O Caçador Imortal de Classe SSS

O Caçador Imortal de Classe SSS – Vol. 12 – Cap. 287 – O Quinquagésimo Andar (1)

 

A grande estreia da apresentação do Rei Paladina Negro terminou em um fracasso absoluto. A Paladina cobriu o rosto para esconder seu desespero.

— Isso não pode estar acontecendo…

Talvez ela tivesse praticado a peça Fogo da Caverna com muita diligência no último mês. Cada gesto e movimento era excessivamente teatral. A pose da Paladina era basicamente uma obra de arte intitulada Desespero. Infelizmente, era o tipo de obra que não valeria um centavo. Só depois que o criador estivesse enterrado em um caixão o preço dispararia.

A Paladina riu, embora não houvesse humor por trás disso. 

— Eu só queria me apresentar novamente… talvez tenha sido gananciosa demais.

A seus pés, estavam espalhadas cartas de papel com desapontamentos, como folhas de uma árvore de ginkgo. Era uma salada de malícia misturada com maldições e desprezo.

— Isso é o pior.

— Não sei que pecados meus ouvidos cometeram em sua vida passada para merecer ouvir esse tipo de apresentação.

— Vou me aposentar agora, Kim Gong-Ja. Não, não quero dizer que vou me aposentar como musicista. Quero me aposentar de ser uma Caçadora e um ser humano…

Uuuuh?

— Sim, como eu esperava, o público ignorante não nos entende.

Eu me virei rapidamente. 

— Mestra do Dragão Negro?

— Os humanos são todos lixo. Eles nem se lembram do que fizeram. São animais que se alimentam do seu passado como se fosse sua própria carne… Haha. Realmente precisamos nos sacrificar por esses animais, Gong-Ja?

Os olhos da Bruxa Negra brilhavam perigosamente. Como esperado da Mestra do Dragão Negro, Anastasha parecia ter verdadeiramente abraçado a escuridão1Gong-Ja está descrevendo-a como uma chūnibyō. O símbolo de chūnibyō é um dragão negro na Coreia por causa de Love, Chunibyo & Other Delusions.. Ela riu como se fosse a mente por trás das cortinas. Ouvir isso de perto enviava arrepios pela minha espinha.

— Rei da Morte! Você não é mais meu mestre! — anunciou o Inquisidor com um sorriso.

Não, ao olhar mais de perto, ele não era o Inquisidor. Era um Corgi galês loiro com o penteado do Inquisidor. Em outras palavras, ele era um cachorro, ofegante e abanando o rabo.

— Nasci com a missão de guiar a humanidade inferior! Au! Agora entendo por que os deuses do universo têm sussurrado para mim incessantemente. Sou o salvador prometido! Não se preocupe, Au! Rei da Morte, você será colocado em uma gaiola especial e receberá três refeições de jerky de carne premium! Auuuu!

— Por que raios você está latindo? — Eu coloquei a mão na testa. — Ah, porra, você está literalmente latindo.

Oi, oi, Rei da Morte.

— O que é, Rao Fan? Espera, por que você está segurando minha Brilhinho? E por que caralhos  você está corando?

Ah, é embaraçoso para mim dizer isso, mas…

[Brilhinho declara que ela falará.]

Brilhinho era realmente brilhante. Eu tinha dado um nome e tanto para minha espada.

[Brilhinho diz que ela e Viper começaram a namorar.]

Perdão?

[Brilhinho canta que, após confirmar que seu antigo mestre está seguro e ver que o atual mestre está feliz com sua parceira, ela também quer encontrar sua própria felicidade.]

[Brilhinho murmura que, um dia, o guerreiro melancólico chamou sua atenção. Isso a fez decidir que ele deveria ter uma espada como ela ao seu lado.]

— Sinto o mesmo, sabe? A tradição de heroínas presas dentro de espadas é antiga. É uma pena que esta espada não seja uma katana renomada por sua excepcional afiação, mas isso também faz parte da vida cotidiana que tenho que suportar.

— Que porra — murmurei.

O Viper estava sendo Viper. Brilhinho, que tinha pelo menos dez mil anos, estava agindo como uma adolescente que se apaixonou pela primeira vez, mas ela era… uma espada. Era impossível para mim determinar quem era mais problemático. Será que nenhum deles era? Talvez eu fosse a pessoa verdadeiramente problemática por pensar nisso. Será que o universo estava cheio de pessoas problemáticas, e eu, sozinho, era o são?

Pelo menos, era evidente que o Inquisidor Corgi galês era um cachorro. Ele ainda estava esfregando a bochecha nas minhas calças e abanando o rabo entusiasticamente enquanto latia.

Minha vida era problemática?

Droga.

Eu virei a cabeça para ver o Guardião parecendo que toda a vida tinha sido sugada dele.

— Ei, ei! Sim, sou um fantasma que tem que assistir a todo tipo de loucura, mas que porra. Por que tenho que presenciar todos os seus sonhos malucos com você também? Hein? Acorde, Zumbi! Levante sua bunda agora mesmo!

— Por quê? Acho que é engraçado. Se você não gosta dos meus sonhos malucos, pode me dar outras ideias.

— Seu desgraçado demoníaco… Espera, sinto muito. Sinto muito. Zumbi… não, Gong-Ja. Senhor. Gong-Ja, me desculpe! Não me arraste para o seu sonho insano! Para! Eu não danço assim! Para com essa merda!!!!

Agora que eu tinha minha dose dos gritos do Guardião, era hora de começar o dia.

 

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— Sério, apenas suba para o quinquagésimo andar logo! Não vou te ajudar de jeito nenhum e vou assistir você levar uma surra! Você ficou tão arrogante porque conseguiu derrotar o Assassino de Constelações uma vez. Isso foi pura sorte! E o quinquagésimo andar não é brincadeira. Entendeu? Não venha chorar e se agarrar na minha perna quando chegar lá depois. Não vou te dar uma única palavra de conselho.

Qual é. Você é adulto. Não fique emburrado.

— Reflita sobre seus sonhos problemáticos pelo menos uma vez! Isso não é algo que acontece de vez em quando! Você os tem todos os dias!

Ignorando as reclamações do Guardião, desci as escadas. No porão, encontrei a Paladina sentada em uma cadeira. Ela estava totalmente armada, mas tinha tirado as luvas e estava mexendo no celular. 

— Ah, você acordou, Gong-Ja.

— Sim. Bom dia, Patricia.

— Na hora certa — disse a Paladina com um sorriso, enquanto segurava o celular. — Estava esperando você descer. Olhe isso. É incrível.

— O quê?

— Nossa peça Fogo da Caverna. O que mais poderia ser? Estamos começando a receber reações da nossa última apresentação.

Ah.

De repente, lembrei do sonho que tive hoje. As memórias sobre a Paladina dizendo que se aposentaria porque havia falhado na apresentação invadiram minha mente. Uma inquietação se instalou em meu coração sem motivo.

Eu me aproximei para olhar a tela do celular dela. 

— Como está? As reações estão boas?

Enquanto a Paladina rolava a tela, títulos em fontes grandes passavam rapidamente. Ela não conseguia conter sua alegria. 

— É incrível! A internet está enlouquecida! O mundo exterior está maravilhado com nosso novo tipo de apresentação. Dá para acreditar? Produtores renomados não param de me enviar e-mails.

Whoa.

Felizmente, parecia que o sonho que tive era apenas uma bobagem. Me senti aliviado e comecei a ler os títulos dos artigos um por um.

“Peça Fogo da Caverna: Um gênero de dança que transcende limites físicos.”

Dançarinos, diretores e performers são um só!!”

“Maestro alemão: ‘Este é o jazz da dança.’”

“Um festim de aura que muda a cada apresentação.”

“A Torre agora está tentando transcender o velho mundo na arte?”

As reações eram fogo.

Os cantos da boca do Paladina se curvaram em satisfação. 

— Teve até um artigo especial sobre nós. Sério, quando eu tocava jazz, ninguém prestava atenção, mas agora estão fazendo um alvoroço. É agridoce…

— Aaaaaaaaaargh!

Um grito ecoou do outro lado do porão. A Paladina olhou na direção do som, e eu segui seu olhar. Lá, uma porta de prisão com barras de metal estava de pé. Felizmente, o grito durou apenas um momento. Voltamos ao telefone como se nada tivesse acontecido.

— Uaaaau. — Eu disse. — Eu meio que esperava por isso, mas é realmente incrível. O Passado? Tiames? Esses não são jornais realmente famosos?

— Eles não são apenas famosos. Você é muito alheio ao que está acontecendo no mundo? Tanto Anastasha quanto eu ficamos acordadas a noite toda verificando as reações online.

— Percebi o quão vaidoso isso era… Cuidado. Ver as reações de outras pessoas pode ser um vício por si só.

Ela riu. 

Ummmmm. Sim, claro, estou ciente. Mas é difícil resistir à atenção que recebo como artista, não como a vice-líder da Liga dos Vigilantes. Olhe cada um desses comentários; cada um deles é como uma droga.

— Você terá que se acostumar com isso de agora em diante, Grande Diretora e Produtora. Isso se tornará sua rotina diária.

Haha. O líder da guilda do Rei Paladino Negro está ficando melhor em bajular dia após…

Aaaaaaaah!

Novamente, um grito ressoou. Continuamos trocando gentilezas sem prestar atenção a isso. No entanto, dessa vez, os gritos foram mais persistentes. Não pararam tão rapidamente quanto antes e continuaram.

— Para! Por favor, me poupe!

— Para com isso agora! Aaaah!

— Para, por favor! Chega… não aí…

— Eu vou contar tudo, tá? Vou contar tudo! Por favor, não me deixe sozinho!

— Você sabe quem eu sou? Ah, é só esperar para ver. Quando eu sair daqui…

Continuamos brincando, fingindo que nada estava acontecendo ao nosso redor. Após cerca de cinco minutos, os gritos diminuíram. Enquanto isso, deixamos jornalistas e críticos anônimos online alimentarem nossos egos com entusiasmo. Quando nossos egos estavam tão cheios que quase vomitaram, Paladina e eu percebemos que era idiota confiar nosso valor próprio a esse pequeno celular.

Clink.

Naquele momento, a porta de barras de metal se abriu, e a Bruxa Negra emergiu de trás dela.

— Bom dia… Huh? O quê? Você também está aqui, Kim Gong-Ja?

Eu acenei. 

— Sim, bom dia. Conseguiu alguma coisa?

— Bem… mais ou menos. Sinto que já consegui todas as informações que poderia obter.

A Bruxa Negra bocejou e caminhou lentamente em direção a uma pequena prateleira de despensa no canto do porão. Suas mãos tremiam enquanto ela mexia no filtro de café.

Ah, apenas sente. Eu faço para você — disse a ela.

— Sim… obrigada.

A Bruxa Negra parecia exausta. As olheiras sob seus olhos eram tão notáveis que parecia que ela não tinha dormido a noite toda. Ao se sentar na cadeira que eu ofereci, ela suspirou de alívio.

— Essa é a coisa boa sobre homens casados. Consideração e boas maneiras estão embutidas neles. — Ela murmurou.

— Isso é um estereótipo, Anastasha. Nem todos os homens casados são assim. Eu sou assim atencioso porque esse é o tipo de homem que sou.

Uau, quê? Você está muito cheio de si.

— Por exemplo, sei que você gosta de latte de avelã. Sei até que gosta quente e com um shot extra. Em vez de fazer um Americano, vou preparar um latte de avelã para você. Qual foi, fique impressionada.

A Bruxa Negra tomou um gole do latte.

Huh? Você por acaso é um anjo extremamente arrogante? Nossa, está delicioso. A propósito, você estava certo.

Eu assenti. 

— Como esperado, havia traidores.

— Sim, havia um grupo herético à espreita dentro do Dragão Negro e do Panteão. — Anastasha puxou um caderno velho. — O nome oficial é Sociedade da Torre da Bênção. É uma sociedade secreta que acredita que a Torre de Babel foi um milagre divino e que a humanidade deve responder a esse milagre purificando a Torre.

— O que esse processo de purificação implica?

— É a maneira mais sofisticada deles de dizer “terrorismo”. Bem, são delirantes. Dois executivos e onze membros regulares da guilda estavam agindo sob o radar. Não é muito, mas se não os tivéssemos notado agora, o grupo deles provavelmente teria crescido em tamanho.

Eu recebi o caderno de Anastasha e folheei seu conteúdo.

A Torre de Babel caiu uma vez, e Deus nos deu outra chance com a Torre para alcançar o céu.”

Deus nos ordenou que abandonássemos o mundo exterior já contaminado e construíssemos um novo reino dentro da Torre. Então, com toda a nossa fé, devemos trazer sua bênção a este lugar.”

Aqueles que governam a Torre não são nada além de demônios. Expulsar esses falsos governantes é…”

Eram sussurros de fanatismo. A escrita no caderno era como um rabisco, mas o final de cada frase tinha impressões digitais manchadas, revelando quantas vezes seu dono o leu cuidadosamente.

Eu engoli em seco. 

— Beleza.

No mundo hipotético que a Mestra da Torre me mostrou, a Bruxa Negra havia morrido por causa dessa sociedade secreta, com o Inquisidor tendo um destino semelhante. Depois que escapei daquele lugar, me perguntei se esse grupo já havia começado a agir, então isso me levou a investigar informações sobre eles discretamente.

— Estou feliz por termos descoberto agora.

Premonições tendiam a estar certas. Muitas pessoas estavam insatisfeitas com o sistema atual, no qual as Cinco Guildas detinham o poder. Uma mistura de crenças fanáticas e loucura espreitava dentro das guildas como um tumor maligno.

Não! Chega! N-não me mande para lá! Não me deixe sozinho!”

Os fanáticos agora estavam presos em suas prisões subterrâneas, gritando por misericórdia.

A Bruxa Negra balançou a cabeça. 

— Os Concubi facilitaram os interrogatórios. Não precisei derramar sangue. Nos velhos tempos, alguns caras já teriam perdido a cabeça.

— Quão aterrorizantes são os sonhos deles para gritarem assim? — perguntei.

— Não tanto. Eles são apenas jogados em um horizonte branco sem nada e deixados lá por cerca de trinta dias de tempo de sonho.

O quê? Quando olhei para o lado, a Paladina também balançou a cabeça em descrença. Embora todos nós tivéssemos um talento para atormentar os outros, a Bruxa Negra era imbatível.

Anastasha colocou a xícara de café na mesa. 

— De qualquer forma, graças a você, consegui organizar minha casa. Obrigada. Quero perguntar como você descobriu, mas isso não é importante, então não vou. O que importa é que eliminamos um fator de risco.

— Isso mesmo — respondi.

— Okay, Sr. Líder.

Os gritos ecoaram novamente de além da porta de metal. A Mestra do Dragão Negro entrelaçou as mãos e descansou o queixo sobre elas, me encarando. 

— Os traidores e fanáticos foram lidados. As pessoas do mundo estavam tão absortas na peça Fogo da Caverna que ninguém notou. O que nosso líder está planejando após uma limpeza tão perfeita?

Eu fechei o caderno.

— Só resta uma coisa a fazer. Vou subir para o quinquagésimo andar amanhã.

 


 

Tradução: Rlc

Revisão: Pride

 

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