Dark?

Re: Zero – Começando a Vida em Outro Mundo – Arco 01 – Cap. 08 – “O Sabor Amargo do Álcool”

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Tendo terminado a vingança no beco, Subaru alcançou a parte mais profunda da favela. Ele estava parado diante da imponente casa de saques. O sol já tinha diminuído sua intensidade e a noite caía.

— F-Finalmente encontrei… Isso demorou muito, droga.

Tendo finalmente chegado, ele caiu no chão enquanto usava a manga para enxugar o suor da testa.

Ele tinha passado quase duas horas correndo até finalmente encontrar o local. Ao menos foi capaz de confirmar a passagem do tempo com o telefone em seu bolso. Definitivamente duas horas.

— Achei que não seria tão difícil, já que vim aqui recentemente…

Na verdade, ser incapaz de ler qualquer tipo de sinalização se provou um grande obstáculo para ele.

A capital tinha ruas bem parecidas, e Subaru, que não conhecia a área, sequer conseguia ler os nomes das lojas ou lugares para se orientar.

No final, ele não teve escolha a não ser forçar sua memória.

— Falei com a Satella e o Puck em vários lugares, então também lembro um pouco do caminho.

Isso se tornou ainda mais verdade após entrar nas favelas.

Ao contrário de antes, já que alguém havia limpado sua camisa, a reação que recebeu dos moradores da favela foi fria e foram extremamente pouco cooperativos.

A habilidade social de Subaru não estava no nível em que poderia lidar com essa atmosfera de exclusão, então ele acabou precisando se virar sozinho.

Como resultado, ele queria se elogiar por conseguir chegar tão longe. Ele decidiu se recompensar por seu trabalho duro.

— Estou finalmente te abrindo, sopa sabor de milho. Para começar, foi porque queria comer isso que fui à loja de conveniência. Não seria exagero dizer que é por causa disso que eu fui invocado para este mundo.

Enquanto apresentava várias desculpas, Subaru abriu a sacola.

Suas narinas lhe proporcionaram felicidade ao suavemente sentir um cheiro doce. Ele passou um pouco na língua, com seus dedos trêmulos… A felicidade suprema tomou seu paladar.

— Delicioso… Super delicioso…! Pensando bem, eu não tinha comido nada. Incrivelmente delicioso.

Ele comeu mais e mais enquanto pensava em tudo pelo que tinha passado.

Seu estômago estava vazio desde que lhe negaram aquela fruta parecida com uma maçã. Já fazia cerca de seis horas que estava suportando isso.

Embora tivesse distraído seu estômago vazio, Subaru percebeu que não poderia fazer o mesmo com sua mente.

Seu coração batia violentamente, o pulso anormalmente elevado. Ele podia sentir o sangue correndo por todo seu corpo, isso estava em um nível totalmente diferente daquele incidente no beco.

Seus membros estavam pesados e sua boca, seca, por razões não relacionadas a seu lanche. Ele foi continuamente atormentado por uma dor aguda, como se tivesse sido atingido na cabeça, e isso foi acompanhado por um zumbido estridente aos seus ouvidos.

A resposta que estava procurando estava dentro da casa de saques.

Ele instintivamente engoliu em seco quando a cena que não queria se lembrar vagou por sua mente.

Um cômodo transformado em um mar de sangue, um velho sem braço. Seu estômago embrulhou enquanto estava deitado à beira da morte, e a mão inerte de Satella. A culpa por ela ter acabado naquela situação era dele.

— Não surte, não surte, não surte, droga. Eu sou um idiota? Não, eu com certeza sou idiota. Até parece que vim até aqui para voltar sem olhar.

Não era como se ele tivesse para onde voltar.

Ele resolveu olhar adiante, até que tentou avançar e percebeu que seus joelhos tremiam.

Ele não conseguia controlar a parte inferior de seu corpo trêmulo. Depois parou o tremor à força, batendo nas rótulas, e respirou fundo enquanto avançava.

Banhada pela luz do sol, era como se a porta da casa de saques o rejeitasse.

Suprimindo tais delírios provocados por seu nervosismo, Subaru foi até a porta e ergueu a mão.

— Tem alguém aí?

Ele pensou que essa era uma esperança extremamente tênue, mas ainda assim tentou bater de leve.

Esse som inesperadamente monótono devia ter reverberado tanto por dentro quanto por fora. No entanto, o garoto não recebeu uma resposta, somente um silêncio insuportável reinou.

Subaru achou esse silêncio extremamente assustador, e começou a bater ainda mais na porta, embora soubesse que era em vão.

— Alguém… Tem alguém aí, certo?! Por favor, responda… Por favor.

Ele não queria pensar que tinham morrido ali.

Negando a realidade, Subaru bateu na porta com tanta força que ela começou a ranger. Incapaz de suportar a fúria dele, a porta lentamente começou a ceder enquanto suas velhas dobradiças se deformavam.

— Fique quieto!! Você não sabe nem o sinal ou a senha e ainda por cima quer arrombar a porta?!

A porta foi aberta de repente, e Subaru, que estava apoiado nela, foi lançado pelo ar.

Ele caiu no chão de um jeito bem feio, a quase cinco metros de distância. Então ergueu a cabeça, perplexo.

Seus olhos estavam arregalados de surpresa, refletindo um rosto velho e vermelho que olhava para ele da porta.

Era careca e tinha um corpo enorme.

Suas vestes podiam já ter sido brancas, mas a poeira e muitos anos de suor e coisas do tipo as deixaram marrons, uma visão nada higiênica. Podia ser a fonte do cheiro desagradável flutuando pelo ar.

Sob suas roupas estava um corpo bem musculoso. Ao contrário de sua aparência envelhecida, ele não parecia frágil, era claramente bem durão.

Resumindo, um enorme homem careca e saudável estava diante dele.

— Quem é você?! Não lembro do seu rosto, por que está aqui?! Como descobriu esse lugar e como chegou aqui?! Quem te contou?!

O velho diminuiu a distância entre eles em uma velocidade incrível e agarrou Subaru com sua mão gigante. Ao sentir seus pés deixando o chão, o garoto percebeu que tinha se empolgado demais e voltou à realidade. O que aconteceu antes foi uma exceção. Ele era só um cara medíocre e qualquer.

Mesmo que sua força fosse tal que só perderia em circunstâncias excepcionais, quase todos os seus oponentes se enquadrariam nesta categoria.

Quando o gigante de quase dois metros de altura o ergueu, sua vontade de resistir sumiu por completo.

— Por favor, tome isso, um sinal da minha boa vontade.

Ele se virou para o rosto cheio de raiva do homem… e jogou um lanche sabor sopa de milho nele.

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Pouco depois daquele encontro violento que provavelmente deu impressões ruins a ambos, Subaru foi convidado para a casa de saques.

Havia algumas cadeiras para convidados no balcão, logo além da entrada. Sentado em um, Subaru ajustou a posição de suas costas, o que foi bastante desconfortável.

O assento estava todo quebrado, o que fez com que ele sentisse várias pontadas por todo o traseiro. Se seus intestinos estivessem no limite, com certeza estaria se descarregando.

— Por que você está se mexendo assim? Suas bolas estão pinicando ou o quê?

— Não é esse o caso. Espere, devolva isso. Eu não falei que você poderia ficar com tudo!

O velho estava parado do outro lado do balcão, onde seria de esperar que o proprietário ficasse.

Comparado com seu corpo colossal, a sacola que ele segurava parecia tão pequena que poderia fazer qualquer um se perguntar se esse senso de perspectiva não estava com problemas.

— Que mesquinho. Você vai acabar indo para o inferno se ficar com algo tão delicioso só para si.

— E aonde você pensa que vai parar, comendo as coisas dos outros desse jeito? Boomer, tinha que ser. Sempre criticando os outros enquanto finge que não vê as próprias falhas.

— Lá vem você com essas palavras estranhas de novo. É por isso que vocês, jovens… Mm, delícia.

— Pare de comer!

Subaru se inclinou para frente e estendeu o braço, de alguma forma conseguindo tomar a sacola das mãos do velho. Entretanto, a maior parte do conteúdo dela já estava no estômago dele.

Os ombros de Subaru caíram quando ele viu que não tinha quase nada sobrando.

— Aah… Minha preciosa sopa de milho. Acho que nunca mais poderei te provar de novo.

— Hein, isso era tão raro? Bem, é verdade que nunca vi nada parecido. Então, que tal usar magia de duplicação no resto?

— Magia de duplicação?

— Magia que transforma uma coisa em duas. Em organismos vivos só consegue replicar a aparência, mas deve ser possível reproduzir a comida.

O homem o disse enquanto esfregava sua cabeça redonda, e Subaru mais uma vez percebeu como a magia era conveniente.

Pode mesmo fazer qualquer coisa, hein, pensou ele admirado enquanto olhava indiferentemente para os arredores.

A casa de saques ao anoitecer, não havia sinais da tragédia que ele havia experimentado lá.

Ainda havia vários itens espalhados por todos os cantos, facilmente cobrindo o enorme interior do lugar.

Talvez tendo notado o olhar de Subaru vagando, o velho semicerrou os olhos.

— Qual é o problema, garoto? Interessado nos meus produtos?

Com essas palavras, ele foi direto ao cerne da questão.

O velho gigante se apresentou como Rom, disse que Subaru poderia chamá-lo de Velho Rom. As negociações com ele se tornaram inesperadamente tranquilas quando, em resposta a sua raiva, Subaru ofereceu um lanche, sério, foi isso que aconteceu.

Depois que Subaru enfiou um na boca dele, ele ficou obcecado com o sabor totalmente novo e na mesma hora deixou Subaru em paz.

Depois disso, o garoto o convenceu de que tinha aparecido porque tinha algo para fazer, e que tinha ouvido falar do lugar a partir de um homem de meia-idade da favela, e no final os dois acabaram nessa situação.

Do outro lado do balcão, Rom usou seus enormes braços para encher um copo meio sujo com álcool, e mantinha um sorrisinho no rosto enquanto fazia isso.

— Bem, quem vem aqui costuma ter um entre dois objetivos. Estão me trazendo bens roubados ou querem os ditos bens, ou um ou outro.

— Claro, é em parte por isso que estou aqui.

— Em parte, hein. Então, também tem algum outro negócio?

Rom ergueu uma sobrancelha para o acordo condicional de Subaru. O garoto acenou com a cabeça, então hesitantemente fez sua pergunta, preparado para ser ridicularizado por isso.

— Isso é bem estúpido, mas… velho, você morreu recentemente?

Tendo o pescoço e o braço direito arrancados.

Ele decidiu não incluir essas palavras. Até onde podia ver, não havia sinais de qualquer marca em seu braço ou pescoço.

Ao ouvir a pergunta de Subaru e notar seu olhar, Rom arregalou seus olhos cinzas por um momento, seu rosto então de repente revelou um sorriso, como se o tempo tivesse voltado a correr.

— Gahahaha, eu queria saber o que você ia dizer. É verdade que sou um velho à beira da morte, mas lamento dizer que isso ainda não me aconteceu. Mas, nesta idade, imagino que não vá demorar muito.

Rom riu como se tivesse ouvido uma piada terrível enquanto empurrava um copo para Subaru.

— Quer uma bebida?

O garoto recusou com um aceno de mão, o cheiro de álcool irritando seu nariz, e brevemente se desculpou pelo que acabou de dizer.

Pediu desculpas, mas a inquietação dentro dele continuou crescendo.

Agora estava conversando com Rom, mas… já tinha visto seu cadáver.

Bem ali, na escuridão, seu braço e garganta foram rasgados por uma lâmina, e ele morreu de forma indescritivelmente horrível.

Entretanto, como se para negar a visão que foi queimada em seus olhos, o enorme corpo de Rom estava bem em sua frente, enfiado naquele balcão de um jeito que parecia bastante desconfortável.

O rosto do velho estava vermelho enquanto ele esvaziava o copo, o sangue claramente fluindo por ele, e não parecia nada com o cadáver pálido que havia perdido todo aquele sangue.

O Velho Rom estava definitivamente vivo. Assim como Subaru.

Pensando bem, o garoto também tinha sofrido uma lesão grave. Mas, apesar disso, estava ali, sem vestígios de qualquer acontecimento.

Subaru não estava mais confiante em sua própria percepção, começando a se perguntar se não estava sonhando acordado.

— Vai me dizer que aquilo foi tudo um sonho…? Se sim, o quanto foi sonho e por que estou neste mundo?

Suas queixas o deixaram esquecer de sua inquietação por um tempo, mas agora estava em um lugar onde poderia se sentar e se acalmar, e isso mais uma vez o atormentou.

O sentimento de culpa, a dor lancinante daquela ferida fatal, o calor do toque sempre tão leve da garota, se tudo aquilo era um sonho, então qual era o motivo para a sua presença?

Se fosse esse o caso, faria mais sentido se todo o papo desde sua invocação fosse um sonho.

Ele achou isso muito mais fácil de aceitar do que a ideia de que de repente começou a sonhar ao chegar em outro mundo.

— Velho, você viu uma garota de cabelos prateados por aí?

— Cabelo prateado…? Não, acho que não. Eu não esqueceria algo tão marcante. Não importa quantos anos eu possa ter envelhecido.

Rom corajosamente riu disso tudo, mas a expressão de Subaru turvou.

Talvez tendo percebido a sinceridade do garoto em sua atitude, o velho de repente parou de rir.

— Beba.

Sem hesitar, ele mais uma vez empurrou o copo para Subaru.

Ele inclinou a garrafa sobre o copo e um líquido âmbar o encheu até a borda. Subaru observou isso em silêncio, e Rom mais uma vez repetiu:

— Beba.

— Foi mal, mas não estou no clima. E não sou tão pirralho a ponto de beber só para parecer durão.

— Você é idiota? Beber e se fingir de durão é o que torna uma criança infantil. Engula tudo e sinta a queimação na garganta. Independentemente do que estiver te incomodando, você não será capaz de suportar o calor e vai colocar para fora na hora.

— Então beba — disse ele mais uma vez, empurrando o copo na direção de Subaru.

Subaru aceitou o copo como se obrigado pela teimosia de Rom, e levou o líquido âmbar até o nariz. O cheiro forte de álcool invadiu seu nariz e ele quase acabou engasgando, o que fez sua expressão ficar azeda.

Mas, apesar dessa postura de recusa, parte dele ainda queria seguir o conselho de Rom.

Subaru achava que depender do álcool era uma marca de um adulto chato, mas, ainda assim…

— Ah…Que se lasque!

Inclinando o copo, ele engoliu tudo de uma vez só.

Ele não sabia o quão forte era a coisa, mas logo após fazer isso, sentiu como se seu corpo estivesse pegando fogo.

O álcool parecia queimar sua garganta, fazendo-o gritar e jogar o copo longe.

— Pha! Gah! Péssimo! Quente! Horrível! Nnaa, que porcaria!

— Já chega! Caras que não sabem apreciar o gosto do álcool são apenas tolos que não enxergam a diversão da vida, sabe.

Enquanto Subaru tossia e o calor dentro dele ficava maior, Rom gritou com ele e tomou outra dose.

Ele esplendidamente pegou a garrafa inteira e tomou direto dela.

Tendo mandado uma quantia mais de três vezes maior que aquela que Subaru tomou para dentro, ele arrotou de um jeito grosseiro e sorriu.

— Meerda, essa é da boa! Não desce queimando?

— …Sim! Só um pouquinho! Velho, vamos falar sobre o meu outro objetivo.

Afastando o rosto do velho sorridente, ele começou a limpar o álcool derramado com a manga enquanto apontava para dentro. Ao contrário das porcarias espalhadas por todos os cantos, o material lá devia ser valioso.

A expressão de Rom ficou séria. Vendo isso, Subaru foi direto:

— Estou procurando uma insígnia com uma joia embutida nela. Quero que você me dê ela.

Anunciou seu objetivo.

Seu objetivo original: além de confirmar a segurança de Satella, a razão para sua visita.

A insígnia com a joia que foi roubada de Satella. Ela não contou o motivo para ele, mas estava disposta a enfrentar qualquer perigo para recuperá-la, e isso indicava sua importância.

Se tinha sido levada para as favelas, definitivamente tinha que estar ali, ou ao menos foi o que disseram.

Se a insígnia realmente existisse, Subaru saberia se estava sonhando ou não.

— Uma insígnia com uma joia embutida… Sinto muito, mas não há nada do tipo por aqui.

— …Tem certeza? Tente se lembrar, será que você não está ficando senil?

— Quando acabo de tomar alguma coisa é quando estou em minhas melhores condições. Se não consigo me lembrar agora, então só posso dizer que não sei nada sobre isso.

Como parecia que a esperança final de Subaru havia sido destruída, Rom sorriu significativamente.

— Eu diria que deve haver uma grande entrega chegando hoje. Pode muito bem ser essa insígnia da qual você fala.

— Quem está trazendo… Seria uma garota chamada Felt?

— O quê, você sabe quem roubou?

Rom parecia pensar que isso era anticlimático, mas Subaru não conseguiu evitar de fazer uma pose triunfante.

O fio de esperança que ele tinha certeza de que foi rompido ainda se mantinha forte.

Ele tinha acabado de confirmar que Felt existia. Se a garota que roubou a insígnia era real, então Satella, de quem o objeto foi roubado, também deveria ser real.

— Eu estava imaginando se o meu amor por heroínas de cabelo prateado estava me fazendo ver coisas, isso me assustou…

— Sinto muito por estragar a sua felicidade, mas se você vai conseguir comprar assim que ela trouxer ou não, é outra questão. Uma insígnia com uma joia teria um preço adequado a isso, não?

— Ha! Não adianta tentar me avaliar, estou falido!

— Então não temos o que conversar!

Talvez por querer iniciar as negociações o quanto antes, Rom pareceu desapontado quando ele gritou. Subaru, entretanto, balançou o dedo em resposta.

— Tch, tch, tch. É verdade que não tenho dinheiro. Con-tu-do! Na sociedade, o dinheiro não é a única forma de obter bens. Também existe o sistema de trocas, certo?

Rom não se opôs. Ele silenciosamente incitou o garoto a continuar, ao que Subaru balançou a cabeça e enfiou a mão no bolso. E o que ele tirou foi…

— O que é isso? Nunca vi nada parecido.

— Isso é um item mágico que pode congelar um objeto no tempo, chamo de ‘celular’!”

Um celular branco compacto. Rom parecia confuso, pois era sua primeira vez vendo algo do tipo, mas Subaru já estava agilmente o usando… logo depois, o ambiente escuro foi preenchido com uma luz branca.

Ouviu-se o som do obturador de uma câmera e a luz envolveu Rom, que ficou tão chocado que caiu para trás do balcão. Subaru não pôde deixar de sorrir diante dessa reação extrema.

— O que foi isso?! Está tentando me matar?! Fazendo esses movimentos estranhos, você não está me levando a sério.

— Espere, espere. Respire fundo e se acalme, e então olhe para isso.

O rosto de Rom estava vermelho por razões além de sua embriaguez e, em resposta, Subaru mostrou o visor de seu telefone.

Rom deu um passo para trás, seus olhos cheios de suspeita enquanto se esforçava para ver a pequena tela do telefone… e então, arregalou os olhos.

Exibido na tela estava o rosto de Rom, que Subaru tinha fotografado. Ele havia usado a função de câmera do telefone para fazer isso. Claro, essa tecnologia não existia neste mundo.

Assim como Subaru previu, Rom olhou atentamente para a tela e…

— Isso é… o meu rosto, não é? O que está acontecendo?

— Eu te disse, não disse? Que isso poderia congelar as coisas no tempo. O que você vê aqui é o Rom de pouco tempo atrás.

Ao dizer isso, ele virou a câmera para si mesmo e tirou outra foto.

Então mais uma vez mostrou a Rom que parecia querer ver o resultado, e desta vez a tela mostrou Subaru fazendo um sinal de paz.

— É basicamente assim que funciona. Bem, geralmente é usado para comemorar momentos importantes e armazená-los, não para brincar assim.

— Entendo… Com certeza, isso é… Hmm…

Com a mão no queixo, Rom parecia estar pensando em algo enquanto olhava para o telefone.

A isca foi ainda mais eficaz do que Subaru esperava, e ele sentiu que já havia sido bem-sucedido no que dizia respeito à negociação.

Como se para aumentar ainda mais a confiança de Subaru, Rom pegou o telefone e o examinou de perto enquanto dizia:

— É a primeira vez que vejo um, mas… pelo que ouvi, pode ser um ‘Meteoro’.

— Meteoro?1[A WN na verdade não usa o termo meteoro até o Arco 5, só chama de dispositivo de lançar feitiços.A razão pela qual estou usando o termo meteoro, e não metia, é porque deveria ter o nome de estrelas cadentes]

Subaru inclinou a cabeça diante deste termo desconhecido. Rom acenou com a cabeça.

— São dispositivos que permitem às pessoas que não têm portões abertos usar magia. São extremamente raros, embora eu nunca tenha visto um antes.

Rom suspirou de admiração quando terminou de encarar o telefone e o colocou no balcão.

E então, voltou-se para Subaru.

— Não posso estimar seu valor com muita precisão. Estou neste negócio há muito tempo, mas… é a primeira vez que manuseio um meteoro. No entanto… Definitivamente vale mais do que qualquer outra coisa que eu já vendi.

Ver um meteoro pela primeira vez e o potencial de usá-lo para comércio parecia ter despertado o interesse de Rom. Ele continuou com uma voz ligeiramente trêmula:

— Mesmo assim…

— Se você negociar com isso, terá um prejuízo enorme. Não sei quanto vale essa insígnia que você está procurando, mas definitivamente não pode corresponder a este meteoro. Do ponto de vista financeiro, seria melhor vender este meteoro à parte.

Um negócio sombrio nas favelas que lidava com bens roubados. O conselho de Rom para ele foi completamente diferente do que se esperaria do chefe de tal estabelecimento.

Sua proposta era definitivamente atraente.

Subaru era basicamente inútil neste mundo.

Ele não podia usar magia e não era especialmente poderoso. Não sabia de nada e nem mesmo sabia ler e, além de tudo isso, estava totalmente falido.

Se ele fosse capaz de vender este telefone, isso definitivamente o ajudaria a sair da situação em que foi encurralado. Ao menos não teria que se preocupar com dinheiro por um tempo.

O futuro diante dele era aquele em que teria que lutar apenas para conseguir um pouco de comida, então parecia completamente óbvio que escolha deveria fazer. Porém…

— Nah, tudo bem. Vou trocar este meteoro pela insígnia que a garota Felt trará.

— Por que ir tão longe? Isso seria mais valioso do que este meteoro? Ou você está dizendo que seu valor não é monetário?

A obstinação de Subaru parecia confundir Rom. Quando ele perguntou sobre o valor da insígnia, a última metade parecia conter uma pitada de ridículo.

Era assim para quem morava ali. A ideia de que algo poderia ser mais importante do que dinheiro, embora pudessem entender o conceito, provavelmente não era algo que poderiam aceitar facilmente na realidade.

Aceitando que as pessoas tinham tais valores, Subaru balançou a cabeça.

— Para ser honesto, eu nem vi a coisa. Mesmo se eu fosse trocar por dinheiro, realmente não acho que valeria mais do que este meteoro, estou definitivamente tendo um prejuízo enorme.

— Se você entende isso, então por quê?

— Isso é óbvio. Isso na verdade não me importa.

Subaru sentiu um arrepio de excitação ao ver Rom arregalando os olhos de novo.

Sim, essa era a resposta.

Mesmo que ele não tivesse certeza de que teria algo para comer no dia seguinte, mesmo que seu futuro parecesse completamente sem esperança, mesmo que estivesse jogando fora um monte de dinheiro, sua perda tinha significado.

— Quero retribuir um favor. Sempre pago minhas dívidas. Eu não poderia viver comigo mesmo se não o fizesse. Sou muito sensível, sendo um filho da geração moderna e tal. É por isso que, não importa o quanto estou perdendo aqui, tenho que conseguir aquela insígnia.

— Hm… Em outras palavras, a insígnia não pertencia a você?

— Pertence a uma garota de cabelos prateados que me salvou. Não sei porquê, mas é muito importante para ela.

— Onde ela está agora? Não está com você?

— No momento estou procurando por ela! Ou melhor, o fato de que fui salvo por ela e até mesmo sua existência pode ser apenas uma ilusão da minha parte!

De repente cerrando o punho, ele falou sua preocupação anterior em voz alta e riu disso.

Todas as condições conectadas corretamente. Era impossível que Satella não existisse de verdade.

Ele definitivamente iria encontrá-la novamente assim que obtivesse a insígnia.

Enquanto Subaru fortalecia sua determinação, Rom o observava com olhos como se estivesse olhando para algo extremamente estranho.

— Você é mesmo um idiota, hein.

Com isso, todos os outros sentimentos foram esquecidos e tudo o que restou foi o riso.

 


 

Tradução: Taipan

 

Revisão: LMDS – Equipe Pleiades

QC: ZhX

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