O Caçador Imortal de Classe SSS

O Caçador Imortal de Classe SSS – Vol. 11 – Cap. 249 – Virando o Jogo (1)

 

Chovia naquele dia.

Ha, como caralhos chove dentro da Torre? — resmungou o Viper enquanto caminhava pela rua escura. Algumas poucas lâmpadas de rua estavam dispostas em intervalos irregulares, como se fossem brotos de feijão plantados por um aluno do ensino fundamental antes de se entediar. Algumas delas estavam até quebradas.

Viper semicerrou seu único olho enquanto olhava para as lâmpadas quebradas. 

Puta merda. A Torre fez mais um trabalho dos infernos, não é?

Eram os primeiros dias da Torre, então infraestrutura era um conceito distante. Os prédios frequentemente ficavam sem energia, enquanto as ruas não tinham semáforos ou faixas de pedestres. Todo tipo de crime ocorria diariamente.

Eventualmente, Espada do Luar se cansou disso e declarou que criaria um grupo de vigilantes. Bem, Viper era cético quanto ao sucesso disso. Muitos canalhas e lunáticos se reuniam neste lugar.

Ah! Mestre da Seita!

A voz do homem que poderia ser considerado o líder daqueles maníacos chamou por trás dele. Viper não queria olhar para trás, mas considerando o status social daquele chefe lunático, ele não tinha outras opções.

Ele suspirou. 

— O quê?

Ah, é você mesmo!

Quando se virou, o sorriso que o Inquisidor exibiu parecia como se uma luz dourada caísse sobre ele. O garoto que parecia uma fada estava no meio da rua imunda. À primeira vista, parecia que ele havia passado por muitas dificuldades ao longo de sua vida. No entanto, seu sorriso era muito puro. Seus cabelos loiros, delicados e frescos, adicionavam ainda mais charme vívido ao seu sorriso.

— Inquisidor, está chovendo, então por que você está aqui?

Hahaha. Isso é frio! Estou aqui porque a Mestra do Dragão Negro me pediu para conversar um pouco com você em um lugar onde as pessoas possam nos ver!

Viper franziu o cenho. 

— Por quê? Para criar a impressão de que a Seita ODP e o Panteão estão se dando bem?

Nossa, entendi! Era isso que ela queria dizer!

— Você não sabia disso, mas ainda assim obedeceu? Isso é terrivelmente obediente da sua parte.

— Ainda estou aprendendo, então não tenho outra escolha! Hmm, se queremos cumprir esse propósito, seria mais eficiente ir a um café e evitar a chuva!

O nariz do Viper tremeu. Ele podia sentir instintivamente que os dois eram incompatíveis. Desde que trocaram palavras, o Inquisidor chegou a uma conclusão que avançava a conversa. Apesar disso, Viper não sentia que estavam realmente conversando. Era exatamente o oposto, como se tivessem selecionado e trocado palavras em línguas alienígenas que nunca entenderiam.

— Café?

— Sim, este é um café legal!

Mais uma vez, embora tivessem acabado de dizer café, algo parecia diferente. Será que o Inquisidor estava realmente usando a palavra “café” no mesmo sentido que o Viper? O Inquisidor entendia o Viper? Mesmo que um papagaio memorizasse todos os padrões de conversa, fizesse perguntas e respondesse quando questionado, isso poderia realmente contar como comunicação?

Viper olhou para o Inquisidor. Os olhos azuis do Inquisidor não refletiam o Viper de forma alguma, pareciam ter sido feitos apenas para refletir o céu. Nesse caso, não haveria muita diferença entre falar com esse cara ou com o céu. De qualquer forma, a conversa não levaria a lugar algum.

Se uma religião fosse criada a partir do desejo de falar com deuses com os quais normalmente não se pode comunicar, esse cara ser o líder de uma guilda religiosa seria o auge da ironia.

— Ei, Pregador.

— Sim, Espadachim!

— Mestre do Panteão.

— Sim, Mestre da Seita!

— Inquisidor.

— Sim, Viper!

— Tá bom — disse Viper ao céu chuvoso. — Tá bom, vamos ao café.

Chovia naquele dia.

 

https://tsundoku.com.br

 

Também chovia agora.

— Rei da Morte…!

Um rugido encharcado de chuva ecoou. O Mestre da Seita ODP estava possuindo um guerreiro Skian com um chifre quebrado, seus olhos brilhando em vermelho.

No entanto, não eram apenas seus olhos que estavam vermelhos. Seus cabelos bagunçados, seu chifre, seus músculos, suas unhas quebradas – a chuva vermelha pingava por todo ele. Quanto mais o carmesim tingia os possuídos pelo Viper, mais eles tremiam de dor.

Aaaaaaaah!

Estas eram as Artes do Céu Demoníaco de Estelle e eu – Chuva Radiante do Céu Trágico. Era a chuva de outono que Estelle havia espalhado pelo mundo quando era o Rei Demônio. Sua raiva e hostilidade se transformaram em uma chuva interminável, afetando Viper, que estava controlando vários Skians ao mesmo tempo.

Haha, hahaha… Haha… Hahahahahaha!

Viper perdeu seus recipientes Skians um a um, e o guerreiro com o chifre quebrado riu. Ele se levantou dos montes de cadáveres Skians, que deslizavam das pilhas. Ao pisar e chutar os corpos de seus compatriotas, ele criou um caminho para si mesmo. O guerreiro Skian era o próprio Viper venenoso.

Ele riu. Um brilho mais vermelho que a chuva apareceu em seus olhos, um claro sinal de desvio de aura. Todo o corpo dele estava coberto de sangue, e ele lambeu a chuva que escorria em sua boca como se fosse água mineral fresca.

— Você está planejando nos parar, Rei da Morte?

— Estou planejando te parar, Mestre da Seita.

— Por quê?

— Há algo que um dos meus filhos me disse — olhei para onde estava o presidente Terra. — Se Uburka esmagar os Skians, essa é a vitória dele, não dos Terras.

Hmmm.

— Usando a mesma lógica, seria a sua vitória, não a da sua espécie, se você se esforçasse para vencer agora.

Hahahahahaha. Isso realmente soa como algo que sua espécie diria, tá bom. Não tenho nada a retrucar porque eles são muito íntegros. Ah… Irritante pra caralho. Bem, claro, isso é o máximo que um cara como eu pode fazer.

— Mestre da Seita.

— Estou imaginando como caralhos você criou seus filhos tão bem. Maldito seja!

Pzzzzzzz—!

Faíscas elétricas brilharam aos pés do Viper. Como se em resposta, um raio caiu do céu chuvoso.

Thuuuud!

A terra tremeu com a colisão de aura. Poças de gotas de chuva no chão respingaram, e a chuva no céu evaporou no raio.

— Droga!

Correntes elétricas fluíam nas poças de chuva enquanto as gotas se contorciam. Viper permanecia erguido em uma dessas poças eletrizadas. A cor da corrente elétrica e do raio era um roxo mítico.

— Por quê? Por que minhas crianças tiveram que me ter como guardião? Elas estão apenas sofrendo! Por quê, Rei da Morte?

Ele trouxe outro raio do céu.

***

Também chovia naquele dia. Viper estava diante de um cadáver que havia perdido seu calor em um beco isolado. Ele murmurou: 

— Você não precisava matá-lo. Por que fez isso? Era necessário? Inquisidor, você é um desgraçado capaz. Você pode fazer tanto, então por que sempre…

O Inquisidor inclinou a cabeça, suas mãos manchadas de sangue. 

— Bem, isso é porque é mais eficiente assim! Cadáveres não falam nem agem, então não podem quebrar promessas ou representar ameaças futuras! Portanto, é melhor matar qualquer um que mostre hostilidade se você tiver a oportunidade!

Viper não conseguia distinguir se o céu chuvoso ou o Inquisidor haviam respondido.

À medida que o número de dias chuvosos aumentava, o tempo passava duas vezes mais rápido. Agora, as ruas tinham consideravelmente mais postes de luz. A criança quebrada de deus descansava o queixo na palma da mão após fazer muitas pessoas parte das ruas. Talvez ele tenha se cansado disso.

— Mestre da Seita, sei que você está tentando me consertar — disse o Inquisidor com um amplo sorriso. — Seus esforços valeram a pena. Nós dois agora podemos pedir café um para o outro sem precisar exibir a amizade de nossas guildas. Mas é só isso.

Inquisidor olhou para Viper. Seus olhos não pareciam refletir o cadáver que ele deixou para trás ou o Viper, que estava bem na frente dele.

— Você pode me usar como todos os outros, mas não pode me mudar.

Veículos antigos desciam a rua. Esses tipos de carros normalmente pertenciam a lojas de antiguidades, mas ainda eram amplamente usados em Babilônia. Suas buzinas soavam fracamente à distância.

— Porque você não pode assumir responsabilidade por mim.

As palavras da chuva eram cruéis porque eram verdadeiras.

— Nasci assim, e foi assim que vivi até agora. Esta é a única vida para mim. Apesar de suas boas intenções, qualquer tentativa de me doutrinar em um estilo de vida diferente está fadada ao fracasso.

Incapaz de suportar a chuva, os postes de luz quebrados caíram. O Inquisidor sorriu brilhantemente com os braços abertos.

— No entanto, Mestre da Seita, isso é tão ruim assim? Eu defino as pessoas que tentam me matar como inimigas porque elas não podem assumir responsabilidade por mim. Infelizmente, 99% deste mundo é composto por inimigos! Considerando isso, você é um caso muito raro. Mesmo que tenha a chance de me matar, provavelmente não o fará!

Um raio caiu. Na chuva pesada, ele parecia roxo. Assustado pelo clarão, o carro que passava por perto acelerou por uma grande poça d’água, encharcando Viper e o Inquisidor.

— Nós dois somos amigos e colegas. Isso não é suficiente? — perguntou o Inquisidor.

Não, não era. Mas se isso era o melhor que podiam fazer, Viper não tinha escolha a não ser se contentar. Era o que ele pensava – não, o que ele costumava pensar.

***

Um raio caiu em meio à chuva. A aura pode ter cores diferentes, mas a cor não era a única coisa que tornava a aura de alguém única. Mesmo que ela fosse vermelha, isso poderia significar sangue ou rosas. Dependendo da imagem que o usuário da aura tinha em seu coração e da imagem incrustada em seu núcleo, a aura podia mudar.

Minha aura lembrava sangue e fogo. E o Caçador Rank 6, Viper, parecia carregar um raio roxo dentro de seu coração.

— Como devo… — agarrei uma espada de um cadáver próximo. — Eu sei disso!

— Por que você não sabe disso, seu merdinha!?

Viper correu em minha direção. Como sua aura era como um raio, ele agora se movia exatamente como um após desbloquear sua energia vital devido ao desvio de aura. Era quase impossível seguir seus movimentos a olho nu. Em apenas um momento, Viper passou por mim.

Swish!

— Merda.

Sangue jorrou do meu ombro. Sua espada era rápida e se movia de maneira bizarra. Se ele tivesse cortado um pouco mais fundo, provavelmente eu teria perdido todo o meu braço esquerdo, mas não estava com raiva por ter me machucado.

— Pelo amor de Deus, por que caralhos você está chorando?!

Antes da minha regressão, ele era um dos gigantes que eu nem ousava olhar nos olhos. Mesmo após descobrir que ele era o imperador bobo de light novels, ainda o respeitava por quem era. Embora eu soubesse que ele não estava agindo normalmente por causa do desvio de aura, eu não conseguia suportar o quão pateticamente ele estava agindo agora.

— Sou praticamente um bebê comparado a você. Não tem vergonha de fazer isso na minha frente?

— Bebê? Ha. Bebês como você não existem!

A voz do Viper vinha de todas as direções porque ele estava constantemente se movendo. Em uma fração de segundo, ele apareceu na minha frente. Usei minha aura para desacelerar o tempo ao nosso redor o máximo possível.

Com o tempo se esticando infinitamente ao nosso redor, Viper se moveu para atingir meu estômago, meu queixo e minha cabeça. A determinação de me matar era evidente em cada golpe. Eu me movi para o lado, o empurrei e girei no lugar para evitar os golpes.

— Por quê?! — Viper continuou a gritar.

Ele não parava. Antes que o som de seus passos pudesse desaparecer, Viper apareceu do outro lado e balançou sua espada. Liberei minha aura ao máximo e consegui evitar seu golpe por pouco.

— Por que é sempre você, Rei da Morte?!

Eu encontrei seus olhos. Eles ardiam com tanto veneno que me perguntei se era assim que seria olhar para um jarro cheio de olhos de cobra. O olhar do Viper se tornou um pote de veneno gu e brilhou em vermelho escuro.

— Por que você é o único que faz os outros felizes?

Eu franzi o cenho. 

— Do que você está falando?

— Você é o herdeiro do Céu Demoníaco.

Não esperava que ele trouxesse isso à tona.

Me vendo congelar em meus passos, o Viper gritou: 

— Você garantiu que a Demônio Celestial tivesse os melhores momentos finais que ela poderia pedir! Mesmo que a dor de morrer a estivesse consumindo, pôde sorrir genuinamente com o presente que você deu a ela!

Ele havia entrado na Crônica da Demônio Celestial comigo. Enquanto eu estava ao lado do Culto da Demônio Celestial, ele lutou ao lado da Aliança Murim. Eu tomei a Demônio Celestial como minha mestra, e o líder da Aliança Murim se tornou o mestre do Viper. Compartilhamos o mesmo inverno.

— Por quê? Por que o líder da aliança não conseguiu isso?

Aquele grito tinha o poder de me parar em meus passos. A aura que ele disparou arranhou minha bochecha. Meu sangue pingou no chão, mas eu ainda não conseguia me mover.

— O vô Namgung Woon também tentou o seu melhor em sua vida, para que pudesse de alguma forma competir com a Demônio Celestial! Ele dedicou toda a sua vida ao treinamento! Mesmo com meu único olho, posso ver que o líder da aliança parece mais nobre, então por quê? Por que ele não conseguiu um fim como o dela e encontrar sua felicidade crepuscular cuidando de simplórios que não sabem de nada?

A aura do Viper se tornava mais escura à medida que subia de seus ombros, ondulando lentamente até alcançar o alto no ar.

— É minha culpa? Isso também foi minha culpa, assim como falhei em cuidar adequadamente das minhas crianças? Falhei em entender o líder da aliança em um nível mais profundo? Por que eu não consigo…

Ele abaixou a cabeça. No entanto, à medida que sua voz ficava mais baixa, a quantidade de aura que emanava dele aumentava. Agora, a aura do Viper se movia como tentáculos retorcidos saindo de suas costas.

A luta entre a Seita ODP e meu clã já estava concluindo. Cada vez que Kim Yul balançava sua espada, dois dos Skians possuídos pelo Viper morriam. Cada vez que Uburka balançava seu machado, cinco ou seis Skians possuídos eram cortados em pedaços. Os Skians controlados pelo Viper se alinhavam e tentavam contra-atacar, mas evaporavam instantaneamente quando Estelle balançava sua grande espada vermelha.

O único som que podia ser ouvido era o grito do próprio Viper. À medida que sua derrota se tornava mais clara, o silêncio se aprofundava.

— Rei da Morte.

— Sim, Mestre da Seita.

— Por que eu não consigo…

Viper lentamente ergueu a cabeça.

Ah.

Não foi até encontrar aqueles olhos que entendi o que estava além deles e a fonte do tremor em sua voz. Talvez eu pudesse entender tão bem porque me lembravam de mim mesmo no passado.

A primeira esperança que tive foi extinta porque meu ressentimento não desapareceu mesmo após minha primeira morte. Meu desejo, que me definia, era escalar alto e respirar apenas ar puro, como se a Torre fosse uma montanha. Ao balançar minha espada e caminhar estritamente pelo caminho desejado, eu queria viver exatamente como queria.

No momento em que olhei nos olhos do Viper, entendi o veneno intenso em seus olhos melhor do que ninguém. Quero Ser Como Você – a primeira Habilidade que adquiri.

— Eu…

Viper cerrou os dentes. Ele os rangia tão forte que parecia estar mastigando sua própria alma.

— Eu também queria ser como você.

Era assim que os outros começaram a me ver.

 


 

Tradução: Rlc

Revisão: Pride

 

💖 Agradecimentos 💖

Agradecemos a todos que leram diretamente aqui no site da Tsun e em especial nossos apoiadores:

 

  • decio
  • Ulquiorra
  • Merovíngio
  • S_Eaker
  • Foxxdie
  • AbemiltonFH
  • breno_8
  • Chaveco
  • comodoro snow
  • Dix
  • Dryon
  • GGGG
  • Guivi
  • InuYasha
  • Jaime
  • Karaboz Nolm
  • Leo Correia
  • Lighizin
  • MackTron
  • MaltataxD
  • Marcelo Melo
  • Mickail
  • Ogami Rei
  • Osted
  • pablosilva7952
  • sopa
  • Tio Sonado
  • Wheyy
  • WilliamRocha
  • juanblnk
  • kasuma4915
  • mattjorgeto
  • MegaHex
  • Nathan
  • Ruiz
  • Tiago Tropico

 

📃 Outras Informações 📃

Apoie a scan para que ela continue lançando conteúdo, comente, divulgue, acesse e leia as obras diretamente em nosso site.

Acessem nosso Discord, receberemos vocês de braços abertos.

Que tal conhecer um pouco mais da staff da Tsun? Clique aqui e tenha acesso às informações da equipe!

 

 

Rlc

Recent Posts

O Caçador Imortal de Classe SSS – Vol. 11 – Cap. 251 – Virando o Jogo (3)

  Viper abriu os olhos lentamente, agora vazios de veneno e fogo ardente. Ele estava…

11 horas ago

O Caçador Imortal de Classe SSS – Vol. 11 – Cap. 250 – Virando o Jogo (2)

  Alguém estava com inveja de mim agora. Não, esse não era um sentimento que…

11 horas ago

Rei do Labirinto – Vol 02 – Interlúdio 4

  Enquanto a hidra ainda estava no ar, o minotauro ativou habilidades que aumentavam seu…

1 dia ago

Rei do Labirinto – Vol 02 – Cap. 14 – A Princesa Branca Ishkriella

  1 Crac… crac… As rodas da carruagem rangiam enquanto atravessavam a floresta escura. No…

1 dia ago

Mushoku Tensei: Reencarnação Redundante – Vol. 02 – Cap. 14 – Os Filhos dos Greyrat

UMA SÉRIE de clacks ecoou. O toque brilhante da madeira batendo na madeira se misturava…

1 dia ago