Mia mal andara cinco passos quando a sede começou a fazer cócegas em sua garganta.
— Deve haver uma jarra de água no meu quarto, mas…
Ela tinha quase certeza de que Anne geralmente trazia uma para ela antes de dormir… mas assim que Mia adormecia, ela permanecia dormindo. Nunca acordara no meio da noite para beber um pouco de água. Consequentemente, quanto mais pensava nisso, menos certeza tinha se aquela jarra estava lá durante a noite ou se Anne a trazia de manhã cedo.
Na verdade, Anne — abençoada seja sua alma devota — estava de fato trazendo uma jarra antes de ela dormir e trocando-a por uma nova todas as manhãs. Enfim…
— …Se eu voltar para o meu quarto e descobrir que não há jarra, sinto que ficarei com sede demais para adormecer.
Sendo um pouco preocupada, uma vez que Mia começava a se preocupar com algo, era difícil para ela parar. Certo, beber mais água agora provavelmente levaria a outra ida ao banheiro mais tarde, mas, por enquanto, ela queria saciar sua sede.
Não é tão longe daqui para a cafeteria. Talvez, em vez de voltar para o meu quarto imediatamente…
A cafeteria sempre tinha um suprimento prontamente disponível de água potável que fluía de uma nascente. Belluga era rica em água, e embora não fosse possível fornecer a cada quarto seu próprio suprimento, a infraestrutura hídrica do Sagrado Principado era, em geral, altamente desenvolvida.
Após um momento de deliberação, Mia, com a confiança reforçada por sua bem-sucedida ida ao banheiro, partiu em direção à cafeteria.
…Como se puxada por alguma força invisível.
Quando Mia chegou à entrada da cafeteria…
— Nossa? Que som é esse?
Ela se concentrou, tentando distinguir o que era. Lembrou-a de fungadas. Ou, talvez, o som que uma garota fazia quando estava soluçando baixinho sozinha…
De repente, ela se lembrou da história que ouvira durante o almoço. Era sobre… o fantasma de uma estudante que tirou a própria vida!
— N-Não pode ser… Não pode ser…
Ela deveria ter se virado e corrido. Em vez disso, a curiosidade mórbida levou a melhor, e ela semicerrou os olhos através da luz fraca na direção do som.
— Eee—!
Ela engoliu um gritinho e congelou. Ali, na escuridão, estava uma jovem que parecia ser um pouco mais nova que Mia. O cabelo da garota era longo e desgrenhado. Ela estava vestida com farrapos, e sua pele estava manchada de sujeira e fuligem. Sua aparência contrastava fortemente com o ambiente, não se assemelhando a uma estudante de São Noel, mas a uma moradora das favelas. O que mais chamou a atenção de Mia, no entanto, foi o quanto dela estava vermelho.
Não havia muita luz na cafeteria, mas era mais do que suficiente para a visão ser gravada nos olhos de Mia. Da cabeça ao tronco, a garota estava coberta por um líquido vermelho. Ele pingava dela, formando uma poça no chão, parecendo em tudo com…
— Gyaaaaaaaah!
Mia gritou. Pelo menos, ela queria. O que saiu de sua garganta foi mais um gemido agudo.
O-O que é isso?! É-É o fantasma ensanguentado daquela estudante?! Eeeeeeek!
Ela tropeçou para fora da cafeteria em pânico e correu o mais rápido que pôde em direção ao seu quarto. Seus chinelos voaram de seus pés em sua pressa, mas ela mal podia se dar ao trabalho de recuperá-los. Seus pés descalços batiam com força no chão a cada passo, tentando impulsioná-la para a frente na velocidade máxima, mas o progresso ainda parecia lento. O corredor parecia se estender infinitamente à distância, como se ela estivesse presa em algum tipo de pesadelo. Além disso, era só ela ou…
Eeeeeeek! A-A-Algo está me perseguindo!
Lá estava! E de novo! O som de passos atrás dela. Eram rápidos. E estavam se aproximando. Mia começou a soluçar enquanto tentava desesperadamente superar o que quer que estivesse vindo atrás dela. Ela chegou a seu quarto, entrou pela porta e gritou com uma voz aterrorizada: — Anne! Anne! — enquanto mergulhava na cama de sua criada.
Apenas para perceber que estava vazia.
— Anne?! O-O que está acontecendo— Onde você está?
Deixada por conta própria em uma cama vazia, sua imaginação rapidamente começou a levar a melhor.
E se, pensou ela, todos tivessem ido embora, e eu estivesse sozinha no mundo com aquela coisa?
Ela se lembrou de uma cena de sua vida anterior, na qual sua colega de classe amante de terror, Dora, contara com entusiasmo uma história nesse sentido.
Q-Qual é o meu problema?! De todas as vezes para lembrar de algo assim, por que agora?! De jeito nenhum! Essa história não é real! Anne deve ter acordado e percebido que eu não estava aqui, então foi me procurar! É só isso! De jeito nenhum todo mundo desapareceria assim. Isso seria um pesad—
Ela congelou, percebendo que cometera um erro terrível.
Eu… eu esqueci de trancar a—
Como se fosse um sinal, a porta rangeu ao se abrir. Seu coração soltou um lamento silencioso de terror.
Eeeeeeek!
Em uma tentativa desesperada de sobreviver ao encontro iminente, Mia entrou em ação — jogando o cobertor sobre si mesma e fechando os olhos com a maior força que pôde.
T-Tem que ser a Anne! Eu sei que é! A Anne voltou! Não poderia ser mais ninguém! Não poderia— Eek!
Algo subiu na cama.
I-Isso é estranho. Se é a Anne, ela deveria pelo menos dizer alguma coisa!
Ligeiramente, muito ligeiramente, Mia abriu os olhos e espiou nervosamente em direção ao pé da cama… Apenas para o rosto de uma jovem, com filetes de líquido vermelho escorrendo por suas bochechas, aparecer a meros centímetros do seu.
Gyaaaaaaaaa—
Com isso, Mia desmaiou.
Tradução: Gabriella
Revisão: Matface
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