O Caçador Imortal de Classe SSS

O Caçador Imortal de Classe SSS – Vol. 10 – Cap. 232 – Minha Legião (2)

 

Qual seria a visão mais luxuosa que uma pessoa poderia ter ao abrir os olhos? Algumas pessoas diriam o céu claro e pacífico. Outras diriam um teto que lhes fosse estranho1O autor provavelmente está referenciando cenários de reencarnação/isekai.. No entanto, eu tinha a resposta mais sábia para essa pergunta.

— Gong-Ja, você consegue me ouvir?

Para mim, era ver Raviel. Com seus dedos delicados e pequenos, ela gentilmente tocava e batia ritmicamente na minha testa.

— Raviel…

— Sim?

— Foi muito difícil…

Eu senti que estava prestes a chorar.

Acordei em A História da Cidade da Ascensão: História Paralela do Reino da Espiral. Era onde Kim Yul e Ja Su-Jeong deste mundo frequentavam escolas sob a mesma fundação. Uburka, Raviel e eu estávamos ficando na casa de Ja Su-Jeong por enquanto.

— Acabei de decidir sonhar… A deusa, a Mestra da Torre… Ah, droga. A vida inteira dela é um trauma…

Uburka e Ja Su-Jeong estavam nos observando, mas eu não conseguia parar de me agarrar a Raviel. Agora, meu coração precisava do doce aroma de lírios azuis.

? A vida inteira dela é um trauma? Como isso é possível? — perguntou Raviel.

— Ela sempre repete os momentos da morte de outra pessoa em sua mente. Ela até se imerge neles. “Se eu estivesse naquele campo de batalha, também teria sido cortada até a morte pela cavalaria antes de poder fazer qualquer coisa.” Algo assim…

— Isso não é apenas uma ilusão?

— Seria ótimo se fosse, mas ela é simplesmente louca. Aquela psicopata realmente tornou isso possível. Ela tem uma Habilidade que permite viajar no tempo, lembra de tudo o que aconteceu com ela, e pode descobrir as causas e efeitos de tudo no universo. Com isso… — apertei meus braços ao redor de Raviel.

Ela acariciou minhas costas, sorrindo amargamente. 

— Parece que meu consorte viu algo realmente terrível. Você raramente age assim. Mas tudo bem. Uburka e eu estávamos seguros aqui, e nada aconteceu com a gente. Você pode se apoiar um pouco mais em mim.

— Raviel…!

— Na verdade, você deveria tirar umas férias longas. Você me disse que a Princesa Caminhante de Miragens disse que o fluxo do tempo desta cidade é completamente isolado do mundo exterior. Gong-Ja, tire quantos dias de folga quiser – talvez algumas semanas ou até um mês inteiro. Ficaria feliz se você pudesse me dar tempo para te consolar.

Acabei derramando algumas lágrimas no final. Como minha esposa era tão forte assim?

— É a primeira vez que vejo o Papaizinho chorando, ugor

— É mesmo? — perguntou Ja Su-Jeong.

Uger, eu estava me perguntando por que era a primeira vez que via isso, mas se eu visse uma segunda vez, acho que não poderia mais chamá-lo de Papaizinho. Ele fez uma boa escolha em se segurar até agora. Acho que vou dormir…

— Ah, vou arrumar a cama para você, senhor Uburka.

— Obrigado, Proprietária.

Uburka e Ja Su-Jeong saíram para a sala de estar, seus passos mostrando a diferença de massa. Agora, apenas Raviel e eu ficamos no daecheongmaru.

— Raviel…

— Sim, fale comigo, Gong-Ja.

Agora que estávamos sozinhos, Raviel me abraçou mais forte. Após beijar minha testa gentilmente, ela abriu levemente as pernas e bateu nos joelhos para que eu pudesse descansar minha cabeça em seu colo.

— O que você viu deve ter sido horrível se te fez chorar, Gong-Ja, mas não consigo visualizar direito apenas com o que você já me contou. Tente explicar com um pouco mais de detalhes.

— Okay.

Coloquei minha cabeça no colo de Raviel. Inicialmente, fiquei preocupado que minha cabeça fosse muito pesada, então canalizei minha aura no pescoço para reduzir a pressão sobre ela. Claro, eu fazia o mesmo sempre que um cabeleireiro lavava meu cabelo!

Ouvi Raviel rindo.

— Gong-Ja, sua consideração é adorável, mas não me vejo grata por isso. Duvido que o peso da sua pequena cabeça seria demais para mim. Quero carregar todo o peso que você carrega, então relaxe.

Ha… 

— Sim, bom. Muito bem. Você precisa relaxar primeiro antes de resolver qualquer coisa.

O céu escuro de verão trouxe sombras ao daecheongmaru. Uma brisa fresca e refrescante passou pelo telhado, me acalmando. Deixei minha cabeça descansar contra o colo de Raviel, sentindo como se estivesse me escondendo do mundo.

Raviel riu. 

— Bom. Meu marido partiu em uma longa viagem e voltou em segurança. Muito bom. Eu já sabia disso, mas momentos de pura felicidade são sempre seguidos por uma tristeza equivalente. De qualquer forma, o que te deixou tão triste?

— Ametista… A Mestra da Torre planeja confortar todas as pessoas que foram abandonadas neste universo.

No quintal precário do hanok, gafanhotos cantavam.

— Se há uma criança morrendo em um incêndio agora, ela mostra a essa criança outro mundo, um onde a vida teria sido diferente porque a Mestra da Torre estava ao lado da criança. Após criar tal mundo, ela vive feliz com a criança, mesmo que isso leve centenas de milhares, milhões ou dezenas de milhões de tentativas.

— Parece algo que uma deusa faria. Então, qual é o problema?

Eu escondi meu rosto no abraço de Raviel enquanto o vento de verão soprava ao nosso redor. 

— Algumas pessoas só querem vingança. Para algumas, o mundo delas é apenas o inferno. Todo o sofrimento que elas enfrentam é causado por viver nesse inferno. Não pode ser resolvido, e não há esperança de mudança em suas vidas. A única solução é…

— Dar uma dor pior àqueles que as fizeram assim — disse Raviel com um aceno.

Eu me apoiei um pouco mais em Raviel. 

— Sim, a Mestra da Torre observa essa pessoa passando pelo inferno do começo ao fim com sua Habilidade. Ela não as ajuda ou impede sua desgraça, mesmo que possa. Apenas continua observando.

Raviel pausou por um momento e então retomou lentamente acariciando a parte de trás da minha cabeça. Parecia que ela havia entendido tudo.

— Entendo. Ela está tentando dizer às pessoas que ela é a causa da desgraça de todos e que ninguém ou nada mais deve ser culpado.

— Sim — respondi. 

— As vítimas naturalmente direcionarão seu ressentimento à Mestra da Torre, mesmo que ela seja uma deusa. Não, isso lhes dará mais motivo para arrastá-la para baixo, despedaçá-la e pisoteá-la para extravasar sua raiva e ressentimento. Por quê?

— Ela diz que quer que as pessoas a culpem. Quer que todas as pessoas que se sentem injustamente sacrificadas venham até ela para que possam devolver toda a dor e feridas de suas vidas a ela.

— Isso é…

— Além disso, a Mestra da Torre pode ver toda a vida das pessoas que devolvem a dor. Ela sabe quando estão mentindo ou dizendo a verdade. Em vez de apenas simpatizar com elas em algum nível, realmente entende sua dor para poder abraçá-la.

Cigarras cantavam na grama.

— Na cabeça dela, alguém está sempre sendo esfaqueado, queimado ou pisoteado até a morte. Cada segundo de cada dia. Apenas memórias desse tipo estão tocando em um canto de sua mente. Ela se coloca no lugar dessa pessoa e é esfaqueada, queimada e pisoteada até a morte. Raviel, na mente da Mestra da Torre, há apenas gritos…

Raviel suspirou. 

— É assim? Então essa é a nossa deusa. Se você quer felicidade, ela te dará felicidade. Se você quer dor, ela tomará a dor. Quanto mais simples uma proposta, mais peso é colocado sobre quem a disse. Pode se tornar tão pesado quanto pilhas de ouro. No entanto, a Mestra da Torre pretende carregar todos em seus ombros.

— Sim.

— Isso é terrível. — Raviel apenas continuou acariciando a lateral da minha cabeça. Seus olhos vermelhos estavam tão próximos dos meus. — Mas isso significa que a solução também é simples, Gong-Ja.

— Sim.

— Uma pessoa que encontra felicidade dentro de si mesma, não de outra pessoa, não precisará da Mestra da Torre. Aqueles que superam sua dor sozinhos não precisam da Mestra da Torre.

— Sim.

— Todos não têm escolha a não ser carregar suas próprias desgraças. A verdade absoluta não nos ajuda de forma alguma, então muito poucas pessoas conseguem viver com ela. Não muitas pessoas conseguem viver uma vida justa. Dizer a verdade, fazer o que deve ser feito… É difícil — murmurou Raviel, olhando para o céu noturno. Talvez ela tivesse acabado de se lembrar de um momento difícil em sua vida.

“Você disse que ela tinha o hábito de dizer ‘Você não fez nada errado.’ Está correto, Gong-Ja?”

— Sim, a Mestra da Torre disse que ninguém nasceu errado.

— Isso é triste. — Raviel abriu habilmente uma lata de refrigerante e a levou aos lábios, matando a sede com um gole antes de continuar. — Isso significa que seu nascimento foi a única coisa errada neste universo.

“Sinto muito. É minha culpa. Sinto muito.”

O silêncio nos envolveu.

— Gong-Ja, a Mestra da Torre é forte?

Pensei na galáxia que vi nas favelas arruinadas, nas inúmeras borboletas brancas batendo suas asas.

— Sim, muito.

— Você pode vencer?

— Vou tentar.

Raviel olhou diretamente nos meus olhos. 

— Quero que meu homem me dê uma resposta mais clara que essa.

Fiquei em silêncio.

— Não escolhi me apaixonar por você, apenas aconteceu. Também não fiz um voto de passar minha vida com alguém que poderia morrer. Eu te amo simplesmente porque amo, e fiz meu voto porque vou morrer com você. Gong-Ja, como a Lua de Ivansia, você teria que me dar um pouco mais que isso.

Eu assenti. 

— Sim, Raviel. Eu vou vencer.

Raviel segurou meu rosto. 

— Sim. Vença. A razão pela qual te escolhi como meu parceiro de vida é que você vencerá, não falhará. Você não esquece a felicidade. Enquanto a Mestra da Torre usa a desgraça do universo como sua condição de vitória, você vencerá com sua felicidade.

Raviel se inclinou, seu rosto cada vez mais próximo. 

— Faça todos ao seu redor felizes. Faça com que eles se sintam felizes por estar com você. Discipline-os e treine-os para que aprendam a ser felizes e possam estar felizes com você. Encha esta Torre de pessoas felizes.

Eu sorri. 

— Vai ser definitivamente difícil, mas posso tentar.

— Esse é o homem por quem me apaixonei — respondeu Raviel, espelhando meu sorriso. — Mas, antes de tudo, você terá que me fazer a mais feliz.

Nossos lábios se tocaram.

— A proprietária e Uburka vão nos ouvir…

— A proprietária não parece se importar com essas coisas. Já perguntei.

— E quanto ao Uburka? Ele realmente me vê como seu pai.

Raviel riu. 

— De fato. Se o papaizinho dele fizer gemidos ou gritos feios, você pode deixar um arranhão no coração puro do garoto. Então é melhor ficar quieto.

Hmm. Raviel?

— O que é, meu amor?

— O que você está tentando fazer com essa toalha fina?

— Estou tentando ser atenciosa e te ajudar a não gemer.

— Isso não é pelo bem do Uburka, é? Você está fazendo isso só porque quer, né?

— Shh. — Raviel cobriu minha boca de forma brincalhona, seus olhos brilhando como rubis. — A criança está dormindo. Fique quieto.

O que eu deveria fazer? Não tive escolha a não ser deixar minha esposa me amordaçar.

Nossa, eu te amo, Raviel. Vou te amar para sempre.

 

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Na manhã seguinte, saí da sala de estar e me deparei com Uburka. Acenei para ele com um bocejo. 

— Bom dia, Filho. Hm, por que você parece um Cascomonte que mastigou um pedaço de sal grosso? Ah, você teve que dormir no chão por causa do seu tamanho, né? Foi desconfortável? Acho que isso é inevitável.

Uburka tremia. 

— Papaizinho, v-você…

— Hã?

— Você é um perdedor sem vergonha!

[O Porco Musculoso Sonhador de Imoralidade está experimentando desespero!]

Thump, thump, thump, thump!

Uburka correu para o quintal. Seus passos eram tão altos e pesados que fiquei preocupado que o velho hanok desabasse. Após verificar o estado do chão do hanok, cliquei com a língua.

— O que há de errado com ele? Ele não é mais criança.

Será que ele estava passando pela puberdade? Criar um filho era realmente difícil.

 


 

Tradução: Rlc

Revisão: Pride

 

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Rlc

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