Dark?

Re: Zero – Começando a Vida em Outro Mundo – Arco 01 – Cap. 04 – Compensação por um Travesseiro de Colo

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Para Subaru, o sentimento de acordar ali foi similar à sensação de tirar sua cabeça do fundo da água. Raios solares atacaram suas pupilas no momento em que suas pálpebras abriram, fazendo-o lacrimejar enquanto coçava seus olhos. Ele era muito bom em acordar e, uma vez que seus olhos estivessem abertos, sua consciência iria rapidamente fazer o mesmo.

“Ah, você está acordado?”

Uma voz soou diretamente acima de sua cabeça. À medida que Subaru se virava para encarar o detentor daquela voz, percebeu que sua cabeça estava apoiada em algo extremamente macio.

“Não tente se mover ainda. Você bateu com a cabeça, então não é seguro.”

A voz se preocupando com ele era gentil e a sensação que tinha abaixo de sua cabeça era de suprema felicidade. Subaru pensou nos acontecimentos antes de perder a consciência e concluiu que estava atualmente experienciando uma das melhores bênçãos que um homem poderia receber.

— Deus do céu, aquela garota bonita está me deixando deitar no colo dela?!

Tomando vantagem dessa bênção divina, Subaru começou a se mexer e virar, marcando a sensação das coxas dela em seu coração.

Seus movimentos circulares resultaram em sensações deliciosas nas suas bochechas e seu rosto mergulhou em um felpudo…

— Mano, belas moças são muito mais cabeludas do que pensei.

“Mas o que…!”

“Fico feliz que você tenha acordado ~” (Voz aguda).

Subaru então deitou-se de forma ereta, olhando para cima. Completamente lúcido, pôde ver o que estava diante dele: um gato… um gato absurdamente grande estava em seu campo de visão. Sua expressão era exageradamente simpática enquanto no rosto da criatura se formava algo que parecia um sorriso.

“Decidi ser gentil e oferecer algum conforto a você até que acordasse.” (Voz aguda).

“Antes de tudo, pare com essa voz estranha.”

Tendo acabado na situação absurda de receber um carinho daqueles de um gato de formato e tamanho humanos, aquele era o único pedido de Subaru. Ele depois voltou a gozar da sensação daquele pelo, já que lhe foi generosamente dado.

“fofinho… tão fofinho. O que foi que você criou, meu Deus?”

“Minha nossa, se isso te alegra tanto, parece que valeu a pena eu ter mudado a minha forma, não é?”

O gato gigante envergonhadamente coçou a cabeça e piscou, como se estivesse atrás da aprovação de alguém. Na direção de seu olhar, pela entrada do beco, uma garota cruzava os braços em desgosto. Ela era a garota que havia sido gravada em seus olhos e memórias antes de perder a consciência.

“Então, basicamente, você é aquele gato minúsculo de antes?”

“Fufufu, suas dimensões completamente variáveis o tornam fácil de transportar. Ele também alegra o dia com conversas super divertidas. Um gato para todos, incrível para o seu estilo de vida! Para mais detalhes, por favor, contate a associação de espíritos.”

Aquilo rapidamente estalou os dedos e começou uma propaganda de venda. Os conteúdos não eram relevantes, mas Subaru pensou que provavelmente era daquele jeito que funcionava.

“Então, vocês acabaram ficando aqui até que eu acordasse…”

“Não se engane. Eu tinha algumas perguntas a fazer para você, então não havia escolha a não ser ficar. Se não fosse o caso, teria lhe deixado aqui. Definitivamente. Só para que isso fique bem claro.”

Quando dito com tanta ênfase, Subaru não conseguia dizer nada em resposta. Ela falava em um tom feroz, como se estivesse o pressionando. Considerando o nível 1 da habilidade de comunicação dele, ainda pior por a conversa ser com alguém do sexo oposto, tudo o que ele conseguia fazer era acenar com a cabeça.

“E também vale o mesmo por te curar e deixar que aproveitasse o colo do Puck. Tudo isso foi pelo meu próprio benefício, então você vai me recompensar agora.”

“Você está fazendo uma baita de uma cena, mas no fim das contas isso se resume a uma pergunta comum, não é?”

Tudo o que vai, volta, levado ao extremo. Mas, em resposta à pergunta dele, a garota balançou a cabeça e pôs uma expressão séria em seu rosto.

“Você está errado, estou fazendo uma exigência aqui. Agora, diga, você provavelmente sabe quem roubou a minha insígnia, certo?”

Subaru aceitou as condições dela com nervosismo e, por algum motivo, ela abaixou a voz e lhe perguntou aquilo.

Incapaz de se segurar, inclinou a cabeça em dúvida perante tal questão. Ele tinha uma forte sensação de já ter ouvido exatamente aquela mesma pergunta antes de perder a consciência.

“Eu bati a minha cabeça com muita força enquanto estava desmaiado? ”

“Você esteve inconsciente por uns cinco minutos, mas, pelo que me lembro, nada desse tipo aconteceu.”

“Então isso poderia ser déjà vu? Será que despertei algum tipo de poder secreto que me deixa experienciar o futuro imediato?”

Talvez ele devesse chamar aquilo de “Retorno ao dia de anteontem1“Retorno ao dia de anteontem” é a tradução literal de uma gíria japonesa com o significado figurado equivalente ao “vai se ferrar” brasileiro. Aqui, o autor Tappei brinca com o duplo sentido da gíria, mas em português e inglês, a piada torna-se confusa..”

Aquilo poderia ser muito útil para conseguir as respostas certas para uma pergunta. Talvez, com aquilo, até seria possível se preparar para questões complexas das provas e testes. E, por fim, seus sonhos e expectativas começaram a crescer de forma descontrolada.

“Ah, verdade, eu era um Neet2NEET é uma expressão japonesa que designa alguém que não trabalha, não estuda ou não treina. recluso e vagabundo! Isso não adiantaria de nada.”

“Poderia abaixar a bola e parar de me ignorar, por favor? Agora, responda-me.”

“Uhh… sinto te informar que… eu realmente não sei quem era a ladra que te roubou.”

A tão mencionada insígnia provavelmente era algo como aqueles crachás que pessoas como advogados, promotores, membros da força de defesa e muitos outros precisam usar para provar suas identidades.

Infelizmente, Subaru não tinha quaisquer memórias de ter visto algo daquele tipo na hora ou enquanto estava ali.

Na sua casa, ele tinha uma verdadeira montanha de insígnias de brinquedo que havia coletado durante a infância. Porém, não sabia como retornar para aquele mundo e o garoto provavelmente seria esmagado pelo gelo dela caso tentasse lhe oferecer uma daquelas.

Consequentemente, sua resposta não batia com as expectativas dela. Entretanto, a garota só acenou com a cabeça não dando sinal de desapontamento.

“Entendo. Então é isso. Bem, eu ao menos descobri que você não sabe de nada, então isso deve servir como compensação.”

Sua lógica no tocante à sua perda chocaria o mais desprezível dos vilões.  Deixando um pasmo Subaru para trás, ela bateu as palmas das mãos com um som muito alto e agiu como se tivesse superado tudo.

“Vou indo então. Sinto muito, mas estou com fome. Suas feridas já devem estar quase completamente curadas e aqueles caras provavelmente não vão te atacar novamente, considerando o quão assustados estavam, mas saiba que ficar andando por becos desertos a essa hora é praticamente suicídio. Ah, não que eu esteja preocupada ou algo do tipo, só estou te avisando. Não terei qualquer motivo para te salvar caso isso ocorra de novo, então é melhor tomar cuidado.”

Sua boca se moveu rapidamente à medida que proclamava aquele longo discurso. Provavelmente interpretando o silêncio de Subaru como um sinal de concordância, ela virou de costas com uma expressão de satisfação.

Seu longo cabelo prateado balançava junto aos movimentos da garota e, mesmo naquele beco escuro, aqueles movimentos davam um brilho comparável ao de contos de fada.

O apoio de Subaru subitamente desapareceu e ele rapidamente parou sua queda. Quando se virou, o corpo gigante do gato não estava mais lá, havia voltado à forma de gatinho do tamanho de uma palma que já havia visto antes. Voando pelo ar como um balão, ele virou-se para a garota.

“Desculpe por isso. Essa minha filha, ela não consegue ser honesta sobre coisas assim. Não a ache estranha por isso.”

Pronunciando essas palavras em um tom jovial, o gato gentilmente pousou no ombro dela. Ela afagou as costas dele como se estivesse confirmando a sua presença, este que depois desapareceu por dentro de seus cabelos.

Subaru seguiu o corpo atrativo da garota com os olhos enquanto ela ia embora e ele refletiu com atenção sobre o que o gato disse.

— A real motivação por trás das palavras e ações dela.

Parecia que roubaram dela algo muito importante e que ela estava perseguindo o criminoso. Depois, a garota viu um estranho sendo assaltado e, independente da sua situação, parou para ajudá-lo.

E acima de tudo isso, ela ainda gastou tempo curando e observando ele até que acordasse. Em seguida, repetiu a pergunta e forçou aquela pequena compensação para que ele não se sentisse em débito.

Aquilo estava muito além do nível no qual o gato poderia dizer que ela não era honesta sobre as coisas. Aquela foi a primeira vez em toda a sua vida que ele viu alguém tão absurdamente atenciosa.

Da perspectiva dela, não havia absolutamente nada a se ganhar falando com ele. Muito pelo contrário, além de perder seu alvo, gastou muito tempo ali o curando. Considerando isso, seria possível afirmar que na verdade suportou uma grande perda. Ela tinha todo o direito de criticá-lo e ele aceitaria tudo.

Mas, no fim, ela não disse nada, sequer exigiu um pedido de desculpas. Por quê? De acordo com ela mesma, era porque salvá-lo era tudo parte de seu plano egoísta.

“Se ficar vivendo desse jeito, você vai acabar perdendo tudo.”

Subaru levantou com aquelas palavras e deu uma sacudida em seu moletom todo sujo. A sujeira fez com que aquela peça de roupa se destacasse, mas ela não conseguiu bloquear nenhum dano sequer. E, mais importante do que aquilo, toda a dor da sua luta havia desaparecido por completo. Ele girou seus ombros e alongou suas pernas confirmando sua condição e novamente percebendo o quão absurda a magia era.

E também o quão anormal era aquela garota, tendo feito tudo aquilo por ele e não pedindo quase nada em troca.

“Ei, espera um pouco!”

Enquanto olhava para o ponto que conectava a rua principal com o beco, uma voz a chamou por trás. Alisando o cabelo com sua mão, ela se virou para o garoto com uma expressão de irritação.

“O que foi? Nós já dissemos tudo o que precisávamos, então não temos mais nada a tratar um com o outro. Somos simples estranhos cujos caminhos se cruzaram por um momento.”

“Não diga algo tão frio! E mesmo se você quisesse acabar com as coisas, acho que está muito longe de terminar.”

Ela o olhava friamente enquanto ele se aproximava quase como se fosse apegado a ela. Alguma parte da garota achou essa cena muito parecida à de um garoto perseguindo alguém que havia lhe dado um fora. Porém, ele a prensou, abrindo seus braços para bloquear a sua passagem.

“Aquela insígnia é importante para você, certo? Deixe-me ajudá-la a encontrá-la.”

“Mas você não…”

“É verdade que eu não tenho pistas sequer do nome, passado ou fetiches da culpada, mas ao menos sei como ela se parece! Uma pretty girl3Garota fofa. com dentes pontudos e um cabelo loiro marcante! Ela era mais baixa que você, além de ser uma tábua, talvez uns dois ou três anos mais nova, mas eu estava tipo, really4Sério.…?!”

Ele tinha o hábito de ficar tenso e falar extremamente rápido quando estava sem juízo, costume que claramente estava se revelando naquele exato momento. Francamente, até mesmo ele sentia repulsa disso.

— Surgiram alguns detalhes safados e desnecessários demais como peitos e fetiches. E usar palavras como “pretty girl” e “really”, mas que tipo de imagem ele estava querendo passar? Ele havia desistido das aulas de inglês no primeiro ano do Fundamental 25Por esse motivo, Subaru pode apresentar muitas vezes uma linguagem mais coloquial e informal..

No início do primeiro ano do seu Ensino Fundamental 2, ele havia se livrado do próprio livro de inglês durante as férias de verão e jurou nunca mais usar palavras estrangeiras desde então, enaltecendo sua política pessoal de isolamento nacional.

Então, como diabos ele poderia estar agora manchando seu vocabulário com expressões em inglês…

Parecia que Subaru estava prestes a embarcar em uma longa jornada de autorreflexão, cheia de tensão e arrependimento. Suas costas estavam encharcadas com suor frio e seus braços estavam num estado agonizante devido ao suor saindo das palmas de suas mãos e axilas. Ele sentia batidas frenéticas em seu coração, falta de ar, tontura, anemia, congestão nasal e dor de cabeça à medida em que levantava.

Ele havia se arrastado até uma beirada e o que o salvou foi…

“Você é um cara estranho.”

A voz da garota, o dedo descansando em seu lábio enquanto ela suavemente balançava a sua cabeça, como se estivesse olhando para algum animal exótico. Ela encarou-o como se o avaliasse, e então:

“Deixe-me esclarecer algo: não posso te oferecer nada em troca. Estou completamente quebrada. Veja bem, foi tudo roubado.”

“Relaxa, também estou quebrado.”

“Acho que isso não é exatamente algo para se gabar.”

Conscientemente ignorando as afirmações sem fim, Subaru bateu em seu peito com vigor.

“E eu não preciso de recompensa ou algo do tipo. Estou só te agradecendo.”

“Não fiz nada que mereça o seu agradecimento, você já me compensou por lhe curar.”

Ela se manteve teimosa até o fim.

A atitude obstinada da garota fez com que Subaru sorrisse um pouco mais enquanto continuava a insistir. Se ela achava aquilo, então:

“Estou te ajudando por vontade própria. Meu objetivo é, yeah, isso aí. Quero fazer algumas boas ações!”

“Boas ações?”

“Isso mesmo! Se você fizer muitas delas, irá para o céu quando morrer. É basicamente meu sonho de vida, sendo preguiçoso com tudo que eu quiser, sendo um indulgente para todo o sempre, é como se essa realidade estivesse logo ali, esperando por mim. É por isso que você tem que me deixar te ajudar.”

Ele realmente não entendeu o que estava dizendo sobre si mesmo, mas disse o que queria. O garoto olhou na direção dela como se tivesse completado um grande desafio, porém, ao contrário dele, ela parecia pensativa. Momentos depois, o gato no ombro da garota começou a cutucar a bochecha dela com a pata.

“Não sinto nenhuma malícia vindo dele, não seria melhor aceitar a oferta? Você não tem mais ninguém para ajudar e dificilmente conseguirá procurar sozinha por toda a capital.”

“Mas… eu…”

“Sua teimosia é sem dúvidas algo muito fofo, mas perder o foco no seu objetivo por causa disso seria tolice. Não quero pensar na minha própria filha como uma tola.”

O gato deu de ombros enquanto a provocava, fazendo com que ela franzisse as sobrancelhas. Os próximos segundos foram preenchidos por momentos estranhamente eróticos de “Ahh, é que”, “Hmm” e “Mas é que, no fim…”

“Realmente não consigo te oferecer mais nada, sabe.” Ao ouvir aquelas palavras, ela pegou a mão que ele estendia.

 


 

Tradução: Equipe Pleiades

Revisão: Equipe Pleiades & Sonny Nascimento (Gifara)

QC: Milady

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