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Re: Zero – Começando a Vida em Outro Mundo – Arco 01 – Cap. 06 – “O Fim do Começo”

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A investigação os fez entrar nas favelas e, como de costume, foram confrontados com sinais de terríveis… Ou melhor, ao contrário das expectativas, houve um desenvolvimento inesperado e Subaru se mostrou útil.

— Este lugar, por algum motivo, parece super tranquilo. O que é isso… Será que minha fase popular de repente chegou?! Pela primeira vez desde o jardim de infância!

Quando criança, Subaru tinha feições adoráveis, e seu cabelo também era longo, o que fazia com que fosse frequentemente confundido com uma garota. Por outro lado, uns dez anos depois, acabou desse jeito, então não era motivo para risadas.

— Bem, é só um palpite, mas…

— Vamos ouvir! Se houver algo científico… Espera, já que isso é uma fantasia, não seria mágico? Se existe uma base mágica para isso, quero ouvir.

— Acho que não é a resposta que você espera, mas provavelmente é por causa da sua aparência. Você está meio sujo e com alguns vestígios de sangue, as pessoas aqui também parecem estar sofrendo, então provavelmente acham que você se encaixa.

— Merda, entendi!

Agora parecia óbvio o motivo para serem tão amigáveis. Entre eles estava uma senhora que lhe ofereceu uma frutinha seca, dizendo: “Coma isso e fique forte.” Quando ele tentou colocar aquilo na boca, todo nervoso, sentiu uma breve doçura em sua superfície dura. E então um odor terrível começou a exalar. A sensação de seu nariz sendo destruído por dentro o fez desmaiar.

— Merda! Achei que ela estava sendo atenciosa, mas me envenenou! Aquilo era veneno! É como se meu corpo todo estivesse queimando! Eu podia mesmo ter morrido! Ou poderia acabar morto de uma perspectiva social!

— Parece que você ganhou uma fruta Bocco. Isso estimula a mana dentro de você assim que a come, e acelera a cura e umas outras coisas. O efeito varia de pessoa para pessoa, mas é bastante calmante para a maioria.

Satella levou um dedo ao lábio e disse: “Hmm”, observando Subaru esquentar e suar enquanto respirava irregularmente.

— Parece que seu corpo circula muito bem a mana. Se você tiver uma overdose, pode acabar morrendo.

— Me diga isso antes de eu comer essas coisas! O que eu façoooo?!

— Sim, Puck.

Respondendo ao chamado dela, Puck emergiu de seu cabelo. Seus movimentos estavam lentos e sua anterior vivacidade havia desaparecido. Simplificando, estava extremamente sonolento.

Parecia que nem estava ouvindo a maior parte da conversa, esfregando os grandes olhos enquanto dizia:

— O quêêêêê? Já estou no limite, sabe.

— Então é melhor você se encher antes de ir para a cama. Tem um banquete bem aqui para você.

Quando sentiu algo nas palavras dela, Subaru notou que Puck estava agora olhando em sua direção, seus olhos sonolentos brilhando, como se estivesse olhando para alguma iguaria.

— Posso mesmo?

— S-Seja gentil.

Apesar de estar um pouco preocupado quanto a ser mordido, Subaru respondeu de forma brincalhona. Puck deu uma resposta vaga e, logo depois, esticou seu corpo minúsculo para longe do ombro de Satella.

— Certo, vamos comer.

Imediatamente depois disso, Subaru sentiu que seja lá o que estivesse tropeçando dentro dele começou a vazar em grandes quantidades. Era difícil dizer exatamente por onde. Se ele tivesse que dizer algo, seria que isso parecia como que ser drenado por todos os poros de seu corpo ao mesmo tempo, era bem desconfortável.

— Esse foi um prato e tanto.

Puck juntou as mãos em agradecimento. Subaru queria responder algo como: “Volte sempre”, mas de repente sentiu um arrepio correndo por todo o corpo.

O calor subitamente se transformou em frio. E também não era um frio qualquer, ele podia sentir com todo seu ser.

Então instintivamente agarrou os próprios ombros, e a visão disso fez Satella olhar para Puck em reprovação.

— Puck.

— Foi mal, foi mal, já faz tanto tempo que não consegui me controlar. Mas o portão dele parece estranho. Parece meio inútil, mas jorra um monte de mana, é por isso que acabei exagerando. Teehee

Ele riu timidamente enquanto batia na cabeça, mas Subaru não achou que isso fosse motivo de riso.

De novo, palavras desconhecidas foram usadas, coisas como “portão” ou mana.

— Deve ser algo tipo MP, hein. E estou assim porque fui drenado.

Seu cérebro de jogador mais uma vez exibiu sua capacidade de compreender esses conceitos em um instante.

O problema, então, era o quão importante era o MP neste mundo. Se Restauração de MP fosse extremamente cara, poderia se dizer que esse foi um ato muito problemático.

— Peço desculpas. Conversamos sobre isso depois.

— Estou refletindo sobre minhas ações. Mas não me arrependo, estava uma delícia.

A atitude de Puck lembrava a do protagonista de certo mangá, e Satella não o repreendeu muito. A julgar por isso, não devia ser um grande problema. Se fosse esse o caso, não seria legal ficar insistindo no assunto.

— Relaxa, pelo menos não sinto mais que vou queimar até a morte. Mais importante, vamos continuar procurando o culpado, já que a localização foi determinada graças aos meus esforços. Graças ao meu trabalho duro, conseguimos…

— Entendo que você esteja feliz por ter sido útil, mas ficar dizendo isso não é nada legal.

Ele queria mudar de assunto, mas acabou soando como alguém se gabando. Satella parecia arrependida por ter dito a sua opinião sobre isso, e Subaru simplesmente forçou um sorriso. Já era hora de irem mais adentro nas favelas.

— Foi mal, sem tempo.

Dizendo isso, Puck, ainda no ombro de Satella, se inclinou debilmente contra o pescoço dela. Sua pelagem cinza estava tingida com fragmentos de luz, oscilando um pouco, como se pudesse desaparecer a qualquer momento.

— Parece que ele está prestes a morrer, hein.

— É porque realmente passei do limite. Uso mana para me manifestar, então isso se dispersa quando eu desapareço. Meu cristal, por favor.

— Entendi. Desculpa por te pressionar tanto, Puck. Vá com calma.

Satella pegou um cristal verde do tamanho da palma de uma mão em seu peito. Parecia um pouco diferente do que chamariam de gema, pelo que Subaru sabia, mas poderia ser chamado de algo cristalino.

Puck desceu pelo braço de Satella até alcançar o cristal, então se virou para ela enquanto seu pequeno corpo abraçava aquilo.

— Tenho certeza de que você já sabe, mas não deve ir muito longe. Se a situação parecer complicada demais, use seu Od para me forçar a sair.

— Entendi. Não sou mais criança, posso cuidar de mim mesma.

— Vai saber. Não posso dizer que confio muito neste aspecto de minha filha. Conto com você, Subaru.

O sorriso de Puck estava repleto de compaixão enquanto olhava para longe da descontente Satella e em direção a Subaru.

Subaru achava que as interações deles eram bem parecidas com as de pai e filha enquanto os observava, então ele bateu no peito quando foi mencionado.

— Tudo bem, pode deixar comigo. Pode esperar grandes coisas do meu sensor jitter, então, se meu alerta de perigo disparar, vamos sair correndo na mesma hora!

— Não entendi metade do que você disse, mas vou confiar em você. Tudo bem, boa noite, Puck. Tome cuidado.

Puck olhou para ela uma última vez antes de sumir do mundo. Assim como ele disse, sua forma começou a se dissipar em partículas de luz. Essa visão não seria algo possível no mundo antigo de Subaru, e fez ele ficar cheio de arrepios por todo o corpo.

Uma vez que Puck se foi, Satella começou a acariciar o cristal como se fosse terrivelmente precioso para ela, e assim o colocou de volta em seu peito.

Seguindo o fluxo atípico das coisas, a essência de Puck provavelmente foi armazenada em uma forma etérea.

— Agora estamos sozinhos, mas… é melhor você não tentar nada estranho. Eu consigo usar magia.

Sem saber o que ele estava pensando, ela talvez pensasse que o garoto estivesse apenas olhando para seus peitos. Em resposta às suas palavras de cautela, Subaru instintivamente levantou as mãos e começou a sacudir a cabeça.

— De forma alguma! Não estive sozinho com uma garota desde o ensino fundamental. Eu não conseguiria tentar nada, e você também já viu minhas habilidades com as pessoas, não?

— Isso é tããããão sem sentido, mas também é bastante convincente. Certo, vamos. Mas o Puck não está mais cuidando de nós, então precisamos ser mais cuidadosos.

Talvez perplexa por Subaru estufar o peito de orgulho após isso, Satella apertou o robe e seguiu em frente. Ela então virou a cabeça em direção a ele, sem se mover de onde estava.

— Vou na frente e você vai atrás. Se acontecer alguma coisa, diga na mesma hora. Não tente fazer nada sozinho. Não quero ferir seus sentimentos, mas você é fraco.

— Colocando as coisas desse jeito, acho que não consigo desgostar de você.

Se ela quisesse preservar sua imagem de garota fria, devia ter omitido a parte de “você é fraco” e dito tudo com mais severidade.

Isso revelou a bondade que ela não conseguia esconder, demonstrando que era doce do começo ao fim. Encantadoramente assim.

Satella parecia querer reclamar enquanto ele a encorajava a continuar, e, assim, a busca dos dois começou.

Dito isso, a tarefa deles não tinha mudado. Encontrar alguns moradores, descrever as características do culpado e perguntar se conheciam alguém que se parecesse. De novo e de novo.

Subaru ficou encarregado disso, e estava ficando cada vez mais acostumado a isso conforme o fazia.

— Talvez seja a Felt. Uma loirinha complicada, sabe?

Conseguiram essa informação útil com o décimo quarto homem que conversaram. Ele era outra pessoa que Subaru chamou de um jeito bem familiar:

— Yo, bro. E aí?

Ele olhou para a aparência suja de Subaru com simpatia e respondeu:

— Se for a Felt, seu item perdido provavelmente já foi para a casa de saque. Os bens roubados são etiquetados e armazenados lá, e o proprietário reúne tudo para vender em outro lugar.

— Que sistema estranho… E se esse proprietário simplesmente fugisse com tudo?

— Ele só é o dono porque confiam que ele não fará isso. Mas, bem, mesmo se você disser para ele que você foi roubado, não é como se fosse conseguir alguma coisa de volta. Você vai ter que negociar.

Como o roubo era por causa do descuido da vítima, essa era a lógica das favelas, e o homem disse isso rindo, apesar de sua atitude favorável.

Eles conseguiram a localização da casa de saque com ele, e parecia que a garota logo se reuniria com seu item roubado.

Porém, um outro problema se apresentou. A coisa é que os dois estavam completamente quebrados.

— Ele nos disse para comprar isso de volta, e agora? Além de nossos bolsos vazios, este parece ser o tipo de evento em que vamos nos deparar com um preço excessivo ou algo assim.

— Só estou recuperando o que me foi roubado, por que eu deveria pagar por isso?

Assim que a carteira vazia se tornou um problema, a expressão de Satella de repente mudou. Seu murmúrio espontâneo com certeza estava correto, mas também era verdade que seu oponente não seria uma pessoa facilmente influenciável por isso. Para resolver tudo de forma pacífica e, além disso, de forma confiável, seria melhor seguir o conselho daquele homem.

Mesmo assim…

— Essa insígnia roubada é muito cara? Mesmo que acabem cobrando muito caro, não saber o valor de mercado seria…

— Tem uma joia bem no meio. Também não sei o valor monetário, mas com certeza não é barato.

— Uma joia, hein… Isso é problemático.

Qualquer idiota perceberia que aquilo era valioso só de bater o olho, era esse o efeito conveniente das joias. Não parecia que este mundo possuía tecnologia para fazer imitações, então parecia correto presumir que quase tudo que parecesse uma jóia seria mesmo uma. Se fosse esse o caso, o valor inerente seria óbvio.

Subaru sabia que não tinham nenhum motivo para sentir alívio, mas também havia uma outra coisa na declaração dele que o incomodou. A garota disse que não sabia o valor da insígnia.

Era bem possível que a tivesse ganho, mas ele ainda se sentia um pouco inquieto.

— Bom, primeiro vamos tentar ir lá e depois pensamos nisso. Posso conseguir negociar um preço decente, dependendo de como as coisas correrem.

Na pior das hipóteses, ele tinha um método que poderia ser desastroso.

Suas palavras vagas fizeram Satella franzir a testa, mas o garoto apenas balançou a mão em resposta à dúvida dela.

Caminharam por cerca de dez minutos, angustiados com a situação financeira e sem encontrar soluções.

Chegando à dita casa de saque, os dois se entreolharam.

— Maior do que imaginamos, hein.

— Mostra por que chamam isso assim… Se for tudo roubado, igual o nome indica, então não tem o que fazer.

Claro, como estavam periodicamente vendendo coisas no local, era provável que não estivesse abarrotado de saques.

Enquanto olhava para a casa de saque, Subaru pensou que a aparência do local não combinava com o nome grosseiro que possuía.

De acordo com suas estimativas, isso devia ser do tamanho de uma loja de conveniência. Com estacionamento incluído.

Só tinha um andar, mas era grande o suficiente para acomodar uns vinte carros. Os arredores também passaram por uma mudança, as várias ruínas e barracos não estavam em nenhum lugar, e atrás da casa de saque havia um muro gigante. Isso ficava literalmente na parte mais afastada das favelas.

— Aquele muro é alto.

— Deve ser o muro de fronteira da capital. Parece que chegamos ao fim sem perceber.

Essa declaração fez Subaru imaginar vagamente como um mapa da capital poderia ser.

Devia ser quadrado, guardado por esses muros por todos os lados. Na parte de dentro disso, talvez bem no meio ou na zona mais setentrional, haveria um castelo, e, bem longe de lá, ficariam essas favelas.

Ele sentiu como se já tivessem passado duas ou três horas desde que começaram a busca, então conseguia ter uma ideia do tamanho da capital. Mas, bem, se comparasse isso ao Japão, que não tinha divisões tão claras, o tamanho não seria lá grande coisa.

— Bom, então, se os rumores forem reais, o dono do lugar deve estar lá, mas… Considerando a nossa posição, o que faremos?

— Vou direto ao ponto. Roubaram algo de mim, então devolva. Algo assim.

Subaru falou várias vezes que isso não funcionaria, mas ela se recusou a ouvir.

A garota era virtuosa mesmo. Ela não conseguia pensar em usar meios tortuosos com tanta facilidade.

Mas foi precisamente por ser esse tipo de pessoa que ela parou para ajudar Subaru, mesmo isso não resultando em nenhum benefício próprio.

— Ahh… entendi. Então pode deixar comigo.

Existiam grandes possibilidades de as coisas darem errado, então Subaru relutantemente se ofereceu para cuidar de tudo.

Seu último recurso. Isso foi bem precipitado, então não parecia ser um trunfo, mas também seria chato se tudo se resumisse a perda de tempo. Ele não hesitaria quando se tratava desse tipo de coisa.

Enquanto isso, Satella parecia intrigada com a sugestão. A recém-adquirida confiança dele a fez ficar com um olhar de suspeita.

— Tudo bem, conto com você.

— Sei que você não pode concordar assim. Afinal, até eu sei que não fiz nada para conquistar a sua confiança. Mas eu tenho uma ideia, então pode acreditar em… Ehhh?!

— P-Por que você ficou tão surpreso?

— Digo, isso é completamente diferente do normal, não é?! ‘Deixar isso para um inútil igual você, que mal consegue falar com os outros? Não me faça rir, até um cachorro seria melhor.’ Eu estava preparado para ouvir algo assim!

— Como se eu fosse dizer algo tão terrível.

A paranoia dele a ofendeu. Ela porém limpou a garganta e fixou seus olhos ametistas no garoto.

— É verdade que você não foi útil até agora e não fez nada ou disse qualquer coisa para inspirar qualquer tipo de confiança, mas…

— Que tipo de avaliação é essa? Mas não posso discordar disso!

— Mas acredito que você pensa bem nas coisas, e não acho que seja um mentiroso.

Ela interrompeu toda essa depreciação, respirou fundo e continuou:

— Vou tentar acreditar em você. Seria realmente bom se você conseguisse.

— Em vez disso, algo como ‘Dê o seu melhor por mim’ realmente me motivaria, sabe?

— Não posso ser tão exigente. Mas, dê o seu melhor.

Uma garota que não conseguia mentir, bem ao pé da letra.

Subaru respondeu com um enorme sorriso e se virou para a entrada.

Isso definitivamente não foi fácil para ele, mas o garoto sentiu que as expectativas dela e aquele pouquinho de confiança estavam lhe dando o empurrão necessário. Se ele voltasse sem conseguir nada, então se provaria completamente inútil.

Enquanto caminhava, Subaru olhava para a sacola de plástico em sua mão, a qual até o momento não tinha se tornado tópico de discussão.

Dentro dela estavam os itens que ele trouxe do outro mundo. Até onde ele sabia, isso era tudo o que possuía neste mundo. Poderia ser capaz de negociar.

Ele não sabia qual era o valor da insígnia, mas com certeza não poderia valer mais do que seu celular, que poderia ser um item único neste mundo.

Seria uma perda e tanto para ele, mas a negociação deveria ser possível caso o usasse.

Esse era o último recurso que manteve em segredo dela. Claro, ele também tinha um monte de cartas que seriam inúteis neste mundo. Se tivesse a chance de usá-las, com certeza usaria.

— Hmm, tem alguém aí?

Parado diante da porta de madeira, ele tentou bater nela. O som foi mais profundo que o esperado, mas não houve resposta lá de dentro.

Ele hesitantemente pegou na maçaneta, e a porta prontamente foi aberta, como se nem tivesse fechadura.

O interior não tinha iluminação, estava tão escuro que só era possível tatear pelo caminho. Era para ser um local de armazenagem de mercadorias roubadas, mas, por algum motivo, não tinha ninguém de guarda.

— Talvez eles estejam no banheiro ou coisa assim… Uhh, tem alguém aí

Subaru tentou olhar para todos os lados, mas sequer o luar iluminava o local, deixando-o totalmente escuro. Ao ser recebido por um ar rançoso e um odor desagradável, ele trabalhou em sua determinação e deu um passo à frente.

Mas, primeiro, se virou em direção a  Satella.

— Se nós dois entramos assim, podemos parecer ladrões. Que tal você ficar aqui?

— Tem certeza? Talvez eu devesse…

— Já chamei um monte de vezes, então provavelmente não vou ser abatido sem mais nem menos. Seria perigoso se o proprietário não entendesse direito, então, por favor, deixe isso comigo.

Subaru curvou a cabeça para ela enquanto ela pensava no assunto. Ela então enfiou a mão no robe e pegou um cristal branco que ofereceu a ele.

— Você deveria levar pelo menos um pouco de luz. Se tiver ou não alguém por lá, me chame.

— Entendi. Com cuidado, hein… Como faço para ligar essa coisa?

— Você não sabe nem usar um lagmite? Bem ignorante mesmo, hein?

Ela falou em um tom divertido e surpreso ao bater o lagmite levemente contra a parede, fazendo-o produzir um brilho branco pálido. Estava bem escuro, mal iluminando alguns metros, mas seria o bastante para identificar o perigo iminente.

— Hoje em dia, a maioria das pessoas usa luzes baseadas em mana, mas isso é muito mais simples e eu gosto bastante. Se apagar, só precisa fazer isso de novo e vai acender.

— Entendo… Parece bem conveniente. Certo, vou entrar um pouco.

Com o lagmite em mãos, Subaru timidamente entrou. “Não se force”, disse Satella atrás dele, e ele respondeu erguendo a mão.

Quando Subaru passou pela entrada, viu um balcãozinho em seu pouco campo de visão. O lugar talvez fosse originalmente uma taberna ou algo assim. Do outro lado havia algumas caixas quebradas, poderia supor que o proprietário ou outra pessoa estaria sentada ali.

O balcão também parecia desempenhar o papel de uma mesa de recepção e tinha vários itens sobre ele. Caixas pequenas, potes e todos os tipos de lâminas estavam espalhados de qualquer jeito.

Ele estava no escuro, tanto no sentido físico quanto intelectual, então não podia arriscar um palpite com o valor dessas coisas, mas para um olho destreinado definitivamente não pareciam muito valiosos.

— Suponho que seja óbvio, os objetos de valor devem estar mais para dentro.

Os itens roubados também tinham etiquetas de madeira fixadas, parecia que os caracteres foram esculpidos nelas com algo afiado. De acordo com o que o homem havia dito antes, estes eram provavelmente os nomes dos ladrões que os roubaram. Parecia que poderiam pegar todos esses caras de uma vez só, precisaria apenas juntá-los e entregá-los aos guardas.

— Bem, também tem a possibilidade de estarem usando nomes falsos. E em uma situação assim, existem tramas em que o país tem um lado sombrio que está trabalhando com os criminosos.

Havia também a questão de saber para onde iriam esses bens roubados.

Se fosse uma novel ou um mangá, ele poderia só seguir em frente, mesmo com mais pensamentos detestáveis aparecendo enquanto seguia caminhando.

Ainda não havia sinais de vida, mas, mesmo com a luz fraca que recebeu, percebia que as mercadorias ficavam maiores e mais valiosas à medida que ia mais adentro.

Então uma insígnia com uma joia embutida certamente estaria lá. Enquanto ele pensava nisso, seus passos ficaram involuntariamente mais rápidos. E então…

— Hm?

Subaru parou quando de repente sentiu algo estranho sob seus pés.

Não era o desconforto de pisar em algo duro. Pelo contrário, o que quer que estivesse ali, parecia diferente… Era como se estivesse pisando em algo pegajoso.

Quando ele levantou a perna e sentiu a sola do tênis, notou um líquido espesso grudado ali. Quando seu dedo sentiu aquela estranha rigidez, ele sentiu um medo primitivo aparecendo.

— O que… é isso?

Subaru levou o dedo ao nariz para cheirar, mas o ar rançoso o impediu de perceber exatamente o que era. Mesmo assim, simplesmente não teve coragem de levar à boca para provar.

Ele o esfregou na parede e apontou a luz para a frente, como se estivesse incitado pela inquietação. Em seu destino estava a fonte.

— Ah?

Sua voz escapou quando finalmente viu “aquilo”.

Sob a luz fraca, o que viu primeiro era um braço descuidadamente colocado no chão. Seus dedos estavam abertos, pareciam tentar alcançar algo e, estranhamente, não havia nada do cotovelo para cima.

Ele ergueu a luz para procurar o resto e também encontrou uma perna. Talvez fosse por sorte que a perna ainda estivesse presa ao torso e o corpo tivesse a maioria das partes que deveria ter.

Com o pescoço rasgado e um braço faltando, o que estava diante dele era o cadáver de um velho grande.

— Hie

Assim que percebeu, sua boca produziu um ruído sem sentido. O que tomou sua mente não foi medo, desespero ou choque. Sua mente estava completamente em branco, todos os pensamentos cessando.

Mesmo a opção de “correr” ou “ficar” não passaram pelo seu cérebro. O completo nada o fez ficar imóvel até que seu cérebro terminasse de absorver aquela visão. Isso acabaria por decidir seu destino.

— Ahh, você viu. Fico sem escolhas então. Sim, nenhuma escolha mesmo.

A voz de uma mulher, ele pensou.

Baixa e fria, e de alguma forma se divertindo, ele sentiu.

— Guah…!

Ele sequer teve tempo para se virar. No instante em que decidiu se virar em direção à voz, foi surpreendido por um impacto colossal.

Suas costas bateram contra a parede, derrubando o lagmite da mão, o que o deixou na mais completa escuridão.

Mas não era nisso que estava o foco de Subaru, sua consciência estava toda devotada

— Gu… Ah, quente.

Ele sentiu um terrível “calor” correndo por todo seu corpo.

Isso pode ser ruim.

Ele sentiu o chão duro contra sua bochecha e notou que havia caído de cara no chão.

Sua força se esvaiu e ele já tinha perdido a sensação dos dedos.

Esse calor era tão insuportável que o fez querer rasgar a própria garganta.

Quente, quente, quente, quente, quente, quente.

No momento em que abriu a boca para gritar, o que saiu não foi um grito, e sim um amontoado de sangue.

Ele vomitou enormes quantidades de sangue enquanto tossia. O sangue espumoso começou a espumar nos cantos de sua boca enquanto ele gorgolejava. Dentro de seu campo de visão escuro, o solo foi tingido de vermelho.

Ahh, isso é tudo… meu sangue?

Havia o suficiente para encharcar seu corpo caído. O sangue compreende cerca de 8% do corpo humano, e dizem que perder cerca de um terço dele seria fatal, mas… parecia que ele já tinha perdido quase tudo.

Subaru parou de vomitar sangue, mas o “calor” que parecia querer incinerá-lo ainda continuava. Ele moveu a mão em direção ao abdômen, com muita dificuldade, e sentindo algo que deveria ser impossível, ele compreendeu.

Meu estômago foi rasgado, huh.

Não era de se admirar que sentisse tanto calor. Parecia que seu cérebro tinha confundido a dor com calor.

Ele estava rasgado ao meio, com apenas um pedaço de pele em suas costas o mantendo “inteiro”.

Em suma, parecia que era “fim de jogo” para ele.

No momento em que percebeu isso, sua consciência começou a desvanecer.

Mesmo o calor que o fazia se contorcer de agonia desapareceu. Mesmo a sensação desagradável de sangue e a sensação na mão que usou para sentir seus órgãos, estava tudo desaparecendo com sua consciência.

Tudo o que restou foi seu corpo, que não poderia acompanhar sua alma.

Este corpo usou o que restava de sua consciência que estava desaparecendo para se mover um pouco. Ele virou a cabeça para cima.

Sapatos pretos formavam ondas na poça de sangue diante de seus olhos. Havia alguém lá. E esse alguém provavelmente era quem o matou.

Estranhamente, ele não sentia vontade de olhar para seu rosto. Foi essa pessoa quem tirou sua vida, e mesmo assim ele decidiu apenas permanecer como espectador de sua própria morte. Ele não fazia ideia de quem era, mas não se importava com isso.

Só desejava a segurança da garota.

— … baru?

Ele sentiu como se tivesse escutado uma voz que soou como o tocar de um sino.

Já estava além do ponto em que poderia até mesmo diferenciar seus sentidos, então provavelmente só imaginou.

Apesar disso, mesmo supondo que isso não fosse real, achou extremamente reconfortante.

Então…

— …!

Um grito rápido e então o tapete de sangue deu as boas-vindas a outra pessoa.

Ela caiu bem ao seu lado, exatamente onde estava seu braço.

Sua bela mão caiu, impotente, e se entrelaçou com a dele.

Provavelmente só uma coincidência.

Ele sentiu os dedos dela se moverem um pouco, como se para apertar sua mão.

— … era.

Ele forçou sua consciência, a qual desaparecia, a retornar por um momento. A dor e o calor, tudo sumiu. Era um esforço sem sentido, nada além de perda de tempo.

Mas, ainda assim…

— Eu definitivamente vou…

Te salvar.

Naquele momento, Natsuki Subaru perdeu a vida.

 


 

Tradução: Taipan

 

Revisão: LMDS – Equipe Pleiades

QC: ZhX

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