— Devo te teleportar para o primeiro andar de Babilônia? Ou…
— Não, quero esperar aqui — respondi enquanto colocava meu luxuoso chá preto Libton de lado.
A Princesa Caminhante de Miragens ofereceu um pequeno sorriso.
— Tudo bem. Como bônus, vou te mostrar algo legal.
Quando a Princesa bateu palmas, um vasto holograma mostrando os Terras e os Skians apareceu no ar. Eu podia olhar para qualquer cidade que quisesse e até dar zoom rapidamente em cidades distantes da região central do continente.
— Isso é incrível.
— Sim, você pode até controlar a velocidade de reprodução de dez a dez mil!
— Obrigado.
Assim, observamos o mundo.
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Na tela, guerreiros Terra rugiam, agitando os braços. Surpreendentemente, eles estavam lutando contra Uburka.
— Todos, ataquem!
— Ugor! Vai se foder, Ancestral. Dissemos que não precisamos da sua ajuda!
Uburka gargalhou.
— Sim, vocês disseram! No entanto, os Skians usaram o poder de seu deus para lutar contra vocês! Isso os colocou em desvantagem, e vocês nem conseguiram continuar lutando. Acham mesmo que poderiam ter superado isso sozinhos?
— Isso também foi uma provação que tínhamos que superar!
— Você fala bem eloquentemente! Mas as palavras dos incompetentes são vazias! Se dizem que poderiam ter superado essa provação sozinhos sem minha ajuda, ugor, então vocês não passam de mentirosos filhos da puta!
Uburka riu, segurando seu machado com firmeza. Ele tinha o mesmo sorriso no rosto quando estava diante da Terra Sagrada dos Cascomontes.
— Lutem comigo, vençam e provem que não estão blefando!
Com a provocação de Uburka, algo brilhou nos olhos dos guerreiros Terra.
— Era isso que estávamos esperando!
Enquanto os Terras faziam seu exame de graduação, os Skians enfrentavam seu deus após a derrota.
— Sinto muito. Deuses têm suas responsabilidades, e mortais têm as suas. Se eu quisesse ajudar vocês como seu deus, deveria pelo menos ter comunicado minhas intenções antes. No momento em que falhei em manter essa conduta básica, perdi meu direito de me chamar de deus ou guerreiro. Apesar de tudo o que fiz, ainda perdi. Realmente não tenho desculpas…
Viper se curvou para seu povo e coçou a nuca. Um sorriso desajeitado apareceu em seus lábios antes de desaparecer como orvalho evaporando. Lágrimas escorriam de seu olho.
— Me desculpem. Eu só… deveria ter feito melhor.
O punhado de Skians que sobreviveu ao Teatro em Chamas estava em pedaços. Pelo menos uma parte de seus corpos estava irreparavelmente danificada ou cortada. No entanto, eles não culparam seu deus.
— Não faça isso, Deus! Mantenha a cabeça erguida!
— Você fez o seu melhor!
— Ainda não fomos exterminados!
— Nossos chifres também não estão quebrados!
Alguns Skians até sorriram.
— Perdemos inúmeras vezes!
— Estamos acostumados!
— Hahaha! Deus, é melhor você se acostumar também! Se cuidar de nós enquanto sua cabeça está cheia de lama, você vai acabar se matando e indo direto para os céus antes de qualquer um de nós!
Eles estavam simplesmente consolando seu deus, não de forma autodepreciativa, mas para aliviar o clima. Isso era evidência de que as piadas foram criadas primeiro para confortar os outros, não para ridicularizá-los.
Viper murmurou, seu rosto coberto de lágrimas e muco.
— Vocês…
Os Skians se curvaram para seu deus.
— Nos falta em muitas áreas.
— Então há muito espaço para melhorias!
— Eventualmente, conseguiremos vencer!
— Por favor, nos guie para que possamos fazer isso.
— Nos guie, Deus!
Viper permaneceu em silêncio. Após um tempo, ele cerrou os punhos e deu um grito.
— Merda! Claro! Confiem em mim e sigam minhas ordens, todos!
A resposta dos Skians foi enérgica.
— Sim, senhor!
Os Terras descartaram a proteção de seu deus e lutaram contra o herói mais orgulhoso de sua história. Enquanto isso, os Skians prometeram a seu deus que treinariam arduamente para se tornarem mais fortes. O contraste deixou um nó na minha garganta.
— Incrível! — Alguém gritou bem ao meu lado.
Eu estava tão imerso em observar o conteúdo do holograma que pulei na cadeira com um guincho.
— Que porra é essa!
Não era a voz da Princesa, mas uma muito familiar. Seu cabelo azul escuro balançava no ar, e suas roupas combinavam com a cor de seu cabelo. Minha amiga, a Bruxa Negra, também estava assistindo ao holograma com entusiasmo.
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— M-Mestra do Dragão Negro? Anastasha, como você chegou aqui? — perguntei, minha voz subindo pelo menos uma oitava.
A Princesa pigarreou. Ela parecia uma criança pedindo a todos que a elogiassem por fazer algo muito bom.
— Eu a trouxe aqui!
— Você?
— Sim, ela falhou no cenário.
— O que aconteceu?
A Bruxa Negra deu de ombros.
— Fui à falência.
— Quando você diz falência…
— Quero dizer literalmente. Meus pontos de espécie estavam no negativo. Tentei fundir os Sanguinatos e os Concubi em um só, então tive que me endividar mesmo sabendo que não poderia pagar.
Concubi. Fazia muito tempo desde que ouvi esse nome.
— Você encontrou os Concubi novamente? — perguntei.
— Sim, esses caras cresceram bastante.
— O que exatamente aconteceu?
— Você poderá ver por si mesmo em breve. Ei, pessoal! Venham aqui e se sentem — disse a Bruxa Negra enquanto gesticulava para mim.
Pessoal? Quando olhei para trás, avistei a Paladina, a Condessa e o Inquisidor. Não tinha percebido que eles estavam ali.
A Princesa pigarreou novamente.
— Eu os chamei porque presumi que estavam curiosos sobre o que suas espécies têm feito.
Parecia que ela havia nos reunido aqui de propósito.
A Paladina sentou no sofá com um suspiro.
— Obrigada por me trazer. Estava me perguntando se os Fingills estão bem.
— Legal. Os Fingills não dominaram a logística? Eles estão em bons termos com os Terras. Contanto que não fiquem muito gananciosos, estarão bem na logística marítima — acrescentou a Condessa.
Fazia um tempo desde que vi a especialidade da Condessa – sua transformação em gato. Ela se enroscou no encosto do sofá, se espreguiçando tão tranquilamente quanto se fosse uma mestra de yoga.
O Inquisidor pulava para cima e para baixo, colocando os braços no sofá.
— É bom te ver de novo, Mestre! Faz tanto tempo!
Olhei de perto para todos os Altos Rankers ao meu redor. A Princesa ofereceu miojo e chá gelado Libton para eles.
— Puro caos — murmurei.
— Ah, como você sabia? — perguntou o Inquisidor com um sorriso radiante.
— Hã?
— Quando voltei para Babilônia, cacei hereges escondidos dentro do Panteão. Hahaha, eu me orgulhava de gerenciar meu pessoal com o maior cuidado, mas o Panteão ainda estava infestado de hereges! Bem antes de vir para cá, terminei de obliterar uma organização secreta chamada Caos!
— Uh…
Não, não, eu só disse que essa situação em si é caótica…
Como sempre, o único herói que poderia acalmar esse caos era Anastasha. Com olhos brilhantes, ela apontou para a tela.
— Pessoal, olhem! Os Skians solicitaram um duelo com o Conselho de Água e Fogo dos Terras!
Guiados pelo fervor da Bruxa Negra, assistimos à tela juntos. Embora eu tivesse desviado o olhar por apenas um momento, bastante tempo havia passado no mundo. Não sabia exatamente quantos anos haviam sido, mas provavelmente pelo menos meio século. O pico da montanha que Uburka havia destruído agora era uma atração turística rodeada por cercas.
Dentro do holograma, o presidente do Conselho de Água e Fogo transformava sete Skians em uma papa, um após o outro.
— Eles estão levando uma surra, Anastasha.
— Isso não é importante! Você é um cara esperto, Gong-Ja. Por que às vezes fica estúpido?
O Guardião escolheu comentar sua declaração.
— Não, é o contrário. Esse desgraçado nasceu estúpido, mas é uma boa doninha.
Felizmente, apenas eu podia ouvi-lo, então sua distorção caluniosa dos fatos não se espalhou para as pessoas reunidas ao meu redor.
Anastasha continuou:
— O fato de não-Terras terem se juntado ao Conselho de Água e Fogo é importante por si só! Olhe, Gong-Ja! Esses Skians participaram como membros do conselho!
— Membros do conselho? Uh, o Conselho de Água e Fogo faz parte da cultura Terra. Os Skians…
De repente, tive um pressentimento de que os outros rankers estavam agindo de forma estranha.
— O que há de errado? — perguntei.
A Condessa, que estava me observando atônita, ficou ligeiramente surpresa.
— Ah, só estava me perguntando se meus ouvidos estão bem. Pensei ter ouvido você e a Mestra do Dragão Negro se chamando pelos nomes verdadeiros em vez de seus títulos.
Eu assenti.
— Você não está enganada. Anastasha e eu somos amigos agora.
Não sei quantas pessoas já viram um gato em choque, mas essa foi a primeira vez que testemunhei isso. A boca e os olhos da Condessa estavam bem abertos. Não era uma visão agradável, então imediatamente me virei.
— Sim, isso mesmo. Gong-Ja e eu somos amigos.
A declaração da Bruxa Negra foi o equivalente a jogar água gelada sobre os outros. Não, dizer que ela jogou pepinos era mais preciso, já que o gato ficou ainda mais assustado1Dizem que gatos odeiam pepinos..
— Decidimos nos chamar pelos nossos nomes verdadeiros. Até assinamos um contrato de amizade.
A Condessa arqueou as costas em um ângulo bizarro.
— Contrato de amizade? Vocês pagam algo como taxas de amizade?
— Condessa, você não pode comprar amigos.
— Mas foi assim que consegui a maioria dos meus amigos! — retrucou a Condessa com um grito.
— Isso não é o que importa agora.
Enquanto a Condessa lamentava suas amizades, a Paladina e o Inquisidor ainda exibiam expressões chocadas.
Como se nada tivesse acontecido, Anastasha apontou para a tela novamente.
— Gong-Ja, como você disse, o Conselho de Água e Fogo faz parte da cultura Terra, mas sete Skians receberam o direito de participar. E os Skians desafiaram os Terras para um duelo com seu orgulho em jogo.
Cruzei os braços.
— Entendo. Em vez de iniciar uma guerra em grande escala, eles decidiram realizar duelos durante as reuniões do Conselho.
A Bruxa Negra riu, apontando para outro holograma.
— Sim, mas a parte divertida começa agora, Gong-Ja.
Essa risada era reservada apenas para amigos próximos. Não tinha significados ou intenções ocultas, nem ela estava fingindo. Eu meio que me acostumei com isso, mas os outros Caçadores não. Eles ficaram a alguns passos de distância, nos olhando como se fôssemos uma das Sete Maravilhas.
— Agora, olhe.
O holograma que Anastasha apontou mostrava os assentos do Conselho. O verde dominava a vasta maioria. A cor representava os Terras, mas o rosa podia ser visto aqui e ali.
Os olhos da Condessa se arregalaram.
— Eles são Sylvans.
— Sim, isso mesmo. O Fogo da Caverna costumava ser uma arte exclusiva dos Terras, mas o Rei da Morte envolveu um Sylvan há muito tempo, né? É seguro dizer que este é o resultado de sua influência.
Sonia era o nome da criança Sylvan que queria se transformar em fogo e dançar em cavernas escuras.
— É só um palpite, mas desde que aquela criança começou um renascimento nas peças de Fogo da Caverna, houve mudanças no Conselho de Água e Fogo. Até os Sylvans podem ser reconhecidos como membros oficiais se forem fortes ou bons em atuar nas peças de Fogo da Caverna.
— Entendo. É por isso que os Skians também estão lá.
— Sim, é assim que o conselho deixou de ser uma organização exclusiva dos Terras!
Anastasha estava certa. Com o tempo, manchas de cores diferentes foram adicionadas aos assentos, apesar do verde ser a cor dominante. Também havia assentos azuis.
— E aqueles são?
A Condessa se espremeu entre nós e olhou para o holograma, precariamente equilibrada no meu ombro direito e no ombro esquerdo de Anastasha.
— Provavelmente são Fingills.
— Fingills? — perguntei.
— Sim, seu país, ou melhor, o país dos Terras, tem abordagens diferentes quando se trata de seus departamentos econômico e militar. Os Sylvans monopolizaram a economia, e os Terras, o militar. Quando se trata do aspecto cultural – peças de Fogo da Caverna – ambas as espécies cooperam amigavelmente.
— Mas os Fingills são os que geram capital e produtos e os transportam por vias navegáveis — disse a Paladina.
A Condessa assentiu.
— Sim! Os Fingills têm dons para logística. Não só se tornaram proficientes em navegação costeira, mas também em viagens marítimas mais longas após a descoberta do Novo Continente. À medida que o país dos Terras cresce, quanto mais produtos os Sylvans manejam, mais importantes os Fingills se tornam.
— Em outras palavras…
— Os Terras não podem mais ignorar a voz dos Fingills. Se eles fizessem uma greve, toda a logística do país estaria arruinada. Os Fingills provavelmente enviaram alguns guerreiros com habilidades de aura excepcionais, e esses guerreiros são os membros do conselho mostrados em azul agora.
Em resumo…
— Os Terras criaram o Conselho, mas…
Anastasha terminou minha frase.
— Devido à natureza dos Terras, que os torna ruins em tudo exceto combate, o conselho é praticamente aberto para todos, independentemente da espécie.
— Os Sylvans se juntaram ao conselho primeiro porque estavam intimamente relacionados aos Terras economica e culturalmente. Em seguida, vieram os Fingills, que solidificaram sua posição em logística. Agora, até os Skians estão enviando guerreiros para representá-los — disse a Condessa com um ronronar enquanto lambia a parte de trás da pata.
Nós nos olhamos em silêncio. O olhar de Anastasha ainda estava cheio de fervor. A Condessa assentiu, entendendo seu entusiasmo.
A Paladina cruzou os braços.
— Este é um conselho mundial.
Era um conselho no qual todas as espécies participavam. O futuro estava se desdobrando diante de nossos olhos.
Tradução: Rlc
Revisão: Pride
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