— Hã? Você quer que eu me junte ao conselho estudantil?
Totalmente pega de surpresa, Mia mal se lembrou de levar a mão à boca para cobrir a boca aberta.
O conselho estudantil da Academia São Noel não era um mero exercício de autogoverno estudantil. Os matriculados aqui eram a nata da nata, escolhidos a dedo tanto por sua influência quanto por seu potencial. Em um lugar com uma congregação tão densa de futuros líderes, ser eleito para o conselho estudantil conferia tanto prestígio quanto influência real e manejável.
Nem é preciso dizer, então, que na linha do tempo anterior, Mia estivera de olho em uma posição no conselho. O problema era que apenas o presidente era determinado por eleição. Todos os outros cargos, que consistiam em um assistente do presidente, dois vice-presidentes, dois secretários e um tesoureiro, eram nomeados pelo presidente. Mia, tendo manchado tanto sua própria imagem que Rafina se recusou a sequer reconhecer sua presença, obviamente não foi selecionada para nenhum dos cargos. Seu nome nunca esteve sequer na mesa.
Sendo Mia, no entanto, ela não teve a audácia de desafiar Rafina pelo posto de presidente. Então ela acabou votando em Rafina e — de uma forma pateticamente alheia — passou o resto do período de votação se perguntando nervosamente se Rafina poderia tocá-la no ombro em algum momento e perguntar sobre seu interesse no conselho estudantil. Nem é preciso dizer que isso nunca aconteceu, e as nomeações terminaram com ela assistindo despercebida da plateia.
Tendo anteriormente falhado em garantir um lugar no conselho estudantil, seria de se esperar que Mia ficasse exultante com o fato de Rafina agora a estar convidando pessoalmente. Isso, na verdade, não era verdade. Em vez disso, ela preferia não ter nada a ver com o conselho estudantil. Mia era uma mulher mudada. Fora a garota ingênua cujo coração inocente ainda podia experimentar alegria pura e desenfreada, e cuja mente simples ainda reverenciava a influência inigualável como algo glorioso. Ela era uma adulta agora; vinte e poucos anos de vida lhe ensinaram algumas coisas. Poder e prestígio, ela agora sabia, eram sempre acompanhados de grande responsabilidade. O que aconteceria, por exemplo, se ela aceitasse a oferta de Rafina, mas negligenciasse seus deveres subsequentes?
Indubitavelmente, ela ganharia seu descontentamento. Essa coisa das Serpentes do Caos, para não mencionar Bel, já estava se mostrando um punhado. A última coisa que ela precisava era arriscar criar um racha entre ela e Rafina. Como tal, ela imediatamente começou a pensar em uma maneira de recusar educadamente a oferta.
— Mas, Senhorita Rafina, certamente você não se esqueceu de que sou a Princesa de Tearmoon? — disse ela, decidindo tentar a desculpa fácil primeiro.
Havia uma regra não dita no conselho estudantil de São Noel que proibia a nomeação de nobres de Tearmoon, Sunkland e seus reinos aliados para cargos no conselho. Devido à tremenda influência exercida pelo conselho estudantil, muitas manobras costumavam ocorrer nos bastidores. Facções se formavam em torno de candidatos de nações poderosas, levando a rivalidades intensas que muitas vezes se tornavam feias. As escaramuças e sabotagens que se seguiram eram terrivelmente improdutivas e eventualmente cresceram a ponto de perturbar a vida estudantil regular. Em um esforço para evitar repetir as falhas do passado, nasceu uma regra não dita que proibia a nomeação de estudantes que tivessem laços com as duas nações para cargos dentro do conselho. O convite de Rafina era uma clara violação dessa regra. Mas…
— Não vejo problema nisso. Quanto à regra… Bem, não está escrita em lugar nenhum, está? Além disso, idealmente, um conselho estudantil não deveria ser aberto a todos os estudantes da academia? Com você ao meu lado, Mia, sinto que posso perseguir esse ideal. — Rafina a observou com olhos cheios de convicção. — Eu a conheço como alguém que vê as pessoas não por sua posição ou pedigree, mas por quem elas realmente são. Estou errada?
Suas palavras evocaram memórias de encontros passados na mente de Mia.
Isso me lembra… Ela me disse o quão feliz estava por me ver me dando bem com Anne, e depois que me tornei amiga de Chloe e Tiona, ela sempre sorria para mim quando me via com elas… Ugh, eu aprecio a confiança, Rafina, mas realmente não estou ansiosa pelo estresse de tentar corresponder a ela.
Naquele momento, um sussurro suave chegou a seus ouvidos. — …Conselho estudantil?
A voz era fraca e tremia um pouco. Ela olhou na direção de sua fonte para encontrar Bel, sua mão congelada no ar acima de um bolinho de chá, e seu rosto pálido enquanto ela encarava Rafina.
O que deu em você, Bel? Falamos sobre algo que—
Naquele momento, Mia de repente se lembrou de quem Bel era. Ela era sua neta, sim, mas antes disso…
Minha guia. Isso mesmo. Ela é minha estrela-guia, enviada aqui para guiar meu caminho.
Ela desejara às estrelas, e Bel aparecera diante dela. Mesmo que fosse uma completa coincidência, considerando que Bel tinha conhecimento do futuro, qualquer coisa que a deixasse pálida definitivamente não era brincadeira.
É melhor eu considerar minhas opções com cuidado…
Como uma covarde profissional, o pulso de Mia acelerou imediatamente com o indício de perigo no ar.
Tenho a sensação de que estou em uma encruzilhada, e algo muito ruim acontecerá se eu pegar o caminho errado.
Confiando em seus instintos, ela disse a primeira coisa que lhe veio à mente.
— Sinto-me honrada… Sim, extremamente honrada por você me considerar, mas ser um membro do conselho vem com sérias responsabilidades, e me preocupo com minha capacidade de cumpri-las. Posso ter um tempo para pensar sobre isso? — perguntou ela.
Rafina sorriu.
— Claro. Não há pressa, leve o seu tempo. — Ela tomou um gole de chá. Seu sorriso permaneceu, mas adquiriu uma qualidade mais sóbria. — Devo dizer, no entanto, que para você ser tão impassível pela promessa de poder e prestígio… É realmente impressionante.
— Você me lisonjeia com tais observações, Senhorita Rafina. Simplesmente desejo evitar lhe causar problemas por minha própria inadequação.
Copiando Rafina, Mia pegou sua xícara e tomou um gole de chá. Só então percebeu o quão seca sua boca se tornara.
Tradução: Gabriella
Revisão: Matface
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