Depois que acordei de Toda a Vida, fiquei sob os cuidados de Ja Su-Jeong. Ela não era a viscondessa de um reino nem a deusa que usava Toda a Vida, mas uma simples estudante da Escola Secundária Shinseo, que vivia no mundo de A História da Cidade da Ascensão: História Paralela.
— Senhorita Ja Su-Jeong, você cozinha muito bem.
— Sim. É exatamente a receita que segui antes.
Ja Su-Jeong colocou a bandeja lentamente enquanto Uburka a ajudava e servia os banchan para o jantar. Ela olhou para a mesa.
— Você alcançou seu objetivo, senhor Gong-Ja?
Fiquei paralisado por um momento.
— O quê?
— Você conseguiu o que queria?
A voz dela soava como uma folha de dente-de-leão caindo no chão. Se eu não prestasse atenção, o vento de verão facilmente a levaria.
— Estou um pouco preocupada com o jeito que você está se sentindo agora — disse ela calmamente.
— Está preocupada comigo?
— Sim, sou sua anfitriã, claro que estou preocupada. Mas, além disso, também estou muito curiosa sobre você.
— Me deixe ajudar a arrumar os pratos primeiro.
Limpamos a mesa e, em seguida, arrumamos cuidadosamente as tigelas de sopa e o peixe grelhado na bandeja. Uma tigela de jiggae1Ensopado coreano. imagem. estava no centro, com brotos de feijão temperados e pepinos descascados à esquerda. O gyeranjjim2Ovo cozido no vapor coreano. imagem. foi colocado atrás deles.
Enquanto a comida que logo desapareceria em nossos estômagos era disposta na mesa, meu braço roçou o de Ja Su-Jeong várias vezes.
Ela disse:
— Você queria conhecer a versão original de mim mesma. Foi o que ouvi, senhor Gong-Ja.
— Sim.
— Você conseguiu o que queria?
Era a mesma pergunta que ela havia feito antes, mas havia uma camada secreta por baixo.
— Você queria ter sucesso, mesmo que eu tivesse que te matar. Conseguiu o que queria?
Após um breve silêncio, eu disse:
— Sim, meu objetivo inicial era encontrar a Mestra da Torre pessoalmente, já que não poderei encontrá-la mesmo que chegue ao último andar. Se eu colocar dessa forma, sim, realmente alcancei meu objetivo. Aprendi muito sobre a Torre.
— Entendo.
A estudante sorrindo levemente à minha frente não era uma nobre expressiva de um reino, mas eu sabia que aquele leve sorriso significava que ela estava realmente feliz.
— Fez um ótimo trabalho. Não foi fácil, mas você conseguiu. Deve ter passado por muita coisa, senhor Gong-Ja.
Ja Su-Jeong segurou minhas mãos.
Isso é…
Sentir o calor de suas mãos ao redor das minhas fez meu coração parecer pesado.
É quem você é.
Ela se importava com todos, os elogiava quando faziam um bom trabalho e ficava triste quando outros passavam por momentos difíceis. Era só que ela ia a extremos para fazer isso.
[Que a sorte esteja com você.]
Aos olhos dela, todos os humanos no universo eram crianças. Quando uma criança saía, seus guardiões frequentemente diziam “Cuidado com os carros e motos!” com medo de que a criança se aventurasse por uma estrada perigosa.
Os corações dos guardiões batiam com ansiedade enquanto a criança estava fora, mas, quando ela voltava, a envolviam em seus braços, dizendo “muito bem” e “bom trabalho”. A criança havia voltado em segurança, e isso era tudo o que importava.
[Que a sorte esteja com você.]
“Por favor, tenha cuidado.”
[Que a sorte esteja com você.]
“Cuidado com as motos3Motos e pedestres frequentemente usam a mesma estrada se o beco for muito pequeno. no caminho de volta.”
[Que a sorte esteja com você.]
“Não deixe a desgraça te consumir quando subir a Torre.”
[Que a sorte esteja com você.]
“Por favor, volte em segurança.”
Ametista era uma deusa que queria ser a guardiã de todos. Com um sorriso, olhei para o avatar daquela deusa diante de mim.
— Quer que eu te mostre o que consegui ao encontrar a Mestra da Torre?
Ja Su-Jeong assentiu.
— Se você desejar.
Ela estava praticamente me dizendo para fazer o que quisesse. Eu agora era bastante experiente em interpretar as palavras da deusa.
— Bem, então, por favor, me siga por um momento. Preciso te mostrar algo.
— Ah, espere. — Ametista apontou para a mesa. — Antes disso, por favor, coma primeiro. Se não comer na hora certa, vai fazer mal à sua saúde, senhor Gong-Ja.
Isso também poderia ser traduzido como “coma antes de fazer qualquer coisa”. Sorri amargamente e obedeci à ordem da deusa.
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O lugar para onde me dirigi foi o quintal do velho hanok, onde ficava o depósito com os fantasmas adormecidos. Dei um passo cuidadoso de cada vez e abri a porta do depósito.
— Nunca pensei que voltaria para esse covil de fantasmas.
Segurei a maçaneta enquanto verificava o interior do depósito. Felizmente, não havia um festival estranho de fantasmas ou algo que deteriorasse drasticamente a sanidade de quem estivesse assistindo. O interior estava quieto. Apenas um monte de tranqueiras estava pacificamente acumulando poeira.
— N-Não tem mais ninguém aqui?
Algo se agarrou ao meu pé.
Miau!
— Eeeeek!
— Esse é o Miauzinho. Não se assuste demais, senhor. Gong-Ja.
Ja Su-Jeong se abaixou e pegou habilmente a boneca de cachorro agarrada ao meu pé.
Mesmo enquanto era carregada, a boneca de cachorro continuava miando, lembrando-se de seu problema existencial. Fiz o meu melhor para não me aproximar dela.
— Hmm. Esse está morto? É como um fantasma vingativo possuindo a boneca?
— Não, senhor Gong-Ja. O Miauzinho é apenas uma criança que está para sempre pensando sobre quem é. É só isso — disse Ja Su-Jeong suavemente, abraçando a boneca. — O Miauzinho acha que nunca deve parar de pensar nisso.
— Por quê?
A boneca de cachorro pulava para cima e para baixo.
Nyaa! Miau, miau! Nyaaaaa!
Ja Su-Jeong assentiu.
— O Miauzinho diz que, se parar de se preocupar, o mundo acabará.
Entendi.
Não, na verdade não entendi nada, mas enfim…
— Então essa boneca está viva, certo?
— Claro. O Miauzinho está vivo e continuará vivendo. Se morrer, será quando o mundo acabar — respondeu ela.
Era claramente o cachorro… gato… boneca de cachorro que soava como um gato… mais perigoso.
Ah, esquece.
Invoquei a Carta de Habilidade bem na frente do Miauzinho.
Whoosh!
Crânio do Dragão de Ossos Terrestres
Classe: SSS+
Efeito: Você pode armazenar memórias dos vivos em uma Caixa.
Esta Caixa só pode ser destruída por você, a pessoa que possui a habilidade. Enquanto a Caixa não for destruída, você pode criar um recipiente carregando as mesmas memórias repetidamente.
Este novo recipiente pode viajar pelo universo, formar novas memórias e atualizar aquelas na Caixa. Claro, eles precisam da sua permissão para fazer isso. Mesmo que o recipiente pereça, a Caixa não sofrerá nenhum dano.
Conceda o privilégio da imortalidade àqueles ao seu redor.
※As memórias do ser perecido não podem ser atualizadas na Caixa.
※A Habilidade foi copiada da Mestra de Toda a Vida.
— Senhorita Su-Jeong.
Ja Su-Jeong inclinou a cabeça.
— Sim?
A boneca de cachorro se contorcia em seus braços.
Miaouuuuuu.
Parecia que o Miauzinho estava bocejando. A boneca supostamente era uma boneca de nível apocalíptico, então por que era fofa?
— Posso dar um recipiente para essa boneca.
Ja Su-Jeong pausou. Ela ainda parecia calma, mas a cor de seus olhos ficou um pouco mais escura. Cuidadosa e silenciosamente, ela olhou para minha Carta de Habilidade.
— Quando você diz isso…
— Posso dar corpos reais a essas crianças. O que acha, senhorita Su-Jeong? Você confiaria em mim e me permitiria usar minha Habilidade nessas crianças?
Ja Su-Jeong pensou por um tempo. A estudante do terceiro ano, classe A, da Escola Secundária Shinseo não era uma nobre de um reino nem a amante da Rainha do Sol. Ela simplesmente carregava a misericórdia da deusa.
Ela fez uma reverência.
— Estou muito, muito grata pela oferta, mas acho que isso deve ser decisão das crianças.
Eu sabia.
— Ficaria feliz se essas crianças pudessem ter corpos próprios e viver um pouco mais livremente do que agora, mas elas podem pensar diferente.
Quando as camadas de nobre, heroína e Mestra da Torre foram retiradas uma a uma, a pessoa à minha frente ficou totalmente exposta.
— Se possível, quero que essas crianças tomem suas próprias decisões.
Eu assenti.
— Sim. Eu também quero isso.
Embora eu não tivesse certeza se os seres estranhos reunidos no depósito de fantasmas estavam realmente vivos, fui perguntando a eles um a um. Um dos fantasmas era o espelho que me fazia sentir como se uma força invisível estivesse me segurando pela nuca quando eu olhava para ele.
— Uh…
Enquanto olhava para o espelho de longe, senti dedos longos agarrando a parte de trás do meu pescoço. Não era uma ilusão, pois eu podia sentir cada centímetro desses dedos de forma bastante vívida. Tentei me livrar deles usando minha aura, mas não funcionou.
Estendi minha Carta de Habilidade na frente do espelho.
— Se desejar, posso te dar um corpo…
Os dedos pararam.
— Claro, há algumas condições. Primeiro, suas memórias serão armazenadas em uma Caixa, que se tornará minha propriedade. Quando seu corpo físico morrer e você quiser recriá-lo, precisará da minha permissão para fazer isso, já que eu sou o dono da Caixa.
Os dedos apertaram mais forte.
— Mas não tenho intenção de explorar isso! Sério! Não sou o tipo de cara que criaria algo como um exército conjunto de monstros e fantasmas para conquistar o universo…
Os dedos apertaram muito mais forte do que antes.
— Senhorita Su-Jeong, me ajuda! Esse idiota não tem senso de humor!
Me salva! Ninguém deixaria um fantasma matar Confúcio, certo?!
— Você tem boas habilidades de comunicação, senhor Gong-Ja — disse Ja Su-Jeong. Ela parecia impressionada, apesar de seu rosto inexpressivo. — Além de mim, essa é a primeira vez que alguém falou com o espelho assim. Você está indo bem.
— Não, não me elogie de longe! Por favor, me ajude. Sinto que vou morrer!
Ja Su-Jeong caminhou até o espelho e acariciou sua superfície.
— Espelho, pelo que vi, o senhor Gong-Ja é uma pessoa muito gentil.
Assim que ela começou a falar, os dedos misteriosos ao redor do meu pescoço desapareceram.
— Você acha que ele parece um príncipe falso? Não, ele é muito íntegro e forte o suficiente para não desistir de sua integridade. O quê? Você sabe quantos anos ele tem, mas ainda assim te dá arrepios porque ele parece um boomer? Bem, sim, posso entender por que você pensaria assim…
Que caralhos aquele espelho estava fofocando?
— Mas ele não é o tipo que te exploraria. Você terá um corpo físico que será só seu. A decisão de recriá-lo ou destruí-lo será inteiramente sua. Você pode confiar no senhor Gong-Ja nisso.
O espelho tremeu.
— Sério? Eu favoreço o senhor Gong-Ja? Infelizmente, eu não faço favoritismo. Honestamente, eu diria que favoreço todos vocês.
O espelho cintilou.
Ja Su-Jeong se virou para mim e disse:
— Sim, o Espelho diz que aceitará sua oferta, mas precisará de seu próprio mordomo, alguém que esteja ao seu lado em todos os momentos e seja responsável por limpá-lo. O mordomo deve ser um jovem de cabelos escuros vestindo roupas no estilo vitoriano e um monóculo.
“E, se possível, o Espelho gostaria que o mordomo tivesse um forte sotaque britânico ao falar em inglês. Seria melhor se ele tivesse um passado interessante, como o segundo filho de um marquesado decadente.”
Eu… entendo. Sim, eu definitivamente entendo o que está acontecendo.
— Se subirmos um pouco a Torre, há dois trabalhadores de meio período em um café que podem envergonhar todos os homens com sua aparência. Um tem cabelo prateado, o outro cabelo preto. Fazer eles usarem cosplay de mordomo é um pouco exagerado. Que tal nos contentarmos com um uniforme de barista? Vou te tratar usando o espelho do café4Talvez o Espelho possa usar outros espelhos para andar por aí?.
Espere um minuto. Por que diabos eu estava tentando desesperadamente convencer um espelho que causava pressão alta nas pessoas? Eu não deveria ter a vantagem nessa negociação?
Eu tinha uma razão para fazer isso. Um a um, eu ia reduzir o número de vidas pelas quais a Mestra da Torre era responsável. O primeiro passo seria ajudar Ja Su-Jeong, um dos avatares da Mestra da Torre, revivendo os seres misteriosos em seu depósito de fantasmas.
Porque esse é o único jeito de derrotar a Mestra da Torre.
Enquanto refletia sobre minha determinação, Ja Su-Jeong me disse:
— O Espelho diz que aceitará generosamente sua oferta, senhor Gong-Ja.
Depois disso, coletei os seres misteriosos um a um no Crânio do Dragão de Ossos Terrestres. A Caixa era pequena e preta como piche. Assim que a vi, soube o que tinha que fazer. Seguindo meus instintos, engoli-a.
A Caixa então derreteu na minha boca, desceu pelo meu esôfago e caiu no meu estômago. Era como se nunca tivesse existido em primeiro lugar.
Meu coração ficou um pouco mais escuro.
— Crânio do Dragão de Ossos Terrestres.
Uma luz brilhante piscou diante de mim.
[Ativando a Habilidade.]
A luz desapareceu lentamente, e ali estava um espelho que não parecia diferente de antes. Bem, na verdade, ele estava de pé sobre suas próprias pernas.
— Essas são pernas — disse.
— Sim, são pernas — respondeu Ja Su-Jeong calmamente. — Talvez seja assim que o Espelho era originalmente.
O espelho de quatro pernas corria animadamente pelo depósito. Até o maior poeta do universo o descreveria como uma barata, já que rastejava com tanta energia.
— Mesmo assim, isso é…
— Obrigada, senhor Gong-Ja — disse Ja Su-Jeong sinceramente. — Você realmente é uma boa pessoa.
Dei corpos físicos a todos os outros seres no depósito. Como resultado, agora tínhamos um poodle que miava, um pintor que trabalhava em um retrato dentro de um retrato, um dragão vermelho mitológico que, felizmente, tinha apenas o tamanho de uma figura de quinze centímetros, e muitos outros seres estranhos.
— Que porra é essa? Que bagunça do caralho, — disse o Guardião.
— Vamos ser otimistas. Isso não te lembra de chimimoryo5O termo chinês se refere aos monstros dos rios e montanhas. ou hyakki yagyo6Refere-se à parada noturna de demônios japoneses. de certa forma?
— Se curry tem gosto de cocô, isso significa que ainda é curry? Não importa como você chame, é merda. Para de dizer coisas idiotas.
— Não sei como minha vida ficou tão complicada, mas acho que sei exatamente quando começou. Foi quando te conheci, senhor Imperador da Espada. Por sua causa, todos os malucos, fantasmas e todo tipo de coisa no universo são atraídos por mim.
— Gong-Ja, se sua vida deu uma guinada de dez graus quando nos conhecemos, a minha deu uma guinada de cem graus. Então, se nossas vidas vão ser viradas de cabeça pra baixo de qualquer jeito, vamos colocar trinta e seis graus entre nós. Brilhinho, você também acha, né?
[Brilhinho aponta que girar a cada movimento seu parece estar em uma montanha-russa.]
— Brilhinho…
Balancei a cabeça.
— Reencarnação da Legião de Monstros.
[Ativando a Habilidade.]
Agora que eu havia cuidado de algumas das vidas que o avatar da Mestra da Torre estava carregando, era hora de terminar meu trabalho.
— Sim, Mestre.
Preta estava usando uma máscara de caveira que cobria parcialmente seu rosto. Ela já foi conhecida como Estelle e até mesmo adorada. No passado, ela já fora temida como uma Rei Demônio.
Agora, como minha vassala, ela se ajoelhou.
— Preta.
— Sim.
— Viva.
Preta olhou para cima e encontrou meus olhos.
— Eu matei muitas pessoas.
— Eu sei.
— Sou uma pecadora.
— Você é.
— Tudo bem uma pessoa como eu viver?
Eu assenti.
— Viva. Viva e tome sua vida em suas próprias mãos.
Preta ficou em silêncio.
— Estarei com você. Você pode sentir que vai desmoronar enquanto estiver sozinha. Quando chegar a hora, eu te carregarei.
O silêncio caiu. Lentamente, muito lentamente, Preta disse com uma voz trêmula:
— Sim, eu vou viver.
Foi assim que tudo começou.
Tradução: Rlc
Revisão: Pride
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