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Império Tearmoon – Vol. 03 – Cap. 37.1 – A Tragédia da Dama Sagrada e a Ambição de Mia

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— Hmm…

Escondida em um canto do Distrito da Lua Nova, na capital imperial de Lunatear, havia uma pequena cabana dilapidada, da qual se ouviam os murmúrios abafados de um velho. O tempo desgastava igualmente todas as almas, e até mesmo Ludwig Hewitt, que em seu auge usara sua mente brilhante em todo o seu potencial a serviço da Grande Sábia do Império, Mia Luna Tearmoon, agora tinha um ar de avô.

— Vejo que a Dama Miabel não é particularmente dedicada à busca do conhecimento… — ponderou ele, acariciando sua barba grisalha enquanto observava a figura diminuta dormindo na cama. — Como ela dorme profundamente… Ahhh, mas a semelhança…

Ele passou os dedos pelos cabelos sedosos dela, afastando alguns fios rebeldes de sua bochecha, enquanto rugas gentis apareciam nos cantos de seus olhos.

— A Dama Miabel ainda é jovem. Ainda há muito espaço para ela se desenvolver e crescer. Ela, afinal, herdou o sangue dela…

Ele fechou os olhos, mas a escuridão logo foi iluminada por uma visão orgulhosa de Sua Alteza, de pé, em toda a sua glória radiante, sua inteligência indomável e sua mente feroz um farol de esperança para todos que a contemplavam.

— O que precisamos — murmurou ele — é de esperança para o futuro. Precisamos de alguém como Sua Alteza, que iluminará nosso caminho e guiará nossa jornada.

O que o império precisava… era de uma estrela-guia. Como alguém por cujas veias corria o sangue da Grande Sábia do Império, Miabel estava bem posicionada para se tornar uma figura de união para o povo do império. Se ela assumisse esse papel, precisaria de conhecimento e, embora não tivesse educação formal, Ludwig estava empenhado em fornecer-lhe pelo menos o básico. Quanto de suas lições estava sendo absorvido, no entanto…

— Parece que temos um longo caminho pela frente…

Ele sorriu, desamparado, e balançou a cabeça antes de se sentar atrás de sua velha e empoeirada escrivaninha, olhando distraidamente para os pedaços de papiro empilhados sobre ela.

— Rafina Orca Belluga, hã…

Embora aposentado das linhas de frente administrativas devido à sua idade avançada, todas as conexões que fizera como um ministro hipercompetente significavam que a informação continuava a chegar até ele. Imaginando que seria um desperdício deixar o trabalho diligente de seus informantes se perder, ele recentemente começara a tirar um tempo de cada dia para contemplar o estado atual do mundo e as correntes históricas que os levaram até ali.

— De uma forma ou de outra, tudo se resume à Imperatriz Prelada, não é? A influência de Rafina sobre o mundo simplesmente não pode ser subestimada.

O Sagrado Exército Aquariano de Rafina crescera exponencialmente em poder e era agora um ator significativo no cenário mundial. Suas forças varriam as terras, procurando por sinais de rebelião contra sua causa. Ao descobrir insurgentes e colocá-los sob intensa vigilância, Rafina alcançara uma paz transitória e frágil. No entanto, esses métodos violentos e opressivos foram recebidos com uma reação significativa, resultando na formação de uma resistência teimosa que arrastou o continente de volta a uma guerra e caos generalizados.

— Mas a Rafina que eu conhecia, quando ainda era nossa Dama Sagrada, não era nem tola o suficiente para tomar ações tão carentes de previsão, nem viciosa o suficiente para cometer tal tirania.

Em seus primeiros dias, quando era colega de classe de Mia, Rafina era uma criança de bom coração, com um intelecto excepcional e equilíbrio mental. Na época, ele a considerara uma líder notável, em tudo igual a seu colega herói em formação, o Rei de Libra, Sion Sol Sunkland.

— O que a fez mudar tão drasticamente? O que foi que a transformou na Rafina que conhecemos e tememos hoje?

As palavras eram retóricas, pois a resposta já estava clara para ele. — O Festival da Véspera Sagrada… e o envenenamento em massa.

O Festival da Véspera Sagrada era o evento de inverno mais importante em São Noel. Naquele dia, ocorreu um incidente de terrorismo indiscriminado, desferindo um golpe fatal na reputação de Rafina como a Dama Sagrada. Para ser justo, ela merecia simpatia. Na época, o puro fardo de suas responsabilidades intermináveis a levara ao seu limite, e ela frequentemente sucumbia à doença como resultado de sua exaustão incessante. Um lapso em sua fiscalização das medidas de segurança do festival era, se não defensável, pelo menos compreensível. Além disso, o esquema do inimigo foi sem precedentes em sua escala e crueldade.

Embora talentosa, a inteligência de Rafina não transcendia ao gênio; ela era inteligente, mas não um prodígio. No final, ela não foi capaz de ver o quadro completo das intenções do inimigo. Ela, de fato, tomara precauções contra uma tentativa de assassinato. Sabendo que estava enfrentando uma sociedade secreta como as Serpentes do Caos, ela naturalmente providenciara segurança reforçada para figuras importantes na academia — incluindo ela mesma — para evitar possíveis atentados contra suas vidas.

Infelizmente, ela lera mal seu oponente. Nunca pensara que o inimigo atacaria não os estudantes de São Noel, mas seus servos e funcionários. Ela não considerou a possibilidade de que o suntuoso ensopado servido como recompensa por sua diligência diária pudesse ser envenenado. Ela não considerou isso porque, mesmo em suas imaginações mais selvagens, não achava que tal crueldade fosse realmente possível — que pudesse haver pessoas dispostas a massacrar incontáveis inocentes apenas para danificar sua reputação. O inimigo mirou em alvos fáceis, e sua abordagem se provou letalmente eficaz.

Normalmente, os nobres não se importariam com quantos servos morressem. O ethos dos nobres, afinal, era que a nobreza era a marca da humanidade e todos os outros eram porcos. Rafina, no entanto, não era uma simples nobre; era a Dama Sagrada de Belluga. Sua posição lhe conferia a responsabilidade de estender seu cuidado a todas as pessoas, sejam elas nobres, plebeias ou mesmo mendigas. Por causa dessa responsabilidade, o incidente teve um pesado custo para seu nome. Críticas foram dirigidas a ela por fornecer proteção impecável para os estudantes nobres enquanto economizava com os servos. No final, a reputação cristalina da Dama Sagrada, antes tão pura e perfeita em sua personificação de integridade e virtude, ficou com um arranhão feio — um arranhão que se provou demais para a sobrecarregada Rafina suportar. Tomada por crises de culpa paralisante que a assaltavam noite após noite inquieta, ela entrou em uma espiral descendente. Lentamente, ela mudou, seu sofrimento torcendo sua culpa em ódio, até que completou sua metamorfose na governante de mão de ferro que era hoje.

Determinada a expulsar as Serpentes do Caos escondidas entre a população, ela implementou medidas draconianas, não deixando pedra sobre pedra nem suspeita não examinada. Para ela, o cinza era tão incriminador quanto o preto. Para erradicá-los, todos os casos suspeitos deveriam ser cortados pela raiz. Sua abordagem pretendia ser à prova d’água, não permitindo que um único colaborador escapasse. Uma vez implementada, deveria significar o fim das Serpentes para sempre. Ou assim parecia…

Ludwig se lembrava distintamente da vez em que foi interrogar uma Serpente que capturaram no império.

— Você percebe que o que vocês fizeram apenas apertou o nó em seu próprio pescoço?

O homem encontrou seu olhar, seu sorriso quase triunfante.

— As Serpentes nunca morrerão. Por quê? Porque era isso que buscávamos. O mundo está exatamente no estado para o qual trabalhamos o tempo todo para empurrá-lo.

As palavras do homem abalaram Ludwig até o âmago. Se o objetivo das Serpentes do Caos era a destruição da própria ordem… O reinado de terror da Imperatriz Prelada era um ataque direto à ordem estabelecida pela Igreja Ortodoxa Central. Quanto mais ela brandia a autoridade da Igreja de maneiras opressivas, mais ela afastava o povo de seus ensinamentos. O conceito de “Governo por Deus”, que fornecera a base para a estabilidade e o sistema de valores de todas as regiões vizinhas, estava sendo atualmente desmantelado — e por suas próprias mãos, nada menos. Em poucos anos, Belluga cairia, levando consigo a base pela qual as nações vizinhas determinavam a justiça e a equidade. Tudo o que restaria seria o caos.

— As Serpentes do Caos… Uma sociedade secreta com o objetivo de destruir toda a ordem… — Ludwig descobriu que, apesar de si mesmo, tinha que reconhecer que o homem estava certo. O mundo estava de fato um caos.

— Mas se tivesse sido Sua Alteza…

Ele sabia que era um pensamento otimista, mas ainda assim, não podia deixar de se perguntar.

— Se a Grande Sábia do Império estivesse em posição de aplicar sua desenvoltura, as coisas poderiam ter sido diferentes? Talvez não, mas se ela não pudesse fazer isso, então ninguém poderia. De qualquer forma, Sua Alteza era nossa única esperança.

Se ao menos a presidente do conselho estudantil que presidia os eventos de São Noel na época fosse Mia… Talvez, apenas talvez, ela pudesse ter visto através do esquema ardiloso da Serpente e salvado o mundo do desastre…

— Se ao menos Sua Alteza — a Grande Sábia do Império — com todo o brilho da Deusa da Lua, estivesse lá…

— …Mmph? Sr. Ludwig?

— Oh, Dama Miabel. Vejo que você acordou — disse ele com um sorriso terno.

— Mmm… Você disse alguma coisa agora?

— Não, não. Foram apenas os resmungos sem sentido de um velho. Mais importante, você dormiu bem?

Bel não ouviu a maior parte das reflexões de Ludwig na época. Consequentemente, ela não pôde transmitir nenhuma informação detalhada, deixando Mia sem pistas sobre a conspiração do Festival da Véspera Sagrada e o que ela deveria fazer no lugar de Rafina para detê-la. As expectativas excessivamente zelosas de Ludwig, portanto, caíram sobre os ombros de uma princesa que não tinha ideia de que sequer as carregava. E, no momento, ela estava mais preocupada com…

— Hmm, promessas de campanha, promessas de campanha… Bem, vamos resolver as complicadas outro dia. Por enquanto, sei que a única coisa que absolutamente quero fazer é que todos provem um pouco do meu ensopado de cogumelos caseiro durante o Festival da Véspera Sagrada!

…Dizendo coisas que deveriam encher qualquer pessoa sensata de maus pressentimentos.

 


 

Tradução: Gabriella

Revisão: Matface

 

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