Não havia um pingo de apreensão em Tiona. A aura de determinação teimosa e direta que emanava dela levou Mia de volta a uma cena da linha do tempo anterior.
Isso me lembra… Essa garota já foi a santa do exército revolucionário, não foi…
A Tiona diante dela era consideravelmente menos dotada de santidade — e de revolucionarismo, nesse quesito — mas em sua essência, ela ainda era alguém que, em uma vida passada, estivera disposta a comprar uma briga com uma entidade tão poderosa quanto seu próprio império.
E o pai dela— Oh, santas luas, o pai dela! Ele é uma daquelas pessoas… Aquelas pessoas estranhas que gostam quando as pessoas as machucam…
Ela estremeceu ao se lembrar da vez em que fizera algumas exigências irracionais ao Conde-Distante Rudolvon, apenas para descobrir que ele estava praticamente radiante com ela. Não havia uma sombra de dúvida em sua mente de que o pai de Tiona era algum tipo de pervertido. O que era incrivelmente injusto com o velho, mas, infelizmente, ele não estava aqui para se defender.
O irmãozinho dela, Cyril, ainda é fofo, mas os Rudolvons são apenas um bando de pessoas estranhas em geral. Acho que é possível que ela realmente não se incomode muito com a ideia de se opor a Rafina.
Imaginando que não teria muita sorte lutando contra a disposição familiar de Tiona, ela decidiu seguir o fluxo. De qualquer forma, uma modesta quantidade de campanha seria necessária, e era verdade que ela precisaria de alguns ajudantes. Depois de dar outra olhada em Tiona, ela fechou os olhos e falou em um sussurro ofegante.
— Tudo bem. Se você insiste, suponho…
Ela parou ao notar a aparição de algumas figuras se aproximando atrás de Tiona.
— Alteza…
— Nossa, vocês quatro são…
Havia dois rapazes e duas moças, e Mia os reconheceu.
Vocês são os que trancaram a Tiona naquele quarto na noite do baile… Oh, espere, acho que o veredito oficial foi que seus assistentes foram os culpados.
Ela ergueu uma sobrancelha inquisitiva para eles. O rapaz da frente então se ajoelhou diante dela.
— Alteza, eu sou Uros, filho do Barão Langess. Vossa Alteza nos agraciou com sua misericórdia e benevolência naquele dia, e viemos para retribuir a dívida. Que se saiba que Vossa Alteza também tem nosso total apoio.
Seguindo seu exemplo, os outros três se ajoelharam respeitosamente diante dela também.
O quê? Que diabos está acontecendo aqui?!
— Todos nós nos lembramos de como Vossa Alteza falou em nosso nome e nos salvou da expulsão.
— Desde aquele dia, redobramos nossos esforços em nossos estudos e nos comprometemos com vários trabalhos voluntários. Trabalhamos dia e noite na esperança de recuperar a confiança de nossos colegas, tudo para que um dia pudéssemos usar essa confiança reconquistada para servir a Vossa Alteza. Acreditamos que esse dia chegou, e seria nossa maior honra ajudar nesta sua empreitada.
Os quatro então baixaram a cabeça em direção a Tiona.
— Sinto muito pelo que fizemos naquele dia, Senhorita Tiona.
— Nós sinceramente imploramos seu perdão.
O pedido de desculpas deles foi recebido com um sorriso gentil.
— Está tudo bem. Todo mundo comete erros. Não guardo rancor de nenhum de vocês. Além disso, estamos todos aqui para ajudar Sua Alteza a vencer, não estamos? Isso nos torna irmãos e irmãs de armas.
Tiona sofrera a hostilidade deles, engolira tudo e ainda conseguira sorrir. Era a compaixão que definia um santo, e naquela mentalidade de aceitação, Mia viu a formação de um.
Certo, Mia também tinha muita compaixão; só que era toda direcionada a si mesma.
— Ohh… Vós sois um paradigma de beneficência, Senhorita Tiona. Estamos profundamente gratos. Em troca, faremos tudo ao nosso alcance para apoiar Sua Alteza.
Para sua irritação, uma cena bastante gratuita de perdão e amizade se desenrolou ao redor de Mia, com ela presa no meio. O que ela não percebeu, no entanto, é o impacto que este pequeno teatro teve no resto da sala. Sua comitiva habitual de garotas, depois de testemunhar algo assim, certamente não ficaria quieta. Eram, afinal, o tipo de pessoa cujo hobby era seguir Mia por aí e idolatrá-la. Além disso, a composição dessa comitiva era, na verdade, um tanto diferente da linha do tempo anterior.
Ter Anne como sua dama de companhia pessoal impunha um pré-requisito àqueles que buscavam se aproximar dela — eles tinham que ser capazes de tolerar a posição e a presença de Anne. Isso funcionava como um processo de triagem natural, pois exigia que os candidatos fossem suficientemente mente aberta, ou tão apaixonados por Mia que estivessem dispostos a ignorar todo o resto. Aqueles que sobreviviam a este processo incrivelmente seletivo eram, é claro, um bando calculista, mas também tinham que ser pessoas que eram fundamentalmente atraídas pelo caráter de Mia e gostavam dela como pessoa. Eram a Elite de Mia. E como a Elite de Mia, com certeza não iam deixar gente como Tiona ou pessoas que nem sequer andavam muito com ela roubarem a cena.
— Alteza, pode contar com nosso apoio também!
O entusiasmo deles se mostrou contagiante. Logo, toda a turma estava se aglomerando em torno dela para prometer seu apoio, deixando Mia lutando para conter a vontade de gritar de frustração.
Ahhh! Parem com isso! Por favor, vão embora! Isso era para ser tudo discreto e sem alarde! Preciso manter um perfil baixo… Ou Rafina vai começar a me lançar olhares de morte!

— Senhorita…
Os passos de Anne se aceleraram enquanto ela descia o corredor. Ela deveria ficar com Bel, mas sua preocupação levou a melhor, e ela decidiu sair da aula para ver como Mia estava. Quando chegou à porta da sala de aula, encontrou Chloe espiando do corredor.
— Senhorita Chloe?
— Ah! Anne! Shh!
Chloe colocou um dedo nos lábios e a chamou com um aceno. Anne franziu a testa enquanto caminhava em direção à porta.
— Confie em mim. Apenas observe — disse Chloe com um sorriso, antes de se virar novamente para a sala de aula.
Anne espiou também, seguindo a direção do olhar de Chloe, e descobriu que não conseguia resistir a sorrir também.
— Senhorita…
Vários estudantes se reuniram em um círculo ao redor de Mia e cantavam seu apoio a ela. Mia, cercada por sua manifestação entusiasmada, tinha o rosto enterrado nas mãos. Ela parecia estar à beira das lágrimas.
— Ela não deixou transparecer, mas acho que estava nervosa, afinal — disse Chloe em um tom simpático. — Todo esse tempo, ela deve ter se perguntado se alguém a apoiaria.
Anne assentiu silenciosamente, seus olhos ainda em Mia.
— Senhorita… estou tão feliz por você…
Havia apenas um punhado de estudantes ali, mas era um punhado a mais do que Mia esperava. Embora seus números ainda fossem poucos, este momento, sem dúvida, marcou o nascimento do Partido Mia. Pequena, mas ousada, a facção incipiente, no entanto, representava um desafio formal ao gigante político que era Rafina.
Com seu plano de manter a cabeça baixa e ficar fora de vista desmoronando de forma magnífica graças à adição imprevista de Tiona à sua facção, Mia estava perdida. Mal sabia ela, no entanto, que foi este mesmo evento que, em última análise, a salvaria de uma crise iminente.
Tradução: Gabriella
Revisão: Matface
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