Império Tearmoon

Império Tearmoon – Vol. 03 – Cap. 06 – O Silogismo de Chloe, Tiona e Mia

 

— Um… f-f-fantasma? — gaguejou Mia. Dora assentiu solenemente.

— Ouvi de uma das minhas amigas. Aparentemente, ela estava andando no dormitório das meninas tarde da noite, e ela o viu… — Ela fez uma pausa antes de abrir bem os olhos e olhar para Mia. — O fantasma de uma garota em farrapos!

V-Você pode parar com essas expressões esquisitas?!

Mia conseguiu manter o sorriso no rosto enquanto reprimia um grito. Um escrutínio mais atento teria revelado os tiques em suas bochechas, mas, felizmente, nenhuma das garotas presentes era particularmente observadora.

— Dizem os rumores que é o fantasma de uma estudante que perdeu seu amor e tirou a própria vida, ou uma criança pobre que se afogou no lago.

Como se fosse um sinal, as outras garotas seguiram com uma rodada de gritinhos e conversas.

— Nossa, que assustador!

— Não tenho certeza se conseguirei dormir esta noite!

— Deveríamos começar a andar em grupos no dormitório! — Uma das garotas se virou para Mia. — Que história terrível… Princesa Mia, você acha que fantasmas realmente existem?

— Fantasmas, você diz… Acho que eles dão uma ótima história… — Mia abriu um sorriso confiante. — Uma Mia mais jovem poderia ter ficado com medo, mas, infelizmente, parece que superei isso.

Então ela suavemente colocou a última mordida de seu sanduíche na boca antes de se levantar e fazer uma reverência para suas colegas de classe.

— De qualquer forma, preciso fazer algumas preparações para minha próxima aula, então vocês terão que me desculpar.

Com isso, ela saiu apressadamente do pátio.

 

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Assim que entrou no prédio da escola, ela começou a correr. Quando chegou às escadas, estava em plena velocidade. Sua saia esvoaçava descontroladamente enquanto ela subia, subindo os degraus de dois em dois. Era um espetáculo e tanto para uma garota de alta estirpe fazer de si mesma, mas ela simplesmente não se importava naquele momento.

Ela parou derrapando na frente de uma sala de aula, abriu a porta com força e gritou o nome antes mesmo de avistar a pessoa.

— Chloe! Chloe!

Após uma varredura frenética da sala, ela avistou Chloe olhando para ela em choque.

— Hã? Princesa Mia? O que há de errado?

Chloe estava se preparando para a próxima aula enquanto Tiona estava sentada ao seu lado. As duas garotas se conheceram através de Mia e, para sua surpresa, tornaram-se amigas rapidamente. Aparentemente, o vasto conhecimento de Chloe sobre plantas era muito útil para Tiona, que frequentemente ajudava no trabalho da fazenda em casa. Elas pareciam estar no meio de uma conversa agradável antes de Mia interromper tudo bruscamente. Talvez fosse um pouco rude, mas Mia não tinha tempo para boas maneiras.

— Chloe, tenho uma pergunta para você! — exclamou ela. — Você acha que… fantasmas são reais?

Como regra geral, Mia não acreditava em fantasmas e considerava terrivelmente infantil acreditar no contrário. Ela não achava que eles eram reais… mas sua covarde interior, no entanto, garantia que eles ainda a assustassem. Portanto, de tempos em tempos, ela precisaria de alguém para lhe garantir que fantasmas não eram, de fato, reais.

Sua experiência na biblioteca no outro dia a deixara abalada, e ela só conseguira superar isso convencendo-se de que seus olhos a estavam enganando. Ainda assim, ela não se recuperara totalmente do modo “jovem donzela aflita”, então estava particularmente desesperada por alguma garantia.

Ela precisava que alguém lhe dissesse que fantasmas não são reais. O problema era que não era qualquer um que serviria. Anne, por exemplo, faria isso de bom grado, mas poderia não ser sincera; sempre havia a possibilidade de que ela estivesse apenas dizendo isso para acalmar Mia. Ela também não podia ir até Abel ou Sion. O primeiro provavelmente riria e diria que ela se assusta com muita facilidade… o que, agora que ela pensava sobre isso, poderia ser uma ótima desculpa para enterrar o rosto no peito dele e—

Não! Não, não, não! Absolutamente não! E-Eu não posso fazer algo tão imodesto!

No final, seu senso de decoro a impediu de pedir ajuda a Abel. Sion, enquanto isso, apenas zombaria dela por ser um bebê chorão, então ele estava definitivamente fora de questão.

Rafina era tecnicamente uma opção. Ela parecia uma especialista em tais assuntos… mas isso também tinha algumas implicações assustadoras.

“Oh, minha nossa, Mia, você não sabia? Fantasmas são muito reais. Eles estão ao nosso redor. Na verdade, um deles está bem atrás de você…”

Mia estremeceu. Se Rafina lhe dissesse algo assim, ela ficaria traumatizada para o resto da vida.

Isso deixava Chloe, que era suficientemente confiável e provavelmente refutaria a existência de fantasmas para ela. Sendo uma leitora muito mais voraz do que a própria Mia, Chloe parecia o tipo de pessoa que calmamente e racionalmente lhe explicaria por que fantasmas não poderiam existir. Então, com todas as suas esperanças depositadas em sua querida amiga de livros, Mia fez a pergunta crucial.

Chloe… não disse nada. Ela nem mesmo riu. Em vez disso, olhou para o chão, como se estivesse profundamente pensativa. A luz refletia em seus óculos em um ângulo estranho, obscurecendo seus olhos. Sua expressão era ilegível… e mais do que um pouco sinistra.

— Hum, Princesa Mia… — ela finalmente disse após um longo silêncio. — Eu não sei muito sobre fantasmas, mas…

— Mas posso te dizer que os demoníacos definitivamente existem. Eles aparecem o tempo todo em nosso domínio — disse Tiona, respondendo no lugar de Chloe.

Em geral, dizia-se que os demoníacos apareciam com mais frequência em áreas rurais do que nas cidades. O Condado-Distante de Rudolvon, onde Tiona vivia, ficava longe da capital imperial, então fazia sentido que ela tivesse mais chances de encontrar esse tipo de pessoa.

— O que os demoníacos têm a ver com fantasmas? — perguntou Mia.

— Bem, eu só pensei que se coisas que você não pode ver, como demônios, existem, então não pode ser um grande exagero assumir que fantasmas também existem…

A resposta de Tiona pegou Mia de surpresa; ela não havia considerado essa linha de raciocínio, e foi tornada ainda mais convincente pelo fato de que ela tinha experiência em primeira mão de um fenômeno inquestionavelmente sobrenatural. Desde seu salto alucinante no tempo, ela se tornara uma crente. Não por qualquer razão profunda ou filosófica, veja bem. Ela apenas imaginou que um milagre como aquele só poderia ter sido obra de Deus.

“O Deus todo-poderoso me concedeu algo terrivelmente especial. Isso me torna… a escolhida, de certa forma…”, ela ponderou em um momento profundo do que quer que seja o oposto de humildade.

Seu ego inflado não obstante, a lógica em exibição era sólida. Se Deus existia, então havia uma chance muito boa de que todas as outras coisas escritas no Livro Sagrado também existissem. Ou seja, o Arquidemônio… e os demoníacos… Entidades aterrorizantes como essas certamente poderiam ser reais, caso em que era totalmente possível que fantasmas também fossem reais. Assim concluiu-se o silogismo de Mia.

O que a apavorou.

P-P-Por que diabos você diria algo que torna tudo muito mais assustador?! Gah! Essa garota! Eu a odeio e retiro tudo de bom que já disse sobre ela!

Ela fixou Tiona com um olhar hostil. Enquanto isso, Chloe procedeu a jogar sal em suas feridas, dizendo: — Sabe, tenho um livro comigo que talvez você queira dar uma olhada…

Mia quase gritou com o som repentino da voz suave, mas — dada a atmosfera — assustadora de Chloe, apenas para assistir horrorizada enquanto ela produzia um livro ainda mais assustador com um esqueleto desenhado na capa.

— H-H-Hmm? S-Sobre o que é esse livro?

Chloe soltou uma risadinha de entusiasmo enquanto o folheava. — Bem, este, veja bem, é um livro de uma ilha no extremo leste. Seu título se traduz como “Compêndio Ilustrado de Criaturas Sobrenaturais”, e é basicamente uma coleção de obras de arte que retratam monstros assustadores — explicou ela, mostrando a Mia seu conteúdo.

Espalhadas por suas páginas havia fotos de… coisas. Uma delas tinha um pescoço perturbadoramente longo. Outra tinha três olhos. Ainda outra estava devorando uma pessoa inteira. Havia mais, mas ela não chegou tão longe. Sua visão turvou, e ela lentamente começou a tombar.

— Alteza! O que há de errado?!

Tiona pulou em pânico e conseguiu colocar um braço ao redor de Mia antes que ela caísse completamente.

— E-Estou bem. Só… sinto um pouco de tontura, é só isso. Ficarei bem logo — disse ela, com o rosto pálido como um fantasma.

— Você parece péssima. Acho que é melhor chamarmos Anne.

Sentindo-se extremamente mal, Mia se ausentou de suas aulas da tarde e tirou uma longa soneca em seu quarto. Quando finalmente se recuperou, já era hora do jantar. Como perdera o chá da tarde e seus doces associados, decidiu se permitir um pouco, comendo e bebendo à vontade, lamentavelmente inconsciente de que sua escolha gulosa logo levaria a mais uma tragédia.


 

Tradução: Gabriella

Revisão: Matface

 

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