O PASSADO ME PERSEGUE aonde quer que eu vá. Achei que tinha refletido sobre minhas ações, mas, no fim, suponho que não o fiz.
Não. Eu refleti, e ainda reflito. Mas quando se tratava de coisas que eu não reconhecia imediatamente como falhas, eu podia ser bem tapado. Desta vez, acabou que desviei o olhar do que realmente importava.
Quantas vezes pensei que precisava refletir mais? Este foi mais um desses momentos. Era tarde demais para me arrepender do meu comportamento e imaginar o que teria acontecido se eu tivesse percebido antes.
Aisha e Arus tinham ido embora.
— Trecho de O Livro de Rudeus, Volume 29
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No momento em que vi a carta, saí de casa em pânico.
Mesmo se encontrasse Arus e Aisha, eu não ia convencê-los de repente de que eu estava certo, mas isso não significava que eu não devesse procurá-los. Foquei em vasculhar lugares pela cidade onde poderiam ter ido – lugares que Aisha, em particular, poderia ter escolhido.
Eles não estavam em lugar nenhum. Procurei o dia todo, mas não os encontrei.
Fui ao quartel-general do Bando Mercenário Ruato, à antiga residência de Cliff, à universidade de magia e a todos os lugares onde havia armazéns do Bando. O café que Aisha frequentava. As boutiques de roupas. As lojas de tecidos. Os armazéns gerais. Os atacadistas. Fui até ao escritório de Orsted, embora ele não estivesse presente. Não importava onde eu olhasse, não conseguia encontrá-los. Parecia que tinham deixado a cidade.
Bem, havia avistamentos. Saíram pelo portão da cidade de manhã cedo, ou embarcaram numa carruagem de manhã cedo, ou pegaram cavalos emprestados no estábulo e saíram de manhã cedo. Havia vários outros avistamentos semelhantes, mas todos se contradiziam de alguma forma. Tinham realmente saído da cidade ou aquilo era informação falsa para encobrir que ainda estavam por aqui? Eu não fazia ideia. Imaginei que Aisha estivesse por trás daquela mistura de informações; ela era plenamente capaz de fazer algo assim.
Mas havia muita coisa – coisa demais para ela ter espalhado sozinha. Quem a ajudara? Quem ela poderia usar sem ser questionada?
Só havia uma resposta: o Bando Mercenário.
Assim que percebi isso, voltei correndo para o QG. Eu ia interrogar Linia e Pursena.
— A primeira regra do Bando Mercenário Ruato!
— Sempre cumprimente os chefes! Certifique-se de dobrar a cintura e abaixar a cabeça, miau!
— A segunda regra do Bando Mercenário Ruato!
— Endireite as costas e fale com clareza!
— A terceira regra do Bando Mercenário Ruato!
— Sempre mostre respeito ao seu cliente!
Quando cheguei, Linia e Pursena tinham os membros do Bandoalinhados na praça aberta e agiam como grandes chefonas.
— É bom vocês não esquecerem nada disso, nya!
— Queimem isso na memória muscular!
Ou melhor, elas estavam fazendo os membros recitarem os preceitos do Bando. Parecia muito com o que se via em empresas exploradoras no meu antigo mundo.
Aisha provavelmente as obrigava a recitar isso. Na verdade, ela nunca as faria fazer algo tão inútil! Aposto que essas duas estavam fazendo por conta própria.
— Linia, Pursena, posso falar com vocês um segundo? — perguntei.
— Miau? Voltou, Chefe? Como te disse antes, a Conselheira ainda não apareceu, nya — disse Linia.
— Eu esperava ouvir sobre isso com mais detalhes.
— Tudo bem. Pessoal, acabamos por aqui. Trabalhem duro hoje, nya!
Observei os membros do Bando saindo pelo canto do olho, depois acompanhei a dupla até o escritório executivo. A sala estava equipada com mesa e cadeiras que pareciam caras, e havia várias decorações fofas de animais espalhadas por ali. Havia também um troféu de um monstro musculoso e um modelo gigante de peixe, bem como uma geladeira mágica que eu tinha dado a elas, boa para armazenar carne. O quarto tinha uma mistura de coisas que Linia, Pursena e Aisha gostavam.
De fato, apesar de ser contida, Aisha adorava coisas fofas. Ela não tinha jeito para criar suas próprias obras de arte, mas era boa em escolhê-las.
Sentei Linia e Pursena e as interroguei.
— Arus e Aisha fugiram. Eles disseram alguma coisa a vocês?
— N-nós não sabemos de nada, nya — disse Linia, e então começou a assobiar.
— É. Não nos disseram nada! Não ganhei carne nem nada. — Pursena deixou cair um pedaço de carne que segurava enquanto seus olhos corriam por todo o lugar.
Elas definitivamente sabiam de algo.
— Vocês sabem para onde eles foram, não sabem? Me digam. Agora — exigi, com o olhar mais assustador que consegui fazer.
Elas se agarraram uma à outra com medo, balançando a cabeça para mim.
— A gente não sabe para onde eles foram, miau! — choramingou Linia.
— Não sabemos mesmo! — insistiu Pursena.
— Eles só vieram ao escritório hoje de manhã cedo e nos mandaram espalhar umas informações por aí, miau!
— Por favor, acredite na gente! Não temos provas de que não estamos mentindo, mas…
Elas entregaram o jogo imediatamente.
Sem provas, hein?
Em outras palavras, elas não sabiam qual informação que receberam era verdadeira e qual era falsa. Aisha nunca se deixaria rastrear facilmente de uma maneira tão estúpida.
Por enquanto, o que eu tinha era a palavra de Linia e Pursena. Aisha tinha vindo aqui. Ela podia usar o Bando Mercenários como quisesse, então veio nas primeiras horas do dia, mandou espalharem informações falsas pela cidade, escolheu uma rota e partiu. Ou não escolheu nenhuma delas e partiu numa direção completamente diferente. Esse era o tipo de truque que alguém tão inteligente quanto ela faria.
Aquele provavelmente não era todo o plano dela. Se eu seguisse qualquer uma dessas pistas, ela quase certamente teria uma segunda e terceira armadilhas preparadas para mim.
Será que ela realmente achava inútil falar comigo agora? A reunião de família foi suficiente para ela pensar assim, ou ela já sentia que eu era um caso perdido antes disso acontecer?
A força se esvaiu do meu corpo.
— Tudo bem, acredito em vocês duas. Em troca, quero que me ajudem a procurar a Aisha.
Pedir ajuda ao Bando Mercenários era a jogada certa? Não era possível que dissessem estar procurando, mas apenas fingissem? E se houvesse simpatizantes da Aisha? Isso era definitivamente possível. Não era incomum pensar que o pedido que você fez ajudaria, apenas para acabar sendo um saldo negativo, mas eu estava agarrando qualquer chance.
Linia e Pursena pareciam relutantes.
— Hum, a gente agradeceria muito se você não pedisse isso, Chefe, nya — disse Linia. — A Conselheira fez questão de deixar bem claro de que lado deveríamos ficar se algo assim acontecesse.
— Se vazasse alguma coisa sobre aquilo, eu perderia toda a minha autoridade. Acabaria sem-teto e viraria um cachorro vira-lata — acrescentou Pursena.
Aparentemente, Aisha tinha podres das duas.
— Tem um monte de gente no Bando que não ficaria feliz em fazer da Conselheira uma inimiga.
— Ela tem podres de todo mundo.
Não eram só elas, hein? A maioria das pessoas aqui no QG estava essencialmente à mercê da Aisha, o que significava que essas duas eram líderes apenas no nome.
— Não vou fazer nada de mal à Aisha. Só quero conversar com ela — assegurei.
— Mas, miau… — murmurou Linia.
— Não sei o que vou dizer, mas… — Pausei. — Não seria triste demais se eu nunca mais a visse?
Era estranho eu dizer isso, mas só de pensar em potencialmente nunca mais ver Aisha ou Arus, meu coração parecia prestes a ser rasgado ao meio.
Eu só queria falar com eles – dizer o que estava no meu coração. Mesmo que, a essa altura, as coisas provavelmente fossem acabar como ontem.
Talvez seja por isso que a Aisha não quer falar comigo.
— Por favor — disse eu, fazendo Linia lançar um olhar para Pursena.
Pursena ainda parecia relutante, mas suas orelhas caíram e ela assentiu levemente. Linia pigarreou uma vez.
— Tudo bem, miau. Se a Conselheira está realmente tentando fugir, duvido que seremos de muita ajuda, mas faremos o que pudermos.
— Têm certeza?
— Quando fomos escravizadas, pensamos mesmo que nunca mais veríamos nossas famílias, então entendo o que você está sentindo, Chefe.
Certo. Será que elas já tinham pagado toda a dívida daquela época? Deixei isso para a Aisha resolver, então eu realmente não sabia. Se ainda restasse alguma coisa, eu limparia a ficha delas.
— Agradeço muito por isso — disse eu antes de sair.
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O Bando Mercenário era útil de muitas maneiras, mas não seria particularmente útil para encontrar Aisha. Com isso em mente, decidi pegar emprestada a força de outras organizações.
Primeiro foi a Universidade de Magia de Ranoa, depois a Guilda dos Magos. Ambas as organizações detinham muito poder na Cidade Mágica de Sharia.
Se o fato de o par não estar na cidade fosse apenas uma distração, essas organizações seriam de grande ajuda. Se colocassem apenas um aviso na universidade, os estudantes poderiam nos dar informações.
— Ah, é mesmo. Ainda não verifiquei o lugar do Zanoba — disse para mim mesmo.
A Loja Zanoba era originalmente uma pequena loja que abrimos para vender os livros ilustrados do Ruijerd, mas alguns anos se passaram desde então. Graças ao trabalho duro de Zanoba e Julie, eles expandiram seu escopo recentemente. Tinham uma oficina de grande escala no Reino de Asura e estavam abrindo filiais em outros países.
O Bando Mercenário servia como segurança para a loja, mas era um lugar onde Aisha raramente ia. Por outro lado, eu estava lá o tempo todo. Por isso achei improvável que ela fosse para lá. Mas, pensando bem, talvez fosse exatamente por isso que ela iria. Achava difícil acreditar que Aisha faria algo tão simples, mas decidi verificar só para riscar da lista com certeza.
Primeiro, expliquei a situação para Zanoba, Julie, Ginger e Anne – três pessoas e uma autômata. Esse não era o tipo de coisa que eu realmente deveria compartilhar com gente de fora da família, mas eu só queria que Zanoba me ouvisse.
— Isso é bastante incomum da sua parte, Mestre. Dizer não a alguém sem se explicar ou ouvi-lo — disse Zanoba depois de escutar tudo o que eu tinha a dizer.
— Digo, essa não era minha intenção. É só que o Arus ainda é uma criança, então…
— Crianças se tornam adultos rapidamente. Em apenas alguns anos, ele será maior de idade. Como alguém que também cresceu rápido, você deveria saber disso muito bem.
— É, claro — disse eu após uma pausa.
Era verdade que conheci Zanoba quando eu tinha mais ou menos a idade de Arus, mas eu também tinha os anos que vivi no outro mundo. Não era a mesma coisa. Se alguma coisa, eu demorei demais para crescer.
— E é por causa do seu entendimento que você não tentou convencê-los, certo? — perguntou Zanoba.
Todo mundo cresce eventualmente.
Havia muitos exemplos de coisas que não funcionavam no presente, mas se você refletisse verdadeiramente sobre suas ações e trabalhasse duro, elas melhorariam. Foi assim que abri meu caminho pelo mundo. Fui de um completo pedaço de merda para alguém relativamente apresentável em comparação, mesmo que eu ainda fosse apenas um merda mais apresentável. Ainda sentia que eu era melhor agora do que tinha sido. Por isso, mesmo que variasse de pessoa para pessoa, eu achava que todos eram capazes de crescer.
— Bem, o que eu deveria ter feito?
— Hmm. Essa é uma boa pergunta. Você provavelmente foi forçado demais. Se ia separá-los, a única escolha deles se tornou fugir. Até eu teria feito isso.
— Mas se nada mudasse, Arus ia ficar dependente demais da Aisha.
— Não vejo problema. Ele ainda poderia crescer e aprender nessa situação, embora pudesse levar tempo.
Eu não sabia como responder. Ele estava certo de que Arus provavelmente poderia crescer, ainda que lentamente, apesar de sua dependência da Aisha. Havia maneiras pelas quais ele também não cresceria, mas as pessoas ao seu redor poderiam ajudar a cobrir essas lacunas. Eu sabia disso. Não podia dizer com certeza que ele era totalmente dependente da Aisha, para começo de conversa; eu apenas tinha um pressentimento.
Arus era filho da Eris, então não era do tipo que simplesmente se submetia, mas também era meu filho. Era inteiramente possível que ele tivesse herdado esse tipo de dependência de mim.
E se ele fosse independente, apenas fora da minha vista? Observando Arus crescer, eu tinha visto que ele era mais do que a boneca da Aisha, mesmo que confiasse nela demais.
Então por que eu ainda era tão contra isso?
— O que você acha, Julie? — Eu queria a opinião de uma garota sobre isso, então olhei para ela. Ela estava pálida enquanto olhava para a mesa. — O que foi? — insisti.
— Hum, eu… — murmurou ela, sem palavras.
— Julie, você sabe de alguma coisa? Não me diga que tem guardado segredos do Lorde Zanoba — intrometeu-se Ginger. Ela ouvira tudo aquilo com um olhar calmo no rosto.
— Eu… vi.
— Viu o quê?
— Vi a Aisha e o Arus indo para o porão hoje de manhã cedo.
— Hã?! — Pulei da cadeira em resposta. Aquela era uma informação nova. Havia um círculo de teletransporte no porão da Oficina Zanoba, que se conectava a um círculo em nosso laboratório secreto na região de Fittoa, no Reino de Asura.
— Julie, por que você não disse nada? — perguntou Zanoba.
— O senhor e o Mestre Rudeus entram escondidos no porão com bastante frequência, então achei que fosse normal…
— Ngh! — Zanoba desviou o olhar, talvez pensando que nossas escapadas tivessem nos levado a perder essa oportunidade de pegar Aisha e Arus. Mas estávamos falando da Aisha. Ela provavelmente teria usado nosso conhecimento contra nós. Por outro lado, se não tivéssemos entrado escondidos no porão tantas vezes, ela não teria usado aquilo como rota de fuga.
— Você não percebeu, Zanoba? — perguntei.
— Fiquei na loja ontem à noite.
— Entendo.
Aisha conhecia a agenda dele e usara isso a seu favor. Afinal, a segurança da loja do Zanoba era o Bando Mercenários.
— Suponho que devam ter ido para o Reino de Asura — disse eu.
— Eu me pergunto sobre isso — ponderou Zanoba. — De qualquer forma, acredito que seria sábio pedir ajuda à Rainha Ariel.
— Farei isso — disse eu. Primeiro, precisava ir ao Reino de Asura e pedir ajuda à Ariel.
Assim que eu estava prestes a sair da casa de Zanoba, ele me parou.
— Mestre. Quando se tem desentendimentos com irmãos, irmãs, filhos ou filhas, é preciso estar disposto a conversar com eles com sinceridade. Às vezes, você deve ouvir o que aqueles abaixo de você têm a dizer e cuidar deles, mesmo que acredite estar certo.
Não respondi.
— Sei que é presunçoso alguém como eu dizer tal coisa, mas…
— Não, eu agradeço — respondi.
Era incomum Zanoba me dar um sermão assim. O arrependimento que ele tinha por seu irmãozinho, Pax, devia ser profundo. Pude sentir o peso por trás de suas palavras.
É, era verdade que – Aisha à parte – eu realmente não tinha ouvido o Arus. Assumi que ele não tinha intenção de tentar me convencer. Tratei-o como uma criança e só falei com Aisha. Mesmo agora, eu estava ignorando-o. Só tinha a intenção de falar com Aisha.
Eu deveria ter perguntado o que ele queria fazer. Deveria ter pedido para que expressasse seus próprios pensamentos. Não teria sido um problema esperar para tomar uma decisão depois de ouvi-lo. Não tínhamos conversado o suficiente. Se eu tivesse sido mais cuidadoso, eles provavelmente não teriam fugido.
Se eu os encontrar, preciso fazer questão de perguntar como o Arus se sente. Certo.
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O Reino de Asura, para onde suspeitei que Aisha e Arus tivessem fugido, era o maior país do mundo. Nem precisava dizer que tinha uma população enorme. O melhor lugar para esconder uma árvore é na floresta, e era mais fácil se esconder num lugar com muita gente.
Além disso, era um país de abundância. Desde que não gastassem seus fundos de forma imprudente, Arus e Aisha poderiam viver confortavelmente.
Dito isso, Asura era uma sociedade militar. Havia soldados por toda a nação. Se conseguíssemos que memorizassem as características de deles, poderiam ser capazes de encontrá-los. Eu ia pegar emprestada a força dos cavaleiros e soldados de Asura.
Com isso em mente, saí para me encontrar com Ariel. O sol já havia se posto quando cheguei ao castelo dela. Na verdade, era basicamente o meio da noite. No entanto, quando disse que era urgente, fui imediatamente levado aos aposentos de Ariel.
Ariel estava em seus trajes de dormir, e seu cabelo estava bagunçado. Devia estar dormindo antes de eu chegar. Quando apareci pela primeira vez, o rosto dela estava tenso, mas então expliquei o que estava acontecendo.
Ela soltou um suspiro com uma expressão exausta no rosto.
— É isso?
— Como assim, “é isso”?
— Em outras palavras, você brigou com sua irmãzinha e seu filho, certo?
— Claro, mas…
— Você me deixou preocupada quando disse que era urgente, mas…
Ariel era uma rainha muito ocupada. Ultimamente, eu não conseguia me encontrar com ela sem hora marcada, mas fui atendido imediatamente desta vez. Ouvindo que era urgente, ela deve ter pensado que eu tinha algo a dizer sobre o Deus Homem ou um problema envolvendo nosso plano do círculo de teletransporte. Em outras palavras, ela se encontrou comigo de última hora porque confiava em mim, mas eu só tinha trazido meus problemas familiares. É. Provavelmente uma péssima jogada.
— Você tem razão. Peço desculpas — disse eu sinceramente.
— Por favor, não precisa — disse ela. — Dependendo de como se olha para as coisas, pode-se dizer que a Conselheira do Bando Mercenário Ruato abandonou seus deveres. Ela é uma pessoa incrivelmente talentosa. Sua ausência terá um efeito negativo na organização daqui para frente.
— Agradeço muito por dizer isso.
— Por enquanto, ordenarei a Sylvester que ajude na busca. Dito isso, se Aisha realmente quiser esconder sua localização, suspeito que permanecerá não encontrada.
Ariel escreveu algo suavemente em um pedaço de papel e entregou à sua dama de companhia.
Sylvester era um dos Sete Cavaleiros de Asura e o homem encarregado de sua segurança. Tínhamos começado a trocar cumprimentos, já que estávamos nos esbarrando mais ultimamente, mas eu nunca tinha realmente me sentado e conversado com ele. Não sabia que tipo de pessoa ele era.
— Tem minha gratidão — disse eu a Ariel.
Por enquanto, Asura estava cuidada. Havia mais alguma coisa que eu pudesse fazer? Tentei descobrir para onde ir em seguida.
— A fruta realmente não cai longe do pé — murmurou Ariel baixinho.
Pausei.
— Perdão?
— Recusar-se a seguir as regras da casa e ir embora. Seu pai não fez a mesma coisa?
Ah, ela estava falando do Paul. Agora que ela mencionou, ele tinha brigado com o velho dele e saído de casa abruptamente. Depois disso, nunca mais voltou para casa ou viu o pai novamente.
Seria a mesma coisa para nós? Eu nunca mais veria Arus ou Aisha?
— Por que você foi contra isso, para começo de conversa? — perguntou Ariel de repente.
— Não tenho uma resposta — admiti.
— Você deveria ter deixado eles se casarem. Teria sido uma recompensa apropriada para Aisha, que serviu sua família por tanto tempo. Poderia-se argumentar que seria um pouco excessivo deixar o chefe da sua casa se casar com uma empregada, mas acredito que Aisha seria uma esposa mais do que adequada para o próximo chefe da casa. Além disso, isso não é algo com que você se preocupa de qualquer maneira, certo?
Ouvia-se muito isso em Asura: um servo talentoso que contribuíra para a riqueza de seu mestre recebendo permissão para se casar com alguém da família. Claro, isso só se a pessoa quisesse.
— Rainha Ariel, você não me abordou com uma proposta de casamento para o Arus? Por que diria isso?
— Bem, não me importo se acabar sendo o Sieg em vez dele.
À medida que meus filhos cresciam, Ariel começou a propor que sua filha se casasse com um deles. No momento, havia pessoas que não gostavam do fato de eu estar operando dentro do Reino de Asura como um dos amigos de Ariel. Sentiam que eu estava enchendo os bolsos porque a salvara uma vez no passado. Também pensavam que nosso plano do círculo de teletransporte era tudo uma trama para eu obter mais lucro. Havia pessoas que me viam como uma praga zumbindo em torno de uma Ariel desavisada. Ao oferecer um dos meus filhos à família real, poderíamos provar a eles que não era o caso. Essa era a esperança dela.
— Podemos falar sobre o Sieg em outra data. De qualquer forma, isso é ruim, certo? Digo, estamos falando de Arus e Aisha.
— A tia e o sobrinho de quem ela cuidou desde que ele era um bebezinho… Isso não é um relacionamento maravilhoso?
— Eu, hum, acho que esse tipo de relacionamento entre membros da família não é uma coisa boa.
— Por quê?
Eu ainda não tinha descoberto o porquê. Por que eu resistia tanto à ideia? Incesto era considerado tabu no meu mundo anterior, mas não era o caso aqui.
Ariel parecia genuinamente perplexa. Neste mundo, de vez em quando, viam-se tias e sobrinhos se casando em famílias que valorizavam sua linhagem. Eu entendia que havia famílias assim, mas não sentia esse tipo de resistência às situações delas como sentia agora. Por que, então, eu era tão contra o relacionamento deles? Eu estava com ciúmes? Será que eu realmente amava a Aisha romanticamente e sempre quis torná-la minha?
Isso realmente não era possível. Se eu me sentisse assim, teríamos ficado juntos a essa altura. Era outra coisa. Talvez fosse como a Aisha disse antes: eu achava que ela me pertencia.
Eu podia negar o quanto quisesse, mas podia ser que minha raiva viesse do fato de Arus estar tirando ela de mim. Era mais possível do que a outra opção, mas… também não parecia muito certo.
Era porque ela era um obstáculo para o crescimento do Arus? Digo, havia um elemento disso, mas, realisticamente, aquilo era apenas uma desculpa. Se eu fosse contra o relacionamento deles por causa do crescimento dele, teria focado mais nele. Não era o cerne da questão.
— Eu… realmente não sei — disse eu.
— Nesse caso, você deve pensar sobre o porquê de se sentir assim — disse Ariel. — Tenho certeza de que tanto Aisha quanto Arus gostariam de ouvir seu raciocínio.
— Certo.
Ariel estava correta. Antes de falar com a Aisha, eu precisava descobrir meus próprios sentimentos. Se não fizesse isso, acabaríamos num ciclo vicioso. Eu falharia em expressar meus sentimentos para ela adequadamente, e ela fugiria de novo.
— Vou me retirar. Peço desculpas por incomodá-la no meio da noite — disse eu.
— Tudo bem.
Depois de deixar Ariel, acenei para Dohga na entrada dos aposentos dela.
— Vou procurar pela irmãzinha também — disse ele, com um olhar preocupado no rosto.
Agradeci muito por aquilo.
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Passei no escritório de Orsted assim que voltei do castelo de Ariel. Era tarde da noite – a hora das bruxas, até. Tão tarde que você se sentiria mal aparecendo na casa de alguém. No entanto, ainda havia pessoas a quem eu queria pedir ajuda, e muitas delas. Normalmente, eu voltaria ao trabalho amanhã, mas tinha que pedir uma folga ao Orsted.
Alec estava no escritório. Aparentemente, ainda não tinha ido dormir.
— Oh, ei, Rudeus. Encontrou a Aisha e o Arus? — perguntou ele.
— Não, ainda não. O Senhor Orsted está?
— Está no quarto dele.
— Alec, você esteve procurando por eles esse tempo todo? — Eu não sabia se demônios imortais precisavam dormir, mas Alec dormia. Estava acordado por preocupação comigo?
— É. Nunca fui particularmente bom em encontrar pessoas ou coisas, então voltei de mãos vazias.
— Entendo… Obrigado.
Despedi-me de Alec e entrei no escritório. Falia – a recepcionista – já tinha ido para casa. Passei pelo saguão vazio e prossegui para os fundos do prédio. Antes de entrar na sala de Orsted, parei e tirei um momento para pensar.
Seria viável ele me dar mais tempo livre por razões pessoais? Orsted nunca questionara meus motivos para tirar folga; sempre que eu dizia que precisava, ele me dava, sem perguntas. Dito isso, estava tudo bem abandonar meu trabalho por dias por razões familiares?
Mas isso não importava – minha família importava. Entrei na sala.
— Rudeus, hm?
Orsted me fuzilou com o olhar assim que passei pela porta.
Ele estava na verdade apenas olhando para mim, mas parecia que estava me fuzilando. Era apenas como o rosto dele era, mas não pude deixar de sentir que ele podia ver através de mim. Comecei a suar frio.
— Eu, hum, tenho algo sobre o qual gostaria de falar com o senhor — disse eu, inseguro.
— Aisha e Arus, sim?
Não esperava aquela resposta.
— De quem o senhor ouviu?
— Roxy.
A Roxy estava ajudando também? Bem, claro que estava. Sylphie e Eris provavelmente estavam fazendo o mesmo. Eu tinha decidido resolver isso sozinho, mas elas também estavam fazendo o que podiam. Precisava agradecê-las quando chegasse em casa.
— Então, Aisha desapareceu? — perguntou Orsted.
— Junto com Arus, sim. Estou procurando por eles no momento.
— Se ela realmente quiser permanecer não encontrada, você não a encontrará.
— Todo mundo continua dizendo isso, mas ainda tenho que procurar. Eu poderia tirar uma folga? — perguntei corajosamente, encarando os olhos de Orsted.
Ele me olhou de volta com seu habitual olhar assassino.
— Falarei com Perugius.
— Hã? — Por que ele estava de repente trazendo Perugius à tona? Tínhamos algo agendado com ele?
— Ele está constantemente monitorando o mundo da superfície. Pode encontrá-los.
— Ah, certo! Muito obrigado!
Orsted ia ajudar na busca.
— Considerando o quão irredutível você foi com os dois, imagino que deva ter tido uma boa razão, mas… — Ele deixou a frase no ar.
— Eu… honestamente não sei se tive — disse eu.
O rosto dele ficou perplexo. Eu realmente precisava pensar muito sobre isso.
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Saí pedindo ajuda aos meus amigos e conhecidos por toda a terra. Millis, a Grande Floresta, o Reino do Rei Dragão, o Continente Demônio e o Reino Biheiril. Fui a todos os lugares onde tinha conexões e contei o que estava acontecendo.
Cliff me deu um sermão severo. Disse que, embora fosse uma questão complexa, quem era eu para objetar, considerando minha própria poligamia? Disse-me que, mesmo se eu fosse contra o casamento, deveria ter sido mais flexível. Elinalise parecia estupefata enquanto me dizia que eu deveria perdoá-los. Norn estava exasperada com as ações da irmã e ficou chateada; disse-me que concordava com o que eu tinha feito. Ruijerd não disse nada. Apenas interveio uma vez para dizer que ajudaria a procurá-los.
Cada um tinha suas próprias opiniões sobre o que aconteceu, mas concordaram em ajudar na busca independentemente disso.
No Continente Demônio, pedi ajuda aos guardas de Atofe. Eles ainda não tinham encontrado Atofe, nem Moore havia retornado ainda. Não era meu lugar criticá-los, considerando que eu fui responsável por envolver Atofe na minha batalha, mas sem alguém para organizá-los como uma unidade, não eram nem de longe tão eficazes quanto antes. Estavam beirando uma turba desordenada.
Esperava encontrar Kirishika, considerando o quão útil ela seria para reconhecimento, mas infelizmente não tive sorte. Sempre parecia que eu podia encontrá-la se procurasse, mas não desta vez.
Continuei em frente. Viajei o mundo todo e acionei todos os meus contatos para procurar meu filho e minha irmãzinha. Leo ajudou, Ruijerd estava em movimento e, embora não fosse particularmente proativo, até Perugius estava ajudando procurando por eles do céu. Orsted e Alec usaram o tempo livre que tinham para procurar também.
Ainda assim, não conseguíamos encontrá-los. Mesmo todas essas pessoas com poderosas habilidades de busca e rastreamento não conseguiam encontrar uma única pista do paradeiro deles. Era como se Aisha e Arus tivessem desaparecido da face do planeta.
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Um mês se passou.
Lilia estava de cama com febre devido ao choque. Enquanto estava deitada, repetia para mim sem parar: “Sinto muito. Devo tê-la criado errado.”
Ela parecia acreditar que a fuga de Arus e Aisha era responsabilidade dela.
Ela acabou se recuperando na maior parte, mas ainda estava desanimada e abatida. Apenas uma vez, vi-a chorando no quarto enquanto Zenith acariciava gentilmente sua cabeça.
Em mim, por outro lado, ela bateu. Não tive certeza do que Zenith quis dizer com aquilo, então pedi uma tradução para Lara.
— Ela está triste, basicamente.
Ela era totalmente a favor do relacionamento de Arus e Aisha, embora eu tivesse assumido que ela seria contra. Dito isso, Zenith via o mundo através de uma lente positiva, então talvez o relacionamento deles parecesse algo a ser celebrado para ela.
Sylphie permaneceu angustiada.
— Se eu ao menos não a tivesse encurralado daquele jeito…
Ela fazia o trabalho tanto de Aisha quanto de Lilia enquanto elas não podiam. Não estava participando da busca, mas, graças a ela, não precisávamos nos preocupar com a roupa acumulando ou em alimentar as crianças. Eu estava tremendamente grato pelo apoio dela.
Eris não dizia muito, mas eu a via franzindo a testa enquanto segurava a espada de madeira que Arus deixara para trás. Então, ela parecia chegar a algum tipo de decisão interna, pegava a shinken dele e a brandia.
Roxy não disse nada e começou a se preparar para partir. Aparentemente, estava usando seus contatos para procurá-los à sua própria maneira.
— Acho que vou procurá-los — disse ela de forma levemente em pânico.
Eu a impedi às pressas. Sentia que, se ela também acabasse partindo, a família inteira seria despedaçada.
As crianças também pareciam preocupadas. Lara não era do tipo que demonstrava emoções no rosto, mas definitivamente fazia menos travessuras. Sieg ficou muito quieto. Ele geralmente era um menino muito falante, mas parou de falar muito em casa. Lily sempre fora um pouco reclusa, mas agora ocasionalmente saía de casa, pegava o Byt, subia no topo do portão e ficava olhando na direção da rua principal. Chris chorava enquanto perguntava: “Cadê o Arus e a Aisha? Quero ver eles.”
Lucie estava brava com o Arus, mas também estava preocupada. Ela já tinha se formado na universidade de magia e estava frequentando a academia para a nobreza no Reino de Asura. Tinha acabado de começar lá, o que significava que sua vida no dormitório também tinha acabado de começar. Tinha o suficiente para lidar, mas, mesmo assim, pediu ajuda aos seus velhos amigos da universidade de magia.
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Conforme o tempo passava, voltei ao trabalho. Aisha e Arus eram ambos importantes para mim, mas ainda havia muito o que eu precisava fazer.
As horas que eu podia dedicar a procurá-los diminuíram, e o tempo que passava pensando nas coisas aumentou. Pensava quando comia. Pensava quando tomava banho. Pensava antes de dormir. Pensava logo depois de acordar.
Por que eu tinha me oposto daquela maneira? Por que disse não a eles sem ouvi-los? Por que não me expliquei antes de bater o pé? Eu deveria saber que fazer as coisas daquele jeito não era bom.
Sem uma resposta, dois meses, depois três meses se passaram, e ainda não conseguíamos encontrar Aisha e Arus.
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Um dia, meio ano depois de terem desaparecido, encontrei-me com Nanahoshi.
Não foi a primeira vez que nos encontramos desde que Aisha e Arus sumiram. Quando aconteceu pela primeira vez, eu quis ouvir a opinião dela sobre tudo. Ela pareceu enojada com os detalhes do relacionamento de Arus e Aisha, mas me ouviu. Apreciei que ela tivesse escutado, mesmo que não tenha dado nenhum conselho particularmente construtivo.
Hoje, pela primeira vez em algum tempo, conversamos sobre algo diferente: o outro mundo. Nanahoshi me contou sobre uma pequena barraca de takoyaki perto da casa dela. Estava lá há muito tempo. Quando eu era pequeno, costumava ir lá comer takoyaki também. Conversamos sobre como queríamos comer alguns, esse tipo de coisa. Nada sério.
No caminho para casa, lembrei-me de algo de quase trinta anos atrás – um dia que eu nunca poderia esquecer.
Era uma história de antes de eu nascer, antes de eu vir a estar neste mundo. Num sentido, porém, foi o verdadeiro começo de toda a minha jornada. Em outras palavras, lembrei-me de algo do dia em que morri.
Eu tinha irmãos naquela vida. Meu irmão mais velho era casado e tinha filhos. Tinha duas, na verdade. Ambas meninas. Eram japonesas, então obviamente não se pareciam em nada com Norn e Aisha, mas eram notavelmente semelhantes em termos de quão inocentes eram. A casa dele ficava perto, então vinham frequentemente ficar na nossa casa de família. Ele, a esposa e as duas meninas.
Eu usei isso.
Um dia, eles montaram a piscina infantil, e as meninas estavam brincando. Meu irmão mais velho era fotógrafo, então tirou fotos delas com a nova câmera digital que tinha comprado.
Secretamente, tirei o cartão de memória da câmera dele, copiei as fotos e as peguei para mim. As fotos mostravam minhas sobrinhas em seus trajes de banho. Não que eu estivesse particularmente interessado nas meninas – apenas roubei as fotos porque podia.
Então chegou o dia em que meus pais morreram.
Eu usei aquelas fotos. E meu irmão mais velho me pegou no ato.
Antes daquele dia, acho que ele ainda estava disposto a falar comigo. Foi por isso que ele passou lá em casa. Minha irmã mais velha e meu irmão mais novo podiam estar preparados para me dar uma surra, mas não ele. Ele tinha praticamente desistido de mim, mas estava aberto a me dar uma última chance.
Mãe e Pai morreram. Não sobrou ninguém para te proteger. Não está na hora de você fazer sua vida andar de novo? Farei tudo o que puder para te apoiar, ele diria.
Se eu tivesse mudado de ideia e decidido tentar recomeçar minha vida, ele provavelmente teria me fornecido apoio financeiro. Esse era o tipo de cara que meu irmão mais velho era — o tipo que cuidara de mim todo aquele tempo sem desistir.
Até ver aquelas fotos. Até perceber o que eu tinha feito.
Meu irmão mais velho perdeu a cabeça na hora. Relembrando, ele foi o primeiro a me dar um soco. Não foi minha irmã, que há muito tempo sentia nojo de mim, ou meu irmão mais novo, que queria tanto me machucar que tinha trazido um taco de beisebol com ele.
Quando meu irmão mais velho viu as fotos que eu tinha usado para me satisfazer, ele pausou por cerca de cinco segundos, rugiu e me bateu.
Eu entendia a reação dele agora. Claro que entendia. Eu teria feito o mesmo. Usei as filhas amadas dele como material de masturbação. Se eu estivesse no lugar do meu irmão, eu teria me batido também.
Eu era agora o meu irmão mais velho. Era isso que eu estava sentindo.
Mas Aisha não era como eu. Ela era uma mulher e tinha vivido e trabalhado bem, muito mais do que eu jamais fiz na minha vida anterior. Tinha cumprido suas responsabilidades. Por isso eu não tinha batido nela. Em vez disso, senti uma forte resistência ao relacionamento deles, como se tivesse que separá-los. Era baseado inteiramente em emoções e no meu próprio senso de ética, não em lógica.
A culpa e o arrependimento que senti pelo que aconteceu naquela época me empurraram para a frente nesta vida. Eu não queria repetir os erros do passado. Provavelmente foi por isso que nunca senti inferioridade em relação aos meus irmãos, Aisha e Norn. Se eu olhasse para quem eu fora um dia, era estranho que eu nunca tivesse me comparado negativamente às minhas fofas irmãzinhas.
De qualquer forma, o que eu fiz naquela época foi diferente do que Aisha e Arus tinham feito, mesmo que parecesse semelhante na superfície.
Aisha e Arus não tinham roubado fotos um do outro. Eles enfrentaram seus respectivos sentimentos de frente e levaram tempo para construir seu relacionamento. Claro, Arus era jovem, e isso poderia ter levado ele a criar um apego instintivo à Aisha. Eu não podia dizer com certeza, mas aquilo provavelmente era parte disso. Independentemente disso, Aisha e Arus tinham passado dez anos — não, mais de dez anos — juntos. Era muito tempo.
Alegar que a Aisha estava atrofiando o crescimento do Arus foi apenas uma razão que veio depois do fato. A raiz de tudo isso foi meu exagero. Eu estava agindo como meu irmão naquele dia, só que meu comportamento não era nem de longe tão justificado.
Meu irmão e eu nunca mais nos vimos depois daquele dia. Eu morri, e nosso relacionamento chegou a um fim abrupto. Mas se eu tivesse continuado vivendo e pedido desculpas, imagino o que teria acontecido. Ele quase certamente teria cortado laços comigo, mas pelo menos eu poderia ter pedido desculpas. Duvidava que ele tivesse me perdoado, e nosso relacionamento nunca teria voltado ao normal, mas algo teria acontecido. Não sei o que seria esse algo, mas…
Por enquanto, eu entendia de onde vinha minha resistência ao relacionamento de Aisha e Arus. Aquele dia tinha me traumatizado. As coisas que fiz e as coisas horríveis que resultaram das minhas ações, e foi por isso que senti tão fortemente que era errado tocar na própria família.
Não havia como a força do meu trauma, minha repulsa, ser tão forte quanto o que meu irmão sentiu naquele dia. Mas se eu visse a Aisha de novo, tinha que pedir desculpas antes de qualquer outra coisa. Primeiro, tinha que pedir desculpas por forçá-los a se separar sem me explicar. Se não fizesse isso, não haveria como termos uma conversa. Não poderíamos começar a resolver as coisas.
Aisha me pedira desculpas durante aquela reunião de família, e até me pedira para explicar por que eu era contra o relacionamento deles. Eu precisava ser quem começaria as coisas – pedir desculpas e explicar minha vida anterior. Então falaríamos sobre o futuro deles novamente. Desta vez, teríamos uma conversa adequada. Talvez não chegasse a uma conclusão satisfatória, mas nenhum de nós sentiria a necessidade de forçar seu caminho através da discussão na marra.
Foi isso que concluí, pelo menos.
https://tsundoku.com.br
Foi um ano depois de encontrar a carta que nós os localizamos.
Tradução: Gabriella
Revisão: Pride
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Ele foi um homem ridículo em sua vida passada e cometeu varios erros nessa também. Mais uma coisa é certa ele se arrependeu. Ele sentiu repulsa ao olhar para sua irmã e seu filho, da mesma forma que seu irmão o viu na quele dia.
Acho que esse capítulo foi um bom desfecho da vida passada do protagonista.