Império Tearmoon

Império Tearmoon – Vol. 03 – Cap. 11 – A Fachada da Grande Sábia do Império

 

— M-Minha neta? V-Você quer dizer, tipo, a filha do meu, meu filho?

Estupefata, ela pouco pôde fazer além de encarar enquanto seu cérebro lutava para analisar a definição básica da palavra. As semelhanças físicas da garota com ela eram inegáveis, mas mesmo assim…

Normalmente, tal afirmação seria ridícula, mas Mia já vira demais para descartá-la como um completo absurdo. Afinal, para Bel ser sua neta, ela teria precisado realizar um feito inédito até mesmo nos contos de fadas mais fantásticos — um salto para trás no tempo. Mas saltos para trás no tempo eram algo com que Mia tinha experiência em primeira mão. Isso também não poderia ser um estratagema das Serpentes do Caos; se Bel fosse uma de suas agentes, não tentaria enganá-la com uma afirmação tão extravagante.

Parecia impensável — uma realidade mais estranha que a ficção — mas a pura absurdidade convenceu Mia de que Bel estava dizendo a verdade.

— Então isso significa… Miabel, você é…

— Oh, por favor, me chame de Bel, Avó — disse ela, timidamente.

— Ok, então. Nesse caso, você pode me chamar pelo meu nome também.

— Ok, eu vou, Avó.

Algo entre um rosnado e um gemido escapou da garganta de Mia. Na linha do tempo anterior, ela vivera por vinte anos. Agora, pós-salto no tempo, ela tinha quase mais três anos em seu currículo. Seu nível de maturidade, não obstante, ela era tecnicamente uma mulher de vinte e dois ou vinte e três anos. Mas isso não era nem de longe velho o suficiente para ela suportar alguém a chamando de “Avó”. Mãe, ela poderia ter aceitado com relutância, mas a parte “Avó” era simplesmente demais; feria-a por dentro. Ela se levantou e caminhou — mais como se arrastou, na verdade, por estar meio submersa na água — até Bel. Então, sem uma palavra, ela agarrou seus ombros delicados e sorriu de forma um tanto ameaçadora.

— Se alguém perguntar, Bel, eu sou sua irmã, e você me chamará de Senhorita Mia.

— Hã? Mas, Avó—

Ela se inclinou sobre Bel, aproximando seu rosto tanto que seus narizes quase se tocaram.

Irmã. Você. Entendeu?

— Hã? Hã? Mas— Ai! Ai! Dói! Seus dedos estão cravando—

— Vamos praticar, que tal? Repita comigo. Você é minha irmã, e eu a chamarei de Senhorita Mia.

— V-Você é minha irmã e… E-Eu a chamarei de Senhorita Mia.

A voz de Bel tremeu de medo, mas ela conseguiu terminar a frase. Só então Mia a soltou.

— Bom. Enfim, passando para assuntos mais significativos… Bel, por acaso você teve sua cabeça cortada por uma guilhotina?

— …Eh? — Bel piscou algumas vezes com a pergunta abrupta antes de rir. — Ahaha, que pergunta estranha. Você diz isso como se fosse possível ser guilhotinada e depois continuar andando por aí.

Pode sim! pensou Mia, embora fosse inteligente o suficiente para manter sua discordância interna. Ainda assim, isso me diz que ser guilhotinada não é uma condição para saltar no tempo… Por outro lado, agora que penso nisso, não é nem o mesmo tipo de salto no tempo que ela experimentou. Talvez isso seja algo totalmente diferente…

Naquele momento, uma memória brilhou em sua mente.

Há um tempo, eu desejei alguma orientação. Algo como o diário sangrento…

Ela olhara para o teto da biblioteca, esperando encontrar uma estrela-guia para guiar seu caminho.

Poderia ser isto — poderia ser ela — isso?

Ela observou Bel, cujo sorriso se tornara triste.

— Mas… Talvez não seja tão estranho. Talvez… você esteja certa — disse ela, melancólica.

— Hm? O que você quer dizer?

— A verdade é que eu estava fugindo, e a última coisa que me lembro é de estar a segundos de ser capturada. Devo ter desmaiado logo antes de acontecer. É por isso que você pode estar certa. Quando eu acordar deste sonho… provavelmente me encontrarei na guilhotina. — Ela baixou os olhos, e a desolação de suas palavras pareceu preencher o silêncio que se seguiu. Então, ela ergueu o rosto e olhou diretamente para Mia. — Mas… estou feliz que o último sonho que terei é este. É um sonho tão divertido e feliz… e eu sempre quis te conhecer, Avó— quer dizer, Senhorita Mia.

Ela sorriu. Não era um sorriso particularmente bonito; muito lábio e pouca bochecha — as primeiras tentativas desajeitadas de uma criança aprendendo uma habilidade desconhecida, cativante em seu charme e comovente em seu significado. A próxima coisa que soube foi que Mia tinha as mãos firmemente entrelaçadas nas de Bel.

— Está tudo bem, Bel. — Mia olhou de volta da mesma forma. — Está tudo bem. Este sonho não vai acabar. Eu, Mia Luna Tearmoon— Não…

Ela fez uma pausa e balançou a cabeça gentilmente. Então, com um sorriso suave, ela disse: — A avó que você sempre respeitou… Ela não vai permitir.

Para tranquilizar Bel, Mia ergueu o queixo ligeiramente em um gesto de confiança.

— Então me diga — continuou ela. — O que aconteceu? Por que diabos um membro da família imperial estava fugindo?

Bel levou um momento para se recompor. Então ela se levantou, determinada a contar sua história.

— É porque…

— Porque? — Mia engoliu em seco enquanto esperava por suas próximas palavras, mas antes que viessem…

— Ah… Minha cabeça…

De repente, o corpo de Bel balançou bruscamente para um lado. A partir daí, a gravidade assumiu, e ela desabou na água.

— O quê— Bel? Oh, minha nossa, o calor deve ter te afetado.

Mia correu e a tirou da água.

— Oh, sua coisinha boba. O que vou fazer com você — disse ela, segurando a garota em seus braços como um bebê. — Vamos tirar você daqui.

Ao se levantar, ocorreu-lhe que ela estivera na banheira por mais tempo que Bel. Considerando que Bel estava atualmente incapacitada, isso parecia implicar…

— M-Minha nossa?

Sua cabeça parecia leve, e o quarto parecia girar. — E-Eu sinto um pouco de tontura…

A próxima coisa que soube foi que estava estendida no chão, com o rosto pressionado contra os azulejos frios.

— Ah… O chão… é tão bom…

Alguns minutos depois, Anne entraria e encontraria dois corpos estendidos no chão do balneário, e foi preciso cada grama de compostura nela para não adicionar um terceiro à cena. O único ponto positivo de sua desastrosa ida ao banho foi, talvez, o fato de que Bel — sendo a primeira a cair — não testemunhara a visão inglória de sua avó semiconsciente esfregando a bochecha corada pelo calor contra o chão do balneário. Seu respeito por Mia, portanto, permaneceu imaculado, e a fachada da Grande Sábia do Império viveria para enganar outro dia.

Tudo está bem quando acaba bem!

 


 

Tradução: Gabriella

Revisão: Matface

 

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