Eu sou bem direta com meus sentimentos, uma característica que provavelmente herdei da minha professora, a Srta. Fran.
Nunca sugeri em voz alta que gostaria de viajar com ela, mas lá estávamos nós, voando em nossas vassouras, na mesma direção.
As planícies abaixo, quase totalmente planas e vazias, com exceção de alguns arbustos baixos, pareciam se estender infinitamente. A grama verde balançava com o vento como as ondas do mar, e uma brisa refrescante soprava suavemente por nós.
Queria poder continuar voando por essa paisagem para sempre.
Eu pensava nisso enquanto ouvia o som solitário do vento.
— Elaina? — chamou a Srta. Fran, quebrando o silêncio.
Ela exibia seu sorriso gentil de sempre.
— Não está com um pouco de fome? Pensando bem, não comi nada desde a manhã. Não me importo com o quê, mas queria comer alguma coisa. E você? Está com fome? Que tal uma pausa?
— ……
As palavras nada elegantes da Srta. Fran estragaram o clima.
Soltei um suspiro.
— Bem, deve ter bastante mato por aí para a senhora comer.
— Ora, essa. Não pode estar falando sério. Eu, comendo mato? Quem você pensa que eu sou?
— Minha professora, Srta. Fran.
— Exato. E, a propósito, não é comum que alunos paguem refeições para seus professores como forma de gratidão?
— Nunca ouvi falar disso.
— Mas é de conhecimento geral.
Claro… um “conhecimento geral” que eu desconhecia completamente.
— De qualquer forma, estou com vontade de que você me pague algo, Elaina.
— A senhora diz cada coisa absurda quando está com essas vontades…
Mas, bem, era a primeira vez em um bom tempo que estávamos juntas, então pagar uma refeição não seria um grande problema.
— Não vai me pagar algo gostoso?
Essa minha professora era mesmo insistente.
Com um suspiro, cedi.
— Tudo bem — eu disse, e acrescentei com um sorriso: — Se eu encontrar algo comestível por aqui.
Estávamos no meio do nada. Só havia grama e árvores até onde a vista alcançava. Mesmo que houvesse algo para jogar no estômago sem fundo da Srta. Fran, as únicas opções eram mato e bolotas.
Será que ela estava pedindo um prato de mato? Desde quando a Srta. Fran gostava de comida estranha?
— Oh-hoh-hoh. — Ela riu das minhas palavras e sorriu com confiança, como se esperasse por aquele momento. — Você disse que pagaria, não é? Disse que me pagaria!
— Sim, eu disse, mas…
…Mas e daí?
— Ótimo, vou cobrar a promessa.
— Mas, Srta. Fran, não tem nada por aqui…
Nenhum cozinheiro no mundo trabalha só com grama, flores e bolotas. Mesmo que eu quisesse pagar, não havia onde gastar dinheiro, e mesmo que eu fosse cozinhar, faltavam ingredientes decentes.
Mas a Srta. Fran, cheia de si, respondeu:
— Que isso, Elaina, olhe bem. Tem grama, tem flores e tem bolotas, certo?
— ……
— É mais que suficiente.
— ……
Quando foi que a Srta. Fran passou a gostar de comida estranha?
— Não, não, é sério. Tem um restaurante ótimo logo ali na frente. De verdade. Eu já menti para você alguma vez, Elaina? Acho que não, né? Espere, já…? Não, não me lembro… acho que não? Pelo menos, não que eu me lembre. Sem mentiras. Enfim, tem um restaurante delicioso por aqui, estou falando sério…
E ela continuou tagarelando.
A Srta. Fran me arrastou por uma pequena floresta, pegando flores, bolotas e mato pelo caminho e enfiando nos meus bolsos sem nenhuma explicação.
— …Duvido muito que a gente encontre um restaurante num lugar desses…
— Ele está aqui. Eu sei que está. É uma joia escondida, um segredo bem guardado. — Dito isso, ela apontou para um ponto mais adiante, entre as árvores. — Olhe ali.
— ……
De fato, havia uma cabana.
Parecia uma antiga casa de férias. As paredes e o telhado de madeira estavam caindo aos pedaços, e a impressão que dava era mais de uma residência particular do que de um restaurante. Isso se alguém ainda morasse ali, o que parecia improvável, dado o estado do lugar. Tinha toda a aparência de estar abandonado.
Não importava como eu olhasse, não parecia um restaurante. Contudo, perto da porta da frente, havia uma placa solitária.
A COZINHA DOS GIGANTES, dizia em letras garrafais.
— ……
Olhei para a Srta. Fran.
— Hã… esse lugar é confiável?
— É sim. Esse restaurante funciona o ano todo, nunca fecha. Veja, a placa diz “Aberto”, como sempre.
— Acho que eles deveriam tirar um dia de folga, sinceramente…
Bem, o problema não era meu. O preocupante era que o lugar parecia prestes a desmoronar. Era seguro entrar ali?
— É um refúgio escondido na floresta.
— Está mais para uma casa qualquer, escondida na floresta.
— Restaurantes assim, que contrastam com a aparência, sempre têm a comida mais gostosa. É o que significa ser um segredo bem guardado.
— Parece muito bem guardado. Não vejo mais ninguém…
— Mas a comida é sempre deliciosa — insistiu a Srta. Fran, me puxando com força para dentro. — Vamos entrar? É maravilhoso, você vai ver. Não vai se arrepender! Vamos.
— ……
Eu tive um mau pressentimento…

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Ao entrarmos, torci para que apenas o exterior da Cozinha dos Gigantes estivesse em ruínas e que o interior fosse limpo e bem cuidado. Era otimismo demais, e eu sabia disso.
Como esperado, o interior estava tão decrépito quanto o exterior. Um restaurante que não cuida da fachada dificilmente manteria o interior impecável.
Não havia nem sinal de um proprietário quando passamos pela porta.
Bem-vindo à Cozinha dos Gigantes. Você deve estar cansado. Por favor, retire os sapatos.
A porta da frente dava para uma pequena sala. A única recepção eram essas palavras, entalhadas na porta da parede oposta.
O costume ali era tirar os sapatos. Eu já tinha visitado vários países com essa mesma regra, então não me incomodei. A Srta. Fran e eu tiramos nossos sapatos e os colocamos em uma sapateira ao lado.
Mas, ao passar pela porta seguinte, não encontramos o restaurante, apenas uma parede com cabides.
Suas roupas podem sujar durante a visita. Por favor, deixe sua bagagem aqui antes de entrar. Clientes de casaco e chapéu, por favor, retirem-nos.
— Srta. Fran, o que é isso?
— É melhor seguir o fluxo. Vamos obedecer às regras peculiares do restaurante. — Ela já estava tirando seu manto enquanto falava.
— …Aff…
Se era a regra, eu a seguiria. Embora eu não fizesse a menor ideia do motivo de tantas portas…
Depois de tirarmos nossos mantos e chapéus, abrimos a porta seguinte.
Mas…
Pedimos desculpas, mas nosso restaurante é muito sensível a odores. Antes de abrir a próxima porta, por favor, aplique um pouco de perfume.
Aparentemente, o dono do lugar era uma pessoa muito exigente, apesar da aparência precária do estabelecimento.
Havia um pequeno pedestal em frente à porta com um frasco de perfume e um bilhete: SINTA-SE À VONTADE.
— Srta. Fran, o que é isso?
— Apenas siga o fluxo…
— …De novo?
Com um gesto experiente, a Srta. Fran borrifou o perfume em si mesma. Um aroma doce e frutado encheu o ar. Eu já estava impaciente, querendo saber quando finalmente comeríamos. Em contraste, a Srta. Fran parecia incrivelmente calma. Já nem estava claro quem tinha convidado quem.
Eu precisava perguntar.
— Srta. Fran, antes de continuarmos, posso perguntar uma coisa?
— Sim?
— Este não é um daqueles restaurantes temáticos esquisitos onde nós vamos ser cozinhadas por gigantes, é?
— Oh-hoh-hoh!
— Pode responder à minha pergunta em vez de rir?
Estreitei os olhos, e a Srta. Fran sorriu.
— Você terá sua resposta assim que abrirmos a próxima porta… — disse ela, empurrando-a.
Segui minha professora, cautelosa.
Fomos obrigadas a tirar os sapatos, os mantos e a deixar nossa bagagem. Além disso, tivemos que usar um perfume de cheiro estranho. O que será que nos obrigariam a pedir lá dentro?
Para ser sincera — e odeio admitir —, por mais relutante que estivesse, eu estava ficando um pouco curiosa sobre aquele restaurante esquisito.
— ……
Mas o lugar já tinha me enganado.
Eu esperava outra sala pequena ao abrir a porta, mas, em vez disso, demos de cara com uma sala de jantar completamente comum.
Finalmente, havíamos chegado ao restaurante.
— Desculpe a demora, Elaina — disse a Srta. Fran, rindo. — Esta é A Cozinha dos Gigantes.
O silêncio do interior me surpreendeu. Nenhum funcionário nos cumprimentou. Estava tudo absolutamente quieto.
Na verdade…
— Hã, não vejo o dono…
O restaurante apertado tinha apenas uma mesa com cadeiras e uma cozinha ao fundo. Era só isso. Parecia mais a cozinha de uma casa do que um restaurante.
O proprietário devia estar nos esperando. Havia biscoitos para nós duas sobre a mesa.
— Srta. Fran, o que é isso? — perguntei, olhando para os biscoitos enquanto me sentava. Eles estavam arrumados em um prato, todos em formato de retângulos longos e finos, uma forma estranha para biscoitos.
— É o nosso aperitivo — respondeu ela sem hesitar, sentando-se à minha frente.
— Entendi…
Eu não entendia nada do que estava acontecendo, mas, pelo menos, não parecia ser um restaurante onde gigantes cozinhavam humanos.
— A propósito, não vejo nenhum gigante por aqui — comentei, pegando um biscoito e partindo-o ao meio.
— ……
A Srta. Fran não respondeu. Apenas cobriu a boca com a mão e começou a tremer de tanto rir em silêncio.
— …O que foi?
— …Ah, nada…
— …Aff…
Mastiguei meu biscoito, olhando intrigada para o comportamento estranho da minha professora.
— Então, onde estão os gigantes? — insisti.
Depois de recuperar o fôlego, a Srta. Fran respondeu:
— Os gigantes já estão aqui.

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A partir de hoje, assumo o cargo de cronista, substituindo Liscia, que enlouqueceu após a batalha de alguns dias atrás.
O trabalho de um cronista não é fácil. Preciso estar sempre na linha de frente para registrar nossas batalhas contra os gigantes. Não posso culpar Liscia por ter desmoronado. Desde o momento em que se assume este posto, um cronista luta constantemente para manter a própria sanidade.
Então, não posso reclamar.
Além disso, tenho certeza de que a capitã sofre ainda mais do que uma novata como eu. Nossa líder tem que enviar suas tropas para lutar contra os gigantes desde o dia em que assumiu o comando.
— Está se acostumando ao trabalho de cronista, Acre? — perguntou a capitã, olhando para mim enquanto inspecionava a fortaleza em reparos. Ela tinha traços fortes e saudáveis; era uma mulher digna e imponente.
— Capitã…
— O que foi?
— Acabei de assumir o posto hoje. Não estou nem um pouco acostumada com essa droga.
— Você tem uma língua afiada, Acre.
— Sempre tive, senhora. Acostume-se.
— Vai levar um tempo para me acostumar…
— O mesmo vale para o meu trabalho, senhora.
Não há o que fazer, a não ser aguentar. Espero ter tempo para me adaptar.
— Capitã! Problemas! — gritou um dos sentinelas, com uma expressão sombria.
Tive um mau pressentimento.
— …O que foi?
O rosto da capitã também mudou. A tensão tomou conta do ar.
Depois de recuperar o fôlego, o sentinela anunciou:
— Gigantes invadiram nossa fortaleza!
Parece que eu não teria tempo para me acostumar com o novo trabalho, nem para conhecer melhor a capitã.
— O que você disse?! Impossível, é muito cedo! Não faz nem uma semana desde o último ataque!
Um gigante havia invadido nossa fortaleza poucos dias antes. Não havia registros formais, pois Liscia perdeu o juízo no meio da batalha, mas ouvi dizer que as baixas foram enormes.
E agora nosso inimigo retornava. Nem tivemos tempo de nos recuperar.
O choque foi geral.
Mas a capitã permaneceu calma.
— Descreva o inimigo. Vamos lidar com eles imediatamente. O que estamos enfrentando?
— É… — o vigia hesitou — o mesmo gigante de antes…
— …Como é que é?
— O gigante de cabelo preto que nos atacou da última vez voltou!
— Entendo… vingança?
— Não é só isso! — O vigia gritou novamente. Então, relatou a terrível verdade para a capitã, cuja expressão se enrijeceu. — Ela trouxe uma amiga!
— O quê…?
Não era que ela não tivesse ouvido. Ela simplesmente não conseguia acreditar.
— Desta vez, o gigante trouxe uma companheira! Há outra gigante ao seu lado, de cabelo grisalho!
Dois gigantes de uma vez. Pelo que me lembro, era a primeira vez que isso acontecia. E, para piorar, um deles era o “demônio negro”, a criatura horrível que levara a cronista anterior à loucura.
— Entendo… Parece que aquele demônio quer mesmo nos massacrar…
A capitã teimosamente fingiu calma, mas registrei diligentemente a gota de suor que escorreu por sua bochecha.
Nossa fortaleza possui múltiplas camadas de armadilhas como contramedidas anti-gigantes. São nossas táticas únicas, desenvolvidas ao longo de uma longa história de batalhas.
Nossas estratégias estão sempre evoluindo.
Bem-vindo à Cozinha dos Gigantes. Você deve estar cansado. Por favor, retire os sapatos.
A primeira armadilha é ativada logo na primeira porta, para que eles tirem os sapatos. Os gigantes, enganados pela nossa polidez, removem os calçados sem pensar.
E, de fato, os dois gigantes tiraram os sapatos.
— Heh-heh-heh… esses demônios nunca aprendem. Obedientemente tiraram os sapatos de novo! — O rosto da capitã relaxou ao confirmar à distância que a primeira tática fora um sucesso.
Suas roupas podem sujar durante a visita. Por favor, deixe sua bagagem aqui antes de entrar. Clientes de casaco e chapéu podem retirá-los também.
O maior desafio ao enfrentar um gigante é a espessura de suas roupas. Não sabemos que tecnologia usam, mas sem dúvida elas nos atrapalham. Por isso, os enganamos para que tirem suas vestes externas antes de entrar.
O estúpido gigante de cabelo preto caiu no truque mais uma vez, e sua companheira de cabelo cinza a imitou. Apesar do tamanho, os gigantes são intelectualmente muito inferiores a nós.
Pedimos desculpas, mas nosso restaurante é muito sensível a odores. Antes de abrir a próxima porta, por favor, aplique um pouco de perfume.
Isso estava escrito na última porta, e claro, também era parte da estratégia. Os gigantes têm um olfato apurado e podem nos sentir pelo cheiro. O perfume mascara nosso odor e nos impede de sermos detectados.
— A vitória é nossa, não é, Capitã?
Eu sentia uma admiração absoluta pelo plano brilhante da capitã. Com nossas estratégias funcionando perfeitamente, a vitória era certa.
— …Não baixe a guarda, Acre — disse a capitã, com uma expressão sombria. — Não esqueci as perdas da última batalha.
Ela se referia àquele dia…
— C-Capitã…! Capitã…! — A ex-cronista, Liscia, se aproximou da capitã no campo de batalha. — Me dê folhas… folhas, agora! — disse ela, agarrando-se à capitã. — Se eu não as tiver, estou acabada! — Ela parecia completamente louca.
Depois daquela batalha, Liscia mudou. Passava os dias exigindo folhas. Ela estava quebrada, reduzida a uma viciada em folhas.
Esse era o destino de uma cronista dedicada. Senti um arrepio na espinha.
— Me solte! — A capitã empurrou Liscia. — …Escute, Acre. Imprevistos sempre acontecem em batalha. Apenas não baixe a guarda.
Parecia uma ameaça velada: “é isso que acontecerá com você se não tomar cuidado”.
Mas será que teríamos problemas desta vez? Pelo que eu via, os dois gigantes estavam caindo direitinho no plano da capitã.
Na verdade, eles não suspeitavam de nada, mesmo agora, sentados lá dentro.
Sem saber que aquilo era o sinal para o início da batalha, os gigantes tomaram seus lugares.
— Todas as unidades, avançar!
Ao sinal da capitã, os soldados pegaram suas armas e atacaram. Seria uma batalha breve e decisiva, um ataque total. Isso também fazia parte da estratégia.
Não tínhamos fôlego para uma luta prolongada.
Precisávamos atacar imediatamente e expulsá-los rápido.
No entanto…
— Capitã! Grande problema! Estamos sem armas!
— O que você disse?!
O depósito de armas estava completamente vazio.
— Oh, não, Capitã! Por algum motivo, deixamos nossas armas na mesa dos gigantes!
— O que você disse?!
Como ninguém percebeu isso antes?
Nossas armas estavam lá, sobre a mesa.
— Quem foi o idiota que as deixou lá?! — gritou a capitã, irritada.
— Eh-heh-heh… — riu Liscia.
— Sua…! — A capitã a agarrou pelo colarinho.
— Espere… Capitã, calma, por favor!
Ela parecia prestes a socá-la. Corri para tentar detê-la, mas ela espancou Liscia brutalmente com seus pequenos punhos.
— Você tem ideia do erro estúpido que cometeu?! Droga!
— Eh-heh, eh-heh-heh…
Liscia quase parecia gostar da surra. Não acho que fosse efeito das folhas… ela sempre foi meio estranha.
— Capitã, notícias terríveis!
— O que foi agora?! — gritou a capitã, sem nenhum traço de calma.
— Olhe!
Um dos soldados apontou. Lá estava um dos gigantes.
Lá estava ela, uma daquelas criaturas nojentas, mastigando uma das armas que tanto prezávamos.
— Mas o… quê…?
Ela estava comendo nossas armas.
Uma cena inimaginável se desenrolava diante de nós.
Só nos restava tremer de medo.
Afinal, imprevistos sempre acontecem em batalha.

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— Hã, por acaso… nós somos os gigantes?
Desde que chegamos, não vi nenhum funcionário, então comecei a observar o lugar discretamente e notei alguns… detalhes estranhos.
— Parece que você percebeu.
— …É, acho que sim.
Forçando a vista em direção à cozinha, vi uma garota de armadura e outra de óculos ao seu lado, escrevendo freneticamente. Havia muitas outras com elas, incluindo uma que não parava de gargalhar.
O mais surpreendente era o tamanho delas.
A menos que fosse uma ilusão de ótica, cada uma cabia na palma da minha mão. Pareciam humanas, mas era difícil considerá-las pessoas normais sendo tão pequenas.
— Este lugar, que elas chamam de “A Cozinha dos Gigantes”, é uma armadilha que construíram para capturar humanos como nós.
— E por que elas nos consideram inimigas?
— Na verdade, eu vim aqui há uma semana e elas me explicaram um pouco.
— Ah, é?
— Resumindo, é porque somos grandes demais, e elas não gostam disso.
— Que motivo superficial para odiar alguém…
— É verdade, mas elas fazem uma comida deliciosa, então é bem conveniente tê-las por perto, no meio do nada.
— Falando em comida… duvido que algo servido por gente tão pequena vá satisfazer alguém… — Na verdade, o primeiro problema é… — Elas nem saíram da cozinha ainda.
— Não se preocupe. — A Srta. Fran apontou para o meu bolso. — Lembra que pegamos flores, mato e bolotas mais cedo?
— Se não me engano, a senhora apenas os enfiou nos meus bolsos, mas…
— Tente tirar um pouco.
Claro, sem problemas, mas…
— Por quê? Elas gostam de mato e flores?
Enquanto pensava nisso, tirei um punhado de plantas do bolso.
No mesmo instante—
— Ahh! Folhas! Eu amo folhas!
Uma garota do tamanho da minha palma surgiu na mesa e se debruçou sobre o mato, rindo histericamente.
— ……
Fiquei em silêncio.
— Acontece que essas garotas adoram mato e flores.
— ……
Essa tribo é alguma espécie em extinção?

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— Capitã! Notícias terríveis! Liscia foi capturada pelo inimigo!
— Sim, eu sei!
Era óbvio.
Apesar de a batalha ter começado há poucos minutos, já tínhamos uma baixa. A gigante de cabelo cinza pairava sobre Liscia, que correra para a mesa.
— Huh… de perto, elas são bem fofas, não são?
Com sua voz repulsiva, a gigante cutucou Liscia com a ponta do dedo.
— Ai! — Liscia caiu. O dedo da gigante então cutucou sua barriga várias vezes.
— Heh-heh-heh… — A gigante riu.
Nojento. A gigante de cabelo cinza mal havia capturado Liscia e já não a tratava como um ser humano.
— Aquele monstro! Está torturando a Liscia! — O rosto da capitã se contorceu de ódio.
Mas não podíamos fazer nada. Éramos impotentes.
— Ah…! P-pare…! Ah-ha…! — Mas a gigante não parou.
Em vez disso, a gigante de cabelo cinza sorriu, satisfeita, enquanto observava Liscia se debater.
— Quer folhas? Quais? Estas? Ou estas aqui?
Uma cena terrivelmente cruel se desenrolava diante de nós. Depois de fazer cócegas na barriga de Liscia, a gigante fingia aproximar as folhas de seu rosto, para depois voltar a cutucá-la.
— Pare…! Ah, eu amo folhas… Pare com isso… Ahhh!
Isso é tortura.
Recebendo dor e prazer ao mesmo tempo, Liscia estava enlouquecendo aos poucos.
— Isso deve ser irresistível para uma masoquista.
— Deveríamos fazer alguma coisa?
Por outro lado, Liscia sempre foi meio estranha.
Enquanto isso, na mesa, a gigante de cabelo cinza parecia se divertir com Liscia.
— Heh-heh-heh-heh-heh… — Ela gargalhou.
— ……
A gigante não pareceu notar o olhar gélido vindo do outro lado da mesa.
De repente, a gigante parou de mover as mãos.
— Ah-ha… hã? — Liscia ficou surpresa quando as cócegas e as folhas pararam. Ela se sentou e olhou para a gigante com um olhar suplicante.
— Quer mais? — A gigante de cabelo cinza estava animada. — Se quer mais… que tal me contar sobre suas companheiras? Elas estão ali, não é? Quantas estão escondidas?
Era uma pergunta tola.
— Tch… inútil. — Ao meu lado, a capitã sorriu. — Os laços militares são inquebráveis. Liscia nunca entregaria suas camaradas. Ela pode estar louca, mas jamais se rebaixaria a ponto de nos vender…
— São treze.
Ela se rebaixou.
— Alguma arma?
— Você comeu todas há pouco.
— Oh-hoh. Então todas as suas companheiras estão desarmadas… Espere, hã? Eu comi? Como assim, eu comi…?
Liscia então entregou facilmente toda a informação que tinha, começando pela estratégia da capitã. Ela não hesitou. A garota na mesa agora era a mais desprezível das traidoras, vendendo suas camaradas por folhas.
— Entendo. Agora tudo faz sentido.
Depois de arrancar tudo de Liscia, a gigante de cabelo cinza assentiu friamente.
— A propósito, vim aqui hoje para comer.
Seus olhos se fixaram em nós.
Aqueles olhos, de um lápis-lazúlis que ameaçava me sugar, se estreitaram, e um sorriso surgiu em seu rosto.
E então ela disse:
— Imagino que tenha comida ali na cozinha, certo?

Comida…?
— Ela quer comer! Vai nos devorar, uma por uma!
Nem preciso dizer que todas na cozinha tremeram de medo.

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— Elaina. Se você for até a cozinha, nunca vamos comer.
Justo quando eu achava que finalmente íamos comer, depois de tanta enrolação, a Srta. Fran suspirou e disse isso.
Hã?
— Não vamos pegar a comida dessas garotinhas? — perguntei.
— De jeito nenhum, elas fugiriam…
Por alguma razão, a Srta. Fran recuou. O que eu tinha feito para causar essa reação?
Parecia que ela era cliente frequente da Cozinha dos Gigantes. Seu tom sugeria que conhecia tudo sobre o lugar, embora eu duvidasse.
— Não precisa fazer nada. Agora que você capturou uma das amigas delas, não vai demorar.
— Não vai demorar para quê?
— Para a comida chegar.
Assim que ela disse isso, ouvi um barulho vindo da cozinha. Algo caiu com um estrondo.
O que diabos está acontecendo lá? Inclinei a cabeça, curiosa, e consegui ver algo pequeno se arrastando em nossa direção.
— ……
Logo entendi o que era.
Treze garotinhas, cada uma do tamanho da palma da minha mão, formaram uma pequena falange e avançavam. Em suas mãos, seguravam objetos cilíndricos.
— Srta. Fran, o que é isso?
— Parece que nos trouxeram algo para comer.
— Hã…?
Inclinei a cabeça para o outro lado.
Cada uma das garotinhas carregava um doce — não era bem o que eu esperava para uma refeição.
A garota loira na liderança carregava um biscoito longo e redondo. Ao seu lado, uma garota de óculos, ainda escrevendo freneticamente, equilibrava um macaron na cabeça.
Atrás delas, as outras garotas, em colunas, também estavam armadas com vários doces: biscoitos, chocolates e guloseimas semelhantes.
— …Hã, o que está acontecendo aqui?
Fiz uma careta de confusão, mas a Srta. Fran assentiu.
— A verdade é que a espécie delas é excelente em fazer doces.
— Entendi…
— Mas, aparentemente, elas não comem os doces que fazem.
— Como assim?
— Para elas, os doces são materiais de construção ou armas. São mais um recurso do que comida.
Parece que a espécie delas via as coisas de um jeito bem diferente. Para nós, o que elas faziam eram apenas guloseimas saborosas.
— ……
Então, no fim das contas…
— Em outras palavras, elas se armaram e estão vindo lutar conosco?
— Bem, resumindo, é isso mesmo.
— ……
A propósito, a Srta. Fran falou sobre “a comida chegar”, mas…
— Hã, quer dizer que vamos comer as armas delas?
— Exato.
A Srta. Fran assentiu, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— …E o que acontece quando as comermos?
— Os recursos delas se esgotam, é claro.
— ……
— Bem, parece um bom momento. Vamos começar nossa hora do chá?
A Srta. Fran sorriu despreocupadamente enquanto uma voz ecoava da cozinha.
— A-TA-CAAAAR!
Será que já existiu uma hora do chá tão brutal?

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— Não se preocupem, pessoal! Nosso inimigo é enorme e não temos armas. Mas se não temos armas, podemos simplesmente fazer mais!
Após a traição de Liscia, a capitã correu para o depósito vazio.
— Vamos desmontar este depósito para fazer armas!
Enquanto falava, a capitã arrancou um pedaço da parede do depósito. A parede era frágil e fácil de quebrar. Um cheiro adocicado encheu o ar, e a capitã se virou para nós, seus soldados, que enfrentávamos uma batalha aparentemente sem esperança.
— Há momentos em que devemos lutar! — Nossa capitã parecia corajosa e forte, como sempre. — Esse momento é agora! Todas, desmontem este depósito e preparem-se para o ataque!
A capitã sempre encontrava uma saída, não importava a situação. Com ela, não temos por que nos preocupar. Tenho certeza de que era isso que todas pensavam. Trocamos olhares e, sem dizer uma palavra, pegamos nossas novas armas.
— Como cronista, peço que venha conosco para o campo de batalha, mas não precisa carregar uma arma. Acre, seu dever é deixar um registro desta batalha para a posteridade. Use isto.
A capitã colocou um objeto redondo e amarelo na minha cabeça.
— …Hã, Capitã, o que é isso?
— É material do telhado do depósito. É frágil, mas deve proteger sua cabeça, pelo menos.
— Capitã…
Espere, estamos lutando contra gigantes. Proteger minha cabeça não vai adiantar nada…
— Não se preocupe. Eu vou te proteger, eu juro. Proteger minhas camaradas é o que eu faço!
— Capitã…
— Acre, apenas cumpra seu dever. Registre esta batalha e volte viva.
— Capitã…
— Vamos, não precisa ficar tão nervosa. Quando a batalha acabar, vamos beber algo, certo?
— Capitã…
Por um instante, achei ter sentido o cheiro da morte no ar… Deve ter sido minha imaginação.
— Tudo bem, vamos, pessoal!
Ignorando minhas preocupações, a capitã se postou na frente da formação e olhou para os gigantes. Há momentos em que devemos lutar.
Mesmo quando sabemos que vamos perder.
E então…
A capitã respirou fundo, determinada, e gritou:
— A-TA-CAAAAR!
Nossa batalha fatídica começou.
— Ah, Elaina, você tirou uma folha do bolso agora há pouco. Ainda deve ter todo tipo de coisa aí, certo? — olhando para nós, a gigante de cabelo preto disse. — Que tal tirar algumas?
— Acho que posso.
Sorrindo como um demônio, a gigante de cabelo cinza tirou a mão do bolso e a abriu sobre um dos enormes pratos brancos.
— ……!
Foi nesse momento que finalmente percebemos a gravidade do nosso erro.
A captura de Liscia, nosso ataque — tudo fazia parte do plano dos gigantes.
Éramos meros peões em suas mãos enormes.
— É isso que vocês querem, não é…?
Sobre o prato branco, ela espalhou folhas, flores e bolotas.
Era inacreditável.
Os gigantes vieram preparados com uma estratégia para nos desarmar. Eram oponentes astutos que entendiam seu inimigo.
Mas não seríamos enganadas. Tínhamos que vencer.
Não é possível que alguém aqui seja tola o suficiente para cair numa armadilha tão óbvia…
— Deixem esta área comigo! O resto de vocês, avancem!
Por algum motivo, a capitã se jogou sobre o prato branco. Ela até largou sua arma. Não havia mais nenhum pingo de espírito de luta nela.
— Capitã…
O que diabos ela está fazendo?
— Não se preocupem… eu alcanço vocês depois!
— Não, hã, Capitã…
A captura imediata da líder deixou as tropas restantes em desordem. Elas corriam de um lado para o outro como feras selvagens.
Perderam todo o espírito de luta ao ver a atitude patética da capitã.
— Não pode ser! A capitã…! — Uma garota se desesperou e largou sua arma.
— Espere por mim, Capitã! Estou indo salv… gyaaaah! — Outra tentou pular no prato, escorregou e caiu.
— Heh-heh… acabou… — Uma terceira desistiu e começou a se acomodar no prato.
— Ei, sua! Fui eu que achei esta flor primeiro!
— Cale a boca! O que isso importa?! Me dê agora!
Havia até garotas brigando entre si por flores.
Uma a uma, minhas compatriotas abandonaram suas armas.
— Então, como pode ver, assim como na semana passada, elas nos deram um monte de doces. Aparentemente, elas têm uma fraqueza por folhas, flores e bolotas. É só dar um pouco a elas para receber doces em troca.
— …Para mim, isso parece mais uma rendição em massa do que qualquer outra coisa…
As duas gigantes pegaram as armas que minhas camaradas largaram e, ignorando nosso sofrimento, as jogaram em suas bocas abertas, uma após a outra.
Pela atitude delas, nem nos consideravam uma ameaça.
Ou isso, ou estavam exibindo seu domínio absoluto. Não importava o quanto lutássemos, não tínhamos como revidar.
— Oh? Só sobrou uma.
De repente, o olhar da gigante de cabelo preto pousou em mim. Olhando através da mesa, apenas eu, a cronista, ainda estava fora do prato branco. Com todas as outras presas, eu era a única sobrevivente.
— É verdade.
A gigante de cabelo cinza assentiu e me encarou com seus olhos azuis.
— …Ah! — Ela bateu palmas e vasculhou o bolso.
Provavelmente tentaria me atrair com mato, flores ou bolotas.
Mas eu não posso morrer! Preciso viver por minhas camaradas caídas…
— Acho que você vai gostar disso.
O que ela me entregou foi um disco misterioso. Era redondo, brilhante e cintilava como ouro. E era muito pesado.
Já ouvi rumores sobre isso.
No mundo dos gigantes, esses discos dourados eram chamados de “dinheiro” e podiam ser trocados por bens ou serviços.
Ninguém em nosso mundo jamais tinha visto um, mas os rumores diziam que quem tocasse em um poderia, no mínimo, viver o resto da vida no luxo.
— Ah… tão brilhante…
Nem preciso dizer que caí direto nas mãos do inimigo. Abandonei meu dever e, assim como minhas camaradas, me rendi.
Olhando para mim enquanto eu esfregava a bochecha carinhosamente no ouro, a gigante de cabelo preto arregalou os olhos.
— Você sabia exatamente do que ela gostaria, não é?
Em resposta, a gigante de cabelo cinza colocou a armadura que eu usava na cabeça em sua boca e disse:
— Ah, eu só vi o mesmo brilho nos olhos dela.
— Ah, quer dizer que ela é gananciosa como você?
— Que rude. Prefiro dizer que sou “dedicada aos meus desejos”.
E assim, nossa batalha terminou.
Sofremos uma derrota esmagadora, obviamente. Pelo menos foi o que pensei.
Mas, do centro do prato branco, nossa capitã anunciou, satisfeita:
— Ufa… esta batalha foi uma vitória absoluta para o nosso lado…

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Depois que saímos da Cozinha dos Gigantes, a Srta. Fran finalmente me contou sobre sua visita ao restaurante na semana anterior.
Aparentemente, ela encontrou o lugar enquanto viajava para sua cidade natal.
— É vergonhoso, mas meu senso de direção é péssimo, e eu não volto para casa desde que comecei a viajar… então me perdi completamente. Eu pedia informações a cada comerciante e viajante que encontrava, mas…
“Com licença, estou tentando ir para um país chamado Bielawald, mas… hã? Esse país não existe mais? Tudo bem, as ruínas servem. Pode me dizer onde ficam? Hã? Na floresta? Desculpe, mas aqui só tem floresta. Em que parte, especificamente? Ah, naquela direção? …Entendi…”
“Com licença, o comerciante anterior disse que Bielawald ficava nesta parte da floresta… hã? Não existe tal país? Não, eu sei que existe. As ruínas servem. Pode me dizer onde ficam? Hã? Naquela floresta ali? Espere, mas é floresta até onde a vista alcança…”
E assim por diante.
De um jeito ou de outro, a Srta. Fran continuou sua jornada, vagando sem rumo.
E, no meio disso tudo, ela descobriu a cabana.
Quando a encontrou pela primeira vez, a placa da COZINHA DOS GIGANTES ainda não estava lá. Era apenas uma casinha comum.
— No começo, fiquei em choque. Quando entrei na cabana para descansar, nunca imaginei encontrar uma raça de mulheres minúsculas vivendo lá.
Segundo a Srta. Fran, como era de se esperar, as pequenas mulheres temiam humanos do nosso tamanho. Elas a atacaram de surpresa.
— Embora, claro, os ataques delas não representem ameaça alguma para nós, então eu mal dei atenção.
Por exemplo, a chamada “artilharia” que lançaram contra ela eram apenas balas de açúcar, e os “escudos” que usavam eram biscoitos. Ela enfrentou as mulheres vestidas de doces, mas, da sua perspectiva, elas pareciam apenas criaturinhas estranhas jogando guloseimas nela. Da perspectiva delas, no entanto, deve ter sido registrado como uma batalha longa e terrível.
Depois de ser bombardeada com doces por um tempo, a Srta. Fran começou a sentir um peso na consciência. Ela perguntou a uma das mulheres:
— Hã, vocês gostariam de algo em troca?
Uma delas — a chamada Liscia — respondeu com ódio nos olhos:
— Algo que queremos? Claro que não! Saia daqui agora!
Nossa, por que tanto rancor?
A Srta. Fran se perguntou qual seria o motivo. Então, teve uma ideia.
— Eu me sinto mal só recebendo, sem oferecer nada… Será que tenho algo que posso dar a vocês?
Mas, sendo a pessoa despreocupada que era, ao vasculhar os bolsos, ela só encontrou algumas folhas que pegou pelo caminho, flores que achou bonitas e um punhado de bolotas que coletou por algum motivo. Era basicamente lixo.
Ah, não! Elas não vão gostar disso. Pelo contrário! Provavelmente vai ser um incômodo.
Pelo menos foi o que ela pensou.
— Aaah! Eu amo isso! Esse cheiro! Eu amo!
Mas então algo inesperado aconteceu. A mulher minúscula agarrou as folhas que a Srta. Fran tirou do bolso e começou a respirar ofegante.
As coisas estranhas continuaram.
Uma a uma, as companheiras de Liscia, que observavam de longe, apareceram e começaram a brigar pelo lixo que a Srta. Fran ofereceu, dizendo coisas como: “O que é isso?”, “Oh, flores!”, “Eu amo bolotas…”, “Ei, isso é incrível!”.
Aparentemente, elas quase nunca viam as flores e folhas do mundo exterior. A cabana era todo o seu mundo.
Uma a uma, as pequenas mulheres largaram suas armas, e a Srta. Fran se empanturrou delas (dos doces, claro).
Depois que todas as soldadas desistiram, aquela que chamavam de “Capitã” se postou diante da Srta. Fran, ergueu uma bandeira branca e anunciou:
— Gah… não somos páreo para você… Faça o que quiser, Gigante. Ferva-nos, asse-nos, coma-nos vivas!
Espere, espere…
— Não, obrigada.
Já comi todos os doces que queria, pensou a Srta. Fran, balançando a cabeça.
Havia algo mais importante em sua mente.
— A propósito, por que vocês me consideram uma inimiga?
— Não é natural tentar expulsar invasores?! — A capitã estava furiosa. — Além disso, você é uma trapaceira! Usando nossas comidas favoritas para nos subornar… sua covardia não tem limites?!
— Ah, comidas favoritas? Você quer dizer isto? — A Srta. Fran balançou uma folha perto do rosto da capitã.
— Ah… p-pare! Não serei tentada! — A capitã afastou a folha com um tapa.
Então, a capitã explicou a situação.
As pequenas mulheres amavam bolotas e folhas, mas o mundo exterior era perigoso, então elas viviam confinadas na cabana.
Elas adorariam sair e comer folhas e bolotas à vontade, mas até pequenos animais eram como bestas gigantes para elas, então não achavam que se dariam bem.
Apenas dentro da cabana estavam seguras.
Elas não podiam permitir que humanos enormes entrassem em seu refúgio com sapatos sujos. Por isso, sempre tentavam expulsá-los.
Claro, a diferença de tamanho significava que nunca tinham vencido, mas…
— Gah… este é o único lugar onde podemos nos sentir seguras, mas… vocês gigantes continuam invadindo!
— ……
Nesse ponto, a Srta. Fran teve uma ideia.
No fim das contas, as pequenas mulheres queriam folhas e bolotas, e podiam oferecer doces em troca.
Talvez, com cuidado, pudessem chegar a um acordo que beneficiasse ambos os lados.
— Hã, tenho uma sugestão. Poderiam me ouvir?
E então, a Srta. Fran fez uma proposta para Liscia e a capitã.

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Depois que as duas gigantes partiram, a capitã me chamou, a cronista, e me contou uma história. Ela falou sobre os problemas do nosso território e sobre o que aconteceu uma semana antes, quando a gigante de cabelo preto apareceu.
— Aquela gigante me fez uma proposta. Ela disse: ‘Nós, gigantes, queremos comer suas armas e materiais de construção. Se nos derem, em troca, traremos folhas, bolotas e flores.’
Segundo a capitã, as coisas que tanto valorizávamos eram fáceis para os gigantes obterem, enquanto nossas armas e matérias-primas eram, aparentemente, suas comidas favoritas. Assim, a gigante propôs uma troca.
— E você aceitou?
— …… — A capitã assentiu em silêncio. — Como podemos fazer armas e materiais de construção facilmente, achei que todas ficariam felizes em receber coisas do mundo exterior.
Não poderia haver solução mais desejável. Pela dignidade de nossa raça, a capitã aceitou a ideia da gigante.
— Heh-heh-heh… mas quem diria que haveria um jeito tão fácil de conseguir folhas… Aqueles gigantes podem ter corpos formidáveis, mas suas cabeças são vazias!
Ela aceitou a proposta por nossa causa… ou assim eu gostaria de pensar.
Parece que, embora tenhamos aparentemente perdido a batalha, na verdade, nenhum dos lados sofreu danos.
Foi tudo uma farsa.
— Mas, Capitã, se ambos os lados iam simplesmente trocar o que queriam, não havia necessidade de encenar uma batalha inteira, não é?
Precisávamos mesmo passar por todo aquele teatro de tentar expulsar os gigantes, como fazíamos antes? Parece que poderíamos ter resolvido tudo simplesmente aparecendo, oferecendo os materiais e pegando o que queríamos.
Reunir as tropas para uma gloriosa última resistência não foi meio inútil?
Mas a capitã apenas assentiu e disse:
— Foi sugestão da gigante de cabelo preto que lutássemos. Ela me pediu para garantir que lançássemos um ataque igual ao da última vez.
— …Por quê?
— Aparentemente, era mais interessante assim.
— Eu realmente não entendo como esses gigantes pensam.
— Nem eu.

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— …Hã, então, em outras palavras, se dermos a elas folhas e outras coisas em troca de doces, elas ficam satisfeitas com a troca? É isso? — perguntei.
— Bem, resumindo, sim — respondeu a Srta. Fran, assentindo.
Já havíamos deixado A Cozinha dos Gigantes para trás e seguíamos para nosso próximo destino, conversando sobre o que aconteceu.
— Mas então por que elas tentaram nos atacar? Se era só uma troca, não deveriam ter parado com isso?
— Quem sabe? Por que será?
Minha professora olhou para o horizonte com um sorriso malicioso. O jeito que ela desviou o olhar deixou bem óbvio que estava escondendo algo, mas decidi não insistir.
No fim das contas, o verdadeiro motivo de a Srta. Fran ter me levado até a cabana das pequenas mulheres era para ver se elas seguiriam suas instruções. O resto foi só pretexto.
Ela insistiu tanto para me levar lá, e agora eu via que estava me usando como cobaia.
— Foi divertido? — perguntou a Srta. Fran.
Assenti sem muito entusiasmo.
— Mais ou menos.
— Hmm, entendo.
A Srta. Fran assentiu, satisfeita, e tirou um pedaço de papel do bolso, começando a escrever algo bem enganoso: Recebeu uma crítica entusiasmada da Bruxa Cinzenta que viaja pelo mundo!
O que é isso?
— Espere aí, o que você está fazendo? — Agarrei a mão dela.
Ela segurava um panfleto com frases como: O domínio de uma raça misteriosa de pessoas minúsculas, Coma à vontade seus doces artesanais na Cozinha dos Gigantes e Planeje sua visita após coletar folhas, junto com um mapa bem desenhado.
— …O que é isso? — fiz uma careta.
A Srta. Fran inclinou a cabeça, confusa.
— O que é…? São negócios.
Hã? Negócios?
— …Não me diga que está pensando em lucrar com elas?
— Não, não. Só estou divulgando uma espécie rara, com as melhores intenções.
— ……
Olhando para o panfleto, vi que ela havia escrito na borda: Aceito de bom grado uma taxa de descoberta, no valor que julgar apropriado.
Parecia particularmente malicioso, deixar a quantia em aberto. Se quisesse, ela poderia cobrar a mais, pressionando as pessoas depois.
Nossa.
— Como você é gananciosa.
Olhei, cansada, para minha professora.
Com seu jeito despreocupado de sempre, ela sorriu e respondeu:
— Que rude. Eu sou simplesmente “dedicada aos meus desejos”.
Meu Deus, onde será que a Srta. Fran aprendeu essas coisas?
— Srta. Fran, você é minha professora. Fica difícil para mim quando se recusa a agir com um mínimo de decência ou maturidade.
Fiz questão de inflar as bochechas, mas ela apenas sorriu como sempre.
— Infelizmente, posso ser sua professora, mas também sou eu mesma.
Ah, céus…
— Você é uma professora bem desprezível, sabia?
— Ah, eu concordo.
Tradução: Gabriella
Revisão: Axios
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