Lislette era uma jovem de bom coração que vivia em uma cidade-castelo.
Sua mãe faleceu quando ela era muito jovem, deixando seu pai para criá-la sozinho. O pai de Lislette era gentil e atencioso, e Lislette cresceu e se tornou uma jovem muito amável.
Ela e seu pai viviam felizes juntos. Então, sua vida feliz chegou a um fim repentino. Seu pai se casou novamente.
Sua nova esposa parecia não gostar de Lislette por algum motivo. Ela a forçava a fazer todo o trabalho doméstico e a importunava constantemente.
A nova madrasta de Lislette também tinha duas filhas de um casamento anterior e, como era de se esperar de meias-irmãs, elas também pareciam odiar Lislette e sempre se juntavam à mãe para atormentá-la.
Todas as tarefas eram impostas a Lislette.
— Limpe meu quarto, por favor? — A mais velha das meias-irmãs de Lislette era uma garota preguiçosa que nem conseguia arrumar suas próprias coisas, então ela bagunçava seu quarto e deixava para Lislette limpar.
— S-sim… irmã… — Lislette seguia suas instruções, desejando poder dizer à garota preguiçosa para fazer isso sozinha.
A outra meia-irmã de Lislette era mais nova que ela, mas, assim como sua irmã mais velha, sempre a maltratava.
— Ei. Tire minhas roupas para mim. Quero tomar banho. — Por alguma razão, sempre que a irmã mais nova e preguiçosa queria tomar banho, ela sempre fazia Lislette despi-la.
— V-você não deveria… se despir sozinha…? — Lislette hesitava em despir uma garota tão próxima de sua idade.
— Não! Se você não tirar minhas roupas para mim, não posso tomar banho! Lave meu cabelo também! — Mas a irmã mais nova e egoísta se recusava e continuava a importunar Lislette.
— Umm…
Mesmo sendo embaraçoso, Lislette sempre tirava as roupas da outra garota para ela.
No entanto, embora externamente franzisse a testa com o tratamento delas, Lislette achava suas irmãs meio fofas, e não odiava especialmente limpar seus quartos ou despi-las para o banho.
O que ela mais odiava era o trabalho que sua madrasta lhe pedia todos os dias.
— Diga, você poderia limpar a lareira?
Toda manhã, ao nascer do sol, a madrasta de Lislette pedia que ela limpasse a lareira. Lislette tinha que varrer as cinzas e brasas e prepará-la para que aquecesse. Lislette tinha que fazer esse trabalho todos os dias desde que se mudou para a casa de sua madrasta.
O belo cabelo dourado de Lislette ficava absolutamente sujo de cinzas, apenas por limpar a lareira suja. Ela odiava essa tarefa mais do que tudo.
— Ugh…
Mesmo fazendo isso com uma carranca no rosto, Lislette nunca disse nada sobre o assédio de sua madrasta. Todos os dias ela limpava a lareira, então seu cabelo estava sempre cheio de cinzas. Estar suja o tempo todo a deixava muito triste, e com o tempo seus olhos ficaram turvos e suas expressões escureceram, e as únicas coisas que saíam de seus lábios eram suspiros.
Com base na aparência de Lislette, ela ganhou um apelido: Cinderela.
Enquanto Lislette suportava o assédio de sua família postiça, ela se agarrava a um sonho.
Não seria exagero dizer que seu sonho era o que lhe permitia suportar os intermináveis dias de sofrimento.
— Eh-heh-heh-heh-heh… heh-heh…
Ela estava sozinha no único quarto pequeno que lhe fora reservado. Trancar-se em seu quarto era um dos poucos prazeres de Lislette na vida. Ninguém a incomodava ali. Ela se agachava no canto deste espaço maravilhosamente solitário, totalmente sozinha, respirando pesadamente.
— Príncipe… meu príncipe… eh-heh-heh… eu te amo…
A garota corajosa que suportava o bullying constante de sua família postiça era substituída por uma jovem animada, segurando uma fotografia (tirada secretamente) do príncipe herdeiro do país. Na verdade, havia fotos (tiradas secretamente) do príncipe por todas as paredes. Qualquer um podia ver que aquele era o quarto de uma perseguidora.
Lislette estava perdidamente apaixonada pelo príncipe.
Ela nunca havia falado com ele, é claro; eles viviam em dois mundos diferentes. Na verdade, Lislette só conseguira olhá-lo de longe. O príncipe provavelmente não tinha ideia de que Lislette sequer existia.
Mas desde que ela viu o príncipe quando era mais jovem, a cabeça de Lislette estava cheia de pensamentos sobre ele. Para ser franca, o assédio de sua família postiça e tudo mais não causava muito sofrimento a Lislette. Apenas olhando para uma de suas fotos (tiradas secretamente) do príncipe, ela podia limpar qualquer mancha de escuridão que tivesse se enraizado em seu coração.
Bem, quem se importa? Realmente não importa, ela pensou. Lislette se orgulhava de sua determinação de aço.
— Eh-heh-heh… Espere por mim, meu príncipe… irei vê-lo em breve… eh-heh-heh… heh-heh…
Recentemente, a força mental de Lislette vinha sendo testada ainda mais.
Seja recebendo pedidos irracionais e sem sentido como “Vá comprar comida para o jantar de hoje! Se voltar com os ingredientes errados, você vai para a cama sem jantar!”, ou sendo mandada por sua meia-irmã mais velha para “redecorar meu quarto para mim, Cinderela”, ou sendo solicitada com um “Irmãzona Cinderela, seque meu cabelo para mim, por favor?”, ela respondia: “Com prazer… eh-heh-heh…”, e assentia com um largo sorriso no rosto. Era assim que sua resistência imprudente a havia tornado. Sua disposição para aguentar o tratamento horrível delas parecia beirar o masoquismo.
Lislette acreditava que, muito em breve, seu desejo mais querido seria realizado.
— O grande baile… mal posso esperar… eh-heh-heh…
O príncipe atingiria a maioridade naquele ano, e ele tinha riqueza, poder e tempo de sobra. Então, algum tempo antes, ele decidiu que deveria se casar. Parecia um pouco louco, mas o príncipe decidiu seguir em frente e realizar um grande baile de qualquer maneira.
— Todos e todas são bem-vindos para participar — declarou o príncipe. — Terei um banquete maravilhoso preparado no castelo também. E, por favor, lembrem-se de que o casamento é um objetivo de longo prazo. Eu absolutamente não vou escolher minha noiva durante o baile, então não se preocupem com isso. Por favor, venham e concentrem-se apenas em se divertir. Ah, mas só garotas bonitas, por favor!
Muitas pessoas ficaram descontentes com este anúncio, reclamando que o evento não estava aberto a absolutamente todos — apenas a garotas bonitas. No final, no entanto, o príncipe usou sua considerável influência para silenciar qualquer crítica ao baile, chegando a amordaçar os jornais e subornar certos detratores importantes. Naquele país, as pessoas eram fracas diante do dinheiro e do poder.
O baile estava marcado para o dia seguinte.
Lislette estava especialmente animada. Se ela fosse ao grande baile, dançaria com o príncipe. Nenhum bullying de sua família poderia abalá-la.
— Eh-heh-heh… eh-heh-heh…
E naquele dia, como sempre, ela passava cada momento livre que tinha trancada em seu quarto, olhando para a foto (tirada secretamente) do príncipe, como se a devorasse com os olhos. Na verdade, ela realmente a lambia, cheirava, beijava e assim por diante, derramando afeto sobre ela de todas as maneiras concebíveis. A foto já estava bagunçada de baba, mas, mesmo assim, a excitação de Lislette não conhecia limites.
Seu espírito já estava em outro lugar.
Desde o dia em que o baile foi anunciado, a mente de Lislette estava cheia de fantasias selvagens sobre sua doce vida de casada com seu futuro marido, o príncipe.
— ……
A família postiça de Lislette observava secretamente seu devaneio. A meia-irmã mais velha empalideceu.
— Cinderela…
A meia-irmã mais nova derramou uma lágrima.
— Irmãzona…
A mãe delas suspirou.
— …Isso é horrível.
Mesmo um observador caridoso teria dificuldade em acreditar na extensão da obsessão antinatural de Lislette.
Talvez ela tivesse se refugiado na fantasia como uma consequência natural do abuso diário de sua família postiça.
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Toda a cidade-castelo estava se preparando para o grande baile que aconteceria no dia seguinte. Desde o momento em que chegamos, já sentimos vontade de dar meia-volta e fugir.
Os prédios baixos da cidade se alinhavam, como se estivessem enfileirados para servir ao palácio real que se erguia sobre eles. Por toda a cidade, panfletos anunciavam o grande baile que seria realizado no palácio. Eles diziam: O PRÍNCIPE HERDEIRO ESTÁ DANDO UM BAILE. GAROTAS ENTRAM DE GRAÇA (OFERTA LIMITADA APENAS A GAROTAS BONITAS). As segundas intenções flagrantes do príncipe eram claras para qualquer um ver.
Eu tinha acabado de chegar à cidade. Mal havia passado pelo portão, encontrado o hotel mais próximo e deixado minha bagagem. Não tinha ideia de como o lugar era normalmente, mas tinha certeza de que não era assim o tempo todo.
— Oh-hoh-hoh… Como estou? É o que vou usar no baile real amanhã! — uma garota usando um vestido luxuoso se gabava para sua amiga.
— …Eh-heh-heh… Contanto que eu tenha minha poção do amor, o príncipe não tem a menor chance… — Outra garota estava fazendo compras, sorrindo para si mesma.
— Diga, você sabia? O príncipe aparentemente gosta de garotas com pés bonitos.
— Ouvi dizer. Ele parece gostar especialmente de garotas de salto alto.
— Por que saltos?
— Talvez ele goste de ser pisado?
— Oh, príncipe…
Duas garotas estavam escolhendo saltos altos em uma sapataria, sussurrando rumores uma para a outra.
— Parece que minha neta vai ao baile.
— Oh? A minha também.
— Ha-ha-ha! Aposto que a minha vai ser a que ele vai escolher.
— Não, não, minha neta será a escolhida.
— De jeito nenhum.
— De jeito nenhum, de jeito nenhum.
Dois velhos conversavam inquietos.
Dessa forma, toda a cidade ficou obcecada com o grande baile.
Todas as garotas, aparentemente esperando por sua chance de viver uma vida de sonho e glamour no castelo que se erguia no alto, devem ter pensado que esse baile era sua chance de enriquecer.
— Elaina… — Enquanto eu olhava vagamente para a cidade, a Srta. Fran, que estava ao meu lado, cutucou meu ombro com a ponta do dedo. — Elaina, o que você vai fazer?
O que eu vou fazer?
— …Não me diga que você acha que eu vou ao baile real?
— Não, não isso. — A Srta. Fran balançou a cabeça. — Na verdade, tenho algo que preciso fazer aqui, então teremos que nos separar por um tempo.
— Hã? Algo que você tem que fazer? — Fiquei bastante intrigada com sua maneira ambígua de dizer. — Não me diga que você vai ao baile?
— Fui encarregada de um trabalho especial. Não tenho interesse em me casar por dinheiro.
— Ah-hã.
Bem, não há razão para ficarmos juntas vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, então não tenho motivos para me opor.
No entanto, me senti bastante solitária por ela não ter me contado por que diabos precisava ficar sozinha.
— Tudo bem, eu entendo.
Por enquanto, eu assenti para ela.
— …A propósito, qual é o trabalho? — perguntei, embora não esperasse que ela me contasse.
— É um segredo.
Com certeza, a Srta. Fran riu e colocou o dedo indicador nos lábios.
Então ela disse: — Acho que volto esta noite, então vamos jantar juntas. Por minha conta.
Enquanto falava, ela me deu as costas e começou a se afastar.
— ……
Eu acenei um adeus para minha professora.
Acenei para a Srta. Fran, que, com toda a probabilidade, estava indo com os olhos no príncipe.
— ……
Ela é péssima em guardar segredos…
E assim, a cortina se abriu para meu ato solo.
Enquanto eu vagava pela cidade expansiva, percebi que, mesmo tendo passado a maior parte da minha jornada sozinha, agora sentia falta de ter alguém ao meu lado. Senti-me entediada. Provavelmente porque minha parceira de conversa havia desaparecido de repente.
Dito isso, mesmo estando acostumada a viajar sozinha, não era como se eu quisesse ficar sozinha para sempre. Já havia experimentado esse tipo desagradável de solidão e tédio antes.
Normalmente, quando isso acontecia, eu transformava minha vassoura em forma humana para que ela pudesse me ajudar a passar o tempo. Mas, por alguma razão, suspeitei que se a transformasse em sua forma humana naquele momento, ela apenas reclamaria e zombaria de mim por estar tão solitária na ausência de minha professora.
Tenho que parar de depender da minha vassoura para companhia.
— Isso é horrível, irmãzona… Se não fizermos algo, nossa Cinderela vai…
— Sim… em momentos como este, eu gostaria que tivéssemos uma maga para nos ajudar…
……
Claro, eu era apenas uma humilde viajante. Mesmo tendo algum tempo de sobra, não estava necessariamente pensando em me intrometer nos problemas de outra pessoa ou ajudar alguém em necessidade.
E assim, mesmo quando notei as duas garotas chorando baixinho na beira da estrada, minha resposta foi simplesmente passar direto sem parar.
— Isso é horrível, irmãzona… Se não fizermos algo, nossa Cinderela vai…
— Sim… em momentos como este, eu gostaria que tivéssemos uma maga para nos ajudar…
……
Senti que tinha ouvido exatamente as mesmas duas frases momentos atrás, mas, como antes, ignorei tudo. Tenho certeza de que passei por elas, então como ouvi as mesmas palavras de novo? Um eco, talvez?
— Isso é horrível, irmãzona… Se não fizermos algo, nossa Cinderela vai…
— Sim… em momentos como este, eu gostaria que tivéssemos uma maga para nos ajudar…
……
Quando ouvi as mesmas palavras pela terceira vez, finalmente me virei.
Mesmo eu não era obtusa o suficiente para não perceber que alguém estava tentando chamar minha atenção. Aparentemente, as duas garotas me miraram enquanto eu passava por elas, e então começaram a me seguir.
As duas estavam paradas diretamente atrás de mim, e sussurravam uma para a outra enquanto me olhavam atentamente, como se estivessem me avaliando ou algo assim.
— Irmãzona… essa garota…
— Ela parece útil, não parece? …Ela é muito fofa também…
Estreitei os olhos para elas e perguntei: — Vocês têm algum assunto comigo?
— Oh, não! Não é nada tão sério assim! — A irmã mais velha balançou a cabeça.
— Se não têm nenhum assunto, então por que estavam me seguindo? — exigi.
Isso é bem estranho, não é?
— Nós apenas achamos você muito bonita, e meio que te seguimos — disse a irmã mais nova, sem parecer nem um pouco envergonhada.
— Entendi.
Se é porque sou bonita, então não há o que fazer, suponho.
— E então temos um favor a lhe pedir, já que você é tão bonita — disse a irmã mais velha, e rapidamente curvou a cabeça. Ela deve ter se esquecido completamente do que disse um momento antes.
Então vocês realmente têm um assunto comigo, e é por isso que estavam me perseguindo, certo? Bem, eu já podia mais ou menos imaginar isso.
— …Bem, vou ouvir o que vocês têm a dizer, pelo menos. — Eu assenti. — Infelizmente, não tenho tempo de sobra, então não posso prometer que poderei ajudá-las.
Isso é mentira, no entanto. Não tenho mais nada para fazer.
— Oh! Sério? — Mas a irmã mais velha pareceu entender minhas palavras como se eu fosse concordar com o pedido delas, porque seu rosto se iluminou enquanto ela começava a contar a história.
— A verdade é…
— ……
Meu Deus.
Eu não entendi bem a história dela, e era bem estranha, mas eu sabia de uma coisa com certeza. Era intrigante.
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— …Sinto muito. Você poderia explicar de novo desde o começo?
Ah, o que será que a Elaina está fazendo agora? Se eu a conheço bem, ela provavelmente está passeando, ou talvez apenas matando o tempo. Mas, por outro lado, ela também tem uma tendência a se envolver em situações complicadas, geralmente no pior momento possível.
Então, talvez agora, a Elaina esteja fazendo caretas enquanto algum estranho lhe conta sua história… Talvez ela tenha ouvido alguma conversa interessante e esteja se metendo nos assuntos de outra pessoa… Estou muito preocupada, como sua professora…
Esses e outros pensamentos passavam pela minha cabeça.
Os detalhes da minha comissão, que o príncipe havia transmitido com gestos exagerados de cima de seu trono, não haviam ficado na minha cabeça. Assim como minhas borboletas, todos eles haviam voado para longe.
— Hã…? Tenho que te contar de novo, desde o começo…? Não é exatamente o tipo de coisa que se repete várias vezes… este é um trabalho ultrassecreto.
O príncipe soltou um suspiro.
Ele tinha cabelos loiros e brilhantes, que ele jogou para trás do rosto com um gesto estranhamente charmoso. Ele suspirou.
— Bem… suponho que não há o que fazer…
Então, com um ar de importância, ele me disse: — Para lhe dar uma ideia geral, quero que você, Lady Bruxa, me ajude a encontrar minha futura esposa! Basicamente, quero que você assuma o papel de minha conselheira! — Ele estava dizendo tudo terrivelmente alto, considerando que esta missão deveria ser ultrassecreta.
— ……
Ah, de fato, entendo. Então é disso que se trata. Lembro-me agora.
Era um pedido tão estúpido — não, tão desagradável, considerando seu status, que voou direto da minha cabeça. Que infelicidade.
De acordo com a papelada que me foi dada, o príncipe aparentemente tinha tempo de sobra. Ultimamente, ele havia se tornado consumido por um desejo singular — seu desejo de encontrar uma noiva. O que o levou à noção de realizar um baile real, para que pudesse conhecer alguém digno de sua corte.
Em suma, ele só queria se casar. Esse era o ponto principal da discussão.
— Sim, sim, um parceiro de casamento, é isso? Nesse caso, que tal realizar algumas entrevistas? — Comecei com uma sugestão de bom senso.
— Tch!
Aparentemente, o bom senso simplesmente não serviria para sua alteza real.
— Eu acredito na supremacia do amor livre… Sou contra a própria ideia de realizar entrevistas de casamento. Além disso, se alguém da minha posição realizasse entrevistas, as únicas garotas que apareceriam seriam aquelas atraídas pela promessa de riqueza.
— Bem, então, que tal realizar as entrevistas, mas mascarando seu status?
— Espere aí — bufou o príncipe, frustrado. — Se você me tirar meu status, não me resta mais nada a oferecer… — Então ele soltou um longo suspiro.
Que jovem miserável…
— Espere aí, Madame Bruxa! — Nesse momento, um velho entrou marchando da sala do trono. — Quando você contratou uma conselheira?! O Vovô não aprova!
Aparentemente, o velho que se autodenominava “Vovô” havia ouvido furtivamente o pedido ultrassecreto do príncipe.
— Silêncio, Vovô! — respondeu o príncipe, erguendo a voz deliberadamente. — Eu sou o príncipe de todo o país! Usarei qualquer método que eu quiser para me casar com a melhor garota que puder encontrar!
Apesar de todo o seu prestígio, as palavras do príncipe o revelavam como pouco mais do que um idiota comum. Isso me colocou em uma situação um tanto complicada.
Eu suspirei: — Hum… você realmente quer tanto se casar…?
— Sim, quero. Claro que quero. — O príncipe falou com confiança do início ao fim. — A propósito, Lady Bruxa, você sabe preparar uma poção do amor? Estou apenas curioso, é claro.
Gostaria que ele não fosse tão confiante nem mesmo em seus pensamentos vulgares…
— Você não deve fazer isso, príncipe! O Vovô não permitirá que você use uma poção do amor! — O Vovô tentou conter o príncipe imprudente. — …Mas, ah, Lady Bruxa… é possível fazer uma…?
Oh, Vovô…
Espere, mais importante…
— Parece-me que usar uma poção do amor seria em oposição direta à ideia de amor livre…
— Livre no sentido de viver dentro de uma gaiola.
Não acho que se possa chamar isso de liberdade mais…
De qualquer forma, a conversa havia se desviado bastante, mas, para simplificar, a razão pela qual o príncipe me convocou ali foi…
— Então seria justo dizer que você quer minha ajuda para seduzir uma garota no baile real?
O pedido que me trouxe até este castelo dizia que era um assunto importante que exigia meus talentos. Mas, ao chegar, tudo o que aconteceu foi que fui submetida ao lamento grosseiro e adolescente de um príncipe mimado, pego no auge da puberdade, cuja mente era dominada pela luxúria. Isso me deu vontade de chorar.
Se é isso que ele quer de mim, seria um uso muito melhor do meu tempo passear pela cidade com a Elaina…
— Não! Que parte da minha história você estava ouvindo?! — O príncipe bateu com o punho em seu trono, revelando sua raiva.
O que é isso? Será que o que ele disse até agora foi apenas bobagem, nada mais do que conversa fiada? Claro, seria impróprio para um príncipe de verdade se dar ao trabalho de convocar uma bruxa apenas porque queria que ela o ajudasse a dar um grande baile. Alguém que fizesse isso seria menos um príncipe e mais um idiota comum, afinal.
— Eu quero encontrar uma garota que me pise de salto alto. Não apenas uma esposa normal. Por favor, certifique-se de me entender claramente.
Acontece que o príncipe era um pervertido.
— Isso não vai dar, Alteza! — o velho que se autodenominava Vovô interveio. — Essa é a minha fantasia!
Oh, Vovô…
— Se possível, quero que uma garota me pise enquanto me olha com olhos frios, como se eu fosse um pedaço de lixo.
— Entendo.
Oh, príncipe…
Tenho que me perguntar como este país conseguiu se manter unido por tanto tempo…
— Então, de qualquer forma, estou contando com você, Madame Bruxa.
— ……
Não tenho certeza de como responder a isso.
— E se eu não te ajudar… seria ruim…? — murmurei.
— Ha-ha-ha! — O príncipe riu alegremente. — Não, eu não me importaria se você recusasse meu pedido. Mas se o fizesse, provavelmente se veria incapaz de deixar o país.
— ……
Isso significa que não tenho o direito de recusar…? Acontece que o príncipe é um canalha incrível.
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— O príncipe que governa o país é um pervertido…? Sério?
As duas irmãs que me abordaram na rua me disseram que sua meia-irmã, Lislette, que havia começado a morar com elas no ano anterior, estava profundamente apaixonada pelo príncipe. Elas queriam que eu fizesse algo a respeito.
Imaginei que elas iriam me pedir para ajudar a dissuadir uma garota que havia esquecido sua posição e se apaixonado pelo príncipe, ou me pedir para explicar a ela que não conseguiria conquistar o coração do príncipe mesmo que fosse ao baile, ou lidar com a situação de alguma forma inteligente usando meus poderes mágicos. Era o tipo de coisa que eu esperava que elas pedissem. Mas a realidade se revelou mais estranha que a ficção.
As garotas me convidaram para sua casa, e a verdade que elas compartilharam comigo foi completamente diferente de tudo o que eu esperava.
— A verdade é que, há muito tempo, trabalhamos como empregadas no palácio real. Naquela época, limpávamos os aposentos do príncipe, e… — A irmã mais velha começou a soluçar.
A irmã mais nova colocou a mão no ombro da irmã e disse: — …Havia muitas revistas estranhas enfiadas debaixo da cama dele…
Bem, isso não parece algo para chorar.
— …Bem, se ele é um jovem, de uma certa idade, não é incomum que ele se interesse por… tais coisas — eu disse.
Mas a irmã mais velha continuou chorando. — Não ficaríamos tão chateadas se fossem revistas sujas comuns! Mas nunca imaginamos… nunca imaginamos que o príncipe seria um degenerado…
Aparentemente, houve um tempo em que as duas irmãs realmente adoravam o príncipe, assim como Lislette, mas elas disseram que, uma vez que descobriram o que estava debaixo da cama do príncipe, quaisquer sentimentos que tivessem por ele evaporaram completamente. Elas me disseram que agora só conseguiam vê-lo como uma besta em roupas de príncipe.
Fiquei um tanto morbidamente curiosa para saber exatamente que tipo de revistas elas encontraram, mas decidi deixar esse sentimento de lado e falar sobre o trabalho.
— Então vocês querem que eu trabalhe com vocês para abrir os olhos de Lislette, agora que ela se apaixonou pelo príncipe? — perguntei.
A irmã mais nova assentiu afirmativamente. — Nós nunca entregaremos nossa querida, querida irmã Cinderela para aquele pervertido! Ajude-nos, Srta. Bruxa!
— Vocês duas não conseguem convencê-la sozinhas?
Isso é realmente um problema tão sério que vocês precisam envolver uma bruxa de verdade? Tenho muitas dúvidas.
— …No início, tentamos convencê-la. Contamos tudo a ela, sem deixar nada de fora, e explicamos que tipo de pervertido ele é… — disse a irmã mais velha, baixando os olhos.
Isso aconteceu logo depois que a mãe das meninas se casou com o pai de Lislette.
— Oh? Então você gosta do príncipe, Lislette…?
Logo depois de se tornarem família, Lislette convidou sua nova meia-irmã para seu quarto, e a garota mais velha recuou com o que viu ali.
— Hm? Como você soube, irmãzona?
Ela soube porque uma parede estava coberta de fotos (tiradas secretamente) do príncipe.
Que situação lamentável devia ter sido. A jovem pura e bela tinha uma queda pelo príncipe, que parecia uma pessoa razoavelmente boa por fora, mas era podre por dentro. Algo tinha que ser feito.
A irmã mais velha explicou gentilmente: — Lislette, escute…
Então ela contou a Lislette sobre o que havia visto quando sua família estava a serviço do príncipe. Ela explicou que ele era um pervertido com uma obsessão bizarra.
Ela imaginou que, assim que Lislette ouvisse sobre a verdadeira natureza do príncipe, ela provavelmente desistiria dele também.
No entanto…
— Que crueldade! Vocês duas só querem atrapalhar nosso romance! Eu odeio muito vocês!
Lislette acabou se voltando contra sua meia-irmã mais velha.
A garota mais velha havia se apaixonado pela aparência fofa de Lislette desde que a viu pela primeira vez, e a rejeição a machucou tanto que ela passou três dias de cama.
Depois disso, a meia-irmã mais velha tentou todos os métodos que conseguiu pensar para abrir os olhos de Lislette para a verdade. Ela aproveitava todas as oportunidades para mencionar a péssima reputação do príncipe. A irmã mais nova e a madrasta também fizeram sua parte para persuadir Lislette, para abrir seus olhos para a verdade depois que ela se apaixonou pelo príncipe imprestável.
Mas ela não as ouvia.
Então, em vez disso, elas começaram a sobrecarregá-la com trabalho extra, praticamente a assediando todos os dias, embora isso as machucasse. Elas esperavam que ela ficasse ocupada demais para pensar no príncipe.
E essa foi, aparentemente, toda a história. Entendi, entendi.
— Então deu errado?
— Acho que deu errado. — A irmã mais velha inclinou a cabeça, pensativa. — Ela está tão apaixonada pelo príncipe que é quase como se tivesse sido afligida por alguma loucura estranha. Quanto mais tentamos interferir, mais quente sua paixão queima. — A garota estava obviamente de muito mau humor. — …Então tudo o que fizemos até agora foi em vão?
— Bem — ponderei —, pelo que ouvi da situação atual…
Se Cinderela queria ir ao grande baile, então eles obviamente não a curaram de sua obsessão pelo príncipe. Na verdade, as irmãs provavelmente atiçaram as chamas.
— De qualquer forma! Lady Bruxa! Por favor! Não podemos entregar Lislette ao príncipe! Ajude-nos! — gemeu a irmã mais velha enquanto se agarrava a mim.
— Estou implorando, por favor! — gemeu a irmã mais nova. — Se a irmãzona Cinderela for embora, quem vai lavar meu cabelo!?
Você não poderia lavar sozinha…?
— ……
Pensei por um momento.
Não estou muito ocupada, e não me importo de ajudá-las, mas…
— Então, basicamente, vocês ficarão felizes contanto que o príncipe não se apaixone por ela no baile? Isso é realmente algo com que vocês têm que se preocupar?
Se eu fosse fazer uma comparação sucinta, era como alguém declarando com ressentimento: “Uma pessoa que eu odeio comprou um bilhete de loteria! Se eu não fizer algo, ele vai ficar rico! Não posso permitir!” Honestamente, fiquei perplexa por elas terem me abordado com esse problema, me perguntando o que eu poderia fazer.
Mas a irmã mais velha ficou muito, muito zangada com minhas palavras.
— Que coisa horrível de se dizer! Se ela for ao baile, haverá o caos! Ela é muito fofa!
Do que você está falando? Não entendo o que você quer dizer.
Não parecia que eu poderia dizer isso em voz alta, então apenas sorri ambiguamente.
— Ah-hã…
— A irmãzona Cinderela é a garota mais fofa de todas, então é claro que o príncipe vai se apaixonar por ela. Você é estúpida? — Então recebi um julgamento contundente da irmã mais nova também.
Apenas olhei para longe.
— Ah, claro… claro…
— De qualquer forma, Srta. Bruxa, por favor, faça-a desistir do príncipe imediatamente — disse a irmã mais velha de forma decisiva.
— ……
Espere, espere, na verdade…
— Vocês não poderiam simplesmente impedi-la de ir ao baile? — Parecia-me bom senso.
No entanto, ficou bem claro que essas garotas estavam muito além do ponto do bom senso, por causa daquele príncipe desviante.
— Não diga coisas estúpidas! — disseram elas.
— Se possível, queremos ver a Cinderela em seu vestido de baile!
— ……
Será que aquelas revistas que estavam debaixo da cama do príncipe têm algo que te deixa louco se você as ler?
Seja como for, um trabalho era um trabalho, então não adiantava reclamar. Por mais que eu quisesse abandoná-las em algum ponto do caminho para a casa delas, eu estava um pouco preocupada com o que as duas irmãs loucas fariam se eu tentasse.
Nesse ponto, decidi me preparar para o pior.
— Essa é a nossa doce Cinderela.
As irmãs e eu estávamos espiando furtivamente a cozinha de um local escondido. Em nossa linha de visão estava uma garota com belos cabelos dourados, sujos de cinzas, limpando diligentemente a lareira.
Diretamente atrás dela estava uma mulher que parecia ser a madrasta, parada ali, imóvel, encarando a garota.
— …Hff, hff…
Mas a mulher parecia terrivelmente angustiada. Fiquei me perguntando o que diabos estava acontecendo.
— Hum, sua mãe tem algum tipo de doença crônica ou algo assim?
As irmãs balançaram a cabeça decididamente.
— Não, ela não está doente — disse a irmã mais velha.
Então, o que é?
— Ela está fascinada observando a Cinderela fazer seu trabalho.
Entendi — então ela está doente.
— De qualquer forma, por favor, ajude-nos, Srta. Bruxa. Faça a Cinderela feliz de alguma forma…!
— ……
Tenho a sensação de que ela nunca será feliz, contanto que esteja nesta casa… Bem, tanto faz.
Vamos ao trabalho.
— Olá.
Eu apareci inesperadamente, bem atrás das duas.
— Oh! E você é?
A madrasta se virou abruptamente. Não havia nenhum sinal da respiração ofegante que eu ouvira dela um momento antes. Aparentemente, ela só se excitava quando olhava para a Cinderela, ou o que quer que fosse que eles chamavam a garota.
— Sou amiga de suas filhas.
— …… — Depois de fazer contato visual deliberado com as duas irmãs, que estavam bem atrás de mim, a madrasta me disse: — Olá, Srta. Bruxa. O que posso fazer por você?
Ela sorriu brilhantemente para mim. Se eu não a tivesse visto agindo de forma estranha um momento antes, ela teria parecido uma mãe comum.
— Tudo bem se eu falar com a Lislette por um momento? — Inclinei a cabeça, questionadora.
A madrasta assentiu: — Sim, claro. Ela é uma das minhas preciosas filhas, então faça amizade com ela, tudo bem?
Então ela se juntou apressadamente às duas irmãs em seu esconderijo.
— Ela é bem fofa, não é?
— É sim. Mas não tão fofa quanto a minha Cinderela.
— Sim. A irmãzona Cinderela pertence a mim, no entanto.
— ……
Consigo ouvir tudo o que vocês estão dizendo…
Dei um passo à frente para escapar da atmosfera perturbadora que se desenvolvia atrás de mim. Lislette estivera limpando a lareira o tempo todo, e eu toquei em seu ombro.
— Olá.
— Eee! — Ela pulou de surpresa, como um animal pequeno, e se virou. — …Ah, o-oi…
Ela parecia aterrorizada.
— A Cinderela é tão fofa!
— A irmãzona Cinderela é adorável!
— Hff… hff…
Eu podia ouvir algumas vozes estranhas e respiração ofegante atrás de mim, mas fiz o meu melhor para ignorá-las.
Toda essa estranheza pode pegar em mim se eu ficar por aqui por muito tempo…
Decidi terminar meu trabalho imediatamente.
— Você está apaixonada pelo príncipe?
— ……! — Assim que perguntei, ela me deu uma reação que foi muito, muito fácil de entender. — C-como você…?! Onde você ouviu isso?! E de quem?!
Lislette estava puxando minha saia.
— Ei, agora… — Bati em suas mãos que me agarravam. O que essa garota está fazendo? — me perguntei. — Não, eu posso dizer só de olhar para você…
— Você pode dizer olhando…? O que você quer dizer com isso? As bruxas podem dizer que tipo de pessoa alguém é só de olhar para elas?
— Uh… sim. Então já chega disso. — Continuei batendo em suas mãos. — A propósito, isso significa que eu também posso dizer que tipo de pessoa o príncipe é.
— ……!
Ao ouvir isso, ela finalmente me soltou. Endireitando-me, olhei para a Srta. Cinderela.
— Você quer saber?
— ……! — Ela assentiu com movimentos rígidos, como uma boneca quebrada.
Nesse caso, permita-me esclarecê-la.
— Ele é lixo humano.
— Lixo humano…
— E uma verdadeira besta.
— Uma besta…
— Além do mais, ele tem um fetiche muito peculiar.
— Um fetiche peculiar…?
— Aparentemente, ele gosta de ser pisado por saltos altos.
— Gosta de ser pisado por saltos altos…
Adicionei meus próprios floreios no meio do caminho. Mas esse era realmente o tipo de pessoa que o príncipe era.
Aparentemente, Lislette havia descartado as críticas de suas irmãs ao príncipe como uma forma de bullying. Fiquei me perguntando o que aconteceria se ela ouvisse a mesma coisa de uma fonte externa.
Eu esperava que isso causasse alguma impressão nela.
— …Entendo, sim…
Lislette baixou a cabeça, triste.
Aparentemente, o plano havia sido um sucesso. Virei-me e caminhei até as irmãs e sua mãe, que nos observavam.
— E com isso, acredito que meu trabalho aqui está feito.
Nem precisei usar magia! Eu usava uma expressão triunfante.
Mas…
— …… — A irmã mais velha estava olhando para além de mim. — Não acabou só porque uma estranha disse isso a ela…
Ela estava olhando para Lislette.
— Heh-heh-heh…
Por alguma razão, Lislette estava rindo.
— Ele é um príncipe, mas é um canalha? Isso é o melhor… estou apaixonada… — Por alguma razão, ela estava dizendo coisas que eu não conseguia compreender.
Entendi — parece que ela já chegou ao ponto em que não importa o que alguém diga, ela não consegue interpretar como nada além de uma validação para seus sentimentos.
Eu sei que o amor é cego, mas isso é um pouco extremo…
— …… — Olhei de volta para as irmãs. — Ela parece que vai se dar muito bem com o príncipe, não parece?
— Esse é o problema! — A irmã mais velha soltou um suspiro.
Aparentemente, o carinho de Lislette pelo príncipe excedia em muito tudo o que eu havia antecipado, e não importava o que acontecesse, sua paixão por ele nunca esfriava.
Depois da minha tentativa inicial, comecei a levar as coisas mais a sério. Contei a Lislette tudo sobre a má reputação do príncipe, mas…
Mesmo quando, por exemplo, eu lhe contei uma mentira, como: “Você sabia? Aparentemente, o príncipe é um mulherengo incorrigível.”
— Ele é tão atraente… não há o que fazer…
Ela rapidamente aceitou, mostrando o quão tolerante era.
Quando eu lhe disse: “Aparentemente, o príncipe tem um cheiro corporal bem esquisito.”
Ela respondeu: “Oh, que requinte…”
Por alguma razão, ela desmaiou, e seu coração começou a acelerar ainda mais.
Eu até tentei uma maneira indireta de acabar com isso, dizendo: “Aparentemente, o príncipe já gosta de alguém.”
— Bem, se eu conseguir levá-lo para a cama primeiro… — Lislette tinha outras ideias terríveis.
Em suma…
— Isso já saiu do controle, não é? — resmunguei.
— Você vê agora? Mesmo que sejamos o mais diretas possível, nossos esforços não têm absolutamente nenhum efeito… — A irmã mais velha soltou um suspiro, no limite de sua paciência.
— Se não fizermos algo, um homem horrível levará nossa irmãzona Cinderela embora… — lamentou a irmã mais nova.
Preocupantemente, as irmãs pareciam não ter nada em suas cabeças, exceto pensamentos sobre Lislette.
Apesar do fato de todas as minhas tentativas terem sido em vão, elas imploraram com lágrimas nos olhos: “Por favor, Srta. Bruxa! Por favor, faça algo!”
Eu estava perdida.
Se estou sendo completamente honesta, não queria nada mais do que sair dali. Mas já estava muito envolvida. Não podia simplesmente abandonar o navio.
Mas se nada do que tentamos funcionou, então o que mais eu poderia fazer…?
— Então é impossível, afinal… Uma tarefa grande demais, mesmo para uma bruxa…
Atrás das irmãs resmungonas, a madrasta soltou um suspiro.
— Parece que não temos escolha a não ser usar nosso último recurso…
Então a madrasta fixou o olhar em mim.
— ……?
O quê?
Inclinei a cabeça em confusão, e ela continuou: — O fato é que temos uma maneira muito mais fácil de proteger nossa querida Cinderela das garras malignas do príncipe.
Oh-hoh. Nesse caso, não teria sido melhor para você usar esse método desde o início?
As irmãs se entreolharam.
— Mãe… você está planejando fazer aquilo? — A irmã mais velha olhou para a mãe com medo no rosto.
A propósito, o que é aquilo?
— Você pretende oferecer um sacrifício vivo, não é…? — A irmã mais nova olhou para a mãe, com os olhos se enchendo de lágrimas.
A propósito, o que é um sacrifício vivo?
— Não há o que fazer… Esta é a única maneira que nos resta para proteger nossa Cinderela…
Então a madrasta se levantou.
— ……
A propósito, por que ela está me encarando?
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— Estou exausta…
Só posso presumir que as pessoas perdem todo o senso de razão depois que se apaixonam. Depois de ouvir por algum tempo os pedidos do príncipe, que, apesar de ser maior de idade, ainda estava em plena puberdade, voltei para o meu hotel.
Depois de ser submetida longamente a suas ilusões, ele finalmente fez sua proposta.
— Então, o plano é que vou convidar muitas garotas para o grande baile amanhã, e você vai se infiltrar e dar a todas elas uma poção do amor.
— Espere, mas eu não sei fazer nada como uma poção do amor…
— Ha-ha-ha! Certamente você não espera que eu acredite que uma bruxa não saberia como fazer uma simples poção do amor! Você não deve mentir, agora.
— Não, sério, isso não é algo que eu possa fazer.
— De qualquer forma, estou contando com você para amanhã.
— ……
O príncipe aparentemente me convocou aqui para que eu pudesse lhe fazer uma poção do amor, mas ele me superestimou completamente. Como eu sabia muito pouco sobre romance, nunca tive a oportunidade de fazer tal poção, ou de experimentar uma, então eu realmente não podia atender ao pedido do príncipe.
Embora, pelo que pude ver do estado da cidade, inúmeras garotas quisessem comparecer ao baile do príncipe, então eu honestamente duvidava que houvesse necessidade de eu fazer uma poção do amor em primeiro lugar.
Certamente o príncipe ficaria satisfeito se eu escolhesse uma das garotas que comparecessem ao baile — uma das garotas que estivesse realmente, realmente apaixonada pelo príncipe — e então a apresentasse a ele.
— ……
Mas encontrar uma garota que estivesse apaixonada pelo príncipe… seria uma tarefa árdua.
Para começar, o amor é algo que se esconde dentro do coração de uma pessoa, não é? Um estranho não pode dizer se alguém está apaixonado por outra pessoa.
É possível que alguém esteja apaixonado, mas ainda perplexo com seus próprios sentimentos, e soltando suspiros estranhamente ansiosos enquanto luta com suas aflições, mas, fundamentalmente, isso não é algo que seja aparente do lado de fora.
— …Suspiro.
Se, por exemplo, alguém de repente começa a agir de forma muito diferente — como a Elaina, por exemplo, que acabou de soltar um suspiro enquanto olhava pela janela — então talvez essa pessoa possa estar apaixonada, mas…
Se essa pessoa fosse uma velha amiga, eu pensaria que notaria até os menores sinais, mas com um bando de estranhos, não há como eu conseguir dizer quais garotas realmente se apaixonaram pelo príncipe.
— Oh, Elaina. Qual é o problema? Algo está te incomodando? — perguntei.
Finalmente, Elaina se virou para me encarar.
— Ah… Srta. Fran. Você voltou. Bem-vinda de volta.
— ……
Por exemplo, quando as pessoas se apaixonam, elas ficam com visão de túnel e começam a ignorar todo o resto ao seu redor. Ora, se eu tivesse que descrever, diria que elas agem exatamente como a Elaina está agindo agora, mas… hã? Não, não… o quê?
— …Qual é o problema, Elaina?
Claro, as pessoas que estão apaixonadas não se abrem rapidamente sobre seu drama.
— …Oh, nada.
— ……
Oh, meu Deus.
E apesar de não se abrirem, elas soltam muitos suspiros preocupados.
— …Hahhh.
Assim mesmo.
— ……
Oh, meu Deus.
O que diabos aconteceu no curto período em que estivemos separadas?
— Srta. Fran… você sabe fazer poções do amor e coisas do tipo?
— ?????????
Oooooohhh?
Sério, o que aconteceu…?
— E-Elaina…?
O que diabos poderia ter acontecido com a Elaina? Ficamos separadas por apenas meio dia! Não acho que possa ser isso; é uma chance em dez mil, mas talvez ela tenha se apaixonado perdidamente por algum garoto que conheceu pela cidade? Não, não, estamos falando da Elaina. Duvido que algo assim aconteça. Gostaria de pensar que sim, mas… De qualquer forma, a Elaina diante dos meus olhos é a imagem perfeita de uma garota apaixonada. Não tenho ideia do que devo fazer… Bem, suponho que não posso evitar ficar perplexa sobre o que dizer a ela…
Levei todo o meu esforço para perguntar-lhe timidamente: — Hum…? Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava fora…?
— ……
Após um longo e terrível silêncio, Elaina respondeu brevemente: — …Não, nada na verdade.
— ……
Mas se ela se apaixonou, quem diabos poderia ser o objeto de sua afeição?
— Pensando bem, você foi ver o príncipe hoje, não foi, Srta. Fran?
— Hã? Uh… sim, fui…
— Que tipo de pessoa ele é?
— …!
Ela se apaixonou pelo príncipe…? Sério…?
— Elaina…
Fiquei sobrecarregada com a descoberta de que minha aluna favorita, cujo crescimento eu observei com tanto cuidado todos esses anos, em apenas meio dia, entregou seu coração a um homem que eu só poderia descrever como um completo idiota. Comecei a soluçar.
Como uma realidade tão triste pôde realmente acontecer…?
— Hã…? Srta. Fran? Por que você está chorando…? É assustador…
Suponho que nem preciso dizer que adormeci naquela noite cheia de arrependimento. Se eu soubesse que algo assim aconteceria, teria ignorado a comissão do príncipe e passado o dia passeando com a Elaina.
Eu estava me sentindo péssima a manhã toda.
— Fica perfeito em você, Madame Bruxa! Se você usar isso, o príncipe não terá a menor chance!
A madrasta de Lislette e suas filhas gritaram em uníssono quando me viram no vestido.
— Tão fofa!
Uma delas também acrescentou algo desnecessário.
— Sinto que ela não preenche bem o busto, mas vai ficar bem! — Fui tomada pelo impulso de arrancar o vestido, mas soltei um suspiro sombrio em vez disso.
Como diabos eu fui parar em uma situação como essa? Tudo fazia parte do plano horrendo que a madrasta havia traçado no dia anterior.
— Não seria bom se a bruxa pudesse ir ao baile e conquistar o coração do príncipe?
Espere um minuto, o que há de bom nisso?
Fiquei completamente perplexa, mas ela continuou: — Precisamos que você conquiste o príncipe rapidinho, finja que vai se casar com ele e depois o largue. Se você fizer isso, não acha que ele aprenderá que não pode encontrar a felicidade escolhendo uma garota apenas pela aparência?
Do que diabos você está falando, com essa expressão no rosto como se tivesse tido uma grande ideia? E o que você quer dizer com “apenas pela aparência”?
Concordando com a mãe, as duas irmãs disseram em uníssono: — Assim ninguém ficará infeliz!
Mas eu já estou infeliz…
— Então, assim que o casamento estiver garantido, você pode simplesmente fugir! — disse a irmã mais nova. — E enquanto estiver fugindo, você pode considerar ‘pegar emprestado’ alguns objetos de valor. — Ela sussurrou essa sugestão diabólica.
O que exatamente essas duas garotas pensam de mim?!
— De jeito nenhum eu me rebaixaria a roubar algumas bugigangas do palácio!
Não me subestimem, garotas. Eu sou uma bruxa, sabem!
— …Se for para roubar o lugar, vou levar tudo.
Para ser honesta, mesmo apesar de tudo o que aconteceu, eu ainda não conseguia me conter. Estava começando a me animar com o plano. Era quase como se a doença da família tóxica tivesse pegado em mim.
Mas, assim que voltei para o hotel, quanto mais pensava nisso, o problema de ter que entrar em um noivado falso temporário com o príncipe começou a ofuscar o apelo do tesouro no palácio. Me vi suspirando com frequência.
E assim, mesmo tendo permitido que a madrasta e suas filhas me vestissem para o dia, não estava sentindo nenhum prazer nisso. Acabei apenas resmungando e reclamando o tempo todo.
— Que saco…
— Ora, ora, não diga isso. — A madrasta bateu com a mão no meu ombro. — Deixe a Cinderela conosco. Vamos sobrecarregá-la com uma quantidade absurda de tarefas para que ela não possa nem ir ao baile. Isso deve lhe dar bastante tempo. E enquanto estivermos fazendo isso, você seduzirá o príncipe.
— …Suspiro.
Respondi com outro suspiro.
De qualquer forma…
Foi assim que acabei indo ao baile real.
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Era noite. O sol estava apenas começando a se pôr no horizonte.
Os portões do palácio foram abertos e multidões de jovens damas, cada uma vestida com um esplêndido vestido, entraram correndo de uma vez. O desfile de garotas cegas pela promessa de dinheiro me lembrou um rebanho de animais selvagens repetindo alguma grande migração em busca de novas pastagens.
Será que realmente há uma garota fofa naquela multidão que agradará aos gostos do príncipe? Todas elas me parecem iguais.
— Tudo bem, Srta. Bruxa, se houver alguma garota aqui que eu possa gostar, cabe a você armar para mim. Quero fingir que estou me aproximando delas por acaso em todos os casos. Se deixarmos transparecer o quão carente de amor eu estou, elas só ficarão desiludidas, entende. Conto com você.
— ……
Bem, não adianta muito esconder seu desespero, agora que o baile já começou, não é…?
As garotas continuavam a se reunir uma após a outra no salão. Naturalmente, como o príncipe insistia que o evento era um baile de verdade, tinha que haver outros rapazes também. Eu podia vê-los, um pouco atrás das garotas.
— A propósito, todos os rapazes são figurantes que contratei.
Segundo o príncipe, seu esquema era despachar qualquer garota que ele não gostasse para os figurantes imediatamente. Era quase refrescante o quão descaradamente ele exibia o monstro que era.
— …A propósito, parece que há um velho misturado entre os figurantes?
— Aparentemente, o Vovô quis participar também.
— Oh, Vovô…
Segundo o príncipe, o Vovô insistiu em participar do grande baile, dizendo alguma bobagem sobre a primavera de sua vida chegar tarde, ou algo assim.
— Então, o que você acha, Srta. Bruxa? Há alguma garota de qualidade aqui?
— Deixe-me ver…
Todas as garotas que eu podia ver se ocuparam com o banquete servido na mesa assim que as portas se abriram.
Elas são como um rebanho de animais selvagens, pastando sem se preocupar com o mundo…
De alguma forma, parecia que quase não havia garotas que realmente tivessem vindo na esperança de conhecer o príncipe.
O que significa…
— Não há garotas aqui que sejam adequadas para você, Alteza.
Bem, falando francamente, é a isso que se resume. Não estou mentindo.
É que os motivos delas para estarem aqui não são os mesmos que os seus.
— Entendo… — O príncipe baixou a cabeça. Mas, imediatamente depois, seus olhos se iluminaram. — Não, espere um segundo, pode haver uma!
Oh? Mas não consigo acreditar tão de repente que haja alguém tão tolo a ponto de querer se casar com este príncipe?
— Veja, ali! Olhe ali!
Meu olhar seguiu para onde o dedo do príncipe apontava.
— ……
A garota parada ali parecia estar no final da adolescência. Seu cabelo era da cor de cinzas, e seus olhos eram lápis-lazúli. Ela usava um belo vestido branco e, em uma mão, carregava uma bolsa bem grande.
Ela não deu atenção aos pratos de carne extravagantes. Em vez disso, essa garota suspeita estava enfiando cada pedaço de pão servido na mesa em sua bolsa grande.
A propósito, quem diabos era aquela garota, que eu não pude deixar de reconhecer?
……
Aparentemente, era a Elaina.
— Aquela garota parece ótima…
Do que você está falando?
— Ela não serve.
— Mas por quê?
— Se eu fosse apostar, diria que aquela garota ama mais pão e ouro do que qualquer homem.
— Bem, então, por que ela veio a um lugar como este?
— Ela veio para catar pão e ouro.
— Isso não a tornaria o pior tipo de canalha?
— É por isso que você deveria desistir de persegui-la.
Eu não estava mentindo.
Então ela veio ao baile, afinal… Mas por quê? Será que ela realmente se apaixonou pelo príncipe? Ou talvez, como acabei de testemunhar, ela foi atraída pelo pão?
Eu não a entendia bem o suficiente para saber sua verdadeira intenção.
— Mas ela é tão fofa…
Oh, meu Deus, do que ele está falando?
— Ela é uma garota que veio ao seu grande baile para roubar pão.
— Esse lado brincalhão dela também é bom. — Aparentemente, o príncipe não era muito perspicaz. Então ele disse: — Você poderia ir falar com ela por mim?
— ……
Não poderia haver nada mais incômodo, mas tudo bem, certo.
— Certamente.
Decidi fingir seguir as ordens do príncipe e tirar a Elaina dali furtivamente.
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Eu estava completamente focada em roubar pão. Essas coisas foram feitas para um baile real, então eram um nível acima dos pães que se podia comprar nas barracas de rua da cidade. Era fofo e quente, e eu sentia como se pudesse continuar comendo para sempre.
Isso é da boa…
Na verdade, era tão bom que quase me esqueci do pedido da madrasta e de suas filhas. Quase fugi da cena com meu butim ali mesmo.
— Elaina… não…
Enquanto terminava de enfiar pão na minha bolsa, ouvi o eco de uma voz familiar de algum lugar.
— Elaina… pare de fazer uma coisa tão vergonhosa…
Virei-me, mas o dono da voz não estava em lugar nenhum, e mesmo quando olhei ao redor da sala, não vi ninguém me observando.
— ……?
Bem, o que está acontecendo aqui?
— …Quem está aí? — perguntei.
De alguma forma, sinto que essa voz era semelhante à da Srta. Fran…
— Eu sou sua consciência — a voz respondeu.
— Minha consciência…?
— Sim, sua consciência, falando de dentro de você, dizendo para parar de roubar pão do baile real…
……
Não, claramente a Srta. Fran está falando comigo de algum lugar; essa é a única explicação provável. Talvez ela esteja usando magia para projetar seus pensamentos diretamente na minha cabeça?
— O que você está fazendo, Srta. Fran?
— Você está enganada. Eu sou sua consciência. Não sou a Fran.
— Infelizmente, minha consciência morreu em batalha há muito tempo.
— …Não, você deve ter uma… Certamente até você deve ter uma consciência… Não há como você realmente ter vindo aqui apenas para saquear a mesa do buffet.
— Nhac, nhac.
— Pare de comer pão!
— A propósito, Srta. Fran, onde você está agora? Não consigo vê-la.
— Estou te observando de longe… Ah, não, isso foi mentira, eu estava brincando. Eu sou sua consciência — respondeu a Srta. Fran, ou melhor, minha consciência, depois de pigarrear. — Estou falando com você de dentro do seu coração.
Ela é uma péssima mentirosa.
— Então seu trabalho era vir ao baile, era?
— Incorreto. Estou aqui para ajudar.
— Você é a Srta. Fran, afinal, não é?
— Hum… não, você está enganada. A propósito, o que você está fazendo em um lugar como este? É possível que você realmente tenha vindo apenas para roubar pão?
— Se você é minha consciência, não saberia por que vim aqui?
— ……
Ela ficou em silêncio.
Como eu suspeitava, a Srta. Fran estava aparentemente em algum lugar no salão e, sem dúvida, inconfundivelmente, se infiltrara no local para fazer um trabalho, seja ele qual for.
Bem, tenho certeza de que ela não está aqui pelos mesmos motivos que eu.
— Ei, você. Meu pão está delicioso?
Nesse momento, meu alvo apareceu de repente diante dos meus olhos. Parado diante de mim estava um jovem com lindos cabelos dourados, usando um sorriso despreocupado. Não parecia haver mais nada de notável nele.
— Sou o príncipe deste país. E você é?
— Nhac, nhac.
— Você não vai parar de comer pão?
— Sou a Elaina. A Bruxa Cinzenta — respondi, mastigando.
— Uau, uma bruxa! — O príncipe pareceu feliz por algum motivo. — A propósito, ser uma bruxa significa que você pode usar todos os tipos de feitiços, certo?
— Claro que posso; sou uma bruxa.
— Por exemplo, um feitiço para atingir uma pessoa com um chicote, ou um feitiço para fazer doer três mil vezes mais, ou um feitiço para dar a alguém um olhar bem maldoso?
— ……
— Ahh! Você não precisa usar nenhum feitiço imediatamente! Mas ei, esse olhar, esses olhos, é fantástico!
— ……
Ele realmente é algo…
— Elaina… Elaina? — Nesse momento, minha consciência (Srta. Fran) falou comigo novamente. — Por favor, fuja… Esse homem é o mais baixo dos baixos… Ele certamente é muito pior do que você pode imaginar…
— Na verdade, ele parece ser exatamente o que eu esperava…
— Bem…! Acho que você não tem bom gosto para homens, então… — Por alguma razão, a Srta. Fran pareceu terrivelmente chocada. Aparentemente, houve algum tipo de mal-entendido.
— …Hum, eu não estou realmente planejando me apaixonar por ele, nem nada…
— Ah, certo, claro que não. — A voz da Srta. Fran estava alegre novamente, como se nada tivesse acontecido. — Então por que você está aqui no baile?
— …É uma longa história, mas tenho que fazer esse cara se apaixonar por mim a todo custo.
— …… É mesmo?
Um silêncio pesado caiu sobre ela.
Aparentemente, minha declaração foi enganosa.
— Para ser honesta, estou aqui a trabalho — acrescentei.
— Claro.
Preocupou-me que a voz da Srta. Fran estivesse desprovida de emoção, mas continuei falando.
— Aparentemente, há uma garota esquisita que se apaixonou profundamente por este príncipe. A família postiça da garota a ama e não quer que o príncipe a leve embora, então eles querem que eu interfira e os impeça de se casar.
— Mas mesmo que ela viesse ao baile, não é impossível saber se ela conquistaria ou não o coração do príncipe?
— …Dei o mesmo conselho à família, mas, segundo eles, essa garota gosta de príncipes, então o príncipe com certeza vai gostar dela de volta. Aparentemente.
— Entendi. Isso é totalmente sem sentido.
— …Sim, com certeza é.
— Mas ele é um príncipe, então suponho que não seja impossível que algo aconteça.
— Foi o que eu pensei também.
O príncipe era aparentemente ainda mais obcecado por garotas do que me disseram.
— De qualquer forma, você é fofa — disse o príncipe. — Onde você mora? Tem namorado?
Ele não parecia ter ouvido nada da minha longa conversa sussurrada com a Srta. Fran. Era honestamente incrível.
— …Então, Elaina, isso significa que você não veio aqui porque realmente se apaixonou pelo príncipe, certo? Você está aqui apenas porque tem que estar, a trabalho, certo?
— Isso mesmo.
A Srta. Fran parecia já ter esquecido que estava fingindo ser minha voz interior. Ela falou comigo como de costume, como minha professora.
— Bem, estou terrivelmente aliviada em ouvir isso. Tinha certeza de que você tinha ido para a cidade e se apaixonado descuidadamente…
— Não sou uma garota tão fácil a ponto de me apaixonar à primeira vista por alguém que acabei de conhecer! — bufei.
— É mesmo? — Senti que a emoção finalmente havia voltado à voz da Srta. Fran. Em seu tom gentil de sempre, ela disse: — Mas você não precisa impressionar ninguém se sacrificando para tentar derrubar o príncipe. Não há necessidade de você ir tão longe.
— …… — Decidi não mencionar o fato de que ia tentar “pegar emprestado” furtivamente todos os objetos de valor enquanto participava do baile.
— Em relação à comissão que você aceitou, Elaina, não há necessidade real de você fazer o príncipe se apaixonar por você. Eu já tenho algo em andamento.
— ……?
Franzi a testa, desconfiada.
Após um breve silêncio, a voz clara da Srta. Fran ecoou novamente em minha cabeça.
— Eu arranjei uma substituta.
— …Uma substituta?
— Sim, uma substituta — ou melhor, encontrei uma garota estranha que realmente gosta do príncipe e a trouxe aqui. Porque, para satisfazer as preferências românticas muito específicas do príncipe, uma pessoa adequada para o trabalho é absolutamente essencial — explicou Fran.
Nesse momento, as portas do salão foram abertas com um estrondo.
— I-isso é…! O local do grande baile…!
Uma bela garota de cabelos dourados estava parada ali, com um sorriso malicioso. Achei que reconhecia seu rosto de algum lugar.
……
— Srta. Fran?
— Sim?
Soltei um suspiro, direcionado à professora que me observava de algum lugar.
— A garota que fui contratada para proteger? É ela.
Depois de invadir o baile, a garota anunciou que seu nome era Lislette e foi direto para o príncipe.
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Deixe-me explicar como diabos a Srta. Fran, que não deveria ter nenhum conhecimento de Lislette, acabou a trazendo direto para o príncipe.
As duas se conheceram na manhã do baile.
A Srta. Fran havia aceitado a comissão do príncipe, mas estava se sentindo desanimada porque era muito chato de lidar. Então, ela foi dar uma volta pela cidade.
Se ela não fizesse algo, o príncipe realizaria seu baile e provavelmente exigiria que ela, de alguma forma, fizesse qualquer garota que lhe agradasse se apaixonar por ele, e isso certamente seria um grande incômodo. Então, pareceu-lhe que o melhor plano era encontrar uma garota que já estivesse apaixonada pelo príncipe, atraí-la para o baile e juntar os dois.
E assim, a Srta. Fran foi procurar pela cidade, procurando por uma garota que fosse uma boa combinação para o príncipe.
Mas descobriu-se que, embora todas as garotas que planejavam comparecer ao baile parecessem, pelo menos na superfície, encantadas com o príncipe, a verdade é que a maioria delas não mostrava nenhum interesse nele. Todas estavam mais animadas com o banquete gratuito, ou com a perspectiva de enriquecer apenas por fingir se apaixonar. Todos pareciam ter seus próprios motivos desonestos para comparecer ao baile. A Srta. Fran disse que parecia estar lidando com uma “multidão de Elainas” ou algo assim, mas vamos deixar isso de lado por enquanto.
De qualquer forma, encontrar uma substituta foi difícil. A Srta. Fran não conseguiu encontrar nem uma única candidata decente.
— Eh-heh-heh… assim que eu terminar este trabalho… posso ir ao baile… heh-heh…
Nem uma única garota decente.
— ……
A maioria das garotas da cidade via o baile como nada mais do que uma chance de encher a barriga. Alguém que realmente esperasse conhecer o príncipe seria uma verdadeira exceção.
Depois de vagar pela cidade por um tempo, a Srta. Fran aparentemente avistou uma garota estranha fazendo compras enquanto murmurava com frequência: “Eu amo o príncipe…”, e outras coisas menos inteligíveis para si mesma.
— ……
Imediatamente depois de ver a garota, a Srta. Fran pensou: Ah, certamente esta garota está loucamente apaixonada pelo príncipe. Entendi, entendi…
Então, uma ideia brilhou em sua mente.
É isso! Vou juntar essa garota e o príncipe.
— Hum, com licença. — E assim, a Srta. Fran imediatamente colocou a mão no ombro da garota. — Você, por acaso, está apaixonada pelo príncipe? — ela perguntou, tão diretamente que poderia ser chamado de indelicado.
Imediatamente, a garota — Lislette — gritou de surpresa: — Eee! C-como você…?! Quem é você…?
— Sou uma bruxa, apenas de passagem. — As palavras da Srta. Fran não eram mentira. — Você parecia tão preocupada, não pude apenas observar e decidi falar com você. Sou uma boa bruxa, sabe. — Essa parte era principalmente inventada. — Você está apaixonada pelo príncipe, mas acha que seu sonho de ficar com ele nunca se realizará… Estou errada?
— ……
— Se quiser, talvez eu possa ajudar?
— Ajudar… a mim…?
Quando uma bruxa suspeita aparece de repente do nada e oferece ajuda, a maioria das pessoas normais a dispensaria. É provavelmente o que eu teria feito. Eu poderia até ter cuspido nela. Então, era difícil acreditar que alguém simplesmente concordaria obedientemente com o que quer que um estranho propusesse.
— Uh… você… me ajudar, você diz…?
Mas Lislette era aparentemente meio avoada, e ela concordou imediatamente.
— …Oh, dia feliz! — ela exclamou.
Nesse ponto da história, fiquei muito preocupada que Lislette fosse passar o resto de sua vida caindo em vários golpes e coisas do tipo, mas isso é outro assunto, então vamos deixar de lado por enquanto.
— Por favor, compareça ao baile real. Se o fizer, eu a apoiarei e garantirei que você se case com o príncipe — assegurou a Srta. Fran a Lislette.
— Mas… tenho trabalho a fazer…
— Que trabalho você tem?
— Tenho compras. Minha madrasta me pediu… — A madrasta e as irmãs de Lislette planejavam mantê-la ocupada com muitas tarefas, para que ela não tivesse nem a chance de comparecer ao baile real.
— Oh-hoh, compras, é? A propósito, onde fica sua casa?
— Ali. — Lislette apontou.
— Ali, hm? — A Srta. Fran acenou com a varinha.
— …… — Lislette olhou na direção de sua casa. Uma espécie de névoa estranha desceu sobre a casa de sua família postiça. — Hum, o que é isso?
— Coloquei todos os residentes daquela área para dormir. Agora a pessoa que lhe pediu para ir às compras não está mais em cena, entende? Então, por favor, compareça ao baile real.
A Srta. Fran havia encerrado as tarefas de Lislette de uma maneira bastante enérgica. Dito isso, tudo o que ela fez foi produzir um pouco de névoa, então ela não havia realmente colocado ninguém para dormir, mas…
— …Incrível! Então este é o poder de uma bruxa…!
Como Lislette era um pouco avoada de qualquer maneira, ela acreditou em cada palavra que a Srta. Fran disse.
— Você terá que trocar de roupa também.
Ela precisaria estar vestida apropriadamente para comparecer ao baile. A Srta. Fran apontou sua varinha para Lislette em seguida.
A Srta. Fran já havia se encontrado com o príncipe e aceitado seu pedido. Claro, ela também estava bem informada sobre o fetiche horrível do príncipe, então fazer a maquiagem e o cabelo de Lislette para que sua aparência combinasse com os gostos do príncipe era sua especialidade.
Enquanto a Srta. Fran acenava com a varinha sem esforço, as roupas surradas de Lislette se transformaram rapidamente em um belo traje.
— ……
Era um vestido de couro em tons de vermelho e preto, e saltos altos e afiados. Tinha até um chicote enrolado preso no quadril. Ela parecia menos estar a caminho de um baile e mais como se fosse matar alguém violentamente.
A roupa era absolutamente o tipo de coisa que a Srta. Fran não gostava.
No dia anterior, o príncipe havia dado à Srta. Fran um pedaço de papel com uma foto e lhe disse que com certeza se apaixonaria por qualquer garota que se parecesse com a garota da foto. A Srta. Fran percebeu que o príncipe estava, na verdade, apenas lhe dizendo como vestir qualquer garota que ela lhe apresentasse.
A roupa era obviamente totalmente inadequada para um baile real.
— …Então, aparentemente, o príncipe gosta de roupas assim… — Foi tão ruim que até a Srta. Fran se sentiu culpada por vestir uma jovem inocente com tal traje.
— Mm-mm… não se preocupe com isso… — Mas Lislette segurou o próprio peito. — É realmente meio excitante… — disse ela.
— Uaaagh…
Ah, essa garota parece uma boa combinação para o príncipe…, a Srta. Fran aparentemente pensou em seu íntimo.
E foi assim que a Srta. Fran acabou ajudando Lislette a comparecer ao baile.
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— O que quer dizer que falhei totalmente no trabalho que todos vocês me deram. Sinto muito.
Então, consegui passar pelo baile real, voltei para a madrasta e suas filhas e expliquei a situação a elas longamente.
Eu nunca imaginei que a Srta. Fran estaria operando nos bastidores, então não previ a possibilidade de falha. Não havia nada que eu pudesse fazer a não ser pedir desculpas.
Preparei-me para a inevitável chuva de reclamações que eu tinha certeza que se seguiria.
Mas…
— Entendo, hmm… — A madrasta estava inesperadamente calma. — Então, em outras palavras, nossa Lislette se tornou esposa de alguém…
Ah, eu estava errada; ela não está nada calma.
— …… — A irmã mais velha, que estava ouvindo a conversa em silêncio, pareceu reagir à palavra esposa. — Sabe, fetiches de dona de casa… existem.
Do que elas estão falando? Não tenho ideia do que está acontecendo.
— …… — A irmã mais nova assentiu em aprovação. — Na verdade, podemos pensar nisso como uma nova faceta para apreciar nossa irmãzona Cinderela…
— Vocês duas são tão otimistas que está me matando.
Então, não havia razão para eu sequer tentar? É o que parece.
Mas, na verdade, o príncipe escolher Lislette como sua parceira não pareceu ter sido uma coisa ruim para o país.
A Srta. Fran e eu ficamos na cidade por um tempo depois do baile, mas não ouvimos um pingo de fofoca negativa sobre o príncipe e Lislette.
Pelo contrário, quando se tratava do príncipe, as pessoas até diziam que ele havia recuperado um pouco de sua compostura como homem.
Agora, por que será que isso aconteceu?
— Tenho certeza de que ele não sente mais a necessidade de se exibir, agora que encontrou sua parceira ideal — disse a Srta. Fran.
— …Como isso funciona?
— Ninguém quer revelar seu lado feio na frente da pessoa que ama, certo? Todos naturalmente tentam se exibir na frente de seu amado.
— ……
Hum, bem, quando se trata do príncipe, sinto que ele não tinha nada além de partes feias para começar…
— De qualquer forma, mesmo aquele príncipe vai fazer um trabalho esplêndido de agora em diante… provavelmente… eu acho.
— …Isso seria bom…
Porque eu preferiria não passar por tanto trabalho da próxima vez que visitar.
A Srta. Fran e eu continuamos conversando enquanto nos dirigíamos para os portões da cidade.
No caminho…
— A propósito, Elaina. — A Srta. Fran de repente olhou para mim. — Que tipo de pessoa você diria que é o seu tipo preferido?
Oh, meu Deus…
— O que é isso, de repente?
— Oh, eu estava apenas me perguntando que tipo de pessoa você tentaria se exibir na frente.
— ……
Alguém para quem eu me exibiria?
Depois de pensar por um tempo, sorri de volta para a Srta. Fran.
— Isso é um segredo.
Certamente a Srta. Fran não pode entender meus sentimentos sobre o assunto.
Porque, ao contrário dela, sou ótima em guardar segredos.
Tradução: Gabriella
Revisão: Axios
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