Império Tearmoon

Império Tearmoon – Vol. 03 – Cap. 33 – Princesa Mia… Está Ficando Sem Opções

 

— Por favor, votem na Princesa Mia!

Unidos por sua cor recém-estabelecida, os membros da facção de Mia faziam campanha com vigor renovado. Fitas de vermelho-guilhotina adornando seus peitos, suas vozes animadas ressoavam nos corredores enquanto percorriam a escola. A própria Mia participou, lendo suas promessas de campanha para quem quisesse ouvir, com um sorriso cordial. Imaginando que sua única chance de vitória era fazer o que Rafina não podia, seus esforços de campanha tendiam para o aventureiro. Quando Abel sugeriu que ela tentasse fazer um discurso a cavalo, ela começou a se perguntar se eles finalmente tinham ido longe demais… mas a performance acabou sendo surpreendentemente bem recebida pelos estudantes de Equitação, elevando significativamente sua opinião sobre a proeza estratégica de Abel. Como resultado de seus esforços não convencionais, o apoio a Mia começou a subir lentamente. Apesar disso, ela estava a eras de realmente inclinar a balança a seu favor.

— De acordo com a análise de Chloe… conseguimos aumentar nossos números para pouco menos de vinte por cento — disse Mia, antes de soltar um suspiro cansado.

Seus companheiros de campanha presentes no quartel-general seguiram o exemplo. Eles haviam progredido, mas tal progresso havia estagnado. A vitória ainda estava longe de seu alcance.

Mas também não posso simplesmente desistir…

Ela tentara extrair mais detalhes de Bel na noite anterior, mas tudo o que conseguiu descobrir no final foi que Ludwig estava supremamente confiante em sua análise de que Mia precisava se tornar a presidente do conselho estudantil para que o mundo evitasse o desastre. O que, dada a sua situação atual, era uma informação extremamente indesejada.

Estamos tão para trás que não vejo como poderíamos virar o jogo…

Para piorar a situação, havia muitas pessoas — Bel, Anne, Tiona e Chloe, para citar algumas — que ainda estavam convencidas de que ela conseguiria no final. Ela estremeceu ao pensar em perder a eleição e ver os olhares de pura decepção em seus rostos.

U-Ugh… Só de imaginar já me sinto mal…

Sua contemplação sombria foi interrompida por Abel, que se aproximou dela com uma expressão grave.

— Mia, você tem um momento?

— Nossa, Abel. Qual é o problema?

— Eu… só queria me desculpar. Por interferir em suas promessas de campanha. Esta situação é minha culpa…

— Hã?

Sua reação perplexa apenas transformou a carranca de lábios apertados dele em uma careta amarga.

— Sei que você baseou a maior parte de sua plataforma oficial na que eu redigi. Isso me torna responsável por esses resultados desanimadores que estamos vendo. Você provavelmente poderia ter tido ideias muito melhores… Ideias maravilhosas que nunca teriam passado pela minha cabeça… Mas porque eu apareci com minha lista, você decidiu ser gentil comigo e usá-las, não foi?

— Do que você está falando? Nada poderia estar mais longe da verdade!

Ela quis dizer isso, também.

— Se você não tivesse aparecido para ajudar, eu nem teria uma lista de promessas de campanha agora!

O que ela disse era cento e vinte por cento verdade. Não havia um pingo de falsa modéstia em sua afirmação. Sua veracidade foi ainda mais validada por uma voz na porta.

— Ela está certa, sabe — disse Sion, ao entrar na sala. — A humildade só é uma virtude quando exibida com moderação, Príncipe Abel. Tenha um pouco de fé em si mesmo.

— Mas…

— Você viu a plataforma da Senhorita Rafina, não viu? As políticas dela são impecáveis. Você realmente acha que poderíamos ter produzido algo que a superasse em qualidade? E mesmo que tivéssemos, quão melhor poderia ter sido? O suficiente para apagar a vantagem esmagadora da Senhorita Rafina sobre a Mia? Acho que não.

A grande diferença de apoio entre as duas candidatas podia ser atribuída à vantagem do titular. Rafina, que já tinha um histórico impressionante, podia simplesmente jogar pelo seguro com suas promessas de campanha. Mia, por outro lado, não tinha realizações em seu currículo e sua competência política ainda era desconhecida. Para que ela vencesse, precisaria apresentar algumas ideias verdadeiramente inovadoras para conquistar os corações dos estudantes.

— Em essência, não havia chance de superarmos a Senhorita Rafina nas promessas de campanha, contanto que fizéssemos isso da maneira correta — concluiu Sion.

— Que coisa estranha de se dizer. Se não fizermos da maneira correta, o que devemos fazer? — perguntou Mia, com uma inclinação de cabeça intrigada.

Ele lhe lançou um olhar conhecedor antes de balançar a cabeça.

— Sério, Mia? Você, de todas as pessoas, deveria saber a resposta para isso.

— O que quer que você queira dizer?

— Perguntei a Bel sobre aquelas ideias de campanha que vi na biblioteca outro dia, e ela me disse que foi você quem as escreveu.

— …Hã?

Demorou alguns momentos para ela perceber que ele estava falando da lista não filtrada de desejos pessoais que ela colocara no papel.

B-Bel! Sua pequena traidora! Você me entregou! Eu ia levar isso para o túmulo!

Objetivamente falando, ela nunca proibira explicitamente Bel de divulgar o autor original do Projeto MSC, então tecnicamente não era uma traição. Isso não tornava a situação mais fácil de engolir, no entanto, e ela teve que forçar para baixo um grito de desespero.

— …O que é isso agora? — perguntou Abel, as sobrancelhas franzidas em curiosidade cautelosa.

— E-Er, não é o que você pensa. V-Veja bem, eu… — gaguejou Mia.

Ela estava prestes a dar uma desculpa para sua criação embaraçosa quando Sion respondeu em seu lugar.

— Aquela lista de promessas era o caminho a seguir. O conteúdo talvez precisasse de um pouco mais de trabalho, mas em termos de abordagem, era definitivamente a correta.

— …Eh?

— Vejo que você não tem intenção de abandonar o disfarce. Justo. Continuarei explicando então — disse ele, dirigindo-se a todos os outros na sala. — Veja bem, o que ela percebeu foi que uma abordagem imparcial e de princípios à sua plataforma não teria chance contra a Senhorita Rafina. Portanto, como um tipo de experimento mental, ela tentou anotar algumas promessas que eram… um pouco menos nobres.

— Entendo o que você quer dizer. — Abel assentiu, seus olhos se arregalando em compreensão.

Ambos os príncipes olharam para Mia com mais do que um pouco de admiração em seus olhares.

— E-Er… Bem, suponho que vocês me pegaram. É exatamente isso…

Ela pulou no bonde. O que era definitivamente estranho, considerando que os outros passageiros estavam todos sob a impressão de que ela estava dirigindo, mas tais inconsistências não eram nada que um sorriso presunçoso não pudesse resolver. Então ela colocou um e olhou ao redor da sala como se estivesse lhes perguntando: Demorou tanto tempo para vocês entenderem? As gotas de suor frio escorrendo por suas costas eram muito desconfortáveis, mas uma mentirosa experiente como Mia não ia deixar que isso atrapalhasse sua performance.

— E aí está. Como pode ver, Príncipe Abel, não há necessidade de você se desculpar. Mia já havia explorado maneiras de vencer a Senhorita Rafina, e ela as abandonou de bom grado.

— O que você quer dizer? Se há uma maneira de vencer, por que desistir?

— Você não vê? O que acontece se você levar essa linha de pensamento e a empurrar para sua conclusão lógica? Digamos que tentamos nos diferenciar maximizando a distinção ideológica. Qual é a promessa que vai mais contra os ideais da Senhorita Rafina? Instituir tratamento preferencial para nobres proeminentes, talvez?

— O quê? Você enlouqueceu, Príncipe Sion? Não podemos fazer isso. — Abel piscou, espantado, mas Sion balançou a cabeça.

— Você pode não querer, mas a verdade infeliz é que seria uma estratégia muito eficaz. A Senhorita Rafina é uma pessoa benevolente, mas é igualmente benevolente com plebeus e nobres. Na verdade, ela julga os nobres com mais rigor, e eu não ficaria nem um pouco surpreso se um bom número deles não gostasse particularmente dessa abordagem.

— Entendo. Propor os mesmos tipos de coisas que a Senhorita Rafina não daria às pessoas nenhuma razão para mudar seu voto. Se lutarmos com ela em seus termos, ela simplesmente apresentará uma lista perfeita de promessas de princípios, e imparciais, e nos esmagará.

Entre as capacidades financeiras do conselho estudantil e a mão de obra que poderia reunir, havia um limite para o que a organização poderia realisticamente alcançar, especialmente ao considerar as restrições gerais da academia como um todo. Suponha, por exemplo, que São Noel tivesse um total de vinte problemas para resolver, e o conselho estudantil tivesse capacidade para lidar com dez deles. Embora isso ostensivamente permitisse inúmeras permutações na escolha de quais problemas resolver, o número real de variações era muito menor na prática. Aqueles com uma compreensão precisa da condição da academia e um entendimento profundo das capacidades do conselho estudantil naturalmente chegariam às mesmas conclusões sobre o que poderia ser realisticamente realizado. A única diferença, então, seriam suas prioridades.

Portanto, se Rafina tomasse o lado do bem em suas promessas de campanha, Mia teria que apresentar as do mal. Se Rafina promovesse tratamento justo e imparcial para todos os estudantes, Mia teria que oferecer tratamento injusto e preferencial para certos grupos. Essa era a única maneira de Mia se diferenciar. Contanto que o conselho tivesse que operar dentro dos limites de seu pessoal e orçamento, as maneiras como poderia ser administrado convergiriam para o mesmo ponto. Se Rafina já estivesse nesse ponto, não haveria mais espaço para Mia.

Os dois príncipes continuaram a discutir os princípios da estratégia eleitoral, prestando pouca atenção a Mia, cujas bochechas vinham inflando constantemente enquanto ela ouvia.

Que terrivelmente injusto da parte da Rafina pegar todas as boas ideias e usá-las para si mesma! Isso é trapaça!

 


 

Tradução: Gabriella

Revisão: Matface

 

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