O trio seguiu em direção à mansão do prefeito, tentando ao máximo manter um perfil discreto no processo. Imaginando que era melhor se disfarçar, Sion colocou um chapéu enquanto Mia enrolava um pano na cabeça e o amarrava sob o nariz. Sion, por sua vez, usava bem sua nova vestimenta, mas o mesmo não podia ser dito de Mia. Por estar bastante nervosa, suas mãos não paravam de se mexer e seus olhos não paravam de dardejar por todo lado. Sinceramente, seu disfarce a tornava mais suspeita. A cidade, no entanto, estava ocupada, e ninguém prestou muita atenção neles.
Jovens armados alinhavam as ruas. Suas vestes e armamentos – uma miscelânea de todos os tipos de coisas – careciam da uniformidade de um verdadeiro exército, mas todos usavam a mesma expressão de olhos brilhantes de excitação.
— O exército revolucionário…
A princípio, a visão evocou memórias passadas, mas ela rapidamente notou a diferença entre o exército que lembrava e o que via agora. Os olhos dessas pessoas brilhavam com o entusiasmo inocente daqueles que participam de um festival. Eles não estavam atolados no tipo de ódio e ameaça que escorria para fora, envolvendo-a como tentáculos invisíveis e sedentos de sangue. Estes não eram os revolucionários do império.
As casas à beira da estrada tinham todas as portas e janelas fechadas, presumivelmente uma tentativa de evitar se meter na confusão, mas não havia sinais de roubo ou saque. Embora houvesse muita comoção, não havia violência.
O que mais ou menos combina com nossa experiência até agora. Aquele par de garotos eram uns idiotas, mas não consigo realmente vê-los matando alguém.
— Olhe ali. Aqueles são nossos camaradas revolucionários.
Lynsha apontou para um grupo de pessoas. Aqueles que saíam do grupo seguravam em suas mãos uma tira de pano azul.
— O que são aquilo?
— São um símbolo da revolução. Aparentemente, eles devem amarrar isso na cabeça. Acho que se chamam “Lenços Azuis” ou algo assim.
— Os… Lenços Azuis? — repetiu Mia.
Hm, que nome estranho. Quase soa plagiado. E por alguma razão, me faz pensar em algum culto esquisito com um líder assustador.
Por um breve momento, os instintos de Mia atingiram o desempenho máximo, captando informações que fluíam de literalmente outra dimensão! O único problema era que este pedaço de conhecimento arduamente conquistado era totalmente irrelevante para todos em seu mundo. Azar o dela.
A Legião de Diamante soa muito mais forte.
— A propósito — disse Sion —, o quanto essas pessoas sabem sobre nós?
— Os membros mais antigos provavelmente foram informados, mas não tenho certeza sobre essas pessoas. Parece que eles estão apenas aparecendo depois de atenderem ao chamado do meu irmão.
— Entendo. Perfeito. Vamos nos misturar com eles e apressar o passo. — Sion correu até a multidão e voltou com um pano azul. — Aqui, Mia. Você deveria colocar um também.
— V-Você tem certeza disso? — perguntou ela enquanto enrolava o pano azul na cabeça como uma bandana.
Quando ela terminou, Lynsha a examinou e suspirou.
— Bem… acho que é melhor do que aquele que você estava usando sobre a cabeça.
A mansão do prefeito tinha um ar quase luxuoso que se assemelhava às moradias da nobreza. Quando chegaram, a comoção já começava a se acalmar, e o grande pátio se enchia constantemente de homens de bandana azul. Logo, uma voz foi ouvida acima do barulho, falando de uma maneira que visava agitar suas emoções. A voz vinha de um jovem de cabelos castanhos que compartilhava os profundos olhos azuis de Lynsha, embora os dele parecessem quase vidrados com zelo eufórico.
— A exigência que fazemos é nada menos que justificada. Impostos pesados nos causaram muitas dificuldades. Desejamos falar. Que nosso sofrimento seja ouvido. O velho Dasayev é quem nos deu uma voz, e o queremos de volta. Isso é tudo. No entanto, o rei e seu governo fizeram ouvidos de mercador para nós. Isso parece razoável para vocês? Deveriam eles ter permissão para nos tratar com tanto desprezo? Não! E é por isso que estamos nos levantando! O prefeito já havia fugido com os guardas antes de cercarmos a mansão, ignorando nossos apelos e abandonando a própria responsabilidade de governar.
Sua voz não possuía a textura aveludada de um cantor, nem ressoava com poder como a de um capitão da guarda. Tinha um fluxo e refluxo muito particular que a imbuía de um carisma mais frequentemente visto em políticos que buscam energizar, ou talvez instigar, as massas à ação.
— É muito lamentável que não pudemos impedir a fuga do prefeito, mas, em troca, ganhamos o controle sobre a cidade sem perder um único homem. Tudo isso graças a vocês, meus camaradas. Nada disso seria possível se não tivessem atendido ao nosso chamado e nos emprestado sua força. Por isso, vocês têm minha mais profunda gratidão.
Rugidos de aprovação subiram por toda a multidão de jovens que ouvia. Apesar do fato de que eles nem sequer haviam travado uma batalha, muito menos saído vitoriosos, sua moral estava extremamente alta.
— Ah… Um orador convincente — comentou Sion. — Mais agitador do que testa de ferro, talvez, pela maneira como mexe com as emoções, mas ele desempenha bem os dois papéis. Esse é seu irmão, Lynsha?
Sua pergunta foi respondida não por Lynsha, mas pelo próprio orador, que olhou na direção deles.
— Ei, Lynsha. Não sabia que você vinha.
— Lambert… — murmurou Lynsha, encontrando seu olhar.
— Oh? Vejo que trouxe algumas crianças com você. Quem são eles? — seu irmão perguntou enquanto olhava curioso para seus companheiros. — Seriam eles as crianças de quem Jem estava falando? Aqueles que deveriam ser um perigo para a revolução?
Com suas palavras, toda a multidão de pessoas levou a mão às espadas. Sion estava prestes a responder na mesma moeda, mas Lambert ergueu a mão para pacificar sua audiência.
— Paz! Devemos mostrar moderação, camaradas, para não rebaixarmos a integridade de nossas vozes, pois quem daria ouvidos às palavras daqueles que sacam suas espadas para crianças?
— Eu os trouxe aqui para que você possa ouvir o que eles têm a dizer. Por favor, Lambert… — implorou Lynsha. — Fale com eles.
— Falar, você diz?
Ele deu a Sion e Mia um olhar perscrutador antes que os cantos de seus lábios se curvassem em um leve sorriso.
Tradução: Gabriella
Revisão: Matface
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