O Caçador Imortal de Classe SSS

O Caçador Imortal de Classe SSS – Vol. 11 – Cap. 270 – O Leão Branco (3)

 

Eu desviei os olhos do belo submundo cinzento e olhei para Uburka. 

— Conheço alguém que pensa assim.

— O quê?

— Conheço alguém que pensa assim — repeti.

A Mestra da Torre sentia que tudo era sua responsabilidade. Bem, na verdade, ela fez com que tudo fosse sua responsabilidade.

— Mas eu não sou ela — disse calmamente.

Kieeeeeeeeee…

Em uma montanha rochosa distante, uma besta branca estava de pé, altiva. Seu rugido atravessava a névoa. Pequenas criaturas verdes, com medo da besta, podiam ser vistas se aglomerando ao seu redor.

Gorrr…

Elas se agarravam à base das rochas, aparentemente incertas se deveriam escalar até onde a besta estava ou permanecer onde estavam.

Eu levantei minha espada. 

— Decidi seguir um caminho diferente dessa pessoa. Claro, vocês têm o direito de me culpar. Os erros que cometem, as maldições que ouvem, vocês podem pensar que tudo isso é minha culpa por ter escolhido como minha espécie. Eu os trouxe a este mundo aparentemente sem motivo e os criei. Talvez seja assim que se sentem. Tudo bem me culpar, mas… Voltem quando se tornarem mais fortes que eu. Se conseguirem se tornar mais felizes do que eu os fiz, então venham me enfrentar!

Com uma risada, balancei a Espada Sagrada. Brilhinho, a Deusa da Proteção, brilhou intensamente, fazendo jus ao seu nome. As nuvens escuras e cinzentas foram cortadas ao meio, e o céu azul apareceu através da fenda.

— Se vocês conseguirem se tornar mais adoráveis, legais, inteligentes e belos do que eu os fiz, então, claro, admitirei com prazer meu fracasso como pai! Até lá, eu sou o papai mais forte de todos! — Apertei minha mão direita. — Estelle!

— Sim, Patriarca.

Estelle já estava ajoelhada ao meu lado. Ela estava aguardando em algum lugar fora da sala de espera dos Caçadores para aparecer sempre que eu a chamasse.

— Eu, Estelle, estou aqui como sua conselheira, Mestre.

— Está chovendo. Não parece um pouco precário? — Eu sorri.

Estelle olhou para cima. Apesar das gotas de chuva condizentes com a estação chuvosa da região, ela parecia indiferente, como se estivesse olhando para uma garoa caindo nas ruas do seu bairro.

— Sim, está.

Eu ri e estendi minha mão direita. 

— Limpe isso!

Com um sorriso, Estelle segurou minha mão com força. 

— Sim, Mestre.

A aura ressoou de nossas mãos entrelaçadas. Não era apenas que a aura vermelha e preta se misturava e se tornava mais forte. Nós circulávamos a aura dentro de nós como um só, tendo a mesma imagem em mente. Imaginamos um aguaceiro sangrento que havia caído sobre um continente.

Artes da Fórmula do Céu Demoníaco.

Forma Extra:

Chuva Radiante do Céu Trágico.

Choveu.

— O medo primordial de vocês era tão terrível assim, Terras? — Estelle questionou meus filhos.

Choveu.

— O céu daqueles dias, quando vocês não sabiam de nada, parecia sombrio? É por isso que apenas pressentimento e inquietação se agitavam em seus corações, deixando-os tão assustados que não conseguiam sair de suas cabanas?

Choveu.

— Vocês não precisam mais temer isso! — Ela gritou.

Choveu. O ressentimento dos aldeões que foram injustamente queimados até a morte e os gritos de inúmeras mortes no Império estavam contidos na chuva vermelho-brilhante que caía na forma das Artes da Fórmula do Céu Demoníaco dos Asuras.

Drip!

Gotas de sangue perfuraram a névoa espessa e alcançaram o chão.

Drip!

Antes que a névoa pudesse se restaurar, outra gota de sangue caiu, devorando a névoa sem piedade.

Drip!

Drip! Drip! Drip!

Drip! Drip!

Drip!

Drip! Drip! Drip!

— Os horrores que vocês estão prestes a enfrentar são ainda mais terríveis! — gritou Estelle.

A névoa não conseguia resistir à chuva de sangue. As gotas de chuva explodiam, diminuíam, esmagavam e rasgavam a névoa em pedaços. Quando a forma dos Asuras foi destruída, o chão foi revelado, desprovido de qualquer mistério ou magia.

— Construímos essa forma com todas as nossas forças…

— Inacreditável, ugor. Nossa aura coletiva deveria tê-los dominado.

Quando o chão nu foi revelado, os Terras também foram; eles estavam em pânico. Provavelmente planejavam se esconder na névoa e, usando a baixa visibilidade a seu favor, me atacar com espadas e machados. No entanto, falharam antes mesmo de conseguirem fazer qualquer coisa.

Com o peito erguido, eu disse: 

— O quinquagésimo andar da Torre e acima estão cheios de lutadores magistrais de todo o universo. Vocês não acham que todos eles serão como eu e meus colegas, acham? Conversamos com vocês e nos entendemos. Mesmo agora vocês lutam contra mim, não porque não gostam de mim, mas porque querem um final emocionante.

A chuva de outono de Estelle já havia derretido toda a névoa. Meus filhos estavam me olhando.

— Mas aqueles no quinquagésimo andar serão diferentes. — Eu disse. — A Princesa disse que as missões de cada Torre são diferentes, mas a partir do trigésimo andar, elas são geralmente semelhantes. Para aceitá-los como iguais e valorizá-los como filhos, nós, Caçadores, primeiro temos que aceitar todos vocês como pessoas reais. Não como NPCs ou habitantes de masmorras ou algo assim, mas como seres vivos.

Quantas Torres teriam essa mentalidade pronta? Na época em que a Bruxa Negra era a segunda na hierarquia, as pessoas consideravam a Torre como algum tipo de jogo.

— Quantos outros Caçadores vocês acham que exterminaram suas próprias espécies e limparam o quadragésimo andar?

Enquanto pensava nos quatorze Asuras que haviam caído para o Imperador das Chamas antes da minha regressão, olhei para as centenas de milhares de Asuras agora reunidos diante de mim.

— Se houvesse uma Torre assim, isso significa que há pelo menos dezenas de milhões de Caçadores que vivem lá. Com dez Torres assim, isso significa centenas de milhões de Caçadores. Se houver cem Torres, haveria dezenas de bilhões de Caçadores. Todos eles estariam de pé sobre incontáveis cadáveres.

Antes que eu percebesse, os vassalos do Clã do Rei da Morte haviam se reunido ao meu redor. Kim Yul olhou para baixo enquanto amarrava seu longo cabelo com a presilha que eu havia dado a ele, enquanto Sylvia Evanail juntava as mãos à sua frente e ficava quieta e obediente. Eles não se importavam com os olhares de milhões de pessoas os olhando.

A chuva de outono de Estelle nos encharcou a todos.

— Esses Caçadores não veem vocês como pessoas — continuei. — Eles matarão os outros antes que suas vítimas possam sequer gritar.

Vapor saía dos ombros dos Terras. Sua pele exsudava o calor de seus corações. Meus filhos, meus tesouros que estudaram a doutrina do Culto Demoníaco e dançaram nas peças Fogo da Caverna, sabiam melhor do que ninguém do que eu estava falando.

— Esses caras se chamarão pomposamente de vencedores.

Como o Imperador do Fogo costumava fazer.

— Um enxame de fãs adorará esses caras como heróis.

Como eu costumava fazer.

— Vocês os encontrarão no mundo além do quinquagésimo andar.

Levantei a mão e apontei para o céu vermelho. Se isso não era o inferno, então onde estava o inferno?

[A missão está em andamento.]

[Os Sanguinatos começaram a votar.]

A Bruxa Negra aterrissou sem fazer nenhum som. Ela ficou bem ao meu lado, encarando impassivelmente o mundo sangrento.

— O Rei da Morte está certo.

— Anastasha…

— É difícil ver isso como nossa culpa. Os lobos que aparecem nos terrenos de caça são chamados de monstros. Se você ler os nomes das pessoas no Império Aegim com uma Habilidade de leitura de mentes, elas são marcadas como NPCs. Bem, isso pode ser porque o Império Aegim já foi destruído e restaurado.

Os cantos dos lábios da Bruxa Negra se curvaram, formando menos um sorriso e mais um escárnio.

— As pessoas cometem assassinatos mesmo sem motivo. Se nada as impede de matar, então é como dar a elas um passe livre para um massacre. Se o Rei da Morte está certo e o mundo além do quinquagésimo andar é um campo de batalha para todos os conflitos das Torres, então seria mais difícil encontrar alguém lá que não seja um assassino.

A Bruxa Negra virou a cabeça. Morcegos estavam pendurados nos galhos das exuberantes palmeiras.

— Desculpe por atrapalhar toda vez que vocês tentaram conquistar o continente, apesar de ser sua mãe, mas este universo é maior do que vocês pensam. Há mais inimigos que vocês têm que enfrentar do que podem imaginar. Claro, haverá monstros que vocês não podem derrotar. Vocês observaram as outras espécies por milhares de anos. Os Terras nunca os trairão primeiro, nem os Fingills e os Skians. Agora, até os Cascomontes e Sylvans não têm motivo para virar as costas para vocês. Crianças, sua missão não deveria ser lutar contra essas espécies inocentes pela hegemonia neste pequeno continente. Em vez disso, unam-se e lutem contra os inimigos que ameaçarão seu mundo.

A Bruxa Negra sorriu gentilmente. Os morcegos bateram suas asas.

[Todos os votos foram contados.]

[Porcentagem de votação da Escolha 2: 02,45%]

[Porcentagem de votação da Escolha 1: 97,55%]

[O quadragésimo terceiro andar foi concluído!]

— Compartilhamos uma aliança de sangue — disse a Bruxa Negra suavemente.

Nós conquistamos até o quadragésimo terceiro andar, superando em muito o andar mais alto alcançado antes da minha regressão, o quadragésimo andar. Os cenários que derrubaram até o Imperador das Chamas e a Bruxa Negra estavam sendo concluídos um a um, mas isso não era tudo.

[A missão está em andamento.]

[Os Concubi começaram a votar.]

Huh?

Eu pisquei e me virei para a Bruxa Negra. Os Concubi não estavam originalmente incluídos nas espécies que cuidávamos.

Ela encontrou meus olhos e sorriu levemente. 

— Gong-Ja, às vezes você pensa muito levianamente de mim.

— O quê?

— Há outros que estão correndo por aí tentando conquistar os andares. Não é só você. Eu te disse que usei todos os meus pontos de espécie da última vez tentando recrutar os Concubi, então não tive escolha a não ser ser eliminada. Você já pensou por que alguém como eu arriscaria ser eliminada?

[Contagem concluída.]

[Porcentagem de votação da Escolha 2: 00,00%]

[Porcentagem de votação da Escolha 1: 100,00%]

Minha mandíbula estava no chão. 

— Nem uma única objeção…

— Bem, digamos apenas que consegui assinar alguns contratos com sucesso. Mesmo sendo amigos, temos que respeitar a confidencialidade de nossos contratos. Certo? — perguntou a Bruxa Negra com uma piscadela.

[O quadragésimo quarto andar foi concluído!]

Haha.

Eu sorri de volta para ela antes de me virar para meu filho.

— Uburka, como você pode saber, eu não acho que escolher sua espécie foi um erro. Mesmo que eu nascesse de novo ou voltasse ao momento em que escolhi vocês, eu ainda os escolheria e criaria novamente. Vocês são meus melhores filhos, assim como eu sou o melhor pai para vocês.

— Eu sei, ugor — disse Uburka com um aceno. — Eu sei, Papaizinho, mas…

Eu sorri. 

— Você acha que meu fardo é muito pesado? Quer aliviar o fardo? É por isso que me desafiou para um duelo? Para que possam lutar ao meu lado? Bem, não há necessidade disso. Assim como eu sou o mundo inteiro para vocês, vocês são tão valiosos quanto o mundo inteiro para mim. Vocês veem e sentem o mundo da mesma forma que eu. Somos pessoas do mesmo universo.

Eu segurei a mão de Uburka e olhei para os Terras alinhados atrás dele.

— Meus queridos amigos, além do quinquagésimo andar, haverá pessoas que não tiveram a sorte que tivemos. Alguns nos considerarão sortudos e tratarão tudo isso como um mero jogo para se tornarem tiranos e monarcas – um mero jogo para ganhar uma vida de prazer.

[A missão está em andamento.]

[Os Terras começaram a votar.]

— Vamos lá.

[Contagem concluída.]

— Em nome do Céu Demoníaco, com a dança e as chamas do Fogo da Caverna.

[Porcentagem de votação da Escolha 2: 00,00%]

— Vamos mostrar a eles quem somos. — Eu disse.

Uburka permaneceu quieto, mas seu silêncio não era assustador. Essa era sua maneira de concordar comigo. Suas presas sempre foram afiadas, então não demorou muito para ele mastigar e digerir minhas palavras.

— Você matará pessoas que merecem morrer, Papaizinho? — Ele perguntou.

— Vamos salvar aqueles que merecem viver.

— Como podemos saber quem deve viver e como eles viveriam uma vida plena?

Eu tirei minha adaga e bati em seu cabo envolto em fita. 

— Com minha morte. E com a vida dessa pessoa.

— É assim? — murmurou Uburka, assentindo. Ele silenciosamente agarrou a mão com a qual eu segurava minha adaga.

[Porcentagem de votação da Escolha 1: 100,00%]

[O quadragésimo quinto andar foi concluído!]

Eu acariciei o braço de Uburka. 

— Está tudo bem. Somos mais fortes e mais capazes do que os de qualquer Torre. Conseguiremos salvar inúmeros mundos e pessoas.

Eu olhei para baixo. A partir de agora, meus filhos ajudariam outros que estão no fim de suas forças, e todos os chamariam de Asuras. Um dia, eles se tornariam Demônios Celestiais.

Estendi a mão para meus filhos. 

— Subam a Torre comigo.

 


 

Tradução: Rlc

Revisão: Pride

 

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