esquecido que ela não era uma garota comum. Eu era o estúpido por esquecer que tudo sobre este mundo era excitante para ela.

Depois de trocar algumas palavras indelicadas com o guarda armado, o líder careca olhou para mim e para Inukami. O homem riu quando os cantos de sua boca se torceram em um sorriso.

— Então as crianças atrás de você também trouxeram o saque. De jeito nenhum você não vai entregá-lo!

— Você não vai colocar a mão nesses dois, seu bruto! — o guarda disse.

— Bruto? Ha! Consideramos isso um elogio! Espere– eles têm um monstro! — disse o careca, que avistou Blurin. Alguns segundos depois, a cor sumiu de seu rosto. E começou a entrar em pânico.

— I-Isso é um Urso-azul! O que diabos você está fazendo trazendo essa coisa aqui?! — gritou.

— Você é apenas um filhote, mas é muito forte. Não é, Blurin? — disse. Blurin bufou com orgulho, como se dissesse: “Claro!”

Teria sido mais convincente se ele realmente treinasse pela primeira vez, mas estou divagando. Meus olhos passaram de Blurin para o líder careca, que estava sendo consolado por seus capangas.

— Ei, chefe! Essa coisa é só um filhote! Podemos pegá-los! — um disse.

— Sim! — gritou outro.

— Rapazes… vocês estão certos! Nós abrimos caminho através daquelas pradarias e nada pode nos assustar! Vamos, rapazes, vamos pegá-los! — gritou seu líder.

Ele precisava ser consolado por seus capangas?

Esse cara não tinha dignidade. E pelo que acabaram de dizer, apostaria que suas roupas e equipamentos estavam gastos porque haviam acabado de cruzar as pradarias. Não sabia o quão fortes eram, mas se conseguiram passar por um lugar tão perigoso, não poderíamos baixar a guarda.

Os bandidos nos atacaram com suas armas enquanto nossos guardas se posicionavam para lutar. A verdade é que eu não podia lutar. Nunca aprendi artes marciais ou lutei com uma espada, e meu treinamento nunca envolveu batalhas um contra um. Não sabia se eu poderia lutar como um soldado de verdade deveria. No entanto, era um especialista em correr pelo campo para garantir que não fosse capturado. Quando se tratava de escapar, ninguém poderia fazer isso melhor do que eu.

Preparei minha magia de cura e saltei para trás enquanto concentrava toda a minha força nas pernas.

Mas naquele momento…

— Tome isso!

Um relâmpago passou por nossos dois guardas e atingiu diretamente um dos bandidos. O homem ferido gritou enquanto convulsionava no chão. Incapazes de acreditar no que tínhamos visto, os bandidos e eu imediatamente olhamos para os dedos de Inukami, que ela havia apontado para eles como uma arma. O guarda voltou-se para ela com um sorriso galante no rosto.

— Essa é Madame Suzune para você! Heh heh! Ela é tão boa que nem precisamos atacar! — ele disse com orgulho.

Ela acabou de dar um choque nele até ele desmaiar?

— V-você não o matou, certo, Inukami? — gaguejei.

— C-Claro que não… eu acho. — respondeu.

Por que ela hesitou?! Agora eu estou assustado.

Depois de testemunhar o ataque de Inukami, os bandidos pararam de repente. Um dos capangas correu até o homem no chão e verificou nervosamente se estava vivo.

A legítima defesa é boa e tudo, mas matar? Se não for tarde demais, ainda posso curá-lo.

— E-Ele está vivo. — disse o capanga.

Ao ouvir isso, Inukami soltou um suspiro audível de alívio. Mas isso foi uma grande diversão. Nesse ritmo, seus raios poderiam acabar com os bandidos rapidamente.

— Vou te curar se for preciso, Inukami. Por enquanto, por favor, ataque o quanto quiser!

— Você é o mais doce, Usato.

O que você está dizendo?! Estou apenas tentando apoiá-la para que você possa se sentir livre para derrubar os bandidos!

— N-Não deixem que ela os intimide, rapazes! — gritou o líder.

— Magia só funciona de longe! Se a atacarmos de uma vez, ela está perdida!

— Vai, Inukami! Acabe com eles!

— Você não precisa ser tão grosseiro, sabe! — respondeu, então atirou inúmeros raios com a ponta do dedo. Outro homem caiu no chão, depois outro. Ela paralisou os bandidos e os fez desmaiar, o que só poderia significar…

— Você é uma arma de choque humana! — Eu disse. — Não, espere, “menina enguia elétrica” é mais parecido com isso!

— Se você falar isso de novo, eu vou ficar com raiva. — ameaçou.

Enquanto o líder careca observava seus capangas caírem de cara no chão, apontou para Inukami e gritou: — Você não pode usar magia! Isso é trapaça!

Era tão idiota que eu simplesmente não entendia. A única coisa que era brutal nele era seu rosto, mas só isso. Não eram tão cruéis como Rose ou os estagiários, então isso não me assustou em nada!

Inukami estava prestes a reunir o resto dos bandidos quando a maga falou de repente.

— Algo está vindo. Seu… — a maga parou.

Parecia que havia pressentido algo novo. Não podia vê-lo, mas podia ouvi-lo claramente se aproximando. Os passos não eram normais. Fosse o que fosse, parecia que estava quicando.

— Lá vem! — a maga gritou.

O careca tinha uma expressão estupefata.

— O que é isso?! Bem, agora é tarde demais para se render… agh! — ele gritou. Um javali vermelho voou para ele e o mandou voando.

— Chefe!! — seus homens gritaram.

— Senhor Usato, Madame Suzune! É um bando de Javalis do Outono! Para trás — gritou a maga.

— Porque eles estão aqui? O habitat deles é muito mais profundo na floresta, disse o guarda.

Os Javalis do Outono, monstros de pelo vermelho que tinham pernas traseiras anormalmente desenvolvidas, se meteram na luta. Os dois guardas rapidamente se esquivaram de seus ataques. No entanto, três deles avançaram para a mim e Inukami.

Ao cruzar os olhos com um dos javalis, gritei o nome de Blurin para que ele pudesse atacar.

— GRAAAAAAH! — rugiu.

Blurin ergueu-se nas patas traseiras e abriu ferozmente os braços, mas os javalis estavam furiosos demais para recuar. Ele conseguiu parar um dos javalis em seu caminho. Os outros dois continuaram correndo em direção a mim e Inukami.

Eu poderia levar o golpe. Sabia que era forte. Inukami, por outro lado, provavelmente precisava de ajuda. Tentei afastá-los para protegê-la…, mas ela pulou bem na minha frente e disparou raios poderosos de sua mão antes mesmo que soubesse que estava lá.

— Para trás, Usato! — gritou.

— Inukami?! — gritei de volta.

Seu raio atingiu um javali. O outro havia se esquivado.

— Ah, não. — disse estupefata.

Os javalis de outono eram únicos porque podiam pular incrivelmente alto devido às suas patas traseiras estranhamente poderosas. Eram conhecidos por poupar sua força para um ataque devastador; mandavam seu inimigo pelos ares e depois os batiam no chão. O pior de tudo era o fato de Inukami ser o alvo deles. Talvez tivessem percebido que era uma ameaça maior do que eu.

Rapidamente agarrei os ombros de Inukami, troquei de lugar com ela e a segurei com força na tentativa de protegê-la. Alguns momentos depois, fui derrubado pelo vento por trás e fui lançado voando no ar com Inukami.

Felizmente, minha mochila sofreu o impacto do ataque, mas ainda cerrei os   dentes enquanto tentava suportar a dor que percorria meu corpo. Senti como se fosse desmoronar a qualquer segundo, então rapidamente lancei magia de cura em mim para evitar desmaiar. Foi só então que percebi que Inukami havia desmaiado em meus braços!

— Inukami!! — gritei.

Segurei sua cabeça com força quando caímos no chão e, embora as folhas abaixo de nós tenham suavizado nossa queda, caímos em uma encosta infelizmente íngreme. Rolamos colina abaixo, indo tão rápido que não conseguimos parar. Cada vez que a mochila batia no chão, nos lançava no ar apenas para sermos arremessados de volta ao chão com o dobro da força.

Gritei de terror quando minha visão escureceu; meu corpo inteiro se debateu enquanto descíamos a colina e, por fim, fomos jogados em um rio. Tentei nadar com Inukami até a margem, mas a correnteza era tão forte que não pude lutar contra ela. Não tive escolha a não ser flutuar rio abaixo, mas foi quando de repente reconheci a paisagem ao nosso redor.

Quando Rose me jogou nesta floresta, pulei neste rio para escapar do Grande Urso-cinzento. Em outras palavras, este rio só levava a uma coisa.

— Tenho certeza que tem uma cachoeira.

Queria seguir outro caminho rio abaixo, mas o som da cachoeira que se aproximava deixou claro que agora era o pior cenário. Minha única esperança era passar pela cachoeira, onde a corrente era mais suave. Então, provavelmente poderia trazê-la para a margem.

— Não há escolha a não ser me preparar.

Segurei Inukami apertado em meus braços e respirei fundo.

 

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— … -ato!… Usato…!

Ouvi alguém chamando meu nome enquanto voltava à consciência.

Não conseguia mover um músculo. Meus braços e pernas estavam pesadas como chumbo e minhas roupas estavam tão molhadas que grudavam na minha pele. Só podia ouvir o som forte da água corrente enquanto uma voz continuava chamando meu nome.

— Usato… Vou te levar para um lugar seguro! Apenas espere até lá! Foi quando recuperei a consciência.

Depois que caímos no rio, usei minhas últimas forças para carregar Inukami até uma margem próxima e desmaiei logo depois. Agora que estava acordado, a primeira coisa que queria fazer era usar magia de cura para aliviar meu cansaço. Também queria escapar do braço de Inukami, que estava em volta do meu ombro.

— Eu vou proteger você. Eu, Suzune Inukami, prometo pagar esta dívida nem que seja a última coisa que eu faça! — gritou.

— Isso não será necessário, Inukami. Na verdade, você pode parar? Isso é meio embaraçoso.

— D-despertou tão cedo? — Inukami deixou escapar.

Agora que minha visão não estava mais embaçada, vi Inukami claramente diante de mim. Ela rapidamente se afastou de mim e seu rosto estava vermelho brilhante. Deve ter ficado envergonhada porque ouvi sua declaração apaixonada. Se não estava envergonhada, então não sabia porque estava desviando o olhar.

— Você está bem, Inukami? — perguntei.

— E-eu deveria estar te perguntando a mesma coisa. — respondeu.

— Estou bem. Essas coisas não me incomodam.

Enquanto examinava meus arredores, a envolvi em magia de cura apenas no caso de estar ferida. Vi um conjunto familiar de árvores assustadoras e uma cachoeira, junto com o som de gritos bestiais à distância. Não havia dúvida em minha mente, esta era a mesma floresta em que Rose havia me jogado. Depois de fazer essa grave descoberta, rapidamente contei a Inukami onde estávamos. Ela entendeu o que eu disse com a mesma rapidez e então baixou a cabeça tristemente.

— Sinto muito, Usato. — lamentou.

— Não precisa se desculpar. Estamos nisso juntos.

— Sim … — respondeu sem entusiasmo.

Por mais que quisesse animá-la, estava fazendo tudo o que podia para descobrir como sair daqui. Tinha que fazer isso, pois conhecia o terror deste lugar melhor do que ninguém.

— Monstros perigosos espreitam nesta floresta, aqueles que podem até acabar rapidamente com os Javalis de Outono. — expliquei.

— Temos que sair daqui rapidamente. — concordou.

— É perigoso. No final do dia, há apenas escuridão. Você não pode ver nada. Não importa o quão forte você seja, Inukami, não há como lutar contra monstros que podem nos emboscar a qualquer momento. — continuei.

— Verdade, — ela admitiu.

As noites na floresta eram sempre escuras como breu. Viajar à noite

não era aconselhável, pois a única coisa que poderia nos guiar era a luz da lua.

— É por isso que temos que esperar até o amanhecer para nos movermos.

— Mas não somos suscetíveis a ataques à noite? — perguntou ela.

— Subi em uma árvore para que os monstros não me notassem. Você pode fazer isso, Inukami?

— Nunca subi em uma árvore antes. Meus pais nunca permitiram… — ela parou.

Se ela não tinha permissão para subir em árvores como as outras crianças, devia ser filha de uma família de classe alta. Posso ver totalmente esse sendo o caso. De qualquer forma, parece que subir em árvores está fora de questão. Nesse caso…

— Por que não ficamos aqui? — sugeri. Apontei para a costa perto da cachoeira logo abaixo de mim.

— Tem certeza?! — ela engasgou.

— Assim estaremos sempre perto da água, pelo menos. Podemos procurar um local melhor, é claro, mas se fizermos isso, provavelmente seremos atacados novamente.

— V-você tem razão. — gaguejou.

— Então está resolvido.

Inukami e eu começamos a juntar todas as folhas e galhos que haviam caído no chão. Conseguimos fazer uma pilha decente em questão de minutos.

— Use sua magia para atear fogo, Inukami. Uma fogueira pode atrair monstros, mas pelo menos é melhor do que ficar cego à noite. — sugeri.

— Estou vendo. Entendido.

Ela então acertou os galhos e as árvores e incendiou. O fogo queimou brilhantemente, expandindo-se enquanto liberava fumaça para o céu. Coloquei minha mão perto do fogo enquanto ele aquecia meu corpo. Como eu estava com roupas molhadas e geladas, fiquei agradecido pelo calor.

— Você tem suprimentos? — perguntei.

— Sim, na minha mochila, — ela respondeu, tirando uma pequena espada, uma faca e um mapa. O mapa não era útil, mas a faca com certeza seria útil. Perguntei se havia mais alguma coisa na mochila, mas ela só tinha uma muda de roupa e outros pertences pessoais. Provavelmente não achava que teria que sobreviver no deserto, então não poderia culpá-la exatamente por não estar preparada.

— Estou tão feliz que minha muda de roupa não tenha molhado. — disse ela.

— Por que você não vai em frente e se troca, Inukami? Esperarei aqui. Minhas roupas devem secar bem rápido se eu ficar perto do fogo.

— Sim. Mas antes de fazer isso, pegue isso por precaução.

Ela me entregou a faca e a espada que era leve o suficiente para manejar com uma mão. Então, tirou suas roupas da mochila e as levou para um arbusto próximo. Por alguma razão, parou no lugar e me encarou. Havia um sorriso diabólico em seu rosto.

— Sem espiar, ok? — disse brincando.

A única palavra que consegui pronunciar foi: — O quê?

— Você não precisa me derrubar com tanta força, você sabe. — ela respondeu.

Não importa onde fôssemos, nunca desrespeitaria minha veterana. depois dela se trocar, agiu como seu eu normal e feliz. Isso me deixou aliviado, mas esse é o meu segredinho.

Alguns minutos depois, Inukami vestiu uma roupa simples, camisa de manga comprida e calça, e começamos a montar acampamento. Honestamente, foi uma configuração bastante simples; mantivemos o fogo aceso e encontramos um lugar para dormir.

De qualquer forma, a fogueira realmente mudou o jogo. Não iluminou exatamente a floresta, mas pelo menos pudemos ver o que estávamos fazendo à noite. Mais importante, ter a magia de Inukami significava que não precisávamos nos preocupar com comida.

Naquele momento, estávamos fazendo uma experiência. A mão de Inukami estava na água perto da margem, próximo a um ponto iluminado pelo fogo.

— Isto funciona? — ela perguntou.

— Estou pronto para fugir a qualquer momento, Inukami! — gritei. — Faz um zap quando estiver pronto!

— fazer um zap? Queria que você chamasse isso de outra coisa — disse ela. —, mas de qualquer forma, aqui vou eu!

Ela zapeou a água, o que trouxe alguns peixes de barriga para cima à superfície. Inukami não estava feliz por estarmos usando sua magia para pescar, mas não poderia estar mais feliz com os resultados de nosso experimento. Tínhamos uma nova maneira de pegar comida e fiquei em êxtase. Era muito melhor do que as rações duras e rançosas que comi da última vez que vim à floresta. A única coisa boa era que não vencia, mas agora tínhamos peixes!

— Estou tão feliz que você está aqui comigo, Inukami! — exclamei.

— Chorar e elogiar? Isso está indo um pouco longe demais, você não acha? —disse, olhando para mim enquanto felizmente mordia o peixe.

Provavelmente parecia que estava exagerando, mas não precisava me preocupar com fogo ou comida, e poderíamos até ferver água para começar! Com ela ao meu lado, esse jogo de sobrevivência era simplesmente muito fácil.

Quando terminamos de jantar, o céu estava escuro como breu.

— Está bem escuro, então você provavelmente deveria dormir. Vou vigiar o fogo — sugeri. Inukami estava sentada na minha frente.

— Não, não posso simplesmente deixar toda a sobrevivência por sua conta. Vou vigiar o fogo. — ela propôs.

— Vamos nos revezar. Vou te acordar quando terminar, então você pode dormir até lá.

Estava cansado demais para ficar olhando o fogo a noite toda. Ainda tínhamos que sobreviver, e a última coisa que deveríamos fazer era nos esforçar demais na floresta. Poderia ter usado magia de cura para reduzir nossa fadiga, mas o poder mágico não era ilimitado e os eventos do dia realmente me afetaram. Se quiséssemos nos sair bem amanhã, ambos precisávamos de uma boa noite de sono.

— Tudo bem. Acho que vou tirar uma soneca, então. Nada de gracinhas. — disse ela.

— Eu nunca. — respondi. Ela parecia bastante chocada.

Com certeza escolheu um momento estranho para fazer piadas.

 

Separador Tsun

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Tradução: Nagark

Revisão: Bravo

 

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