Lentamente, o Inquisidor se ajoelhou.
— Me desculpe. Eu estava errado.
Os Cascomontes o observaram de longe, ofegando de surpresa. Descobrir a verdade não apagava o fato de que eles haviam adorado o Inquisidor – uma entidade transcendente que cuidou deles desde o início dos tempos e um pai que lhes concedera tanto vitórias quanto fracassos – por um tempo muito longo. O mesmo deus agora se ajoelhava diante deles.
— Estou muito ciente de que estou longe de ser normal. Bem, eu me vejo como normal, mas todos os outros discordam, especialmente o Rei da Morte. Então… talvez eu não seja. Mas ser um psicopata pode descrever bem, como você mencionou antes!
Saimeslam fez uma pergunta em nome de todos os Cascomontes.
— Como? Como você se tornou um psicopata?
— Não há nada de único na minha história. A máfia me sequestrou quando eu tinha cerca de três anos. Não sei se me levaram porque meus pais não conseguiram pagar suas dívidas ou se escolheram uma criança útil no orfanato. Já matei todas as pessoas que poderiam responder essas perguntas. Fui ensinado a matar pessoas, a mantê-las vivas e a encantá-las. Às vezes, desmantelava um homem de aço em centenas de pedaços de ferro para torná-lo meu subordinado. Aprendi isso observando organizações desmoronarem por dentro depois de serem destruídas por forças externas. Isso é tudo o que sei. Era inevitável que eu me tornasse assim.
O Inquisidor suspirou. Sua expressão se iluminou quando ele se virou para Saimeslam.
— Pensei que não deveria ensinar essas coisas a vocês!
— Por quê?
— Bem, essas são minhas habilidades mais fortes, mas eu não queria que vocês levassem uma vida como a minha. Se muitas pessoas como eu vivessem na Torre, isso seria bem problemático. Um de mim é suficiente.
O Inquisidor sorriu amplamente.
— Mas eu não podia simplesmente não ensinar nada a vocês. Cascomontes, este mundo não é fácil, é genuinamente assustador. Mesmo que vocês não fizessem nada de errado, isso não impede que outros os ataquem ou sequestrem. Tome o que aconteceu comigo como exemplo. Eu tinha que criá-los para serem fortes.
O Inquisidor havia avançado a civilização dos Cascomontes usando todo o seu conhecimento.
— Não há ninguém em quem vocês possam confiar, não importa o quê. Bem, há algumas exceções. Milagres raros que acontecem uma vez na vida e dependem inteiramente da sua sorte. Então, esqueçam de encontrar alguém assim. Esqueçam tudo isso. Aprendam a controlar os outros antes que eles se voltem contra vocês.
O Inquisidor havia capturado todas as espécies restantes e as escravizado. Para evitar que traíssem os Cascomontes, eles foram trancados em cavernas divididas em centenas de seções isoladas. Os guardas nas torres de vigia sempre observavam os escravos.
— Então, não haverá necessidade de temer este mundo. Sinto muito por ser um psicopata. Sinto muito por ser seu pai.
Um silêncio pesado envolveu a selva. Saimeslam olhou lentamente para cima e encarou o Inquisidor.
— Pai. Kukra.
— Sim.
— Você é um psicopata, mas ainda assim tentou ensinar apenas as coisas mais racionais e valiosas sobre você.
— Isso mesmo.
— Mesmo que não tivesse muito com o que trabalhar, você fez uma casa com tábuas e uma rede para o telhado. Era tão frágil que o vento e a chuva poderiam tê-la destruído facilmente. Ainda assim, você tentou construir a melhor casa para nós, não foi?
— Sim, eu fiz.
— Tudo bem.
Saimeslam relaxou. Ela segurou o cabo da grande espada cravada no chão.
— Você tentou nos ensinar suas melhores habilidades e esconder seus piores traços de nós. Você nunca pediu que entendêssemos.
“Eu… só espero que vocês se tornem pessoas melhores que eu.”
— Você apenas… fez o seu melhor para cuidar de nós. Você tem muitos defeitos, mas não quero amaldiçoá-lo ou questioná-lo por nos trazer a este mundo e nos criar.
Saimeslam retirou sua grande espada do chão e a apoiou em seu ombro e concha.
— Estou feliz por tê-lo como meu pai.
Ela riu. A Cascomonte, que fez história como a primeira presidente não-Terra do Conselho de Água e Fogo, reinava há várias décadas. Ela frequentemente era inexpressiva. Mesmo quando ria, parecia que estava zombando dos outros em vez de estar genuinamente se divertindo. No entanto, agora ela sorria brilhantemente.
— Talvez eu esteja um pouco feliz agora. Aprecio que você tenha se desculpado. Muito obrigada, Pai.
[A missão está em andamento.]
[A votação dos Cascomontes começou.]
[Escolha 1: Gostei da sua orientação.]
[Escolha 2: Não gostei da sua orientação.]
Vaga-lumes iluminaram a selva. Ao olhar mais de perto, os Cascomontes perceberam que não eram vaga-lumes de verdade. Eles se agarravam aos troncos das palmeiras. Alguns observavam do topo das árvores. Outros se escondiam na parte sombreada da selva e ouviam a conversa entre Saimeslam e o Inquisidor.
[Os votos estão sendo contados.]
Uma luz azulada emanava dos Cascomontes e voava para o céu. De longe, as bolas de luz pareciam vaga-lumes. Centenas, milhares, dezenas de milhares de “vaga-lumes” varreram as palmeiras e a selva, subindo para o céu noturno. Eles brilhavam, dando a ilusão de que flutuavam no meio de uma galáxia, não de uma selva.
Uma pequena voz ecoou na floresta da galáxia.
[Todos os votos foram contados.]
[Porcentagem de votação da Escolha 2: 22,5%]
[Porcentagem de votação da Escolha 1: 77,5%]
[A Escolha 1 obteve a maioria dos votos.]
O Inquisidor olhou para o céu noturno onde a galáxia girava em azul e verde. Vaga-lumes dançavam, a luz das estrelas caía, tirando seu fôlego.
— Estou feliz por tê-lo como meu pai.
Talvez o que Saimeslam acabou de dizer tenha abalado o Inquisidor profundamente. Enquanto o Inquisidor estivesse ao meu lado, eu descobriria em algum momento.
[O quadragésimo andar foi concluído!]
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Um Sylvan deu de ombros. Ela não era a única.
— Você está certa. Dinheiro é tudo.
— Isso é verdade.
— A vida sem dinheiro é terrível.
— Podemos não ser legais, mas temos dinheiro.
Os Sylvans pareciam bastante entusiasmados em concordar com esse fator. Antes da minha regressão, eles costumavam ser fanáticos sanguinários sob o reinado do Imperador das Chamas. Agora, eram fanáticos, apóstolos e pregadores do ouro onipotente.
Hmm. Essa espécie tem alguns problemas sérios…
— Mãe, suas palavras são tão profundas que não podemos refutá-las. Para ser honesto, estávamos apenas curiosos sobre o que você estava pensando quando nos fez avarentos mesquinhos.
A Condessa riu.
— Fico aliviada por parecer ter satisfeito sua curiosidade. Se vocês soubessem quanto custa falar comigo, ficariam ainda mais gratos. Afinal, cada segundo é dinheiro para mim. Bem, como estive observando e criando vocês como se fossem meus filhos biológicos, oferecerei um desconto parental e não cobrarei dessa vez.
Os Sylvans curvaram-se graciosamente.
— Sempre apreciamos descontos. Obrigado.
— Agora que você não está nos cobrando pelos segundos que passamos conversando, queremos fazer outra pergunta.
— Quem ensinou vocês a serem tão econômicos? Claro, podem perguntar.
— Por que você ainda está tão desesperada para ganhar dinheiro?
A Condessa piscou. Os Sylvans piscaram de volta em resposta.
— Hmm. O que vocês querem dizer?
— Você disse que o dinheiro facilita muitas coisas, Mãe. Se você quer aprender música, pode seguir esse sonho desde que possa pagar seu tutor e comprar um instrumento. Isso se aplica a muitos sonhos. Você pode até contemplar sua vida no conforto de sua casa luxuosa. Concordamos totalmente com isso.
— Mas?
Os Sylvans inclinaram a cabeça.
— Por quanto tempo você vai fazer isso? Parece que você já tem muito dinheiro. Não pode simplesmente viver tranquilamente sem se preocupar com ele? Você já pode viver qualquer vida que quiser, certo?
— Por que você quer ganhar mais dinheiro?
— O que você está planejando?
— O que você quer fazer com sua vida?
— Quais são seus sonhos?
— Por quê?
A selva estava escura, então as perguntas dos Sylvans pareciam vir de todos os lados.
— Quais são seus planos?
— Há algo que você realmente quer fazer enquanto está viva?
— Você está preocupada com algo?
— Sua vida não está melhor agora?
A Condessa dobrou seu leque, revelando sua expressão. Ela olhou para frente, seu rosto inexpressivo, mas havia uma raiva por baixo que a consumia de dentro para fora há tanto tempo, uma raiva que ela não queria revelar. Restavam apenas vestígios dessa raiva, mas ainda exalava um mau cheiro. Ela mal conseguiu filtrar esses vestígios para formar uma frase.
— Esses canalhas… Vou mudar o mundo. Há muito lixo neste mundo.
Mesmo após filtrar as partes ruins, a voz da Condessa ainda era venenosa demais para os Sylvans lidarem. A aura ondulava sobre seu ombro. Ela costumava ter alguma dificuldade em lidar com a aura, mas agora estava um pouco acostumada após experimentar os andares anteriores. Com seu domínio elevado da aura, a Condessa revelou as cores de seu coração.
— Escutem. Percebi algo após nascer em uma montanha de lixo, crescer em uma cidade de lixo e me mudar para uma cidade de lixo. É a única lição que aprendi. Graças a isso, considerei ter nascido cercada de lixo algo sortudo.
— Qual é essa lição?
— Seja lixo trazido pelo oceano, caído do céu, enterrado no subsolo ou rolado antes de ser jogado fora, ainda é menos sujo que os humanos.
A Condessa exibiu um sorriso zombeteiro.
— Mas não consegui encontrar nenhum limpador profissional especializado em humanos. Então pensei, não deveria eu ser a primeira a dominar este vasto mercado? Vou limpar cada humano nojento usando dinheiro.
Ela cruzou os braços e riu.
— Claro, não acho que todos os humanos sejam canalhas. De jeito nenhum! Pelo contrário. Acredito que muitas pessoas brilham mais que as estrelas. E, como as estrelas, as pessoas boas estão muito distantes umas das outras para se encontrarem frequentemente durante suas vidas. Se eu olhar de longe, inúmeras estrelas decoram o céu noturno.
Estaria a Condessa pensando em alguém em particular? Seu sorriso parecia genuíno.
— Para eles, uma faxineira como eu é necessária.
Os Sylvans tinham mais perguntas.
— Como você faria isso?
— Você salva aqueles que brilham com dinheiro?
— Você expulsa os caras maus com dinheiro?
— Nos diga!
A Condessa explodiu em risos. Não havia traços de zombaria em sua risada, apenas genuína diversão.
— Claro! Não preciso ser uma heroína. Não preciso vestir uma fantasia de morcego e equilibrar precariamente a linha entre o legal e o ilegal, tecer teias para salvar vítimas pobres de crimes, ou segurar um escudo gigante para deter malfeitores. Eu só gasto dinheiro!
Era tudo tão simples.
— Apenas deixem as pessoas ganharem dinheiro! Empresas boas e empresas ruins. Organizações boas e organizações ruins. Negócios bons e negócios ruins. Pessoas boas e pessoas ruins… Sim, muitas pessoas têm dificuldade em distinguir entre essas duas categorias simples. As pessoas acreditam erroneamente que a natureza humana só se revela em situações extremas. É por isso que elas encenam artificialmente tais situações, mas estão erradas. Entendem? Escutem com atenção.
A Condessa gastava dinheiro para estabelecer uma economia sólida e elogios para o ciclo não distorcido. Afinal, dinheiro ruim expulsava o bom.
— Você pode ver a natureza de alguém quando eles têm tudo, não quando não têm nada. Quando eu jogo dinheiro no ar, as pessoas boas revelam sua boa natureza, mas o lixo começa a feder. Ainda assim, meu trabalho permanece o mesmo! Dou dinheiro a todos e os faço ganhar dinheiro! Eu os engordo até ficarem rechonchudos e suculentos. Então, eles acabam apodrecendo após cometerem crimes. Até lá, continuarei investindo meu dinheiro neles.
De repente, uma ideia me ocorreu. A pessoa que confiava mais nas pessoas do que qualquer um era a Condessa.
— E, se todos os humanos ou empresas se revelarem pedaços podres de lixo… Bem. Esses heróis que tenho patrocinado com muito dinheiro cuidarão disso. Para isso, estou constantemente ganhando dinheiro como louca, como vocês todos disseram. Às vezes, quebro algumas leis. Essa é a inevitabilidade na vida.
A Mestra da AC sorriu enquanto dava de ombros.
— É por isso que eu ganho dinheiro.
Sem perceber, os Sylvans estavam encarando a Condessa. Seus olhares estavam um pouco mais nebulosos do que quando a adoravam como sua deusa. Eles não eram muito zelosos em sua fé para começar, já que eram mais fiéis ao comando da deusa de ganhar dinheiro. Os Sylvans eram os mais despreocupados de todas as espécies quando se tratava de sua fé.
— E também é por isso que criei vocês.
Hoje era diferente. Uma fé divina apareceu nos olhos dos Sylvans. Eles idolatravam a Condessa porque ela era maior que eles e os havia guiado.
— Vocês são todos muito mais capazes que a maioria dos comerciantes na minha Torre. Bem, claro. Eles vivem suas vidas e ganham dinheiro, mas vocês vivem para ganhar dinheiro. Desfrutar da vida é um bônus para vocês. Entendem? Vocês nasceram para serem comerciantes. Estive esperando por pessoas como vocês chegarem à minha Torre. Realmente quero dizer isso.
Os Sylvans estremeceram quando a Condessa se levantou. Independentemente disso, ela desceu e caminhou em direção ao seu povo.
— Estive procurando por pessoas que sabem ganhar dinheiro, pessoas que enxergam através do fluxo de dinheiro e mercadorias.
A Condessa caminhou na frente dos Sylvans, levantando gentilmente o queixo de cada um com seu leque antes de travar os olhos com cada um deles. Os Sylvans pareciam deslumbrados com seus olhos e não conseguiam evitar seu olhar.
— Pessoas que encontram prazer em ganhar dinheiro, mas não são obcecadas por isso. Pessoas que ponderam para que serve realmente o dinheiro. Pessoas que encontram alegria em ponderar. Em resumo… Pessoas como eu.
A selva estava escura, então seus sussurros pareciam vir de todos os lados. A respiração dos Sylvans desacelerou.
— Meus filhos, me sigam. Este continente é pequeno. É apenas um canto do universo. Mesmo que vocês sejam versados em logística e monopolizem algumas vilas e cidades, qual é o sentido? Me sigam, subam a Torre e agarrem todo o dinheiro que flui pelo universo. Rasguem e pisem em tudo, desde uma única moeda de ouro flutuando pelo mundo até um punhado de fios jogado no lixo. Deixem o dinheiro do universo fluir sem impedimentos. Eu preciso de vocês.
Os olhos dos Sylvans estavam embaçados. Sua respiração era mais quente que a temperatura de seus corpos.
— Eu amarei todos vocês. Sou a líder de todos os comerciantes e a mestra da AC. Vocês se tornarão meus filhos. Vocês varrerão todo o lixo do mundo comigo.
Os Sylvans olharam com espanto para a mulher que outrora fora sua deusa e agora era sua mãe.
— Vocês me seguirão?
Não demorou muito para os Sylvans falarem. Sob as sombras da selva escura, todos falaram ao mesmo tempo.
— Sim, Mãe.
[A missão está em andamento.]
[Os votos estão sendo contados.]
[Todos os votos foram contados.]
A Condessa sorriu brilhantemente.
[Porcentagem de votação da Escolha 2: 11,60%]
[Porcentagem de votação da Escolha 1: 88,40%]
[A Escolha 1 obteve a maioria dos votos.]
Ela abriu o leque para cobrir a metade inferior de seu rosto, mas seu sorriso permaneceu.
— Obrigada a todos. Juntem-se a mim para livrar o mundo do lixo.
[O quadragésimo primeiro andar foi concluído!]
Tradução: Rlc
Revisão: Pride
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