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Re: Zero – Começando a Vida em Outro Mundo – Arco 01 – Cap. 11 – “Uma Luta Tardia Demais”

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Havia gotas de sangue escorrendo pelos fragmentos afiados do vidro e, seguindo-os, encontrava-se a garganta de Rom.

Ele havia perdido o braço e sua garganta estava rasgada, o que fez com que uma grande quantidade de sangue espumoso saísse de sua boca, após a luz deixar seus olhos cinzentos quando caiu no chão.

Seu corpo trêmulo já havia perdido a vitalidade, e não havia dúvida de que não tinha mais vida.

Elsa elegantemente curvou-se para o corpo caído dele, como se para prestar seus respeitos.

Ela colocou o copo que usou para matá-lo em seu corpo ainda se contorcendo.

— Estou devolvendo isto. Não preciso mais, sabe.

Ela falou cruelmente enquanto girava a faca kukri em sua mão.

Limpando o sangue da lâmina, mais uma vez apontou para os outros dois.

Subaru, que ainda estava no chão, não conseguia nem falar.

Ele estava totalmente focado na matança brutal que acabara de ocorrer na sua frente.

Alguém com quem tinha conversado há poucos minutos estava agora morto. E não foi por acidente ou doença, foi pela maldade de outra pessoa.

— Ah, então você é a mais corajosa…

Subaru, que ainda estava congelado, ergueu a cabeça ao ouvir a voz dela cheia de admiração.

Seus membros não o obedeciam. Enquanto ele estava deitado naquele estado estupefato, viu Felt se levantar diante de si, batendo em seus joelhos trêmulos como se para se encorajar.

Ela endireitou as pernas e penteou o cabelo encharcado de sangue para trás.

— Como se atreve…

Subaru não conseguia ver sua expressão, já que estava atrás dela.

No entanto, ficou claro que sua voz tensa e cheia de ódio não estava chorosa.

— Se você desnecessariamente resistir, pode acabar se machucando.

— Você vai me matar de qualquer jeito, sua maldita sádica!

— Posso não te cortar direito se você se mover. Não sou muito boa com lâminas, sabe.

Ela habilmente girou a faca em sua mão e encenou um ensaio de sua habilidade de corte.

Felt a encarava sem nenhuma arma, suas chances de vitória pareciam inexistentes.

Ele deveria levantar a voz, seu cérebro decidiu.

Deveria atrair a atenção de Elsa e dar a Felt tempo para escapar.

Pelo menos tinha que dar-lhe tempo para chamar por alguém, ou mesmo simplesmente escapar por conta própria.

Analisando a diferença entre suas habilidades com o mínimo de experiência, foi a esta conclusão que chegou.

Apesar disso, sua garganta não produziu som algum, como se estivesse congelada.

Sua vontade de lutar não alcançou seus membros, eles apenas continuaram a tremer de medo.

— Desculpe por você se envolver nisso…

— Eu, eu…

Ela sussurrou um pequeno pedido de desculpas a Subaru.

Estas palavras fizeram com que seu rosto se erguesse em direção a ela, e ele se esqueceu completamente de seu plano de gritar e, em vez disso, tudo o que deixou sua boca foram palavras que pareciam implorar por perdão.

E então, Felt deixou seus sentimentos para trás enquanto corria para frente.

Houve um som alto quando seu corpo voou para frente, parecendo leve como uma pena.

No instante depois que ela se moveu, foi como se um vendaval soprasse pela casa de saque.

Pareceu a Subaru que ela havia desaparecido completamente quando começou a correr.

Tendo desaparecido de seu campo de visão, ela então reapareceu ao lado de Elsa, cujos olhos estavam arregalados devido à velocidade extrema quando a perna esguia de Felt afundou ao seu lado.

Tendo acertado seu ataque, Felt deu um passo para trás, como se estivesse saltando, e mais uma vez puxou o vento enquanto se movia em alta velocidade.

Naquele espaço limitado, estava até tratando as paredes como chão sólido, seus movimentos eram simplesmente incríveis, e até mesmo Elsa não pôde deixar de se surpreender.

— A proteção divina do vento. Ah, que maravilha. Parece que você é amada pelo mundo, que inveja.

O sorriso de êxtase de Elsa mudou de repente, seus olhos se encheram de ódio enquanto seu braço zunia no ar.

Isso bastou.

— Ah…

Bastou para que Felt tivesse seu ombro cortado enquanto ainda estava no ar, e então caiu desamparadamente e tombou no chão.

A ferida se estendia do ombro esquerdo à direita do peito, e a profundidade era tal que até os órgãos foram cortados, além dos ossos.

Seu corpo caiu voltado para cima e o sangue dela jorrou como uma fonte, de acordo com seu pulso, parecia que a dor e o choque de ser cortada já a tinham feito perder a consciência. Seus movimentos pararam completamente.

O sangue escorrendo dela perdeu o vigor em poucos segundos, silenciosamente sinalizando que sua vida estava no fim.

O corpo dele não se moveria.

Ele queria ir para o lado de Felt e parar seu sangramento.

Se alguém dissesse que já era tarde demais para isso, queria ao menos fechar seus olhos.

Mas seu corpo se recusou a fazer até isso, tinha basicamente se tornado uma boneca que só podia bombear sangue e sentir dor.

— O velho e a garota caíram e você ainda não se mexeu. Desistiu?

A voz dela estava um tanto compassiva e ela parecia entediada enquanto olhava para Subaru, que ainda continuava completamente imóvel.

Tudo estaria acabado se ela se aproximasse um pouco mais e brandisse aquela faca. Provavelmente foi porque percebeu isso que ela continuou tão casual, até parecia que poderia estar sufocando um bocejo.

Sua atitude fez com que uma raiva insuportável surgisse dentro de Subaru.

Eram pessoas que ele tinha acabado de conhecer, mal tinha se passado uma hora.

Mesmo assim, conversou com eles e todos se abriram. Ela os matou como se fosse nada e não mostrou remorso algum, para Subaru isso era imperdoável.

E, acima de tudo, ele não conseguia perdoar a si mesmo por deixá-los morrer pelas mãos dessa mulher miserável enquanto ele só observava.

Essa raiva tardia foi aquilo que finalmente fez seus membros se moverem.

Ele pressionou seus membros trêmulos contra o chão e de alguma forma conseguiu se levantar de uma forma bastante animalesca. Seu corpo estava tremendo de raiva ou de medo? Ou ambos?

— Ah, você finalmente se levantou. Você está atrasado e um tanto lento, mas não está ruim.

Ele enfrentou Elsa, a qual tinha sua faca kukri em punho e a atacou com tudo de si.

Subaru se jogaria sobre ela e a derrubaria com uma força que ultrapassava seus limites.

Mas seu avanço…

— Isso não é nada bom.

Foi imediatamente parado pelo cotovelo de Elsa, que bateu direto em seu nariz, aparentemente esmagando-o.

Ela girou o corpo e o atingiu com o cotovelo com o mínimo de movimento, e quando ele recuou, ela o seguiu, desenhando um arco direto em seu corpo, com suas longas pernas, facilmente fazendo-o voar.

Subaru bateu em uma prateleira de cerâmica e caiu no chão quando os fragmentos se espalharam.

Naquela troca de golpes instantânea, seu nariz e os dentes da frente foram arruinados. E o lado que recebeu o chute de Elsa estava com uma dor extraordinária, ele sentiu como se tivesse perdido algumas costelas ali.

Apesar disso, bateu com o punho no chão e se levantou na mesma hora. As endorfinas fluindo por seu corpo entorpeceram a dor horrível que estava em um nível que nunca experimentou antes.

Com a respiração selvagem neste estado de excitação, mais uma vez lançou um ataque suicida impensado, e foi mais uma vez combatido.

Seus golpes selvagens não a alcançaram, e ela quebrou seu ombro suavemente com a parte de trás de sua lâmina.

E então, como se os gritos dele fossem um aborrecimento, ela acertou um chute diretamente em sua mandíbula, fechando-a com força e fazendo com que seus dentes da frente quebrados caíssem. Ela olhou para o corpo desabado dele.

— Simplesmente patético. Você é evidentemente um novato e seus momentos não são refinados. Você não possui proteção divina nem habilidade, e nem foi capaz de pensar em qualquer tipo de estratégia. Por que se incomoda em tentar?

— Cala a boca… Também tenho minha teimosia… Depois de você ter feito tudo isso.

Subaru não conseguia nem gritar com ela por causa do nariz quebrado.

Ele havia perdido o braço naquela prateleira, tudo abaixo de seu ombro esquerdo tinha ficado mole. Não podia sentir a dor, mas o zumbido em seus ouvidos era horrível. Sua náusea havia voltado, e parecia sair de sua boca com sua raiva enquanto cambaleava, mal se levantando.

Subaru estava cheio de feridas. Suas chances de vitória eram zero, e era excepcionalmente improvável que fosse capaz de acertar.

A visão dele se levantando, mesmo que a situação fosse totalmente desesperadora, fez Elsa suspirar.

— Admito que você tem um espírito excepcional. Se tivesse tentado algo antes, talvez as coisas pudessem ter terminado de forma diferente para esses dois.

Elsa usou sua faca para indicar os dois que havia abatido.

Os olhos dele seguiram o movimento da ponta da faca para pousar nos cadáveres, e um desconforto repentino fez Subaru franzir a testa.

Por algum motivo, essa cena lhe parecia familiar.

A casa de saque, a qual havia se transformado em um mar de sangue. Um gigante que perdeu um braço e teve sua garganta dilacerada. E dentro daquela sala escura, o brilho opaco de uma lâmina marrom…

Um pensamento repentinamente passou por sua mente…

— Vamos acabar com isso. Estarei enviando você para os anjos.

Elsa lambeu os lábios vermelhos e desapareceu na escuridão com um sorriso sedutor.

Subaru gemeu ao perder a ameaça de vista, parecia que ela havia simplesmente desaparecido nas sombras.

— O-Onde…?!

Ele olhou em volta, inquieto, sua sensibilidade aumentando a cada pequeno som ou sinal.

Seu comportamento patético realmente parecia o de um fraco esperando para ser caçado por um predador. Do ponto de vista de Elsa, isso provavelmente era terrivelmente chato, era como se ele tivesse acabado de ser colocado sobre uma tábua de cortar.

Consequentemente, quando ela apareceu das sombras, seu golpe foi extremamente direto.

— Quê…?!

Tendo julgado que ela teria como alvo o seu estômago, Subaru mal conseguiu se esquivar.

Ele recuou um pouco, contraindo o abdômen enquanto o fazia, e graças a isso o balanço horizontal apenas o atingiu de raspão. O corte ligeiro fez com que uma dor aguda percorresse seu corpo, a qual suportou cerrando os dentes.

— Rrrruuuaaahhh!!

Ele então girou todo o corpo, acertando um chute giratório bem no rosto de Elsa.

Um golpe satisfatório dado ao torcer sua cintura, o tremendo impacto em seu pé confirmou que conseguiu acertar um golpe, a sensação correu até seu coração. E então…

— Aah, eu realmente senti isso.

A segunda faca kukri que Elsa sacou tinha acabado de rasgar cerca de 70% do caminho através do torso de Subaru, fazendo com que sangue e vísceras saíssem.

— Ah?

Um passo, dois passos, ele cambaleou até que seu ombro bateu na parede, fazendo-o tombar, como se tivesse escorregado. Olhando para baixo, podia ver uma grande quantidade de sangue escorrendo de seu abdômen e, incapaz de lidar com a pressão, seus órgãos internos também começaram a vazar.

Ele tentou colocá-los de volta no lugar com o braço trêmulo, mas o sangue coagulado o impediu de fazê-lo.

— Ficou surpreso? Cortei seu estômago quando passamos um pelo outro. Esta é a minha especialidade.

Elsa falou enquanto sorria, formando pequenos respingos no mar de sangue enquanto caminhava em direção a ele.

Assim que ela chegou ao lado de Subaru,  o qual a esta altura era incapaz de falar enquanto gritava, ela amorosamente olhou para suas entranhas dentro de seu sangue escuro.

— Aah, seus intestinos realmente têm uma cor adorável, assim como eu pensava.

Esta mulher era anormal. Ela era louca.

Mesmo as endorfinas fluindo por ele não conseguiam esconder a dor terrível que estava fazendo sua visão escurecer, e antes que percebesse, parecia que tinha acabado ficando de lado.

Assim, lentamente estendeu o braço, agarrando fracamente o pé de Elsa.

— Au… Uah…

— Isso dói? Você está sofrendo? Isso é difícil? Você está triste? Quer morrer?

Com a mão dele ainda em seu tornozelo, Elsa se agachou ao seu lado, sua linha de visão cruzando com a dele.

Seus olhos faziam parecer que ela estava em transe, era como se não sentisse nada quando tirava uma vida. Não, ela definitivamente estava sentindo algo.

O maior prazer.

— Mas tornar isso fácil demais seria uma pena.

Ainda agachada ao lado dele, ela sorriu docemente enquanto balançava sua lâmina.

E essa foi a última coisa que Subaru viu.

O corte foi vívido e atingiu o rosto de Subaru. O resultado…

— Gaaaaaahhh…?!

Seus olhos foram dilacerados, ele perdeu a visão para sempre.

Ainda desabado no chão, Subaru usou as mãos para sentir seus olhos cortados.

Havia uma mistura de sangue e lágrimas, e ele mais uma vez vomitou sangue enquanto gritava, e foi assaltado pela sensação de que suas entranhas estavam completamente vazias, como se todo o seu sangue e órgãos tivessem saído.

Era estranho que ele ainda estivesse vivo. Era como se tivesse entrado no inferno.

E ele não conseguia nem olhar para si mesmo, simplesmente ficou lá, à beira da morte, sem saber quando a morte finalmente chegaria.

— Lentamente, bem devagar, com calma, sem pressa, tranquilamente, contorça-se…

Ao se aproximar do final, ele sentiu a voz de Elsa atingir suavemente seus tímpanos, parecia atormentadora, saciada, lamentosa, carinhosa e amorosa.

A dor dele, o sofrimento, a raiva e o desespero foram todos dominados por um medo negro como o azeviche.

Naquele mundo que ele não podia ver, naquele mundo onde não sabia quando a vela de sua vida iria se apagar, o que dominava seu coração agora vazio era um medo obstinado, o medo extremo da morte.

Quando eu vou morrer? Quando eu vou morrer? Por que ainda estou vivo? Não morri? O que define a vida? Dá mesmo para dizer que estou vivo, mesmo neste estado inferior a qualquer inseto? Pode-se dizer realmente que estou vivo, agora que estou na palma da mão da vida ou da morte?

O que é vida e morte? Por que estou com medo de morrer? Preciso estar vivo? Não?

Estoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedoestoucommedo…

Seus instintos rejeitaram a morte inevitável que se aproximava sem parar.

Isso acabou enchendo a mente de Subaru, ele já estava no fim e agora seu campo de visão cego estava tingido de branco.

Ah, eu morri.

Com isso, a vida de Natsuki Subaru chegou a uma conclusão decepcionante.

 


Tradução: Taipan

Revisão: LMDS – Equipe Pleiades

QC: Milady

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